Título: There's a Light... (ou a Cia. Hogwarts de Teatro apresenta Rocky Horror Picture Show)
Disclaimer: Fanfic escrita por diversão e para me botar de volta ao rumo. Os direitos autorais de Harry Potter pertecem a JK Rowling, a Warner Bros. e etc. Rocky Horror Picture Show também não é meu e eu não gostaria de ter problemas com quem possui os direitos. Eu não possuo nada e nem quero dinheiro por essa história.
Avisos: Slash, slash e mais um pouco de slash. Se você não sabe o que é isso, talvez seja melhor nem ler.
Capítulo 11: Coragem não é o meu forte
Eu estava muito feliz por Pansy e Blaise. Eles finalmente tinham se acertado e estavam namorando. Mas conforme o tempo foi passando, minha coragem de ir falar com Harry foi diminuindo. Tanto que no dia seguinte, ela tinha chegado à bem perto de zero. Era sábado e eu só ia precisar trabalhar a tarde. Luna tinha ido fazer alguma coisa relacionada a peça e eu não ia me intrometer no namoro dos meus melhores amigos logo no início. Eu estava quase determinado a ligar a TV, quando meu telefone tocou.
Era minha mãe e ela estava me chamando para ir almoçar com ela num restaurante chique. Foi tão bom ouvir a voz dela naquele momento e ela também parecia feliz em ouvir minha voz. Depois de falar com ela, fui tomar um banho bem longo e me arrumar. Vesti a melhor roupa que tinha trazido da mansão, que não chagava nem perto da minha melhor roupa, e fui para o restaurante. Chegando lá, decidi esperar por ela do lado de fora. Não queria entrar naquele lugar sozinho.
- Draco... – eu ouvi minha mãe me chamando depois de alguns minutos de espera. Seu rosto estava iluminado e ela me abraçou forte. – Por que está aqui fora?
- Eu só quis te esperar aqui fora... – falei, desconversando. A verdade é que eu não me sentia bem nos lugares frequentados pela alta sociedade. Quando era novo, me sentia importante neles, como se fossem algo demais. Mas desde que tinha voltado da Itália, eu preferia ficar no meu canto.
Nós ficamos em silêncio enquanto entravamos no restaurante e nos acomodávamos em uma mesa mais para o fundo. Aquele era o restaurante preferido da minha mãe e todos os funcionários a tratavam como a cliente mais VIP que poderia aparecer. Depois que pedimos nossas bebidas, minha mãe segurou minha mão e sorriu para mim. Durante aquele tempo eu tinha percebido que ela me observa atentamente.
- Sair de casa fez muito bem a você, Draco... – Narcisa comentou, sorrindo, tentando ser formal. – Você está mais bonito e maduro.
- Mãe, só tem uma semana... – falei, corando.
- Parece que foi há mais tempo. – Ela disse sorrindo novamente. Um garçom trouxe nossas bebidas e depois de agradecer, minha mãe assumiu sua pose de mãe preocupada. – Me diga como você está? Está comendo direito? Como vai a faculdade? E a peça? Está dormindo o suficiente?
- Mãe, tá tudo bem... – respondi, tentando não pensar na minha situação ainda não resolvida com Harry. – Eu tenho me alimentado direito, larguei administração, arrumei um emprego e estou me esforçando ao máximo na peça.
- Arrumou um emprego? – Ela perguntou, chocada, mas impressionada. – Você não precisava, Draco. Eu não me importaria de te ajudar.
- Eu sei, mãe. – Falei sorrindo. – Mas eu não queria te incomodar ou te indispor com...
- Não pense no seu pai. – Minha mãe segurou na minha mão novamente e a apertou levemente.
Nesse momento, o garçom trouxe nossos pratos. Eu logo comecei a comer, porque não queria falar mais nada, já que eu acabaria falando sobre Lucius ou Harry. Minha mãe ficou me observando enquanto comia. Eu me esforcei para não sentir seu olhar curioso sobre mim, mas logo eu o senti queimando. Apenas olhei para ela tentando parecer calmo e tranquilo, porém ela deixou um minúsculo sorriso aparecer.
- Aconteceu alguma coisa, Draco? – Ela logo perguntou.
- Não... – Minha mãe apenas levantou uma sobrancelha. Ela podia ver através da minha mentira descarada.
- Se você não quiser me contar, tudo bem. – Ela sorriu, serena. – Mas não negue que algo aconteceu. Você parece uma pilha de nervos.
Tudo que consegui fazer foi rir. Não só pelo absurdo de eu estar parecendo uma pilha de nervos, já que um observador de fora olharia e acharia que eu estava em perfeito estado de controle mental. Mas porque Luna teria dito o mesmo. Afinal eu sentia que a qualquer minuto ia desabar e ter um colapso mental. E não era apenas o beijo que estava me deixando desse jeito. Tudo o que tinha acontecido nas últimas semanas era surreal e simplesmente impossível.
O almoço continuou, mas minha mãe não tentou entrar em certos assuntos novamente. Ela perguntou sobre a faculdade, o trabalho e a peça. Eu evitei entrar em detalhes e ela se contentou com isso. Quando saímos do restaurante, ela me abraçou bem forte e disse que me amava e que estava muito orgulhosa de mim. Antes que eu pudesse responder, ela já tinha ido embora. Fiquei estático por alguns minutos e fui embora sorrindo. Narcisa Malfoy é uma mulher incrível.
Let's do the time warp again…
Passei o resto do final de semana na livraria e ajudando Luna com as coisas da peça no apartamento. Ela estava começando a fazer os figurinos e eu fiquei genuinamente feliz em ajudar, principalmente porque quando Luna estava concentrada na peça, ela não me fazia perguntas. Na verdade, quando cheguei ao apartamento depois do trabalho, ela estava cercada de tecidos rosa, preto e dourado, parecendo uma criança num parque de diversões.
Durante aquele resto de sábado e todo o domingo, o nome Harry não foi mencionado. Mas a cada minuto que passava, mais nervoso e ansioso eu ficava. Isso ficou muito claro quando Hermione apareceu domingo à noite para passar alguns recados de Tonks para Luna, que aparentemente a diretora havia exigido que fossem dados fisicamente. No momento em que abri a porta após ouvir a campainha e a vi, quase tive ataque.
- Ela quer o quê? – Luna perguntou, indignada. Hermione havia acabado de fazer um mini resumo da reunião que presenciado entre o prof. Lupin e Tonks e agora estava passando os recados.
- Glitter em todas as maquiagens dos personagens... – Hermione falava parecendo se desculpar. Luna apenas riu maniacamente, provavelmente para não mandar Tonks a todos aqueles lugares que não são muito agradáveis de ir. Então, de repente, ela se acalmou e disse:
- O glitter vai para Columbia e Magenta... E talvez no final para o Frank também. Mas eu não vou colocar isso no Riff Raff ou no Rocky. Tão fora dos personagens!
Eu concordava com ela, mas não queria me meter. Na verdade, eu não queria falar nada na presença de Hermione, porque eu tinha certeza que a primeira coisa que eu faria seria perguntar sobre Harry. Infelizmente, a todo o momento elas tentavam me incluir na conversa sobre a peça, então acabei dando repostas monossilábicas. Quando a coisa toda acabou ficando insuportável demais, acabei me trancando no banheiro por cinco minutos, esperando que talvez elas ignorassem o meu estado. Porém, quando sai do banheiro e estava voltando para a sala, estanquei no corredor porque Hermione estava pronunciando a pergunta fatal.
- O Draco tá meio estranho hoje, né?
- Ele ainda tá enlouquecendo com a coisa do beijo e do Harry gostar dele. – Luna falou como se não fosse nada, mas eu pude perceber um tom de preocupação em sua voz. – E como está o Harry?
- Ele basicamente está trancado no quarto desde quinta à noite. Só sai para comer e ir ao banheiro... – Hermione falava como se fosse uma mãe que não sabia o que fazer com um filho rebelde. – Acho que ele nem tem dormido... – As duas suspiraram profundamente.
- Eu só queria que os dois se acertassem logo. – Luna comentou. – Essa coisa deles ficarem se martirizando por não sei qual motivo, já que eles se gostam, só vai fazer mal para os dois.
- Concordo... – disse Hermione, cautelosamente. – Mas eles têm um passado... E são tão inseguros. – Não sei o que Luna fez, mas a resposta de Hermione me diz que ela revirou os olhos. – Sentimento é uma coisa muito complicada, Luna. A gente não pode esperar que os dois vão simplesmente passar por cima de tudo que aconteceu por causa de algo que nem sempre tem motivo ou razão.
- Eu sei... – a voz de Luna parecia sombria nesse momento. – Mas os dois seriam bem mais felizes se fizessem isso.
- Verdade... – houve uma longa pausa. Eu não sabia onde me enfiar naquela hora e estava quase voltando para o banheiro, quando Hermione voltou a falar. – Você acha que o Draco vai dar o primeiro passo?
- Claro. – A voz de Luna tinha voltado ao seu tom normal, mas mesmo assim ainda me deu arrepios. – Ele é bem mais corajoso que o Harry.
Decidi que aquela era a hora de voltar para a sala. Então andei fazendo o máximo de barulho possível e quando cheguei perto delas, percebi que as duas estavam sorrindo e pareciam estar concordando sobre algo. Elas logo voltaram a falar sobre a peça e tentei participar mais, para não ficar na cara que eu havia ouvido a conversa delas. Passaram-se pelo menos uma hora antes de Hermione ir embora. Eu continuei ajudando Luna até a madrugada. E durante todo esse tempo, ela me deu dicas que sabia que eu tinha ouvido toda a conversa. Quando perguntei como ela tinha percebido, ela apenas disse:
- Narguilés.
Let's do the time warp again…
O ensaio de segunda ia ser estranho, por mais que eu tivesse passado o dia inteiro me convencendo de que eu seria profissional e que não deixaria meus problemas pessoais interferir na minha atuação. E quando cheguei ao ensaio, percebi que ia ser ainda pior porque Tonks estava naquela disposição meio maníaca que era própria dela de exigir o máximo e mais um pouco de todo mundo. O que me deixou uma pilha de nervos, já que eu teria que lidar com Harry e a diretora. Foi então que vi Weasley saindo correndo do teatro e Hermione discutindo com Lupin. O resto do elenco estava disperso e percebi que Luna se juntou a Tonks.
- Draco, você sabe o que tá rolando? – Pansy chegou perto de mim, perguntando.
- Não... – falei vagamente, observando o semblante de preocupação de Lupin. Será que tinha acontecido algo? Fui andando em direção ao palco para perguntar a Luna ou Hermione o que está acontecendo, quando percebi que faltava alguém. – Pansy, cadê o Harry... quero dizer, Potter?
- Ele deve estar nos bastidores... – ela falou sem muita convicção – Ou então está atrasado.
Aquilo deu um nó no meu estômago. Não é porque eu estava disposto a evita-lo e nunca mais pensar no assunto, provavelmente assim como ele, que eu deixei de ficar preocupado. Harry sempre chegava cedo nos ensaios e estava sempre de bom humor. Chegava a ser irritante e adorável. Mas se ele não tinha aparecido, assim como eu, na sexta e não tinha vindo hoje, era porque a situação era um pouco mais grave do que eu tinha pensado. Comecei a me lembrar da conversa que tínhamos tido antes do beijo e tive que me esforçar um pouco para não ficar pensando no beijo e lembrar do Hermione tinha dito sobre o comportamento de Harry no fim de semana.
- Draco, Pansy, que bom... – disse Tonks, meio irritada meio aliviada, quando nos viu chegando na frente do teatro. – Se vocês não viessem também, eu teria que cancelar o ensaio de novo e nós não podemos nos dar a esse luxo.
Pansy disse alguma coisa, mas eu não prestei atenção. Então Harry não tinha aparecido mesmo. Mas aquilo parecia um pouco mais problemático do que só uma falta no ensaio. O desespero de Weasley saindo do teatro e a preocupação de Lupin e Hermione mostravam que algo pior tinha acontecido. Recebi uma cuticada de Pansy e percebi que Tonks estava começando o ensaio. Fui subindo para o palco com ela e percebi Weasley voltando, ainda correndo. Ele estava vermelho e esbaforido, só conseguindo mover a cabeça em negativa para a pergunta silenciosa de Hermione.
- Será que Tonks vai botar Neville para substituir o Harry? – Ouvi Pansy me perguntar e fiz cara de confusão. Ela estava prestando atenção em outra coisa. – Nossa, Draco, onde você tá com a cabeça?
- Bem, já que ninguém consegue achar o Harry, Neville vai substitui-lo por hoje... – Tonks falou bem alto para todo mundo ouvir e começou seu discurso motivador de sempre. Longbottom, que provavelmente havia acabado de chegar, estava corando ao lado dela e parecia querer se enfiar num buraco e Hermione, juntamente com Weasley, estava se juntando a nós no palco.
Tonks começou o ensaio com a cena do laboratório, o que não me deu oportunidade de ir correndo até Hermione perguntar o que estava acontecendo. Na verdade, só lá para o fim do ensaio, enquanto a diretora estava se focando em Weasley e Pansy, é que pude chegar perto dela. Mas foi complicado falar com Hermione, já que ela estava discutindo algo do cenário com Luna. Depois, ela agradeceu a Neville e foi correndo ver algo nos bastidores. Fui atrás dela e acabei a encontrando falando novamente com Lupin.
- Falei com Sirius e ele disse que Harry passou lá em casa de tarde, mas ficou pouco tempo.
- Ele não sabe pra onde ele foi? – Hermione perguntou, sua voz carregada de preocupação.
- Ele não disse... – Lupin falou, parecendo preocupado e cansado. – Eu não sei mais o que fazer, Hermione. Até o Sirius disse que Harry parecia mal. – Os dois fizeram cara de medo. – Ele não está na Toca, não está na casa dos pais, não atende o celular...
- Também não sei o que fazer, Remus. – Aquela conversa estava destruindo meu coração, então resolvi parar de ouvir a conversa dos outros e chamei por Hermione, como se a estivesse procurando. Os dois levaram um susto ao perceberem que tinha alguém ali e Lupin se retirou quando me viu, dizendo que se tivesse notícias, iria avisa-la. Já Hermione não parecia surpresa de me ver.
- Você está com uma cara péssima, Draco.
- Você também... – ela se sentou no chão apoiada na parede e me sentei ao seu lado. – O que é que tá rolando?
- Ah, é só o retardado do Harry que resolveu sumir do mapa... – Hermione falou tentando parecer irritada, mas ela só conseguia soar preocupada. Como eu não disse nada, ela continuou. – Hoje de manhã, ele saiu comigo para vir a faculdade, mas no meio do caminho disse que tinha esquecido alguma coisa. Durante o dia, procurei ele por Hogwarts, mas não o achei. Tentei ligar para ele, mas nada. Perguntei para vários colegas deles se eles o tinham visto, mas todos disseram que ele não tinha ido as aulas. – Ela tomou um pouco de fôlego. – Passei em casa na hora do almoço e nada de Harry. Eu tinha que comprar umas coisas para o cenário, então tentei não me preocupar. Pensei dele ter ido ver Sirius ou os pais. Mas quando cheguei pro ensaio e falei com Lupin, ele disse que não o tinha visto o dia inteiro...
- O Weasley não sabe de nada? – Perguntei e o rosto dela se tornou duro.
- Ronald estava ocupado demais com a namoradinha para se lembrar que o melhor amigo dele existe. – Hermione bufou e me olhou.
- Mas ele foi procurar, né? – Ela sorriu, tristemente.
- Quando foi dando a hora do ensaio e Harry não estava aparecendo, eu tive que falar com ele. Ron ficou todo preocupado e saiu correndo pra ver se ele estava vindo. – Hermione suspirou e se calou por um tempo. – Durante o ensaio, Lupin ligou para todo mundo que ele conhece para ver se alguém tinha visto Harry, mas tirando o Sirius, ninguém tem notícias. – Os olhos dela estavam se enchendo de lágrimas e eu não sabia o que fazer. Tudo que eu conseguia pensar ou sentir era que aquilo tudo era culpa minha. Que eu tinha me intrometido na vida dele e destruído tudo. – Se ele não fosse tão cabeça dura e falasse comigo. Eu passei o final de semana todo preocupada com ele, mas ele só continuou se fechando e se fechando e eu não sei o que fazer.
- Me desculpa, Mione. – Não sei porque eu a tinha chamado pelo apelido, mas parecia certo. Ela me olhou e começou a rir.
- Você não tem culpa de nada, Draco. – Tenho certeza que ela riu por uns bons minutos. – Ele teria que passar pelo que está passando com ou sem você. – Hermione, então, sorriu. – Apesar de ser extremamente impulsivo, Harry sempre tentou fazer o que é "certo". Tudo o que ele sempre quis foi uma vida normal. Ter um emprego, namorar, casar, ter uma família. E agora, ele tá descobrindo que as coisas não vão ser como ele pensava, e que na verdade, nunca foram. – Hermione me olhou bem nos olhos e sorriu de novo. – Você foi a última gota d'água.
- Obrigado por isso... – Hermione riu de novo e acabei sorrindo.
Nesse momento, Weasley apareceu e ficou meio chocado de nos ver ali, sentados e sozinhos. Hermione logo fechou a cara para ele e os dois começaram a discutir. Eu levantei, me despedi discretamente dela e fui embora. Fiquei contente, já que pelo menos Hermione parecia menos tensa, mesmo brigando com Weasley. Ainda assim, eu continuava aflito. Queria saber onde Harry estava e se estava tudo bem com ele. E mesmo depois que tudo que Mione tinha dito, eu queria saber se ele me culparia pelo que estava acontecendo.
Notas: É só para avisar que, como estou postando tudo quase junto, não vou colocar notas em todos os capítulos.
Sim, eu fiz uma nota para avisar que nem todo capítulo vai ter notas.
Não precisam me avisar da ironia.
E nem me odeiem pela tentativa de piada sem graça.
