Capitulo 12
Sakura correu para o táxi que a esperava do lado de fora da festa onde, minutos antes tinha decidido o seu destino, durante o trajeto sua mente estava em branco, olhou pela janela do carro e viu as pessoas passando, apressadas, cada qual com seus próprios problemas, erros, todos erram, todos têm problemas, Sakura era apenas mais uma na multidão.
Ao chegar em sua casa, tirou seus sapatos, seu vestido, vestiu seu pijama favorito e se deitou em sua pequena cama, a casa estava escura, os pingos na pia da cozinha eram o único barulho que conseguia escutar, sua mente continuava em branco, seus olhos opacos e sem vida olharam para o papel amassado no centro da mesa.
- Positivo huh? – sorriu tristemente enquanto acariciava sua barriga. Lembrou-se do dia anterior, quando tinha ido ao consultório ginecológico fazer o exame.
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Um dia antes.
- Bom dia, pode se sentar. – disse uma mulher em seus cinquenta anos, era muito bonita e não aparentava ter a idade que tinha. Sakura se sentou, estava sem jeito.
A doutora não tardou em iniciar os preparos para que o exame pudesse ser feito, como Sakura havia pedido antes, quando marcou a consulta, o resultado sairia no mesmo dia, em poucas horas ela poderia saber aquilo que já sentia e acreditava ser verdade, e que, precisava apenas de confirmação.
Algumas horas depois de colher material para analise, a doutora foi conversar com a paciente, que suava frio nas mãos.
- O que você gostaria de fazer, caso dê positivo? – a doutora perguntou.
- Como assim? – Sakura olhou assustada nos olhos da médica.
- Todos os dias passam dezenas de garotas por esta porta. – disse apontando a porta do pequeno consultório. – E a cada dez resultados positivos, seis são de jovens nos seus vinte anos que não esperavam pela surpresa de estarem gravidas. E dentre estas seis, pelo menos cinco delas, pedem que a gravidez seja encerrada. – olhou para Sakura, os olhos vidrados, a expressão séria.
Sakura engoliu em seco, fora pega de surpresa pela realidade do que a médica estava falando, mas ela não seria capaz de algo assim. Não?
Depois da pequena conversa, a médica saiu do recinto e deixou Sakura sozinha com suas novas indagações, e se ela estivesse realmente gravida de Sasuke? Como ela falaria para ele? Não, ela não poderia falar não depois de tudo que tinha acontecido e da forma como ele havia a tratado. Mas como ela lidaria com uma gravidez sozinha? Mãe solteira? Sua família nunca aceitaria isso.
Sakura foi tirada de seus pensamentos com um pigarreio da doutora que trazia em suas mãos um envelope, naquele pedaço de papel estava o que Sakura mais temia, temia e também desejava. Um friozinho na barriga a fez sorrir, como se soubesse que ali estava a confirmação de tudo.
A doutora deu o envelope para a rosada que o segurava forte em suas mãos.
- Guarde minhas palavras minha jovem. – a medica disse. – Algumas pessoas desejam com toda a sua alma, poder segurar uma criança em seus braços, e outras pessoas repudiam tanto este fato que não se tomam conta do grande pecado que é cometer uma interrupção na gravidez. De qualquer forma, o meu trabalho é fazer como essas mães desejam, e eu respeito a vontade de cada uma delas. Você parece ser uma jovem correta e batalhadora, espero que pense com carinho sobre o que irá fazer caso este teste em suas mãos não te de a resposta que você esperava.
Pensando nas palavras da médica, Sakura deixou o pequeno consultório e foi diretamente para sua casa, onde teve a confirmação de sua gravidez inesperada.
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Depois de guardar o resultado e apoiar sua cabeça no travesseiro, sua tristeza transbordou, molhando não só os olhos e o travesseiro, mas inundando sua alma e seu coração decepcionados. Sua vida se tornaria insuportavelmente difícil daqui pra frente, ela corria o risco de perder tudo, inclusive seus pais que não aceitariam facilmente o fato de sua única filha estar gravida, ser mãe solteira seria inaceitável para os seus parentes que iriam julgar e condenar. Além disso, ela não sabia como lidaria com as transformações em seu corpo, sem uma vida estável onde ela pudesse no mínimo dar segurança e conforto para seu bebê, seus amigos não tardariam em falar para Sasuke o que estaria acontecendo, temia que a família poderosa do moreno quisesse tirar seu bebê, havia tanta coisa a se pensar, mas ela não conseguia numerá-las, não conseguia organizar os pensamentos e decidiu deixar que apenas nessa noite, nenhum desses fatores a perseguissem.
Sakura chorou a noite toda, ao ponto de dormir e acordar em meio a lagrimas. Naquela noite, Sakura chorou por uma vida inteira, chorou para que nunca mais precisasse chorar e depois de cair no sono novamente, sonhou um sonho lindo, onde ela e uma linda garotinha de cabelos cor de rosa e olhos negros andavam em frente segurando as mãos uma da outra.
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O mundo perfeito de Sasuke parecia estar ruindo, seus castelos de exibicionismo estava indo embora conforme as pessoas saiam de sua festa, apenas Naruto e Hinata ficaram ao fim quando todos haviam o deixado, pela mesma porta que minutos antes o paraíso entrara e fugira.
Naruto olhou decepcionado para o amigo e por fim foi embora do local deixando o Uchiha sozinho com suas frustrações que não tardaram em se transformarem em lágrimas que prepotentemente não ousaram cair de seus olhos.
Ele ficou horas sentado no mesmo lugar, acabou adormecendo no local da festa, no seu sono conturbado, Sasuke teve um pesadelo que acabaria por se tornar realidade, em um local onde ninguém estaria lá por ele, em um lugar onde o vulto rosa de cabelos que cheiravam a flores de cerejeira não passavam por ele. Acordou assustado com o toque estridente de seu celular.
- Sasuke! – era seu pai.
Desligou o celular e olhou a hora. Nove da manhã.
"NÃO!" sua mente gritou, sua consciência pesando com o remorso e o medo de que o que tinha visto em seus sonhos se tornasse realidade.
- Sakura! – bateu na porta. Estava morrendo de medo, de que tivesse a perdido para sempre, tinha medo do que nunca pensou ter. Perdeu a conta do quanto gritou e bateu na porta. Ninguém respondia o que significava que Sakura não estava lá, ela não estava lá, onde ele pudesse alcança-la, ele não sabia onde ela estava ou onde poderia estar. De repente se deu conta de que realmente não sabia onde ela poderia estar, de que não sabia quase nada a respeito da rosada, e de que nunca fizera questão antes de saber.
O sentimento de perda o invadiu Sakura havia partido. Assim como ele fez, sem aviso prévio, sem satisfações, ela partiu e o deixou.
Sasuke correu sem direção, na hora nem lembrou em ligar para Naruto ou Hinata, que talvez soubessem onde ela estava, ele apenas correu sem destino aparente até que o dia se foi, logo escureceu e o seu telefone celular marcava a hora. Hora de partir também, Sasuke tinha percorrido um longo caminho para ficar apenas um final de semana no Japão. Ele queria dizer à Sakura que havia feito isso para ela, mas a verdade é que ele não havia voltado por ela, mas pela família que insistia em passar pelo menos um fim de semana com ele, e agora era hora de partir. Voltar para a nova vida que tinha começado em Londres, voltar para o apartamento onde as únicas coisas que o esperavam eram objetos inanimados.
O celular tocou mais uma vez, era uma ligação de seus pais, o lembrando de que o avião partiria em algumas horas e que era hora de ele voltar para que pudesse se despedir da família. Enquanto seguiam cada qual com um lugar em mente, Sakura e Sasuke, que agora estavam conectados, sentiam seu coração diminuir e toda a felicidade de apenas um dia de amor que compartilharam se esvaneciam de suas memórias que procuravam um refugio seguro para que conseguissem manter a sanidade mental.
Obrigado pelas reviews pessoal continuem me dando apoio e comentando. O próximo capitulo será adicionado no próximo domingo. Até lá.
