Capítulo 12 – A Verdade

- Como assim?

-Bom, você ouviu, não?

- Ouvi e não assimilei. Um mês? E você só me conta agora?

- Angie, eu precisava ter certeza de que era isso mesmo que eu queria fazer.

- Lógico, querida. Depois de seis anos de enrolação, tinha que sair alguma hora, não?

- Correto.

- Ainda acho que eu merecia mais do que um anuncio coletivo na plataforma. Eu sou sua melhor amiga ou não sou?

- A melhor das melhores, se isso é possível. Mas Booth e eu concordamos em darmos uma chance pra situação sem que ninguém ficasse "fazendo corrente de pensamentos positivos" como Booth colocou. Eu não entendi muito bem, mas concordei sem me rebelar.

- Ok, acho que posso superar isso um dia.

- E então? Como é com o Booth na cama?

- Maravilhoso. Se você imagina que é perfeito, pode ter certeza de que é muito melhor que isso. – Brennan disse atrás da palma da mão, num sussurro, como quem protege um segredo.

- Não me faça inveja.

- Não é bom com Hodgins?

- Melhor que bom. Eu amo aquele cara.

- Sabe Angela? Eu procurei por muitas verdades durante toda minha vida. Eu quis saber onde poderia encontrar meus pais, como era o mundo lá fora. Descobri como é ter uma amizade verdadeira e entendi que esses mesmos amigos podem te levar lá pra fora, pra onde você não conhece e te deixar confortável. Descobri coisas que eu não queria também, como a sensação de tirar a vida de alguém e as conseqüências emocionais que isso pode te trazer. Com um tempo, depois de muito relutar, descobri que o ciúme é uma verdade e que quando ele se faz presente, temos que lidar com isso, de uma forma ou de outra. Mas depois de muito ser deixada, abandonada e ferida, depois de me abrir para as coisas mundanas e ter que me fechar novamente, descobri dentro de mim uma verdade que eu sei que não vai mudar, a não ser que eu me esforce pra isso. Eu encontrei o amor. Acho que soube que ele era uma verdade há seis anos, mas eu corri como sempre faço. Quando resolvi parar de me esconder e me mostrar a ele, eu fui feliz. Cheguei perto do que acredito ser o conceito de felicidade das outras pessoas.

- Eu sempre soube que eu ia ouvir um discurso seu mais ou menos dessa forma. – Angela disse com os olhos cheios d'água, deixando que uma lágrima corresse sobre sua face, mas sem esconder o sorriso largo. – Fico feliz que seus olhos tenham se aberto pra realidade.

- Desbloqueei meu lado esquerdo.

- Como assim?

- O lado esquerdo do cérebro comanda o lado direito e também tem a função de "definir" sua história de vida. Eu mantive meu lado esquerdo obstruído por muito tempo, tentando escrever a história que eu achava conveniente. Mas, assim, como vocês dizem que não se manda no coração, a gente também não pode comandar o cérebro.

- Ok, querida, hora do fim da aula de ciências. Vem cá, me dê um abraço.

- Obrigada, Angie.

- Não, eu tenho que te dizer obrigada. Por ser quem você é.

E assim elas permaneceram por um longo tempo. Booth, que as observava do lado de fora da sala de Brennan, deixou-se inundar de pensamentos. Felizes, na verdade. Eram muitas verdades a serem discutidas e ainda descobertas.