Capitulo 12 – Segredos..
Estavam na grande sala de estar da Mansão Hyuuga, a casa era bem espaçosa com muitos cômodos, adequada para receber amigos e reuniões, anos atrás organizadas ao gosto da Sra. Hyuuga, falecida. Naruto, Hinata e Yurika, além de Kenia - a governanta e amiga da família – estavam todos acomodados nos sofás de couro branco. Yurika estava sentada ao lado de Hinata, e abraçada à mesma. Naruto estava ao lado de Yurika fitando as duas Hyuuga com um sorriso simples de canto. Kenia estava no outro sofá, em frente a eles.
- Hina, onde está a Hana? - indagou a menina depois de um tempo, com um sorriso angelical.
- Err... – titubeou, Hinata não podia simplesmente dizer onde Hana estava.
- Hana está no hospital. - era visível nos olhares de Hinata, Kenia e Yurika o espanto diante das palavras de Naruto.
- Naruto? - fitou o loiro. - "Como ele podia dizer aquilo tão calmamente?" - perguntava-se Hinata.
- Por que a Hana está no hospital? - Hinata apertou os punhos e segurou a forte vontade de chorar ao ouvir a pergunta da menina. Hinata fitou Naruto, apreensiva, o mesmo olhava-a também. Os orbes safiras estavam firmes, e calmos, o que acalentava a Hyuuga mais velha.
- Bem, seu pai está um pouco doente, por isso Hanabi está lá. Mas assim que puder vou levá-la para vê-lo. - disse o loiro, não queria enganar a menina, mas deveria dizer-lhe as coisas com calma para não preocupar-lhe a mente, e antes mesmo que Hinata pusesse a chorar frente a menina. Sabia que a morena estava tendo uma firmeza a cima do limite para não preocupar Yurika.
- Mas... - a voz da menina soou chorosa, preocupada com o pai.
- Não se preocupe, querida. - disse Kenia com um sorriso carinhoso à menina. Vira a menina nascer, tinha um grande carinho por ela e todos os Hyuuga, e certamente seu coração se apertava em vê-la, assim como todos os Hyuuga passar por uma situação tão delicada com aquela. Torcia profundamente que o patrão se recuperasse o mais rápido possível.
- Enquanto isso, nós podemos brincar um pouco, que tal? - disse Naruto tentando distraí-la, tentando colocar o leve e sincero sorriso que ele tanto se encantava em admirar no roto daquela menina.
- Sim. - a menina sorriu, o que acalentou os corações de todos ali presentes, principalmente o de Hinata que agradecia mentalmente ao loiro. - Obrigada, Naruto. - disse Yurika abraçando o Uzumaki que retribuiu em seguida.
Hinata assistia a cena emocionada. Naruto com certeza seria um ótimo pai, pensava, pois o modo como ele protegia a felicidade de Yurika chegava a proteger a sua própria.
- Nós vamos brincar de pique-pega igual às outras vezes? - perguntou a menina.
- Claro. - disse o loiro sorrindo.
- Não sabia que vocês brincavam tanto. - disse Hinata que estava alerta às palavras da garota. Desde o começo estranhara a intimidade de Yurika com Naruto. Lembrava-se que apesar de sociável, a menina era tímida e que os dois não se viam há pelo menos dois anos, assim pensava.
- Naruto, desculpa, contei o nosso segredo. - murmurou para o loiro ouvir. Estava envergonhada pelo que dissera.
- Não se preocupe, ok? - ela assentiu e ambos sorriram. - Agora, você poderia ir ao jardim com a Tia Kenia? Depois nós brincamos. Promessa de dedo mindinho. – riram, lembrando-se de algum momento do qual certamente, Hinata, não saberia qual seria. Constatou a morena, intrigando-se ainda mais com toda aquela situação.
- Sim. - meneou a menina que antes de ir deu um beijo na bochecha do Uzumaki e na de Hinata. Caminhou até Kenia que já estava próxima a porta, porém antes virara com as mãos na cintura. - Hina, não brigue com o Naruto, sim? E você também – disse ao loiro. - não brigue com a Hina.
- Pode deixar, meu anjinho travesso. - disse a morena com um leve sorriso. Após a saída de Yurika sua face voltara a tornar-se séria, assim como a de Naruto. - Tem visitado minha família? - indagou rápida, na verdade estava irritada. Era para Naruto ter se afastado ao máximo de si, isso incluía sua família.
- Sim. - uma resposta simples, ponderou a Hyuuga, mas simples demais.
- Por quê? – retorquiu.
- Negócios.
- Que tipo de negócios. - já começava a ficar impaciente com aquelas respostas vagas.
- Do tipo sigilosos, o que não me permiti dar-lhe nenhum detalhe sobre eles. - sorriu de canto vitorioso.
Hinata o fitou mais seriamente. Olhava profundamente aqueles orbes safiras, queria encontrar uma resposta sincera. Nada. Naruto parecia uma rocha sem forma definida e impossível de classificar como algo diferente de intrigante. Nenhuma resposta, seu olhar não transmitia nada que pudesse decifrar.
- Por que o nervosismo? Há algo aqui que eu ainda não saiba? - aquelas palavras a apavoraram. A respiração falhou, mesmo diante da tentativa de controlar aquela situação.
- C-Claro que não. - respondeu por fim.
Naruto sorriu. Duvidava que a Hyuuga dissesse algo diferente.
- Ótimo, então irei brincar com Yu no jardim.
…
Haviam se passado duas horas desde a conversa entre Naruto e Hinata. A morena estava em seu antigo quarto sentada no canto da cama. Analisava o quarto enquanto era invadida por lembranças boas e ruins. Olhava o criado mudo ao lado da cama, nele havia três porta-retratos, momentos inesquecíveis que foram materializados em fotografias.
A primeira foto era dela quando ainda criança, em cada lado de Hinata havia uma pessoa, ao seu lado direito estava um homem alto, bonito e de olhos de um tom perolado, ao lado esquerdo estava uma mulher morena com cabelos negro-azulados, linda e grávida; uma das mãos delicadas de Hinata estavam sobre a volumosa barriga e todos sorriam para o fotógrafo, felizes como sempre eram. Aquela fora a última foto dela junto aos pais. Uma lágrima rolara a face pálida com a lembrança daquele dia.
A segunda foto era de Hinata um pouco mais velha, com seus 12 anos, Hanabi, Neji, Kenia e Hiashi; todos riam felizes em um parque de diversões. Um sorriso fraco curvou os lábios da Hyuuga contagiada ao lembrar-se do dia em que tirara aquela fotografia, era seu aniversário e comemorara com um passeio ao parque junto da família.
A terceira foto era na qual ela e Yurika estavam deitadas sobre a grama do jardim da Mansão Hyuuga, sorriam alegres e abraçadas. Hinata fechara os olhos visualizando a cena da foto nitidamente em sua mente, respirou fundo vagando confusa no turbilhão de pensamentos confusos até sentir um toque leve em seu ombro direito, fazendo-a assustar-se.
- Tia Kenia? - fitou a mulher de pele clara, olhos castanhos claros assim como o tom de seus cabelos lisos. Ela lhe olhava com um olhar carinhoso e um sorriso delicado. Aquela mulher, não tinha dúvidas, era uma mãe para ela. Aquela mulher a conhecia melhor que qualquer pessoa.
- Minha menina. - disse a senhora sentindo a morena abraçá-la e chorar entre o abraço.
- Tia eu não aguento mais. Sinto-me tão perdida, tão arrependida.
- Oh. Minha criança, não se culpe. – pediu, afagando as melenas negras e lisas da Hyuuga.
- Como? Como não, Tia? Eu imploro que me diga, pois eu não sei como sair desse pesadelo... - soluçou. - Se eu o p-perder, não sei o que será de mim.
- Hinata, querida, todos têm a sua hora. Não cabe a nós julgar quando chega a hora de partir. Mas se quer um caminho, busque ouvir seu coração. - aconselhou enquanto continuava afagar os cabelos de sua eterna menina.
- Eu não mereço o que meu coração deseja. - murmurou a Hyuuga.
- Você mais do que qualquer um, merece ser feliz. - afirmou a senhora, encarando-a firmemente, ainda assim, sorria.
- Eu não concordo. - balbuciou, mas já mais calma. – Mas obrigada por nunca me abandonar, Tia.
- De nada, querida. – suspirou, desejando que um dia Hinata pudesse se perdoar, e ser tão feliz quanto merecia. – Agora lave esse rosto e vamos descer, pois Naruto está lhe esperando para irem ao hospital. Ah! - exclamou. - Leve um pote com lanches para o Neji, a menina Hana e o namorado dela, sim? - pediu com um leve sorriso.
- Tia...? - não conseguia perguntar aquilo, era insuportável cogitar um pensamento como aquele. Mas sabia que a senhora a sua frente lhe entenderia com um simples olhar.
- Eu não sei, Hina. Mas fique ao lado dele enquanto isso, certo?
…
De volta ao hospital, Hinata e Naruto foram durante todo o caminho em silêncio. Hinata orava em silêncio, pedindo para que protegesse o pai. Naruto dirigia pensativo. Após estacionarem o carro, adentraram o hospital até a recepção. Onde encontraram Hanabi, Neji e Konohamaru.
- Alguma notícia? - perguntara Hinata assim que aproximaram.
- Poucas. O estado dele é o mesmo, mas em breve o médico nos dará mais notícias. - disse Neji.
- E como estão Yu e Tia Kenia? - indagou Hanabi.
- E-Estão bem. Tia Kenia mandou esses lanches para vocês. - Hanabi e Neji sorriram levemente, aquela senhora nunca se esquecia dos "filhos".
Após alguns minutos o médico apareceu para dar mais notícias sobre o Hyuuga. Todos ali estavam nervosos e ansiosos em saber informações sobre o estado de Hiashi.
- Doutor! - exclamaram as Hyuuga.
- Como está o Tio Hiashi? - indagou Neji.
- Er.. O Sr. Hiashi neste momento se encontra consciente. Mas o estado dele ainda é de risco. Como já os informei estamos fazendo o possível para salvá-lo. Porém o câncer se mostra resistente a qualquer um de nossos procedimentos.
- N-Não. - balbuciou Hanabi sendo apoiada pelo namorado.
- Eu quero ver meu pai. Por favor. - pediu Hinata já chorando novamente.
- Sinto muito, mas por enquanto o único que pode vê-lo é o Sr. Uzumaki. - disse o médico.
- Hã? Eu? - disse o loiro confuso.
- Sim. O Sr. Hiashi deseja vê-lo. O Sr. poderia me acompanhar?
- Claro. - a face bronzeada do Uzumaki estava séria.
Naruto antes de acompanhar o médico fitou Hinata. A Hyuuga estava tão pálida. A face estava molhada pelas lágrimas, e o olhar demonstrava medo e esperança. Tão frágil. Tão delicada. Mas não era aquela Hinata que ele sempre gostara de observar. Faria todo o possível para vê-la voltar a sorrir.
- Peço que não faça o paciente se esforçar muito. - pediu o médico.
- Certo.
Após Naruto vestir uma roupa para que assim pudesse ver o Hyuuga. Ele caminhou até o quarto 437, ainda acompanhado do médico que abriu a porta e checou uma ficha e aplicou algo no soro do Hyuuga antes de se retirar do quarto. Naruto ficara parado na porta, estava nervoso em ver alguém tão forte quanto Hiashi estar tão pálido e com a saúde debilitada. Oh.. Aquilo era horrível e entristecedor.
- N-Naruto, m-meu f-filho. - murmurou, mas o suficiente para Naruto ouvir, enquanto se aproximava da cama daquele homem.
- O-Olá, Hiashi. - pausou. - Como está?
- Já t-tive dias m-melhores, garoto. - tentou sorrir, mas não conseguiu devido às dores. Tinha de ser rápido, se quisesse partir em paz. - N-Naruto?
- Hun?
- Espero q-que cumpra com sua palavra. - arfou pesadamente. - N-Naruto, de agora e-em diante. Eu pr-preciso que diga que i-irá cumprir.
- Eu continuo com minha palavra. Não se preocupe com isso. - ele nunca deixaria de cumprir sua promessa, independente dos sacrifícios que fossem preciso fazer.
- O-Obrigada, g-garoto. - não duvidava que o loiro respondesse algo diferente. Confiava em Naruto ao ponto de partir sabendo que ele cuidaria de tudo, que sua partida não deixaria ninguém que amasse exposto. - Eu espero que vocês s-sejam muito felizes.
- E eu espero vê-lo junto a essa felicidade. - estava emocionado. Hiashi era realmente como um pai para ele. E aquilo o fez sentir um garoto, incapaz de ajudar alguém tão importante para si. Ainda que soubesse que, infelizmente, como notara não havia muito que pudesse alguém fazer para o ex-sogro. - Lute. Lute, Hiashi. – pediu, aquela era ainda sua fonte de esperança. - Todos nós precisamos de você.
- G-Garoto, m-minha hora c-chegou.
- Não se entregue. - ouviram o som da porta. O médico entrara calmamente.
- É melhor o paciente descansar. - disse o médico.
- Certo. Tchau. - despediu-se o loiro que antes de ir deu-lhe um beijo sobre a testa alva de Hiashi.
- Adeus, g-garoto. - murmurou fracamente antes de adormecer novamente.
…
Já era noite. O Hospital continuava movimentado. Estava decidido que durante a noite Hanabi, Neji e Konohamaru iriam para a mansão Hyuuga, enquanto Hinata e Naruto ficariam no hospital. Naquele momento todos ainda estavam no hospital aguardando mais uma notícia para depois então irem para a mansão. À noite havia troca de plantão, por isso o médico era outro, um homem um pouco mais novo e moreno.
- Com licença, os Sr. são parentes do paciente, Hyuuga Hiashi?
- Sim. - disseram em uníssono.
- Poderiam me acompanhar as Srtas. Hanabi e Hinata e o Sr. Neji? - pediu o médico. Os três se olharam, tentando apoiar um ao outro.
- S-Sim. - responderam. Os três começaram a caminhar. Mas antes de ir Hinata ouviu Naruto lhe sussurrar, "Você nunca estará sozinha."
Os três foram guiados até uma sala de luz baixa e móveis brancos, onde vestiram a roupa esterilizada obrigatória e seguiram em direção ao quarto de Hiashi. Todos respiraram fundo antes de entrarem no quarto e verem Hiashi. As Hyuuga não aguentaram muito tempo, nem sabiam como podiam ainda ter tantas lágrimas depois de passarem um dia inteiro chorando. Aproximaram-se da cama e viram uma dolorosa imagem. Um Hiashi que nunca imaginaram ver. Hiashi respirava com a ajuda de cilindros de oxigênio. Estava abatido. O corpo parecia não possuir nenhum movimento. Os olhos semi-abertos. Os lábios não tinham cor.
- P-Papai. - murmurou Hinata. O médico se aproximou, folgando a máscara do cilindro, Hiashi desejava falar com a família.
- M-Meus fi-fi-filhos. - a voz estava cansada. - N-Não chorem.
- Papai.. Você.. P-Por que não nos contou? - perguntou Hanabi.
- Hana... Eu... Tentei p-protegê-las, - pausou. - mas f-falhei. - lamentou o Hyuuga. Tentara evitar aquele sofrimento, porém não conseguira.
- Nunca. - disse rapidamente. - O Sr. sempre cuidou muito bem de nós. É um ótimo pai. - disse Hinata segurando uma das mãos frágeis do pai. - Queria ter-lhe ajudado.
- O Sr. me acolheu como um filho depois que perdi meus pais. O Sr. é um pai para mim. - disse Neji, nem o Hyuuga que tentara conter as lágrimas conseguiu naquele momento continuar contendo-as. Aquilo era doloroso demais. E ele conhecia bem, infelizmente, aquela dor.
- O-Obrigado. - uma lágrima rolou pelo canto dos orbes perolados. - Neji... Obrigado por t-ter me aceitado como um pai. Você s-sempre me deu m-muito orgulho. - Neji sorriu levemente diante da declaração do patriarca. - Hana, m-minha pequena... Você, f-foi o ú-último e um dos m-melhores presentes de sua m-mãe. Tenho sorte e-em tê-la como f-filha. - Hanabi chorou enquanto depositava um beijo sobre a mão do pai. - E Hina... - pausou. - A v-você eu preciso p-pedir p-perdão.
- Eu não tenho o que lhe perdoar. Sou grata a tudo que fez por mim. - soluçou. - Eu o amo tanto, papai.
- Tão doce. Eu n-não deveria – arfou. - ter-lhe feito sofrer tanto. - lamentou algumas decisões que fizera no passado.
- Não foi sua a culpa. - respirou fundo. - Você fez o melhor que pôde, diferente de mim. - murmurou Hinata.
- Porém... O que f-fiz me reviveu. – confessou, e com dificuldade, sorriu fracamente. - Pude s-sentir-m-me novamente v-vivo c-cada vez que via aquele o-o-olhar. - disse Hiashi. - Vou sentir s-saudades d-daquele b-brilho. - confessou.
- Não diga isso. Logo, logo o Sr. ficará bem. - disse Hanabi que chorava muito.
- Não se entregue antes de lutar, Tio. - disse Neji aflito.
- E-Eu sou f-feliz em t-tê-los tido em m-minha v-vida, assim como à Naruto, Kenia e a minha p-princesinha Y-Yurika. - mais duas lágrimas rolaram a face do Hyuuga que tinha dificuldades em respirar. - A-Ade-us, f-f-fi-filhos.
