N/T: A bae pede, a gente atende! Mais dois capítulos antes do dia pra vocês :D
Jen, obrigada pelo elogio, principalmente por ser uma tradução que algumas palavras/expressões não tem no português :D Que minha escrita continue fluida \o/
Cap 12
Quinn estava deitada de bruços na cama. Os seus pés desnudos no ar e seu queixo colocado sobre os braços cruzados. Caleb estava sentado há alguns dela na cadeira perto da mesa dela. Ele estava vestindo uma blusa vermelha de botão, jeans escuro e seu cabelo loiro ondulado estava substancialmente mais longo do que a última vez que Quinn o vira. Ele nunca teve um estilo, sempre escolhendo bagunçá-lo correndo os dedos por eles quando ficavam no rosto dele. Mas o look ainda ficava bem nele.
Eles sentaram em silêncio por alguns momentos, cada um contente pelo simples fato de estar na presença do outro. A cabeça de Quinn ainda estava processando a presença inesperada do irmãozinho dela. Ela sabia que as férias da escola estariam acabadas em alguns dias, então ela estava ao mesmo tempo contente que ele estava ali no quarto dela e triste porque provavelmente isso não seria por muito tempo.
Finalmente, Quinn se empurrou para se sentar encostada nos travesseiros com os tornozelos cruzados na frente dela. "Eu não posso acreditar que você está aqui." Ela sinalizou as palavras mas também as falou. Ela ouviu as lágrimas na voz dela antes delas se fazerem conhecidas nas bochechas dela.
Caleb estava inclinado pra frente com os cotovelos no joelho. Ele sorriu e Quinn sentiu como se estivesse olhando num espelho. Quando eles eram mais novos, todo mundo sempre comentara o quão similar suas feições eram, como seus sorrisos pareciam. Caleb podia levar pro lado pessoal, aborrecido com o fato de que as pessoas o comparavam tanto com sua irmã. Ao invés disso, ele sempre dizia algo parecido com Bem, ela é sortuda por ter herdado a mesma lindeza que eu.
Quinn, ele eventualmente gesticulou, não chore.
Mas quando ele disse essas palavras pra ela, ela apenas chorou mais. Seu irmãozinho rapidamente se colocou ao lado dela, segurando-a nos braços. Ele beijou a têmpora dela e cantarolou na pele dela, e, Quinn se sentiu a salvo. Eu apenas senti sua falta demais, ela sinalizou. Ela não falou. Era um daqueles momentos onde a voz dela não estava estável o suficiente para lidar.
Eu senti sua falta também, irmãzona, ele sinalizou enquanto tirava os sapatos e sentava na frente dela com as pernas estiradas paralelamente ao lado da dela.
Quinn se permitiu meio minuto antes de falar novamente. "Ok, chega de ficar triste. Me diga como você está aqui! Eu não estava esperando vê-lo até as férias da primavera ou algo do tipo."
Eu apenas bati pé com a chefe! Sue leva uma operação dura, mas eu não sou nenhum escravo. Então eu disse a ela que iria pra casa por alguns dias pra ver minha família, e, que quando eu voltasse, eu seria o melhor empregado dela novamente. Ele sorriu e se inclinou sobre os cotovelos.
"Entendo," Quinn disse enquanto concordava com a cabeça e parecia impressionada com a demonstração de iniciativa do irmão dela. "E sobre Tina," ela chacoalhou a cabeça com um pouco de atitude ao dizer o nome do interesse amoroso do irmão. "Ela não sentirá sua falta enquanto você estiver aqui?" Ela sorriu brilhantemente para mostrar a Caleb que ela estava brincando mas que ela também estava interessada em saber mais sobre a garota sobre quem ele sempre estava falando.
Ele suspirou e disse alto, "Quinn!" enquanto rolava pra fora da cama. Mas o sorriso de Quinn não falhou porque ela ouvia o mesmo sorriso na voz de Caleb. Ele começou a andar ao redor da cama, gesticulando alegremente o tempo todo. Toda brincadeira de lado, eu acho que estou apaixonado!
Quinn fez com a boca as palavras 'apaixonado' de volta pra ele e ele apenas concordou vigorosamente com a cabeça, ainda andando.
Apaixonado, Quinn. Eu a amo. Ela é linda e talentosa. Ela tem o melhor olho pra arte, e ela canta como uma deusa! Aqui, Caleb olhou sobre o ombro e viu Quinn com as sobrancelhas levantadas. Disseram-me, ele adicionou para confirmar com um sorrisinho nos lábios. Ela gosta de mim. Ele sinalizou as palavras e então ficou parado com os braços cruzados na frente dele, uma mão vindo pra se apoiar no queixo.
"Isso é ótimo, Caleb. Estou tão feliz por você! Você já disse a ela que está malucamente apaixonado por ela?" Quinn pegou um travesseiro e segurou-o no peito. Algo dentro dela se derreteu um pouco ao pensar em amor. Seu irmão estava apaixonado e ela também. Ela sabia disso com certeza agora. Era algo que ela tinha lentamente aceitado há alguns meses – lutando, debatendo-se mas finalmente aceitando. E Quinn estava excitada pelo futuro novamente – porque o comportamento de Rachel indicava que ela podia sentir o mesmo, não importando o quão delicada toda situação era. Então Quinn tinha esperança de que as coisas iam dar certo.
"Ei," Caleb falou alto novamente e os olhos de Quinn se focaram novamente no aqui e agora. Onde você foi? Ele questionou.
"Desculpe," Quinn respondeu. Suas mãos se moveram rapidamente, tentando dissipar quaisquer questões que ela sabia já estar se formando no rosto do irmão. Porque algo estava acontecendo e ela não queria lidar com isso agora. "Então me conte sobre suas aulas pro próximo semestre! Você tem alguma com a Tina?"
Quinn... Caleb sinalizou. Você não está me enganando.
O que você quer dizer? Quinn replicou, abandonando as palavras e mordendo a bochecha.
Eu sou um homem apaixonado e eu vejo isso no seu rosto. Quando você ia me contar que estava saindo com alguém? Ele estava de repente na frente dela novamente.
Quinn não pôde deixar de sorrir. Ele estava excitado por ela. Caleb tinha sido sempre a única pessoa na família dela que realmente valia a pena conversar. E enquanto Quinn tinha conversado exaustivamente com Santana mais cedo sobre essa mesma situação, algo dizia a ela pra não ir por esse caminho com Caleb ainda. Só, não ainda.
"Eu não estou saindo com ninguém," ela respondeu. E isso era verdade até um certo ponto. Ela não estava namorando. Ela não estava num relacionamento. Mas seu coração estava definitivamente tomado e ela via Rachel mais do que ela tinha visto qualquer outra pessoa em sua vida.
Você está dizendo meias-verdades, Caleb disse, cruzando os braços, dando a ela sua cara com beicinho patenteada.
Se nada mais, isso foi bom pra fazer Quinn rir. "Caleb, eu prometo. Não estou namorando ninguém." Ela não conseguiu dizer, 'Não há ninguém,' porque ela sabia que isso era falso e algo sobre isso não parecia realmente justo com Rachel. Mas Caleb estava dando a ela o olho e Quinn estava preocupada que ele continuaria investigando. E se ele continuasse investigando, ela sabia que ele encontraria coisas que Quinn não estava preparada pra ele achar. "Se eu ficar séria sobre alguém novamente, você não acha que eu diria a você?"
Ele esticou a mão e Quinn colocou a dela na dele. Ele tinha calos nos dedos e na palma, mas o topo da mão dele era suave e delicado. Eles sentaram e se encararam por alguns minutos e Quinn sabia que eles estavam bem. Ela também sabia que ele estava deixando de lado o assunto. Ela deu um suspiro de alívio e valentemente tentou fazer com que não parecesse um suspiro de alívio.
Quinn puxou a mão para gesticular, "Eu encontrei Santana mais cedo hoje. Eu não a via há muito tempo. Foi realmente legal saber as novidades dela."
As sobrancelhas de Caleb levantaram. Foi ela quem deixou você mais cedo? Aquela vadia maluca, como está? O que ela está fazendo agora?
E desse jeito, eles mudaram de assunto. Eles rapidamente caíram na familiaridade que partilhavam como irmãos. As horas passaram, a conversa fluiu entre eles, e, Quinn finalmente percebeu o quanto ela sentira falta do irmão. Era legal finalmente se sentir menos sozinha.
Rachel pegou os rolinhos do fogão e os trouxe pra mesa. Ela colocou o pano de prato que utilizara pra pegá-los de lado. Shelby sorriu e deu a ela os feijões verdes e Rachel colocou alguns no prato antes de devolvê-los. A refeição delas foi passada na maior parte em silêncio. Rachel ainda estava se acostumando a falar novamente. As conversas delas até agora – se você podia chamar isso assim, na verdade – tinham sido curtas e objetivas. Mas Shelby tinha sempre um sorriso no rosto depois, então Rachel sentia que cada pequeno passo era bom.
"Então eu fiz alguma pesquisa hoje," Rachel disse entre mordidas. "Para faculdade e tal..."
Os olhos de Shelby imediatamente voaram pro rosto de Rachel mas ela tentou não parecer muito animada. Ela se voltou para o prato e cortou um pedaço de frango antes de colocar na boca. Ela mastigou lentamente e engoliu antes de dizer, "Ah é?" Rachel nunca tinha – nem uma vez – mencionado planos para faculdade. Uma semana antes, Shelby tinha ficado assustada pelo futuro de Rachel. Ela não queria que sua filha acabasse trabalhando sessenta horas por semana só pra sobreviver, como ela tinha feito pelos últimos quinze anos. Mas sem planos reais – até onde Shelby sabia – era o que parecia que iria acontecer. Então conversa de faculdade? O interesse de Shelby estava mais do que um pouco alertado.
"É humm... Bem, eu decidi na verdade me inscrever em Juilliard." A voz de Rachel estava tudo menos firme enquanto as palavras deixavam seus lábios. Era uma coisa planejar tudo. E outra inteiramente diferente era dizer pra sua mãe. Porque mães? Elas sempre dizem a real. E algumas vezes, isso era realmente assustador.
Shelby manteve uma fachada exterior calma enquanto ela colocava o garfo no prato e se inclinava na cadeira. Ela olhou pros olhos de Rachel, respirando várias vezes antes de perguntar, "Juilliard?"
Rachel concordou. "É, Juilliard. Eu chequei tudo que eu preciso fazer pra me inscrever hoje mais cedo... Não... Não é tarde demais." Shelby concordou lentamente com a cabeça. "Eu posso fazer isso, eu sei que posso."
"Estou certa de que Juilliard é muito competitiva." Shelby disse as palavras, mas ela também tinha visto os vídeos caseiros de Rachel quando criança. Ela iria achá-los no videocassete. Rachel algumas vezes os assistia até tarde da noite quando Shelby estava dormindo. Ela acharia Rachel no sofá de manhã, a tela da televisão estática em preto e branco e uma pilha de lenços usados ao redor da filha. Ela acordaria Rachel e a mandaria tomar banho antes da escola, e, ela se sentaria e veria os vídeos. Mesmo com nove anos, Rachel tinha sido magnífica.
"Ano passado, eles só aceitaram cinco por cento do total de inscrições," Rachel disse, concordando com a cabeça sabendo o desafio que iria encontrar. "Mas eu cantei recentemente, e, isso foi tudo em que eu pude pensar desde então. Eu sonhei em estar na Broadway quando eu era uma criancinha e eu repentinamente sinto aquilo novamente. É quase irresistível, esse sonho que eu tive há um tempo... Mas ele foi ressuscitado ou algo do tipo e não há nada mais que eu queira fazer."
Shelby colocou a mão no queixo enquanto se inclinava para colocar os cotovelos em cima da mesa. "Ok," ela finalmente disse e a palavra pareceu libertadora enquanto cruzava os lábios dela – para ambas, mãe e filha.
"Ok?" Rachel perguntou, um sorriso imediatamente florescendo em seu rosto. Era quase bom demais pra ser verdade. "Você tem certeza? Quero dizer... Nova York é bem longe. São cem dólares apenas para inscrição. E quando eu inevitavelmente for chamada pra uma audição, será caro também..." Ela parou de falar e seu sorriso falhou. Ela sabia o quão duro Shelby trabalhava para prover pra ambas.
Shelby acenou com a mão. "Rachel, você se lembra quando eu falei com você há alguns anos sobre o dinheiro que seus pais deixaram para você numa conta?" Rachel concordou. "Não é a maior quantidade de dinheiro nem nada, mas é substancial. Eu deixei guardando porque eu queria que você tivesse algo, sabe, pra começar sua vida. Dinheiro pra faculdade ou pagamento em uma casa, um carro ou algo. Mas se você está seriamente pensando sobre se inscrever em Juilliard, eu digo que não há realmente melhor tempo do que o presente para pensar sobre usar parte do dinheiro pra se certificar de que você vai chegar lá."
Rachel sorriu novamente e concordou freneticamente com a cabeça. "Isso seria fantástico!" Antes dela saber o que estava acontecendo, ela estava chorando. Mas eram lágrimas de felicidade. Porque as coisas pareciam certas. Olhando pro futuro dela, Rachel via as coisas se ajustando. Agora, ela só tinha que fazer tudo acontecer no presente.
Elas limparam os pratos e se sentaram à mesa da cozinha. Rachel espalhou os materiais da inscrição na frente delas. Elas conversaram por horas – sobre esperanças, sonhos e o futuro, de fazer Juilliard e Nova York uma realidade. Aquela noite, ambas dormiram com sorrisos nos rostos e sem lágrimas nos olhos.
Quinn fechou a mala do carro alugado depois que Caleb jogou a mochila dele. Eles se viraram um pro outro e se abraçaram com força. Ele tinha estado lá por apenas dois dias, mas ele já parecia como uma presença permanente na vida de Quinn – algo que acontecia toda vez que eles passavam algum tempo juntos, mas algo que nunca ficava mais fácil de lidar quando chegava a hora dele ir embora.
"Eu amo você, irmãozinho," Quinn murmurou no pescoço de Caleb.
Ele sentiu as vibrações das palavras dela na pele dele e sorriu no cabelo dela. "Eu amo você," ele disse. Suas palavras não eram faladas perfeitamente já que ele nunca tinha realmente tomado o tempo para tentar aperfeiçoar a habilidade. Mas eram claras o suficiente e Quinn teria entendido de qualquer forma.
Ela se afastou. "Diga a Mamãe que eu disse oi, ok?"
O que, e não pro Papai? Caleb perguntou provocando, um sorriso enorme no rosto enquanto balançava as sobrancelhas em tom de brincadeira. Quinn socou o ombro dele. "Ow!" ele exclamou. Tudo bem, tudo bem, ele sinalizou. Eu mandarei pra mamãe seu amor.
"Espero que você tenha um bom vôo de volta pra D. C. Não trabalhe demais. Seja bom pra Tina. Vá à todas às suas aulas e estude, ok?" Quinn listou suas expectativas enquanto Caleb andava de costas para o lado do motorista do veículo.
Ele levantou as mãos apaziguadoramente. Tudo bem, tudo bem! Sim senhora, você pode apostar. Eu serei um bom garoto na escola. Ele piscou pra ela e Quinn correu pra abraçá-lo mais uma vez ao redor do pescoço.
Ela se afastou e seus olhos amendoados combinando se olharam. "Tome conta de você."
Ele concordou. Você também.
Eles não disseram 'até logo', mas, isso nunca foi o jeito deles.
Naquela tarde enquanto Quinn estava limpando o apartamento, ela se ajeitou de repente. Escola estaria de volta em alguns dias e ela realmente queria seu casaco de volta! Determinadamente fazendo sua mente, Quinn foi até o quarto. Ela colocou um par de jeans e alguns sapatos antes de pegar outro casaco e ir pra porta.
Quinn iria voltar pra casa com aquele casaco de uma vez por todas.
Não haviam carros estacionados na rua perto do teatro, mas Quinn decidiu arriscar quando ela andou em direção à porta da frente. Ela puxou a maçaneta e estava sem sombra de dúvidas fechada. Mas quando Quinn pressionou o rosto no vidro, ela podia ver as luzes lá dentro. Havia definitivamente alguém ali.
Envolvendo-se com os braços pra se proteger do frio, ela rapidamente andou ao redor do edifício. Ela correu os últimos passos para a entrada dos fundos, sua respiração formando uma pequena nuvem de condensação na frente do seu rosto. A porta dos fundos estava aberto e as suspeitas dela que alguém estava lá foi finalmente confirmada quando ela entrou.
E quando ela finalmente entrou, Quinn imediatamente ouviu a voz inimitável de Rachel Berry. Ela podia contar as vezes que ela escutara a voz da garota até agora em uma mão, mas ela sabia que ninguém em lugar nenhum se compararia. Ao menos, não pra Quinn.
Quinn desabotoou o casaco enquanto entrava na coxia. "Oi, Rachel," ela disse depois que a outra garota terminou a última nota da canção. Rachel tinha se abaixado pra pegar algum objeto preto do chão do palco e ela rapidamente se virou com a voz de Quinn.
"Oi," ela respondeu com um sorriso surpreso no rosto.
Foi uma palavra. Era realmente apenas uma palavra, nada mais, nada menos. Provavelmente não deveria ter feito o coração de Quinn bater mais rápido e provavelmente não deveria ter causado o sorriso que causou. E Quinn provavelmente não deveria estar tão terrivelmente agradada consigo mesmo por finalmente ter conseguido uma resposta vocal de Rachel que parecia algo como as linhas de uma conversa normal. Mas ela estava. A confiança de Quinn também foi aumentada em cem vezes pelo fato de que Rachel estava vestindo o suéter dela, aquele que ela tinha emprestado naquela noite depois das Seccionais.
"Isso pareceu ótimo," Quinn disse. "Eu quero dizer, eu só entrei e escutei as últimas notas, mas foi ótimo." Rachel sorriu e mexeu no que quer que estivesse em suas mãos. "Então," Quinn começou de novo, desesperada para estender o tempo dela com a outra garota. Ela andou uns passos pra frente. "O que você está fazendo aqui sozinha? E o que você estava cantando?" Talvez se ela perguntasse coisas suficientes, Quinn tornaria o cumprimento de uma palavra em uma conversa real.
Quinn tinha descido os degraus do lado do palco e sentado no centro da primeira fileira. Rachel se moveu pra frente e se sentou na ponta do palco, um pouco para a direita. "Sr. Ryerson está me deixando usar isso –" ela indicou o objeto em sua mão "- para eu me gravar cantando. E ele me deixou entrar aqui para que eu pudesse usar o palco. É o melhor lugar que eu pude pensar para fazer isso. A acústica não é das melhores, mas é bem melhor que a minha cozinha."
Rachel olhou pro colo e puxou as pontas do suéter de Quinn mais sobre os ombros. Quinn riu e disse, "É, isso é compreensível. Então porque você está se gravando?" Ela estava praticamente tonta com toda a situação e ela estava dando duro para controlar as emoções na voz dela.
"Estou na verdade me inscrevendo pra faculdade e eu tenho que mandar uma gravação da minha voz cantando com a aplicação inicial. E eu estava cantando My Man de Funny Girl. É... Bem, é provavelmente a música mais difícil que eu já cantei." Ela olhou direto no olho de Quinn. Elas sorriram uma pra outra. "Mas quero mostrar... eu não sei, tudo? Não só meu alcance ou minha técnica, mas qualquer profundidade emocional que eu consiga achar dentro de mim."
Quinn balançou a cabeça entendendo. "Então você acertou a música? Tempo, tom e tudo isso?"
Rachel riu. "Sim, eu tenho o tom perfeito. E eu estive cantando quase sem parar pelos últimos dias tentando conseguir que tudo fosse perfeito. Essa não foi a primeira música que tentei, mas essa é definitivamente com a qual eu vou ficar. Eu acho que Barbra aprovaria." Ela levantou de novo e andou pro banquinho que estava no meio do palco com um som nele. Ela brincou com ele por alguns momentos antes de se virar pra Quinn. "Você se importa se eu tentar novamente? Sr. Rumba mencionou antes que você tem alguma formação em música e eu adoraria qualquer contribuição que você pudesse me dar."
Nunca foi realmente uma questão se Quinn ia ou não ouvir. Claro que ela iria. Ela concordou novamente. "Claro, eu adoraria. Mas é só uma pequena formação, então não espere que eu seja super útil."
Rachel sorriu e Quinn podia praticamente sentir que qualquer tensão que existia antes deixou o cômodo. "Algumas vezes só ter uma audiência é o suficiente para trazer o melhor num artista."
Quinn se inclinou no assento e cruzou as pernas. Ela viu Rachel se mover pra frente e colocar a câmera digital há alguns passos da ponta do palco. Enquanto ela estava perto de Quinn, Rachel olhou pra cima no olho dela por um momento. Ela mordeu o lábio e Quinn apertou mais forte as pernas.
Ainda inclinada com uma mão no objeto, Rachel levou o dedo aos lábios. Quinn inalou e exalou lentamente pelo nariz, imaginando se Rachel sabia o que um gesto tão simples estava fazendo com ele. Completo e absoluto silêncio encheu o ar ao redor delas e Rachel pressionou o botão de gravar. Ela se levantou e foi de ponta de pé até o som antes de pressionar play. Uma faixa instrumental encheu o ar enquanto Rachel se virava e tomava alguns passos pra frente e pra esquerda, formando algo como um triângulo entre ela, o gravador e o som.
Como ela tinha feito na primeira vez que ouvira Rachel cantar, Quinn fechou os olhos e segurou a respiração. Ela esperou para a voz de Rachel quebrar sobre ela como uma onda e ela não foi desapontada.
Oh my man, I Love him so.
He´ll never know.
All my life is just despair,
But I don´t care.
When he takes me in his arms,
The world is bright, alright…
Quinn teve que colocar a mão na frente dos lábios. Ela já estava tentando e falhando espetacularmente em controlar suas emoções. Ela sabia que a garota podia cantar, mas isso era algo completamente diferente. Quinn podia literalmente sentir tudo. Era quase demais para seus nervos em frangalhos lidar. A mera presença da outra garota era normalmente o suficiente para que Quinn ficasse nervosa por horas depois, mas ouvi-la cantar levou as coisas a um nível completamente diferente.
What´s the difference IF I say
I´ll go away,
When I know I´ll come back on my knees someday?
For whatever my man is,
I am his forever more.
O instrumental estava aumentando e Quinn podia ver no rosto de Rachel. Era como se cada palavra fosse verdade, como Rachel estivesse expressando seus desejos mais secretos. Talvez até desejos que ela tivesse medo de colocar em suas próprias palavras.
O arranjo era diferente do filme – Quinn tinha visto Funny Girl uma ou duas vezes e reconhecia que havia alguns versos faltando – mas isso era indescritivelmente poderoso quando Rachel começou a cantar o mesmo dois versos novamente.
Oh my man, I Love him so.
He´ll never know!
All my life is just despair,
But I don´t care.
When he takes me in his arms,
The world is bright, alright…
Enquanto ela segurava o alright, Quinn sentia cada cabelo na nuca dela ficar em pé ao final. Seus braços estavam completamente arrepiados. Rachel estava emulando Barbra perfeitamente naqueles momentos.
What´s the difference IF I say
I´ll go away,
When I know I´ll come back on my knees someday?
For whatever my man is,
I am his forever more.
O poder e paixão na voz dela era tocante. Mas Quinn estava completamente tomada de veneração e adoração mais pelas lágrimas correndo no rosto da garota mais jovem enquanto a faixa acabava do que qualquer coisa.
Os ombros de Rachel se levantaram uma vez, e, mais uma permitindo que sua respiração se acalmasse. Então ela desligou o som antes de ir pra próxima faixa e ela se moveu rapidamente para frente do palco para parar a gravação.
Quando ela tinha claramente apertando o stop e estava parada em frente de Quinn, Quinn perguntou, "Você... Você pegou tudo na gravação, certo?"
Trazendo a câmera pro rosto, Rachel clicou alguns botões antes de olhar de volta pra Quinn. "Sim, peguei tudo."
Quinn se levantou e deu à Rachel o aplauso em pé que ela merecia. "Isso foi incrível."
Rachel abaixou a cabeça enquanto um vermelho genuíno cobriu suas bochechas. Ela enxugou as lágrimas. "Sério?" Ela perguntou.
"Rachel, isso foi... eu não tenho palavras. Eu não acho que existem palavras para eu descrever o quão bonito isso foi, quanto você me tocou agora. Como você faz?"
Balançando a cabeça pro lado, Rachel perguntou. "Faço o que?"
Quinn balançou a cabeça. A garota sequer percebia... "A emoção, a paixão por trás das suas palavras. Você nos levou ambas às lágrimas," Quinn disse, gesticulando para a umidade nas mãos dela enquanto enxugava as próprias bochechas. "Isso é poderoso, Rachel. E lindo."
"Não prejudica que eu tenha alguém em mente quando canto essa música," Rachel disse baixo. Quinn quase perdeu isso. De fato, ela estava certa de que tinha entendido tudo errado. "De fato, se eu não estivesse tão obsessiva em manter a integridade da música, eu provavelmente mudaria os pronomes."
A boca de Quinn abriu enquanto a outra garota virava nos sapatos e andava de volta pro banco no palco. Ela acabou de insinuar...
"Então você está certa que essa foi a tomada?"
Quinn não tinha ouvido nenhuma das outras tentativas de Rachel. Mas ela não precisava. "É," ela respondeu. "Estou certa."
"Estou agradecida que pense assim. Eu me senti realmente bem sobre essa. E eu estive cantando sem parar por um tempo agora, eu preciso descansar minha voz. Eu vou mandar uma mensagem pra Shelby e direi a ela que já acabei –"
"Onde você mora? Posso levá-la em casa," Quinn ofereceu. Morda sua língua, Quinn! Ela mentalmente se bronqueou. Mas a coisa já estava feita.
Rachel observou por um momento antes de responder. "Bem do lado leste, perto de Lima Heights."
"Oh!" Quinn exclamou. "Perfeito! Eu moro realmente perto de lá. Vamos, eu levo você. Mande mensagem pra sua mãe se você quiser pedir permissão a ela, ok?"
Rachel concordou e recolheu as coisas dela, enrolando o fio do som segurou ao redor do mesmo e o colocando embaixo do braço dela. Eles começaram a andar de volta pra porta dos fundos.
"Então pra que escolas você está se inscrevendo?" Quinn perguntou enquanto colocava o casaco de volta e o abotoou.
"Oh, eu só vou me inscrever pra uma escola."
"É?" Quinn perguntou com as sobrancelhas levantadas curiosamente.
"É," Rachel respondeu enquanto andava pela porta de trás que Quinn estava segurando pra ela. "Juilliard."
Com a boca próxima do chão novamente, Quinn encarou a garota andando pra longe dela. "Juilliard?" ela sussurrou, mais pra si do que qualquer outra pessoa desde que Rachel já estava bem a frente dela nesse momento. "Nossa."
Ela tentou não encarar os quadris de Rachel balançando sensualmente enquanto ela contemplava essa garota que tinha sido um enigma desde o primeiro dia e que claramente não ia mudar em nenhum momento no futuro próximo. Mas realmente, Quinn pensou, eu não faria de nenhuma outra forma. Ela seguiu Rachel pro carro dela, imaginando por todo o caminho que tipos de surpresas ela poderia ter que lidar depois.
