Capitulo 12º

Beijo de despedida

"-És perfeita ruiva."

Voltou-se. Encostado à ombreira da porta estava a pessoa que menos queria encarar. Encostado à ombreira da porta estava Draco Malfoy.

Congelou. Que fazia ele ali? Não deveria estar enrolado com a megera da Michelle?

"-Sou, é?" – Perguntou num tom frio – "E tu agarras todas as mulheres perfeitas que te entram pelo escritório adentro?"

"-Algumas." – Respondeu aproximando-se dela.

"-Como te atreves?"

"-Não esperavas que eu vivesse no celibato toda a minha vida em busca da mulher perfeita, pois não? Se isso acontecesse como saberia eu que é perfeita?"

"-Não, não esperava isso. Mas pelo menos podias ter a preocupação de não sobrepor as tuas reuniões!"

"-Estiveste no escritório esta tarde?"

"-Oh se estive. Mas parecias muito ocupado com a tua suposta noiva para sequer te aperceberes que eu tinha lá estado. Afinal não podias olhar para a porta enquanto espalmavas a coitada contra a mesa, podias? Tu fazes isso com todas as mulheres que te entram no escritório?"

"-Algumas" – Respondeu de novo – "Mas tu és a única que eu levo para o box." – Concluiu agarrando-a com força e prensando-a contra a parede encharcada do box.

"-Draco pára." – Pediu apoiando as mãos nos ombros dele.

"-Tu não queres que eu pare!" – Murmurou, a água quente a fustigar-lhe as costas, beijando o pescoço e o ombro direito dela.

"-Não… quer dizer sim… Draco…"

"-Tu queres isto…" – Murmurou despindo a camisa da ruiva.

Beijava-lhe o colo, os ombros e o pescoço, de forma intensa ousada, arrancando eventuais suspiros dela.

"-Draco…" – Gemeu tentando resistir ao toque aliciante dele.

"-Deixa-te levar ruiva." – Sussurrou enquanto acariciava o interior das coxas dela.

E não quis mais resistir, não teve força de vontade para se continuar a negar. Abraçou-o pelo pescoço, o seu corpo molhado a colar-se totalmente na camisa encharcada dele.

As roupas foram-se amontoando, peça após peça, do lado de fora do box ajudando a aumentar a poça de água no chão marmóreo.

Gemeu alto, totalmente encostada à parede molhada, quando o corpo dele se uniu ao seu. O ritmo começou por ser descoordenado, mantido com dificuldade. Enrolou os braços em torno do pescoço dele com mais força e encostou a cabeça no ombro molhado do loiro. Sentiu os beijos dele, provocadores, ao longo do seu pescoço e ombro enquanto finalmente os movimentos tomavam um ritmo constante com a ajuda das mãos dele, apoiadas firmemente na sua cintura.

Foi com um gemido profundo que sentiu todo o seu corpo a ficar tenso em torno do dele. Deixou-se ficar enrolada ao loiro, a cabeça ainda encostada no seu ombro, sentindo a água quente a escorrer-lhe pelo corpo.

Saiu do box com ela ainda ao colo, quase tropeçando na pilha de roupa encharcada e deitou a ruiva na cama, deitando-se a seu lado, ofegante.

Enroscou-se nele, abraçando-o em torno do peito, sentindo o seu corpo a arrefecer a cada segundo. A respiração calma e profunda dele, deixava-a serena enquanto tentava impor o mesmo ritmo à sua própria respiração. Pousou a cabeça no ombro do loiro, percorrendo o peito exposto dele com a mão direita e inspirando o perfume invulgar que emanava, uma mistura de um forte, porém agradável, perfume masculino e menta.

"-Eu vou viajar." – Disse afastando-se do abraço dela.

"-E vais onde?" – Perguntou com os olhos semicerrados.

"-Marselha."

Viu o loiro levantar-se e caminhar até ao banheiro onde retirou a varinha das roupas molhadas e as secou.

"-Quanto tempo vai demorar a viagem?" – Perguntou enrolando-se nos lençóis da cama.

"-Umas três semanas, no mínimo." – Respondeu apertando os últimos botões da camisa negra.

"-E quando vais?"

"-Esta noite."

"-Ok."

"-Ok é tudo o que tens para me dizer?" – Perguntou aproximando-se da cama, já completamente vestido.

"-Ok e boa viagem."

"-E tenho direito a um beijo de despedida?"

"-Hum hum…"

"-Então falamos quando voltar." – Beijou-lhe os lábios e aparatou.

Ela apenas suspirou, fechando os olhos, enrolada no lençol, sem se lembrar que Joshua chegaria em menos de duas horas.

Ouviu um barulho estranho no seu quarto, como alguém se movimentasse ali perto.

"-Ginevra levanta-te."

"-Só mais cinco minutos mãe…" – Murmurou afundando a cabeça na almofada.

"-Levanta-te Gin… Temos uma reserva no melhor restaurante da cidade…A lista de espera é de meses, felizmente eu tenho alguns contactos. Não vais desperdiça-la a dormir, pois não?"

"-Hum?" – Murmurou levantando a cabeça do travesseiro.

"-Verde ou vermelho?" – Perguntou erguendo dois vestidos retirados do armário dela.

"-Vermelho" – Respondeu de novo afundada na almofada.

"-Veste-te. Tens vinte minutos para apareceres na sala pronta a sair ou eu mesmo te arranco do quarto e levo-te como estiveres no momento."

"-Vou ver o que posso fazer por ti."

"-Estou à espera" – E deixando o vestido vermelho sobre a cama saiu do quarto.

Levantou-se da cama e arranjou-se o mais rápido que o sono lhe permitiu. Tinha acabado de arranjar as últimas mechas do cabelo quando ouviu Joshua do lado de fora da porta.

"-Vou entrar."

"-E podes sair porque eu já estou ponta. Que tal?" – Perguntou dando uma voltinha em frente do rapaz.

"-Mais perfeita só casada comigo."

"-Se algum dos meus irmãos sonha que tu alguma vez proferiste essa frase vais ter o teu descanso eterno mais cedo do que imaginas."

"-Prometo controlar a minha língua enquanto estiver perto deles. Entretanto acho que vais ter de me aguentar durante todo o jantar."

"-Eu sobrevivo."

"-Óptimo" – Disse estendendo-lhe algo que pressupunha ser um botão de transporte com forma de rebuçado.

Tocou no pequeno rebuçado e sentiu o incómodo puxão no umbigo. Segundos depois ouvia a voz de Joshua bem perto do seu ouvido.

"-Bem vinda ao melhor restaurante da cidade."

"-Queres explicar-me como é que tu, com uma lista de espera de meses, conseguiste arranjar uma mesa tão encima da hora?"

"-Eu conheço o dono disto e além do mais eu disse-lhe que ia pedir a minha namorada em casamento e que depois queria leva-la a jantar ao melhor restaurante da cidade."

"-Não tens vergonha de mentir tão descaradamente?" – Perguntou divertida.

"-Não seria mentira se tu fosses minha namorada…"

"-Mas eu não sou."

"-Eu estou bem ciente dessa situação. Agora vamos, que a reserva espera por nós."

"-Uau Joshua, percebo agora o título de 'melhor restaurante da cidade'. É lindo"

"-Não acredito que nenhum dos teus antigos namorados te tenha trazido aqui."

"-Não, nenhum deles me aguentou tempo suficiente para fazer uma reserva."

"-Isso foi porque os teus irmãos são uns seres terríveis. São a única desvantagem de te ter como namorada." – Puxou a cadeira para a ruiva se sentar.

"-Obrigada. Só eu sei o quão terríveis os meus irmãos conseguem ser, principalmente se o alvo for um dos meus namorados. O Harry foi o único que nunca sentiu a fúria deles."

"-Isso não é lá muito agradável de se ouvir. Mas eu não tenciono desistir."

Um dos empregados do restaurante aproximou-se da mesa deles carregando uma garrafa de champanhe.

"-Isto é obra tua Joshua?"

"-Não desta vez."

"-É oferta do proprietário" – Esclareceu o jovem empregado – "Ele deseja congratula-los pelo casamento."

"-Mas nós não…"

"-Ginevra, querida, não é necessário manter segredo sobre o nosso noivado. Daqui a umas semanas todos saberão da nossa união." – Disse sorrindo descaradamente à ruiva.

O empregado serviu-os e retirou-se em seguida.

"-Eu vou matar-te pela vergonha que me está a fazer passar." – Sussurrou entre dentes.

"-Eu também te adoro ruiva."

"-Então, conta-me, o que achaste do jantar?"

"-Tirando a parte em que me envergonhas-te gritando para todo o salão que me amavas, acho que consigo superar."

"-Ora ruiva, foi divertido. Além do mais estavas a pedi-las."

"-Sabes o que eu tenho vontade?"

"-De me beijar incansavelmente?" – Sugeriu sorridente.

"-Não. Tenho vontade de te exigir um anel de noivado cheio de brilhantes!"

"-Se casares comigo dou-te todos os anéis que quiseres."

A ruiva beijou-lhe a face e riu.

"Eu prefiro ter-te como amigo do que como marido. Os maridos são chatos, controladores e possessivos, os amigos não."

"-Um dia ainda te faço mudar de ideias!"

"-Quem sabe…"

"-Agora tenho um sitio para te mostrar."

"-Por favor diz-me que é um quarto porque tudo o que eu quero agora é dormir."

"-Não fofa, não é um quarto e tenho a certeza que não vais querer dormir."

"-Para onde é que me levas?" – Perguntou desconfiada.

"-Segura-te." – Apertou com força a mão da ruiva e aparatou.

"-Onde estamos?"

"-Num sitio onde tu te podes divertir."

Era um bar, ou algo semelhante. Havia música alta e inúmeras pessoas a agitarem-se de forma excêntrica.

"-Vais dizer-me porque é que aqui estamos?" – Gritou ao ouvido do amigo.

"-Tens de relaxar ruiva. E nada melhor do que dançar." – Respondeu num berro que mal se ouviu.

Puxou-a pela mão e arrastou-a para a pista de dança, no meio de tantas outras pessoas.

"-Não Joshua! Eu não quero dançar." – Disse tentando sair da confusão.

"-Queres sim ruiva. Uma música, não te peço mais."

"-Só uma mesmo. Depois saímos."

"-Sim chata."

Começou a movimentar-se, lentamente, um ritmo que em nada coincidia com a musica alta que se fazia ouvir. Há quanto tempo já não dançava assim? Não se lembrava.

Sentiu as mãos de Joshua na sua cintura tentando mostrar-lhe a que ritmo se deveria mexer e deixou-se levar. Seguir as indicações dele tornava tudo mais fácil.

O seu corpo ainda se mexia energicamente colado ao dele quando decidiu parar.

"-Estou cansada." – Disse-lhe ao ouvido, tentando fazer-se entendida no meio daquele barulho –"Vamos parar."

"-Tens a certeza?"

"-Sim! Tenho que beber algo."

"-Vamos então." – Puxou-a pela mão até ao balcão do bar.

"-O que vais beber?"

"-Uma água?"

"-Não me parece." – Viu Joshua a gritar algo para o barman e depois a erguer dois dedos.

"-O que é que pediste?"

"-Between the Sheets, Entre os lençóis." – Disse com um grande sorriso.

"-E isso é bom?" – Perguntou vendo o copo que lhe era apresentado.

"-Entre os lençóis? É óptimo."

"-Não estava a falar disso depravado! Estava a falar da bebida."

"-É agradável, prova."

Levou o copo aos lábios e bebeu o seu conteúdo quase de uma virada só.

"-É bom… sabe a maracujá. Quero provar outro."

"-É melhor ires com calma ruiva."

"-Joshua não sejas chato, além do mais o pior que me pode acontecer é ter de ser levada ao colo por ti até casa."

"-Queres explicar-me porque é que todas as bebidas que me passaste para a mão tinha um nome estranho?" – Perguntou mexendo no cabelo dele com a ponta dos dedos.

"-Estranhos? Eram apenas sugestivos."

"-Claro que eram, Kiss In The Dark, Purple Panties, Satin Sheets, Silk Panties. Nem quero imaginar os nomes das bebidas se ficássemos lá mais uma hora."

"-Por quem me tomas ruiva?" – Perguntou num tom de falsa indignação – "Se bem que não me importava de te beijar no escuro… Ou de luz acesa…" – Concluiu em tom de divagação fazendo a ruiva rir.

Encostou-se mais ao corpo dele, ajeitando-se no sofá. Estavam os dois deitados no sofá da sala, Joshua com a cabeça apoiada no ombro da ruiva e ela encaixada entre os braços dele, acariciando-lhe os cabelos.

Voltou-se para ele e encarou-o com os olhos sonolentos. Era tão mais fácil se se tivesse envolvido com Joshua e não com Draco.

"É pelo bem da causa…O Draco é só pelo bem da causa…"

"-Boa noite Joshua." – Murmurou, perdida de sono, beijando-lhe levemente os lábios.

"-Boa noite ruiva…" – Sussurrou de volta, acariciando-lhe os cabelos.

Abriu os olhos mas fechou-os logo de seguida. Doía, doía tanto.

"-Vou matar-te Joshua!" – Disse o mais alto que conseguiu.

Com as dores de cabeça com que estava a sua ameaça não passou de um sussurro.

"-Joshua!" – Chamou dando-lhe uma cotovelada – "Acorda!"

"-Quem? Como? Onde?" – Perguntou atarantado, os olhos meio fechados, sentando-se de rompante no sofá –" Ah! És só tu ruiva…"

"-Sou só eu… eu e a minha dor de cabeça astronómica."

"-Não estou muito melhor que tu." – Reclamou deitando-se ao lado dela.

"-Isso é castigo por me levares por maus caminhos." – Murmurou encostando-se ao ombro dele.

"-Não fui eu que pedi umas cinco bebidas umas a seguir das outras, fui?"

"-Não… mas se não me tivesses levado ao bar eu não teria bebido nada. Teria simplesmente voltado a casa para dormir o sono dos justos."

"-Não reclames mais. Eu vou a casa buscar a poção para a ressaca."

"-Não, deixa te estar. Eu estou bem assim."

Aninhou-se mais contra o peito dele, sentindo o calor que ele emanava.

"-Tens a certeza que não queres a poção?"

"-Não. Além do mais essa poção deixa de funcionar com o uso excessivo e eu tenciono repetir a noite de ontem durante estas três semanas que se seguem."

"-Isso é uma proposta?" – Perguntou divertido.

"-Só se prometeres dormir comigo todas as noites."

"-Prometido!" – Respondeu sem hesitar fazendo a ruiva rir.

"-Joshua pára quieto!" – Mandou entre gargalhadas.

"-Mas eu estou quieto ruiva!"

"-Então ajuda-me a abrir a porta porque a fechadura não está a cooperar."

Tirou-lhe a chave da mão e abriu a porta num instante.

"-Já não bebes mais hoje ruiva…"

"-Eu também não quero beber mais." – Respondeu-lhe agarrando-se ao seu pescoço – "Já bebi mais nestas três semanas contigo do que em toda a minha vida."

"-Isso é positivo…" – Disse caindo no sofá com ela por cima – "Estás a ri-te do quê?"

"-Não sei…" – Respondeu continuando a rir.

"-Acho melhor dormir-mos. Amanhã a ressaca vai ser do piorio…"

"-Não vai nada. E além do mais eu não tenho sono…"

Estava deitada sobre ele, os cotovelos apoiados no peito do rapaz e a cara apoiada nas mãos.

"-E que queres fazer afinal?"

Ela não lhe respondeu, apenas se esticou e beijou os lábios do rapaz.

"-Não faças isso Gin…"

"-Porque não Joshua?"

"-Porque eu não quero que tu acordes amanhã sem saber o que fizeste ou totalmente arrependida."

"-Mas eu não vou ficar arrependida…"

"-Disseste o mesmo à três semanas atrás e eu não vou permitir…"

"-Que eu te beije incansavelmente?"

"-Ruiva tu bebeste de mais… estás completamente bêbada."

"-Eu não estou bêbada… estou desenvolta…E quero beijar-te, não me vais negar isso, vais?"

Viu a dúvida no olhar dele e sabia que ele não ia resistir mais.

"-Não ruiva… Não to vou negar…"- E beijou-a com vontade, a vontade guardada durante três anos.

Enrolou os braços em torno do pescoço dele e entregou-se mais ao beijo. Aquilo era tudo o que queria, ficar com alguém que a amasse, apaixonar-se por alguém que não tivesse uma vida complicada.

"-Se queres que pare avisa agora…" – Ouviu-o murmurar enquanto sentia as mãos dele por baixo do vestido curto – "Não sei seu conseguirei controlar-me depois…"

"-Continua." – Sussurrou sedutoramente ao ouvido dele.

Ele não pensou duas vezes em faze-la rodar no sofá, invertendo as posições. Beijou-a calmamente enquanto desfazia o laço que prendia o vestido da ruiva ao pescoço.

Não pode deixar de comparar os beijos e as carícias de Joshua às de Draco. As de Joshua eram mais calmas, menos ousadas como se tivesse medo de errar.

Abriu os botões da camisa dele, um por um, e depois atirou-a para longe tendo total visão do tronco musculado do rapaz.

"Não é tão perfeito como o do Draco…"

Esticou os braços para trás para que Joshua pudesse fazer deslizar o curto vestido negro. Segundos depois o vestido jazia ao lado da camisa dele.

Joshua colocou-se de joelhos livrando a ruiva da roupa interior que lhe cobria o corpo.

"-És perfeita ruiva."

Tremeu, a semelhança entre Draco e Joshua naquele momento era assustadora.

Ergueu-se e ajudou o rapaz a desfazer-se das calças e dos boxers.

Todos os pensamentos que envolviam Draco dissiparam-se no momento em que o corpo se Joshua se uniu ao seu. Naquele momento eram só eles os dois e ninguém mais.

Acariciou a face da ruiva com carinho, enquanto se movimentava sobre ela. Mantinha um ritmo calmo, tão doce, que era impossível ser mais perfeito.

Foi com um gemido alto, suprimido por um beijo de Joshua que sentiu todo o seu corpo a chegar ao limite do prazer.

Sentiu o corpo dele a desabar sobre o seu, quente, suado e abraçou-o com mais força pelo pescoço.

"-Esperava por este momento desde o primeiro dia em que te vi." – Sussurrou beijando-a.

A ruiva encostou a cabeça no ombro dele, sem responder.

"-Eu acho melhor ir embora." – Disse levantando-se e vestindo os boxers.

"-Tu prometeste que dormias comigo durante estas noites."

"-Tens razão. E o prometido é devido." – Passou-lhe a sua camisa e deitou-se ao lado dela, abraçando-a.

"-Boa noite Josh…" – Murmurou aninhando-se contra o peito dele.

"-Boa noite ruiva."

"-Não consigo mexer-me Joshua."

"-Eu disse-te que a ressaca ia ser má."

"-A minha cabeça vai explodir!"

"-Melhor?" – Perguntou após lhe beijar a testa.

"-Nem por isso."

"-Espera dois segundos, deixei um frasco com poção contra a ressaca em cima da mesa da cozinha ontem à tarde." – Levantou-se do sofá voltando segundos depois com um pequeno frasco de conteúdo de aspecto duvidoso.

"-Isso funciona?" – Perguntou sentando-se no sofá – "Porque se não resultar eu não quero ter de tomar essa mistela."

"-A tua dor de cabeça vai diminuir…"

"-Então serve."

Ele passou-lhe o frasco e sentou-se a seu lado.

"-Brigada." – Agradeceu beijando-lhe a face.

Deitaram-se no sofá, tal qual todas as outras vezes, ele com a cabeça apoiada no ombro da ruiva e ela encaixada nos braços dele. Sentiu as pontas dos dedos dele a roçarem levemente contra o seu ventre causando-lhe cócegas.

"-Para com isso."

"-Porque ruiva?"

"-Porque me faz cócegas."

"-Tadinha da ruiva que tem cócegas." – Brincou continuando a passear os dedos sobre o ventre dela.

"-Isso faz cócegas Joshua!"

"-Pronto, pronto, já parei."

"-Melhor assim." – Disse beijando-lhe a face quando podia perfeitamente ter-lhe beijado os lábios.

"-Isso quer dizer que a noite passada é para esquecer, certo?" – Perguntou sentando-se no sofá.

"-Quer dizer que a noite de ontem é para recordar." – Disse passando a mão na face dele – "Tudo o que eu queria era apaixonar-me por alguém como tu, lindo, engraçado, romântico, atencioso, perfeito. Mas nem todas as coisas estão ao nosso alcance e escolher uma pessoa para amar é uma dessas coisas."

"-Estás arrependida?"

"-Não."

"-Tenho direito a um beijo de despedida?" – Perguntou, o seu olhar visivelmente triste.

"-Só se prometeres que isto não vai estragar a nossa amizade."

Ele apenas assentiu beijando-a com paixão.

"-Fica bem ruiva." - Apanhou as suas calças do chão e aparatou.

"-Sou tão burra…" – Murmurou enterrando a face nas mãos.

N/A: Ok, duas cenas de NC num só capitulo… isto para compensar o facto de o próximo tardar a vir… E eu explico porquê… porque ainda não o escrevi e estou sem a mínima inspiração para o fazer… Não me amaldiçoem depois desta última cena… escrevi-a só porque a miaka queria que a amizade deles fosse mais além.. bem… essa cena é dedicada a ela! Acho que é só…

Mandem reviews…. Nem que seja a dizer que odiaram as últimas cenas… Preciso de saber o que escrever no próximo capitulo… e quero escreve-lo À vossa medida…

FUI!

Kika Felton

19/10/05