N/A: Ok, gente, eu sei que eu sou má, que eu demorei um milênio para postar... Mas vocês tem que me dar um desconto: estávamos ainda tendo aulas até o dia 15, e eu simplesmente não agüento mais!!!! Além disto, eu fui atacada por um surto de bloqueio mental, e... Ah, deixa pra lá. O fato é que, eu estou aqui, fugindo das minhas aulas da tarde, ao lado da minha amiga Julia, (que deve estar morrendo de tédio enquanto eu escrevo), ouvindo Nightwish e...
Julia: Olá pessoas felizes!!!
Autora: Bem, esta aqui é a Julia, minha amiga/clone (todo mundo acha que nós somos irmãs), e...
Julia: Olinda fede!!!! Herr Put... Digo, Peter, fede também , e a Tânia, e o Tio Peru, e a Tia Porca da Escada, e a Maristela, e o Martin, e Psorinha!!! Aulas fedem!!! EU QUERO FÉRIAS!!!
A: Calma, calma, não precisa se empolgar...
Julia: Eu só estava aproveitando espaço na mídia .
A: Ok, ok... �' ¶ vocês verem o tipo de amigas que eu tenho... &
Mas, voltando à fic, vamos responder as rewiews...
Rewiews:
Lilli Evans: Yeeeeah! A primeira a comentar!!! Bem, a sua sugestão foi registrada... E eu também ri feito uma louca... Como eu já disse, os meus pais até acharam que eu tava pirando de vez... ( o que eu nem duvido que seja verdade) XDDDDD
PatyAnjinha: O caso dela é grave... Eu acho que ela devia estar de TPM mesmo XP... Nossa, duas rewiews já no primeiro dia!!! Eu estou explodindo de felicidade aqui!!!
Nossa, isso aqui merece ser comentado: EU CHEGUEI A 100 REWIEWS!!!! ( autora pulando de alegria, sem conseguir se conter) eu amo vocês todos, e é por causa de vocês que a fic continua... E espero que vocês continuem gostando e comentando a fic!!! (mas isso não significa que eu não vá continuar a responder às rewiews do mesmo jeito que antes, heh!!!)
Juliana Montez: Nossa, e eu pensando que vocês não iam gostar tanto deste capítulo... Bem, eu vou anotar a sua sugestão, e colocar um pouquinho mais do Sirius neste capítulo (mas, afinal, a Lily não descreve muito o que o Sirius faz porque só tem olhos para o Tiaguito dela... HUAHUAUHAU)
Mile Evans: Realmente, a Lily tem MUITA sorte de ter alguém tão fofo como o Tiago atrás dela... E espero que você tenha se animado com este capítulo (afinal, já tem a VNMEATE para fazer todos chorarem...)
G-Lily P. : Caramba, que rewiew ENORME!!! Eu amei muito ela!!! E, realmente, eu me inspirei nos piás lá do suíço para a cena do chazão... Mas eu acho que o Tiago e o Sirius são bem mais bonitos que o Elfo-Ferrrnando (como andam chamando ele), e quanto ao caso do (a) Tereza... Ah, sem comentários... Nossa, e eu quero que você fique tagarela mais vezes, seria ótimo!!!!
UsAkO-ChIi: Tudo bem, eu te perdôo!!! O importante é que você voltou a comentar!!! E, pode ter certeza, eu tento o máximo possível atualizar o mais rápido possíve!!! ( o que eu estou fazendo agora, né...)
Gabi Potter: Realmente, o "como você OUSA" já está ficando a marca registrada da Lily... E, das muitas coisas que ela não enxerga (como o fato de amar o Potter), o orgulho é uma das maiores...
Carol Evans: Puxa, desse jeito eu vou ter que postar beeem mais cedo mesmo, senão vão acabar me linchando por aqui (tranca a porta e a janela, com uma cara amedrontada)
Giulinha Black: Nossa, até para Ele você está pedindo que eu atualize... Eu devo estar sendo relapsa mesmo!!! E, sobre a Lily ser idiota, eu concordo parcialmente... Afinal, um dia ela se toca e eles acabam ficando juntos, não é!?!?
Nicki: Credo, eu acho que TODAS as rewiews que eu recebi me dizem para postar mais rápido... Mas eu também tenho que comer, dormir e ir para a escola, sabe... (sem contar os bilans da vida...)
Fernando Miaise: Yeah!!! Pelo menos você não está prestes a me esganar se eu não atualizar mais rápido, como estas loucas psicopatas aí �'
Pikena: Que ótimo que você gostou deste capítulo (eu também me matei de rir quando escrevi a cena do Snape levando chazão...)
(a)rtemis (eu acho que teria um "a") Bem vinda!!! Bem, eu também adoro imaginar o nosso lobinho sem camisa (sim, eu posso não demonstrar muito, mas sou 100 fã dele...) E eu também já vi muitos "chazões" por aí... Os meninos da minha turma que o digam... �'
Pandora: (nossa, June,eu ainda não descobri quem é você) Hauhauahuauhhua... Tadinha da Gi... E adivinha de que os piás da nossa sala eu tirei a idéia de fazer isso?? O.o Ahuauhauhauh
Kah: Nossa, você consegue voltar à sanidade??? Admiro seu autocontrole... Já eu... Bem eu nem sei quando tive uma mente sã... Que bom que você gostou!!!
Lily Potter Black: Olha, você pode ter certeza que eles vão ficar juntos no final... Mas até lá, acho que eu ainda vou me divertir um pouquinho com a Lily (som do fantasma da ópera ao fundo, acompanhado de uma risada maquiavélica da autora
Tainah: Realmente, a Lily complica tudo... Por isso que deve demorar para ela se tocar que o nosso Tiaguito é simplesmente irresistível...
Pampamramrampam: Bem, por sua sorte, você foi ler a fic perto da época de atualizações... Mas sabe como é, sou estudante, e as provas de final de ano são fogo!!! Agora, como a Lily pode ser tão estourada... É melhor perguntar pra ela!!! (pessoalmente, se eu tivesse um Tiaguito lindo assim, ele que se cuidasse... Ah sim, e espero que você continue comentando!!!
Alexandra: Huahuahuahauhau... Nossa, adorei a sua modificação do Green Day... "I said waaaarning,caaause Potter is cooming...!" Agora você vai entender quando aconteceu aquela frase que eu te passei no MSN...
Bem, pessoal, quanto ao tamanho dos capítulos, a votação foi unânime: Com a exceção de um voto, todos os leitores votaram por capítulos longos e beeeeeeeeem detalhados. Eu particularmente os prefiro também, pois aí eu posso elaborar a "trama" e a cadeia de acontecimentos, podendo mudar coisas e revisar tudo melhor. De qualquer jeito, este capítulo agora é quase só para "encher lingüiça", para o mês de Outubro não passar em branco... Hehehh... Mas, adivinhem só... Para compensar toda a espera, este capítulo ficou simplesmente GIGAAAAAANTE!!!
E então, parando com a enrolação toda, Senhoras e Senhores, aqui vai o próximo capítulo!!!!
11- Hogsmeade à lá Marotos
Hogsmeade seria uma pequena vila, nada mais, a não ser por alguns pequenos detalhes: é um dos únicos povoados totalmente bruxo da Grã Bretanha, e, além do mais, é o local de visitas dos estudantes acima do terceiro ano em Hogwarts, que vão para lá todo fim-de-semana.
Este meu fim de semana também seria um fim de semana normal em Hogsmeade, nada mais, se também não fossem por "pequenos" detalhes. Normalmente, eu passaria o dia com Nicki, olhando as lojas e reabastecendo meus estoques de pergaminhos e tinteiros (coisas que, acredite, eu uso muito), comprando alguns livros que me interessem, ou eventualmente dando uma passadinha na Dedosdemel, para comprar alguns doces. Pois bem, hoje não pode acontecer coisa mais... Digamos... Diferente.
Você realmente vai ficar pasmo, Diário (isso é, se diários conseguem ficar pasmos sendo de papel), mas eu fiz uma coisa que eu nunca imaginei que eu faria na minha vida: Eu passei o dia inteiro na companhia quase exclusivamente dos Marotos. Ok, ok, eu não tenho nada contra o Pettigrew, e Remo é um grande amigo meu, mas agora... Ficar um dia inteiro na companhia de Sirius Black, o maior garanhão de Hogwarts e um famoso encrenqueiro já não é a melhor coisa do mundo, mas a coisa mais absurda, mais utópica, improvável e inacreditável, a coisa que nem a mais tapada das criaturas deste planeta acreditaria, o acontecimento mais doido, mais... Ah, diário, eu realmente não consigo encontrar mais adjetivos que possam denominar o que aconteceu: eu passei um dia inteiro, praticamente, na companhia de certo ser desprezível, que atende pelo nome de Tiago Potter. Isso mesmo diário. Um dia inteiro com Potter. Eu realmente achei que não ia agüentar tamanha provação à minha paciência... E, você vai ficar mais pasmo ainda, diário, mas eu posso até dizer que isto foi só o começo. Neste fim de semana, eu passei pelas experiências mais doidas, e até traumatizantes da minha vida, mas, levando todos os acontecimentos daquele fim de semana em conta, se os encararmos de uma forma positiva, eu poderia dizer que foi bem... Instrutivo.
Por incrível que pareça, eu aprendi várias coisas lá, e também refresquei minha memória quanto a coisas que tinham sido esquecidas... Mas, eu devo dizer que, inegavelmente, aqueles dias foram um dos dias mais doidos pelos quais eu já passei, e, pode acreditar, isto não é pouco. Se você não acredita, Diário, veja por você mesmo:
Hoje de manhã, quando acordei, não parecia que aquele dia seria totalmente pirado: o céu estava quase limpo, com apenas algumas pequenas nuvenzinhas no céu, e raios mornos de sol penetravam pela janela, iluminando o dormitório. Sentindo-me bem pela boa noite de sono que eu tivera, eu acordei realmente bem-humorada. As outras meninas ainda dormiam, afinal, estávamos falando de um Sábado, e pessoas normais não costumam acordar cedo em sábados. Eu normalmente dormiria até um pouquinho mais tarde, e, de fato, eu tinha dormido pelo menos uma meia hora a mais do que é o meu costume nos dias normais, mas, uma vez que eu tivesse aberto os olhos, não adiantava mais tentar dormir de novo. Depois de me espreguiçar demoradamente, eu finalmente me levantei e fui até a janela, para apreciar os jardins cobertos de orvalho. Assim que eu abri a janela, o ar fresco da manhã penetrou o dormitório, e eu me senti excepcionalmente bem ao contemplar os jardins bem-cuidados, e o lago, cuja superfície estava cristalina. Por um momento, eu fiquei lá, fitando os jardins distraidamente, até que eu senti um toque no meu ombro. - sobressaltada, eu me virei, para dar de cara com Ludmilla, que aparentemente tinha se levantado silenciosamente. Seus belos cabelos castanhos estavam emaranhados, e tinha discretas olheiras sob os olhos, mas mesmo assim ela parecia realmente bonita.
-Tão cedo e já acordada, Lily?
-Olha quem fala... - disse eu, rindo brevemente. – que eu saiba não sou eu a última a acordar, não é? – ela sorriu, e debruçou-se na janela, respirando profundamente o ar matutino.
-Eu tenho certeza que hoje vamos ter um lindo dia – disse ela, contemplando o céu com um leve sorriso no rosto. – e depois, virando-se para mim abruptamente, ela disse:
-Você parece diferente hoje... – ela me olhava de alto a baixo – mais leve, até mais bonita.
-Eu só acordei de bom-humor hoje... - disse eu, indo pegar minhas roupas.
-Olha, você bem que poderia acordar mais vezes de bom humor... Você não tem idéia de como você muda quando não está bufando e espumando de raiva...
-Ludmilla Collins, você está insinuando que eu estou sempre de mau-humor???- disse eu, colocando as mãos na cintura e franzindo o cenho, fingindo indignação.
-Olha lá, já começou - disse ela, enquanto alcançava a escova na penteadeira ao seu lado, e começava a pentear seu lindo cabelo. – Mas, afinal, tem algum motivo especial para estar feliz hoje?
-Não sei, eu simplesmente estou feliz...
-... Ou será que alguém especial te convidou para ir à Hogsmeade hoje?
- O QUÊ?!?!- de um salto, eu me virei para Ludmilla, totalmente surpresa.
-Hogsmeade, Lily... Você não viu o aviso no mural do Salão Comunal? – Ludmilla estreitou os olhos em minha direção. – Não vá me dizer que você não sabia!
-Pelos dragões da montanha, eu tinha me esquecido – disse eu, coçando a cabeça – acho que eu cheguei a ver o aviso, mas tinha esquecido que era hoje...
Por alguns minutos, nós ficamos em silêncio. Ludmilla começou a acordar as outras garotas, enquanto fui tomar um banho, antes que o banheiro fosse interditado por Megarah.
Embaixo do chuveiro, as palavras de Ludmilla ecoavam na minha cabeça: Será que alguém especial te convidou para ir a Hogsmeade hoje? Hogsmeade... Convidar para sair... Eu estava com uma sensação estranha, como se alguma coisa estivesse faltando... E, de repente, eu me lembrei o que era: Potter. Ele não tinha me feito nada desta vez... E justamente este era o problema. Ele andava muito quieto ultimamente... Nenhum flagrante com ele azarando alguém... Somente cinco detenções em quinze dias... E, por incrível que pareça, nenhum, isso mesmo, nenhum convite retardado para sair com ele!!! Eu estivera tão preocupada com as tarefas da monitoria e os trabalhos que os professores nos passavam que nem tinha notado que ele não dissera "Quer sair comigo, Lily?" nem uma só vez desde que começamos o sétimo ano! Obviamente eu deveria estar feliz com esta constatação, mas, estranhamente, eu não conseguia parar de pensar no que o fizera mudar sua atitude repentinamente. Afinal, ano passado, eu tinha contado quantas vezes ele me pedia para sair, e o resultado no final do ano foi espantoso: Ele tinha me pedido exatamente 536 vezes para sair com ele, ou seja, bem mais de uma vez por dia, e agora... Ele simplesmente não tinha me convidado para sair... Isto é muito, muito estranho mesmo... Eu pensei, enquanto fechava a torneira e me enrolava na toalha.
Eu estava extremamente quieta no café da manhã, ainda pensando no porquê de Potter não ter me chamado uma única vez para sair com ele. Tudo bem que ele era arrogante, insuportável, chato e muitos outros adjetivos depreciativos, mas ainda sim eu estava achando tudo aquilo muito estranho... Não que eu sentisse falta disso, mas é claro!!!
-Lily, aconteceu alguma coisa? Você está tão quieta hoje... – Nicki estivera o café da manhã inteiro olhando longamente a mesa da Corvinal, mas, como minha melhor amiga, não pode deixar de notar o meu silêncio.
- Não aconteceu nada, eu estou só pensando...
- E o que está te preocupando? – ela largou a colher no prato e me encarou com seus grandes olhos castanhos, e, diante de tal olhar, eu não podia mentir. Eu contei a ela sobre Potter e a ausência de seus pedidos para sair, e, como eu previa, ela caiu na risada.
-Então você admite que sente falta deles, não é...
-NÃO!!- eu gritei, ao me defender, batendo a mão na mesa com tanta força que diversas pessoas começaram a nos olhar, possivelmente esperando por mais uma explosão de minha parte. – Não! – disse eu, desta vez em um tom aceitável. – eu NÃO sinto falta dele, eu só achei estranho...
-Sei, sei... – Nicki me olhou, incrédula, e já ia acrescentar mais alguma coisa quando, de repente os quatro Marotos chegaram, fazendo o estardalhaço de sempre, ainda mais animados ante a perspectiva de ir à Hogsmeade.
-É falar no diabo! – disse Nicki, cumprimentando os Marotos com um aceno de cabeça – e aí, como vão vocês?
-Muitíssimo bem, minha cara Nicki – Sirius Black fez uma reverência cômica para minha amiga antes de se sentar ao lado dela.
-Bom dia, Lily, minha flor, sonhou comigo?- Potter sentou-se a minha frente, sorrindo sonsamente para mim.
-É Evans pra você - disse eu, seca. - e só se fossem pesadelos para eu sonhar com você, Potter.
-Que ótimo jeito de começar a manhã – Remo me deu um sorriso sarcástico, erguendo as sobrancelhas, quando se sentou ao lado de Tiago.
-Bom dia pra você também, Remo... - eu respondi, como se nada tivesse ouvido – e desde quando você é sarcástico?
Remo simplesmente sacudiu os ombros, e começou a atacar as torradas a sua frente. Ele parecia bem, já que a próxima lua cheia não estava tão perto, mas havia uma pequena cicatriz acima de sua sobrancelha, onde ele devia ter se arranhado mais seriamente na lua cheia anterior.
Pettigrew, o garoto gordinho que sempre acompanhava os marotos, nos cumprimentou com um aceno de cabeça, e tratou logo de amontoar comida em seu prato e começar a comer vorazmente.
- Maix já taffa na ho'a de deixxxa'em a xxxenthi i p'a Hogxxxmea'!- Sirius falava de boca cheia, brandindo uma torrada cheia de geléia no ar.
Eu não entendi bulhufas do que ele disse, mas os outros Marotos pareceram compreender, pois balançaram a cabeça afirmativamente. Vendo a minha confusão, Remo explicou:
-Ele disse que já estava na hora de deixarem a gente ir à Hogsmeade...
- Maixxx e, e'ixx ...
-É mal educado falar com a boca cheia, sabia? – eu já estava começando a me irritar com o garoto. Rapidamente, Black engoliu o que estava mastigando.
-Foi mal, Lily... Mas já estamos no meio de outubro!!! Bem que eles podiam ter nos deixado ir antes...
-Ora, mas pelo menos deixaram!- finalmente, Pettigrew se manifestou. – e vamos aproveitar o dia que temos!
Depois disto, seguiu-se um silêncio, o que, em minha opinião, era, no mínimo, suspeito. Eu podia ver no rosto de Nicki e de Remo que havia alguma coisa no ar, e eu já ia perguntar o que estava acontecendo, quando, de repente, centenas de corujas prorromperam pelo salão, sobressaltando alguns alunos distraídos. De longe eu pude notar um borrão negro e enorme, do qual as outras corujas pareciam se desviar, indignadas. Quase atropelando uma coruja castanha que estava em seu caminho, Angus, meu enorme corujão, veio orgulhoso em minha direção, atraindo olhares curiosos de muita gente. Com uma suavidade que qualquer pessoa julgaria impossível em uma coruja daquele porte, ele pousou em meu ombro, piando com satisfação. Ele não trazia nenhum bilhete em sua perna, mas mesmo assim gostava de me "visitar" de vez em quando, para comer alguma coisinha do meu prato ou simplesmente ser afagado e mimado por mim e, eventualmente, por Nicki. E aquele dia não foi exceção: logo que chegou, ele já tratou de bicar um pouco de torrada que estava em cima da mesa... Mas, por acaso, ele tinha decidido bicar justamente a torrada de Potter, que não ficou nada feliz em ver o meu corujão.
Já é conhecido o fato de Potter simplesmente detestar Angus, assim como Angus simplesmente não o suporta e, com o último ataque que Potter sofreu no meu aniversário, a hostilidade dos dois só aumentou.
- Lily, dá pra tirar o seu monstrenguinho daqui?? Eu estou tentando tomar café... - disse ele, mal humorado, tentando espantar Angus com a mão, mas sem sucesso.
-Não!- respondi mal criada, me divertindo com a situação - E é Evans pra você! E é melhor você pedir desculpas para Angus, ou as coisas vão ficar feias por aqui...
Assim que ouviu a palavra monstrenguinho, Angus largou a torrada para fixar seus enormes olhos amarelos em Potter, e piou alto, assustando alguns alunos distraídos, como se exigisse um pedido de desculpas. Minha coruja é realmente sensível a insultos, e somando isso à extrema aversão que ele tinha por Potter, o resultado só podia ser um: encrenca.
-Eu não vou pedir desculpas para... Para isto. –disse ele, apontando para Angus. – o que eu fiz para você desta vez, EVANS, para você mandar a sua coruja me atacar de novo??
-Eu não estou mandando ninguém atacar ninguém, POTTER. - disse eu, na defensiva, e depois, me recompondo, eu comentei azeda: - Trata-se de um simples caso: Você ofendeu minha coruja, e deve pedir desculpas pela ofensa... O que ele fez ou deixou de fazer antes não importa, é um erro a ser corrigido...
-Pelo jeito você aprendeu isto na prática, não é?- disse Potter, sorrindo. Só então eu percebi o que eu tinha acabado de dizer, e corei furiosamente ao perceber que, uma vez na vida, ele estava invariavelmente certo. – Lily, minha linda, você é a única pessoa que eu conheço que consegue dar lições de moral em si mesma... - ele disse, dando o seu tão inconfundível sorriso maroto.
Remo e Nicki tentavam em vão reprimir o riso, enquanto Sirius já há muito tempo que ria alto, mas eu realmente não me importava. Uma vez na vida, eu não tinha nenhum argumento, e, quase automaticamente, falei:
-É Evans para você, Potter. E você ainda deve desculpas a Angus.
Mas, ao invés de teimar como eu achava que ele faria, Potter simplesmente sorriu, e, virando-se para Angus, simplesmente disse:
-Ok, desculpa por ter chamado você de monstrenguinho... Afinal, alguém tem que dar o bom exemplo aqui... – ainda fuzilando Potter com o olhar, Angus abriu as enormes asas e saiu voando.
-Eu só acho que você não é o tipo de pessoa que possa servir de exemplo para alguém, Ti... – disse Nicki, bem-humorada.
-Se azarar pessoas, ser arrogante, mesquinho, teimoso e retardado for um exemplo, ele pode ser a pessoa certa...
-Você também não pode dizer nada, Evans... – Black ergueu as sobrancelhas, defendendo seu amigo – Que eu saiba, você também não é exatamente um exemplo de candura e paciência...
Eu já ia replicar, mas, antes que eu pudesse sequer abrir a boca, Remo interveio:
-Muito bem, agora podemos parar com as inutilidades e irmos nos aprontar??? Se vocês quiserem, podem ficar aqui, mas eu vou para Hogsmeade hoje...- ele se levantou, decidido, e saiu caminhando para fora do salão.
-Uuuuh, o Remo está poderoso hoje... - Black riu, levantando-se também. Potter logo o seguiu, e só restamos eu, Nicki e Pettigrew, que ainda comia.
-Grandes amigos são esses, que nem sequer te esperam- disse eu, sarcástica, puxando assunto com o garoto enquanto Nicki terminava seu café.
-Eles devem ter alguma coisa importante para fazer – disse ele, disfarçando seu desapontamento, mas sem sucesso. – E, além disso, eu tenho que dar uma palavrinha com alguém... – e, sem dizer mais nada, ele também foi embora.
Logo que Nicki acabou de comer, nós íamos voltando para o Salão Comunal da Grifinória, quando a prof. McGonagall veio caminhando em minha direção, segurando um pergaminho e parecendo, no mínimo, preocupada.
-Srta. Evans, eu preciso falar com você.
Todos os meus pequenos deslizes desfilando pela minha cabeça, eu fiquei imaginando o que eu tinha feito errado desta vez, eu só assenti com a cabeça, mordendo os lábios.
- Você por acaso sabe onde está a lista dos alunos que podem ir à Hogsmeade? Eu a deixei em cima da minha mesa, mas ela não está mais lá.
-Não, professora, - disse eu, um tanto quanto aliviada.
-Você não estava com a lista ontem, Lily?- perguntou Nicki, que estava ao meu lado.
-Eu não me lembro... – disse eu, forçando a memória.
-Você poderia checar na sala da monitoria, Lily – Nicki continuou. – Nunca se sabe...
- É uma boa idéia, srta. Newmann...-Os olhos da Prof. McGonagall brilharam. – você poderia ir dar uma olhada, Lílian?
-Claro, professora!- disse eu – Eu vou agora mesmo. Espere só alguns minutos. – e eu saí correndo pelos corredores que eu tanto conhecia, até encontrar uma tapeçaria com a cena de uma caçada aos dragões, onde bruxos eram praticamente esmagados pelas patas das enormes criaturas. Sem nem parar para observar, eu disse a senha, (gárgulas saltitantes), e logo estava na confortável sala da monitoria. Não era uma sala muito grande, mas era o suficiente: Painéis parar recados pendiam em todas as paredes, e uma grande mesa ocupava o centro do aposento. Em volta dela, havia 20 cadeiras: quarto cadeiras para os monitores do quinto e sexto ano de cada casa, mais duas cadeiras para os monitores-chefes, e as últimas duas para eventuais professores que visitassem o local.
Quando cheguei à sala, o pergaminho com a lista estava em cima da mesa, totalmente visível. Contente de tê-la achado, eu nem parei para pensar em como a lista tinha ido parar ali, nem em como Nicki podia estar tão certa do que dizia. Eu peguei o pergaminho, e já ia saindo quando de repente eu vi, no quadro de avisos, que um novo bilhete tinha sido afixado. Eu pude reconhecer a letra de Alex, que dizia:
Querida Lily,
Como você sabe, neste fim de semana seria a minha vez de monitorar os alunos em Hogsmeade, mas, só desta vez, eu quero pedir-lhe um favor: Você poderia ficar no meu lugar por hoje? Eu tenho um pequeno problema para resolver com os meus amigos, e eles dizem que é realmente urgente.
Desde já eu agradeço.
Um abraço.
Alex.
Com um suspiro, eu saí da sala, já sem muito fôlego para correr. Como todos sabem, pelo menos um monitor chefe deveria estar presente em cada visita a Hogsmeade, para avisar os professores em caso de emergência. Os monitores-chefes deveriam se revezar, caso um não quisesse ir, e eu e Alex tínhamos combinado que era ele quem iria nesta semana. Mas, em todo caso, eu já ia para Hogsmeade mesmo... – pensei, enquanto descia as escadas para o Salão Principal.
O único porém em estar monitorando os alunos era que eu não podia voltar de Hogsmeade até a noite, mas aquilo não me parecia um grande problema. Bem, isso era o que eu pensava...
Depois de entregar o pergaminho à professora, eu fui para o Salão Comunal, esperar por Nicki. Estranhamente, os Marotos também estavam sentados, aparentemente esperando alguém, e cochichavam entre si, tentando chamar o mínimo possível de atenção. E, bem, os Marotos tentando ser discretos era a última coisa que se espera deles... Foi a partir dali que eu comecei a desconfiar do que estava prestes a acontecer. Eu sabia que eles estavam tramando alguma coisa, mas eu realmente não imaginava que eles estavam querendo fazer alguma coisa... Comigo.
Quando Nicki saiu do dormitório, alguns minutos depois, os Marotos também se levantaram de suas poltronas, como se esperassem por ela.
-Vamos então?- disse Potter, me oferecendo o braço. Eu bufei, empurrando o braço dele para longe, e, dirigindo-me a Remo, falei:
-Mas, afinal, o que vocês estão tramando? – eu imitei o olhar inquisidor de Angus, erguendo minhas sobrancelhas e tentando parecer assustadora.
-Hã, o que... Não estamos fazendo nada, Lily... – respondeu ele, evasivo. Agora sim eu tinha certeza de que eles estavam tramando alguma, sim, e era uma coisa realmente grande. Endireitando as costas, eu fiquei mais atenta que nunca, imaginando quem seria a vítima desta vez.
Ao contrário do que eu pensava, não houve nenhum incidente enquanto entrávamos nas carruagens: os Marotos se espremeram em uma daquelas carruagens, que, conforme eu ficara sabendo nas aulas de Trato das Criaturas mágicas, eram puxadas por Tertrálios, enquanto eu e Nicki fomos em uma outra, acompanhadas por mais duas quintanistas.
Só enquanto sacolejávamos pelo caminho é que eu comecei a perceber algumas coisas... Estranhas.
Para começar, Nicki tinha andado simplesmente grudada no Michael sempre que tinha oportunidade, e lá estava ela, sozinha, ao meu lado. Os Marotos sempre ficavam mais ruidosos do que o normal quando iam à Hogsmeade, e agora ficavam estranhamente quietos. E somado ao fato de Remo estar sendo evasivo comigo só servia para confirmar mais ainda minhas suposições: Definitivamente, eles estavam tramando alguma, e eu já estava morrendo de pena da pobre vítima. Mais para me distrair do que para tentar obter qualquer informação, eu perguntei:
-Nicki, mas, afinal, você não ia com o Michael para Hogsmeade??
-Eu não quero, nem vou deixar você ficar sozinha, Lily...
-Hm...- respondi, mais desconfiada do que nunca. Nicki não tinha dito nem sim nem não, e eu estava começando realmente a me apavorar quando a carruagem parou e nós saltamos. Os Marotos, que vinham na carruagem logo atrás da nossa, mas, ao invés de se juntar a nós, simplesmente seguiram caminho. Aliviada, eu comecei a caminhar pela rua principal, tendo uma Nicki extremamente distraída ao meu lado.
-E então, aonde va...?- eu comecei a perguntar, mas, de repente, lá estava ele. Ou melhor, lá estavam eles. Ninguém menos que Michael Lovegood estava parado no meio da rua, um sorriso torto em seu rosto, enquanto, atrás dele, mais barulhentos do que nunca, estavam os quatro Marotos, e, ao nos avistar, tiveram as mais diversas reações: Aquele idiota do Potter abriu o seu tão característico sorriso para mim, enquanto Black tampava a boca com as mãos para não cair na risada. Os pequenos olhos de Pettigrew brilhavam como eles sempre faziam quando algo realmente importante estava para acontecer, e Remo, eu percebi, tentava se esconder atrás dos outros três, já temendo minha reação, no mínimo, explosiva. Com uma voz baixa, mas mortal, eu sussurrei:
-Nicki... O que significa isto? – eu simplesmente parei de andar e fitei minha amiga, em cujos lábios começava a se formar um pequeno sorriso misterioso, que logo se transformou em um largo sorriso maquiavélico, seus olhos castanhos brilhando intensamente.
-Eu disse que não ia te deixar sozinha aqui... E, de fato, eu cumpro tudo que eu digo. Eu não poderia deixar de recusar o convite de Michael para sair com ele... Mas, ao mesmo tempo, não poderia deixar minha melhor amiga sozinha. Sendo assim, Lily, estes quatro jovens cavalheiros gentilmente receberam o encargo de não deixar você ficar sozinha...
Só agora eu estava entendendo tudo. Nicki tinha, literalmente, me atraído para uma armadilha: Eu não poderia ter a cara-de-pau de ficar acompanhando Nicki e seu namorado, e não podia voltar para Hogwarts, já que eu estava a serviço da monitoria. Literalmente, eu estava sem saída...
-Nicki, eu simplesmente NÃO ACREDITO... – Minha voz começou a se elevar, mas Nicki me cortou.
-Não adianta gritar agora, Lily, me diga exatamente o que eu fiz de errado para você começar a gritar. – Eu simplesmente fiquei sem fala. De fato, ela não tinha feito nada de mais, mas, ao mesmo tempo, tinha feito de tudo.
-Você não pode me obrigar a ficar com eles – praticamente sem defesas, eu disse a primeira coisa que me veio à cabeça.
-Ora vamos, Lily, você está sendo infantil. - Nicki colocou as mãos nos quadris, sorrindo marotamente. – você por acaso tem medo deles?
-Deles traduza-se, do nosso querido Tiago aqui...- complementou Sirius, dando um tapa nas costas do melhor amigo.
-Eu não tenho medo de vocês... – disse eu, ruborizando violentamente. – Eu nunca teria medo de alguém como ele. – disse eu, apontando para Potter, que apenas sorria.
-Eu duvido – finalmente, finalmente Michael se manifestou, a incredulidade estampada em seus olhos – eu duvido que você não tenha medo deles. Como então você os evita tanto??
-Oras, eu... eu... – novamente, eu fiquei sem resposta. Aparentemente, algum ser desconhecido tirara todas as respostas da minha boca, e eu não conseguia nem mais me defender. Apavorada, eu procurei no fundo da minha mente algo para dizer, e, finalmente, disse:
-Eu simplesmente evito os Marotos por que acho sua companhia desagradável, Michael, - disse eu, cerrando os punhos. – e eu acho que você não tem nada com isso.
- Eu ainda acho que você tem medo deles... –ele continuou, provocativo .
-E eu aposto que você não consegue passar um único dia inteiro sem gritar com Potter, estando ao lado dele. – Nicki respondeu, levantando as sobrançelhas. – você tem medo dele, admita.
-Ah é? –disse eu, já louca de raiva. – Então está apostado: - e, tomando fôlego, eu disse a coisa que, eu acredito, eu mais me arrependi e arrependerei em toda a minha vida:
-Se eu gritar uma vez com Potter, uma vezinha que seja, eu vou dormir hoje no dormitório masculino... Na cama dele. – por um momento, todos ficaram no mais profundo silêncio, me olhando como se eu fosse um dragão de três cabeças e dois rabos, que tivesse acabado de dizer que achara uma camiseta roxa berrante com formato de coração que cabia perfeitamente em uma liquidação de dois nuques.
-Então está apostado. - disse Nicki, com um grande sorriso. – e se você NÃO gritar nenhuma vez com o Potter, eu vou passar a noite inteira, trancada no banheiro em que você ficou naquela vez, com o...
-Comigo!!!- Sirius se prontificou, fazendo Michael ficar vermelho feito um tomate e olhar feio para o garoto.
Então está feito!- disse Nicki, sem hesitar. – Se você gritar com ele, você vai dormir na cama dele por uma noite. E se você não gritar com ele, eu vou passar a noite no banheiro da Murta-que-Geme com o Sirius.
Se antes os demais presentes estavam chocados, agora eles estavam mais do que chocados. Eu podia até ouvir o barulho dos queixos chegando até o chão, quando de repente uma risada quebrou o silêncio. Mas não era a risada alta e debochada de Sirius, que sempre aparecia nos momentos mais inoportunos: Era Remo quem estava rindo, um riso quase discreto, mas ainda sim alto o suficiente para devolver a minha sanidade mental de volta: Meus Dragões de ouro, o que eu acabo de dizer?
Só então eu caí em mim. Eu tinha apostado, sem ser forçada, que iria ficar um dia inteiro na companhia de Potter, e ainda sem gritar com ele... Senão eu teria que passar a noite em sua cama. Realmente, eu nunca tinha dito, ou melhor, apostado tamanha besteira antes. Só alguns segundos depois eu ainda fui perceber que, em sã consciência, eu nunca apostaria nisso. Foi então que eu percebi que tinha caído em uma armadilha: Mais uma das armadilhas ardilosas de Nicki.
Naquele exato momento eu aprendi (ou melhor, reaprendi) a primeira lição do dia: Nunca, mas nunca mesmo subestime Nicki Newman.
As pessoas, com o seu hábito errôneo de julgar as pessoas por sua aparência, julgam imediatamente que Nicki Newman, com seus grandes olhos caramelados redondos e quase infantis, seus cabelos angelicais presos displicentemente, suas roupas folgadas e suas luvas, não passasse de uma criancinha crescida, frágil e inocente. Um grande erro. Sua aparência inofensiva ocultava características quase impensáveis para uma figura tão delicada: uma teimosia desenfreada, uma determinação de ferro, e, principalmente, uma engenhosidade que realmente assusta. Normalmente, Nicki era, de fato, uma pessoa calma e meiga, nunca levantando a voz para nada neste mundo. Mas, quando alguém a insultava ou lhe fazia alguma mal sério, ou quando realmente queria alguma coisa, Nicki se transformava. Em um primeiro momento, Nicki abaixava a cabeça – mas não para ser derrotada, e sim para pensar em vingança. Ela poderia ficar noites sem dormir, gastar horas que deveria estar estudando, mas ela se vingava, ah sim, e quando se vingava, a pessoa se arrependia de ter um dia mexido com a "inofensiva e frágil garotinha". Pois ela estaria lá, encostada a um canto, com seu gato magricela no colo, com as sobrancelhas erguidas, e em seus de seus lábios brotariam um sorriso: seu raro sorriso de vitória. Graças aos dragões, as pessoas quase nunca são malévolas o suficiente para incomodar alguém com a aparência tão inofensiva como a de Nicki, mas, caso tentasse, nunca sairia ileso... Quando Nicki era desafiada, ou realmente queria alguma coisa, ela conseguia.
Mas, voltando àquele dia maluco, eu soube, naquele momento, que não eram os Marotos quem tinham aprontado algo: por trás daquilo estava Nicki, que deveria ter conversado com Alex, alertado os Marotos e pego a lista da mesa da McGonagall, só para me fazer ler aquele bilhete. Ela tinha me desafiado, duvidado da minha capacidade só para me fazer apostar que ficaria o dia inteiro na companhia de Potter, e, no final das contas, quem tinha se metido em encrenca fui eu. Típico de Nicki... Sem agressões, sem grandes sustos, mas invariavelmente na mosca.
UM dia desses, ela move uma montanha – eu pensei, sacudindo a cabeça, incrédula.
-Então, Lily, -Nicki quebrou novamente o silêncio, um sorriso torto em seus lábios. – Remo, por ser o Maroto mais imparcial e justo, será o "juiz" da aposta. Se você gritar com o Potter... Os termos são bem claros.
-Então vamos? – disse Michael, enlaçando a cintura de Nicki, e lentamente puxando-a para si.
-Claro...- os dois começaram a chegar cada vez mais perto, os olhos de ambos faiscando, quando, de repente, Sirius espirrou alto, como que propositalmente, assustando a todos.
-Se vocês quiserem, deve ter um Motelzinho por aí perto...- disse ele, erguendo as sobrancelhas.
-Vamos, Michael – disse Nicki suavemente, enquanto sua face ficava mais vermelha do que os meus cabelos.
Um tanto quanto melancolicamente, eu vi Nicki e Michael sumindo por entre a multidão, como se sumisse o meu último raio de esperança. Bem, Lílian, a aposta já foi feita – eu respirei fundo, tentando tomar coragem – agora, o jeito é ficar bem calminha e falar o mínimo possível com Potter, e tudo vai ficar bem.
Ah, diário, se isso fosse tão fácil quanto falar!
Nos primeiros minutos eu simplesmente fiquei lá parada, fitando o vazio, até que o som de uma conversa animada me despertou de meus devaneios:
- Eu ainda não acredito que você apostou isto, Lily- Remo sacudia a cabeça, incrédulo – Quando Nicki nos contou do plano, acho que nem ela imaginava que as coisas iam acabar deste jeito...
-Mas ela que espere... –disse eu, cerrando meus punhos – pois é ela quem vai passar a noite trancada no banheiro da Murta-que Geme...
-Então isso quer dizer que você vai ficar um dia inteiro sem gritar comigo, Lily, minha flor???- disse Potter, seus olhos brilhando.
-É EV... –eu já ia começar a gritar, quando me lembrei da aposta. – É Evans para você, Potter. E eu vou tentar falar o mínimo possível com você, para não perder esta aposta estúpida.
-Mas quem disse que eu quero que você ganhe esta aposta? – disse ele, com uma voz sedutora e mais grave, suas mãos tentando achar as minhas.
- Nem em seus sonhos que eu faço isto, Potter – respondi, ríspida.
-Mas você apostou, Lily...
-É Evans pra você...
- Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily, Lily …
-Potter, você está agindo como uma criança de cinco anos, pare agora com isto!!! –eu sibilei, amaldiçoando amargamente a hora em que eu tinha feito aquela maldita aposta.
-Tudo bem, Lily, mas você não pode me obrigar a só usar o seu sobrenome. Afinal, nós vamos ficar juntos o dia inteiro... Eu vou ficar muito cansado de ficar falando só Evans o tempo todo...
-Eu sei que os dois pombinhos estão muito bem aí... – Sirius interrompeu, com o seu tom sarcástico de sempre – mas existem pessoas neste local que gostam de fazer alguma coisa, para variar. O que acha de mostrarmos para nossa ilustre convidada um típico fim-de-semana maroto? – E Black sorriu, seus olhos azuis brilhando.
-Ótimo – disse Pettigrew, esfregando as mãos – aonde vamos primeiro??
-Pela manhã, alguma coisa leve, para começar – Remo disse, casualmente. - Zonko's?
-Perfeito, Aluado!- disse Potter, sorrindo, e me puxando pela mão.
Levando em conta o número de linhas que eu já escrevi, eu acho que não vale a pena descrever com riqueza de detalhes o que aconteceu naquela manhã. Como todos os alunos de Hogwarts, praticamente, nós visitamos as lojas de sempre: a Zonko's (onde os Marotos já eram clientes preferenciais, mas conseguiram ser expulsos da loja ao explodir quase um carregamento inteiro de bombas de bosta dentro da loja), a Dedosdemel, onde Pettigrew era cliente preferencial, e eles compraram toneladas de doces que eu sequer conhecia, entre outras coisas, e nós ainda visitamos muitas outras lojas, algumas das quais eu nem lembro mais o nome. Lá pela hora do almoço, os Marotos já estavam praticamente sobrecarregados de tantos pacotes, mais alguns tinteiros e pergaminhos que eu tinha comprado na Livraria (em um lapso, eu e Remo conseguimos arrastá-los para lá, e, antes que Black e Potter tivessem alguma idéia perigosa, nós fizemos nossas compras e saímos rapidamente). E ali estávamos nós, cheios de pacotes e famintos, sentados em um banco na rua principal. (ou melhor, os Marotos estavam jogados no banco, enquanto eu ficava de pé, tentando ficar o mais longe de Potter possível). Realmente, aquela manhã foi uma verdadeira provação para mim, já que eu estava simplesmente proibida de gritar com Potter, e, convenhamos, é uma façanha digna dos doze trabalhos de Hércules não gritar com Potter enquanto ele está pondo o mundo abaixo e, ao mesmo tempo, tentando me agarrar.
Mas, voltando ao banco, os Marotos discutiam entre si quem deveria voltar para levar todos os pacotes de volta, e quem ficaria.
-Eu sou o juiz da aposta, e não posso me ausentar nem por um instante sequer - declarou Remo com ares solenes, e passando suas sacolas para Tiago.
-Ei, mas eu também estou de certa forma envolvido na aposta, e tenho que estar aqui para a minha florzinha do campo – eu me segurei para não dar um berro indignado – gritar comigo... – ele passou as sacolas para Black.
-Mas eu não posso ir!!!- disse ele, manhoso – eu quero estar aqui para rir da cara do perdedor da aposta....- e, passando as sacolas para Pettigrew, ele declarou:
-Rabicho, meu grande amigo, eu sei que você não vai me deixar na mão, e vai levar os pacotes pra gente, não é, amigão...
Resmungando um pouco, o garoto gordinho pegou todas as sacolas e saiu andando pelas ruas, quase caindo com o peso delas.
-Agora, vamos almoçar? Eu estou morrendo de fome! – Black apontou para a própria barriga, para enfatizar sua fome.
- Fazer o que..? - eu resmunguei, estendendo a mão para ajudar Remo a se levantar. - Pelo menos metade do dia já se foi...
Nós quatro nos dirigimos ao Três Vassouras, o famoso bar, que também servia almoço, e sentamo-nos a uma mesa bem ao canto, tentando não atrair muitos olhares curiosos. Isso mesmo, diário. Tentando. Afinal, como Tiago Potter e Sirius Black não chamariam a atenção em algum lugar?? Tudo bem, eu agüento os sei lá quantos "ois" e "beleza Potter", mas o que mais me dava vontade de mandar a aposta para os ares e sair aos berros eram os comentários sarcásticos do tipo "E então, Potter, finalmente fisgou a sua ruivinha?" ou "Depois de tantos foras, logo você foi ceder, Evans?" Mas o pior mesmo era quando, depois das pessoas perguntarem, Potter simplesmente sorria, piscando o olho para mim com o seu tão característico jeito maroto.
Depois de um almoço rápido regado por cerveja amanteigada, nós saímos do bar, aparentemente sem saber o que mais fazer. O dia não estava tão ensolarado quanto de manhã: algumas nuvens cinzentas insinuavam-se pelo céu, mas um pedacinho de céu azul ainda podia ser vislumbrado por entre as nuvens.
-Agora, Lily, nós vamos te apresentar um lado de Hogsmeade que você provavelmente nunca viu: - começou Potter, com seu sorriso pregado no rosto.
-A nossa Hogsmeade!!- bradou Black, orgulhosamente.
-E para começar, vamos fazer uma visitinha a uma casa que conhecemos tão bem...
-A famosa Casa dos Gritos.- Sirius sorriu, insinuante.
-A casa dos meus gritos... – Disse Remo tristemente, deixando a cabeça pender.
Morrendo de pena de meu amigo, eu fuzilei os outros dois com o olhar.
Mesmo sob os meus protestos, nós fomos até a casa dos gritos, que se impunha sinistramente no alto de uma colina. Apesar de saber que não havia assombração alguma lá, e que era Remo quem gritava e uivava, aquela casa não deixava de me dar arrepios.
Nós demos a volta pela casa, e entramos por uma janela lateral que, estranhamente, abria-se com uma chave que Black tinha no bolso.
Assim que penetramos na casa, eu senti como se uma faca fosse enfiada no meu coração. Os móveis originais da casa, que já eram um tanto quanto velhos, estavam totalmente estraçalhados, e marcas de arranhões e pegadas podiam ser vistos por toda a parte. E, em algum lugar, havia manchas vermelhas, que, mesmo que eu não quisesse acreditar, eu sabia o que era: Sangue. Sangue do meu grande amigo. Só então eu me dei conta de como ele deveria sofrer com as transformações.
Envolta em meus pensamentos sombrios, eu não percebi quando Black postou-se atrás de mim, e, com um movimento brusco, agarrou meus ombros, gritando. Eu não pude conter um grito de susto, e, instintivamente, me agarrei a primeira coisa que eu encontrei ao meu lado – e esta coisa, infelizmente, tinha nome, e se chamava Tiago Potter.
Assim que percebi o que eu estava fazendo, eu o larguei, totalmente enojada, e estava tomando ar para começar a dizer para Black tudo que eu pensava sobre suas brincadeirinhas idiotas, quando me lembrei da aposta. Se for para ficar um segundo a mais que seja perto de Potter, eu agüento calada até no inferno! – assim, eu só mordi os lábios, bufando de raiva.
-Quem você pensa que é para me assustar deste jeito, Black? –eu sibilei, crispando os punhos.
-Caia na real, Lily, estamos de dia aqui, o Remo não poderia atacá-la... Ao menos que ele quisesse... – Sirius sorriu maliciosamente, me fazendo corar.
-Cale a boca, Sirius, e vamos logo sair daqui. –Remo deveria estar realmente chateado por estar ali, e ainda continuou, mal-humorado. – eu já passo tempo o suficiente preso nesta casa de noite para ter que ficar agüentando ela de dia também.
Sem dizer palavra, eu o segui, e Black e Potter fizeram o mesmo. Mas, ao invés de contornar a casa e voltar para o centro do povoado, nós continuamos o caminho por uma pequena estrada campestre, e o lado rural de Hogsmeade se abria para mim como um leque. Sempre preocupada com as compras e com os deveres da monitoria, eu nunca, em cinco anos de visitas a Hogsmeade, tinha estado lá antes. Por um momento, eu fechei os meus olhos e respirei fundo o ar puro. Afinal das contas, não está sendo tão ruim quanto eu imaginava... E, além do mais, este lugar é lindo!
Depois de alguns minutos de caminhada, nós descemos o morro em que nos encontrávamos, onde eu quase perdi o fôlego: a nossa frente havia um enorme campo cheio de flores selvagens que cresciam por todo o gramado extremamente verde, enquanto, um pouco à direita, havia uma pequena gruta incrustada na montanha. Abaixo do gramado, havia um outro declive, onde havia campos e plantações de se perder de vista até as montanhas, arrematando o cenário com perfeição. À esquerda, podíamos vislumbrar o povoado inteiro, e até uma pontinha das torres de Hogwarts podiam ser vistas. Estarrecida e boquiaberta, eu fiquei parada, em pé, apenas contemplando o cenário, até que senti uma mão em meu ombro.
-Então, Lily você gostou? – disse Potter, quase em meu ouvido, me causando arrepios. Mas, ao contrário do que qualquer pessoa em sã consciência faria ao presenciar esta cena, eu não gritei, nem mesmo cheguei a ralhar com ele por ter me chamado de Lily.Eu apenas assenti com a cabeça, um pequeno sorriso brincando em meus lábios.
- Simplesmente lindo... – eu disse, também em uma voz baixa.
-Isto é por que você não viu nada, minha flor – mesmo ante a minha careta por ele ter me chamado de tal coisa, ele me puxou pela mão, e, correndo como uma criança, ele saiu correndo, para o meio do campo de flores, e, em mais um gesto infantil, jogou-se na grama, um enorme sorriso em seus lábios. Como ele me puxava, eu tive que acompanhar uma parte de sua corrida, até que eu finalmente consegui largar sua mão, e segui o resto de percurso andando. Ao notar o meu olhar surpreso, ele disse:
-Ora, Lily, francamente, você nunca se jogou na grama uma vez? – ele falava isso como se se jogar na grama com dezessete anos fosse uma coisa perfeitamente normal.
- N-não – disse eu, com um olhar incrédulo – desde que entrei em Hogwarts, eu não me joguei em lugar algum, eu poderia dizer. Minha infância já ficou para trás, sabia? – eu pus minhas mãos nos quadris, erguendo as sobrancelhas. Enquanto tínhamos nossa estranha conversa, se é que podemos chamar isto de conversa, Remo veio ao nosso encontro andando também, enquanto não havia nenhum sinal de Black. Ao chegar aonde estávamos, Remo sentou-se na grama, espreguiçando-se. Por um instante, ficamos em silêncio, até que, com um berro endoidecido, alguma coisa deu um enorme salto, e passou por mim rápido como um raio, me fazendo perder o equilíbrio. Esta "coisa", dois segundos mais tarde, eu descobri ser Black, que tinha tentado pular morro abaixo sem uma vassoura... E saíra rolando o resto do percurso. Nisso, ele acabou me derrubando em cima de uma coisa macia, que soltou um gemido de dor.
-Lily, se você não se importa, dá pra sair de cima da minha barriga? – Remo disse, quase sem ar.
-Ah, me desculpe, Remo... – disse eu, corando e me levantando imediatamente. – Eu não queria...
-Nossa, que engraçado... Quando você quase cai em cima do Tiago aqui, você tem que se segurar para não gritar com ele, e quando você cai em cima do nosso amiguinho lobisomem aqui... – disse Black, apontando para Remo – você se desdobra em desculpas...
-É o que você faz por um amigo – disse eu, erguendo as sobrancelhas. Assim, se você caísse em cima do Potter, você pediria desculpas, e se você caísse em cima do Ranhoso, você não só não pediria desculpas como já sairia azarando ele.
-Ei, Lily, isto é injusto! Eu agüento tudo vindo de você, de insultos até ataques de corujas psicóticas...
-O Angus não é psicótico!- Eu interrompi.
-Que seja, mas eu aquento de tudo, mas ser comparado com o Ranhoso, aí você me ofende...
-E você já não pensou que aquele apelido deve ofender o Ranhoso?
-Ah, não, Lílian, não comece com aquele papo de "eu defendo o Ranhoso", isto já é demais!!!
Lílian. Eu senti outro arrepio quando ouvi meu nome inteiro ser pronunciado por aquela boca tão detestada. Ele sempre havia me chamado de Lily, e, nas raras vezes em que escutava o que eu berrava para ele, me chamava de Evans. Mas ele nunca tinha pronunciado meu nome inteiro (pelo menos não na minha frente), e ele pareceu adquirir um sentido totalmente novo a partir daquele momento. Eu sempre insisto até o fim para que as pessoas me chamem de Lily, mas com Potter, as coisas sempre foram diferentes. Quando ele fala o meu nome, simplesmente não é o mesmo nome que eu ouço Nicki, Remo ou qualquer pessoa fala; Eu simplesmente odeio quando ele fala o meu nome porque ele faz as coisas ficarem tão... Diferentes!
-Ah, esqueça – disse eu, balançando a cabeça. - mas vocês vão ficar aí deitados, sem fazer nada, só olhando para o céu?
-Esta é a intenção... – disse Black, sorrindo torto.
-Venha, Lily, se jogue na grama... Uma vez na vida, mande a compostura pelos ares e se divirta!- Potter parecia exasperado, como se eu fosse um ser complexado.
-Não vai pegar muito bem uma garota simplesmente se deitar na grama com não um, mas três garotos!!! E se as pessoas nos virem aqui?- disse eu, insegura.
-Para o inferno com o que as outras pessoas vão pensar, garota! – Sirius já estava ficando nervoso.
-Lily, uma vez na vida, deixe o resto do mundo de lado, deixe a sua pose de monitora comportada de lado, e venha aqui... O que você tem a perder? – Potter estava realmente perdendo a paciência comigo.
-Mas...
-Sem nenhum "mas", mocinha, e agora você vem – disse ele e, em um ímpeto, me puxou pela cintura, derrubando-me no chão, ao seu lado.
-Ei Potter... – segurando ao máximo os meus instintos de gritar, eu tentei me desvencilhar de seus braços, mas ele era muito forte. Por fim desistindo, eu me larguei no chão, mal-humorada.
-Dá pra você pelo menos me largar? – disse eu, erguendo as sobrancelhas.
-Mas se você tentar se levantar, eu vou te agarrar de novo, e pode ter certeza que desta vez não vou largar você tão cedo... – uma vez no controle, Potter começou a se aproveitar.
Suspirando, derrotada, eu me resignei a contemplar o céu acima de mim, e ouvir a conversa de meus "ilustres"companheiros.
-Quanto tempo falta para a lua cheia, Aluado?
-Daqui a uma semana e um pouco, mais ou menos – disse Remo, com uma voz cansada.
-Hmmmm... – disse Sirius – isto sim vai ser divertido...
-Realmente, Aluado, já estava na hora de você se soltar o seu lado "selvagem"... Você anda tão certinho nestes dias...
-Não podemos mudar de assunto??? – Remo fitava o céu, seus olhos tão opacos quanto as nuvens acima dele.
-Por que, Remo? Você não pode mudar o fato de ser um lobisomem...
-Como vocês podem ser tão insensíveis? – eu perguntei, – vocês não iam gostar se vocês fossem os...
-A aberração que eu sou – interrompeu Remo, com um longo suspiro.
-E seus amigos ficassem jogando isto na sua cara o tempo todo!
-Nós estamos só brincando, Lily – Sirius suavizou sua expressão, como se isto fosse a coisa mais normal do mundo. – Eu não vejo por que isto magoaria. Ele é o que é, e ninguém pode mudar isto. Agora, você pode não tocar no assunto, como se isso não existisse, ou pode brincar com ele, fazê-lo mais fácil de lidar...
-Mas você pode ferir os sentimentos de alguém – eu estava ficando indignada com o comportamento de Black, mas eu não ousava levantar a voz.
-Oras, mas isto é frescura... – disse Potter, se metendo.
-Só se for no seu mundo, Potter –disse eu, azeda. - Por que no mundo em que eu vivo, isto não deve ser feito.
-Então agora você diz que vivemos em mundos diferentes?
-Sim, - disse eu, virando-me para encará-lo. – na minha opinião, cada um de nós vive em seu próprio mundo, orbitando em volta de suas idéias, com suas crenças e medos, mas todos em volta do grande Sol da humanidade. Algumas pessoas vivem no mesmo "mundo", quando compartilham um ideal, ou quando são muito amigos. Agora, existem pessoas tão diferentes, que vêem o mundo de uma forma tão oposta a nossa, que podemos dizer que elas vivem em mundos diferentes. De fato, elas podem estar em um mesmo lugar, até mesmo partilhar um dormitório, mas podem estar em mundos totalmente diferentes. Dizem que as mulheres são de Vênus, e os homens, de marte. Pois bem, você e eu, Potter, vivemos em mundos totalmente diferentes... Comparativamente, eu seria de Mercúrio, e você seria de Plutão...
Eu realmente não sei que espírito insano me possuiu naquela hora, pois eu estava simplesmente compartilhando minhas filosofias mais profundas, que eu não ousava nem contar para Nicki, com a pessoa que eu justamente mais detesto... Realmente, toda aquela agitação deve ter afetado o meu cérebro seriamente...
-Podemos até orbitar em torno de Hogwarts, mas somos como dois planetas girando em direções opostas... Cada um segue sua direção...
-E, em sua teoria, o que acontece quando dois mundos se encontram? – por incrível que pareça, o tão disperso Potter parecia beber minhas palavras, me encarando, hipnotizado.
-Um choque entre planetas. – eu disse. Estranhamente, lá estava eu, deitada na grama, abrindo meu coração para uma pessoa que eu não cogitava nem ter uma conversa normal... E eu ainda não tinha percebido o absurdo que eu estava fazendo, e continuei a falar – Dois corpos tão diferentes não conseguem ficar juntos. São tão diferentes, tão opostos, que, quando se encontram, simplesmente explodem, entram em choque, provocando desastres...
-Mas... Se eles forem tão opostos, eles não podem se completar?
Seguiu-se um silencio agradável, quase sonolento, e Potter continuava a me encarar, seus olhos perdidos em algum ponto, mas fixos nos meus.
-Não sei nem por que estou falando isto para você... – eu disse, olhando para o céu. – eu não disse nem para Nicki a minha filosofia dos planetas...
Ele ia dizer alguma coisa, quando, de repente, ouvimos uma estranha risada de Black, que me lembrava um latido.
-Grandes especulações filosóficas, Lily – disse ele, rindo de se acabar – deu pra ver que você gosta de astrologia...
-Ah, Sirius, você tinha que interromper logo na melhor parte!!! – disse Potter, fazendo um gesto obsceno para o outro Maroto.
-O que você quer dizer exatamente com melhor parte, Potter?!?! – eu disse, corando um pouco.
-Uuuuh, nem te conto...- disse Black, me fazendo corar mais ainda.
-Sirius, seu cachorro!!!
-Tiago, seu veado!!! – respondeu ele, e, estranhamente, os três marotos caíram na risada.
-Estão rindo do que? – eu perguntei, desconfiada. – mas como se eles não me ouvissem, começaram a trocar uma série de insultos, digamos... Estranhos.
-Seu pulguento!
-Chifrudo!
-Filho de uma cadela!
-Filho de outro veado!
-Vira-latas!
-Perninhas finas!
Eu lancei um olhar para Remo, questionando-o com os olhos, ao que ele simplesmente sacudiu os ombros, e, girando o dedo nas têmporas, moveu os lábios, dizendo: eles são pirados...
A certa altura, os dois não agüentaram mais, e começaram a rolar no chão de tanto rir. Remo também ria, mais das atitudes dos dois do que pelas palavras, e só eu ficava lá, séria, ainda tentando compreender a graça daquilo tudo. A atenção dos Marotos só foi desviada por um raio que de repente cortou o céu, logo seguido por um trovão ensurdecedor. Alguns segundos depois, grossas gotas de chuva começaram a cair, como se o próprio céu estivesse desabando. Mas não era uma chuva gelada e desagradável, com vento. Era uma chuva morna e grossa, que encharcava nossas roupas em segundos. Sem saber para onde ir, fomos todos correndo até a gruta, para nos abrigarmos até a chuva passar. Isto é, todos, exceto Potter, que, parecendo querer se molhar mais ainda, abriu os braços e começou a girar, rindo insanamente. Alguns segundos depois ele já estava completamente encharcado: Suas vestes pingavam, pingos de chuva embaçavam seus óculos, e seus cabelos mais pareciam uma cachoeira de tanta água que escorria deles. Mas, estranhamente, aquelas pontas rebeldes não baixavam nem mesmo com a tempestade...
Por alguns minutos, eu apenas fiquei contemplando aquela cena, surpresa, até que, de repente, ele entrou na gruta, e foi me puxando pela mão.
-Venha, Lily, isto aqui está uma delícia!!!
-Não!- eu disse, tentando me desvencilhar de sua mão molhada. – você vai ficar resfriado deste jeito.
-Você parece a minha mãe falando!- ele fez uma careta cômica – venha, Lily, você não vai se arrepender...
-Não, Potter!!! – disse eu. É ridículo ficar rodando na chuva, como uma criança de seis anos!!!
-E agora crianças são ridículas? – perguntou ele, desafiador.
-Para crianças, isto é o comportamento normal, mas para, eu diria, maiores de idade, isto não é um comportamento lá muito adequado... – Remo e Black, que estavam mais no fundo da gruta, começaram a rir. Eu não sei por que, algumas pessoas achavam nossas brigas engraçadas, o que me irritava mais ainda.
-Ah, agindo deste jeito, você está deixando a vida passar sem aproveitá-la... –disse ele. – você me disse a sua teoria filosófica, então agora EU vou dizer a minha:
Você tem que aproveitar as oportunidades que surgem. Não importa se você vai ficar resfriado, levar uma detenção ou um tapa, o que vale é o momento que você está vivendo, os impulsos que você está sentindo. Qualquer castigo pode ser agüentado, tanto faz, mas o momento não volta nunca mais. Se você hesita e acaba deixando passar, você nunca mais vai poder ter este momento de novo. Se você não aproveita a chuva enquanto ela é quente, logo vai vir o inverno, e a água da chuva vai ficar mais fria do que o gelo. Se você não aproveitar o dia de hoje, talvez nunca mais haja uma chuva assim... Talvez você tenha que se mudar, ou alguma coisa te incapacite de andar, e é aí que você vai sentir falta de correr pela chuva.
Eu fiquei boquiaberta. De todas as surpresas que eu tivera aquele dia, isto fora a maior delas, sem sombra de dúvida. Potter também tinha tempo para perder com filosofia, e aqueles argumentos eram tão convincentes que eu não tinha como replicar. A contragosto, eu deixei ele me levar, ainda imaginando a gripe que eu iria pegar depois, mas tudo isto foi esquecido quando a água morna tocou meu rosto, os pingos grossos escorrendo por tudo. Uma alegria selvagem subitamente tomou conta de mim, e eu fiquei lá, de olhos fechados, sentindo a chuva cair em mim, renovando cada partícula de meu ser. Quando eu abri os olhos, eu vi que Potter me observava, enternecido, com um grande sorriso no rosto.
-Agora me diga: eu estava ou não certo??- e, pela primeira, (e última, eu espero) vez em minha vida, eu disse o que eu pensei que não diria nem sob tortura:
-É, Potter... Acho que você tinha razão. – no momento que eu disse isto, seus olhos se arregalaram até ficar quase do tamanho de duas bolas de tênis.
-Voc-você disse que eu tinha razão?!?! Você realmente disse isto?
-Precisa jogar isto na minha cara? – eu disse, cruzando os braços, mal-humorada.
-Eu estou no céu! – disse ele, exageradamente, ajoelhando-se na grama molhada e erguendo as mãos para cima. De repente, eu avistei uma poça que estava ao seu lado, e, não resistindo, pulei em cima dela, encharcando Potter mais ainda.
-EI!!!! O que você pensa que está fazendo?!?!?!
-Seguindo a sua filosofia... – disse eu, rindo marotamente – Você disse que temos que aproveitar as oportunidades... E aquela poça era uma oportunidade gigantesca... E eu simplesmente não resisti...
-É assim então?! – disse ele, dando o pior de seus sorrisos marotos. – você nem imagina o que aconteceria com você se eu seguisse todos os meus impulsos... – ele veio em minha direção em passos largos, me encarando profundamente nos olhos. Como que hipnotizada, eu não conseguia me mexer, e, ao invés de recuar, apenas fiquei ali parada. Ele logo ficou a apenas um passo de distância, e, mesmo que minha consciência gritasse para que eu saísse de perto, eu fiquei imobilizada, apenas encarando-no de volta, sem saída. Eu o observei enquanto ele tirou seus óculos encharcados, revelando seus olhos castanho-esverdeados com uma clareza que eu nunca tinha visto antes. Encharcada pela chuva, sua roupa estava colada ao seu corpo,e eu pude vislumbrar seus músculos desenvolvidos, antes de desviar meu olhar diretamente para o chão, tentando forçar minhas pernas a se moverem para trás, ou meus braços para empurra-lo para longe de mim, mas meu corpo parecia estar totalmente entorpecido. Ele levou sua mão ao meu queixo, forçando-me a encara-lo, e, com uma voz suave que eu nem acreditava ser sua, ele disse:
-Você perderia esta oportunidade, meu amor...? - e, enlaçando a minha cintura firmemente com uma das mãos, ele foi se aproximando cada vez mais, até que eu pudesse distinguir cada pingo verde em seus olhos castanhos, cada gota de chuva alojada em seu rosto...
Minha consciência gritava que o que estava acontecendo, ou melhor, o que eu estava deixando acontecer, era simplesmente inimaginável, mas meu corpo parecia não querer mais me obedecer. Meus lábios se trancaram, não permitindo que eu reclamasse, e meus ossos pareciam ter sido substituídos por gelatina, e não me permitiam qualquer movimento. Com os meus olhos arregalados eu via que ele chegava cada vez mais insanamente perto, vencendo os milímetros entre nós com uma calculada lentidão, como se o mundo estivesse inteiro girando em câmera lenta. Ele ainda me encarava fixamente, atraindo meus olhos para os dele como um imã. A chuva pareceu aumentar cada vez mais, mas eu nem sequer percebi, de tão perdida que estava dentro de mim mesma. O som da chuva pareceu diminuir até sumir, o mundo inteiro parecia estar se esvaindo, e eu só conseguia sentir o calor de seus braços fortes me segurando e seu hálito quente e doce, que chegava cada vez mais perto...
Como se eu fosse uma boneca de pano, ele me inclinou para trás, e, lentamente, encostou seus lábios nos meus. Eu fechei meus olhos quase que instintivamente, sentindo o toque macio de seus lábios molhados pela chuva, e o tempo pareceu parar. Eu sentia arrepios por todo o meu corpo, em lugares que eu nem imaginaria que pudesse sentir qualquer coisa, e minha mente simplesmente se esvaziou, como se a chuva tivesse levado embora até mesmo os meus pensamentos. Eu não poderia dizer que aquilo foi um beijo, pois ele só passou seus lábios pelos meus, mas uma carícia tão aparentemente superficial fez um efeito mais devastador que uma bomba atômica. Eu já tivera alguns "namorados", paixonites adolescentes, e obviamente já tinha beijado alguns garotos antes, mas nunca, em minha vida, eu tinha sentido alguma coisa como aquilo. Nada mais importava: eu não pensava mais, só sentia: sentia as batidas de seu coração, sentia o calor de seus braços, sentia a chuva pingando em meu rosto, sentia os pelos de minha nuca se arrepiando, e junto com isto tudo, uma sensação vertiginosa, como se ele tivesse me tirado deste mundo. Uma estranha desestabilidade que me fazia parecer uma criança em seus braços, uma sensação de segurança e perigo ao mesmo tempo, como se fogo e água, antes intocáveis, se fundissem, como, como... Era simplesmente uma sensação que não pode ser descrita com palavras. Com uma carícia tão tênue, eu fui invadida por uma sensação nova, que eu nunca tinha sentido antes. Era uma sensação dolorosa, mas simplesmente dolorosamente agradável. Estar ali era como se uma corda apertasse o meu coração, como se eu tivesse uma sede de dez mil anos, como se eu tomasse veneno; um veneno viciante e doce, que me corroia por dentro e me tirava a estabilidade que eu demorara tanto a construir. Naqueles menos de cinco segundos que ele encostou seus lábios aos meus, eu não era mais Lílian Evans, a monitora-chefe da Grifinória, responsável, apesar de estouradinha. Eu já não sabia mais quem eu era, ou o que eu seria, eu estava simplesmente perdida; perdida em algum lugar no vasto universo, flutuando no vazio...
Acho que é justamente por isso que eu o odeio tanto. Existe alguma coisa dentro de Potter que simplesmente me tira do sério... Cada vez que ele fala meu nome, ele parece um nome totalmente diferente; cada vez que se aproxima, meu coração dispara; cada vez que ele encosta em mim, minha pele se arrepia, e ele simplesmente me tira do sério. Desde que entrei para Hogwarts, eu me sentia extremamente insegura, afinal, eu era nascida trouxa, e não sabia nada sobre a magia. Eu podia sentir as pessoas me olhando torto, principalmente os Sonserinos, e sempre rindo de minhas evidentes gafes. Humilhada e triste, eu resolvi dar o troco: passava as noites acordada na biblioteca, lendo, para conhecer sobre aquele mundo novo e desconhecido. Em pouco tempo, eu sabia ainda mais do que muitos de meus colegas sangue-puros, e virei a primeira da turma. Meu amor pela ordem e estabilidade se manifestava em todos os meus pensamentos e ações, e qualquer coisa que me tirasse de minha rotina organizada me apavorava. Foi então que veio ele. Com seu jeito inconseqüente e maroto, ele tentava se aproximar de mim, e até a sua simples presença já fazia meu mundo tremer em suas bases. Por isto tantos gritos, tantos foras e tantas ofensas: Ele me deixa desestabilizada, uma verdadeira ameaça para meu mundo organizado, onde eu tinha o controle sobre as coisas. Ele virava minha vida de pernas para o ar, e precisa de tão pouco para fazer isso!
Eu não quero nem pensar no que aconteceria se nós continuássemos assim, mas o fato é que, finalmente, o ser que controla o tempo resolveu ter pena de mim, e mandou um raio logo seguido de um trovão ensurdecedor, fazendo as colinas quase escuras se iluminarem assustadoramente. Naquele momento, pareceu que a minha mente também tinha se iluminado, e eu me dei conta do que estava fazendo, ou prestes a fazer. Quando dei por mim, eu imediatamente arregalei meus olhos, e, com uma força que nem eu imaginava ter, eu o empurrei para longe, chocada. Como se uma descarga elétrica passasse por mim, eu me lembrei de tudo o que tinha acontecido, e ficava cada vez mais vermelha. Como um caldeirão que ferve até transbordar, a raiva foi subindo pelo meu corpo, começando nos meu dedos dos pés, e lentamente passando pelas minhas pernas, meu tronco e meus braços, indo terminar na minha garganta, onde eu simplesmente não consegui me conter, e fiz a raiva sair para fora de mim da melhor forma que eu conhecia: gritando.
-POTTER!!!! – eu posso até dizer que eu não estava furiosa naquela hora... Justamente porque eu deveria estar até alguns estágios acima da fúria,e, se eu fosse algum outro animal, com certeza estaria espumando, ou soltando até fogo pelas ventas, como sempre dizia a minha mãe. Naquela hora, eu não me lembrava da aposta, de Nicki, de Remo, de ninguém: Eu só parecia conhecer a raiva, que me consumia tal qual fogo, e que eu extravasava através de minha voz...
-COMO VOCÊ OUSA FAZER ISTO COMIGO!!!!!!!!! COMO VOCÊ OUSA CHEGAR TÃO PERTO DE MIM, COMO VOCÊ OUSA TENTAR ME BEIJAR?!?!?!?!?!?!?! – Uma vez que tinha começado, nada conseguia mais me fazer parar de gritar. E ele, ainda sentado no chão, só escutava, aparentemente cabisbaixo, o que eu dizia.
-COMO VOCÊ OUSA PENSAR QUE EU SOU UMA QUALQUER, QUE VOCE PODE BEIJAR SIMPLESMENTE, SEM DIZER NADA?!?!?!?! EU ESTAVA TENTANDO TER UMA CONVERSA NORMAL COM VOCÊ, TENTANDO ATÉ COMPREENDER O SEU PONTO DE VISTA, MAS NÃO, VOCÊ COM O SEU ORGULHO GIGANTE AINDA QUER MAIS UMA PARA A SUA ENORME LISTA DE GAROTAS!!!!!!! – a minha raiva era tamanha que grossas lágrimas começaram a brotar de meus olhos. A raiva que eu sentia era simplesmente incondicional, com uma intensidade que eu jamais sentira antes. E, misturada à raiva, também, eu tenho que admitir, do fundo do meu subconsciente maluco e incoerente, vinha uma certa frustração, quase que um desejo de que ele tivesse continuado, de ver o que aconteceria... Mas isto deve ter sido só um pensamento insano em um momento de ira, pois, quem, em sã consciência, ou mesmo estando maluco, iria querer ser beijado pela pessoa que mais odeia???
Eu continuava a gritar, e também a chorar, e eu agradeci mentalmente à chuva, por ter disfarçado tão bem as minhas lágrimas, caso contrário ele perceberia.
Foi então que ele ergueu a cabeça – e, para o meu total espanto no momento, ele ria.
-Então diga que você não gostou, Lílian... Diga que foi ruim...- e ele voltou a me encarar, erguendo as sobrancelhas.
Eu já ia tentar responder, quando, de repente, Remo e Black chegaram correndo, Remo apreensivo e tentando segurar o riso enquanto Black também chorava – só que de rir.
-Pontas, meu amigo, o que você fez para ela desta vez? – ele perguntou, entre as risadas – Hogsmeade inteira deve ter ouvido os gritos...
-Lily, eu sinto ter que ser tão cruel com você, mas você acaba de perder a aposta...
Foi então que eu caí em mim. A aposta, eu tinha me esquecido completamente dela. De repente, tudo começou a girar, tudo o que eu já tinha sentido naquele dia girando em minha cabeça, em um redemoinho de sensações conflitantes, e, alguns segundos depois, eu não pensava em mais nada – o mundo inteiro simplesmente escureceu, e eu caí nos doces braços da inconsciência, como se meu corpo estivesse tentando se defender do cruel mundo lá fora.
N/A: Ok, ok, eu sei que vocês vão me matar por isto, mas, vocês não vão acreditar, mas o capítulo estava muito GRANDE para qualquer outra coisa!!! Já estava ficando com 30 páginas quando eu me dei conta U.U
Mas agora, vocês podem ter certeza, eu vou atualizar BEEEEM mais rápido... Contando que vocês mandem rewiews!!! (autora chantagista ri maquiavelicamente)
Bem, podem esperar, que logo já vem mais uma sessão de torturas para a Lily, digo, mais um capítulo da minha humilde fic!!!
Ah sim, outra coisa, eu estou fazendo uma "lista de atualização". Já que a criatura relapsa que vos fala não tem a capacidade de escrever regularmente, se vocês quiserem, é só me deixar os seus e-mais, que, quando eu atualizar, eu aviso...
E ainda outra enquete (para ver se vocês lêem a N/A até o fim, heheh...), para saber se vocês vão poder ler durante as férias ou não. Me respondam na rewiew, tá???
Eu ainda quero pedir desculpas para a minha beta, a Belle, por eu não ter esperado, mas eu estava até sendo ameaçada de morte se eu não atualizasse... Mas assim que você puder betar, eu substituo pela versão sem os erros, okay?? Eu dedico este capítulo a você, fofa, por ter me ajudado com as idéias para este capítulo, e por agüentar betar os meus capítulos giganteescooooooos!!!! XDDDD
Um beijão para vocês todos, eu não sei o que eu seria sem vocês!!!!
Lily Dragon
