Disclaimer: Os personagens de Saint Seiya pertencem a Masami Kurumada e a ele todos os direitos são reservados. Mas a personagem Sofia e os parentes do Miro são de minha autoria, portanto podem ficar a vontade para utilizá-los, desde que eu seja previamente comunicada e inserida no disclaimer! X Músicas incidentais: "Boneca de Cera" do Ira!, Composição do Edgard Scandurra, e "All I Ask of You" da Trilha de Fantasma da Ópera, composição de Andrew LloydWebber e Charles Hart.
O QUE PODE MUDAR A SUA VIDA?
Capítulo XI- Uma Inundação
Você não é mais a mesma, você mudou pra valer
e um sorriso de seus lábios não terei
eu sinto um frio que vem do seu coração
mesmo nesse sol de verão
apenas um suspiro e um olhar perdido
Por que as coisas são assim?
estamos perto um do outro, mas você está tão longe de mim
A letra daquela música que ouvia a incomodava. Doía. Era como se falasse diretamente com ela.
É tão fácil, mas é impossível dizer
foi o tempo que roubou suas palavras
e hoje você parece uma boneca de cera
com sua cara triste não sente os pingos da chuva
nem minha presença sente também
Amiga, eu quero lhe mostrar que estou a seu lado
amiga, eu não quero te ver chorando
Foi o tempo que tomou suas palavras
mas dê um tempo pra que seu imenso vazio
seja tomado pela vontade de criar e viver
E talvez em defesa a àquelas verdades, sua mente divagou.
"Gratidão eterna por proteger nossa menina até o fim"
Correu os dedos sobre a inscrição gélida da pequena pedra de mármore escuro abaixo da grande árvore pouco acima da colina que havia ao lado da casa de Escorpião. Uma lágrima brotou teimosa de seus olhos.
- Então essa era minha mãe...
O dourado agacha-se para alcançar o ombro de Sofia.
- Talvez. Ou talvez apenas alguém que queria protegê-la.
- Como ela era? Você a viu, não? Ainda se lembra? – continua ao enxugar o próprio rosto e encará-lo.
- Para ser franco, não me lembro muito bem. Mas creio que tinha os cabelos escuros, meio lisos, eu acho. A pele era clara como a sua. Nós não... Nós não investigamos muito a fundo, sabe. Sei que parece injusto agora, mas a gente tinha medo que você fosse parar em um orfanato antes que Berenice e Egídio pudessem adotá-la.
Voltaram-se novamente para a inscrição. As pontas dos dedos de Sofia estavam avermelhadas e quase sem tato devido ao frio da tarde. O pôr-do-sol já tingia as ilhas gregas de um tom adamascado característico. O cavaleiro retirou sua própria jaqueta e a colocou sobre os ombros da prima, que permanecia imóvel, com o olhar fixo na lápide. O vento assoviou mais uma vez, agitando-lhe os cabelos.
- Devíamos entrar, Sofia. Está ventando muito forte. – ele sabia que estava sendo cruel em apressar-lhe, mas tanto o sol, quanto a temperatura, caíam cada vez mais rápido.
Sofia pareceu alheia às suas palavras e limitou-se a mover os dedos finos que jaziam sobre a pedra.
- Sonhei com aquele homem da armadura dourada outra vez. – disse por fim, em tom de voz muito baixo.
- É sempre o mesmo sonho? – ele envolveu-lhe com os braços.
- Não. Às vezes é um pesadelo horrível com mortes e tudo mais. Mas às vezes... É só um sonho. Ele fala comigo por muito tempo.
Miro notou que as pálidas mãos da menina começavam a atingir um tom arroxeado.
- Que tipo de coisas ele te diz?
- Que sempre vai estar por perto. Que nada de ruim vai me acontecer. Ou então... – ele observa uma lágrima cair sem o consentimento dela sobre o rosto fino. – Que vai proteger você.
Outra lágrima, mas desta feita, cai direto sobre o frio mármore. Ele sabe exatamente o que aquelas palavras escondem.
- Sofia, escute...
- Mas eu não sei... – ela respira com dificuldade, tentando continuar a falar. – Eu não sei até que ponto ele é criação minha ou... – passa os dedos sobre o rosto numa tentativa de secá-lo. – Às vezes eu tenho a impressão de que... Eu posso vê-lo bem atrás de mim no reflexo do espelho. Mas se eu olhar pra trás, não está mais lá.
- Você estava impressionada, só isso.
Sofia concordou em silêncio. Miro a puxa devagar, para que se levante e fique de frente para ele. Ele lhe segura o rosto com ambas as mãos.
- Não vai acontecer nada comigo, Sofia. Tem que parar de se preocupar assim.
Ela abaixa a cabeça, com outras lágrimas a encharcar-lhe o silencioso rosto. Miro a puxa para si num beijo profundo e sincero. Sofia fecha os olhos, sentindo o conforto que o namorado lhe oferecia com o gesto.
O vento sopra novamente, abaixando a temperatura e dissipando a sensação quente do corpo de Miro. Sofia abre os olhos e gira em torno de si mesma a procura dele, mas estava sozinha. Olha mais uma vez para a pedra escura e a relê.
"Gratidão eterna por proteger nossas vidas até o fim"
Quis sair à procura de Miro, mas titubeou. Pensou ter lido errado da primeira vez e abaixou o olhar novamente esfregando os ombros nus, arrepiados com o frio. Retesou-se. Havia algo mais abaixo da frase.
"Miro Ptolemaîos"
Despertou engasgada com as próprias lágrimas. Detestava quando algumas lembranças suas se misturavam aos seus medos mais profundos em um novo pesadelo. Esquecera-se do diskman novamente. Tateou sobre a cômoda a procura do celular, para ajudá-la com um pouco de luz, mas ele não estava lá. Sentou-se e notou um risco claro abaixo da entrada que levava ao banheiro da suíte. Uma sombra passava de um lado a outro, atrás da porta.
- Não, eu já disse que ela não pode atender.
Sofia prende a respiração por um segundo e senta-se sobre a cama. A mão que a apoiara acaba encontrando o procurado rádio.
- Porque são altas horas da noite e ela está dormindo. E eu não pretendo deixar que a convença a voltar. Simples assim. (...) Tia Madge não tem nada a ver com isso, a idéia da viagem foi minha.
Ela engoliu em seco. Miro só podia estar discutindo com seu pai. Seu coração mudou-se para a garganta.
- A verdade é esta, tio. Houve um incidente no Santuário e a Sofia foi ferida, mas passa bem. (...) Acontece que ela não quer ver vocês. Não ainda. (...) Nós não estamos na Grécia. (...) Não precisa gritar assim, não vai resolver.(...) Tsc. Eu vou levá-la para casa quando ela se sentir melhor. Estamos na casa de amigos meus e... (...) Pois é, tio. Incrível, mas tenho bons amigos. (...) Não importa onde estamos, por hora é melhor que não saibam. (...) Não, você não tem direito! Porque isto é entre eu e a Sofia! E eu já estou cheio das intervenções de vocês! (...) É, exatamente! Sei que a quer bem longe de mim, mas ela já é bem grandinha pra saber o quer! E também sei que só quer protegê-la, agindo assim. Só que eu... (...) Eu não vou fazer mal nenhum pra sua filha. Eu a amo, tio! Será que é tão difícil mesmo... (...) Sei. Claro que sei. Não vai acontecer nada com ela! Mas eu preciso que vocês nos deixem em paz pra resolver tudo isso. (...) Não, você não está entendendo, eu quero... (...) Tio, chega de colocar ela no meio de uma guerra que é só nossa, tá bom?! Eu vou até aí conversar pessoalmente com você quando voltarmos e espero que me receba nem que seja do lado de fora. Eu já devia ter insistido nisto há muito tempo, mas não importa. (...) Eu mesmo ligo pra dar notícias. Fiquem tranqüilos de uma vez por todas. (...) Eu sei muito bem o que estou fazendo, tio. (...) Tchau, tio. (...) Eu disse tchau.
Silêncio, seguido de um pequeno o estalido. Sofia encolheu-se na cama ao ouvir o trinco da porta e colocou o fone de ouvido, pensativa.
Apoiou-se na grade com um suspiro e retirou o fone de ouvido voltando a realidade. Junto à visão das sombras verticais projetadas pelas estruturas metálicas, a vista que tinha era de tirar-lhe o fôlego. Diferente de sua Terra Natal, um centro urbano muito movimentado e agitado. Uma área plana em que a vista seguia longe para prédios e construções monumentais modernas. Pessoas elegantes e muito sóbrias por toda parte. O tom adamascado do céu se somava a um cinza chumbo de fundo. De alguma maneira misteriosa, a Torre Eiffel era um lugar encantador e estranhamente romântico.
Se pudesse ver a si mesma, porém, talvez percebesse o quanto estava ainda mais sonhador observar uma garota como ela com os olhos perdidos no horizonte, esverdeando a Torre com seu vestido xadrez de pregas até metade das coxas. Ninguém poderia dizer que, aqueles densos cachos escuros sob a boina preta, ou aquela fina cintura debaixo do largo corpete de mesma cor amarrando-a pela frente vinham diretamente da Grécia. O all star de cano alto e de mesmo xadrez e os ombros a mostra por curtas mangas de modelo romântico, tão pouco ajudavam. E do lado oposto da construção, Miro a observava, pensando exatamente nisto ao decidir se aproximar.
Sofia sorveu o ar, ainda distraída, esfregando a mão direita sobre a luva preta de meio-dedo da outra. Olhou para a munhequeira de tecido igualmente preto do pulso direito, verificando se as manchas estavam devidamente escondidas. Podia ouvir os cliques e instruções atrás de si. A equipe artística de Anuska indo e vindo, as instruções de Kâmus e indagações curiosas do pequeno Isaak se misturando numa variedade de sons mecânicos e flashes. Todos fazendo seu trabalho. Mas e ela? Que fazia ali? Procurava por aquela resposta há mais de três semanas e ainda não sabia responder.
- Tem certeza de que não é garota propaganda dessa marca de tennis?
Virou o rosto estreitando os olhos e esboçou um sorriso ao encontrar com as esferas azuis que a encaravam com alguma esperança.
- Deve ter alguma razão especial para você ter um par para cada roupa que usa. – continuou, fingindo dissimular o riso.
Sofia revirou os olhos, como resposta silenciosa. Voltou o olhar para o horizonte com um suspiro. Nos últimos dias, era muito difícil ver até mesmo aquele simples sorriso de Mona Lisa. E ela continuava no que parecia uma espécie de greve de silêncio com ele. E isto o deixava sem saber como agir. Arregaçou as mangas da camisa clara e apoiou-se na grade, sorvendo o ar pesadamente.
- Hm. Esqueci de te falar. – ela o encarou mais uma vez, mas ele desviou o olhar para o horizonte. – O Mú encontrou a pedra do seu anel. – retirou uma pequena caixa do bolso da calça jeans. – Eu mandei arrumar pra você. – abriu-a e estendeu-a na direção das mãos de Sofia.
Sofia enrubesceu e um brilho úmido passou por seus olhos escuros ao segurar o objeto. Aquele gesto significava muito para ela e Miro sabia disso.
- Obrigada. – sussurrou, por fim.
O cavaleiro tomou a iniciativa e precipitou-se para recolocar o anel na mão direita dela.
- Sofia...
O telefone dela tocou antes que ele terminasse de falar. Ele voltou-se para o horizonte irritado com a interrupção, porém deixando-a atender.
- Oi. (..) Oi, Mãe. Eu estou bem, sim. Sério. (...) Mãe, não. Eu não posso simplesmente...
Miro toma o telefone da mão dela de repente.
- Nós não vamos voltar agora, tia. (...) Já disse que se tivermos algum problema, vocês vão saber. (...) Temos que desligar, desculpe. – ao terminar de falar, Miro deixa o celular cair torre abaixo de propósito e ironiza. – Que cabeça a minha, tsc.
- Miro! Por que você... Ficou louco! – empurrou-o indignada.
- Eu consigo outro pra você, quando voltarmos. Mas isto é entre eu e você agora.
- E por isso você joga o meu celular lá embaixo e me impede de falar com...
- Eu não quero mais nada entre a gente, só isso. Já basta esse seu silêncio, essa sua teimosia em achar que eu não posso arrumar as coisas entre nós!
- Você jogou um celular lá pra baixo, não eu! Quem é o teimoso aqui?!
- Acontece que o monte de besteiras que os Ptolemaîos tem pra dizer são pra mim! Não pra você! Eles já te magoaram o bastante, não acha?! Quando voltarmos pra Grécia, eu falo com eles! Como todos eles! Mas aqui, eu só quero que me ouça! Será que é tão difícil assim ouvir o que eu tenho pra dizer? Me explicar direito por que diabos você...?
- Você ficou maluco?! Parou pra pensar que podia ter acertado a cabeça de alguém lá embaixo?!
- Não desvia o assunto, Sofia!
- Não desvia o assunto?! Que assunto?! O de jogar o meu celular torre abaixo, para ninguém mais conseguir falar comigo?
- Você tá sempre tão ocupada com essa porcaria, que em mais algumas zilhões de ligações deles e lá vai estar você, voando sozinha pra Grécia achando que é a culpada de tudo que aconteceu! Enquanto o idiota aqui, que te trouxe pra essa cidade imbecil que você tanto queria conhecer, conversa melhor com as paredes!
- Isso não é verdade!
- Ah, não?! Então o que é verdade? Que você fez voto de silêncio pra algum Santo? E que, especificamente, só não pode falar comigo?! O que foi que eu te fiz?! Sim, porque até onde eu sei você tinha terminado o nosso namoro, mas o lance de me ignorar não ficou claro pra mim! Pelo menos isso, eu acho que tenho direito de saber!
- E por acaso você acha que é fácil olhar pra você, depois de tudo que aconteceu?! – a jovem vociferou com lágrimas presas no olhar. – Você acha que a minha decisão foi simples?! Acha que acabou tudo entre nós e tudo bem pra mim?!
Miro a encarou, vendo-a desequilibrada como nunca vira antes. E deu graças a todos os deuses do Olimpo. Ela estava gritando, mas finalmente falava com ele. Significava que ainda estava viva e sentia algo mais além de tristeza e medo. Suspirou e abaixou o tom de voz.
- E como você acha que eu estou? Você não me deu a mínima chance de me defender, de tentar... – não conseguiu prosseguir e engoliu em seco para não deixar que as lágrimas caíssem na frente dela. Baixou a cabeça, passando a mão pelos próprios cabelos.
- Tentar o quê, Miro? Esquece isso! Nossa família nunca vai aceitar! E quer saber? Não importa, porque eu também não...
- Também não o quê? – encarou-a novamente. – Diz a verdade de uma vez. – segurou-lhe o braço. - Não o quê?
Sofia baixou o olhar, deixando escorrer as lágrimas.
- Não posso. Eu não tenho direito... Eu fui... Burra. Eu não tinha nada que...
- Você não é burra, Sofia. Nunca foi. – respondeu sério, detestando vê-la daquele jeito.
- Eu não posso... Eu não quero fazer isso. Eu não tenho nenhum direito... – ela engole em seco. Não queria dizer que o Santuário passara a ser uma muralha que os separava. - É a sua vida, não a minha...
Miro segura-lhe pelo queixo para forçar que o encare.
- Então não tente escolher no meu lugar.
As últimas palavras soaram firmes mas morreram depressa, presas nos lábios de Sofia com o beijo avassalador que se seguiu sem dar tempo para desvencilhar-se. A desvantagem era que depois que ele a tomava nos braços, não tinha mais o que fazer. Primeiro porque a diferença de força era indiscutível e segundo... Porque a consumia por completo, acima de qualquer razão ou lógica. Porque não havia nenhum outro lugar que desejasse estar...
Empurrou-o, ainda sem fôlego, por fim. Seus sentimentos, desejos e decisões misturavam-se num turbilhão desconexo.
- Quisera eu que fosse tão simples. Mas não é assim que se resolve... Não.. Isso não está certo.
Sofia aproveita-se dos segundos em que ele ainda digeria aquela rejeição e desvencilha-se dele. Ela segue na direção da saída às pressas.
- Sofia, volta aqui!
Ela prossegue apertando o passo, visivelmente aos prantos. Miro não a segue. A esta altura, Kâmus já se aproximava, verificando se estava tudo bem.
- Por que não vai atrás dela , Miro? Você precisam...
- Hm. Ela não vai muito longe. Deixa ela ir. - Um suspiro transpassa por seu corpo e ele esboça um sorriso satisfeito.
Kâmus não entende de imediato e arqueia as sobrancelhas. Mas apesar da fuga, Miro conseguira. As palavras que ela escondeu, conseguiu enxergar claramente em seus olhos negros. E com aquela confirmação silenciosa, ele finalmente decidira seu destino dali em diante.
Despertou de um tempestuoso e confuso pesadelo com o peito arfante e o rosto encharcado de suor. Como se tivesse invertido os papéis, sonhara com uma terrível morte para Sofia. Levantou-se do colchão e a vislumbrou sob a penumbra na cama de casal ao seu lado em sono profundo. Respirou aliviado e sorriu ao notar que ela continuava com a mania de dormir ao som da Ópera favorita pelo fone de ouvido.
Seguiu para o banheiro em silêncio para lavar o rosto, concluindo que agora sabia exatamente como ela se sentia a respeito de sua morte. Tentava imaginar o quão torturante era suportar este medo por tanto tempo e sentiu-se um monstro. Jogou a água fria sobre o rosto com as mãos e jogou os cabelos para trás. Olhou-se no espelho e virou-se para trás num pulo. Podia jurar ter visto um homem de cabelos escuros e cacheados a acenar-lhe com a cabeça, logo atrás de si, encarando com os olhos negros suaves e um sorriso familiar. Esfregou os olhos e sorriu sarcástico. Estava com sérios problemas mentais.
Voltou-se para fechar a torneira e olhou para o espelho mais uma vez. Não tinha mais nada lá. Sentiu um calafrio. O vento soprou pela janela e pensou ter ouvido um sussurro.
- Deixo meu tesouro em suas mãos...
Fechou a torneira boqueaberto, passando a outra mão sobre a testa para voltar a respirar. Não entendia o que aquilo significava e não queria entender. Só podia ser fruto da sua imaginação. Secou o próprio rosto com a toalha.
Voltou ao quarto e parou de pé, encarando Sofia e sentindo as mãos frias. Cobriu-a melhor. Levou um novo susto quando seu próprio celular iluminou o quarto, vibrando eloqüente sobre a cômoda de madeira. Atendeu-o depressa e afastou-se um pouco.
- Alô.
- Hm. Acho que me confundi um pouco com o fuso-horário, não?
- Não seria a primeira vez, "grande mestre". – respondeu em tom de deboche.
- Desculpe pela hora, Escarlate. Mas achei que era importante.
- Que aconteceu? Estão com algum problema?
- Não. Está tudo bem por aqui. É sobre a Sofia...
- Ela está bem, se é o quer saber. – arqueou as sobrancelhas ainda sem entender.
- Na verdade o que quero dizer é que a senhorita Saori conseguiu informações bastante significativas sobre a família dela. Quando puderem passar por aqui, ela explica tudo com mais calma. Mas prepare-se para ficar impressionado pela ironia do seu destino, amigo.
- Isso é algum tipo de piada, Saga? – ouviu um riso sarcástico do outro lado da linha.
- Não, não é piada. O bisavô dela foi o seu antecessor.
- Como assim meu antecessor?
- Não seja burro, Escarlate. O antigo Escorpião. Dohko o conheceu. Achou os traços da Sofia familiares. Sem a ajuda dele nunca teríamos conseguido.
- Isso é piada. E uma piada estúpida.
Outra gargalhada.
- Parece, não é? Mas não é, amigo. Pode falar para a pequena que o sobrenome dela é Hadjides.
Miro ficou em silêncio por um tempo. Estava digerindo a informação com dificuldade.
- Bom, isso explica aquele lance da minha armadura, eu acho.
- Possivelmente. Bom, passem aqui quando voltarem.
- Sem dúvida que sim. Avisa o Dohko pra se preparar, porque com certeza ela vai querer fazer milhões de perguntas.
- Eu aviso. A gente se vê.
- Até, Saga.
Desligou o telefone e sentou-se ao lado da cama em que Sofia dormia. Segurou-lhe a mão e acariciou-lhe o rosto de leve, afastando alguns cachos de seu rosto. Riu sozinho, ao lembrar da discussão que tiveram na primeira noite sobre o fato de ele dormir no chão. Pensou no quanto a amava. Passou os dedos sobre os finos lábios, hipnotizado pelos próprios sentimentos. Ela era sua vida agora. Seu maior tesouro, da qual queria desfrutar de maneira justa. Era tudo o que protegeria dali em diante: Sua própria vida e seu amor.
Voltou a se deitar, já quase esquecido do estranho incidente no banheiro. Mas a palavra "tesouro" fixou-se em sua mente e fez uma careta.
- Mas será possível, que...? – lembrou-se do que Saga acabara de lhe contar, sobre seu antecessor. - Não. Eu estou fantasiando demais por uma noite.
O tempo continuava a correr. As manhãs e as tardes ora frias, ora mornas, iam delineando os passeios entre Notre Dame, Museu do Louvre, Institut de France e "Le Pont des Arts", a famosa praça dos Pombos e outros locais turísticos marcantes dos quais a equipe fotografava Anuska para a campanha "Ma France" da Dior. Sempre seguida pelo esposo e o filho, que agora tinham como companhia o casal grego. Miro sentia-se entediado até o último fio de cabelo, mas suportava tudo com um sorriso sincero quando via a expressão encantada de Sofia.
Naquele dia as fotos tinham sido noturnas e os cinco resolveram caminhar pelas ruas para respirar o ar fresco da noite. Kâmus fizera uma pausa para comprar os itens que faltavam para o jantar e Miro o acompanhou. Gostava de perceber o quanto Anuska e a prima estavam se dando bem.
As duas aguardavam pacientemente do outro lado da calçada, distraindo Isaak com as vitrines. Foi então que Sofia avistou uma loja de música e não conseguiu se conter.
- Anuska, eu já volto.
A mais velha concordou com um sorriso e a garota correu. Sua visão tinha um só destino na loja de instrumentos: um belo exemplar de violino que estava disposto entre as flautas doces e os violoncelos, sobre uma valise de couro. Era fascinada pelo instrumento desde muito pequena e ficou a admirá-lo com os olhos fixos. Um vendedor elegantemente vestido, logo percebeu o encanto que o instrumento provocava na moça e aproximou-se prestativo.
- Eh-Interessée?
- Désolée, je ne pense pas que je peux l'acheter...
O vendedor a olhou por um momento sorridente, tentando avaliar o que poderia diminuir sua frustração, ou convencê-la a adquirir o instrumento em outra oportunidade.
- Vous ne trouverez pas un bruit son. Voulez-vous l'essayer?
Sofia o encarou consternada, tentando acreditar na sugestão que lhe era feita.
- Je peux?
- Oui, d'accord.
Ainda com certo receio, ela tomou o instrumento nas mãos e posicionou-se, ante o incentivo silencioso do rapaz, que preparava-se para algo levemente desafinado. Para sua surpresa, o som extraído foi suave e melodioso, imediatamente reconhecido por quem ouvia como uma das músicas de Fantasma da Ópera, "Think of Me". Mas o que mais chamou atenção, foi o momento do refrão, em que, loucamente, porém com maestria e perfeição, a melodia misturou-se com "Fear of the Dark", encantando os presentes e atraindo curiosos para o estabelecimento. Aquilo agradou muito ao funcionário que, mesmo não fazendo a venda do violino à garota, teria muito mais chances de o fazer para outros. Sofia, distraída com o som do instrumento, demorou a perceber que era o centro das atenções e, sem jeito, interromper a música. Há esta altura, juntamente com vários franceses que a aplaudiam, também estavam Anuska, Kâmus e Miro. Todos espantados com aquele desconhecido talento. Escorpião era o único que não parecia satisfeito e mantinha os braços cruzados, encarando-a incrédulo, antes de sair da loja em silêncio. Os outros três seguiram na direção dela, indagando em tom de brincadeira, quantos dons ela ainda tinha escondidos nas mangas.
Durante todo o retorno e também durante o jantar, Miro ficou em silêncio e evitava o olhar de Sofia, que conversava animada com os amigos sem notar – ou fingir que não notava – a irritação do primo. Ele, ao fim do jantar, levantou-se na direção da porta.
- Com licença, preciso dar uma volta.
Apesar do clima pesado, ninguém respondeu ou o impediu. Sofia ajudou a recolher os pratos e arrumar a cozinha também em silêncio. Anuska e Kâmus preferiram não interferir e também mantiveram-se calados. Assim que acabaram, ela seguiu para o quarto, tomar um banho. Não conseguia entender muito bem por que ele ficara tão irritado.
Quando saiu do banheiro penteando os cabelos, vestida com uma camiseta baby-look e uma calça leve, ainda descalça, viu que o primo já chegara e estava encostado na sacada da suíte, com a expressão mais severa que já vira.
- Já desocupei o banheiro, se quiser usar.
Houve um longo silêncio até que ele respondesse, ainda de costas e com a voz alterada.
- Como assim, você toca violino e eu não sei disso?!
- Miro, eu não acredito que...
- Tem idéia de como eu me senti quando me perguntaram por que eu nunca disse que você tocava violino?!
Sofia tentou responder em sua defesa, quando ele virou-se na sua direção e ela notou com lágrimas presas aos olhos e perdeu a coragem, engolindo seco.
- E ainda tive que responder que eu não sabia!
- Calma, Miro. Você não tem porque você se sentir mal. Nós nem somos mais...
- Não seja tão cruel, Sofia. Quatro anos deviam ser mais do que suficientes para que eu soubesse.
- Eu estudo música, Miro. A gente acaba escolhendo um instrumento, mesmo que o foco seja o canto. E você nunca gostou do tipo de música que se tira de um violino, eu não achei que fosse importante...
- Não achou que fosse importante? O que mais você achou que não era importante pra me contar?!
- Por que você esta sendo tão drástico, de repente? Você nunca se importou com o que eu fizesse ou deixasse de fazer, desde que eu fosse atrás de você no final!!
O cavaleiro riu incrédulo, meneando a cabeça.
- É assim que você acha que eu sou?
- Miro...
- É assim que você pensa?! – ele fez uma breve pausa e Sofia suspirou. – Ótimo. Talvez eu tenha feito por merecer. O que me leva a crer que você tem razão em dizer que estamos melhores separados. Afinal eu nem a conheço, não é? Se quer me importo, não é mesmo?!
- Miro, escuta... – ela já estava arrependida do que dissera e quase perdera a voz.
Escorpião pegou um embrulho que estava na cômoda e jogou sobre a cama.
- Não sei se já tem o seu, mas pareceu gostar deste. – e entrou no banheiro, pegando uma toalha, fechando a porta na cara dela.
Sofia deixou que as lágrimas rolassem, agora que ele não as podia ver. Nenhum deles estava certo naquela discussão. Ele podia não perguntar muito sobre ela, mas Sofia também não fazia questão de contar, tão acostumada estava em fechar-se para o restante do mundo. E inconscientemente, aplicara-lhe um golpe muito baixo, na frente do melhor amigo. Olhou para a cama assim que ouviu o som do chuveiro. Sabia o que tinha no grande embrulho que ele largara sobre o móvel. Estava constrangida por ter ganho o instrumento de uma maneira tão triste. Sentou-se. Ela realmente nunca tivera seu próprio violino, pois era um tanto caro e os pais preferiam que, com a tia Berenice, aprendesse piano e utilizasse o antigo instrumento que ela mantinha. Mas nunca tivera muita paciência para ele. Já ao contrário, o instrumento famoso por sua ausência de notas, a fazia sentir toda sua vida numa simples canção. Descobrir um som novo, uma nota nova, era como descobrir a si mesma. Talvez se seus pais a ouvissem uma única vez, pudessem mudar de idéia, mas jamais conseguira tal oportunidade.
Abriu o pacote e vislumbrou a valise de couro que o protegia, ainda em lágrimas. Passou a mão pelo fecho e o abriu devagar. Passou os dedos levemente sobre ele, como se fosse um tesouro, apesar de lhe transmitir tanta dor naquele instante fatídico. Ali ficou por muito tempo, sentindo a textura da madeira e das cordas, com a culpa a lhe corroer. Era estranho como coisas tão simples, poucas palavras ou um breve descuido silencioso tivessem um poder de mágoa tão grande.
O ruído da porta assustou-a, fazendo com que fechasse a caixa rapidamente, enxugando o rosto. Miro arrumou suas coisas e ajeitou-se no colchão ao lado da cama em silêncio, torturando-a com tal atitude.
- Nem sei como agradecer... Foi o melhor presente que já ganhei.
- Já agradeceu. Boa noite.
- Boa noite.
Não adiantava conversar agora. Ela o conhecia o suficiente pra saber que só iria piorar os ânimos e remexer em coisas que os magoariam ainda mais. Aquela noite lhe custou a passar. Passou-a praticamente em claro, olhando para o instrumento até ter coragem de guardá-lo. Foi só quando os primeiros raios de sol invadiram a janela, que finalmente conseguiu fechar os olhos e adormecer.
Miro conversava animadamente na cozinha com o casal, enquanto arrumavam o desjejum. Apesar de magoado com a situação, o presente também fora um pedido de desculpas pela sua parte do erro. Era visível que as coisas estavam piores para os dois depois da cena na loja de música, mas talvez assim, Miro finalmente conseguisse a chance de tê-la de volta. Os amigos estavam igualmente preocupados, mas sabiam que era melhor não tocar no assunto ainda. O cavaleiro estava no meio de uma piada, quando ouviram o som familiar e melodioso, muito baixo, sair abafado pela porta do quarto:"All I Ask of You".
Miro reconheceu a canção imediatamente, e, de tanto que a ouvira cantar escondida, sabia a letra de cor. Quando se deu conta, estava lembrando mentalmente da letra conforme as notas seguiam:
No more talk of darkness,
Forget these wide-eyed fears.
I'm here, nothing can harm you -
my words will warm and calm you.
Let me be your freedom,
let daylight dry your tears.
I'm here, with you, beside you,
to guard you and to guide you
- Acho que tem alguém te pedindo desculpas, Miro. (Kâmus)
Ele caiu em si com aquelas palavras e sobressaltou-se. Isaak quis correr para o quarto, mas Anuska o impediu e sorriu para o cavaleiro.
Miro entrou e observou a sombra sobre a cortina que esvoaçava com o vento.
Say you love me every waking moment,
turn my head with talk of summertime
Say you need me with you,
now and always
promise me that all you say is true
that's all I ask of you
Fechou a porta devagar e parou encostado no batente da porta de vidro para admirar aquele anjo. Com um all star de cano alto marrom e frente única de igual cor, Sofia completava seus trajes com uma corçária jeans de um bege muito suave, com o cinto de metal e as correntes penduradas que sempre a acompanhavam. Com os cabelos soltos e o brilho das lágrimas iluminado pela luz da manhã, tinha o olhar perdido em algum ponto do horizonte e não notou a presença dele, que estava emocionado demais para dizer alguma coisa.
Let me be your shelter, let me
be your light. You're safe:
No-one will find you your fears are
far behind you
All I want is freedom, a world with
no more night
and you always beside me to hold me
and to hide me
Ele aproximou-se devagar, na direção de Sofia e agora com cuidado pra que ela não o notasse.
Then say you'll share with me one
love, one lifetime
Let me lead you from your solitude
Say you need me with you here, beside you
anywhere you go, let me go too
Christine, that's all I ask of you
Atrás dela, surpreendeu-a passando a mão por seus cabelos e os retirou do pescoço para beijá-lo suavemente enquanto tocava-lhe o ombro e a cintura.
Say you'll share with me one love, one lifetime
say the word and I will follow you
Share each day with me, each night, each morning
Ela não tinha certeza se podia continuar, ao sentir o hálito dele tão próximo, e parou por um momento. Ao vê-la insegura, ele lhe sussurrou:
- Por favor, termine...
Love me
that's all I ask of you
Anywhere you go
let me go too
love me
that's all i ask of you
Abraçou-a com força e beijou-lhe no canto da orelha ao fim da canção, contendo as próprias lágrimas.
- Miro, eu não quis...
Ele a virou para si em silêncio e a puxou pela cintura num beijo ardente que a consumiu. Sem mais palavras, ele a tomava de volta com a mais intensa saudade, com a mais intensa paixão e força. Suas lágrimas misturavam-se sobre suas faces e ele segurava seu queixo possessivo, como se ainda pudesse perdê-la. Abraçou-a pela cintura com quase toda força que possuía, beijando-a diversas vezes no rosto e pescoço.
- Miro, eu não sei se... Eu ainda acho que não pode dar certo... É que eu não devo...
- Vai ser diferente agora. O que quer que eu faça daqui em diante... Vai ser por minha escolha e para a minha felicidade. Então pare de se preocupar com isso. Vai dar tudo certo, entendeu?
Ela consentiu ainda sem conseguir falar. Ele enxugou-lhe as lágrimas e tomou-lhe o instrumento, pegando sua mão. Guardou-o na valise e a puxou para si em seguida, envolvendo-a num beijo ainda mais ardente. A saudade era mais forte que a razão e ele não queria dizer mais nada. Só queria tê-la nos braços como pensou que nunca mais teria, guardando-a, protegendo-a, amando-a.
O desejo lhe consumia como nunca. Aquela delicada criatura estava em seus braços novamente, depois de tanta dificuldade. Ela era tudo o de mais importante e valioso em sua vida e ele não podia mais se dar ao luxo de cometer novos erros, machucá-la ainda mais seria irreversível para ambos.
Suas lágrimas misturavam-se com as dela, como se toda a paixão transbordasse de dentro deles. Quando se deu conta, já a tinha sobre a cama e explorava seu corpo com uma urgência descomedida. Ela estava ofegante e insegura, mas tão envolvida quanto ele, naquele sentimento tão forte que lhe invadia todo o corpo como um ciclone. Pareciam tão ávidos da presença um do outro que tinham-se esquecido do restante.
As mãos dele subiam por baixo da blusa dela enquanto ele lhe mordia o pescoço e descia os lábios pelo decote e finalmente sua barriga. A onda de desejo percorreu o corpo dela com um arrepio forte, fazendo-a perceber que já não tinha medo de se entregar-se e, ao contrário, ansiava por ser verdadeiramente dele. Mordiscou o lábio inferior tentando conter-se, quando despertou daquela loucura e lembrou-se de onde estavam.
- Miro, espera... a gente não pode...
Três batidas na porta fizeram a função de despertar Miro e interromper o clima. Ele cobriu o rosto com uma das mãos numa careta e ela, tentava recuperar o fôlego enquanto abaixava a própria blusa.
- Vocês estão bem?
Sentaram-se ofegantes, quando a voz de Kâmus invadiu o quarto e entreolharam-se num sorriso com um misto de malícia, decepção e divertimento. Sofia adiantou-se em levantar-se, beijando Miro nos lábios suavemente e abrindo a porta em seguida, enxugando o rosto.
- Está tudo bem, Kâmus. Bom dia.
Kâmus não pôde deixar de reparar em Miro sentado sobre a cama passando a mão pela nuca, tentando recuperar a respiração e o controle próprio, o que o fez sorrir. Definitivamente estava tudo mais do que bem entre eles, finalmente.
- Bonjour, Sofia. O café já está pronto se estiverem com fome.
Sofia passou com um sorriso sem jeito por ele e Miro enfim alcançou a porta também, sussurando para o amigo:
- Você me paga.
Kâmus riu divertido e os seguiu na direção da cozinha. Desta vez todos estavam animados. O brilho no olhar dos gregos era incandescente e vivaz. Os franceses estavam aliviados por finalmente vê-los assim. E a ligação entre todos eles estava definitivamente traçada.
- Mas por que vocês precisam partir amanhã?
- É, eu também gostaria de ficar mais um pouco, mas precisamos ir.
- Logo agora que estamos com um pouco mais de tempo, eu pensei...
- O problema é que não posso perder mais aulas na faculdade, Anuska. E além disso...
- Além disso conseguiram descobrir algumas coisas sobre a verdadeira família dela. Dá para entender a ansiedade... – continuou Miro com um sorriso.
- Entendo. Mas não deixa de ser uma pena.
- Agora vocês é que nos devem uma visita à Grécia.
- Então ficamos combinados assim.
Como as fotos de Anuska haviam acabado, saíram para ver uma Ópera de Hamlet e jantaram fora para comemorar e despedirem-se. Tomaram vinho e riram um bocado, aproveitando os últimos momentos juntos. Já havia passado quase um mês desde que Miro e Sofia chegaram e com a melhora dela, estavam prontos para voltar à Grécia. Pegariam o vôo para casa na manhã seguinte. Mas espere! Eu disse vinho??
Algo me diz que alguém não tinha resistência o bastante para esse tipo de bebida!
Miro entrou no quarto, já um tanto preocupado com ela, pois havia ingerido álcool demais por uma noite para quem nunca o havia feito. Aparentemente não era nada sério, talvez estivesse um pouco alta, pois sorria demais à mesa, mas era melhor que fosse dormir para não piorar. Encontrou-a com um short e blusa de alça feitos de seda em um tom vinho escuro, arrumando suas coisas e ele prendeu a respiração.
- Você demorou, Miro...
Miro sorriu sem graça, duvidando das últimas palavras que ouvira. Ainda estava estagnado por aquela visão tão estarrecedora. Para piorar, ela vinha em sua direção com o olhar firme e sorriso sedutor. Ele só podia estar imaginando coisas. Aquela não era a sua Sofia...
CONTINUA...
N.A.: Bom esse capítulo é um pouquinho mais curto, mas é porque o fim está próximo! XP Isso, mesmo, acho que em dois capítulos mais, chegamos a famoso "The End"!
Bom, finalmente esses dois estão bem de novo! Mas e aí? Que que o Miro vai fazer? Acho que agora a coisa complicou pra ele! Enfim, depois de tanto drama, o próximo vai ser um pouco mais divertido!
Ah! E não acostumem com a rapidez não, viu?! Atualizei minha novelinha mexicana-grega depressa assim porque a maior parte já estava pronta, então muita calma! A outra parte tá bem adiantada mas vai demorar um pouquinho!
Espero que eu não os esteja enrolando demais e estejam curtindo!
Até a próxima
