Bem, o que dizer? Sinceramente, eu me sinto meio errada em continuar esta história, especialmente do ponto onde parou, com algum senso de humor, depois da perda do ator que, com uma competência incrível, deu vida ao nosso querido Mestre de Poções. Sinto muito por nós todos, que ficamos nesse mundinho, agora um pouco mais cinza; mas fico feliz que ele não esteja sofrendo mais.
Obrigada pelos comentários e a todos que estão lendo.
Que bom que você gostou, Antonela! É muito importante o retorno de vocês, inclusive, saber que você gostou do cap. 5.
Capítulo de Investigação.
Divirtam-se.
- E como se faz uma investigação tão sutil?
- Com paciência.
O jantar não era requintado, mas estava delicioso. Os vegetais ficaram al dente e perfumados com as ervas acrescentadas à água. O pire de batatas estava cremoso e o salmão combinara maravilhosamente com o molho agridoce. Hermione esperou que todos os elogios acabassem antes de revelar quem era o responsável pelo sucesso e quando todas as atenções se voltaram para Snape, ela pousou a mão sorrateiramente em sua coxa para encorajá-lo.
- Claro que a disciplina de poções tem aspectos em comum com a culinária, mas é consideravelmente mais mortal. – ele finalizou a explicação, arrependendo-se em seguida ao ver Neville se concentrar no jantar.
- Poções mais mortais que culinária? Pois sim! – debochou Hermione – Qualquer dia faço meu famoso Toad in the hole pra você, tá? – ele apertou a coxa dela sob a mesa vendo o garoto tímido dar uma risadinha discreta.
Não muito tempo atrás ela tivera a maravilhosa ideia de aproveitar que seu aniversário caía num sábado para cozinhar para os amigos e optou por fazer um toad in the hole como prato principal. Achando que a massa estava muito rala, ela acrescentou farinha de trigo até uma consistência de massa de bolo. Para completar, não lhe ocorreu que devia usar fermento como se usa em bolos.
O resultado foi uma Hermione muito emburrada, ligando para a pizzaria. Enquanto todos conversavam e aguardavam a entrega, Neville, sem um único ruído, preparou um toad in the hole maravilhoso que ela só encontrou no dia seguinte no forno desligado, com um bilhete sob o refratário dizendo "se você não contar pra ninguém, eu também não conto". Reconhecendo a caligrafia, ela chamou novamente os amigos para passarem o domingo com ela. Evidente que depois de todos elogiarem o almoço, ela agradeceu a Neville pelo toad. Se pudesse escolher um irmão dentre todas as pessoas no mundo, não tinha dúvidas de quem seria.
Harry, um tanto alheio às sutilezas, lembrou-se prontamente do evento. Fora a primeira vez que se encontrara com a amiga depois do que quer que tivesse acontecido no Largo Grimmauld. Haviam ficado quase um ano sem se ver, quase um ano que Hermione não se encontrava com nenhum de seus colegas. Ela respondia as corujas, às vezes falava com eles via floo, e nada além disso. Nenhum dos convidados recusara qualquer um dos dois convites naquele fim de semana.
- Não sei o senhor, Professor, mas no seu lugar, eu consideraria isso uma ameaça de morte. Se não fosse o Neville aqui – falou ele dando dois tapinhas no ombro do amigo – eu teria trazido meu jantar de casa hoje. Aliás, você nunca nos contou isso, Nev. Foi muito difícil ensinar a Mione a cozinhar?
- Ahn? Não, não... aquele toad in the hole foi só um acidente. Mas foi bom, porque eu não tinha ideia do que daria a ela de Natal. – ele tinha uma voz bonita quando a deixava sair.
- Sim, o livro de receitas que foi da sua avó, eu me lembro, eu amei! Cheio de anotações! Aliás, eu o segui à risca para fazer a sobremesa, podem confiar. Me ajuda com a mesa, Severus?
Ocultos pelo ruído das louças de sobremesa na cozinha, Hermione pediu que ele perguntasse a Neville sobre seus pais. Seria uma forma discreta de romper a tensão que cercava o professor e o aluno. Severus pareceria mais sensível e Neville se sentiria mais à vontade em sua presença. E uma nascida-trouxa amolecendo o coração de pedra do morcego certamente beneficiaria a imagem de Snape perante o Ministério. Harry, sem dúvidas, se encarregaria da narração do fato no trabalho no dia seguinte.
- Não vou me esquecer de que você precisou de uma herança de família para fazer uma mousse.
- Ah, foi só pra garantir.
Eles conversavam casualmente ao voltarem à sala, como que apenas continuando um diálogo, em verdade, inexistente.
- Bem, me parece que eu tenho muito a agradecer ao senhor, senhor Longbottom. – disse Snape sério enquanto dispunha os pratos e talheres. – Aliás, creio que não tive a oportunidade de dizer que sinto muito pela sua avó.
- T-tudo bem, Prof... senhor. – ele pareceu mais surpreso que seu temido ex-professor estivesse lhe dirigindo a palavra que triste com a lembrança. – Ela já era muito idosa. Meus pais e eu ficávamos muito tristes de ver ela daquele jeito.
Calada, como era de seu costume, Parvati apertou a mão de Neville com carinho. Hermione, que servia a mousse, achou divertido pensar que poderia fazer a ela o mesmo discurso que recebera de Minerva.
- E eles? A recuperação foi completa?
- Praticamente, senhor. – respondeu ele. – Ainda exigiam alguns cuidados quando receberam alta, dois ou três anos atrás, mas agora estão bem melhores.
- Fico feliz em saber. Caso precise de algo, minha noiva e eu ficaremos honrados em ajudar. – apesar de formal, era claro o quanto Snape estava sendo sincero.
- Obrigado, senhor. – os olhos dele brilhavam.
Após a sobremesa, sentaram-se para um licor na sala. Logo, Longbottom, desculpando-se, disse que precisava ir embora mais cedo, pois não queria que Parvati chegasse em casa muito tarde numa terça-feira. Não era mistério algum em Hogwarts o quanto os pais dela eram rigorosos. Ginny pediu que ele voltasse depois de deixá-lá em casa, mas ele não quis deixar os pais sozinhos por muito tempo, então, Harry também optou por não se demorar.
A ruiva se ofereceu para ajudar com as louças, e Hermione dispensou o auxílio de Severus.
- Ahn, eu gostaria de conversar um pouco com a Ginny, Severus... – recusou, embaraçada, num sussurro.
- Não, não. Sem detalhes, Mi. Eu não quero saber. – a ruiva tinha as mãos nos ouvidos enquanto balançava a cabeça.
- E quem disse que eu tenho algo pra contar? Ou talvez tenha... Mas já que você não está interessada... – deu de ombros e voltou sua atenção às louças.
- O quê? Como assim?
Sorrateiro, Severus pousou uma mão na cintura de Hermione e outra no ombro de Ginny. Seu susto foi tamanho que quase arrancou uma risada de Snape.
- Acho que quem não quer ouvir isso sou eu. – ele deu um beijo na testa da noiva – Estarei lá fora quando terminarem de arrastar minha reputação na lama, senhoritas. Senhor Potter, me acompanharia à varanda para um charuto?
