Capítulo 12- Os Embalos de segunda-feira à noite.

Eram mais de onze horas da noite, Shannon não conseguira falar com Sayid o dia inteiro, e isso já a estava deixando desesperada. E se ele não quisesse mais falar com ela? Sua única alternativa era insistir com Boone para que ele ligasse para Alex com alguma desculpa furada, assim ela poderia descobrir algo sobre o sumiço de Sayid. Esperou que todos se recolhessem aos seus quartos após o jantar, e em seguida entrou sorrateira no quarto de Boone. Ele estava em sua cama, cochilando, enrolado no edredon, mas Shannon não se importou, e pediu a ele o que queria. Como ele negava terminantemente, pôs-se a insistir:

- Anda logo Boone, telefona! Eu prometo que farei o que você quiser durante uma semana!

- Sua proposta é muito tentadora, maninha, mas eu não estou afim!

- Ah, mas por que? Boone, eu preciso falar com ele, preciso, preciso, preciso!

- Shannon, não enche! A mamãe me contou a presepada que você fez aqui em casa ontem! Fala sério, você só faz besteira, vai ver foi por isso que o Ali Babá sumiu!

- A sua mãe não tinha nada que ter se metido nessa história, eu gosto do Sayid e quero vê-lo de novo! Dammit, Boone! Nunca gostou tanto de alguém assim?

Boone sentou-se na cama, irritado:

- Mas é claro que já, o problema é que não acredito que esteja apaixonada pelo Sayid, o cara é só mais um dos seus caprichos.

- Não é não, Boone! Eu sinto que dessa vez é real! Por favor, liga pra Alex, ela até que é bonitinha, vocês pode se dar bem, já pensou nisso?

- Chega Shannon, não quero saber!- ele falou voltando a deitar-se na cama.

Shannon começou a cantar para perturbá-lo:

- Um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam, incomodam muito mais!

Boone colocou o travesseiro para tapar os ouvidos. Ela continuou:

- Dois elefantes incomodam muita gente, três elefantes incomodam, incomodam, incomodam muito mais!

Ele apertou ainda mais o travesseiro nos ouvidos, mas Shannon não parou e cantava cada vez mais alto. Quando já estava no sexto elefante, Boone rendeu-se:

- Está bem, está bem! Eu ligo, me passa o elefante, quer dizer o telefone!

Shannon sorriu e deu um beijo melado na face do irmão, que ele limpou rapidamente. Abriu sua gaveta do criado mudo e tirou de lá o papel onde Alex escrevera seu telefone. Ligou primeiro para o celular, mas não conseguiu, só caía na caixa postal. Tentou então o número da casa. Atenderam ao segundo toque.

- Alô?- indagou uma voz feminina do outro lado da linha.

- Alô, boa noite. Eu gostaria de falar com a Alexandra?

- Quem gostaria? Aqui é Danielle, a mãe dela, Alex está dormindo!

- Ah tá, tudo bem então senhora, ligo depois!- ele respondeu embaraçado, desligando o telefone.

- Por que desligou?- Shannon questionou.

- Ela estava dormindo, eu ligo amanhã, tá bom pra você?

- Está sim, obrigada por ter ligado Boone.

- Tá bom, agora vai pro seu quarto e me deixa dormir.

- Eu posso dormir aqui? Por favor?

- Pode!- ele respondeu a contra gosto arredando para que ela deitasse ao seu lado.

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Trilha sonora: Yeah/ Usher

"The Swan" com certeza era a melhor e mais sofisticada boate de Los Angeles, freqüentada apenas pelos figurões. Jack já tinha estado lá algumas vezes com Sarah, mas Kate, Sawyer e Ana-Lucia nunca tinham ido ao local e por isso estavam deslumbrados com todo aquele luxo. Milhões de luzes coloridas refletindo do teto de espelhos para o chão da pista de dança criando a imagem clássica do lago dos cisnes, o "Danúbio azul". Mesas acompanhadas de sofás acolchoados, cor de vinho, um bar super-equipado com todos os tipos de drinks. Os olhos de Sawyer brilharam ao avistar o bar, e ele abriu um belo sorriso, antes de comentar:

- È hoje!

Ao seu lado, Ana-Lucia não queria saber de beber, pelo menos por enquanto, queria dançar e não parava de se sacudir. Kate abraçava Jack, pensando no que faria primeiro.

- E então, o que acharam do lugar?- perguntou Jack vendo os olhares deslumbrados deles.

- Isso aqui é o paraíso, cara!- disse Sawyer.

- Eu gostei muito!- falou Ana-Lucia, medindo dos pés à cabeça um garçom sem camisa muito malhado, que passou por eles.

- E você, bebê?- Jack perguntou a Kate.

- Eu adorei esse lugar, mas qualquer lugar é especial quando estou com você!

Sawyer e Ana-Lucia entreolharam-se, debochados, levando o dedo indicador à boca como se fossem vomitar.

- Tô a fim de beber. Vamos lá Jack!- disse Sawyer.

Jack sorriu, e respondeu: - Vamos!

- Vamos dançar Kate?- indagou Ana-Lucia, não parando de se mexer.

- Mas você já está dançando!- falou Kate, rindo.

- Eu quis dizer na pista de dança!- Ana insistiu, estendendo a mão para ela.

- Vamos sim!- concordou Kate, aceitando a mão dela.

As duas saíram empolgadas para a pista de dança de espelhos. Jack comentou com Sawyer:

- Olha só, já estão amiguinhas!

- As mulheres são assim mesmo, doc! Hey, meninas, nós vamos estar aqui no bar, fiquem brincando só aqui perto hein! E nada de conversar com estranhos.- advertiu Sawyer.

Kate e Ana-Lucia riram.

- O que vamos beber?- perguntou Jack.

- Você eu não sei doutor, mas eu vou começar com a "boa"! Uma cerveja, por favor!- Sawyer pediu ao bar tender.

- Cerveja Sawyer? Qual é! Você deveria experimentar algo mais forte.- disse Jack, pedindo uma dose dupla de uísque.

Sawyer riu: - Doutor, não me leve a mal, mas não vou me embebedar esta noite justamente porque quero provar algo mais forte mais tarde, se é que você me entende?

- Eu também não pretendo me embriagar.- comentou Jack. – Porque a noite está longe de terminar pra mim!

Sawyer ergueu uma sobrancelha e brindou com ele, antes de começarem a degustar suas bebidas. Depois disso ficaram olhando Kate e Ana-Lucia dançando na pista de dança.

Trilha sonora: Don't cha/ The pussycat dolls.

- Veja só aqueles dois babões olhando pra cá!- disse Ana-Lucia a Kate.

Kate riu, e sugeriu: - Vamos brincar com eles.

- Aham!- Ana-Lucia concordou.

As duas começaram a dançar sensualmente para eles, fazendo caras e bocas.

- Olha só isso!- falou Jack, animado, sem tirar os olhos de Kate. – Ela é tão linda!

- Muito!- concordou Sawyer, mas não estava olhando para Kate, perdia-se no rebolado dos quadris de Ana-Lucia.

- Dedinho na boca? Kate, o que você está fazendo?- murmurou Jack.

Um dos garçons também estava prestando atenção nelas, e se aproximou das duas, indagando: - Hey gatinhas, não querem dançar no palco?

- Ah não, obrigada!- respondeu Kate, já estava cansada de fazer isso.

- Eu quero!- respondeu Ana-Lucia, toda empolgada.

- Ana?- estranhou Kate.

Mas ela nem se deu ao trabalho de dizer nada e seguiu o garçom até o palco. Ao ver isso, Sawyer imediatamente largou sua cerveja no balcão e foi até onde Kate estava. Jack o seguiu.

- Aonde ela foi?- Sawyer perguntou quando se aproximou de Kate.

- Ela foi dançar no palco.- Kate respondeu receosa porque sabia que Sawyer não ia gostar nada.

- O quê?- ele exclamou antes de olhar na direção que todos estavam olhando, inclusive Jack, o palco.

Ana-Lucia dançava sensualmente, se exibindo em cima do palco, fazendo performance, escorregando no poste que servia de suporte ao palco. Sawyer não estava acreditando, estava enciumado e fascinado com a ousadia dela ao mesmo tempo. Os homens assobiavam e babavam assistindo à cena. Jack ria, abraçado a Kate.

- Imagina só quando ela começar a beber!

- Hey, não tenho nada contra colegas de profissão!- Kate gracejou.

- Ah, mas você dança melhor do que ela, bebê.- disse Jack, mordiscando o lóbulo da orelha dela, deixando-a arrepiada.

- Eu vou dançar pra você mais tarde.- ela sussurrou.

- Nada disso, eu vou dançar pra você!- Jack respondeu.

- O quê?- indagou Kate, surpresa.

Mas ele não disse mais nada, ficou calado, fazendo mistério. Sawyer se cansou de ver tudo quanto era homem apreciando sua namorada, e subiu no palco, morto de ciúmes, e tirou-a de lá carregada.

- Amor, o que deu em você?- ela perguntou.

- Já chega gracinha, agora você só dança pra mim!

- Essa música que vou tocar agora, Jack Shephard oferece para sua namorada Kate Austen!- anunciou o DJ, soltando o som.

Kate olhou para ele, surpresa:

- Jack, como você...

- Shiii!- ele disse, colocando o dedo indicador nos lábios dela. – Sinta a música.

Trilha sonora: La passion/ Gigi D'agostino.

A música começou a tocar chamando todos os casais apaixonados para a pista de dança. Jack puxou Kate para si e começou a se movimentar com ela, sensualmente. Ela encostou a cabeça no ombro dele e deixou-se levar. Saywer puxou Ana-Lucia para a pista de dança e a agarrou bem forte. Ela se requebrou até embaixo, puxando Sawyer junto com ela e ergueu a coxa, fazendo com que o joelho dele esbarrasse devagar embaixo da saia dela.

- Ana, você é louca!- ele sussurrou.

- Por você, cowboy!- ela sussurrou de volta.

- Jack, me tira daqui agora!- provocou Kate, beijando o pescoço dele.

- Ainda não, princesa, a noite só está começando!

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O barulho das sirenes dos carros de polícia soava estridentemente na calada da noite. Os tiras perseguiam um grupo de fugitivos da penitenciária de Hayley Falls. Considerada a prisão mais segura do Estado da Califórnia, e por isso mesmo a que conservava os bandidos mais perigosos, era de se estranhar que os presos tivessem conseguido escapar.

- Eles já deveriam estar planejando isso há meses!- bradou Joel Macklough, o diretor de Hayley Falls. – Agora como conseguiram fazer isso? Alguém aqui de dentro do presídio os auxiliou, não é possível, Megg!

Margareth Reynolds, a vice-diretora, ouvia-o atentamente, sentada em uma cadeira, enquanto Joel caminhava de um lado para o outro da sala.

- Oh, Joel, não se torture tanto! Não foi sua culpa! E você tem razão, alguém daqui de dentro permitiu essa fuga, alguém que se aliou ao Mariner, você sabe o quanto aquele homem é perigoso!

- Maldito Mariner! Eu sabia que esse homem ainda ia me dar muito trabalho!

Margareth suspirou, resignada:

- Ambos sabemos que a patrulha não vai conseguir trazê-los de volta, teremos que contar com a ajuda dos federais e da Swat.

- Eu sei, Megg, mas vamos esperar até que o dia amanheça para fazermos isso! Vamos continuar com a patrulha por toda a noite, não iremos desistir assim tão fácil, temos homens competentes no comando!

Nas ruas, a perseguição continuava implacável, trocas de tiros entre a polícia e os fugitivos que fugiam numa picape do próprio presídio. Além de Angel Mariner, mais dois homens haviam escapado. Os carros cantavam pneus pelas ruas numa perseguição eletrizante.

- Acha que a gente vai conseguir sair dessa, Mariner?- indagou Symon Black, um mercenário que tinha mais de dez assassinatos em seu currículo.

- Eu nunca acho nada, caro Black, eu sempre tenho certeza! Vai por mim, "la vida es la vida", tem uns caras que estão esperando pela gente.

Nathan Porter, o outro fugitivo, excelente fraudador, deu uma gargalhada e disse a Black: - Relaxa cara, a diversão só está começando!

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Trilha sonora: Shake it/ Casino.

O som continuava rolando solto na "The Swan". Jack, Kate, Sawyer e Ana-Lucia se divertiam a valer, sem nenhuma preocupação. Morrendo de sede, Kate sugeriu que todos fossem tomar algo no bar.

- O que você quer, Kate?- perguntou Jack quando chegaram ao balcão.

- Hum, vodka e morango!- ela respondeu.

- Hey, que tal pegarmos uma dessas mesas com sofás?- sugeriu Ana-Lucia ainda dançando, roçando seu corpo no de Sawyer, de costas, enquanto segurava nas mãos dele.

- Eu acho uma ótima idéia.- falou Sawyer. – A pista de dança me cansou um pouco.

Kate riu: - Você diz isso porque ainda não tocou nenhuma balada do Dire Strais, ou de uma daquelas bandas caipiras que você adora!

- Você diz isso sardenta, mas é tão caipira quanto eu!

Ela deu língua pra ele, e virou as costas pegando seu drink das mãos do bar tender.

- Eu também acho que seria uma boa pegarmos uma mesa!- disse Jack.

- Então vamos, peço o meu drink ao garçom que for nos atender lá!- falou Ana-Lucia pegando na mão de Sawyer.

Os quatro se dirigiram à mesa e tomaram seus lugares no sofá. Uma vez sentada, Ana-Lucia cruzou as pernas, repuxando sua minúscula saia e deu um olhar afogueado a Sawyer, puxando-o pela camisa e dando um beijo "daqueles" nele. Kate ergueu a sobrancelha, e sorriu para Jack, que balançou a cabeça levemente, rindo do jeito afoito dos dois. Kate encostou sua cabeça no ombro dele, e Jack sussurrou no ouvido dela:

- Mal posso esperar para chegarmos no meu apartamento...

- Por quê?- ela indagou baixinho a ele. – O que você vai fazer comigo?

Ele deu uma de suas risadas discretas, e nada respondeu. Kate fez uma expressão divertida, e deu um belo sorriso:

- Anda, me conta!

- Não, não!- ele respondeu dengoso, roçando seu nariz no dela.

Sawyer pigarreou, Jack e Kate olharam para ele:

- Vocês são maçantes sabiam?

Ana-Lucia riu: - Não ligue para ele Kate, ele sabe ser romântico quando quer!

- Eu imagino!- disse Kate, debochando.

- Eu preciso retocar a maquiagem, me acompanha, Kate?

- Claro, Ana.- disse Kate, se levantando e saindo com ela em direção ao toillete.

Quando elas saíram, Sawyer comentou com Jack:

- Por que as mulheres sempre tem que ir ao banheiro juntas?

Jack deu de ombros: - E quem as entende? Por favor Sawyer, nunca me convide para ir ao banheiro com você.

- Nem pensar!- disse Sawyer, fazendo cara de nojo. – Tô a afim de mais uma cerveja, e você?

- Eu também quero!- falou Jack.

- Vou até ao bar pegar pra gente!

Sawyer se levantou do sofá e se dirigiu ao bar. A boate estava muito cheia, e ele teve que sair empurrando, esbarrando em algumas pessoas pelo caminho. Deu um encontrão num sujeito gorducho de cabelos grisalhos.

- Desculpa aí, cara!- ele disse, retomando seu caminho quando sentiu a mão do desconhecido em seu ombro.

- Sem problemas, amigo!- disse o homem. – Sabe, eu estava te olhando ali da minha mesa!

Sawyer franziu a sobrancelha, e indagou:

- Como é que é?

- Você tem um corpo e tanto.- elogiou o homem, se insinuando para Sawyer. O texano fez cara de pânico. – Eu sou o Tom, e você?

- Alguém que não joga no seu time!- respondeu Sawyer com cara de pânico, tentando se desvencilhar do homem, que aparentava estar embriagado.

Jack olhou de longe a situação e percebeu uma expressão enraivecida tomar conta de Sawyer. Levantou-se do sofá e foi até ele.

- Ah qual é loiro, vamos tomar um drink ali no bar, eu pago!

- Tá maluco cara, larga do meu pé! Eu sou espada!

Jack ouviu o fim do diálogo dos dois e concluiu do que se tratava. Percebeu que Sawyer estava muito irritado, e para evitar confusão na boate, resolveu tirá-lo do apuro de uma forma "quase" discreta.

- Amor, e a minha cerveja?

Sawyer olhou para Jack com uma expressão incrédula.

- Mas o que diabos você...

- Ah, agora vi por que você tava demorando! Assim não dá baby, eu viro as costas cinco minutos e você já está a procura de outro?

Sawyer piscou os olhos assustado, e olhou para Tom, que disse:

- Ah, me desculpe, eu não sabia que ele estava acompanhado! Vocês formam um belo casal!

E dizendo isso, o homem retirou-se. Jack caiu na risada e Sawyer disse:

- Dammit! Fiquei com medo de você agora, cara! Não faça mais isso!

- Hey, eu te salvei do cara, não seja mal-agradecido!

- Mas você não é gay não, né? Por que a Kate não vai...

- Tá maluco, Sawyer? Apesar desse seu traseiro lindo, não troco a Kate por você.- gracejou Jack.

Sawyer caiu na risada, e entrou na brincadeira:

- È, eu confesso que as suas tatuagens me excitam, mas a Ana tem suas qualidades!

- Eu simplesmente não posso acreditar, Jack Shephard!- disse uma voz atrás deles.

Jack e Sawyer se voltaram.

- Eu nunca pensei que você fosse capaz de me trocar por um loiro!

- Jack?- questionou Sawyer.

Jack riu, e disse: - Que nada, o meu coração é seu Kane, e você sabe!

- Acho que vou chorar com essa declaração!- falou Kane, apertando a mão de Jack, e dando tapinhas em seu ombro. – E aí cara, qual é a boa?

- A boa é estar curtindo a noite de Los Angeles depois de muito tempo.- respondeu Jack, devolvendo o cumprimento.

- Pois é, estou até muito surpreso em te ver aqui. E o seu amigo?

- Ah, esse aqui é o Sawyer, Sawyer esse é o Kane, trabalha comigo no hospital.

Sawyer sorriu e apertou a mão de Kane.

- Então você é doc também?

- Pois é!- disse Kane.

No banheiro, Kate e Ana-Lucia retocavam a maquiagem na frente do espelho. A policial perguntou a ela:

- Há quanto tempo você e Jack estão juntos? Sawyer tinha me dito que depois daquela confusão na Escotilha que vocês não tinham se falado mais.

- Bom, o destino acabou nos colocando juntos de novo. Vou até começar a trabalhar no mesmo hospital que ele, como enfermeira.

- Deixou o bar?

- Ah sim, aquilo não era pra mim, já estava cansada. E você e o Sawyer, estão firmes mesmo?

Ana-Lucia engoliu em seco com aquela pergunta, odiava ter que lembrar a si mesma das terríveis circunstâncias que uniam ela e Sawyer.

- Acho que sim.- respondeu. – Seu primo é muito carinhoso, dedicado, gostoso, e quente...

Kate riu: - Carinhoso e dedicado, ele é sim, com certeza, mas o resto deixo pra você.

Ana terminou de passar o batom vermelho, e o guardou na bolsa, dizendo: - Vamos?

- Ana, tem uma coisa que eu queria muito te perguntar.- Kate disparou, desde da hora que vira Ana-Lucia chegar ao Swan queria fazer aquela pergunta a ela, aliás esta pergunta já estava engatada em sua garganta desde à confusão na escotilha.

- Pergunte!- disse Ana, temerosa, imaginando se Kate desconfiava de alguma coisa em relação a ela e Sawyer.

- È sobre você e o Jack. Ele me contou que na noite em que nós brigamos, no aniversário de sua filha, Jack foi até o seu apartamento e...

- È, ele foi sim.- respondeu Ana, aliviada porque a pergunta nada tinha a ver com ela e Sawyer. – Você quer saber se dormimos juntos aquela noite?

Kate ficou embaraçada, e disse: - Nossa! Você é muito direta!

- Eu sou mesmo.- ela respondeu. – Não gosto de coisas mal resolvidas, por isso vou te contar, o Jack foi ao meu apartamento, e nos beijamos, mas aí na hora que a coisa ia rolar, a minha filha acordou e não aconteceu nada.

- È, o Jack me contou a mesma coisa.

- Então você deveria ter acreditado nele, foi a melhor coisa não ter acontecido nada porque eu não estava apaixonada pelo Jack, e nem ele por mim, o negócio dele é com você, por isso, desencana garota!

Kate deu um suspiro resignado.

- Amigas?- falou Ana-Lucia estendendo sua mão para ela.

- Amigas!- concordou Kate, aceitando a mão dela.

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- Daí, ela bateu o telefone na minha cara e me chamou de safado!- dizia Kane para Jack e Sawyer, os três sentados em uma mesa.

- Mas você é um pilantra mesmo cara, a mulher tinha razão, mas eu gostei de você!- falou Sawyer achando graça.

- Kane é o cara!- disse Jack.

Os três viraram suas cervejas no gargalo até que viram Kate e Ana-Lucia.

- Olha só, aí vem a...- começou a dizer Jack, mas foi interrompido por Kane, que falou:

- Ah sim, eu sei quem ela é, a enfermeira gostosa que vai trabalhar com a gente no St. Sebastian, cara eu vou me divertir muito esses dias!

- Quê?- indagou Jack, irritado com o comentário dele.

- Se você está falando da minha prima, cara, é um homem morto!- bradou Sawyer levantando-se do sofá.

- Prima?- indagou Kane, sem entender, vislumbrando os olhares enfurecidos de Jack e Sawyer.

- Jack, algum problema?- perguntou Kate se aproximando da mesa com Ana-Lucia.

- Eu espero que não!- disse Jack, cruzando os braços sobre o peito, numa postura ameaçadora.

- Gente, não estou entendendo nada aqui!- queixou-se Kane.

- Se você não está entendendo, eu posso explicar.- avisou Jack. – A Kate é minha namorada.

- E minha prima!- completou Sawyer.

- Oh!- exclamou Kane, embaraçado. – Me desculpem, eu não sabia. Aliás, Jack, eu não sabia nem que você e a Sarah estavam separados.

- Rapazes, por que estão agindo assim?- questionou Ana-Lucia, mais perdida do que Kate naquela história. – Quem é esse homem?

- È o Dr. Kane, cardiologista do St. Sebastian.- explicou Kate a ela, embora não estivesse entendendo porque Sawyer e principalmente Jack, seu colega de trabalho o estavam tratando com tanta hostilidade.

- Prazer, eu sou Ana-Lucia!- falou Ana, estendendo sua mão para cumprimentá-lo, quando Sawyer não deixou que ela o fizesse. – Sawyer!- ela exclamou, sem entender a atitude dele.

- Peraí Jack, o que está acontecendo?- indagou Kate, perdendo a paciência.

- Não está acontecendo nada, Srta. Austen, eu já estava indo, marquei aqui com uns amigos. Prazer em revê-la, e prazer em conhecê-la também, Srta.?

- Cortez.- respondeu Ana-Lucia.

- Srta. Cortez!- Kane repetiu. Até mais Jack, nos vemos no hospital, e legal te conhecer, Sawyer!

E dizendo isso, Kane se afastou sem dar maiores explicações. Ana-Lucia franziu a sobrancelha: - Ainda não entendi nada!

- Deixa pra lá!- disse Jack, relaxando. – Não querem beber alguma coisa?

- Eu quero sim, tequila e tônica.- falou Ana-Lucia.

- Eu quero mais vodka com morango!- disse Kate.

Os quatro sentaram-se à mesa e curtiram o resto da noite, bebendo, conversando e dançando. Por volta das duas da manhã, não sentiam-se nem um pouco cansados, mas a festa já estava começando a esfriar, ao contrário do clima entre os casais que só esquentava a cada minuto.

- Não consigo parar de pensar no que me disse!- sussurrou Kate no ouvido de Jack na pista de dança, enquanto ele a embalava no ritmo de uma antiga canção de Elton John, "Your song." – Você dançando pra mim? Mal posso esperar!

Jack sorriu e cheirou o pescoço dela, envolvendo os dedos em seus cabelos. Ao lado deles, Sawyer dançava com Ana-Lucia, os dois muito agarrados.

- Essa noite está sendo maravilhosa, cowboy!

- Sim, baby. Mas ainda está longe de acabar não é? Porque eu não vou te deixar voltar pra casa ainda, quero fazer amor com você a noite inteira...- ele dizia sedutoramente ao ouvido dela. Ana-Lucia sentiu o corpo inteiro reagir às suas últimas palavras, não estava nem aí para sua carreira de policial naquele momento, só queria desvanecer mais uma noite nos braços de Sawyer.

Ao final da música, Jack disse a Kate:

- Bebê, eu tive uma idéia. Por que não continuamos a noite no meu apartamento, chamamos o Sawyer e a Ana, bebemos mais um pouco e assistimos a um filme, o que me diz?

- Seria legal, mas eu queria mesmo era ficar sozinha com você.- ela respondeu beijando-lhe os lábios.

- Ah, mas nós vamos ficar sozinhos, na hora certa, ainda é cedo pro show começar!

- Show?- indagou Kate, rindo.

- Hey, Sawyer!- chamou Jack ,o texano voltou sua atenção para ele, sem soltar Ana-Lucia de seus braços. – Que tal uma esticada no meu apartamento? A gente "enche a cara" mais um pouco, fala umas bobagens, assiste uns filmes de sacanagem...

Ana-Lucia começou a rir do gracejo de Jack, e disse, entrando na brincadeira:

- Gostei da sacanagem!

- Ana!- Sawyer fingiu ralhar com ela. – Hum, não sei não, doc. Hoje você está muito estranho pro meu lado!- ele falou, divertido.

Jack caiu na risada:

- Mas você está gostando, confessa!

- Sem comentários!- respondeu Sawyer, rindo.

- Ah meu amor, vamos sim!- disse Ana-Lucia, empolgada.

- Não sei...

- Ah qual é Sawyer? Vai ser divertido!- instigou Kate.

- Então tá legal, nós vamos!- Sawyer acabou concordando.

- Então está certo!- falou Jack. – Eu vou pegar o carro e você segue a gente na sua moto.

- Ok!- assentiu Sawyer.

Fora da boate, Danny Picket espreitava Sawyer. Já fazia uns dias que ele não recebia notícias dele e do golpe que deveria estar dando na esposa do coreano milionário, Jin Kwon. Irritado com o aparente descaso de Sawyer, e a quebra de sua palavra, Danny resolveu começar a segui-lo para saber o que realmente andava fazendo Sawyer não dar importância a um golpe. Tinha que ser algo muito importante, mais importante do que dinheiro. E naquela noite, ali em frente ao Swan, Danny teve certeza do que se tratava, James Sawyer, o maior trapaceiro que ele já havia conhecido, o rei dos golpes, tinha sido fisgado por uma bela morena que o acompanhava aquela noite na boate.

Danny jamais o tinha visto daquele jeito, a forma como olhava para ela denunciava toda a paixão e ternura que sentia por aquela mulher.

- Toma aqui amor, coloca o capacete direitinho!- pediu Sawyer, muito carinhoso, entregando um capacete para Ana-Lucia.

- Apaixonado não, o cara tá encoleirado!- comentou Danny consigo mesmo, ouvindo o jeito meloso com que Sawyer a tratava. – Ah não ser que esse bastardo esteja tentando passar a perna em mim, essa garota deve ser ainda mais milionária que a mulher do coreano, e de repente Sawyer pode estar dando um outro golpe por contra própria. Mas se esse "sun of a bitch" estiver fazendo isso, eu o mato, vou descobrir exatamente quem é essa mulher!

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Definitivamente, Wilson, o porteiro do edifício "Pearl", onde se localizava o apartamento de Jack, não reconhecia mais o médico. Em pouco tempo, o Dr. Shephard tinha passado de homem casado, sério e respeitável para um irreconhecível farrista solteiro que chegava em casa acompanhado por amigos barulhentos altas horas da madrugada.

- Boa noite, Wilson!- Jack saudou com um ar muito alegre e relaxado, os braços ao redor da cintura de Kate.

- Hey, Wilson!- saudou Kate também, a essa altura o porteiro já a conhecia.

- Boa noite, Dr. Shephard, boa noite Srta. Austen!

- E aí, Wilson?- falou Ana-Lucia, um pouco alta, cumprimentando o porteiro assim que ouviu Jack e Kate pronunciarem o nome dele.

- Boa noite, Srta.- respondeu o porteiro, que em seguida cumprimentou Sawyer. – Sr.?

Sawyer limitou-se a cumprimentá-lo com um menear da cabeça. Os quatro se dirigiram para o elevador, porém, antes que entrassem nele, Wilson chamou Jack. Ele soltou Kate por um instante e entregou a chave da porta para ela.

- Bebê, sobe logo com eles, vou ver o que o Wilson quer!

- Ok!- concordou Kate, entrando no elevador com Sawyer e Ana-Lucia.

Jack se aproximou da portaria.

- Diga, Wilson! Em que posso ajudá-lo?

- Bom, Dr. Shephard, a sua esposa está lá no apartamento, ela chegou por volta das oito da noite.

- O quê? Que ela veio fazer aqui? Eu pensei ter deixado bem claro em minha última conversa com ela que deveria devolver a chave do apartamento aqui na portaria. Dammit!

Imediatamente, Jack correu para o elevador imaginando que o único motivo pelo qual Sarah deveria ter vindo ao seu apartamento não era outro senão infernizar a sua vida, e ele havia mandado Kate e seu amigos para lá, antes dele. Essa história não ia terminar bem, ele precisava impedir urgentemente que Sarah dissesse algo que pudesse irritar Kate, havia sido tão difícil tê-la de volta, e Jack não ira perdê-la por culpa de sua ex-mulher novamente.

Continua...