CAPÍTULO ONZE: SAUDAÇÃO AOS MORTOS

Não era bem o vestiário de quadribol, mas por algum motivo, ele se lembrava daqueles dias. É claro, ele só jogara durante seu sexto ano (a pressão combinada de estudar para o N.I.E.M. e ser monitor o mantivera longe do time durante o sétimo ano), mas as lembranças ainda eram agradáveis e fortes. Lembranças... havia tantas delas algumas amargas e outras doces, porque muitas mudaram desde aqueles dias. Os sonhos que tivera em Hogwarts se desvaneceram, agora, levados pelo peso do dever daqueles tempos sombrios. Uma vez, Bill Weasley lembrava-se de querer trabalhar no Gringotts. Agora, ele era um Auror.

A sala de preparação não era bem o vestiário da Gryffindor em Hogwarts e a atmosfera era diferente. Seus companheiros ali eram muito mais sérios do que seus companheiros de time, mesmo depois de perder a Taça de Quadribol para a Slytherin no sexto ano. Ali, havia mais do que pontos ou prestígio em jogo - o jogo deles era de vida ou morte e numa profissão com um índice de morte de quase setenta por cento, não se podia dar o luxo de ter lapsos de concentração. Assim, havia pouca caçoada enquanto se preparavam para as missões; havia apenas silêncio e preparação solene. Em outras situações eram mais amigáveis, mas mesmo considerando-se isso, os Aurores eram profssionais que formavam poucas amizades profundas. Poucas duravam o bastante para se tornarem mais do que conhecidos e colegas de trabalho.

Bill Weasley trabalhava nisso há sete anos, o que era cinco anos a mais do que a média. Era um fato estatístico que a maioria dos Aurores morriam durante suas seis primeiras missões. Um terço daqueles que passava dessa marca nunca sobrevivia pelo período de Aprendizado de seis meses obrigatório. Depois disso, os índices de sobrevivência subiam - mas também o número de Comensais da Morte que tinham um rancor pessoal contra você. A experiência era uma faca de dois gumes. Bill Weasley não era bem o que os outros consideravam "das antigas" e isso era um fato pelo qual ele ficava contente. A maioria dos das antigas estavam mortos.

Sem vontade, seus olhos vagaram para a parede oposta com esse pensamento. Na última década, aquela área se tornou conhecida como o Mural dos Heróis. Logo, sabia, eles teriam que criar uma segunda, porém, porque a parede de bronze tinham três-quartos cobertos com os nomes dos mortos. Os olhos de Bill vagaram para o fim da lista, relembrando aqueles que se foram antes dele. Muitos nomes se juntaram à lista quando ele ainda estava na escola, mas haviam outros cuja perda era sentida. Aquela acima de todas as outras estava a cinco colunas à esquerda: Charlie Weasley.

Aquela ainda doía. Queimava, melhor dizendo. Charlie fora seu irmão caçula, seu melhor amigo. Anos podiam separá-los (apesar de ser alguns, quando se leva em conta o grande contexto da família Weasley), mas eles sempre foram próximos. A despeito disso, ou talvez por causa dessa proximidade, Bill se horrorizara quando o irmão o seguira na carreira - mas também ficara muito orgulhoso. Charlie se formara com nota máxima na turma de Treinamento Básico e então entrara no Aprendizado por ninguém menos do que o próprio James Potter - Charlie fora uma sensação entre os Aurores, trazendo os reflexos e a ética que o tornaram um ótimo Apanhador. Charlie tinha potencial para ser um dos melhores e ele fora bom. Ele brilhara... mas no fim se apagara. Depois de três anos e meio como Auror, Charles Weasley fora morto quando andava por uma rua na Londres dos trouxas - derrubado por um Comensal da Morte que nunca fora descoberto.

A perda ainda o consumia, e Bill engoliu em seco com fúria, lutando para aliviar sua mente. A época para o sofrimento terminara; tinha um trabalho a fazer - e uma vingança a realizar. Talvez fosse um fato triste, mas não era mentira. A morte de Charlie se tornara uma guerra pessoal para a família Weasley; agora, toda vítima de Voldemort possuía o rosto de Charlie. Bill sabia que deter os Comensais não traria o irmão de volta, mas se havia esperança, de qualquer forma, de evitar que isso acontecesse com outra pessoa - especialmente a um de seus ioutros/i irmãos - ele o faria. Mesmo ao custo de sua vida. Por algumas coisas, ele sabia, simplesmente valia a pena morrer.

E outros nomes naquela parede de bronze foram homens e mulheres que sentiram o mesmo. Seus números eram muitos e seus nomes eram lendas; ao lado de cada um, havia uma data. Eles variavam de Edgar Bones em 07 de Março de 1971 - o nome do alto da coluna bem à esquerda pertencia ao primeiro Auror a tombar quando o Lord das Trevas subiu ao poder - ao mais recente dos mortos. Ler o nome mais novo no fim da última coluna arrancava outro grande suspiro. Estella Cardiel fora uma boa amiga, só um ano atrás de Bill no Treinamento Básico. Se o mundo estivesse um pouco diferente, Estella poderia ter sido imais/i do que uma amiga, mas Bill nunca poderara aquelas possibilidades e agora era tarde demais. A data próxima ao nome era 02 de Dezembro de 1991 - ontem.

Balançando a cabeça, Bill afastou os olhos daquele nome também. Mas haviam outros ali que chamavam a atenção, como o lendário Dennis Montague (07 de Julho de 1976); seu colega de turma, Warren Stormchaser (23 de Janeiro de 1985); ou seu Mentor, Alastor Moody (15 de Maio de 1988). Ele vira muita morte, perdera muitos amigos... mas mesmo enquanto tentava afastar-se, um outro nome chamou sua atenção. Era diferente dos outros, no alto da quarta linha à direita: Sirius Black (DESCONHECIDO, 1981).

De algum modo, aquele sempre chamava sua atenção. Talvez porque Bill sempre gostara de solucionar mistérios e o nome se destacava dos outros, por não ter data. Eles não sabam da verdade. Mesmo no iLivro dos Mortos/i, o registro oficial dos Aurores de todas mortes entre os seus durante a ativa, não havia data. Não havia causa da morte, também, pois eles não sabiam. Fora um nome no livro que não tivera partes perdidas de um corpo ou uma testemunha do fim; ainda assim, Sirius Black se torna o epítome de como um Auror deveria morrer. O lema deles era simples: iMors Ante Infamia/i. Incorporava o que eles eram, tudo pelo que esperavam ser ou fazer: morrer sem revelar os segredos e ir para o túmulo sem trair. Em termos simples: "Morte Sem Desonra". Era um axioma velho, mas as histórias trágicas como a de Sirius Black atingiam em cheio a verdade dada pela máxima antiga dos Aurores. No fim, Bill só esperava poder ser tão forte.

E esperava que o fim não chegasse hoje.
De repente, a sala preparatória abriu-se e mesmo enquanto sua cabeça virava-se para ver quem era, sua mente entrava em ação. As distrações se foram. O sofrimento fora posto de lado. Os sentimentos eram irrelevantes - era hora do jogo. Sem esforço consciente, Bill Weasley desligou a parte humana de si mesmo, enquanto fechava a porta de seu armário. Ela estaria esperando por ele quando voltasse.

"Está na hora, senhoras e senhores," James Potter disse de forma neutra, parado em frente ao "quadro de desenho", que mostrava todos os detalhes de seu alvo e todas as linhas do ataque planejado. A equipe reunida já tinha recebido os detalhes duas vezes, mas era normal fazê-lo de novo antes da partida. Ninguém se importava com a repetição. Como todos eles sabiam, aquilo salvava vidas. Então o chefe de sua Divisão sorriu um pouco cansado e lançou as ordens da missão sem hesitar. "Muito bem. Esta é bem direta, mas tem toda chance de se tornar complicada quando menos esperarmos. Havia um trouxa bem inteligente chamado Murphy que uma vez disse, 'Tudo que pode dar errado dará errado', e ele está certo nesta situação."

"O que nós estamos olhando é uma batida clássica. O motivo pelo qual iremos em dois times de oito cada é porque a inteligência revelou que há um encontro de Comensais da Morte, sob a liderança dos Lestrange, que todos nós sabemos, são os seguidores mais perigosos de Voldemort. Também são pelo menos um pouco birutas. Foram libertados após a queda de Azkaban cinco anos atrás e têm sido responsáveis por algumas das piores atrocidades cometidas nesta guerra. Não acho que preciso enfatizar o efeito positivo da captura deles, ou mesmo da morte deles, teria para nossa causa."

"Dito isso, não quero ninguém entrando em risco idiotas. A inteligência nos diz que existe ipelo menos/i uma dúzia de Comensais da Morte que estarão neste encontro e embora nós estejamos em maior número, não podemos errar. Mantenham-se em seus papéis e ficaremos bem." Os olhos cor de mel de Potter queimaram por trás de seus óculos quebrados, varrendo os Aurores reunidos com uma intensidade que fazia um arrepio correr na espinha de Bill. Havia algumas pessoas que simplesmente tinham presença, uma certa qualidade especial que era mais sentida do que vista. James Potter era uma dessas.

"Irei liderar o Time Alfa pela porta da frente," ele continuou depois de um instante. "Devido a uma mudança de última hora nos planos, Ernie Jordan não irá liderar o Time Bravo - infelizmente, ele é necessário em outro lugar agora e não poderá ficar conosco hoje. Portanto, a Ministra Figg irá juntar-se a nós pela duração da missão e ela ficará como a Líder dos Bravo, vindo pela traseira. Vocês têm alguma pergunta?"

Um sussurro de surpresa lançou-se pelo aposento e Bill pôde sentir a empolgação. Mas ninguém discutiu; não havia um Auror na Divisão que duvidasse da capacidade daquela senhora de olhos afiados parada num canto. Eles se perguntaram porque ela estava presente para esse resumo pré-missão, mas sempre confiaram nela. Mesmo sendo a Chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia, Arabella Figg era uma deles. Para melhor ou pior, ainda era um Auror e ela definitivamente pretencia àquele pequeno grupo de bruxas e bruxos a quem a Divisão chamava de "das antigas". Arabella Figg fora, fizera e vira tudo. Hoje, parecia que pretendia fazê-lo pela última vez.

Havia as perguntas normais: local, especificações, ângulos de ataque - todas as coisas que Aurores experientes perguntavam sem pensar duas vezes. Quando as preparações finais foram feitas - verificação das varinhas, uma olhada rápida para o parceiro - Bill não conseguiu evitar de notar os novatos pelo canto do olho. iPobres garotos/i, ele pensou. Havia dois deles na missão de hoje, um que mal saira do Básico e outro que acabara de sair do Aprendizado. Ele não se lembrava do nome de nenhum dos dois, mas podia ver Virginia Wilson parada do lado do mais novo, observando com olhos cuidadosos de um Mentor. Ela era uma dos "das antigas", incrivelmente talentosa e provavelmente muito experiente no campo, mas Bill só podia esperar que isso se traduzisse em ter um aluno talentoso.

"Ponto de Aparatação em cinco," Potter falou e a hora das preocupações acabou-se. No ritmo, Bill ergueu a varinha e com os outros, Aparatou.

"Houve outro ataque, Hagrid," Dumbledore disse baixinho e o meio-gigante franziu o cenho.

Rubeus Hagrid tornava a cadeira no escritório do Ministro uma coisinha; se não tivesse reforçado-a cuidadosamente com mágica antes, Dumbledore poderia ter um momento bem envergonhoso com seu velho amigo remexendo-se e quebrando a cadeira sem querer. É claro, na opinião de Albus, a própria cadeira era uma mobília bem feia e teria ficado contente em se livrar dela - mas Hagrid teria ficado devastado pela situação. Então, a despeito de seus próprios sentimentos pela cadeira (que provavelmente estava por ali desde que o primeiro Ministro da Magia), Dumbledore lançara um feitiço de força assim que Lily lhe dissera que Hagrid estava vindo. Ela fazia o papel de "assistente" muito bem, ele pensou com um sorriso. Poucos se lembravam o quão esperta e poderosa ela realmente era.

E como Lily, Hagrid era muito mais do que parecia. A maioria achava-o estúpido - o que estava longe da verdade - e outros ainda o marcavam como inútil. Era só o guardião das chaves de Hogwarts, é claro. Que importância teria o aparente inepto e anormalmente grande homem? Dumbledore sorriu para si mesmo de novo. iQue importância/i, realmente. Mas ele apagou o sorriso quando seu antigo aluno franziu o cenho profundamente, obviamente tentando descobrir o por que ele, de todas pessoas, fora chamado pelo Ministro da Magia.

"Sinto muito ouvir isso, Professor - quero dizer, Ministro," o grandalhão respondeu. De repente, porém, o medo coloriu sua expressão. "Eles não acham que tive algo a ver com isso, não é?"

"Não, não acham," Albus respondeu calmamente. "Pedi a você para vir aqui por outro motivo, na verdade. Preciso lhe pedir um favor."

"Um favor? Claro que pode, Profess- Ministro!" O rosto redondo do guardião das chaves iluminou-se, fazendo Albus sorrir do entusiasmo inocente que definia Hagrid.

"Você ainda pode me chamar de Professor se quiser, Hagrid," ele disse gentilmente. "Não faz diferença para mim."

"Mas não quero parecer desrespeitoso, senhor," foi a resposta.

Albus riu. "Não acho nada desrespeitoso. Na verdade, acredito que às vezes ajuda às pessoas lembrar do passado... especialmente em dias como esse. Meu tempo em Hogwarts foi o melhor da minha vida e sinceramente espero sempre ser 'Professor Dumbledore' para você."

"Mas você foi o melhor diretor que Hogwarts já teve!" o meio-gigante soltou e então corou-se. "Quer dizer, sem faltar o respeito com o Professor Lupin; ele é um homem bom, mas sentimos saudades do senhor, Professor Dumbledore."

"Ora, obrigado, Hagrid." Na sua idade, era difícil ficar embaraçado - mas algumas pessoas, como Rubeus Hagrid ainda conseguiam isso. E mesmo um coração que vira coisas horríveis ainda poderia ser tocado. Era bom se lembrar.

O meio-gigante corou ainda mais, fazendo Albus resistir ainda mais ao impulso de rir, algo que Hagrid não compreenderia. Ele murmurrou, "Só estava dizendo a verdade, Professor."

"Todos nós contamos a verdade de nosso próprio modo, meu amigo," ele replicou suavemente. "Mas às vezes devemos fazer mais do que isso. Devo perguntar-lhe, Hagrid: posso confiar em você?"

"Claro que pode, Professor!" Hagrid parecera ligeiramente ofendido por ter sido perguntado isso e Albus suavizou o tom.

"Sei que ieu/i posso contar com você," ele respondeu. "Mas quaisquer segredos que lhe contar não são só meu - se você revelar o que vou lhe contar esta noite, muitas vidas estarão em risco."

"Ah." O outro entendeu imediatamente. "Seus segredos estão a salvo comigo, Professor. E os dos outros."

Albus assentiu. "Hagrid, já ouviu falar da Ordem da Fênix?"

"Não, senhor. Não ouvi."

"Ótimo." Ele sorriu ligeiramente. "Em resumo, a Ordem é um grupo de bruxas e bruxos dedicados a derrotar Voldemort. Na sua maioria, a Ordem funciona por fora dos canais oficiais do Ministério, apesar de haver certos membros chave que estão em alta posição tanto na Ordem quanto no Ministério da Magia."

"Como você." Ninguém nunca disse que Hagrid era estúpido.

"Como eu," o Ministro da Magia assentiu. "A razão de estar lhe contando isso é que o favor que tenho que lhe pedir não tem nada a ver com o Ministério. Se aceitar esta missão você não estará trabalhando para o Ministério. Estará trabalhando para a Ordem da Fênix."

"Missão, Professor Dumbledore?" Hagrid o fitara com seriedade por um instante, os olhos concentrados e calmos. "Farei qualquer coisa pelo senhor."

Dumbledore riu. "Você nem perguntou o que é, Hagrid."

"Não preciso, Professor. Confio no senhor."

Por um breve momento, o coração de Albus Dumbledore ameaçou inchar-se no peito. Mesmo na sua idade, ainda podia ser surpreendido. E era em momentos como esse que ele realmente acreditada que a guerra podia ser vencida. "Obrigado," ele respondeu baixinho. "Mas ainda pode recusar quando souber o que é, Hagrid."

"Não vou. O que é?" Hagrid sorriu, e Albus sabia que ele teria sucesso. Com um coração tão grande, como ele falharia? Respirou fundo e então respondeu:

"Quero enviá-lo atrás dos gigantes, Hagrid."

O Time Alfa apareceu em uma rua comum em frente de um edifício de aparência inocente. Ostensivamente, era um restaurante chamado Cauda de Dragão (Ótimos Bifes e Jantar Encantador), possuído por um tal de Francis Traves. Na realidade, o restaurante era um ponto de encontro para Comensais da Morte, apesar do Ministério nunca ter sido capaz de provar. Desta vez, porém, era diferente - uma fonte contara exatamente quando este grupo iria se reunir e dizia-se que incluía não apenas os Lestrange, que eram os "especialistas" pessoais de Voldemort (também conhecidos como torturadores experientes), mas também Travers e Mulciber, dois alvos bem colocados na lista do Ministério. Com o coração latejando, Bill olhou em torno, mas a rua estava quieta - anormalmente quieta, de fato, para pouco antes do anoitecer.

Alarmes soaram na sua cabeça.

Algo estava errado. Tão errado - no instinto, ele virara na direção de James Potter, mas os olhos cor de mel do outro homem encontraram os seus e mesmo quando Bill abria a boca, ele recebeu um balançar rápido de cabeça em resposta. Sentiu os próprios olhos arregalarem-se de surpresa e fitou o líder deles sem compreender, mas Potter só disse bem baixinho:

"Nós iremos."

E então o Auror mais velho entrou em movimento, deslizando na direção do restaurante com uma graciosidade que Bill só podia ter inveja. "Cuidado, senhoras e senhores," Potter falou sobre o ombro. "Eles podem saber que estamos aqui."

Seis passos rápidos os levaram para a porta da frente. Potter, como o líder da equipe e em posição, tinha sua mão esquerda na maçaneta, a varinha erguida na mão direita; Bill, como o âncora do time, estava bem atrás dele. iInspire, Expire/i. Essa era uma pequena pausa que os Aurores chamavam de momento da verdade. Ele fez uma verificação mental no seu escudo pessoal, assegurando-se que uma maldição inesperada não o pegasse desprevenido, e então Bill arriscou uma olhada em torno. Para a esquerda e para a direita, ele viu ambas as equipes nas alas, dirigindo-se para as duas maiores vitrines do Cauda de Dragão. O movimento deles, como seu olhar, eram rápidos e experientes; o time já fizera batidas como esta com freqüência, em treinamento e na realidade, podiam achar suas posições dormindo. O plano era manter-se simples, sempre, para eliminar erros - e então o sinal veio e eles lançaram-se pela porta.

Potter estava certo; Bill lançou-se para a esquerda, sua varinha erguida e pronta mesmo enquanto observava o líder devolver uma maldição bem mirada. Os Comensais da Morte estavam prontos, encarando-os e atirando maldições imediatamente. Da esquerda, ele ouviu Virginia Wilson xingar, mas não havia tempo para descobrir o por quê. Seu escudo defletiu uma Maldição de Impedimento lançada apressadamente por Mulciber e Bill evitou a Maldição Incineradora de Trvers, escutando-a chiar e queimar quando ela atingiu a parede atrás dele enquanto falava a contra-maldição para a Maldição Reducto de Bellatrix Lestrange.

Mais dois passos o levaram além do batente e uma rápida "iEstupefaça/i!" tomou conta de um Comensal que enfrentava a Equipe Bravo quando eles entraram pela traseira. De repente, do outro lado do aposento, ele ouviu o faz-de-conta começar e sentiu um arrepio correr por sua espinha. "Ava-"

Mas o inimigo em questão tombou, incapaz de finalizar, derrubado por James Potter enquanto o famoso Auror evitava a tentativa de Rodolphus Lestrange de azará-lo. Algo besliscou no fundo da mente de Bill e ele percebeu, iEles o querem vivo/i. Maldições mortais eram a norma para os Comensais da Morte; não tinham reservas em matar, mas estava se tornando claro que a Maldição da Morte não era mirada a James Potter. Enquanto outros vários minutos segundos se passaram, a suspeita de Bill se confirmou - até que algo mais aconteceu que o fez esquecer-se completamente sobre isso.

Liderando a Equipe Bravo pela traseira, Arabella Figg tombou.

Por um momento, o mundo pareceu congelar-se e a mente de Bill descontrolou-se. Arabella Figg era a Chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia. Ela era uma heroína no mundo bruxo por sua coragem e mente aberta durante a guerra. Não estivera na ativa há anos, mas ainda era uma lenda. Ela era importante. Era amada - e o armário de heróis estava ficando vazio com uma firmeza perturbadora, especialmente com a recente perda de homens bons como Frank Longbottom. Eles não podiam se dar ao luxo de perdê-la.

Sem pensar, Bill lançou-se para frente, derrubando um Comensal da Morte que estava no processo de levitar o corpo inconsciente do Ministro. Figg tombou no chão com uma pancada, imóvel. O Auror próximo a ela reagiu depressa, porém, inclinando-se para acordá-la, apenas para cair com um grito enquanto Mulciber atirava a Maldição Cruciatus na sua direção. Vendo ninguém mais perto o bastante e ciente de que não havia tempo a perder, Bill deu três passadas rápidas pelo perímetro da sala de jantar, evitando um Feitiço de Sufocamento pelo caminho. Seu foco era tão forte que ele quase não ouviu o comando de Potter.

"Recuar!" o Auror sênior avisou. "Plano Zulu!"

O Plano Zulu era o comando de cair fora, o pior cenário. Era o sinal para sair como pudesse, Aparatar individualmente, encontrando-se no ponto pre-determinado. O Plano Zulu normalmente significava que Murphy tinha recuado sua cabeça e era hora de diminuir as perdas da Divisão e sair. Confuso, Bill arriscou uma olhada pelo aposento - normalmente tinha uma noção boa da situação e não achava que as coisas estavam ruins ainda. Por mais estranho que fosse, seus olhos confirmaram o que sentia; estava ficando ruim, mas a batida ainda era combatível. De fato, o maior problema no plano fora a Ministra tombando... alguns foram atingidos, é verdade mas ninguém morrera. De fato, todos, exceto Figg, ainda estavam de pé, porém alguns realmente estavam sangrando e machucados.

Mas Potter era o chefe.

Bill sabia que havia pouco tempo a perder; dentro de segundos, todos sumiriam. Outro Auror alcançou Figg, só para ser lançado para trás por Travers - os Comensais da Morte definitivamente queriam capturá-la, porque a Chefe do DELM seria a pessoa de maior posição que Voldemort teria capturado e eles não permitiriam que isso ocorresse. Ele conhecia Arabella Figg bem o bastante para saber que ela preferiria morrer a ser capturada. Bill tombou um Comensal com um rápido Feitiço de Congelamento e correu para o lado dela. Nem morte nem captura aconteceriam enquanto ele pudesse evitar - sentiu o poder chiar e soltou um suspiro de alívio quando seu escudo engoliu um Feitiço de Estuporamento. Infelizmente, seu escudo se desfez com isso e ele foi deixado desprotegido. Isso nunca era uma sensação agradável.

Não havia tempo para embelezamento ou técnica; só puro poder. Como seu Mentor lhe ensinara tempos atrás, Bill canalizou toda a energia pura e a raiva na magia e agarrou o braço de Figg. Aparatar outro era sempre complicado, mas sua inconsciência deveria tornar isso mais fácil - pelo menos não havia outro fator com que se preocupar. A sua direita, Bellatrix Lestrange ergueu a varinha, a Maldição da Morte no seus lábios-

E eles se foram.

bTítulo Original/b Promisses Unbroken - Chapter 11: Salute to the Fallen

bAutora/b Robin bTradução/b Rebeka