Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens pertencem à Masami Kurumada. (exceto a Moe e o Ryu, que são meus...)
CAPÍTULO 12
Confronto
Coragem é resistência ao medo, domínio do medo, e não ausência do medo.¹
— Tem razão, garoto! — falou Shina, deixando algum dinheiro ali, sobre a mesa. — Eu devia ter dispensado sua companhia há muito tempo! Até logo, Seiya.
E saiu sem olhar pra trás, deixando-o de boca aberta.
"E agora? O que eu disse? Será que fui rude? Seiya, você está impossível hoje!" Culpou-se, mas já era tarde, ela saíra como um relâmpago pela porta.
Pagou a sua conta e tentou alcançá-la. No meio do caminho, lembrou-se do sobretudo, e voltou para buscá-lo. Quando saiu novamente a perdera de vista. "Droga, Shina, pra que lado você foi? Melhor ela ter ido pela avenida, é isto! Faz sentido, pelo parque acho que se perderia...". Porém, um comentário de Marin sobre ela o fez mudar de idéia. "Pelo caminho que corta o parque, é claro".
E lá se foi Seiya, correndo pela rua quase deserta. Eram quase oito horas. A chuva fina voltara a cair, insistente. Tinha que alcançá-la e se desculpar pelo que dissera. Seus pensamentos desordenavam-se. Correu como não corria há muito tempo. Quando se aproximou da entrada do parque Ueno, viu uma sombra parada, encostada ao arco. "Shina! Ainda bem!" Deu um salto para alcançá-la mais rápido, porém, sentindo sua presença ela voltou a correr, entrando no caminho das árvores de cerejeira.
—Shina!
— Vá embora! Deixe-me em paz, Seiya! — gritou ela.
— Eu preciso falar com você! — dizia ele, ofegante. — Não é nada disso que está pensando!
"Maldição, ainda estou fraca!" Não conseguia correr muito mais, e parou novamente, apoiando a mão na arvore mais próxima. "Por que isto está acontecendo? Eu só queria sair um pouquinho, pra abstrair... Tenho de acordar do pesadelo..."
Tentou continuar, desta vez, porém, ele a alcançou primeiro, segurando em seu braço, puxando-o. Sua bolsa e o guarda-chuva caíram no chão.
— Me solte, Seiya! — sibilou ela, estapeando-o. Ele a soltou, afastando-se um pouco. Estava um pouco esbaforido, mas manteve o contato visual. Notou que ela chorava e a culpa o corroeu.
"Seu idiota, você a fez chorar... outra vez!"
— Shina, eu sinto muito. — murmurou ele. O que viu nos olhos dela o fez arrepiar-se. Por um instante a temeu. Se era uma boa amiga, melhor ainda como inimiga. Pareciam duas pedras de gelos. Seus lábios, porém, queimavam, e ela simplesmente perdeu o controle deles.
— Devia sentir mesmo! — explodiu ela. — Não é culpa sua, seu...seu...idiota! A tola sou eu... Sabe porque nunca mais voltei aqui depois de tantos anos, ou melhor, por que só vim agora?
Ele fez um aceno negativo com a cabeça, não entendendo qual era o problema.
— Porque Saori-san me garantiu que não estaria aqui!
Seiya arregalou os olhos, surpreso e só então se deu conta do quanto àquelas palavras o machucaram.
— Então... Você não queria me ver? — sentiu o coração apertar — Por que, Shina?
Ela deu um riso meio desdenhoso.
— Muito pelo contrário: o que eu mais queria... era vê-lo novamente. — seu rosto fechou-se novamente. — Mas por qual motivo, se somente sofreria? Eu quis estar perto de você, e isto quase foi a minha perdição, garoto. As marcas que você deixou em mim nunca cicatrizaram — disse, tocando o pulso direito, quase que com ódio. — Desde que o conheci minha vida tornou-se uma luta entre o que eu queria e o que devia ser feito. Guardava uma coisa que não deveria me pertencer.
Inclinou um pouco a cabeça. Estava cansada de fugir. Perdeu-se novamente nos olhos dele, conhecendo de perto as estrelas das quais apenas ouvira falar.
— Naquela época, você não compreendeu e não creio que possa fazê-lo agora, Seiya. Eu, mal-sinada sorte a minha, — falou mordendo os lábios — tive que me apaixonar por você!
Cada vez, o rapaz ficava mais estupefato. "Como, então ela..."
Ela deu um passo à frente, tocou novamente o rosto dele, sentiu a respiração dele em sua palma.
— Deveria tê-lo matado quando tive a oportunidade, mas como se pode viver sem um pedaço do coração? Aioria sabia, Cassius sabia, até a ficha de Marin caiu... — duas lágrimas rolaram pela face vermelha dela, que as enxugou imediatamente. — Nas lutas que seguiram, tomei uma decisão até altruísta, de ocultar isto sob uma amizade, uma companheira de luta, uma amiga... é o que tenho sido,não é? Eu teria sido capaz de dar a minha vida por você, mas isto não seria suficiente. Cada vez que pensava que poderia morrer, sentia este maldito pedaço de carne ser arrancado daqui.
Suspirou, ficando de costas pra ele.
— De muitas formas eu tentei sufocar este sentimento, mas chegou um momento em que era melhor conviver com ele, doeria menos e com o tempo, anestesiei-me de você. Houve outros pretendentes bem afoitos, porém os meus olhos insistiam em refletir a imagem de um menino... Quanto mais eu fugia, mais a lembrança se agarrava em mim. Por isso, por isso eu não queria vir aqui... — seus dedos fecharam-se. Um soluço perdeu-se na chuva. — Entendi que fui preterida... Só que aqui dentro, ainda restava aquele tênue fio de esperança. — murmurou ela. — resisti enquanto pude...
— Shina... Eu... — tentou dizer algo, aproximando-se dela.
— Não sabe o que dizer, não é? Você sempre disse isso... — um sorriso triste formou-se nos lábios róseos. Seu coração descompassava no peito, como se fosse explodir. Uma coragem vinda de lá a permitiu continuar. — Sempre declinei do convite de Atena, e agora estou perdida outra vez... Nunca tive tanto medo quanto neste momento...
Engolindo seco, virou pra ele. Estavam próximos e ela estendeu as mãos, puxando-o pelas abas do sobretudo, sussurrando:
— Talvez eu vá me arrepender, mas é melhor me arrepender de ter feito do que abandonar sem tentar...
Com determinação e firmeza, encostou os lábios nos dele. Moveu-os levemente. De imediato, Seiya ficou sem ação. Quando a sentiu afastar-se delicadamente, entretanto, enlaçou-a pela cintura, trazendo-a perto de si. Sentia o coração dela bater tanto quanto o seu. Queria muito beijá-la também. Surpresa, Shina abriu os lábios, fazendo com que ele imergisse neles. Um som abafado veio deles, mas foi de deleite. Subiu uma das mãos pelas costas dela até chegar-lhe a nuca, com o propósito de melhor trabalhar a boca, que o estava enlouquecendo desde o bar. As mãos dela, que apertavam sua camisa, foram em direção ao seu pescoço, e enclavinharam-se nos seus cabelos. Sentiu-a aconchegar-se mais a si. A maciez daquele corpo o embriagava e uma ansiedade tomou conta dele. Queria mais.
Porém, como se houvesse levado um choque, ela desprendeu-se dos braços que a envolviam, fitando os olhos dele, um pouco ofegante. Ele também ficou estático, olhando-a, sem entender o motivo. Ela deu alguns passos para o lado, até alcançar a bolsa e a sombrinha esquecida no chão.
— Adeus, Seiya. — e correu em direção ao Hotel, onde Marin ria das histórias de June e Shun.
Atônito, a única coisa que ele ainda pode ouvir eram os saltos batendo nos blocos do caminho, e o vento que zunia entre as árvores. Os pingos de chuva começaram a engrossar. Seiya, porém não conseguia mover-se. "O que foi aquilo?" Sentiu os braços vazios, no ar. Havia algo além da chuva em seu rosto. Lágrimas.
"Shina. O que... o que eu fiz?" É claro que a revelação externa de seus sentimentos e desejos sem que ele próprio esperasse o deixaram sem ação. Era isto que o estava incomodando? Impedindo-o de dormir desde que retornara e a encontrara ali? Mas nunca pensou que isto fosse possível! É fato que já deveria saber, mas o momento em que a teve entre os braços... Nunca experimentara antes esta sensação de felicidade repleta de algo além da amizade... Não conseguia lembrar-se de ter sido tão querido e querer tanto a alguém, não deste jeito! O coração disparava outra vez, e só então notou que tomava ar novamente.
Recuperando-se, foi caminhando até a marina. Um contentamento triste começou a invadi-lo. "Então, era disto que Marin estava falando? Mas..." levou a mão ao coração, percebendo como estivera andando sem direção durante todos estes anos. Sonhando encontrar uma coisa quase impossível, sem prestar atenção ao que sempre estivera guardado ali dentro. Olhou para o céu... A chuva cessara. Nuvens abriam-se aqui e ali, deixando entrever algumas estrelinhas persistentes.
Como estava sem a chave, e não queria incomodar os amigos, deitou-se na rede, enquanto refletia sobre os últimos acontecimentos. Não queria machucá-la, e também não tinha certeza do que ele mesmo sentia. Seria amor ou apenas... A emoção era nova e trazia com ela um certo cansaço. Será que haveria descanso pra isso? "Shina... como farei para não magoá-la..." As lágrimas o perseguiram até que Morfeu o levou em seus braços.
1 - Mark Twain (Flórida, Missouri, 30 de Novembro de 1835 – Redding, Connecticut, 21 de Abril de 1910), foi um famoso escritor, humorista e romancista estadunidense.(retirado da Wikipédia ¬¬)
Oi, pessoas, eu sei que demorou mais, bem mais q o previsto, pois estava arrumando umas coisas na minha vida...rs...Que demandavam toda a minha inspiração e devoção... Então, estamos aí com mais um capítulo desta fic, q , apesar de clichê beijar e correr na chuva, né, gente eu gosto muito!!!!
Beijinhos pra todos, até a próxima parada!
