Capitulo 12

A noite já ia longa, o idoso reitor suspirara de alívio, mesmo tendo toda a confiança na genialidade do seu Mestre de poções, uma poção experimental, era sempre uma poção experimental!

Remus Lupin estava estável, o exame feito pela varinha trémula de Poppy, não diagnosticara qualquer registo de células lobisómicas.

Restaria apenas que Lupin acordasse, juntando-se finalmente, como Homem livre, ao mundo dos vivos.

Regressado à sua torre, guardada pela Gargólia, o poderoso feiticeiro permitira-se deixar o seu pensamento vaguear.

Temia o futuro do seu Mestre de Poções, da jovem mulher entregue aos cuidados de um inteligente, mas sofrido quadro, mas assim mesmo um quadro.

Apenas o conhecimento de que o Mestre de Poções estava obrigado, pela promessa que anos antes lhe arrancara, lhe trazia alguma paz de espírito.

O olhar perdido, a aura negra, não tinham escapado ao velho reitor, que conhecia Severus muito bem; era-lhe doloroso observar o tão amado filho a sofrer, sendo impotente para o ajudar, auxiliar, a permitir-se, a dar-se, a ele próprio, a hipótese de poder ser feliz, de o convencer que poucos são os actos verdadeiramente imperdoáveis, que tudo ou quase tudo depende do contexto em que está imbuído.

""Ah, tantos segredos, tantas omissões, tantas culpas…" pensava o idoso reitor da majestosa escola de feitiçaria de Hogwarts, enquanto subia lentamente a escadaria de pedra, envelhecida, que dava acesso aos seus aposentos privados.

"Severus, se tu soubesses, perdoar-me-ias?", fora o seu ultimo pensamento ao fechar a pesada porta dos seus aposentos, como que selando-se a ele próprio das dores, dos pecados do mundo exterior… do seu mundo interior.

Hermione permanecera acordada por muitas horas; o velho sofá, confortável, queria arrasta-la para as profundezas brumosas do realmo dos sonhos, para a terra em que os impossíveis são possíveis, para a terra dos sonhos…

Resistindo, a esses dedos veludosos, que se queriam apoderar-se da sua mente, Hermione, mirava, acariciava, o velho diário, de simples capa preta; os seus olhos fixos, perdidos no anel de homem com a sua singular pedra, fascinante, mística, transportando-a a outros tempos, a outras memórias, a outras pessoas, às mesmas pessoas, tudo em ciclo, como uma lição não apreendida, como uma sucessão de chumbos, falhanços, até ao momento final, até que a lição fosse aprendida.

As palavras de Rowena ressoavam-lhe na memória:

"Nenhum Slytherin faz algo sem um motivo… jamais diriam toda a verdade quando questionados", a sua mente lógica, investigadora comparava, tentava encontrar a similaridades entre os dois homens, entre os seus actos.

Poderia haver qualquer razão, qualquer justificação para o assassínio de um filho?

"SANGUE! SANGUE!"

Mas Severus não era racista, disso dera provas vezes sem conta ou seria apenas mais um véu de enganos, a vontade intrínseca, tão humana de ser livre?

As perguntas valsavam, bailavam, brotando na mente de Hermione, como a água das nascentes.

Todos os livros, todos os pergaminhos, jornais e artigos alguma vez publicados, não a ajudariam na incógnita que era Severus Snape.

O que o movera, o que o impelira para vinte anos de sangue e dor, o que o salvara da loucura, qual fora o archote que iluminara o escuro e decrépito túnel que fora, a sua vida até então?

O último pensamento, antes de o seu brilhante cérebro se entregar, nos braços lânguidos de Morfeu, fora

" Os pensieves… Albus… é esse o caminho…."

As horas passaram por Severus Snape como um filme numa tela de cinema, em que ele como mero espectador, nada pudera fazer para impedir a acção, para a impedir de passar, obrigado a assistir.

Sentado na sua cossada poltrona de puída pele verde escura, observara a chama brilhante, bailarina da lareira a expirar o seu último chamejar de vida.

A sala gelara, o ar húmido penetrara-lhe o corpo, forçando-o a erguer-se, a mover-se lentamente, dolorosamente para o seu pequeno antro, o seu quarto.

Da mente cansada do Mestre de Poções de Hogwarts, não se apagaria jamais o olhar, a dor, as palavras de Hermione, dentro de si algo se partira naquele instante, quebrara-se como por encanto, no estrondoso som do silêncio da esperança.

Mais do que nunca era-lhe necessário, era-lhe vital para a sua sanidade, encontrar uma forma de chegar, de atingir a tão almejada saída, a escapatória de uma vida, em que apenas destruíra outras vidas, em que aniquilara esperanças, em que esmagara, triturara pessoas e sonhos.

Mas ela jamais saberia, jamais sonharia, imaginaria que no coração de um homem como ele, um homem cruel, vingativo, temido, odiado, amaldiçoado pelos deuses, florescera um sentimento maior que tudo, maior que os seus próprios sonhos e desígnios; jamais saberia que os deuses estavam mesmos loucos, como velhos anciãos, bêbados e gozões, que sim ele, com todo o seu ser, com toda a sua mente, fora apanhado nas malhas de um amor maior.

Jamais o saberia…

Perdido na noite, com o olhar vago, no nada e no tudo, fora do aqui e do agora, para além do tempo físico, em que a mente brilhante, abrira mão, sucumbira, recebera de braços abertos o escuro, o negrume do pesadelo de mais umas horas de vida, que as parcas de sono lhe dariam, Severus Snape sonhava.

A noite passara, lentamente o castelo regressara à vida, no crepúsculo orvalhado da madrugada.

O cérebro de Severus Snape era penetrado pela dor aguda que sempre acompanhava um acordar forçado de uma noite de excessos alcoólicos e/ou de exaustão emocional.

Lentamente erguera-se, aos tombos pelo quarto, até atingir a casa de banho, o lavatório, a torneira em que a mão trémula, nas primeiras horas de acordar, abrira, levando a água gélida ao rosto, em que a dor cerebral era sobreposta à dor física da água gelada na pele.

Começara um novo dia...

Com gestos gastos e menos precisos do que outrora, Severus Snape vestiu-se, cobriu-se e colocou a mascara, encarnando novamente a sua bem estudada personagem.

Ao sair do seu quarto, o seu olhar percorreu a sala, nada alterado, imutado, os seus sentidos, agora despertos pelo banho frio, aguçados, felinos, disseram-lhe que Hermione não estava nos aposentos, que nem sequer por um milésimo de segundo atravessara a porta daquelas masmorras, naquela noite.

Exalando um longo e triste suspiro, Severus saiu para um corredor, ainda desprovidos de alunos embirrantes, desleixados, burros, sem noção de honra ou de códigos morais, sem objectivos, meninos de ouro, que sempre tiveram tudo nas suas malfadadas vidas, que não estariam nunca preparados, para a realidade dura e cruel que os esperaria fora das paredes protectoras daquela escola.

Ocupado com estes pensamentos, repugnado, misturando a raiva e a revolta da sua própria vida, das suas próprias escolhas, com as opções que ele, na idade de muitos deles, tomara.

O Grande Hall enchera-se lentamente por um fluxo de alunos endorminhados, que maquinalmente se sentavam e enchiam o pranto.

Os professores trovam os bons dias entre eles, também eles ainda adormecidos, perdidos nos seus pensamentos, com a mente ainda enevoada pelos resticios dos sonhos tidos.

A tudo isto, Severus permanecera alheio, os seus olhos fixos na entrada do Grande Hall, odiando-se a si próprio ainda mais, pela fraqueza, pelo desejo de a ver, queria assegurar-se que estava bem, que mesmo odiando-o, desprezando-o, ela estava bem.

Ao sentir que alguém se atrevera a tocar-lhe no ombro, quebrando-lhe a vigília, Severus Snape voltara-se pronto a insultar, a humilhar quem o incomodara, encontrando os seus olhos o olhar brilhante, vivido, cintilante de Albus Dumbledore.

-"Bom dia Severus, tenho óptimas notícias de Lupin. A poção foi um sucesso."- Dissera meigamente o reitor.

-"Bom dia Albus. Passarei mais tarde pela enfermaria."Respondera Severus bruscamente, indicando claramente que desejava não ser incomodado.

Albus não ignorava o que os olhos de Severus procuravam, mas também sabia que não a veria…

A conversa com Hermione uns minutos antes dava-lhe esperança e esse facto apenas, dava-lhe uma enorme alegria, tudo estava novamente em aberto….


NOTA DA AUTORA:

Olá a todos, primeiro desejo explanar que a minha vida de à um ano para cá tem sido muito complicada, entre exames universitários e a saúde de membros idosos da minha família, as coisas têm estado muito, muito complicadas.

Este capítulo foi escrito em 4 partes e todas elas nas aulas, pois ainda é aonde tenho 5 minutos para mim. No Hospital não me da muito jeito. Enfim, chega de coisas tristes, ainda não morreu ninguém.

Queria agradecer a tos os que me enviaram mails de apoio a perguntar se estava bem, o que estava a acontecer.

Severus Snape, penso que é mesmo o único homem a ler fanfiction, obrigada pelo puxão de orelhas, resultou!!! Porque deixa sempre as críticas sem mail? Vá lá, toca a ser cordial e permitir resposta personalizada!!!

A todos os que me quiserem contactar o meu mail é como sabem e saibam que respondo sempre.

Muito obrigada a todos, de coração, e desculpem o atrasa significativo.

Alguém percebe alguma coisa de biotecnologia ambiental??? Estou um pouquinho atrapalhada …. Estórias da minha vida

Beijocas grandes a todos