ANIMAGO MORTIS
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Capítulo XII – Crimes
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Hermione, acompanhada de Gina, entravam rapidamente na biblioteca para entregar
o livro que havia emprestado. Com um sorriso ligeiro, cumprimentava Madame
Pince, a bibliotecária.
_Irá levar outro livro hoje, Srta Granger? – perguntava com raro sorriso, a
bibliotecária.
_Suponho que não, Madame Pince.. a menos que... será que a senhora teria livros
trouxas? Sabe, romances escritos por trouxas? Gostaria de ler algo de um mundo
em que nem tudo fosse possível...
_Querida.. nem no mundo mágico tudo é possível. E, não. Não temos tais livros na
biblioteca.
Com um suspiro frustrado, Hermione devolve um sorriso triste à Madame Pince, já
se retirando.
_Bem.. irei revisar algumas matérias para passar o tempo. Obrigada, Madame
Pince.
_...Não temos tais livros na biblioteca.. mas tenho algumas coisinhas
interessantes no meu acervo pessoal. Posso lhe emprestar alguns títulos, se a
senhorita ainda estiver interessada.
Hermione virou-se para a bibliotecária num largo sorriso. Toda a melancolia que
estava sentindo pareceu ter se dissipado no ar. Enquanto Gina conversava com
alguns alunos que estavam numa mesa próxima às janelas, Hermione ficou esperando
o retorno de Madame Pince, que desapareceu por uma porta atrás do balcão. Ter
algo novo e diferente para ler seria muito bem vindo. Apesar de ter nascido em
família não-mágica, há muito tempo que não lia coisas escritas por trouxas.
Mesmo nas férias, estava sempre com um livro bruxo em mãos. Estremeceu ao
lembrar-se disso e de outras lembranças que se desencadearam juntas...
Ela era nascida trouxa e nos últimos anos, involuntariamente, estava se
distanciando muito de tudo que pertencia a sua origem. Nas férias, quando
voltava para sua casa trouxa, não lia nada além de livros, revista e jornais
bruxos. Raramente via televisão e não se importava com os noticiários, mesmo que
mostrassem assuntos de relevante importância. Por vezes pegou-se criticando
atitudes dos trouxas e sua forma de vida. Por duas ou três vezes criticou e
chegou a zombar de seus próprios pais pela incompreensão deles por assuntos
acerca do mundo mágico... meu deus! O que ela pensava que estava fazendo afinal?
Estava ela negando a sua própria ascendência? Se ela estivesse fazendo isso
seria tão terrível quanto os bruxos puros-sangues que discriminavam pessoas como
ela!
Suas divagações foram logo interrompidas pelo aparecimento de uma excitada
Madame Pince, que lhe trazia um volume encadernado.
_Este daqui é uma Antologia de Romantismo, com os melhores autores desse gênero.
O Romantismo foi um movimento literário que surgiu na Europa do século 18 e que
se alastrou até por terras distantes da América do Sul. Há a reunião de contos e
poesias de muitos autores aqui, de diversas nacionalidades. Os escritos são de
uma beleza ímpar. Tenho certeza que gostará muito e lhe ajudará a atravessar
melhor essa fase que está vivendo, Srta Granger...
Hermione corou levemente. Que o ocorrido havia se espalhado aos quatro ventos,
não havia a mínima dúvida a respeito, mas era surpreendente como ela estava
deixando seu estado emocional transparecer. Não que Madame Pince fosse qualquer
um como a grande maioria dos seus colegas eram, mas se até ela que vivia tão
entretida com sua biblioteca estava percebendo que algo não ia bem consigo...
bem, ela deveria tomar uma atitude mais digna e manter seus sentimentos o mais
ocultos possíveis. Tudo bem que ela foi quase morta, mas isso não fora nem de
perto a primeira vez e todos estava mais condescendentes consigo. Não, não era
ruim, obviamente. Sentia-se feliz por estar sendo tratada tão amigavelmente bem
por quase todos, mas, de certa forma, isso incomodava... era como se invadissem
sua privacidade.
_Leve senhorita e cuide muito bem dele. Este livro é um dos meus preferidos e eu
tenho muitos ciúmes. Devolva-o quando se sentir mais confortável com o que ele
tem a lhe dizer. – Madame Pince alcançava com as duas mãos os livro encadernado
em couro de forma bastante simples.
_Muito Obrigada, senhora...
*
O sol ainda lançava seus últimos raios flamejantes sobre a paisagem. No
horizonte, um imenso círculo disforme parecia tremular com as finas nuvens que o
rodeavam. A atmosfera adquiriu uma tonalidade dourada. Pequenos insetos e
plantas minúsculas eram carregados pela brisa incessante. O perfume de folhas
amornecidas pelo dia ensolarado tomavam conta do ar.
Nicolai parecia se divertir muito relembrando com Snape os velhos tempos como
estudante de Hogwarts. Ambos eram amigos muito próximos, tanto quanto era
possível com pessoas de suas estirpes. Dumbledore participava da conversa. Era
bom rever Severus como era em sua época de estudante, menos amargo com a vida, e
o garoto Donskoi, que parecia querer recuperar o tempo perdido. O estranho disso
tudo é que não se lembrava de que ambos poderiam ser capazes de se divertirem
com uma simples conversa... certamente eles não eram, em sua época, mas diante
de si haviam dois personagens que muito perderam em suas vidas.
Mas era necessário trazer a tona um assunto muito desagradável, mesmo porque o
futuro desse rapaz dependia disso e se o futuro dele seria continuar de onde
parou há 20 anos ou ser trancafiado em Azkaban era algo em que eles teriam muito
o que trabalhar. Mas, definitivamente, faria todo o possível para que a segunda
opção fosse totalmente descartada.
_Eu sinto ter que interromper as recordações de vocês, mas... Severus,
precisamos tratar com Nicolai o péssimo assunto chamado Ministério da Magia.
_Ministério...? Ah, sim... havia me esquecido que a.. vida humana tem dessas..
inconveniências... – Nicolai deixava de sorrir para tomar uma expressão
preocupada e ele bem sabia que tinha muito a se preocupar em termos de
Ministério da Magia.
_Lamento lhe dizer, filho, mas o Ministério anda pressionando Hogwarts desde o
ocorrido. Infelizmente não tivemos como manter tal incidente em sigilo. É
provável que amanhã recebamos a visita de agentes do Ministério e talvez até do
próprio Ministro Fudge.
_Iremos preparar uma defesa para Nicolai, não é mesmo Alvo? – Snape perguntava
temeroso pela negativa, embora tivesse certeza de que Dumbledore não iria
desamparar o rapaz, não agora que eles constatavam que diante de si estava um
jovem de boa fé e que poderia vir a ser muito útil no combate às forças de
Voldemort.
_De-defesa?! Eu cometi algum crime? Eu estive preso por uma maldição por 20 anos
e serei ainda punido por isso?! – Nicolai ficou apreensivo com a notícia, tanto
que sua voz conseguiu ganhar toda a força que ainda não tinha.
_Bem, Nicolai... ser um animago sem licença é um crime aqui na Inglaterra... –
Dumbledore falava devagar, como estudando a reação do rapaz.
Snape completaria as outras acusações.
_...ser um comensal da morte é um crime grave e... assassinato é um crime em
qualquer parte deste planeta.
Nicolai ficou estupefato, embora soubesse que era verdade, mas não havia
cogitado essa possibilidade. Aliás, com apenas poucas horas acordado em sua
forma humana pela primeira vez em duas décadas, ele cogitou pouquíssimas
possibilidades a serem feitas e alguns problemas a serem encarados, mas nenhum
deles era além de seu desejo de terminar seus estudos e poder conversar com
Hermione, tentar esclarecer essas partes obscuras de sua vida com ela...
_... eu não tenho mais a.. marca negra e... como o Ministério hoje poderia saber
de.. assassinatos que cometi há 20 anos atrás.. se nem naquela época..
conseguiram descobrir?
_Do que você está falando, Nicolai? Você acabou de dizer que jamais matou por
ordem de Voldemort? – Dumbledore levantou-se do banco, mergulhando em um
profunda preocupação. Como pode o garoto falar sobre assassinatos cometidos por
ele de uma forma tão fria e tão natural?!
_Reitero o que disse, professor... jamais matei um inocente. Jamais matei por
ordem de Voldemort, mas... eu consegui eliminar pelo menos uns oito seguidores
dele. Peguei-os em emboscadas, sempre quando eram enviados em missões sem que eu
estivesse presente. Às vezes eu conseguia entrar em contato com aurores, mas
quando estes não apareciam... bem, digamos que tenho uma certa prática com avada
kedavra...
Dumbledore sentou-se novamente no banco de pedra, envolvendo-se com seus
pensamentos, o que deixou Snape preocupado com a conclusão de que o Diretor
poderia vir tomar em relação a Nicolai. O que o garoto dizia tinha seu fundo de
verdade, pois essas emboscadas a comensais e avisos anônimos aos aurores
realmente aconteceram na época, o que contribuiu para que aquela guerra não
fosse ainda pior do que fora.
_Então foi você o primeiro traidor de Lord das Trevas, Nico? Então fora você
quem entregara a maioria dos planos naquela época?
_Isso lhe condoeu, Severus? Não sou traidor de "Lord das Trevas" porque jamais
lhe fui um aliado. E, sim! Ser um gato tem suas vantagens. Nem meus pais sabiam
da minha animagia. Isso ajudou muito.
_Diga-me, Nicolai... fora Voldemort que o amaldiçoou? Como ele descobriu sobre
isso?
_Voldemort sabia que eu não temia a morte. Eu estava humilhado. O nome de minha
família fora desonrado no momento que meus pais entraram para o Círculo das
Trevas. Nos tornamos párias. Eu preferia a morte a viver com isso... então ele
me deu uma sobrevida insignificante, depois de ser torturado por alguns dias,
claro... isso fora pior que morrer dez vezes.. e ele sabia disso.
_E quem o delatou a Voldemort?
_Peter Pettigrew.
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Fim do Capítulo XII – continua...
By Snake Eyes – 2004
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