Chegamos ao final dessa fanfic :(

Não acho que o final ficou do gosto de vocês, mas dei o meu melhor o/

Então me contem o que acharam ;)

Logo nos vemos em DyR


11 – Perdão

Uma das lições que aprendi durante esse último ano certamente foi a de que perdemos muito tempo planejando o nosso futuro, deixando passar momentos importantes, pequenos gestos como aquela vez em que mamãe fez vovô se vestir de Papai Noel por eu ser muito pequena para descobrir que essa figura natalina nada mais era do que uma invenção capitalista que fazia crianças felizes.

Ou ainda aquela vez que mamãe colocou leite para o bom velhinho e, quando eu não estava olhando, tomou para que eu achasse que tinha sido uma boa garota e que nós recebemos a visita especial.

Ou ainda quando eu disse que queria aprender a andar de bicicleta e papai nos levou para fora para satisfazer meu desejo. E, por alguns minutos, eu tive a contagiante sensação da liberdade... E me machuquei.

Teve também uma tarde, há muitos anos, que eu achava que estava preparada para sair sozinha com um garoto. Então, eu me arrumei, fiz uma maquiagem que, por Deus, tenho vergonha de lembrar e sofri a minha primeira decepção.

Em todos esses pequenos momentos, Edward estava lá.

Por isso, nos últimos meses, desde que eu recebera o maldito convite de casamento, me tornei uma pessoa mais pensativa, embora estivesse machucada com tudo o que aconteceu entre a gente.

Edward costumava ser o meu melhor amigo, o cara que sempre estava lá para me proteger e me consolar quando eu mais precisava, ele sempre sabia o que me dizer, então, onde foi que nos perdemos?

— Nós estamos no hall, Edward – limpei a garganta e repeti novamente.

Eu vi a mágoa em seus cristalinos olhos quando meu melhor amigo deu dois passos para trás.

— Eu... – ele mordeu o lábio inferior, sem saber o que dizer, com lágrimas se formando em seus olhos.

Peguei em seus braços fortes e o puxei para dentro do apartamento, empurrando a porta, que fechou com força. Então, eu finalmente o encarei, disposta a deixar tudo sair, por mais que isso me machucasse como o inferno.

Sentei em meu sofá, apoiando minha cabeça em minhas mãos, encarando o convite daquele maldito casamento todo rasgado, enquanto Edward ficava parado, talvez em choque ou só pensando em tudo o que tinha acontecido nos últimos meses.

— Eu não deveria ter vindo – meu amigo sussurrou, depois de alguns minutos.

Eu, no entanto, levantei a cabeça, encarei-o e explodi simplesmente porque não aguentava mais aquilo. Era tão difícil lidar com o fato de que, em alguns dias, perderia meu melhor amigo para sempre.

— A porra do seu problema, Edward, é fazer suposições – cuspi — E achar que está tudo bem quando isso não é verdade – respirei — Eu estou tão cansada e, honestamente, não tenho mais forças para lidar com isso... Com toda essa história.

Meu amigo, pela primeira vez na vida, se assustou com a minha explosão e arregalou os olhos.

— Se você tivesse me falado naquele dia como se sentia, você saberia que era recíproco e, supostamente, estaríamos planejando o nosso casamento ou morando juntos, como fizemos quando entramos na faculdade – quis afastar as lágrimas — Só que você... – parei, com vontade de gritar.

Eu queria dizer que ele tinha estragado tudo, mas essa foi uma situação que nós dois criamos, então, de quem era realmente a culpa?

— Eu só não queria acabar com a nossa amizade – murmurou.

Eu sabia que ele estava dizendo a verdade, porém isso não me impedir de soltar uma risada nervosa, cansada.

— Poxa vida, que irônico, não é? – zombei — Porque olha só onde paramos – ri — Comigo sendo enganada bem no dia do meu aniversário e, não, por mais que você me diga que não foi a sua intenção, aquelas imagens jamais sairão da minha cabeça – revelei — Na verdade, eu acho que não devia nem estar te dando esse tipo de explicação.

— Bella, me escuta – ele pediu — Apenas me escuta!

Precisei parar e respirei fundo.

— Lauren sabe que você está aqui? – perguntei desconfiada.

— Deus! – saiu de seu transe, vindo até mim, ajoelhando-se a minha frente e tocando minhas mãos — Você não está ouvindo? – perguntou desesperado — Eu sei que as minhas decisões do passado foram ruins, Bella – argumentou — Mas eu jamais apareceria aqui para dizer que eu te amo se estivesse com Lauren – declarou — O que eu tinha com ela foi... Um erro.

Engoli em seco, olhando em seus olhos, procurando alguma mentira, não encontrando nada mais que sinceridade ali. Eu o conhecia desde que éramos um bebê, não podia e nem queria estar enganada.

Tinha sido mesmo um erro?

— Do que você está falando? – sussurrei um pouco mais calma.

— Estou falando que acabou, Bella! – revelou — Não há mais casamento, eu não vou me casar! – anunciou — Eu simplesmente não posso... – sussurrou — Eu não posso fazer isso com nós dois, não sentindo o que eu estou sentindo – balançou a cabeça em negativa — Então, por favor, eu preciso que você me perdoe.

Chegamos, enfim, a palavra que definia toda a nossa história, embora eu não pensasse muito nela nos últimos tempos.

Perdão.

Eu era capaz de perdoá-lo por tudo que acontecera entre nós dois? Quer dizer, por mais que não quiséssemos, o tempo havia passado e eu nem mesmo sabia se ainda tinha um melhor amigo.

Fechei meus olhos, tentando colocar todos os meus pensamentos e sentimentos em ordem para me proteger, eu já não podia e nem aguentava sofrer por uma história que eu nem sabia se daria certo. No entanto, em todos os meus flashes de memória, em todos os pequenos momentos, Edward esteve lá. Por fim, eu tive a minha resposta.

— Nós dois erramos, Eddie – murmurei, abrindo os meus olhos e o encarei — E se você precisa que eu te perdoe, também preciso que você me devolva o mesmo sentimento – expliquei — Eu deveria ter feito mais, como te ouvir, por exemplo – sorri sem humor — No entanto, deixei que a mágoa me cegasse.

Para que nós dois nos perdoássemos, era preciso que deixássemos todos os nossos erros e magoas irem embora e, para isso, tinha que ser sincera e falar tudo o que guardei por anos.

— Eu juro que... – ele começou, mas eu o cortei.

— Eu só não confio em Lauren – confessei — Você não conhece a verdadeira essência dela como eu conhecia e não lidava com as escapadas dela dentro do hospital – contei — Você não estava lá, lidando com vidas o tempo todo, enquanto ela simplesmente se enfiava dentro da primeira sala vazia com alguns enfermeiros e outros médicos.

— Você sempre foi certinha demais, Bella – disse sorrindo, dando de ombros — Porém, descobri isso da pior forma possível – fez uma careta.

Arqueei uma sobrancelha como se estivesse ordenando que ele me contasse logo.

— Você é realmente assustadora quando me olha assim – respirou fundo, soltando o ar — Nos últimos dias, eu não tinha certeza se queria mesmo me casar – contou — É, existe mesmo aquela crise de incerteza antes de todo o evento acontecer – e sentou sob seus pés — Alice fez ameaças quando soube que eu havia enviado o convite e, então, eu comecei a pensar no futuro pelo fato de não me sentir um noivo. Jazz não atendia meus telefonemas há uns dias, Emmett apareceu no escritório ao mesmo tempo em que recebi seu bilhete falando para usar a passagem que te enviei em minha lua de mel – sorriu — Percebi que queria mesmo me casar, mas que faria isso com a pessoa errada – tocou meu rosto — Eu te amo, Bella, Deus, eu te amo e eu sinto muito por não ter falado antes.

Não sabia se estava pronta para perdoá-lo, mas eu precisava tentar. Só o tempo seria capaz de nos dizer se a decisão que nós tomamos foi certa.

— Por favor – sussurrou — Por favor, Bella, me perdoa – pediu.

Balancei a cabeça em afirmativa, deixando lágrimas rolarem por meu rosto.

— Eu te perdoo – deixei a verdade sair — Por favor, não me machuque.

Edward me puxou para seus braços, apertando-me em um abraço.

Tudo parecia diferente como se a barreira que eu construí em volta de mim tivesse ruído, ou melhor, meu melhor amigo tinha a destruído.

Eu esperava que essa tivesse sido a melhor decisão para nós dois, mas também sabia que ainda havia muito a se conversar. Apesar de eu ter perdoado Edward, eu estava pronta para entrar em um relacionamento?

Que se dane!

Puxei-o, grudei nossas testas, fechei meus olhos e o beijei, como se a minha vida dependesse disso.

Meu melhor amigo correspondeu, puxando-me para mais perto, passando os braços por minha cintura. Permanecemos assim até que o ar nos faltasse e nós dois estivéssemos jogados no chão da minha sala.

Eu não podia simplesmente mais ser racional e tentar proteger o meu coração porque isso só afastou as pessoas que eu amava. Dessa vez, eu permitiria me entregar.

— Eu sei que não deveria te contar isso e que você deveria sofrer por toda uma vida – sorri — Só que eu te amo tanto quanto eu te amava quando tudo isso começou – encostei minha cabeça em seu peito, sentindo algo no bolso de sua camisa, levei minhas mãos até lá.

Ele sorriu.

— É a chave do nosso apartamento – sussurrou — Encontrei-a no meu porta-malas quando estava colocando a minha bagagem no carro, antes de vir para cá – levou as mãos ao bolso, pegando o objeto e me entregando — Preparada para compartilhar sua vida comigo?

Balancei a cabeça em afirmativa. Eu estava feliz em começar a viver ao lado do homem que sempre amei, no entanto, sabia que teríamos vários obstáculos pela frente, que ainda brigaríamos muito para então fazer as pazes.

Eu estava preparada para viver sem amarras, sem sofrimentos, sem mágoas. Perdão realmente pode aliviar a alma daqueles que carregam um peso maior do que podem suportar.

Ter uma conversa sincera e civilizada com o meu melhor amigo foi um passo muito importante para o meu coração, que estava muito mais tranquilo. Porém, isso não foi o suficiente para impedir que Edward percebesse que eu e Mike tínhamos transformado o maldito convite de casamento em pedacinhos.

— Você não iria mesmo ao casamento? – Edward perguntou, me olhando, sério.

Balancei a cabeça em negativa, querendo esquecer que, em alguns dias, ele estaria casado e, consequentemente, nós teríamos que seguir as nossas vidas.

Edward não disse nada, mas veio até mim e me abraçou, permanecemos assim por um tempo, que eu não fui capaz de contar, e me ajudou a limpar a pequena bagunça que estava a minha sala.

A última semana havia sido maravilhosa, embora eu tivesse que me dividir entre a minha rotina no hospital e a visita de Edward, nós dois tivemos momentos incríveis, havíamos ido a todos os lugares que sonhávamos em conhecer, quando mais novos.

Só que eu sabia que, por melhor que tenha sido, em algum momento, ele precisaria voltar para casa, no entanto, a Irlanda já não era o meu lar, eu não estava preparada para deixar a Inglaterra, o hospital e as pessoas que me acolheram, o que era bem egoísta.

Naquela noite, eu parecia mais preocupada do que deveria, enquanto Eddie, sentado em meu sofá, mandava alguns e-mails por seu telefone. Ele parou de digitar e me olhou, notando a minha expressão e arqueou a sobrancelha.

— O que está acontecendo? – perguntou, largando o celular.

Eu não queria parecer fraca, mas se começasse a falar tudo que me preocupava, logo as lágrimas traiçoeiras surgiriam e eu não queria dar motivo para termos uma briga desnecessária depois de tantos momentos perfeitos.

— E só que... – parei e mordi o lábio inferior — Eu não quero nos magoar, Eddie e eu sinto que vamos fazer isso se continuarmos a conviver sem falar sobre o fato de que moramos em lugares diferentes agora – expliquei — Eu não vou voltar para Dublin – anunciei — Eu sei que é lá que meu irmão e Allie vivem agora, eu simplesmente não posso abandonar a vida que construí aqui...

— Eu jamais te cobrei isso, Bella – Edward murmurou, me cortando — E eu também jamais te pediria que abandonasse a rotina que construiu no último ano – explicou — Eu sempre serei grato a essa cidade que te recebeu quando você mais precisou e as pessoas que estenderam a mão, quando eu não fui capaz.

Balancei a cabeça e respirei fundo.

— Eu não quero que você se culpe – pedi — Por favor, Edward.

Ele segurou o meu rosto, como se nossas vidas dependessem disso, nossos olhos conectados, a respiração ofegante.

— Esse último ano serviu para me ensinar tanta coisa, Bella, e uma delas é que eu havia me desviado do caminho que eu deveria seguir, então, percebi que me tornei uma pessoa desprezível, magoando uma pessoa tão importante na minha vida – contou — Você é a minha luz, baby.

Antes que eu fosse capaz de segurar, as lágrimas deslizaram pelo meu rosto. Edward as limpou, dando um sorriso sincero.

— E você é a melhor parte de mim – disse — Então, se você não quer voltar, tudo bem – sorriu — O meu lugar é onde você estiver, o meu coração é seu, Bells, por mais clichê que isso possa parecer – abraçou-me e eu encostei a minha cabeça em seu peito, sentindo-me mais calma — Eu quero me casar com você – sussurrou — Quando estiver preparada, é só me dizer.

Balancei a cabeça, assentindo e permanecemos quietos, sentindo a plenitude do momento, a calmaria dos nossos corações, que, de alguma forma, estavam destinados a se amarem.

Mesmo com todos os problemas que enfrentamos para chegar até aqui, perdoar Edward me tornou uma pessoa melhor, entretanto eu sabia que isso também me faria uma pessoa insegura para o resto da vida.

E Edward aceitara conviver com isso porque o sentimento que nos unia é maior do que qualquer outra coisa.

E isso, honestamente, era o suficiente.