Não eu não posso acreditar que isso está acontecendo comigo, não de novo não, não ela, não depois de tudo que eu fiz.

A dor em meus joelhos ao se chorarem com o chão eram uma prova irrefutável que este não era um pesadelo sonhado, mais sim um pesadelo dessa realidade maldita a qual eu estava preso. Enfiei as mãos com força na cabeça, e dela para os cabelos puxando-os com força, me joguei para frente e bati com a cabeça no chão e comecei a esmurra-lo com o punho fechado, lágrimas de desespero do fundo do meu amago desciam por me rosto e se perdiam no caminho do meu torço. E gritei, gritei como um babaca que não pode fazer nada, por que era exatamente isso, eu não poderia fazer nada.

Merlin, ela estava grávida, eu a deixei sozinha e grávida. O que ela não teve que enfrentar até chegar aqui? O que ela não sofreria nas mãos daqueles comensais, eles a fariam sofrer tanto, tanto que a morte seria uma libertação, um alivio. Eles morreriam por que mais uma vez eu fui um idiota imprestável, por que mais uma vez eu não tive poder para proteger ninguém.

-Fred, precisamos salva-la! –Hermione estava acocorada ao meu lado, ela colocou a mão no meu ombro e a apertou.

-COMO? –gritei. –Nós não temos como acha-lá!

-Se ela fosse pelo menos uma bruxa poderia mandar um patrono ou pedir ajuda por algum meio mágico, mais um trouxa... –disse Angelina.

-Uma trouxa não tem como nós mandar um sinal de onde está presa. –olhei para Rony, e levantei tão rápido que esse se assustou. Nunca em minha vida fiquei tão feliz por ele ser meu irmão, e mesmo ele sendo uns centímetros mais alto eu ainda o abracei.

-Você é um gênio Rony. –eu estava eufórico, tinha uma chance. –Chame a ordem e me esperem na toca com todos.

-Onde você vai Fred, não podemos fazer... –dizia Hermione, mas a cortei antes.

-Vou buscar a localização dela, você vem comigo Hermione, já que você entende de tecnologia trouxa. –Não esperei por uma resposta, enlacei sua cintura e aparatei no beco mais próximo ao apartamento de Lyana que podia. Não tínhamos um minuto a perder.

Sai de lá com Hermione ao meu lado, enquanto andava, tentava limpar o rosto e ficar apresentável, e vendo que não havia ninguém próximo fiz um feitiço simples para trocar a roupa que estava por um paletó.

-O que estamos fazendo na Londres trouxa Fred? O que você espera encontrar aqui? –ela quase corria para me acompanhar.

-Lyana tem um anel localizador, não sei bem como funciona, só sei que ela mesma o desenvolveu, foi seu trabalho de graduação. –Hermione me olhava espantada.

-Mas como? Tipo um GPS? Mas mesmo um GPS integrado precisa enviar a informação de localização e para isso funciona geralmente é com Wi-fi Fred, e me desculpe, mais as chances de ela está num lugar que tenha acesso a tal tecnologia são ínfimas.

-Não Herms, ela me explicou que diferente de outros dispositivos, o dela é diferente por que manda uma mensagem bina... biria... bia. –acho que é foi isso que ela disse.

-Binaria?

-Isso binaria, uma mensagem binaria pela frequência do som, então qualquer lugar que tenha uma antena, mesmo que a quilômetros de distância, poderia enviar um sinal, que seria lido por essa antena e enviado para outra, até chegar no celular que tem o ponto de leitura do sinal. –pelo menos foi isso que ela me explicou.

-Sua namorada é um gênio Fred! –Hermione estava perplexa, pelo jeito ela entendia disso, graças a Merlin.

-Eu vivia dizendo que ela deveria ser da sua família. –e se a situação não fosse tão desesperadora eu teria rido da lembrança. –A dois celulares que recebem o sinal, um está no Brasil com a mãe dela, e o outro está aqui nesse apartamento com a melhor amiga dela.

Estávamos subindo as escadas que dava acesso a porta do apartamento de Lyana, mais antes mesmo que chegássemos ao último degrau a porta foi aberta de forma bruta e por ela saia uma Sara revoltada gritando com alguém.

-Isso é impossível Karl, ela não pode ter sumido do mapa, eu vou a polícia ag... –parou espantada ao me ver e teve de se segurar na porta para não cair.

-Jesus, mais como? –ela fez uns sinais pelo corpo, e estava ficando mais branca a cada minuto.

-Sara, deixe de coisa ela deve estar bem, lá só não deve ter sinal. –Karl que vinha em direção a namorada parou no Hall ao nós ver.

-Como? Como você está aqui, ela foi atrás de você? –Sara apesar de tudo estava se recuperando e parecia nervosa. –Você tem noção do que a fez passar?

-Por favor Sara, eu só preciso saber onde ela está!

-Ela foi atrás de você! –Karl bradou.

-Preciso do seu localizador, preciso saber exatamente onde ela está! –disse entrando no apartamento e seguindo para sala passando pelo dois que me seguiram, não tinha tempo para cordialidades, quanto mais tempo eu perdia mais tempo ela sofria.

Sara e Karl se olharam preocupados, e ela tirou o celular do casaco, e mexeu nele, mais seu semblante era de raiva quando me entregou o objeto.

-Não a está localizando direito, não mostra exatamente o local como antes, e com certeza está com problemas, isso é impossível. –eu peguei o objeto tremendo e pude ver um mapa da cidade em que ela provavelmente estava. –Ela não poderia ir da Inglaterra para o Canadá em segundos.

-Toronto? –eu olhei para Hermione, que parecia preocupada.

-É uma cidade grande como vamos acha-la?

-Acho que deve ter algum bloqueador de celular, pois ele sempre mostrou até a rua que ela estava com precisão. –Karl falou pensativo. –Mas ele deve ter quebrado ou está com interferência, já que ela não pode sair de um ponto do mundo a outro em segundos.

-Obrigado e me desculpem. –disse apontando a varinha para Sara. –Obliviate. –fiz Sara pensar que tinha perdido o celular e esquecer de minha visita. Eu não estava feliz em mexer com as memórias dela, mais não tinha escolha. A fiz deitar no sofá e dormir pelo menos pelas próximas horas, e Herms fez o mesmo com Karl.

-Vamos?

-Vamos! –disse eu a pegando pela cintura e aparecendo nos limites da toca.

Corri e só parei na porta de casa, estava ofegante. Quando entrei pude ouvir várias vozes exaltadas, parecia que toda a remanescente "Ordem da fênix" estava ali.

-COMO VOCÊ NÃO SABE ONDE ELES ESTÃO? –gritou Gina.

-EU NÃO SEI GINEVRA! –Rony já estava rouco, parecia ter gritado muito, e quando eu alcancei a sala todos os rostos se vivaram para mim.

Harry e Rony vestidos com a habitual roupa de Auror, Gina que parecia ter acabado de sair de um treino de quadribol, Kim com seu velho amigo turbante e mamãe chorando abraçada ao tronco de papai que a tentava acalmar. Quando me viram, todos correram até mim, me fazendo várias perguntas ao mesmo tempo, me impossibilitando de entender qualquer coisa.

-CALEM A BOCAAAAA! –gritei e todos ficaram espantados. –Eu vou explicar o necessário, mais prometo que conto tudo depois, agora a prioridade é salva-la.

-A moça estava mesmo grávida Fred? –me perguntou papai preocupado e eu mal engoli o bolo que se formou em minha garganta, ele estava falando no passado, como se a tivéssemos perdido, mais eu não podia acreditar nisso, não podia cogitar essa hipótese, ela teria de estar viva, ela e meu filho teriam de estar vivos, e nem que eu tivesse de virar Toronto de cabeça para baixo eu os encontraria, e mataria aquele desgraçado do Lestrange.

-Fred, filho... –mamãe tocou meu braço, e eu percebi que tinha ficado perdido em pensamentos por um tempo, eu não podia me dar ao luxo de fazer isso.

-Lyana era minha namorada, foi com ela que passei o natal, mais quando resolvi voltar para casa terminei com ela, e não, eu não sabia que ela estava grávida, ela me disse que tomava anticoncepcional, e eu acredito nela, tenho certeza que algo aconteceu, enfim, de alguma forma que eu não sei ela conseguiu me achar, e de alguma forma bem pior ela chamou a atenção dos comensais, segundo Lestrange ao ouvir o nome 'Weasley" ser pronunciado na rodoviária por ela, eles a seguiram para ter certeza e a capturaram para faze-la de exemplo para nós. –respirei fundo. –Mas eles não contavam que Lyana tivesse um localizador trouxa, ela está em algum lugar de Toronto, e eu vou busca-lá. –disse mostrando o celular e todos se juntaram curiosos para olhar.

O celular vibrou e eu o virei para mim, e Merlin com certeza ouviu minhas preces porque agora ele mostrava exatamente a cidade, rua e provavelmente a casa que ela estava, um triangulo piscava na tela. "Davisville"

-Herms, Harry, algum de vocês sabe mexer nisso? –perguntei estupefato e Hermione estendeu a mão pegando o objeto, que prontamente entreguei.

-Fascinante, podemos aparatar exatamente para o lugar, o sistema é integrado com o mapa e tem até fotos off-line. –não entendi bem o que ela disse mais sorri, agora seria mais rápido encontra-la.

-Eu estou indo busca-la.

-Nós vamos com você, disseram todos. –alarguei o sorriso ainda mais e fui até Hermione vê a foto do lugar onde aparataria. Todos viram o local, então peguei novamente o celular e o guardei dentro do paletó.

-Gina você fica e cuida dos seus pais, nos somos mais do que suficientes para dois comensais. –explicou Harry não dando brecha para minha irmã retrucar.

-Devem ser umas 7 horas lá, então devemos fazer o feitiço desilusório para que os trouxas não nos vejam. –disse Herms, e eu não esperei mais nada, fiz o feitiço desilusório e aparatei imaginando o local da foto, uma casa simplória nas redondezas da cidade, e apenas um pouco mais velha do que na foto era a casa a minha frente.

Meu coração acelerou em desespero quando ouvi as vozes dos comensais e não a dela, então corri o mais rápido que pude com a varinha em punho, atravessando pelo beco entre a casa e o muro, que dava acesso ao quintal. Sangue, vidros e sangue. Lyana estava amarrada e jogada ao chão, vidros e sangue cobriam o seu corpo, enquanto os dois comensais se divertiam em faze-la sentir dor, nunca em minha vida tive tanta vontade matar alguém como naquele momento.

-Ei não morra ainda, ainda vamos brincar muito, farei você pagar pelo que fizeram a Bella. –Lestrange ria sádico. –Sectumsem...

-Protego Horribilis. –gritei desesperado em direção a ela, eu não permitiria que aqueles malditos tocassem mais nela.

-Expelliarmus. –gritaram várias vozes atrás de mim e os comensais ainda sem entender o que estava acontecendo perderam as varinhas. -Estupore.

Corri até Lyana e usei o "relaxo" para liberta-la das cordas, e a virei para mim, e em meio ao sangue eu vi seu rosto tomado pela coloração arroxeada, meu coração falhou, eu já a tinha visto ficar assim uma vez, ela estava sem ar e assim como daquela vez estava morrendo em meus braços.

-ANAPNEO –gritei o feitiço no desespero, e graças a Merlin como da última vez ela respirou profundamente, mais dessa vez não acordou. Senti quando o feitiço desilusório foi desfeito em mim por alguém, mais não me importei, toda minha preocupação/pensamentos estavam voltados para ela.

Eu não a deixaria morrer ali, e não esperei nem mais um segundo e com o máximo de cuidado a peguei no colo aparatando na entrada do Saint Mungus, e comecei a gritar por ajuda. Vários curandeiros correram até mim, mas param ao vê-la em meus braços ensanguenta.

-O que está acontecendo Weasley? –Malfoy apareceu do em meio aos outros que nos olhavam petrificados, como se eu fosse a visão da morte, e eu não os culpava, coisas assim assombravam qualquer pessoa, a guerra havia marcado todos nós com lembranças que nos assombravam todas as noites.

-Ataque de comensais da morte, ela é trouxa. –Malfoy rapidamente conjurou uma maca e eu a coloquei.

-Ela está gravida? –ele perguntou espantado. -Merlin!

-Sim, por favor Malfoy salve ela e meu filho. –por um segundo eu vi a máscara fria de Malfoy se transformar em espanto, mais tão rápido ela surgiu ele se recompôs.

-Esse é meu trabalho Weasley. –e saiu puxando a maca gritando ordens para as enfermeiras próximas, e tudo o que eu pude fazer foi esperar, esperar e rezar para que Merlin mais uma vez os protegesse.

Aquele com toda a certeza tinha sido o dia mais longo de minha vida!