Le Femme Musketeers – Era de Ouro
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Ducase, Anjou, D'Arjan e Aaron são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
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Importante!
Dama 9 e amigos incentivam a criatividade e liberdade de expressão, mas não gostamos de COPY CATS. Então, participe dessa causa. Ao ver alguma história ou qualquer outra coisa feita por fã, ser plagiada ou utilizada de forma indevida sem os devidos créditos, Denuncie!
Boa Leitura!
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Capitulo 11: De Sade a Anjou.
.I.
Fazer o bem sem ostentação.
Guardai-vos, não façais as vossas boas obras diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; de outra sorte não tereis a recompensa da mão de vosso Pai, que está nos céus.
Quando, pois, dás a esmola, não faças tocar a trombeta diante de ti, como praticam os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem honrados pelos homens;
Em verdade vos digo que eles já receberam a sua recompensa, mas quando dás a esmola, não saiba a tua mão esquerda o que a tua direita fez;
Fazer o bem sem ostentação tem grande mérito. Esconder a mão que dá é ainda mais meritório, é o sinal incontestável de uma grande superioridade moral.
Aquele que preza mais a aprovação dos homens que a de Deus, prova que tem mais fé nos homens que em Deus e que a vida presente, é mais importante que a vida futura, ou até mesmo que não crê na vida futura.
Fechou o livro, colocando-o sobre o colo; pensativa. Haviam muitas coisas ali que ainda não entendia. E essa passagem era uma dessas. Esse negócio de mão esquerda e mão direita; balançou a cabeça levemente para os lados.
-Você parece preocupada; Leonard falou sentando-se ao lado dela, na mesa.
A única vela acessa da cozinha, iluminava parcamente a mesa onde ela lia. Já passava da meia noite, mas como o sono não chegava, decidira estudar um pouco daquele livro e entender melhor do porque ele causaria tanto frenesi caso caísse em mãos erradas.
-Não, estava só lendo; Aishi respondeu, erguendo o livro para que ele pudesse ver.
-Se eu não soubesse que livro é esse, teria o sermão certo para lhe pregar; ele falou sorrindo ao notar as letras vermelhas como sangue, marcando a capa cor de cobre, onde podia-se ler perfeitamente "Justine".
-Vocês padres com todo esse pudor, quem não conhece os bastidores pode até acreditar que vocês são tão pudicos, que nunca deram uma espiada nas obras de Sade, ou dos Grimm; ela falou dando de ombros.
-Aishi; ele a repreendeu.
-Você sabe que é verdade; ela rebateu.
Suspirou pesadamente, porque aquela criança tinha de ser tão cínica com relação à natureza humana e as pessoas? –ele se perguntou.
-Sei o que esta pensando e sim, tenho ótimos motivos para ser cínica; ela rebateu, como se soubesse o que ele estava pensando. –Mas o que esta fazendo aqui?
-Fiquei até mais tarde arrumando a biblioteca da igreja e não vi que já era tão tarde; Leonard explicou. –E você, o que não esta entendendo? –ele perguntou curioso.
-Isso aqui; ela falou abrindo o livro na pagina ainda marcada por seus dedos.
-Uhn! Fazer o bem sem ostentação. É uma parte interessante; ele comentou.
-Não vejo como, não entendi; ela respondeu frustrada.
-Você não passa a entender o Evangelho da noite para o dia; Leonard falou conciliador. –Tem que ser um passo de cada vez;
-Caso você não tenha notado, não temos muito tempo; ela o lembrou, levemente sarcástica.
-Eu sei; ele respondeu, dando um pesado suspiro. –Mas sei como essas coisas funcionam. Por exemplo, à muito tempo atrás, quando os ensinamentos de nosso Senhor começou a ser pregado, muitos fizeram oposição, por não compreenderem as leis de amor e caridade; ele explicou.
-Não duvido, eu tampouco aceitaria que um rufião aparecesse do nada, quebrando todos os paradigmas que cresci aprendendo e querendo que eu aceite algo totalmente estranho como verdade absoluta; ela falou referindo-se ao Imperador Constantino, que no ano de 375 d. C. instaurara o cristianismo no mundo, querendo abolir completamente as culturas que tinham a mitologia por religião, tentando inibir séculos de aprendizado, principalmente na Grécia, Egito e Etiópia.
-Não falou apenas por isso; Leonard explicou. –Antigamente o povo do norte vivia sobre um código de conduta, escrito a sangue. Era olho por olho, dente por dente. Eles acreditavam em deuses que comandavam os raios, mulheres que corriam pelos céus em cavalos alados e árvores de maçãs de ouro; ele falou como se tais coisas fossem impossíveis de existir.
-Eles cresceram acreditando nisso, por viverem nos países do norte, onde o frio era intenso demais, eles eram obrigados a arriscar-se por outros mares, saqueando e pilhando como piratas se quisessem sobreviver. Antes que você fale, não... Isso não é uma desculpa para as atrocidades que eles faziam no caminho. Mas acredito, que mudança alguma é bem vista quando surgida do nada e forjada na imposição e no medo;
-Claro, mas não foi uma época fácil, foi muito difícil conter a barbárie e as matanças deliberadas. Fazê-los entender naquele tempo que existia um Deus que desejava acabar com a dor e sofrimento dos povos, que as mortes não eram necessárias, levou tendo e dedicação, como o que temos diante de nós agora;
-...; ela assentiu concordando.
-Mas esses ensinamentos não são difíceis de entender se você ler com atenção; ele falou vendo-a arquear a sobrancelha e lançar-lhe um olhar enviesado. –Calma, vou lhe explicar melhor; ele falou antes de abrir o livro em outra pagina e começar a dar-lhe outros exemplos. –Tudo é uma questão de paciência; ele salientou.
.II.
A noite já havia caído, todos estavam reunidos em Versalhes, menos ele, obviamente. Atravessou as alamedas, optando por andar a pé, do que a cavalo, o que chamaria mais a atenção.
A casa que buscava ficava a apenas duas quadras da sua. Kamus provavelmente reprovaria sua decisão de tomar as rédeas da situação por conta própria, mas o amigo não tinha como saber daquilo no momento, muito menos que não estava disposto a esperar Aldebaran voltar da Inglaterra com as informações que queriam; ele pensou.
Só esperava que nada desse errado, ou do contrario, teria muitos problemas, principalmente para explicar sua "insubordinação" a Kamus depois.
-o-o-o-o-o-
Alongou os braços para cima, vendo a chama da vela começar a se extinguir. Levantou-se da escrivaninha e decidiu descer até o deposito na cozinha, onde encontraria outras velas.
Normalmente pedia as criadas que deixassem velas de reserva em seu quarto, mas provavelmente com a correria do dia, haviam se esquecido.
Suspirou cansada, a saia de algodão e a camisa de cambraia eram incrivelmente confortáveis, pena que não pudesse usá-las o tempo todo, mas também não reclamava das calças compridas que facilitavam incrivelmente sua vida.
Se alguém lhe visse agora, jamais a reconheceria como Christian D'Anjou, pelo contrario, provavelmente pensariam que era mais uma das criadas da casa; Angel pensou com um fino sorriso nos lábios.
Pegou o castiçal com o que restara da vela e começou a descer as escadas. Estava prestes a chegar na cozinha quando ouviu um barulho estranho. Franziu o cenho, todos os criados já deveriam estar em seus quartos, num alojamento que fixava nos fundos da mansão.
Era totalmente contra o uso do sótão e do porão como dormitório. Ambos os cômodos eram muito frios e úmidos. Por isso, quando se mudara para aquela casa, mandara construir o alojamento.
Assoprou a vela, deixando-se mergulhar na escuridão e com o mínimo de barulho possível, esgueirou-se para a cozinha. Lá encontrou alguém inclinado sobre a mesa, parecendo resmungar alguma coisa.
A cesta de queijo e pães sobre a mesa estava descoberta, provavelmente seu ilustre visitante estava com fome; ela pensou, lembrando-se em seguida que Micha, a cozinha havia lhe alertado para não tocar na cesta, não lembrava-se direito o porque, mas era algo relacionado a um "bichinho safado e trapaceiro" que estava assaltando a cozinha a noite. Na hora pensou que ela se referia a algum rato.
-Micha não vai gostar disso; Angel falou fazendo o estranho assustar-se e recuar rapidamente, derrubando a cadeira no chão.
-Merd! – ele resmungou.
-Os tesouros da família não estão nessa propriedade, se é por eles que estava buscando quando entrou aqui; a jovem falou calmamente.
-Eu não... Não era essa a intenção; Shura falou dando um pesado suspiro. E agora? Fora pego em flagrante, o pior de tudo, não tinha nem como sair dali sem alertar mais ninguém, não com aquela ratoeira presa em seus quatro dedos.
-Então o que faz aqui? –Angel indagou, franzindo o cenho diante do sotaque familiar.
-Eu, bem... Você trabalha aqui à muito tempo? –ele indagou mudando de assunto.
-Porque quer saber? – ela perguntou aproximando-se, mas estancou ao vê-lo sobre a luz difusa da janela. Com mil demônios, o que ele estava fazendo ali?
-Seu patrão esta sob vigilância da coroa; Shura explicou.
-Não vai conseguir nada aqui senhor. Todos nós somos fieis a lorde D'Anjou; Angel falou contendo um rosnado. Já havia desconfiado disso algum tempo, mas ter certeza era outra história. Por sorte seu tio já tomara as devidas precauções de despistar qualquer um que surgisse em Londres lhe procurando. Entretanto, essa curiosidade dos outros mosqueteiros poderia colocar a missão da Red Eyes em risco.
-É difícil conseguir empregados assim, hoje em dia; ele falou casualmente, enquanto tentava puxar a mão e soltá-la da armadilha, mas parecia que ela apertava-se cada vez mais em seus dedos.
-Agora que já comprovou isso, pode ir embora, meu patrão não vai gostar de saber que temos um invasor na casa; Angel falou passou por ele para abrir a porta, mas foi puxada para trás pelo mosqueteiro que lhe segurou o braço.
-Por favor; ele sussurrou em seu ouvido, fazendo-a estremecer ao sentir o calor de sua mão marcando a pele fina do braço.
-O q-que qu-er...; ela balbuciou, confusa com a própria reação.
-Pode me ajudar? –Shura indagou, sentindo o coração bater na garganta. Droga! Nunca nenhuma mulher lhe causara um efeito tão devastador quanto aquele. Seus instintos diziam que invadir a casa de Dionísio D'Anjou era encrenca, mas fora orgulhoso demais para admitir e mudar de idéia, agora veja aonde se encontrava?
-Uhn? -Angel murmurou, voltando-se cautelosa para ele, mas notou o mosqueteiro indicar a mão presa ainda à mesa, onde Micha havia fixado a ratoeira. –Oh! Isso; ela murmurou. –Fique ai, não se mexa; ela falou afastando-se.
Entrou no deposito e encontrou as velas que precisava e acendeu uma delas com o que restara de uma brasa no fogão de lenha. Aproximou-se do mosqueteiro agora enxergando melhor o mecanismo da armadilha. Prendeu a respiração ao ver algumas gotas de sangue escorrendo pelo pulso.
Com cuidado para não feri-lo mais, soltou os dentes da armadilha que haviam se cravado sobre a pele dele, deixou-a de lado e pegou um recipiente com água, álcool e uma pedra de sabão.
-Obrigado; ele murmurou aliviado.
-Continue assim, precisamos cuidar disso antes que piore; ela falou voltando até a mesa e mandando-o se sentar. –Me de a mão aqui;
-O que vai fazer? –Shura perguntou cauteloso, para em seguida conter um gemido quando ela mergulhou sua mão no recipiente de água. Sentiu todos os locais feridos latejarem ao mesmo tempo.
Um dia havia ouvido de alguém, que dois lugares não podem doer ao mesmo tempo, mas a pessoa que disse isso, provavelmente não tinha a mão "mordida" por uma armadilha, como a sua; ele pensou.
-É preciso limpar e desinfetar o machucado, ou você pode perder a mão por causa disso; ela salientou.
-Mas...;
-Xiiiii; Angel sussurrou, cortando-a ao tocar-lhe os lábios com a ponta do indicador. Passou o sabão pela mão do mosqueteiro, sentindo-o tentar recuar, mas conter-se para evitar a dor. –Onde estava com a cabeça para colocar a mão na ratoeira? –ela indagou quebrando o silêncio.
-Quando entrei, tropecei em alguma coisa. Para não cair coloquei a mão na mesa, mas...; ele explicou, indicando o caminho percorrido e a mesa onde em volta da cesta, existiam mais três ratoeiras ainda armadas. –Parece que seria melhor ter caído; ele completou.
-Ou nem ter vindo aqui; Angel ressaltou.
-Se eu não tivesse vindo, jamais conheceria a senhorita; ele falou galanteador, quando ela começou a secar sua mão e a fazer o curativo.
-Idiota pretensioso; ela resmungou em meio a um rosnado, enquanto puxava o lenço que prendia os cabelos e enrolava na mão dele.
-Como disse? –Shura indagou, contendo um gemido de dor quando ela apertou com força o laço do lenço em sua mão, pressionando o ferimento.
-Lave todos os dias e evite contato com poeira, em cinco dias mais ou menos estará cicatrizado; Angel falou, tentando parecer o mais natural possível.
-Obrigado; ele falou se levantando. –Como posso agradecê-la?
-Não precisa fazer nada, mas é melhor ir embora logo, alguém pode vê-lo aqui; ela falou.
-...; ele assentiu, seguindo-a até a porta, mas deteve-se. -Venha comigo; o mosqueteiro falou, voltando-se para ela, segurando-lhe as mãos entre as suas.
-O que? –ela quase gritou.
-Isso; ele falou, agora mais convicto daquilo que estava propondo. –Venha para casa comigo, você não precisa trabalhar mais aqui;
-Não creio que estou entendendo; Angel falou confusa, provavelmente nem ele sabia ao certo o que estava falando.
-Moro a algumas quadras daqui; o mosqueteiro continuou, fitando a jovem embevecido.
Embora ela estivesse de costas para a chama da vela, que queimava sobre mesa, podia enxergar bem a face alva e rosada. Ela não era como as damas da corte, empoadas de maquiagens e pó de arroz, totalmente artificial por baixo de uma mascara.
Suas mAos não eram lisas, pelo contrario, sentira-as um pouco ásperas e marcadas pelo trabalho, mas nem por isso deixavam de ser delicadas e capazes de lhe levar a loucura num rompante de paixão. Os amigos o chamariam de louco, mas essa era a primeira vez que realmente pensava em tomar uma mulher por amante, em vez de simplesmente ter um caso rápido, como ocasionalmente se permitia, quando suas responsabilidades administrativas diminuíam.
-Ahn! Ainda não sei do que esta falando, mas a resposta é não; Angel o cortou, puxando as mãos com força, pra se soltar.
-Poderia dar certo; ele falou aproximando-se ao vê-la recuar.
-Vá embora, antes q-...; as palavras morreram em sua garganta, quando ele enlaçou-lhe pela cintura, puxando-a contra o peito forte e selando seus lábios.
Debateu-se, tentando se soltar, como se disso dependesse sua vida, mas no momento que suas mãos tocaram o peito dele e pode sentir o coração agitado pulsar em sua mão, seu corpo traidor se rebelou, amolecendo e entregando-se por completo.
Aquilo era um erro, o maior de sua vida provavelmente, mas era tão bom; ela pensou, ofegando ao senti-lo acariciar-lhe os cabelos e estreitá-la em seu abraço.
-Eu não disse; ele sussurrou entre seus lábios, sentindo a respiração descompassada, chocar-se contra a face enrubescida.
-O que? –ela balbuciou com a voz enrouquecida.
-Venha comigo, como minha amante poderá desfrutar de privilégios que jamais terá aqui; ele sugeriu com um sorriso tentador.
-Amante; Angel sussurrou, compreendendo por fim aonde ele queria chegar.
-Confesso que nunca ofereci isso à outra e-...;
-Espera realmente que me sinta lisonjeada por isso? –ela indagou furiosa, empurrando-o para longe de si.
-Mas é cl-...;
-Angel; uma voz ao longe a chamou.
-Droga! Fora daqui; ela exasperou. Se Juliana estava em casa, provavelmente Aisty e Kamus deveriam estar por ali ainda.
-Seu nome é Angel; ele falou, enquanto ela arrastava-o em direção a porta.
-Não interessa, vá embora; Angel exasperou, quase fazendo-o passar pelo batente, mas nesse instante, o mosqueteiro segurou na porta, impedindo-se de ir mais para a frente. -Grrrrrrrr, inferno, saia logo daqui;
-Quando posso vê-la de novo? –ele perguntou.
-Nunca; ela respondeu furiosa, ouvindo os passos de Juliana cada vez mais perto.
-Tenho de vê-la novamente; ele falou voltando-se para ela.
Que idiota pretensioso, quem ele pensa que é? –ela se perguntou irritada, a ponto de cometer uma loucura, que era gritar para James vir expulsá-lo a ponta pés dali, mas para isso, precisaria explicar o estava fazendo, andando vestida de mulher pela casa.
-Ande logo; a jovem exasperou, mas estancou quando ele deu-lhe um rápido beijo, desarmando-a momentaneamente.
-Amanhã a noite, no jardim dos fundos, nessa mesma hora; Shura sussurrou entre seus lábios. –Espero você... Angel; ele falou antes de afastar-se e fechar a porta em seguida.
-Finalmente; Juliana falou entrando na cozinha. –Angel; ela falou ao avistá-la em frente a porta fechada. –Angel; ela chamou novamente.
-Uhn? –a jovem respondeu distraída.
-O que esta fazendo aqui? –Juliana perguntou, vendo-a aproximar-se da mesa e começar a armar uma ratoeira.
-Desci para pegar mais velas; Angel respondeu ainda processando tudo que acontecera.
-Esta escrevendo de novo? –a jovem indagou com os orbes cintilando.
-Comecei a esboçar algo; ela respondeu dando de ombros.
-Posso ver? –Juliana indagou ansiosa. –Me diz, tem alguma bastante picante e obscena? –ela indagou, puxando-a consigo em direção as escadas.
-Ju; Angel reclamou, ao ser arrastada.
-Vamos! Vamos! Você me mostra o que esta escrevendo de novo e eu te conto o que aconteceu em Versalhes; ela barganhou.
-De qualquer forma você tem que me contar o que aconteceu mesmo; Angel falou entrando no quarto e começando a recolher as folhas que deixara prontas antes de descer.
-Uhn! Assim não tem graça; ela resmungou, fazendo um biquinho amuado.
-Esta bem, mas não hoje, ainda estou terminando uma cena importante; Angel respondeu dando-se por vencida, afinal, ultimamente Juliana vinha ajudando-a a revisar as páginas que terminava e palpitando aqui e ali, quando sentia que alguma coisa não estava de acordo.
Diferente de Sade, a quem usara de exemplo inicialmente, estava decidia a escrever um livro de mulher para mulheres. Estava cansada de ir a biblioteca central em busca de livros para pesquisas e sempre lhe mandarem para a biblioteca circulante, reservada as damas, que por sinal, estavam repletas de livros de Byron, Shakespeare e outros romances água com açúcar.
Não era a toa que o mundo estava repleto de mulheres frustradas, com amantes, tão ou mais patéticos que elas. Esses burgueses, tão cheios de si. Como o mosqueteiro mesmo. Grrrrrrrr, aquele bastardo trapaceiro, tivera a pachorra de lhe "intimar" para ser sua amante. Sim, fora exatamente isso que ele fizera e insistira, quando lhe dissera não.
Por isso os livros, era uma forma de ir contra os ditames da sociedade que impediam as mulheres de conhecerem determinados livros e viverem na ignorância, enquanto os homens, que tinham acesso ilimitado a eles, não soubessem nem ao menos como usá-lo; ela pensou ainda mais irritada, ao lembrar-se dos rumores que ouvira na biblioteca, de um livro indiano que chegara a pouco tempo ao acervo e que os homens só o estavam disputando, porque era repleto de gravuras, porque se fosse um livro comum, era esperar sentado que eles lessem.
Provavelmente ficaria anos guardado na prateleira, juntando mofo e umidade.
-Sobre o que é essa história? –Juliana indagou.
A pouco mais de um ano havia lançado um livro que causara verdadeiro furor entre as mulheres de Paris, por intermédio de um representante, recebia varias cartas de leitores pedindo mais histórias. Tinha outros dois livros prontos para lançamento, mas como o retorno de Ducase e os problemas com Vincent, tivera de frear o trabalho.
-Você vai ter de esperar até amanhã, como eu disse. Agora me conte o que acontece; ela insistiu mudando de assunto.
-Já que não tem outro jeito; ela resmungou dando-se por vencida.
Sim, amanha lhe mostraria o livro, mas também, teria de dar um jeito de livrar-se do mosqueteiro, algo lhe dizia que ele não ia desistir e com isso, poderia lhe causar problemas demais; a jovem pensou.
Continua...
Domo pessoal
Espero sinceramente que tenham curtido o episódio, desculpem a demora para atualizar todas as fics, essa semana quero ver se coloco tudo em dia.
Ademais, agradeço a todos pelos reviews e obrigada por acompanharem as histórias.
Margarida, fofa vc me perguntou da Angel no capitulo passado, e agora? Deu pra ver onde ela estava? rsrsrs
bjs a todos, até a próxima
Dama 9
