Encontravam-se em uma lanchonete de beira de estrada em plena noite de lua cheia, segundo Obito era naquela região que a alcateia de lobisomens estava instalada.
Desde que foram separados como grupo, Naruto não havia conseguido trocar uma só palavra com os anjos, ficou admirado com o fato de que mesmo sem enxergar, eles conseguiam desviar de obstáculos naturalmente.
– O dono deve saber algo á respeito das mortes suspeitas. –Neji ergueu-se caminhando até o balcão.
Assim que se viu á sós, sentiu-se mais á vontade para reparar na garota, já que como os dois sempre juntos, ele não se atrevia á olhá-la. Apesar de deficientes, seus olhos eram lindos e rebatiam a claridade de uma forma tão... Divina. Sua pele alva em contrate com seus cabelos também era destaque, mas o que lhe chamou a atenção foi o busto cheio que mostrava, mesmo com uma roupa coberta até o pescoço. Deu um pulo da cadeira e ficou sem graça quando ela se pronunciou, com a voz doce:
– E-Está distraído?
– Ah... Sabe como é, pensando na situação em que estamos, nunca imaginei que trabalharia com anjos, embora tenha convivido com Sakura que é uma de vocês. –respondeu mudando o foco de seus olhos para outro rumo.
– É realmente inusitado. –concordou. – Pode parecer estranho, mas eu conheço seu rosto, fui eu quem mostrou á Sakura como você era. –confessou ficando corada.
– Então fez parte do plano de me fazer de otário foi? Muito obrigado dona... –comentou sem ter guardado seu nome.
– Hinata. Desculpe por isso, não foi nossa intenção. É que você era o caminho mais fácil até o Príncipe, Itachi quis muito que tudo desse certo. –justificou ainda sem graça e parecia ainda mais linda com aquele jeito envergonhado... Espere aí, linda? Desde quando achava alguém da espécie rival á sua linda? Sacudiu a cabeça para afastar tais pensamentos.
– Tudo bem, já passou. Concentremo-nos agora na nossa missão. –comentou sorrindo.
– Não dirija a palavra á minha nee-san. –Neji voltou falando com desprezo.
– Ele só está sendo amigável nii-san. –defendeu.
– A amizade de criaturas como ele só levam os outros ao caminho de más intenções. –rebateu.
– Não preciso ouvir isso. –ergueu-se. – Apenas contente-se em fazer sua parte nessa Rapunzel. –irritou-se.
Neji fez uma cara de poucos amigos e ia responder á altura quando Hinata interveio:
– O que descobriu nii-san?
– Nada, mas ele não estava sendo sincero. –revelou.
– Certo, continuemos procurando com as outras pessoas. –o loiro tomou á frente.
Quando estavam de fora, repararam que a tarefa não seria tão fácil, pois não havia mais ninguém ali além deles.
Hinata parou de repente ao lado do irmão, algo não estava certo. Foi então que um homem avançou sobre ela. Naruto foi ajudá-la, mas ele jogou-o com um chute alto, fazendo com que caísse sobre sacos de lixo.
Neji partiu em defesa. O homem peludo como um lobo, garras afiadas e expressões animalescas jogou-lhe o conteúdo de um frasco: olho santo. Sentiu sua pele queimar com o contato.
O inimigo então, soltou a garota e dando um golpe forte na cabeça do rapaz, deixando-o inconsciente, carregou-o consigo.
Naruto mal teve tempo de ajudá-lo, pois foi socorrer Hinata quando o monstro a soltou, ela parecia ser tão frágil que sentia como se devesse protegê-la, mas havia visto a trilha seguida pelo lobisomem.
– Está se sentindo bem? –perguntou ajudando á levantar-se.
– Sim, mas meu nii-san... –sua voz era chorosa.
– Ele vai ficar bem, vamos resgatá-lo, prometo. –assegurou-lhe. – O monstrengo estava preparado, soube o que usar contra seu irmão.
– Eles estão estudando bem nossas fraquezas, é uma guerra. –falou segurando no braço do loiro.
– Tem razão. –concordou notando que a garota ficou estática do nada. – O que foi? Está se sentindo bem? –indagou preocupado.
Ela ficou mais uns segundos em silêncio, como se não estivesse ali. Então piscou e voltou-se para ele como se o enxergasse.
– Vi o galpão abandonado onde estão escondidos. São apenas dois além do alfa. Começarão um ritual para destruir meu nii-san. –informou tristemente.
– Puxa, por que nenhum de nós é tão útil quanto você? –pegou-se admirado com as habilidades da morena que se encolheu toda tímida diante suas palavras.
...
Naruto carregou suas armas, balas de prata no coração seriam o suficiente para acabar com aqueles cães.
– Eles provavelmente notarão nossa presença antes mesmo de chegarmos, é melhor você não me acompanhar Hinata. –o loiro recomendou.
– Mas meu nii-san está lá. Além do que, o local é guardado por símbolos contra demônios e anjos. Você precisará de mim para quebrá-los.
– E você de mim. –completou o raciocínio dela derrotado, ela estava correta. – Certo, mas fique sempre por perto. –alertou.
E diferente do que imaginava, assim que pararam diante do galpão abandonado não apareceu nenhum lobisomem para confrontá-los, era quase como se quisessem que eles entrassem ali.
Cumprindo sua função, logo na entrada havia dois símbolos que cada um deles deu um jeito de anular.
Assim que Naruto cruzou a entrada, um deles tentou golpeá-lo com uma barra de ferro maciço, mas o loiro foi mais rápido se defendendo deste, tomando o objeto e acertando em cheio sua cabeça.
– Naruto-kun cuidado. –a morena alertou e quando estava prestes á atirar no que havia acertado, o mesmo que havia atacado Neji pulou em suas costas.
Naruto então foi até uma das paredes e chocou o corpo do lobisomem que ainda estava pendurado em suas costas. Ele tombou, então simplesmente se virou e acertou um tiro do lado esquerdo de seu peito.
Voltou ao primeiro que estava meio inconsciente e atingiu-o da mesma maneira. Em seguida encaminhou-se até Hinata para que ela lhe acompanhasse.
Foi só então que perceberam que o galpão era bem maior do que imaginaram. Quando uma luz de acendeu bem no meio do local, um homem começou á bater palmas:
– Bravo! Nunca pensei que veria isso, anjos e demônios trabalhando juntos. Acho que estão mesmo se sentindo ameaçados por nós. –o rapaz de cabelos castanhos vestia uma calça desbotada e uma jaqueta velha aberta, expondo os músculos definidos de seu abdômen.
– Não será por muito tempo, viemos acabar com essa sua cachorrada! –o loiro exclamou fazendo com que o grande cão ao lado do homem começasse á latir raivoso.
– Nii-san! –Hinata exclamou ao ver seu irmão amarrado dentro de um círculo em chamas com óleo santo.
– Ele vai ficar bem, todos os três logo estarão livres de tudo isso. –rindo e dizendo isto, eles assistiram enquanto o cão tomava forma humana.
Os dois avançaram juntos mirando na garota, mas Naruto empurrou-a fazendo com que caísse no chão e nocauteou um deles com um gancho de direita.
Mais que depressa, sacou a arma e acertou o adversário, que depois do tiro voltou á sua verdadeira forma: a de um cão.
O outro olhava chocado e logo aquela perda se transformou em fúria:
– Como se atreve em matar o meu Akamaru?! Agora sim, acabarei com sua raça! –lançou-se dispondo seguidos golpes com suas unhas afiadas.
Naruto desviava com precisão, mas não conseguiu evitar que um ataque acertasse seu tronco. Não dava tempo para se recuperar, o lobo continuou investindo.
Conseguiu acertar um chute, forte o suficiente para afastá-lo um pouco. Precisava ser rápido o suficiente, tirar a pistola do coldre e dar um tiro certeiro, porém suas expectativas foram em vão quando o inimigo atingiu seu braço, fazendo com que a arma caísse longe.
Kiba atacou-o mais uma vez, lançando no chão e quando ia simplesmente saltar sobre sua presa e despedaçá-la, ouviu-se o barulho.
Em seguida, o moreno caia sobre Naruto que se esquivou do corpo inerte. Olhou para ver o atirador e se surpreendeu ao ver Hinata com as mãos trêmulas segurando o revólver que não tardou em ir ao chão, junto com a garota que caiu sentada.
– Hinata? O que houve? –questionava-a preocupado.
– E-Eu tirei a vida dele? –perguntou ignorando-o.
– Foi necessário Hina, era eu ou ele. –respondeu compreendo a dor da garota, agora ela tinha sangue em suas delicadas mãos.
– Não devia ter feito isso Naruto-kun. –agora chorava.
– Hina não chore vai, não consigo ver garotas chorando. Você fez o que devia ser feito e, além disso, salvou minha vida, sempre serei grato á você. –disse para ela tocando de leve sua mão, ainda tinha a impressão de que ela poderia se quebrar caso relasse nela. – Vamos soltar seu nii-san agora. –ajudou a reerguer-se.
Naruto apagou as chamas que formavam o círculo e desamarrou-o, sendo surpreendido logo em seguida por um golpe em sua face:
– Não toque mais em minha nee-san, tudo isso é por sua culpa. –acusou o de cabelos compridos que abraçou a irmã apoiando-a.
O loiro ficou revoltado e só não deu uns berros, pois estava cansado e isso só pioraria a convivência entre ambos, tinham mais o que fazer agora.
Menos dois...
...
