Disclaimer: Edward e Bella assim como os outros personagens, pertencem à Stephenie Meyer e sua saga Twilight, mas O Poder da Resistência, com todos os seus dramas, conflitos e flashbacks pertencem a mim. Por favor, não copiem, plágio é crime!


25 de agosto de 1944

BPOV

Trilha:The Meadow - Alexandre Desplat

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Bang!

Acordei assustada, suando frio, sentindo o coração acelerado com o som do tiro ecoando pelo ambiente, e custei um pouco a me dar conta de que estava no quarto de hóspedes na casa de Alice. Passei as mãos pelo cabelo, bufando exasperada ao perceber que tudo não passara daquele maldito pesadelo outra vez. Era a mesma coisa há oito meses já, desde aquela fatídica noite na casa de Rosalie.

Mike Newton estava morto e, por mais que sentisse um prazer descomunal ao pensar nisso, ainda não estava cem por cento satisfeita. A guerra continuava rolando e eu tinha medo de que algum outro oficial estivesse maltratando Edward no campo, como Mike fazia antes. Mas, pelo menos agora, eu não seria mais o pivô do seu sofrimento.

Há dias eu não ia para o trabalho. A polícia, os correios e o metrô estavam em greve. As rádios haviam suspendido suas transmissões. Depois de anos oprimidos pelos alemães, a esperança voltara a tomar conta das ruas de Paris. A Resistência estava mais forte do que nunca; ministérios, redações de jornais e partes da administração municipal haviam sido ocupados. Atendendo ao chamado, grupos passaram a lutar em combates de rua, atrás de barricadas construídas às pressas. O dia D dera um novo ânimo a todos nós, e a perspectiva de que finalmente aquele pesadelo poderia estar chegando ao fim. Eu nunca me esqueceria daquele seis de junho, em que Eric entrou correndo no estúdio, me mandando interromper a programação e ler a nota que acabara de chegar.

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Flashback

"Bella, para a música agora! Você precisa entrar com uma notícia urgente no ar."

"O que houve, Eric? O que os malditos alemães fizeram dessa vez?" – perguntei, me sentindo frustrada, encarando meu chefe que me olhava com um sorriso no rosto, estendendo uma folha de papel.

"Algo que me diz que você gostará de dar essa notícia!"

Eu passei os olhos pelo papel e senti meus olhos se enchendo de lágrimas, não conseguindo acreditar nas palavras que eu estava lendo.

"E atenção, interrompemos nossa programação para uma notícia de última hora que acaba de chegar à nossa sede.

Numa das maiores operações militares até agora, três milhões de homens, entre americanos, ingleses, canadenses, australianos, neozelandeses, poloneses, holandeses, franceses, noruegueses e dinamarqueses, além de dez mil aviões, 1.200 navios de guerra, 4.126 lanchas de desembarque, 804 navios de transporte, centenas de tanques e veículos anfíbios partiram da Inglaterra na madrugada de hoje e desembarcaracam na Normandia com o objetivo de derrubar a barreira bélica que garante o domínio nazista na Europa. Centenas de homens morreram e os alemães foram obrigados a recuar!"

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Fim do Flashback


"Bella, Bella" – Alice entrou correndo pelo quarto. "Acabou, Bella. Estamos livres!"

"O que, Alice? Do que você está falando?"

"Leclerc está em Paris. De Gaulle está vindo para cá! As tropas alemãs em Paris se renderam, a cidade está livre de novo, Bella. Livre!" – Alice disse me abraçando, as lágrimas escorrendo pelos seus olhos.

"C'est vrai?" – perguntei sem conseguir acreditar!

"Claro, Bella, eu não brincaria com algo desse tipo. A cidade está em festa. Estão todos nas ruas, comemorando e esperando a chegada de De Gaulle.

"Está acabando, Alice! Está acabando!" – eu disse me jogando em seus braços.

"Eu sei, Bella! Eu sei. Agora vem, vamos encontrar a Rose e o Emm. Precisamos festejar, juntos."

Uma hora depois estávamos os quatro juntos festejando com uma multidão e abrindo champagnes próximos ao Arco do Triunfo, na Champs Elysées, à espera do "nosso líder" que poderia passar por ali a qualquer momento. Eu sonhara tanto com aquele momento, ainda com Edward ao meu lado; e Deus... como eu o queria ali, junto comigo, festejando o fim daquilo tudo. Eu sabia que ainda não era o fim da guerra, mas uma grande batalha havia sido vencida. Meus olhos focaram por alguns instantes a imponente torre destoando na outra ponta da avenida, trazendo uma infinidade de lembranças.

"Você não imagina o quanto eu estou feliz Bella."

"Eu juro fazer o possível e o impossível para que você seja a mulher mais feliz desse mundo, futura senhora Masen."

"Isabella Marie Swan, você aceita se tornar a Senhora Masen, aquela que eu já amo e a quem irei amar um pouco mais a cada dia até o fim da minha existência?"

"Eu te amo, minha Bella."

Uma lágrima escorreu pelos meus olhos e antes que eu pudesse me dar conta, os braços de Alice já estavam passando pela minha cintura, assim como os de Rose e Emmett.

"Vai ficar tudo bem, Bella."


Janeiro de 1945

EPOV

Trilha: Run – Snow Patrol

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Praticamente três anos indo dormir e acordando naquele inferno.

Mas, apesar de conseguirmos salvar as vidas ou diminuir cada dia mais o sofrimento de outros como nós, a verdade é que nunca me senti tão inquieto e preocupado como agora. A presença de Mike no campo era um motivo constante de angústia, afinal, eu nunca poderia saber quando ele perderia o controle e resolveria acabar com a minha vida, como ameaçara tantas vezes. Mas por outro lado, o seu sumiço me deixava desamparado, sem saber o que ele estava aprontando e se aquele desaparecimento envolveria ou não Isabella.

Por pior que fosse saber que ele a estava usando e que eu não poderia fazer nada para livrá-la do perigo, pelo menos ele me trazia notícias; eu sabia que ela continuava viva e à salvo. Só que agora, há mais de um ano eu não tinha nenhuma informação de nenhum dos dois.

"Ei cara, o que está fazendo sentado aqui, sozinho?" – Jasper perguntou, se sentando ao meu lado no escuro.

"Estou pensando no sumiço do crápula do Newton e o que isso pode significar. Eu tenho tanto medo que ele tenha machucado a Bella de alguma forma, Jasper."

"Que isso, cara! Você tem que ser otimista. Vai ver ele foi enviado para algum outro campo ou para alguma missão..."

"Vocês estão falando do Tenente Mike Newton?" – uma voz doce invadiu a escuridão, nos assustando num primeiro momento.

Eu me virei, dando de cara com os olhos azuis escuros de Tanya.

"Sim. Eu estava pensando sobre o porquê do seu sumiço esse tempo todo."

"Vocês não souberam?" – ela perguntou, se sentando de frente para nós.

"Soubemos o que?" – eu e Jasper perguntamos ao mesmo tempo.

"Dizem que ele foi morto em uma arapuca armada pela Resistência. Seu corpo foi encontrado cravejado de balas bem em frente ao restaurante Train Bleu, reduto dos oficiais alemães em Paris. Pelo o que eu soube, seu rosto estava tão deformado, que seria impossível reconhecê-lo se não fosse pela plaquinha, pendurada em seu pescoço, onde estava escrito: 'Mike Newton, déloyal!'"

Eu senti um arrepio percorrer meu corpo enquanto ouvia Tanya contar o que sabia. Mike havia dito uma vez que Bella fazia parte da Resistência. Ela poderia estar envolvida naquilo? Não... Não seria possível. Os alemães não perdoavam membros de grupos desse tipo; se pegos, eles eram sumariamente fuzilados; ela não se arriscaria daquele jeito. Se bem que, se há três anos atrás alguém me perguntasse se eu correria os riscos que corri aqui dentro, eu também diria que não. Mas a guerra me obrigara a mudar. Teria obrigado Bella também?

"Como você sabe de tudo isso, Tanya?" – Jasper perguntou, interrompendo os meus pensamentos.

"Eu... por favor, não me julguem, mas eu precisava fazer isso. Foi a única forma que encontrei de sobreviver aqui dentro. Eu não queria morrer, não quero morrer." – ela murmurou, cobrindo o rosto, enxugando as lágrimas que começavam a escorrer pelo seu rosto.

"Ei, ninguém está aqui para te julgar!" – eu disse, apertando sua mão.

"Eu durmo com alguns oficiais em troca da minha vida e da minha irmã. O nojento do Newton era um deles, inclusive. Quem quer que tenha feito isso, terá minha gratidão eterna." – ela disse, olhando para suas mãos. "Eu não me orgulho disso, muito pelo contrário, eu sinto nojo de mim. Mas eu já perdi os meus pais, não posso perder minha irmã também. E um dia, um dos soldados ameaçou matá-la porque ela era muito pouco produtiva no trabalho e eu me coloquei na frente dela, dizendo que faria qualquer coisa para que ele a deixasse em paz. Foi então que isso começou. Eu já perdi a conta de quantos são, eu simplesmente deito lá e deixo que eles se satisfaçam, rezando baixinho para que tudo acabe o mais rápido possível, para que eu possa voltar para o meu alojamento e chorar até o dia seguinte! Às vezes são dois, três ao mesmo tempo e eles conversam entre si, achando que eu não os consigo entender... mas foi assim que eu soube do acontecido com o Tenente."

Um silêncio caiu entre nós depois que ela terminou de contar sua história. Quem era eu para julgá-la? Que direito eu tinha de fazer isso? Ali dentro, cada um usava as armas de que dispunha para sobreviver.

"Eu preciso fugir daqui" – disse de repente, encarando os dois. Tinha chegado a minha hora, eu não podia esperar mais. Eu precisava descobrir como a Bella estava, o que tinha acontecido com ela, se ela ainda me esperava...

Tanya me encarou por alguns breves segundos, como que procurando a certeza em meus olhos e então, ainda em silêncio, se levantou, caminhando para longe de nós. Eu a acompanhei com os olhos até sua sombra desaparecer na escuridão e então voltei a encarar Jasper.

"Edward, pensa direito. É arriscado; se eles te pegam você está morto! E essa guerra está perto do fim. Não vai demorar muito mais."

"Jasper, há quanto tempo a gente vem dizendo um pro outro que essa guerra está acabando? Desde que eu cheguei aqui que a gente fala no fim, e até agora nada. O tempo está passando e eu preciso saber, Jasper, eu preciso ter certeza que a Bella está bem."

"Mas agora é diferente..."

Eu sabia que talvez ele tivesse razão. Pelo o que vínhamos escutando nas madrugadas no rádio que havíamos conseguido montar em um dos galpões, os alemães estavam perdendo força em várias frentes e estavam tendo que recuar bastante. Mas eu não podia contar com isso. Não suportava mais ficar ali, parado, esperando que um milagre acontecesse e alguém viesse nos resgatar. E se eles resolvessem matar a todos nós ao perceberem que a guerra estava perdida?

O som de passos me deixou em alerta, mas ao erguer meus olhos vi Tanya se aproximando novamente, com alguma coisa embolada em seus braços. Ela parou à minha frente, me estendendo um par de sapatos velhos e um cobertor.

"Aqui. Foi o melhor que eu consegui arranjar. Eu ouvi dizer que existe um furo na cerca perto do posto de vigilância a oeste, que precisava ser consertado, mas ainda não foi. Eu vou cuidar de distrair o soldado para que você possa passar. Me dê uns 10 minutos. E Edward... boa sorte." – dizendo isso ela desapareceu novamente, sem me dar tempo ao menos de agradecer o que estava fazendo por mim.

"Eu... eu prometo que irei até sua casa a contarei para a Alice que você está bem, e contando as horas para sair daqui e voltar para os braços dela."

"Edward..."

"Não adianta, Jasper. Nada que você disser vai me fazer mudar de idéia."

"Então... boa sorte cara. E se cuida, por favor! Eu nunca vou esquecer de tudo o que a gente fez aqui dentro e do tanto que você me ajudou a suportar todo esse inferno." – ele disse se levantando e me abraçando.

"Eu também não teria suportado sem você, Jasper. Até algum dia." – e dizendo isso eu comecei a caminhar na direção que Tanya havia indicado.

"Edward..."

"Sim?" – disse, me virando.

"Diga a Alice que eu a amo. Muito!"

"Eu direi. Nem que seja a última coisa que eu faça na minha vida."

Eu caminhei o mais depressa que pude, tomando cuidado para não chamar atenção, até o ponto que Tanya havia indicado. O vigilante não estava em seu posto, sinal de que ela conseguira distraí-lo. Eu me senti mal ao pensar no quanto ela estava se sacrificando para que eu pudesse fugir, e o quanto aquilo lhe custaria caso percebessem o que ela havia feito. Mas eu não podia dar para trás. Não agora.

Rapidamente eu atravessei o buraco na cerca e comecei a correr pelo mato, sem olhar para trás, tentando deixar aquele pesadelo para trás o quanto antes.

"Hoch dort!" – eu ouvi alguém gritar atrás de mim.

O som de um disparo, seguido de outro cruzou o ar e então... a escuridão.


C'est vrai? = É verdade?

Mike Newton, déloyal! = Mike Newton, traidor!

Hoch dort = Alto lá!

Bem, vamos à nossa pequena aulinha de história! Ushuahsuahsuahsuhaushua

No dia 06/06/1944, o chamado Dia D, deu-se a maior operação militar aeronaval da história. 155 mil homens dos exércitos dos EUA, da Grã-Bretanha e do Canadá lançaram-se nas praias da Normandia, região da França, dando início à libertação européia do domínio nazista. Dali, eles partiram para libertar Paris e depois para a fronteira com a Alemanha.

Nos dias 18 e 19 de agosto de 1944 Paris viu-se inundada de panfletos que conclamavam a população a rebelar-se. Todos deviam sair às ruas para erguer barricadas e obstáculos que dificultassem a circulação dos veículos e blindados alemães. Em 25 de agosto, após mais de quatro anos de ocupação, Paris foi libertada pela 2ª divisão blindada francesa, liderada pelo General Leclerc, e pela 4ª divisão de infantaria dos Estados Unidos.

Em Paris, as forças do general Dietrich von Choltitz combatiam a Resistência e completavam suas defesas em torno da cidade. Hitler ordenou que Paris fosse defendida até o ultimo homem e exigiu que a cidade não caísse nas mãos dos Aliados a não ser uma "cidade completamente devastada e em ruínas". Choltitz, consciente de seus deveres, começou a instalar explosivos sob as pontes de Paris e em muitos de seus marcos, mas desobedeceu a ordem de começar a destruição. Não queria entrar para a História como o homem que destruiu a cidade mais celebrada da Europa.

A 2ª Divisão Blindada avançou debaixo de nutrida artilharia inimiga, sofrendo pesadas baixas, mas em 24 de agosto conseguiu atravessar o rio Sena e alcançar os subúrbios de Paris. Ali, os soldados foram saudados entusiasticamente pelos habitantes que deles se acercavam lançando flores, dando beijos e ofertando vinho. No fim da tarde daquele dia, Leclerc tomou conhecimento de que a 4ª Divisão de Infantaria norte-americana decidiu adiantar-se a ele na tomada de Paris. Ordenou então às suas exaustas tropas que marchassem num redobrado esforço. Pouco antes da meia-noite de 24 de agosto, Leclerc chegou ao Hôtel de Ville (Prefeitura) no coração de Paris.

A resistência alemã se desvaneceu durante a noite. Mais de 20 mil soldados renderam-se ou fugiram e os que se dispuseram a lutar foram prontamente suplantados. Na manhã de 25 de agosto, a 2ª Divisão já dominava claramente a metade ocidental de Paris enquanto a 4ª Divisão de Infantaria fazia o mesmo na região oriental. Paris estava libertada.

No começo da tarde, Choltitz foi preso em seu quartel-general pelas tropas francesas. Logo depois, assinou a capitulação cedendo o controle da cidade ao governo provisório de De Gaulle. Leclerc recebeu em Paris, diante da estação de trem de Montparnasse, a rendição das tropas alemãs. De Gaulle chegou a Paris no início da noite daquele dia 25 e no dia seguinte, ele e Leclerc comandaram uma marcha triunfal de libertação pela avenida Champs Elysees.


Oi flores!

Por favor, lembrem-se do espírito natalino e não me matem, please! Essa cena final do capítulo foi uma das primeiras coisas que escrevi. Ela estava na minha cabeça desde o início da fic, então...

Bem, próximo capítulo teremos alguma alegria, pelo menos para algum dos personagens. Quem quer tentar adivinhar? Como venho dizendo já há algum tempo, reta final da fic *chora no cantinho* apenas mais 3 capítulos e o epílogo. Vou sentir falta, mas já tenho algumas idéias rascunhadas que em janeiro compartilharei com vocês.

Bem, amanhã estará no ar o meu presentinho de Natal para vocês, minhas leitoras lindas que me acompanharam durante todo esse ano. Essa é a minha forma de dizer "muito obrigada" a vocês, por todo apoio, toda força. Vocês realmente fazem a diferença, tirando um tempinho do seus tempos para ler as maluquices que eu escrevo!

E, no dia 26, outra surpresa! Estou participando de um amigo oculto muito especial, junto com outros nove autores e nossos presentes serão one shots, que serão publicadas aqui no FF. Então, além de nós sermos presenteados, vocês também serão, já que terão a chance de ler as dez histórias criadas. Fiquem de olho. Estou ansiosa e tenho certeza que será bem bacana!

Um super Natal para todas vocês e que 2011 possa ser um ano ainda mais especial.

Bjão amores! E ah, não esqueçam das minhas reviews heim?