N/A: Oi pessoal, aqui está mais um capítulo da nossa querida Selvagem e nosso amado de Cullen. Espero que gostem.

Estou muito feliz que muitas leitoras comentaram, são esses cometarios que me estimulam a continuar postando! Estou postando por vocês já que estou na praia...

Um beijo super hiper especial para a Helena Hale, minha querida leitora fantasminha que apareceu! Beijos mil gata e obrigada.

Espero mais coments ok?

Sem mais delongas... VAMOS AO CAP!


Capítulo 12

Enquanto os outros ficavam olhando-o com assombro, Alice pôs-se a rir e disse:

—Como vai proteger precisamente você a virtude de uma mulher? Te vi em seu quarto ontem pela tarde, segue sendo inocente?

—Alice! —exclamou a condessa.

Edward se levantou com brutalidade.

—Tínhamos que falar de vários assuntos, Alice, embora isso seja algo que não te concerne. E sugiro que pense isso duas vezes antes de me acusar de roubar a inocência de Bella. —apesar de suas palavras, Edward sabia que a noite anterior tinha estado a ponto de fazê-lo, e não pela primeira vez. Sua irmã era muito bisbilhoteira, assim era uma sorte que não os tivesse pegado.

Alice o olhou boquiaberta.

—Desde quando é tão melindroso? Parece-me que está assanhado com ela, porque o irmão que conheço se mostraria indiferente ante tais acusações; além disso, nunca tentaste ocultar suas aventuras.

—Não tenho uma aventura com Bella. Tem dezessete anos, e está sob minha tutela — sentiu que se ruborizava, e deu as costas a sua irmã ao voltar-se para a condessa— Esperava que sua mãe tivesse a honra de ocupar-se dela, mas não quer saber nada de sua filha. Conhece lady Dwyer?

—Sim. É terrível, suponho que tem medo da ruína social; mesmo assim, é indesculpável que rechace sua própria filha. O que falou à senhorita Swan?

Edward vacilou antes de responder. Trocou um olhar com Emmett, e recordou os terríveis acontecimentos do dia anterior.

—Sim, não tomou nada bem. Está muito afetada, assim que peço que se esforcem ao máximo por tratá-la bem. Recentemente perdeu seu pai, e o de agora foi outro duro golpe.

—Claro que a trataremos bem — disse a condessa com voz suave— Por certo, Emmett me comentou que sua formação foi mais que duvidosa.

—Seu pai morreu justiçado na forca por pirataria. — A condessa soltou uma exclamação afogada. —Teve uma vida difícil, e esperava ajudá-la a conseguir um futuro mais prometedor. Se soubessem como se criou, gelaria o sangue nas veias. Nenhuma mulher teria que ter uma vida assim, seu pai era um homem bastante duro.

Alice ficou de pé e se aproximou.

—Sinto ter sido tão insensível, Edward. Quando os vi juntos pensei que eram amantes, apesar de que é muito jovem para seu gosto e não é o tipo de mulher que prefere.

Edward se sentiu aliviado, e esboçou um sorriso.

—Pois se equivocou ao pensar mal. A verdade é que as duas têm algumas coisas em comum. Você é filha de um conde, mas se criou com cinco meninos; por sua parte, Bella se criou no convés de um navio, entre marinheiros. As duas eram umas fedelhas. Eu gostaria de contar com sua ajuda em especial, está disposta a me dar uma mão?

—Claro que sim, estou mais fascinada que alguma vez estive— disse ela, depois de lhe dar um beijo na bochecha— Se encarregaste já do problema da roupa? Não pode passear pela cidade levando calças.

—Madame Didier chegará ao meio-dia. Nunca pôs um vestido, Alice.

Tanto sua irmã como a condessa ficaram estupefatas. As duas mulheres trocaram um olhar, e a condessa sorriu e disse:

—Vamos ajudar a que se adapte. Que explicações vai dar sobre sua família?

—Felizmente, seu pai foi oficial da armada antes de dedicar-se à pirataria. Direi que deixou à armada e que se converteu em dono de uma plantação nas ilhas, muitos oficiais o têm feito; quanto a sua mãe, direi que morreu quando ela era muito pequena, e para não me desviar ainda mais da verdade, que sua família materna procede de Cornwall, mas que Bella é a única descendente que fica viva.

—Parece-me que com isso bastará, ao menos por agora. Suponho que quer apresentá-la na sociedade para que encontre um marido adequado, não? —disse a condessa.

Edward se esticou dos pés a cabeça.

—Não adiantemos os acontecimentos, Bella não está pronta para ter pretendentes. Necessitará uns seis meses para se preparar — os olhou um a um, e acrescentou— Durante a viagem começou a receber aulas de decoro e etiqueta. Não sabia ler, mas já o faz melhor que Alexi. É muito inteligente e estou convencido de que pode conseguir tudo o que se proponha, mas a aterra que a alta sociedade se burle dela e a ridicularize, porque era o que faziam as damas da ilha. Qualquer conselho será bem recebido.

—Pobrezinha — disse a condessa — Todos a ajudaremos, é obvio.

—Edward, por que não nos asseguramos de que seja todo um êxito desde o começo? —perguntou Alice.

—O que quer dizer?

—Terá que começar por levá-la de visita a casa de nossas amizades mais próximas. A receberão com cordialidade, e não a tratarão com desdém se cometer algum engano.

—E assim sua confiança em si mesma irá crescendo — comentou ele com aprovação.

Alice respondeu com um enorme sorriso.

—O que lhe parece lady Harrington? É a pessoa mais cortês do mundo — apostilou Emmett.

—E seguimos sendo boas amigas — comentou a condessa— Falarei com ela o quanto antes, Kate é a pessoa ideal para a primeira visita de Bella.

Edward mal a conhecia, embora tivesse sido a prometida de seu irmão Tyrell em outra época. Era uma das damas mais agradáveis e singelas que conhecia além de uma das maiores herdeiras do reino.

—Parece-me bem — disse sem duvidar.

—O baile dos Denali seria a ocasião ideal para uma apresentação em sociedade formal — comentou a condessa.

—Preferiria uma apresentação informal, mãe. Mas esse baile se celebra dentro de um mês, não?

—Sim, e seguro que é fantástico — disse Alice— Sempre desfrutei dos bailes dos Denali, nunca convidam a mais de umas cento e cinquenta pessoas. Se Bella estiver pronta então, seria a oportunidade perfeita.

Antes que Edward pudesse responder, a condessa disse:

—Não pode postergar seis meses a busca de pretendentes adequados, Edward. Não é fácil encontrar um bom partido a uma jovem de bom berço, mas sem recursos, e muito menos se sua ascendência for bastante turva. Deve começar a considerar possíveis candidatos imediatamente. A menos que tenha muita sorte, é algo que vai levar seu tempo. Tem dote?

Edward sabia que a condessa tinha razão. Não ia ser nada fácil encontrar a Bella um marido que a merecesse. Sentiu que formava um nó no estômago, e cruzou os braços. Era como se acabasse de ficar em marcha uma bola de neve que ia acabar convertendo-se em uma avalanche. Era óbvio que Bella necessitava um marido, mas apesar do muito que tinha progredido, ainda não estava preparada para que alguém a cortejasse.

—Eu proporcionarei o dote. Encarregarei a algum de meus advogados que encontre uma propriedade pequena, mas produtiva, e a poremos em nome de Swan; de fato, me encarregarei do assunto o quanto antes. Teríamos que começar a pensar entre todos em possíveis pretendentes, porque é certo que não vai ser fácil lhe encontrar um bom partido.

A condessa o puxou pelo braço, e disse:

—Emmett me falou que é toda uma beleza, isso conta em seu favor. Recolheremos uma lista de candidatos, me avise assim que tenha arrumado o dote — olhou para a porta, e seu sorriso se desvaneceu.

Todos seguiram seu olhar, e emudeceram ao ver Bella vestida com suas calças, suas botas, e a camisa de Edward. Ele se apressou a ir para ela, e se deu conta de que estava muito pálida e tinha os olhos avermelhados de tanto chorar.

—Bom dia, Bella — disse, com um sorriso exagerado— Chegaste bem a tempo para conhecer minha madrasta, estamos tomando o café da manhã.

Ao ver que o olhava com uma expressão doída e cheia de incredulidade, deu-se conta de que devia te-los ouvido falar dela, e se sentiu consternado.

—Vamos, apresentarei a minha madrasta.

Esme se aproximou deles, e a olhou com um sorriso cheio de calidez.

—Bem-vinda à família, querida — disse enquanto a puxava pelas mãos— Como está sob a tutela de Edward, todos nos encarregaremos de cuidar de você. Será um verdadeiro prazer.

—Encantada de conhecê-la, condessa — respondeu Bella, que estava claramente surpreendida ante aquele recebimento tão cordial.

—Não necessita tanta formalidade, querida. Estamos em família — deu um beijo na bochecha antes de soltá-la— Sinto de coração as perdas que sofreste recentemente. Posso fazer algo para ajudá-la?

Bella se ruborizou. Como tinha ficado emudecida limitou-se a negar com a cabeça.

—Não, obrigado — sussurrou ao fim.

Edward se sentiu aliviado ao ver que mostrava boas maneiras passáveis. Posou uma mão em seu braço, e disse:

—Podemos falar depois do café da manhã?

—Não, quero falar com você — disse ela com voz rouca.

Edward recordou imediatamente os beijos e os abraços, a paixão descontrolada. Acelerou o coração, e soube que ela também estava pensando naqueles momentos de loucura.

—Desculpem-nos — disse aos outros, antes de conduzi-la à biblioteca; uma vez ali, fechou as portas e perguntou— Como se encontra, Bella? —não queria falar da noite anterior, já que não sabia o que dizer para justificar seu imperdoável comportamento.

— Te ouvi! Estava falando de pretendentes, e de um dote! —exclamou ela com incredulidade.

—Isso é o que faz um tutor, Bella. Tenho que te proporcionar um bom futuro.

—Não é meu tutor — espetou ela muito pálida.

—Anunciei-o de forma oficial. Para que não haja nenhuma dúvida, vou encarregar-me de que se redijam uns documentos, e parecerá que Swan me encomendou sua tutela.

Bella demorou uns segundos em responder.

—Se estar sob sua tutela significa que vai me obrigar a casar, nego-me a aceitá-lo!

—Já sei que está assustada…

—Ontem à noite nos deitamos juntos! —exclamou, com os olhos cheios de angústia— Ontem à noite me beijou uma e outra vez, acreditava que éramos amantes!

Edward empalideceu de repente, e por um momento ficou sem fala.

—Não somos amantes — conseguiu dizer ao fim— O de ontem à noite foi um engano que não voltará a repetir-se, segue sendo virgem!

—Por pouco! —Bella se aproximou dele, e disse com desespero— Abraçou-me e me beijou, colocou-me a língua na boca e a mão entre as pernas! Como pode dizer que não somos amantes?

Edward ficou vermelho como um tomate, e murmurou:

—Perdi o controle.

—Além disso, não foi à primeira vez! —exclamou tremente— A bordo do navio, durante a tormenta… acreditava que tinha sido um sonho, mas não foi, verdade? Fez-me amor no Fair Lady!

—Perdi o controle — repetiu ele com rigidez, apesar do estúpido que soava— É incrivelmente bela e tentadora, mas foi um engano. Merece ter um marido…

—Não quero um marido, quero a você!

Ele emudeceu. Bella estava tremente, mas se negou a afastar o olhar.

—Não vou deitar-me contigo, Bella. Uma noite de carícias não nos converte em amantes. O desejo fez que perdesse a cabeça, mas só queria consolá-la. Tenho feito cargo de sua tutela para protegê-la de cafajestes como eu.

Ela começou a retroceder enquanto sacudia a cabeça.

—O que aconteceu ontem à noite mudou tudo!

—Não mudou nada. Como não pode ir a Dwyer House, vai estar sob minha tutela, e tenho a responsabilidade de assegurar seu futuro — conseguiu manter um pouco de calma com muita dificuldade— Necessita de um marido, Bella. Como todas as mulheres.

Ela tentou falar, mas foi incapaz de articular palavra. Tentou-o de novo.

—Poderia se casar comigo.

Edward ficou atônito. A mente ficou em branco, e só foi consciente daquela mulher esbelta e formosa que estava pedindo que se casasse com ela.

—Ontem cumpri os dezoito — estava tremendo dos pés a cabeça, e seu medo era patente. Tragou com dificuldade, e acrescentou— Se tiver que me casar, por que não pode ser com você? Sabe que sou bastante mulher para me deitar contigo, estou segura de que seria mais que capaz de te satisfazer. E assim poderia me esquecer de toda esta farsa, e sair para navegar contigo. Não sou uma dama fina, mas sei que me deseja. Caio-te bem, somos camaradas de bordo! Além disso, como sou jovem, poderia te dar mais filhos.

Estava pedindo que se casasse com ela.

Edward sentiu que fraquejavam as pernas, e teve que sentar-se. Estar juntos na fortaleza dispostos a capear outra tormenta, navegar para a eternidade… tê-la em seu leito, saboreá-la enquanto ela respondia com uma paixão tão desatada e selvagem como um mar enfurecido…

Bella vacilou por um instante, e se aproximou um pouco mais.

—Você gosta embora seja um pouco? Somos amigos, verdade?

—Claro que eu gosto Bella. Mas é uma mulher, e, além disso, está sob minha tutela. Não somos camaradas de bordo.

—Navegamos juntos!

Edward se levantou de repente.

—Não penso me casar alguma vez. Por que ia fazê-lo? —lutou por acalmar-se, e acrescentou com voz mais suave— Tenho dois filhos aos que adoro Bella. Não necessito de nenhum mais. Não tenho necessidade de me casar por razões econômicas, e não me interessa me fazer com um título nobiliário; além disso, não acredito no amor. Em resumo, não tenho razão alguma para me expor sequer ao matrimônio — ao ver que se ruborizava, acrescentou com desespero— Além disso, já sabe que sou um mulherengo contumaz. Sempre o fui, e sempre o serei. Nenhuma mulher aguentaria estar casada comigo.

—Claro que não tem por que se casar… bom, ao menos não comigo… não o falei a sério, é que… estou confusa…

Edward teve que controlar o impulso avassalador de abraçá-la para consolá-la. Era normal que estivesse confusa, acabava de inteirar-se de que era ilegítima, sua mãe não queria saber nada dela, e ele tinha estado a ponto de lhe arrebatar a virgindade.

—Te romperia o coração, Bella, e me parece que já lhe têm feito bastante dano.

Ela fechou os olhos com força. Era óbvio que se arrependia de seu arrebatamento.

—Bella, o de ontem à noite foi minha culpa, mas se parar para pensar com calma na situação, se dará conta de que te favorece estar sob minha tutela. Tanto minha família como eu vamos cuidar de você.

—Não quero ser tua responsabilidade.

Edward sabia que a tinha ferido, e que não havia raciocínio nem explicação que pudessem trocar o que tinha acontecido.

—Sinto-o — tinha vontade de suplicar seu perdão, e desejou não ter ido a seu quarto a noite anterior— Não tem nenhuma outra opção, Bella.

—Sua madrasta comentou que, como sou «turva», será difícil encontrar marido. Talvez resulte ser impossível.

—Não falou isso. O que disse é que sua ascendência é bastante turva, e tem razão. Está desejando te ajudar para que entre com êxito na alta sociedade, estou convencido de que pode obtê-lo — ao ver que se limitava a olhá-lo com uma expressão doída e acusadora, perguntou desesperado— O que quer que te diga?

—A verdade.

—Sobre o que? —perguntou muito tenso.

—Sobre nossa possível relação como amantes.

Edward assentiu enquanto o coração martelava no peito.

—Qual é a pergunta?

—Seríamos amantes se fosse uma dama de bom berço, com uma boa educação?

—Isso não é justo!

—Sim que o seríamos, e sabe tão bem como eu! Não estaria me protegendo, a não ser me abrindo de pernas! Ontem à noite esteve a ponto de fazê-lo! —secou com brutalidade as lágrimas.

Edward ficou furioso, e se aproximou dela.

—Pode ser que tenha razão, mas não pelas razões das que me acusa. O fato de que não seja uma dama não é o problema — perdeu o controle, e gritou— Mal acaba de fazer dezoito anos, tenho dez a mais e sou muito mais experiente! Admiti quão tentadora é! Se fosse maior e tão experimentada como eu, me deitaria contigo encantado, mas é jovem e inocente, e acredito que em seu caso nem tudo está perdido. Quero que tenha uma boa vida, mas se te «abro de pernas» como você diz, nenhum cavalheiro vai interessar-se em você. Tenho que ser ainda mais sucinto?

—Não tenho ideia do que quer dizer «sucinto», e me dá igual! Sabia, sabia que não era o bastante boa para você… e tampouco para minha mãe!

—Isso é exatamente o contrário do que falei.

—Pois então está mentindo!

Bella tentou lhe dar um bofetão, mas ele conseguiu agarrar seu pulso antes de que pudesse fazê-lo.

—Entendo que esteja furiosa, porque ontem à noite passei da raia. Já te falei uma e outra vez que não pretendia fazê-lo, mas não posso mudar o acontecido. Sinto muito.

—Eu não! —exclamou, enquanto escapava com brutalidade de sua mão— Te odeio. Oxalá não tivesse te conhecido jamais, desejaria estar em qualquer lugar menos aqui.

Aquelas palavras o golpearam totalmente, e o deixaram sem fala. Quando ela pôs-se a correr para a porta, apressou-se a segui-la.

—Bella, espera! Não o diz a sério…

Ela o separou de um empurrão.

—Digo muito a sério. Deixe-me em paz, de Cullen! Deixe-me em paz, e não volte a entrar em minha habitação nunca mais!

Edward ficou gelado, e ela aproveitou para abrir a porta de repente.

Alice estava no corredor. Era óbvio que tinha estado bisbilhotando, mas Edward estava muito alterado para perguntar o que teria conseguido ouvir; entretanto, quando lhe lançou um olhar frio e acerado, começou a dar-se conta da tormenta que estava a ponto de desatar-se.

Sua irmã segurou Bella pela mão, que estava ao bordo das lágrimas, e disse:

—Madame Didier já está aqui, Bella. Eu gostaria de ajudá-la a escolher um novo vestuário, seguro que passamos isso muito bem! Vamos acima, querida, e enquanto isso contarei tudo sobre o miserável, ruim, insensível e egoísta de meu irmão. Há, esqueci que também é arrogante, prepotente, cruel e um verdadeiro canalha, verdade? Não se preocupe, não vai voltar a pôr um pé em sua habitação!

—É um mal nascido, mas não é cruel nem um canalha.

Alice fulminou seu irmão com o olhar, e Bella e ela começaram a subir a escada com os braços entrelaçados.

—Bem feito — disse Emmett, ao sair do salão— É que não pode manter a braguilha fechada, embora seja por uma vez na vida?

Edward o olhou carrancudo, mas foi incapaz de responder.

A condessa saiu do salão, e depois de olhá-lo com preocupação, subiu atrás de Alice e Bella.

Edward se apoiou na porta da biblioteca, enquanto sentia uma estranha dor no coração. Fizesse o que fizesse, parecia que sempre acabava ferindo Bella, e nesse momento odiou a si mesmo com todas suas forças. Ela não merecia todo aquele sofrimento. Tinha-lhe prometido várias coisas, e uma delas era que ia encarregar-se de lhe dar um bom futuro.

Mas era um futuro do que ele não podia formar parte… não, claro que não.


Bella se aproximou da janela de sua habitação enquanto a costureira começava a tirar seu equipamento. Ruborizou-se mortificada ao pensar no que acabava de fazer… como tinha sido capaz de pedir a Edward de Cullen que se casasse com ela?

—Bella — disse Alice com voz suave.

Nem sequer a ouviu. Depois da noite anterior, tinha acreditado que iriam ser amantes, não marido e mulher. Nem sequer em seus sonhos mais desatinados se expôs ser sua esposa, já que sabia que não era o bastante boa para ele; entretanto, ao descer e ouvi-lo falar de pretendentes e de um dote, deu-se conta de que pensava lhe encontrar marido, e tinha ficado atônita. O desespero a tinha impulsionado a soltar sem mais aquela terrível sugestão, mas nesse momento quão único sentia era um estranho intumescimento.

Tinha cruzado meio mundo para encontrar-se com sua mãe, que não queria saber nada dela. Depois da noite anterior, acreditava que Cullen a queria como amante, mas não era assim; de fato, ele afirmava que ia ser seu tutor legal, e estava decidido a casá-la com outro homem.

Ficou ali, olhando pela janela, ferida e desconcertada, enquanto tentava encontrar algo de sentido a sua vida.

Durante as últimas semanas, obstinou-se ao plano de ação que tinha acordado com Cullen: ia aprender a ser uma dama com sua ajuda, para poder incorporar-se à sociedade e viver com sua mãe. Por muito torpes que tivessem sido seus esforços, estava decidida a conseguir o impossível. Queria chegar a ser uma dama, ao menos na aparência, e não só para que sua mãe chegasse a querê-la. Sempre tinha vivido marginalmente e excluída da sociedade, tinha contemplado de fora as grandes casas, olhou pelas janelas para ver os elegantes salões e as lojas exclusivas. Sempre tinha sabido que era diferente, e tinha desejado que não fosse assim.

De Cullen lhe tinha dado a oportunidade de trocar as coisas.

Embora tivesse fingido que lhe dava igual trocar, tinha estado enganando a si mesma; se não lhe importasse, não teria se esforçado tanto. Importava-lhe muitíssimo, e por isso estava chorando nesse momento.

As autoridades ficaram com a casa de seu pai. Não queria retornar à ilha, porque ali teria que mentir, roubar e suplicar para sobreviver. Não queria voltar a ser aquela moça selvagem.

Secou os olhos com brutalidade. Claro que Cullen não queria casar-se com ela, jamais tinha esperado que o fizesse. Tinha sido bastante estúpida para apaixonar-se por ele e tinha desejado converter-se em sua amante, mas ele era muito honrado. Até que o tinha conhecido, nem sequer sabia que existissem homens como ele. De Cullen estava comportando-se com nobreza. Na ilha tinha decidido protegê-la, e acabava de assumir sua tutela de forma oficial apesar de que não estava obrigado a fazê-lo. Em vez de desentender-se dela, ia proporcionar-lhe um generoso dote para que pudesse encontrar um bom marido.

Sentia-se ferida, mas também agradecida. Imaginou o futuro com o que tinha começado a sonhar, mas ligeiramente alterado. Viu-se embelezada com um elegante vestido, e comportando-se com uma correção impecável. Estava sentada com Edward de Cullen em um jardim de rosas, e ele estava sorrindo com afeto; entretanto, só eram bons amigos, porque ela estava casada com outro homem.

—Olhe esta em tons marfim e coral! —Alice mostrou uma parte de tecido— Combinará de maravilha com seu cabelo e seus olhos.

Bella se deu conta de que a irmã de Edward estava olhando-a com preocupação, e se surpreendeu ao ver o montão de amostras de tecido que havia sobre a cama. Nunca tinha visto tal quantidade de seda, cetim, gaze e algodão. Edward de Cullen a tinha acolhido em sua casa, e estava disposto a lhe dar um dote e a proporcionar um vestuário digno de uma princesa.

—Todos estes tecidos não são para mim, verdade?

—Pode escolher todos os que queira — disse Alice com um sorriso— Edward é muito rico, assim vamos gastar tudo o que possamos. Às vezes se comporta como um caipira insensível!

—É um grande homem — sussurrou Bella.

—Está profundamente apaixonada por ele, verdade? —Alice cobriu a mão com a sua depois de dar a amostra cor marfim e coral à costureira.

Bella ficou vermelha como um tomate.

—Claro que não! Estou agradecida por tudo o que tem feito por mim… por permitir que fique aqui, por me dar a oportunidade de me superar — o disse com sinceridade. Não podia tornar-se atrás. Embora tivesse que contentar-se com a amizade de Edward e casar-se com outro homem, queria converter-se em uma dama, ao menos na aparência, se podia obtê-lo.

—Meu irmão tem uma reputação considerável, Bella. Não é dos que se casam…

—Já sei! —conseguiu sorrir e acrescentou— Durante anos o vi no convés de seus próprios navios e das embarcações que capturava. Vi como as damas se comportavam como umas parvas tentando chamar sua atenção ao vê-lo passar pelas ruas de Kingston. Todo mundo conhece de Cullen nas ilhas.

Enquanto falava, Bella se deu conta de que não era a primeira mulher que se apaixonava por ele e que acabava sendo rechaçada. Certamente, Edward tinha ido deixando uma trilha de corações quebrados por todo mundo. Ia ter que tentar sossegar os protestos de seu rebelde coração, como tantas outras.

—Meu irmão é encantador, muito atrativo e tem um montão de dinheiro, assim é normal que as mulheres se apaixonem por ele. Mas é a primeira vez que o vejo tão atento. Suas aventuras revistam ser muito breves, e nunca havia trazido uma mulher para casa.

Bella se rodeou com os braços. Não estava segura de querer ter uma conversa tão íntima com Alice Halle.

—Não sou tão parva para pensar que posso chegar a me casar com seu irmão; de fato, tem razão ao querer me encontrar marido, porque a única alternativa seria voltar para as ilhas. Eu adoro o mar e navegar, mas não posso retornar.

—Está sendo muito valente!

—Isso não é verdade. Se é valente quando se está sozinha durante meses sem saber de onde vai tirar a comida, e quando vê chegar seu próprio navio e não sabe quem está vivo e quem não.

Ao ver que Alice abria os olhos como pratos, Bella se voltou e desejou não ter falado tão abertamente; entretanto, havia dito a verdade. Frequentemente, as viagens de seu pai se alargavam mais do previsto, e por fim era capaz de enfrentar à verdade e admitir que não a tinha cuidado muito bem. Durante os meses prévios a sua morte, ela tinha tido que pescar na baía, recolher mangas, e suplicar e roubar para sobreviver. Uma vez o tinham prendido no Chipre, e tinha demorado um ano em voltar; naquela época, ela tinha treze anos, e tinha tido que enfrentar à solidão e ao medo. Cada vez que o veleiro chegava ao porto, sentia-se aterrada ante a possibilidade de que seu pai não estivesse a bordo.

Queria desesperadamente a vida que Edward estava lhe oferecendo. Ao melhor a casa que lhe comprava tinha um jardim de rosas, e se não fosse assim, podia plantar um ela mesma. E apesar de que a sociedade seguia aterrando-a, ao melhor não era para tanto; ao fim, os familiares de Edward eram muito distintos, e a tinham recebido muito bem. Ninguém a tinha tratado com desdém, ao menos de momento. Possivelmente a alta sociedade londrina não era tão mal como a da ilha; além disso, nessa ocasião não ia estar nas ruas de Kingston só e vestida de menino. Ia apresentar-se em sociedade pelo braço de Edward, e com o respaldo de sua elegante e poderosa família.

Podia fazê-lo, tinha que fazê-lo.

—Não se estranha que Edward te olhe assim — disse Alice com voz suave.

Bella não a ouviu. Aproximou-se da cama, e comentou:

—Só necessito um vestido.

Apesar de suas palavras, agarrou a seda de cor marfim e coral e a apertou contra seu peito com mãos trementes. O tecido era tão formoso, tão feminino… de repente, desejou com todas suas forças ter um vestido feito com aquele tecido. Era o mesmo desejo que tinha sentido pela camisola que tinha esmigalhado a noite anterior.

—Crê que ficará bem? —perguntou a Alice.

—Será a mulher mais bela da sala, e Edward resultará mais que difícil controlar-se. Não vai ter bastante com um só vestido, necessita dúzias.

A Bella custou acreditar que pudesse chegar a necessitar tanta roupa, e também a nova direção que estava tomando sua vida. Possivelmente aquilo era melhor que ser a amante de Edward de Cullen; ao fim, nunca tinha tido um lar estável e seguro. Seu pai e ela tinham lutado para sair adiante em Belle Mer, e sempre se abatia sobre eles o perigo de ter que vender a casa para poder pagar as dívidas.

Seu pai a tinha enganado, mas estaria muito contente por ela se pudesse vê-la e quereria que tivesse uma vida assim.

Quanto a sua mãe, cedo ou tarde acabariam encontrando-se, ela mesma ia encarregar-se disso. E quando chegasse esse dia, sua mãe não veria a filha de um pirata, a não ser a uma dama elegante com um arrumado marido e um lar próprio. Não suspeitaria sequer o muito que a tinha ferido ao rechaçá-la, porque ela manteria a cabeça bem alta e sorriria com tanta elegância como a condessa.

E no referente a Edward… seriam amigos, possivelmente inclusive grandes amigos. Talvez seguisse amando-o durante o resto de sua vida, mas se contentaria fazendo-o a distância, igual a quando o olhava com admiração na ilha. Esperava que com o tempo doesse menos.

Voltou-se para Alice, que estava contemplando uma amostra de cor marfim com raias rosadas, e disse:

—Aconselhe-me, o que deveria escolher?


Lady Harrington, única herdeira da enorme fortuna de sua família, estava sentada em um sofá de veludo dourado no salão de sua espaçosa casa de Greenwich, acompanhada de duas boas amigas, lady Bess Waverly e lady Felicia Capshaw. Era miúda e elegante, e tinha vinte e cinco anos e uns preciosos olhos azuis esverdeado. Levava sua juba loira platina recolhida em um estrito coque passado de moda, mas era o estilo austero que preferia. Apesar do enriquecida que era, levava um vestido azul escuro quase severo, e as únicas joias que pôs eram uns pequenos pingentes e um anel de diamantes, já que não gostava de fazer alarde de sua riqueza.

Em troca, suas amigas usavam vestidos carregados e cheios de adornos. Bess levava um ostentoso colar de rubis que tinha presenteado seu último amante, um conde russo que estava de visita em Londres; por sua parte, Felicia levava uma quantidade de esmeraldas desmesurada para uma jovem viúva, já que estava fazendo ostentação da fortuna que tinha deixado seu defunto marido com a esperança de apanhar um terceiro marido.

Ao que parecia, já tinha um possível candidato, porque tinha passado uma hora falando de um conde de idade avançada que também tinha enviuvado em duas ocasiões, e que a tinha visitado quatro vezes durante aquela semana.

—O que opina querida? —perguntou Felicia com avidez.

Kate sorriu, e disse:

—Quer que te diga o que quer ouvir, ou o que penso realmente?

Felicia se ergueu ainda mais em sua cadeira, e Bess pôs-se a rir e comentou:

—Quer sua aprovação, Kate. Oxalá pudéssemos ser tão indiferentes como você às tentações que nos oferece a vida!

Kate se limitou a sorrir. O comentário não a tinha ofendido, mas não queria que suas amigas soubessem que no fundo teria gostado de ter a mesma atitude volúvel que elas. Quando tinha seis anos, tinha presenciado o brutal assassinato de sua mãe às mãos de uma multidão descontrolada, e embora não recordava nem o acontecido nem os dias prévios, a partir de então tinha aceitado com serenidade todos os embates da vida.

—Você não gosta de lorde Robert, verdade? —disse Felicia, zangada.

Kate lhe deu uns tapinhas na mão.

—Preocupo-me com você, querida. Por que quer voltar a te casar tão logo? Não preferiria selecionar com tempo seu terceiro marido?

—Não sou como você, Kate. Não tenho gelo nas veias. Ou me caso com lorde Robert ou consigo um amante, porque sinto falta da paixão do leito conjugal.

Kate permaneceu impassível. Suas amigas sabiam que era virgem, e não entendiam por que não se casava nem tinha amantes. Cansou-se de tentar explicar que não estava interessada nos homens. Desfrutava de uma vida segura em Harrington Hall, onde se dedicava a cuidar de seu pai, e não necessitava nada mais. Jamais tinha se sentido atraída por nenhum homem. Não era que tivesse preferência pelas mulheres; simplesmente, estava morta tanto em corpo como em alma.

—Sugiro a você que tome um amante, mas com discrição. E desta vez, escolhe melhor.

O segundo marido de sua amiga tinha sido um jovem arrumado, mas impetuoso, que tinha morrido ao tentar saltar uma cerca ao lombo de seu puro sangue.

Justo quando Kate se voltou para Bess, que estava loucamente apaixonada por seu russo apesar de lorde Waverly e dos dois filhos que tinham, o mordomo entrou no salão com um cartão em uma bandeja de prata.

—Minha senhora…

Kate se levantou, e ao tomar o cartão sorriu ao ver que a mulher que tinha estado a ponto de converter-se em sua sogra tinha ido visitá-la. Em outra época, tinha estado prometida a Tyrell de Cullen, mas nenhum dos dois tinha querido formalizar a união. Ele estava apaixonado por sua amante, e tinha acabado casando-se com ela.

Havia se sentido mais que aliviada ao ver que seu pai não insistia em que voltasse a comprometer-se; ao que parecia, tinha entendido por fim que preferia seguir solteira. Apreciava muitíssimo à condessa de Masen, e sabia que o sentimento era mútuo.

—De quem se trata? —perguntou Bess, antes de ficar em pé— Já está tarde, Nicholas está me esperando no Hotel Beverly.

Kate abriu a boca para responder, mas nesse momento viu a condessa aproximando-se pelo corredor acompanhada de um cavalheiro moreno. Surpreendeu-se ao notar que o coração acelerava.

—Há! —Bess sorriu, deu uma cotovelada a Felicia, e sussurrou— É a condessa de Masen, e vem acompanhada de seu arrumado, taciturno e solteiro filho sir Emmett de Land's End. É o amante perfeito para você, Felicia. Ouvi dizer que é muito bom na cama, apesar de que lhe falta uma perna.

—Sempre está muito sério — comentou sua amiga.

—Os sérios são os melhores amantes, querida. Enfim, devo partir sem demora — depois de beijar Kate na bochecha e de saudar a condessa e Emmett, Bess se apressou a ir.

Kate se negou a pensar no que acabava de dizer sua amiga, e se obrigou a sorrir enquanto se adiantava para dar a bem-vinda aos recém chegados, embora tentasse não olhar Emmett de Cullen. Conheciam-se, é obvio, mas tinham trocado apenas uma dúzia de palavras quando ela estava prometida a seu irmão, e sempre com uma cortesia forçada; de fato, sempre se sentia um pouco incômoda ante aquele homem. Era estranho, porque ninguém era capaz de alterá-la.

—Que surpresa mais agradável, Esme — fez uma reverência, em deferência à fila superior da condessa. Esforçou-se por seguir sorrindo ao olhar Emmett, mas não o olhou aos olhos— Alegra-me vê-lo, sir Emmett — era impossível ignorá-lo por completo, já que era um homem corpulento e sólido. Pela extremidade do olho, viu uma coxa musculosa— Recorda a minha boa amiga lady Capshaw? Esteve em Masen comigo durante aquela visita de há tantos anos, mas naquele tempo era lady Greene.

Depois das apresentações de rigor, Kate ordenou ao mordomo que servisse um refrigério, e aproveitou aqueles minutos para recuperar a compostura. A visita da condessa não era muito incomum, mas a presença de seu filho a tinha tomado por surpresa.

Sir Emmett quase nunca estava em Londres; de fato, fazia uns dois anos ou mais que não o via. Perguntou-se se passava todo o tempo em suas propriedades de Cornwall, que lhe tinham concedido junto ao título por seu heroísmo na guerra. Não tinha trocado em nada. Seguia sendo muito corpulento, muito moreno, e em seus olhos ainda se refletia a sombra de alguma terrível carga; apesar de tudo, devia admitir que suas amigas tivessem razão… era muito atrativo.

—É um prazer voltar a vê-lo, sir Emmett — estava dizendo Felicia com paquera— Recordo que nos conhecemos na Irlanda.

Ele assentiu, mas permaneceu sério. Olhou Kate, mas afastou o olhar imediatamente.

—Encantado de voltar a vê-las.

Kate se deu conta de que Felicia ia tentar seduzi-lo. Recordou-se que não lhe importava o mais mínimo, e se apressou a voltar-se para a condessa.

—Desde quando está na cidade?

—Há dois dias. Querida, podemos sair para dar um passeio pelo jardim?

Era óbvio que queria que falassem a sós. Felicia estava perguntando a Emmett quanto tempo levava na cidade, e embora ele respondesse com amabilidade, sua impaciência e sua irritação eram patentes; mesmo assim, pegou-lhe jogando uma olhada ao generoso decote de sua amiga. Não se surpreendeu, já que todos os homens pareciam sentir predileção por Felicia e Bess.

Apesar de que não fazia nenhuma graça deixá-los a sós, tomou Esme pelo braço e a conduziu para a porta que dava ao jardim.

—Emmett foi muito considerado ao lhe acompanhar — se ouviu dizer. Não podia deixar de olhar pela extremidade do olho ao casal. Felicia devia estar mostrando-se encantadora, porque Emmett tinha começado a sorrir com relutância.

—Eu mesma me surpreendi, porque pode chegar a ser um verdadeiro recluso. Nunca vem à cidade, assim vou aproveitar ao máximo. Diz que está muito ocupado em Land's End, e evita os compromissos sociais tudo o que pode. Como está, Kate? E lorde Harrington?

—Papai está bem. Está em Estocolmo, ocupando-se de uns assuntos de negócios. A verdade é que sinto falta dele quando se vai de viagem.

Havia se sentido terrivelmente só até que Bess e Felicia tinham ido visitá-la… bom, o certo era que recebia visitas diariamente, mas apesar de que era muito educada para negar-se às receber, conversar sobre banalidades não aliviava a solidão que a atendia, e que tinha ido acentuando-se com o passar do tempo. Às vezes, ao contemplar às pessoas conversando e rindo em seu salão, era como se estivesse fora de seu próprio corpo, observando a todos e sentindo que não conhecia ninguém, nem sequer a si mesma. E apesar do muito que se alegrava quando seu pai retornava, seguia sentindo-se isolada.

Mas isso era o que sempre tinha querido, não? Seu pai estaria encantado de lhe encontrar um bom marido, mas a aterrava casar-se com um completo desconhecido e ter que passar toda uma vida suportando um matrimônio que era uma farsa.

—Me alegro de que esteja bem — disse a condessa— Como certo, sabia que meu filho Edward está na cidade? Acaba de chegar com uma jovem que está sob sua tutela.

—Edward é tutor de uma moça? Como é possível? —Kate a olhou assombrada. Edward era muito arrumado e mulherengo para ter a tutela de uma jovem.

—Conhecia ao pai de Bella. O homem tinha uma plantação nas ilhas, mas morreu recentemente. Como a mãe de Bella morreu ao dar a luz, decidiu trazê-la com a esperança de que se reunisse com sua família materna, mas parece que não fica ninguém com vida.

—Que horror! No que posso te ajudar?

Esme a puxou pelo braço.

—É um verdadeiro encanto, Kate. Esperávamos que possivelmente pudesse recebê-la, seria sua primeira visita de cortesia — ao ver que não parecia entendê-la, acrescentou— Esperamos que fizesse sua estreia oficial no baile dos Denali, mas como seu pai era mais rufião que cavalheiro, criou-a de uma forma pouco convencional. É uma dama doce e formosa, mas sua educação tem muitas carências.

Kate entendeu ao fim a situação, e disse:

—Eu adorarei recebê-la em minha casa, e me assegurarei de que tudo vá bem. Estou disposta a te ajudar a apresentá-la em sociedade se quiser.

—Obrigado. Tudo isto é muito importante para Edward… e para a senhorita Swan, é obvio. Agradecemos muitíssimo sua ajuda.

—É um prazer.

Kate olhou para o salão, e se surpreendeu ao ver Emmett as observando da janela. Estava sozinho, e parecia bastante tenso. Felicia estava sentada no sofá, e tinha cara de aborrecimento; ao que parecia, Emmett de Cullen não estava interessado em ter uma aventura amorosa com sua amiga.

Apesar de que não era assunto dela, sentiu-se estranhamente aliviada.