Não Se Esqueça de Mim

By Kiah chan

Betado por Motoko Li


Avisos: Antes de vocês me socarem por motivos até óbvios, quero avisar que esse capítulo contém cenas de sangue e tudo mais. O rating, ou melhor, a censura dessa fic NÃO foi mudada porque achei que não havia necessidade, sabe x.x Porém, se vocês acharem que a autora é realmente idiota e deveria mudar a censura, por favor, avisem n.nv Boa leitura!


Último Capítulo

- Como?

- Mandé e eu nos casamos faz muito tempo, meu rapaz... Fui assassinada por guardas de uma fortaleza, que me confundiram com uma das bruxas que andava enfeitiçando o povo com a morte. Na época, não sabíamos sobre doenças e, para nós, a peste negra era sim um feitiço, uma maldição castigando o povo herege.

- Vocês são muito antigos...

- Antes de morrer, prometi ao meu marido que estaria sempre ao seu lado, protegendo-o. E que o amava muito... Mandé prometeu vingança a todos e acabou ficando meio "louco" por poder para que conseguisse fazer alguma coisa que surtisse efeito ao povo e que fosse o suficiente para vingar a minha morte.

- E ainda está vivo esse cara... - Bufou o garoto enquanto correu os seus olhos para o amuleto que segurava. - Como ele fez isso? Como você foi parar nesse amuleto e Mandé não te reconheceu?

- Vá com calma, menino! - ela riu do cenho franzido do Uchiha enquanto se sentava no chão liso e empoeirado daquele lugar escuro. - Eu morri quando ele tinha 23 anos apenas. Apesar da época remota e pouco favorável à verdade científica, Mandé descobriu um poderoso elixir de imortalidade. É por isso que ele está vivo até hoje, preservando essa aparência tão inofensiva. Sobre o fato de não me reconhecer, bem, Amelie era uma mulher que supostamente havia morrido em um acidente de carro e, por obra do acaso, era conhecida do meu marido. Não sei como, mas quando dei por mim já estava no corpo dessa moça. Para que ninguém desconfiasse, aleguei perda de memória e assim fui levando... Até que você encontrou a minha fonte.

- Fonte?

- Esse objeto é a minha fonte de sobrevivência. Como esse corpo não pertence a mim, com certeza ele apodreceria rápido. Mas o amuleto serve de fonte para a ligação entre esse corpo e o meu espírito. E, bem, os pedidos é que "reabastecem" a fonte... Mas com você foi um pouco diferente.

- O que quer dizer?

- Quando aquela menina sacrificou a sua memória para te salvar, foi muito diferente. A energia dela simplesmente me sobrecarregou... Foi uma coisa muito inesperada. Não fazia parte dos meus planos impedir o meu marido. Por isso, ela não se esqueceu totalmente de você e é por isso que ainda estou aqui te protegendo. Pode não entender completamente, mas o fato é que essa jovem não se esqueceu de você e que eu cumprirei a parte do trato de "troca".

- Não sabe o quanto eu me sinto aliviado - Retorquiu o moreno, girando os olhos.

Ótimo, então o que estava fazendo parado naquela droga de dimensão mesmo? Ah sim. Fazendo um favor para uma morta!

- Bom, não sei no que está pensando, mas com certeza se for desistir, pode ir esquecendo.

- Você é muito idiota... Não sou esse tipo de homem que você pensa. Nunca desisti de nada que eu fiz...

- Engraçado. Matar o seu irmão não estava em seus planos?

- Muito bem dito. "Estava". Não está mais...

Amelie apenas sorriu com o esclarecimento. Levantou-se daquele chão e olhou em volta. Escuro. O cenário escurecia gradativamente...

- E o que vamos fazer, Amelie? Esperar até que o Mandé perceba o seu plano de atacá-lo aqui?

- Bom, eu acho improvável que ele perceba, afinal você "está" lutando aqui sim. Coloquei algumas ilusões no lugar para que distraísse o meu marido. Nem passa pela cabecinha dele que você está sentado, olhando para o nada.

- Ótimo - Bufou Sasuke. - Cansei de conversar com você. Vamos logo terminar isso?

- Eu estou pensando, mocinho! E não me olhe com essa cara!

O lugar ficava mais frio com o passar dos minutos. Sim, aquele, sem dúvida alguma, era o interior de Mandé.

-o-o-o-

- Mandé, tô sentindo umas vibrações estranhas.

- Não implorei por uma opinião sua, bastardo!

Eiji suspirou enquanto voltava a olhar para o lugar onde Sasuke havia desaparecido. - Eu tenho certeza de que isso é uma armadilha, mestre!

Mandé soltou um riso sarcástico, tentando recuperar o olhar de serenidade que havia se perdido com a interrupção que Eiji causara em seus pensamentos. - E o que quer que eu faça?

- Dê uma olhada novamente no interior desse lugar! Aliás, que idéia foi essa de mandar Sasuke para dentro da sua mente?

- Isso não interessa a você! - Respondeu ele lentamente, com toda aquela frieza e tranqüilidade de praxe. - E o que estamos fazendo?

- Não. Não assim. Quero que veja profundamente!

Uma aura começava a emanar do corpo de Eiji, fazendo com que Mandé se distanciasse.

- O que vai fazer, Eiji?

- Acabar com essas ilusões malditas que estão atrapalhando a sua visão!

Mandé arregalou os olhos enquanto esperava pelo golpe de seu servo e aprendiz. Por questão de instantes, Eiji fez com que aquela aura envolvesse uma dimensão inteira, iluminando o lugar.

- Parece que estávamos sendo enganados, nom? Obrigado por iluminar as minhas idéias, meu caro!

Eiji sorriu maldoso com a observação do velho.

- Acho melhor acabar com essa brincadeirinha de cão e gato... Agora quem vai ser o mais esperto, Sasuke?

- E o que você vai fazer?

- Oras... - Mandé sorriu com a pergunta. - Vou atacar o ponto fraco dele agora...

- Quem? - Eiji perguntou debilmente, se recuperando do ataque feito.

- Haruno Sakura e as suas preciosíssimas lembranças restantes...

-o-o-o-

- E a Sakura, vovó?

- Não está bem. Os delírios diminuíram, mas ela está queimando em febre. Já fiz de tudo para que diminuísse só que o efeito tem sido ao contrário.

- E o que a gente faz?

- Esperamos... Não podemos fazer nada.

- Ela está sentindo falta do Sasuke, Tsunade?

- Não. O corpo dela está sentindo falta de algo, mas não sabe o que é. Esse é o único fator plausível que encontrei para justificar a febre.

- Então o amuleto só piorou a saúde dela, é isso?

- Uchiha Sasuke era o ar que ela respirava... Não me surpreenderia se esses fossem os efeitos colaterais da sua mente. A mente dela está expulsando o Sasuke, Naruto.

- Co-como?

A Hokage desviou seus olhos dos do loiro, fitando a paisagem de fora da janela. - O amuleto está tirando tudo o que a Sakura estava guardando bem no fundo. Depois desse processo, tudo acabará.

- Isso só pode ser mentira...

- Parece que vai chover, Naruto... - a Godaime uspirou, olhando o céu quase escuro. - Tá ficando frio aqui... - Fechou os olhos, mergulhando no íntimo de todos os seus devaneios. Sua voz já não passava de um sussurro que apenas Naruto era permitido a ouvi-los.

Ele escorou-se na parede do lugar.

- Realmente, tá ficando mais frio - sussurrou ao fechar os orbes, abaixando a cabeça. - Ele está perdendo...

-o-o-o-

- Sasuke, nós temos que sair daqui agora!

O garoto havia fixado os olhos em um ponto distante. Precisou que Amelie o tirasse daquele transe.

- O que foi?

- Não sei... Vamos logo então!

Amelie respirou fundo, fechando os olhos. Seu corpo fora contornado por uma luz branca enquanto o garoto apenas assistia a uma distância.

- O que você está fazendo?

A francesa já não responderia mais. Seus olhos abriram com uma cor intensamente branca. Fora uma voz rouca e sem emoções que tirou o Uchiha da visão espantosa de um corpo totalmente diferente ao que via em Amelie.

- O que isso significa?

- É uma metamorfose... - Aquela já era outra mulher, com um ar totalmente fantasmagórico e sem nenhum calor humano emanando de seu eu. - Essa sou eu de verdade... Eu sou o espírito do amuleto que você carrega. Eu sou a esposa do Mandé...

Sasuke permanecia estático.

- Por que se transformou? - a pressa era clara em seu tom de voz. Não poderiam ficar esperando por Mandé.

- Vou achar o meu marido... - a aura branca se intensificou ainda mais, alastrando-se por todo o lugar. - Vou achar o lado humano dele - a voz cavernosa e sem emoção alguma ecoava pela mente de Sasuke sem parar. O corpo envolvido foi logo desaparecendo.

O moreno arregalou os olhos em surpresa quando finalmente tudo fez sentido. Aquela mulher só estava ali por pura preocupação? Estava machucada emocionalmente? Mas o que havia acontecido?

Deu de ombros. Já estava carregando uma cruz suficientemente grande. Não ousaria carregar a dela também.

- Isso não é problema meu. Você não é Amelie, mas ainda temos um trato.

- Sim, nós temos. Mas continuará mesmo sabendo que Sakura não se lembra mais de você?

- Estou aqui exatamente para recuperar isso - o garoto suspirou, revirando os orbes negros. - Antes de desaparecer, - apontou para mulher que sumia vagarosamente da sua visão. - quero que me leve junto. Acho que já me protegeu demais - sorriu malicioso antes de ativar o Sharingan. - Não quero mais brincar!

A mulher apenas sorriu.

-o-o-o-

- O que faz aqui, Amelie?

- Ora, achei que estava sentindo a minha falta...

- Você está me interrompendo.

Sasuke apenas observava aqueles dois. Aquele espírito, por alguma razão, havia voltado à forma da Amelie. Dedos eram apontados. Mandé com certeza não hesitaria em matá-la.

- Ora, ora. Não é que o pequeno Uchiha conseguiu sair da ilusão do meu Mestre? - O garoto ruivo surgira pelas costas do mais novo, encurralando-o.

- Você deveria permanecer de boca fechada, Eiji. Está sendo enganado pelo próprio mestre... - Sasuke virara rapidamente, agarrando o seu pescoço. - Vou te dar uma aula prática de genjutsu - resmungou, estreitando ainda mais a mão. - Sabia que isso tudo é uma ilusão? - debochou enquanto apertava ainda mais a traquéia de Eiji. - Isso tudo é uma ilusão, seu maldito! - esmagou o pescoço como papel.

Os olhos surpresos do discípulo não deixaram de contornar a face encharcada de sangue.

O Uchiha soltou o corpo e enxugou o sangue espirrado em seu rosto.

- Vai ser muito mais divertido assistir aqueles dois sem intromissões, inseto.

Voltou os olhos à cena. O corpo de Amelie estava se decompondo. O cheiro insuportável de carcaça podre chegava ao seu nariz com uma intensidade deplorável apesar da distância. Havia cumprido parte do trato dado por ela. Não deixaria que ninguém atrapalhasse.

- O que você veio fazer aqui, Amelie?

- Oras, meu querido, não é essa a maneira que você deveria tratar a sua esposa.

Mandé permanecia impassível até o momento. Um sorriso impetuoso brincava em seus lábios, enquanto seus olhos se arregalavam.

- O cheiro da morte - respirou fundo, aproximando-se ainda mais de Amelie. - Você veio trazer os meus demônios, meu anjo?

- Eu vim te levar pro inferno, Mandé - O sorriso dos dois era simplesmente indecifrável. Aquela expressão satisfeita demonstrava um prazer incalculável. Um prazer que chegava a ser assustador.

- Eu quero ver você novamente...

O corpo de Amelie desabou no chão. Um espírito permanecia em pé ainda.

- Por que você me matou? Por que mandou que me matassem? Não me amava? - aquele espírito se queixava debochadamente.

Sasuke não podia acreditar. Aquilo era sério e ele não deixava o tom zombeteiro e insultuoso de lado?

- E não é que você descobriu? Tem vagado pelo mundo só para me matar?

- Eu sou o amuleto, meu marido. Sou o poder que tanto almeja...

Mandé estreitou os olhos e com uma das mãos agarrou o pescoço do fantasma.

- Você é muito ousada.

- Sabia que não se pode matar um fantasma?

O homem continuou sorrindo, aspirando o cheiro podre do corpo que jazia no chão.

- Claro que sabia, mas poderei te mandar a um lugar que você já deveria estar há muito.

Dizem que um espírito ferido pode vagar pela eternidade num mundo que não pertence mais. Agora Sasuke entendia por que aquela mulher queria tanto destruir Mandé. Era por causa dele que ela ainda estava no mundo dos humanos, sobrevivendo de desejos.

- Minha doce Demetra... É um prazer poder vê-la novamente, só quero que saiba disso.

A pronúncia vazia de seu nome fez aquele fantasma tremer e estancar no lugar.

- Nem com todo o seu poder de amuleto - Mandé passou os seus dedos enrugados pela face do fantasma. - poderá me deter. Alcançar a imortalidade é o meu desejo, Demetra... Você não irá me impedir!

- Você me sacrificou para ser imortal? - a voz distante e grave tomava um tom mais feminino e coberto de pesar. - Você não me amava, né? - Demetra tentava em vão segurar aquela tristeza crescente. Seus olhos ficavam mais opacos a cada minuto que passava perto daquele homem.

- Não. Você era bonita demais. Dizem que as deusas sentem ciúmes das mortais bonitas... Resolvi então te sacrificar, propondo um trato com qualquer deus. Porém, mesmo imortal e com poderes quase infinitos, fiquei preso nesse corpo velho e fragilizado - o sorriso maldoso se estendeu ainda mais na face do velho. - Só quero um desejo. E como esperei por esse momento...

Demetra não conseguia se mover por causa de uma corrente invisível que a detinha. A ganância daquele homem estava atacando o seu próprio ser.

- Se você não me conceder a realização desse desejo, seu espírito será despedaçado, minha querida...

Sasuke arregalou ainda mais os olhos e, por impulso, sacou uma das kunais que mantinha consigo e atirou na direção de Mandé. - Você deveria morrer, seu velho!

O sangue respingado na roupa do Uchiha denunciava a execução de um dos subordinados daquele homem.

- Ora, então matou o meu discípulo? - Mandé soltou Demetra com desdém, tacando-a contra a parede. - Que ousado da sua parte fazê-lo... - moveu-se rapidamente, aparecendo em seguida na frente do garoto. - Você me deu muito trabalho, Sasuke-kun... Achei que poderia me utilizar de você para que usasse o amuleto em meu proveito, mas vejo que isso não pôde acontecer. Afinal, você fez um trato com aquele fantasma imundo, não? Mas vou te dizer uma coisa: - o velho puxou a gola da blusa do Uchiha, trazendo-o mais próximo de si. - Demetra não foi capaz de proteger as memórias da sua querida, meu jovem. Mas se você trouxer o meu corpo de volta, prometo fazer algo a respeito - respondeu seco, empurrando-o contra o chão. - Você vai fazer isso ou prefere perder tudo, Uchiha?

Sasuke levantou-se, agarrando um dos braços de Mandé, fazendo-o olhar diretamente para o seu Sharingan.

- O que você pensa que vai conseguir, Sasuke?

- Você me subestimou tanto a ponto de não perceber onde estava - Sasuke sorriu com a expressão interrogativa de Mandé. - Você está sobre os meus domínios, velho! Eu vou matá-lo!

O Uchiha puxou Mandé com toda a força, tacando-o para trás.

- Amelie ou aquela infeliz da sua esposa estava tão cega que nem percebeu que o seu ponto fraco é esse corpo - o garoto apontava uma kunai na direção do velho enquanto tirava uma das espadas que estavam no corpo de Eiji. - Você mesmo deu as cartas... - concluiu, sacando a espada e a apontando para ele, derrubando a kunai no chão.

Mandé apenas ria, surpreso e nervoso com o que estava acontecendo.

- Não passou pela minha cabeça que você pudesse fazer alguma coisa assim, Sasuke.

- Humpf! Você me subestimou tanto... - o outro abaixara, ficando em seu mesmo nível, ainda apontado a espada para a cabeça de Mandé. - Agora vai morrer por isso!

- E você vai deixar a pequena Sakura de lado?

- Como...?

- O que eu te disse é a mais pura verdade, Sasuke.

- Você não está em situação para dizer isso, velho. Essa era a única oportunidade que eu teria, já que está esgotado por ter feito aquela dimensão, não?

Mandé arregalou seus olhos, franzindo o cenho. - Você é um maldito calculista. Utilizou até mesmo a Demetra em tudo isso...

- Ela foi bem útil. Ainda devo uma pra ela, não? Ela vai me devolver as memórias da Sakura e...

- Não seja tolo! - o velho ria ruidosamente enquanto tentava se levantar. - Você acha mesmo que Demetra conseguiria recuperar a memória da menina sabendo que eu acabei com todos os vestígios das lembranças dela? Quase matei a garota, idiota! E olha só o estado desse fantasma! Não passa de lixo...

Sasuke dera-lhe um soco no estômago, fazendo-o voar longe.

- Você não está em situação de resmungar, idiota! - chegou rapidamente até Mandé, antes que o mesmo batesse na parede. Puxou-o pela camisa, segurando um dos braços do mesmo. - Você não passa de um filho da mãe que deveria estar morto há muito tempo - retorquiu, quebrando o braço que estava segurando. - Eu vou matá-lo e finalizar essa palhaçada de uma vez!

- Espera-

- Agora eu vou quebrar o seu outro braço, maldito!

Mandé tentava em vão escapar das mãos do garoto.

- Se você me matar, idiota, a sua namoradinha nunca mais vai lembrar-se de você e provavelmente vai morrer depois de algumas semanas! E se você acha que eu estou mentindo, então pergunte para a Demetra, infeliz!

O velho empurrou Sasuke com uma força sobrenatural, fazendo-o bater contra a parede oposta, onde Demetra estava paralisada.

- Ele só pode estar brincando... Fale para ele, amuleto! E o meu pedido? - Gritava, limpando o filete de sangue do canto da sua boca. - Eu quero que você devolva agora as lembranças da Sakura! E se ela morrer... Eu acabo com ambos agora mesmo!

- Eu sinto muito, Sasuke... - respondeu Demetra em um fio de voz. - Mandé tem razão... Sakura perdeu tudo. Além disso, a sua saúde ficou fragilizada também. Não posso mais ajudar...

- Vo-você tá brincando, né? Depois de tudo... VOCÊ TÁ BRINCANDO, NÃO É?! - gritou ele, explodindo a parede em que caíra. - Não brinque comigo, sua maldita! - Aproximou-se rapidamente do fantasma.

- Não vê? Você nem pode mais me tocar... Eu estou desaparecendo...

- Sua-

- Eu posso te ajudar, Sasuke...

Sasuke apoiou sua fronte na parede, tornando a levantar a sua espada.

- O que quer que eu faça?

Mandé aproximou-se do garoto, tocando-lhe a espada. Uma luz branca contornou toda a sua mão, explodindo o objeto. O garoto virou-se para o velho numa tentativa de acertar-lhe o rosto, sendo impedido pela mesma mão que estilhaçara a sua arma há pouco.

- Não seja tão violento...

- O que quer que eu faça, madito?

- Quero o seu sangue!

Demetra arregalou seus olhos instantaneamente, levantando-se rapidamente. - Você não pode fazer isso!

- Demetra, querida, são negócios. Você não quer sangue? Só isso pode recuperar a sua energia, não é? - respondeu ele sarcástico, voltando seus olhos aos orbes negros do garoto.

- Quanto de sangue você precisa?

- Sasuke, você não pode fazer isso, idiota!

- Você mesma falhou com a sua promessa. Não me interrompa! E então, velho, quanto você precisa?

- Preciso de tudo, Sasuke! Se você não fizer isso, Sakura morrerá. Ela pode estar bem agora, mas com certeza não passará de duas semanas!

Sasuke arregalou seus olhos, escorando-se na parede.

- Se você se sacrificar, eu salvo a vida dela. Se não fizer nada, te devolvo as lembranças da menina, mas ela morrerá em um período muito curto! O que você quer, Sasuke? A morte da sua amada ou o prazer de alguns dias juntos?

O Uchiha cerrou os olhos enquanto abaixava a cabeça.

- Sasuke! Nós podemos achar outro jeito. Não vou deixar a Sakura morrer! Deve ter outro jeito e-

- Ainda tentando iludir o garoto? Você é baixa, querida - Mandé sorria com tudo aquilo. Conseguiria de uma vez por todas a sua tão almejada eternidade.

- Ela vai morrer?

- Vai. E por sua culpa! Se você não tivesse feito burrada, isso não teria acontecido!

Sasuke levantou lentamente. Voltou os orbes pro céu, algumas lágrimas e soluços tímidos escapando de sua garganta. Não queria que Sakura morresse... E realmente... Tudo aquilo era culpa sua.

- Eu não vou deixar a Sakura morrer... Demetra, se eu sacrificar minha vida, você salva a da Sakura?

Demetra, que até então permanecia de cabeça baixa esperando o pior, surpreendeu-se com a voz grave do moreno.

- Salvo, Sasuke.

- COMO ASSIM, GAROTO? Você tem que sacrificar a sua vida para MIM!

O Uchiha tirou de seu bolso duas kunais, correndo em direção ao Mandé. A luz branca voltou a contornar-lhe o corpo, materializando uma espada em uma das mãos.

- VOU MANDAR VOCÊ PRO INFERNO, MALDITO!

A kunai atravessara as costelas de Mandé, atingindo fatalmente o seu pulmão. O líquido rubro escorria por sua boca e um sorriso de vitória brincava nos lábio do mesmo.

- Você vai junto, Sasuke!

O corpo ensangüentado do menor caía em um baque surdo. A espada cravada em seu peito provocara uma hemorragia, fazendo com que o sangue escorresse lentamente. O corpo de Mandé, por causa do impacto das kunais, fora parar um pouco mais distante de Sasuke, caindo no chão, agoniado por alguns instantes.

- SASUKE! - Demetra correra até o menor. - Você tem que agüentar! - Gritava exasperada, tentando se concentrar.

- Vo-você disse que poderia salvar a Sakura com o meu sangue, não é? - discorria o Uchiha, tentando não se afogar com o próprio sangue que lhe escorria da sua boca. - Eu amo ela... Salve-a disso, por favor...

- Mas, Sasuke...

- Eu queria ser enterrado num lugar que me lembrasse ela, Demetra... - sua voz embargada perdia a intensidade rapidamente. - Faça-o para mim, por favor - os seus olhos ficaram opacos, perdendo-se no infinito.

Sasuke já não pertencia mais àquele lugar.

- Não se preocupe, meu anjo... E muito obrigada por tudo... - Demetra sorria, envolvendo o seu corpo e o de Sasuke em uma luz azulada.

-o-o-o-

- Sakura, vem ver!

- Por que você está gritando tanto, Naruto?! - resmungava a kunoichi de cabelos rosados enquanto corria em direção ao amigo. - Pra que tanta bagunça?!

- Olha só, Sakura-chan! As cerejeiras já floresceram! - o garoto loiro apontava animadamente para uma das grandes árvores que se localizavam num parque deserto.

- Elas estão lindas, né? - a garota orriu, aproximando-se de uma das árvores. - Essa está mais florida!

- Tá mesmo! - respondeu Naruto, distante. - Deve ser por causa do Sasuke!

Sakura sorriu tristemente, agachando-se de frente para um túmulo. - Olha só, Sasuke! Eu escolhi essas flores para enfeitar aqui, mas parece que nem era necessário, né?

Naruto abaixou a cabeça. Não se conformara ainda com a morte do amigo. A parceira já estava melhor de tudo o que havia passado, mas houve um grande sacrifício envolvendo tudo aquilo. Voltou os seus olhos claros para o céu, perdendo-se nas nuvens.

A Haruno permanecia calada. Desde que encontraram o corpo falecido do Uchiha, Naruto havia perdido um pouco de seu brilho. Mesmo se esforçando, a kunoichi simplesmente não conseguia se lembrar de Uchiha Sasuke, porém Naruto falava muito nele... Todas as missões, brigas, esforços e sacrifícios...

De tanto ouvir em Uchiha Sasuke, Sakura foi se apaixonando. Um carinho grande era dedicado a ele. Tão grande que nas primeiras vezes que fora visitar seu túmulo, escorriam lágrimas agoniadas e soluços baixos. Por isso, visitava-o sempre que podia, surpreendendo sempre o amigo.

- Talvez ela não tenha esquecido de você, amigo...

- Como?

- Ah, Sakura-chan! - sorriu sem graça, colocando uma das mãos em sua nunca. - Tava falando sozinho...

- Naruto, você é estranho!

- Hehehe! Melhor a gente voltar...

- Vai na frente! Eu só vou colocar essas flores pro Sasuke-kun... Prometo te alcançar - ela sorriu para o amigo, dirigindo os olhos para a lápide do moreno.

- Bom, então tá, né? Te vejo mais tarde!

- Ok! - Respondeu alto para Naruto, mas ele não ouviria. Já estava distante demais...

- Bom, Sasuke-kun, agora você vai ficar mais feliz, né? Olha só essa cerejeira aqui? Tão linda...

Sakura continuou conversando animadamente com uma pessoa que não estava mais presente... Não em corpo...

- Agora você vai se lembrar de mim por uma primavera inteirinha... - ela sorriu gentilmente, deslizando seus dedos pela lápide. Voltou os orbes para o céu antes de se levantar para ir embora.

De cima daquela árvore, Sasuke Uchiha sorria. Sorria porque Sakura não havia mudado o seu jeito meigo mesmo com o passar do tempo.

Sorria, aliviado.

A pessoa que mais amava ainda se importava consigo.

Sorria também porque poderia ficar com ela para sempre, mesmo distante.

E sorria principalmente porque Sakura não havia se esquecido totalmente dele.

- Não se esqueça de mim, meu amor...

FIM!


Finalmente "Não Se Esqueça de Mim" teve o seu devido final n.n Para a alegria de muitos e tristeza de poucos xD

Quero pedir desculpas pela demora no geral dessa fic. A autora era chata, ficava enrolando e pior: As atualizações demoraram demasiadamente. Só para esse capítulo sair, por exemplo, deu quase três meses, certo? Mas espero de coração que tenha valido à pena. Gente, eu não to brincando quando digo que acordava cedo só pra tentar escrever esse capítulo durante minhas férias inteiras! Pode perguntar pra minha mãe, porque ela acompanhou o progresso dessa fic e bem, vivia me pressionando pra terminar rápido... Mas enfim... Não foi fácil u.u Principalmente porque, como as pessoas que me conhecem já sabem, minhas fics de capítulos são de improviso. A única coisa que eu decido é o final (Três ou quatro frases finais...), porque de resto... É tudo na base da criatividade do momento xD Por exemplo: Eu nem sonhava quando estava escrevendo o segundo capítulo da história, que o Mandé iria entrar. Na verdade, o Mandé deveria ajudar mesmo o Sasuke na história que eu tinha feito na cabeça. Porém, quando ele apareceu, eu deixei claro pra mim mesma que ele seria o "vilão", digamos assim. Peço desculpas para os leitores que odeiam OC (Original Caracter – Personagem original), eu realmente exagerei, mas todos ajudaram, então não teria como os evitar...

Mas principalmente: Quero agradecer por tudo o que vocês leitores fizeram! Seja pra mandar palpites, me adicionar no MSN, mandar MP, enfim... "Não Se Esqueça de Mim" foi a fic mais complicada de escrever que eu já fiz, porém me trouxe muitas coisas que eu sequer iria imaginar... Foi por causa dessa fic que eu ganhei uma Pupila fofa demais que considero como uma das minhas melhores amigas de coração, e foi por causa dessa fic que eu tive a oportunidade de receber o carinho de todos vocês por essa fic. Foi uma experiência realmente única! Então eu só posso agradecer e esperar que todos tenham gostado do resultado!! n.nv

Agradecimentos também a minha beta querida, Motoko Li, que me ensinou muita coisa mesmo! Eu te adoro, sensei xD E espero que a gente esteja juntas aí nesse ano, mesmo que você pare de betar minhas histórias o/

E o Sasuke morreu xD Porém, continuou cultivando uma coisa muito importante por uma pessoa: O amor... Mesmo achando que a Sakura iria se esquecer dele e coisa e tal xD Ah, e espero reviews, pelo amor dos Santos ¬¬'

Bom gente, então eu fico por aqui! xD

Com toda a dedicação e carinho possível e impossível, é com prazer que eu termino "Não Se Esqueça de Mim"...

Kiah chan