Cometi um erro no ultimo capitulo, as fics serão postadas em segundas e sextas, somente haverá post em outros dias se eu puder. Eu não tenho muito disponível.

Capitulo dez

Por sorte só fora preciso encurtar as mangas do paletó e a bainha da calça. Penteou os cabelos curtos para trás e colocou os ócu los de lentes azuis.

Mike insistira em uma aula de recapitulação e voltara a en sinar a Bella como se sentar, falar e caminhar como um homem. Enquanto caminhava de um lado para o outro do quarto, vendo a sra. Denali costurar sua roupa, Bella ouviu as explicações de Mike sobre cavalos.

— Um animal com o lombo muito alto não é boa montaria, porque o cavaleiro terá a impressão de estar sempre escorregando.

Bella ouvia, e sentou-se em uma cadeira, com a perna passada por cima da outra coxa, o que devia ser uma visão ridícula, já que ainda usava seu vestido de musselina com minúsculas rosas bordadas.

— Não adianta — acabou por choramingar.

— É impossível decorar tantas coisas.

Mike fez um gesto de estímulo.

—Tudo correrá bem. Basta que examine todo o corpo do cavalo com a testa franzida, como se estivesse analisando cada músculo. Afinal, não vai comprar nada mesmo.

— E se o Conde pedir minha opinião?

— As perguntas básicas sobre um cavalo nada têm a ver com seu tamanho. O que interessa é saber se não é preguiçoso para correr e se irá obedecer ao cavaleiro ou ao cocheiro. Enfim, se é um animal de bom caráter. — Mike riu.

— Certa vez perdi uma aposta porque fiz pouco caso de um pangaré feio, mas que corria como o vento na pista. Era um animal de bom caráter.

— E como saber logo se um cavalo é de bom caráter?

— Por causa de algo em seu olhar quando vira a cabeça e olha para você.

Bella suspirou

— Não tenho muito tempo para aprender tantas coisas.

— Então não espere uma pergunta para responder. Seja a pri meira a perguntar.

Bella ponderou a respeito e concluiu que fazia sentido.

— Deus! São quase três horas!

— Acabei! — comunicou a Sra. Denali, cortando um fio de linha na calça.

Esquecendo as boas maneiras, Bella agarrou as roupas e saiu correndo para seu quarto de vestir.

Em poucos minutos achatou os seios com as faixas, vestiu-se, e colocou o chapéu, descendo as escadas no momento exato em que soavam três badaladas no carrilhão do vestíbulo.

Uma carruagem com o brasão de Cullen parou aporta. Bella apressou-se a sair e entrar no veículo aos tropeções, colidindo com mais dois cavalheiros que lá se encontravam.

— Vejo que é pontual. — resmungou Edward, sem se impor tar com a entrada intempestiva de Andrew.

— Não quis deixar os cavalos parados por muito tempo. Pode riam ficar nervosos.

Edward franziu a testa.

— Mas nem chegaram a parar de verdade... Deixe-me apresen tá-lo. Seth Clewater e Jacob Black

— Vai comprar ou só olhar? — perguntou Seth.

— Interessado em algum cavalo em particular? — quis saber Davis.

Os Swan não compravam um cavalo novo havia anos.

Possuíam duas éguas de idade avançada mas que ainda atendiam bem a família. No campo, mantinham um animal para o arado que, Bella esperava, viveria ainda mais alguns anos. Pigarreou e ajeitou os óculos. Mantendo a voz baixa para não se trair, respondeu.

— Só vou olhar. Vivo no campo e lá os cavalos servem para montar e arar. Nada de corridas.

— Costuma caçar? — inquiriu Seth.

Bella pensou que depois da morte dos pais dedicara-se exclu sivamente a cuidar da casa e de Rose.

— Não tenho muitas oportunidades.

— Problemas de saúde — acrescentou Edward.

Seth e jacob aquiesceram de modo discreto, e Bella agra deceu a intervenção.

— Estou ansioso para chegar ao leilão de Tatterrsall — disse o pretenso Andrew.

— Ouvi dizer que a mercadoria ali é de primeira.

Os três homens se entreolharam, e Edward pigarreou.

— Cometi um erro e me desculpo. Pensei que soubesse que me referia ao leilão anual de Squire Humphrey. Mas não ficará desa pontado. Alcançou uma boa reputação ao longo dos anos e apre senta excelentes mercadorias.

O conde, Clewater e Black encetaram uma acalorada discussão sobre cavalos, e a viagem prosseguiu sem incidentes.

Estacionaram a carruagem no fim de uma fila de veículos si milares, e cruzaram a pé um caminho enlameado que conduzia às estrebarias. Ali encontraram uma grande multidão, e logo o grupo se dividiu. Seth e Jacob estavam interessados em um determi nado alazão e não queriam perder tempo examinando as parelhas. Combinaram de se encontrar na carruagem de Edward dentro de duas horas.

Bella acompanhou o conde que caminhava sem aparente obje tivo certo, em meio à enorme quantidade de visitantes, ora parando para admirar um animal, ora conversando com um vendedor ou conhecido. Bella refletiu que nunca fora apresentada a tantos ho mens em uma só tarde.

Algumas mulheres também estavam presentes, porém preferiam ficar dentro das carruagens paradas ao redor da exposição. Podia perceber rostos cobertos por leques e chapéus, e parte dos vestidos elegantes. Tentava se concentrar no que Edward dizia e onde punha os pés, já que o estéreo se misturava à lama.

O conde parou em frente a uma parelha de cavalos cinzentos, examinou-lhe os dentes, os cascos, e passou a mão na parte pos terior do pescoço deles, enquanto o vendedor descrevia as quali dades dos animais.

— O que acha?

A pergunta inesperada tomou Bella de assalto. Para ganhar tem po, apoiou o queixo na mão e franziu a testa.

— Bem, a questão principal é saber se têm bom caráter.

— Tem razão — murmurou Edward.

Pôs a mão em seu ombro e continuou a caminhar na direção da parelha negra.

— Muito bem, vamos ao que interessa. As parelhas lá adiante.

— Não entendo. Se são os únicos animais aqui que deseja ad quirir, como disse no bilhete que me enviou, por que não nos di rigimos para lá logo que chegamos?

O conde lançou-lhe um rápido olhar de esguelha.

— Não é um grande comprador de cavalos, é? Bella deu de ombros.

— Se um vendedor perceber o quanto está interessado em de terminada mercadoria irá aumentar o preço. Mas se demonstrar que está interessado por várias e depois fingir que pretende ir em bora, pode contar que fará um bom negócio.

Bella aquiesceu com um gesto de cabeça.

— Compreendo. O princípio econômico de oferta e procura em seu nível mais básico.

Edward sorriu.

— Diria que o nível mais básico se encontra nos relacionamen tos humanos. Essa é sua primeira íição do dia. O comércio de cavalos é o exemplo número um da arte de como atrair uma mulher. Expresse seu interesse, porém deixe claro que outras também cha mam sua atenção.

Bella sorriu de modo discreto. As mulheres já faziam isso com os homens havia centenas de anos, refletiu.

— Entendi — murmurou, repetindo como se fosse uma criança aprendendo a soletrar.

—Primeira regra: Não permita que a mulher pelo qual está interessado saiba disso.

— Perfeito. Agora, enquanto converso com o vendedor, gosta ria que se afastasse por alguns minutos. Vá tomar um refresco... Faça o que quiser.

— Por quê?

— Sua ausência será uma desculpa ideal para que me afaste quando for mais conveniente.

— Mas quero ouvir o que vai dizer ao homem.

Edward hesitou, sem dúvida lisonjeado com a confiança que o jovem pupilo demonstrava.

— Seria educativo para mim. — insistiu Bella.

O conde não conseguia acreditar que estava cedendo, porém permitiu.

— Fique rondando e apure os ouvidos, mas fora das minhas vistas.

— Claro!

O plano correu às mil maravilhas. Mal o vendedor começou a declamar as qualidades dos cavalos, Bella se afastou para admirar outros na baia ao lado.

Preocupada em olhar por onde pisava, quase colidiu com James e Jasper. Com presença de espírito, esgueirou-se atrás de uma enorme égua branca. O que seu irmão estaria fazendo ali? Se a visse no disfarce de Andrew, não teria problemas em desmasca rá-la, pois usava o paletó, a camisa e a calça dele.

E quanto a James ? Bella não queria nem pensar no que faria se a reconhecesse. Inclinando-se para olhar as patas da égua, es perou até ver a dupla se afastar. Mas os dois pararam na frente da mesma égua e começaram a discutir a respeito do animal. A qualquer momento um deles poderia dar a volta para completar a inspeção.

Com gestos lentos, Bella foi caminhando de costas, e logo saiu correndo. Viu-se perdida em meio ao torvelinho de palha, pessoas, equipamentos, lama e excremento, porém temia se dirigir à saída principal. O melhor a fazer seria voltar para a carruagem de Edward e esperá-lo ali. As botas de Jasper que tomara emprestadas estavam recheadas de papel porque eram muito grandes para seus pés pequenos, e já começavam a formar bolhas.

Encontrou uma baia vazia e sentou-se sobre um monte de feno.

Daria tudo por uma bacia de água morna com ervas aromáticas e um par de chinelos de seda, pensou Bella. Por sorte lembrou-se de sentar como um homem, e esparramou as pernas.

O movimento brusco assustou um enorme rato do campo que saiu do monte de feno, e Bella não teve certeza de quem fez mais barulho. Se ela com seu grito agudo ou o roedor. Pulou para cima do feno, e embora o rato já tivesse desaparecido, continuou a tre mer como vara verde.

Quando viu alguém com a mão estendida para ajudá-la, segu rou-a de modo instintivo, e pulou de maneira graciosa, esquecen do-se do papel de Andrew que ainda representava.

Só então percebeu o erro.

Arrancou a mão, porém diante do olhar de Black, pressentiu que era tarde demais.

—Eu... Subi ali para... Ver se encontrava a carruagem de Edward no meio das outras.

Jacob cruzou os braços sobre o peito.

— Pode ser, mas acho que esconde alguma coisa, Andrew. E creio que esse não é seu verdadeiro nome.

— Raios! — blasfemou Bella, deixando-se cair de novo sobre o feno.

Fora desmascarada e só lhe restava implorar a Edward por piedade. Não para si mesma, mas pensando em Rose. Faria tudo para proteger a irmã.

— Vá em frente — murmurou para Jacob.

— Encontre lorde Edward e conte-lhe toda a sórdida história.

Em vez de ir embora, Jacob sentou-se a seu lado.

— Isso está ficando interessante — replicou com os olhos bri lhantes.

— Quer dizer que Edward não sabe que você é mulher?

Bella aquiesceu, fazendo-o soltar uma gargalhada. Mas logo parou de rir e a encarou com severidade.

— Está querendo chantageá-lo? Engendrou uma armadilha ma luca para induzi-lo ao casamento?

— Nada disso!

Porém Bella sabia que o único modo de convencê-lo seria re velando seu abominável segredo. Suspirou e contou que era escri tora, detalhando o plano da descrição do jogo, mas omitindo sua verdadeira identidade.

Quando terminou, Jacob bateu com as mãos nos joelhos.

— É fantástico demais para ser verdade. O velho e emproado Cullen enganado por uma moça. Que coisa!

— O conde não é velho nem emproado — retrucou Bella com brusquidão.

— E prefiro não ser chamada de "moça" nesse tom que empregou.

— Desculpe. Mas deve admitir que Edward não tem bom humor para certas coisas.

— Creio que é astuto.

— Não é a mesma coisa. Já o ouviu gargalhar ou rir com von tade?

— Mal o conheço...

— Então nunca o viu lançar aquele olhar de suprema sapiência e desdém?

— Bem...

— Ah! Sabe a que me refiro.

Quem cala consente, e Bella ficou muda.

— Portanto percebe o humor nessa situação. Mal posso esperar para ver a expressão do lorde quando souber da verdade.—Jacob esfregou as mãos, animado. — Será tão bom vê-lo perder o con trole pelo menos uma vez. Por favor permita-me que esteja pre sente quando isso acontecer.

— No momento ainda não tenho a menor intenção de fazê-lo conhecer a verdade. Creio que já obtive algumas informações que precisava, e pretendo fazer com que Andrew parta em uma longa viagem. Aliás tinha a intenção de enviar um bilhete para Edward amanhã.

— Não pode desistir agora.

— Por quê? Como disse, já tenho muitas informações para usar em vários livros, obrigada.

— Tolice! Há muito mais para conhecer. Bella balançou a cabeça em negativa.

— Irei ajudá-la, e Seth também.

— Seth? — repetiu Bella, quase engasgando.

— Claro! Isso é muito divertido para deixá-lo de fora. Podere mos dar um passeio nos Jardins de Vauxhall, um lugar onde as mulheres respeitáveis não pisam.

Bella hesitou, mas voltou a balançar a cabeça.

— E que tal uma taberna? Poderá usar a descrição em um de seus romances. Conheço uma onde se reúnem piratas, ladrões e contrabandistas. Vai gostar.

A oferta era de fato muito interessante para uma escritora, mas era preciso recusar, refletiu Bella. Até o momento enganara a to dos, porém Jacob já descobrira a farsa, e seria apenas uma ques tão de tempo até Edward descobrir também. O risco era muito grande.

— Obrigada — murmurou. — Se chegar ao fim deste dia ilesa, Andrew irá desaparecer.

— Levantou-se e ajeitou o paletó. — De que lado está nossa carruagem?

Viu Edward encostado na portinhola do coche, os braços cru zados sobre o peito de maneira displicente, como se fosse o dono do mundo. Seth encontrava-se ao lado.

Bella sorriu com cumplicidade para Jacob , e foi se aproxi mando com as mãos nos bolsos e andar duro, cantarolando a mú sica tola que ouvira James e Jasper cantar na noite anterior.

— Comprou a parelha negra? — indagou ao se aproximar. —Cheguei a um acordo, e meu secretário irá tratar dos detalhes.

O que vocês dois andaram fazendo?

Jacob ficou pálido como um fantasma, e Bella tratou de cha mar a atenção de Edward.

— Andei escutando vários comentários a esmo, e foi muito educativo.

Piscou um olho de modo dúbio para o conde, a fim de fazê-lo pensar que talvez tivesse posto em prática os ensinamentos sobre como conquistar as mulheres.

O estômago de Bella roncou de modo barulhento, fazendo-a fitar Jacob que corou como uma criança.

Será que pensa que as moças não sentem fome?, pensou con sigo.

— Estou faminto — exclamou. — E vocês?

— Vamos jantar no meu clube, e depois o levarei para jogar — replicou Edward.

Afinal! O salão de jogos!, pensou Bella. Apesar de seus pro testos anteriores para Jacob sobre acabar com a farsa e fazer Andrew desaparecer, a idéia de passar mais algumas horas ao lado do conde a fascinava. Recusando-se a analisar tal sensação, aquiesceu.

Visitar o interior de um clube masculino e um salão de jogos, tudo em uma só noite!

E na companhia de Edward! Era mara vilhoso! Sentiu um frio no estômago, que atribuiu à fome.

Seth pigarreou.

—Existe uma taberna respeitável aqui perto na estrada. Servem uma torta de carne de porco muito boa.

— Grande idéia! — concordou Jacob.

— Seu clube é muito sofisticado, Edward.

— Nada disso! — retrucou o conde.

— Não tenho nada contra a comida das tabernas, mas já fiz meus planos

— Porém falta muito tempo para o jantar — protestou Seth.

— Deus! Parecem dois bebês que devem ser alimentados de duas em duas horas. Muito bem, comeremos na taberna.

Assim dizendo, Edward abriu a portinhola da carruagem e todos se acomodaram. Em seguida assobiou, chamando o cocheiro e o lacaio que logo acorreram.

— Gostaria de saber assobiar assim — murmurou Bella.

O resto da viagem transcorreu em meio a uma discussão de como assobiar corretamente. Quando chegaram à taberna, Bella já conseguia emitir um som passável, franzindo os lábios.

Ao apear, notou a tabuleta com um ganso verde, que lhe pareceu familiar. Dando de ombros, seguiu o grupo. Parará em poucas tabernas durante sua vida, e uma era sempre muito parecida com outra, concluiu.

Enquanto Edward se adiantava diante do grupo para entrar na taberna, Jacob desculpou-se e arrastou Seth para o atalho que levava aos fundos do prédio. Bella seguiu o conde, olhando para todos os lados, tentando descobrir por que se sentia tão inquieta.

Edward falou com uma jovem gorducha e corada, explicando que estava com pressa e que uma mesa a um canto do salão esta ria bem.

Após uma breve espera, enquanto o conde fez perguntas super ficiais sobre o leilão e Bella respondeu com monossílabos, foram conduzidos à mesa, e logo os dois rapazes vieram se unir a eles.

A esposa do taberneiro logo chegou, sorridente.

— Lorde Cullen, é um prazer revê-lo.

A sra. Stanley! Bella desejou se enfiar na terra e nunca mais sair! Estavam na mesma taberna onde fingira ser a esposa do con de. Levantou-se para correr, mas o caminho estava bloqueado por um grande grupo de homens sentados na mesa em frente. Então percebeu que de nada adiantaria fugir. Edward sabia onde mo rava. Talvez fosse melhor confessar tudo antes de ser desmasca rada, raciocinou de modo febril.

Nesse meio tempo Edward se levantara e beijava a mão da Sra. Stanley como se fosse uma grande dama. Deleitada, a matrona riu como uma menina de escola e bateu com o pano de prato no braço do lorde, de maneira brincalhona.

— Sente-se. Não gaste seu charme comigo. Meu marido já foi buscar seu uísque favorito.

— Os rapazes estão com fome e sei que sua torta de carne de porco é divina.

— Se soubesse que viriam teria providenciado algo especial, mas só tenho a oferecer torta de carneiro e um assado. — A sra. Stanley olhou em torno da mesa, com as mãos nos quadris volu mosos.

— O que vai ser, rapazes?

Bella deixou escapar um suspiro que estivera retendo desde que vira a sra. Stanley. Com sorte não seria reconhecida com os trajes masculinos, refletiu. Tratou de observar Seth e Jacob e copiar suas poses, e fincou os braços sobre a mesa. Quando escolheram o prato, concordou sem hesitação.

Uma jovem trouxe três canecas de cerveja e uma garrafa de uísque, que colocou sobre a mesa. Os dois rapazes tomaram cada um grandes goles, e Bella se lembrou que já experimentara cer veja e não gostara. Jamais apreciara bebidas alcoólicas, talvez pelo fato de os homens de sua família terem uma inclinação para as bebedeiras.

Mas aquele era um dia muito quente, e estava suada e sedenta. Imitou os companheiros, e emborcou a caneca com vontade.

A Sra. Stanley aproximou-se da jovem que servia, e passou um braço pela sua cintura.

— Esta é minha filha Jessica, e quero que vocês, rapazes, se comportem bem com ela.

— Fique tranqüila, sra. Stanley — respondeu Seth, limpando a boca com um guardanapo.

— Nada de gracinhas — corroborou Jacob com ar solene. A sra. Stanley resmungou, satisfeita, e se afastou levando a

filha, que olhou sobre o ombro e sorriu para o grupo.

Bella riu, ao ver as expressões contidas no rosto dos dois ca valheiros mais jovens.

Edward sorriu também.

— Pensei que a Sra. Stanley não conhecesse a reputação de conquistadores que vocês têm.

— Bem, sabe como é... Se houver oportunidade...

Seth falou em tom malicioso, mas em seguida lançou um olhar na direção de Bella e baixou a cabeça.

Quer dizer que seu amigo Jacob já lhe contou a meu respeito, pensou Bella, mordendo o lábio. Sem dúvida não perdeu tempo. Percebeu que precisava tomar uma providencia para deixar Seth à vontade, senão jamais conheceria o clube masculino e o salão de jogos.

— Claro, Edward — intrometeu-se, fitando o conde. — Vai me dizer que nunca foi jovem?

— Não sou velho — resmungou. — Estou apenas fazendo um comentário.

— Bem, essa é a sua opinião. — retrucou Bella. Os dois outros soltaram gargalhadas.

— E você também, Andrew — disse Edward, girando a ca beça e fitando Bella.

— Trate de manter seus cotovelos ossudos sobre a mesa e não tente nenhuma gracinha com as moças.

Bella ergueu o queixo em desafio.

— Senão o que acontecerá?

Seth e Jacob riram mais ainda, talvez pelo fato de conhece rem seu segredo, mas Bella manteve-se atenta a Edward. O lorde podia ser muito bom para controlar a expressão do rosto, mas seus olhos não a enganavam e traíam suas emoções. Adorava o tom verde-escuro que adquiriam quando ele estava se divertindo com al guma coisa.

Então lembrou-se que o via através das lentes azuis dos óculos e talvez estivesse enganada. O conde fingiu desespero, erguendo o rosto para o teto.

— Isso é que dá ter sido educado pela tia. Não sabe encarar uma provocação de brincadeira sem parecer uma menina ofendida. Se um dia perder a paciência comigo e tentar me agredir, previno-o que acabará com todos os dentes quebrados.

Bella baixou os olhos.

— Nunca tive oportunidade de fazer esportes ou lutar... Aquelas palavras pareceram amolecer o coração do conde.

Bella lançou um olhar de advertência para os dois rapazes, que quase haviam enfiado o rosto nas canecas de cerveja,

— Por que vocês estão rindo como dois idiotas? Qual é a graça? — perguntou Edward em tom irritado.

Voltou-se para Bella e fechou o punho sobre a mesa.

— Veja. Aperte bem e mantenha o polegar sobre os outros dedos.

Sua mão sempre tão esguia e elegante, de repente parecia uma arma letal e perigosa.

— Vamos! Experimente fazer o mesmo.

Bella imitou-o, mas seu punho era pequeno e frágil diante da força de Edward que, insistente, soltou os dedos e exibiu a palma.

— Bata com força!

Bella obedeceu, sabendo muito bem que devia estar ridícula, tentando golpeá-lo. Por sorte a comida chegou, e o conde lhe deu um tapa amigável no ombro.

— Muito bem! Vamos comer.

Deus! Aquilo não era um prato que tinha diante de si, pensou Bella. Parecia uma travessa para seis pessoas! Duas tortas que a garçonete chamara de "individuais", mas que dariam para alimen tar uma família de quatro pessoas, e uma montanha de purê de batatas com uma quantidade de molho que conseguiria afogá-la!

Não vou conseguir comer nem a metade, concluiu consigo.

— Obrigada — disse em voz alta, sorrindo para Jessica. Espantada, viu que a jovem se debruçava sobre a mesa, roçando

o seio em seu braço, com a desculpa de colocar os talheres. De modo automático, ergueu os olhos e viu-a piscar um olho com malícia.

Jacob quase engasgou com o riso.

— Acho que gostou de você... Andrew.

Por que não pára de enfatizar o meu nome com ironia cada vez que abre a boca?, pensou Bella com irritação.

Seth tratou de tomar mais cerveja para não engasgar também.

Parecendo não ter percebido nada do que acontecia a seu redor, Edward anunciou:

— Pretendo levar Andrew ao ginásio de boxe amanhã. Como não estava preocupada com o amanhã, Bella gostou de mudar de assunto. No dia seguinte enviaria suas desculpas e esse seria o fim da farsa. No momento só precisava se concentrar em sobreviver até o final da noite. Observando os homens, tratou de comer depressa e fingir um enorme apetite. Jacob assumiu um ar sério.

— Tenho certeza que será ótimo para Andrew aprender boxe. Poderei ir também com Seth. Não nos fará mal recordar essa luta.

Silenciou as risadas de Seth com uma cotovelada.

— Raios! — resmungou Bella.

— Cabeça erguida, companheiro! — encorajou Jacob.

— Já estamos sob o comando de Edward há algum tempo. Não iremos caçoar de você.

Bella endereçou-lhe um sorriso nada gentil.

— O que quer dizer com comando? — perguntou Edward.

—Só ofereço meus conselhos quando creio que sejam necessários. Aliás, não pedi que vocês dois me acompanhassem para todos os cantos.

Bella olhava para os três, percebendo que havia um entendi mento secreto naquelas palavras.

Edward consultou o relógio e levantou-se de modo abrupto, atirando várias moedas sobre a mesa.

— Meu alfaiate espera Andrew. Encontro-os na carruagem em cinco minutos.

Deus! Esquecera do alfaiate!, pensou Bella. Observou-o se di rigir ao bar e trocar algumas palavras como o sr. Stanley que, por sorte, não viera conversar com o grupo à mesa. Como se livrar do alfaiate?

Jacob aproximou-se, e Seth pediu licença para ir ao banhei ro. Bella sentiu-se tentada a acompanhá-lo, porque sua bexiga es tava cheia, após tanta cerveja. Mas era melhor se controlar.

— Não se preocupe — sussurrou JAcob com simpatia. — Estarei lá para ajudá-la.

Bella o fitou, espantada.

— No banheiro?

Foi a vez do rapaz se espantar.

— No alfaiate.

— Oh! Certo! — Como era tola, pensou. Jacob não poderia ter lido sua mente.

— Bem, um problema por vez.

Mas o rapaz riu, percebendo porque Bella mencionara o ba nheiro.

— A senhorita é incrível!

— Por favor, aqui meu nome é Andrew.

— Está certo. Venha comigo e garantirei que ninguém a per turbe.

Rumaram para as casinhas de madeira no fundo, e Bella ocupou uma delas, enquanto Jacob montava guarda.

Quando Edward os encontrou na carruagem, Seth já subira e ressonava com o chapéu sobre o rosto.

—Tem bom senso — murmurou o conde.

— A noite será longa e vale a pena repousar.

Todos se acomodaram, e Bella lançou um último olhar para a taberna, onde viu a Sra. Stanley puxando a orelha de Jessica.

Observando-a, o conde comentou:

— Fez bem em não ter flertado com a menina. Os Stanley são gente boa e meus amigos. Jessica precisa ser mais recatada.

Então ele percebera o comportamento da moça, refletiu Bella. Por isso fora conversar em particular com seu pai no bar. Que homem estranho era lorde Cullen ! A alta sociedade o julga va um devasso, mas tinha atitudes de homem muito sério e con servador.

Fora tolice de sua parte imaginar que o conde não notara nada do que acontecera à mesa. Parecia tomar conhecimento das coi sas mais insignificantes. Então por que ainda não percebera seu disfarce?

A resposta surgiu em seu cérebro, e não era nada lisonjeira. Mesmo que se apresentasse como mulher, refletiu, não era o tipo de Edward, muito alta e magra para chamar sua atenção. Portanto, como não havia nada que o atraísse em sua pessoa, era fácil passar por homem diante do conde, que não se dava ao trabalho de observar detalhes em seu rosto ou corpo.

Sim, era um raciocínio lógico, considerou, embora nada agra dável. Mas afinal, depois desta noite, não precisaria mais falar com o conde. E se por acaso se encontrassem em algum acontecimento social, seriam dois estranhos.

Ergueu o rosto, e viu que Edward a observava com atenção. Contrafeita, tratou de empurrar o chapéu sobre o rosto e cochilar também.

Edward fez o mesmo, e tentou dormir um pouco. Marie voltava sempre aos seus pensamentos. Precisava de uma mulher, essa era a verdade. Quanto tempo fazia desde que rompera com Tânia? Seis meses. E desde então não procurara a cama de outra. Sim, precisava de sexo, mas o problema era que só desejava Marie.