CAPITULO 12

O Titã e a Besta

- Então vamos Cavaleiros do Gelo!

Movidos pela esperança os jovens guerreiros subiram as escadas correndo, de encontro ao inimigo, todos ansiosos para o último combate.

Ao mesmo tempo que seus amigos subiam as escadarias, Kolckier subia as escadas da esquerda com passos firmes e determinados, porém lamentosos. Apesar de sua imagem bruta, ele desprezava qualquer tipo de batalha, um único golpe só era desferido se ele sentisse que o inimigo não é digno de se gastar tempo em tentativas pacíficas. Havia sido assim com Primavera. Mesmo com pesar no peito ao desferir um golpe e derramar sangue de um inimigo, Kolckier o faz, e se empenha ao máximo utilizando-se de toda a força abundante que Odin havia lhe dado.

O caminho feito através das escadas não era longo, e em poucos minutos já se estava no topo. Mas poderia ter sido uma eternidade se considerar as diversas lembranças que percorreram a mente de Kolckier neste tempo. Lembranças dolorosas e sangrentas. Algumas bem claras e nítidas, outras não passavam de esboços em sua mente. Mas algo o tranqüilizava, todas aquelas más lembranças seriam enfim libertadas, pois a justiça em breve seria feita, o culpado por tanta dor seria punido. E todos que Kolckier perdeu seriam vingados.

Quando o topo foi finalmente alcançado, todas as lembranças cessaram. Sua mente passou a trabalhar a fim de encontrar algo, encontrar uma lembrança em especial, mas estava muito longe, havia sido há muito tempo. Inexplicavelmente Kolckier havia sentido o cosmo de seu adversário, que se via parado no centro da arena, e uma sensação terrível o havia invadido. Algo que seria medo. Seria se ele não tivesse a convicção de seu poder e força. Mas no fundo ainda havia um temor. E a resposta para o por quê deste temor Kolckier sabia apenas que estava em sua mente, mas não conseguia encontrar.

A arena era grande, bem ampla, muito semelhante às arenas romanas de gladiadores. O solo era de rocha bruta, e rente a ele uma fina camada de neblina se via. No céu, nuvens negras tapavam a luz do sol e se agitavam com intensidade, causando trovões e relâmpagos mais freqüentes que no resto do Santuário. Um local pouco agradável, que transmitia muita insegurança e até um certo temor a Kolckier.

Uma criatura se via ao longe, no centro da arena. Era o guerreiro que se seria seu adversário.

A figura daquele guerreiro assusta qualquer ser vivo. Facilmente se duvidaria de se tratar de um homem, e poderia se acreditar ser uma besta mitológica. Mas com os olhos da razão, sem influências de seus temores, Kolckier analisou e concluiu ser realmente um homem. Com certeza não era um homem comum.

A neblina da arena tocava a metade da canela de Kolckier. Naquele guerreiro mal passava do tornozelo.

Um suspiro profundo do Cavaleiro de Yeti se ouve. Encorajando-se finalmente, ele fecha seus punhos, expande seu cosmo com agressividade.

É um gigante seu inimigo. Com certeza sua estatura passa dos três metros e meio. Seu punho fechado era do tamanho da cabeça de Kolckier, e o comprimento do braço devia quase se igualar a sua estatura. Impressionante para qualquer um que visse. Era como um muro de rocha, sem fendas, rachaduras ou passagem. Completamente intransponível. Mas Kolckier estava decidido, iria enfrentar aquele gigante com todas as suas forças, principalmente por que ele sabia que se o derrotasse as almas das pessoas queridas que perdeu tempos atrás, ficariam em paz.

A armadura era realmente uma obra de arte. Extremamente detalhada ao se assemelhar às escamas de uma besta marinha. Ela recobria o corpo do guerreiro como um fino tecido, definindo cada centímetro de seus músculos extremamente desenvolvidos. Não se viam as juntas entre as partes da armadura, era como se realmente fosse sua pele, uma pele de um brilho escuro e aparentemente indestrutível. Havia uma fileira de espinhos que começavam em seu pescoço e desciam por suas costas até a bacia, como se fossem extensões de suas vértebras; cravos pontiagudos eram visíveis na ponta de seus pés, em seus cotovelos e punhos; ombreiras grandes formadas por várias camadas de placas da armadura; e finalmente o capacete, talhado como a cabeça de uma besta marinha com chifres longos e pontiagudos, completava a esplêndida armadura do guerreiro gigante, que mantinha sua expressão séria. Uma barba rala e grisalha cobria seu queixo, e suas grossas sobrancelhas se arqueavam, indicando o estado profundo de concentração em que se encontrava.

Meio metro de distância separava Kolckier do gigante. Num reflexo explosivo ele põe-se em rápida posição de combate. O cosmo do gigante havia se tornado violentamente agressivo. Uma aura escura começa a envolvê-lo enquanto lentamente seus olhos começam a se abrir, revelando suas íris negras. A expressão de sua face torna-se tão agressiva quanto a de um animal. Afastando as pernas, e colocando seus braços em posição de ataque, o gigante se põe pronto para atacar Kolckier, que pego de surpresa reforça sua defesa e expande seu cosmo mostrando seu poder.

- Diga seu nome! – as palavras do gigante saiam como berros, tão graves como um trovão.

- O quê?

- Seu nome, criança! Preciso saber que nome colocarei na cruz sobre seu túmulo!

- O que disse? Que prepotência a sua em crer que me vencerá! Redima-se cavaleiro! Sou Kolckier, e em nome de Athena e de meu mestre Camus visto a armadura de Yeti, o Titã das Neves!

- Kolckier de Yeti... É tudo que preciso saber! E a você basta saber que eu sou Leviatã, a Besta dos Mares! Punirei-te pelos teus pecados, ser impuro!

- Mas do que esta falando...?

A frase mal pôde ser terminada e Kolckier foi atingido por um murro certeiro no abdômen. Tamanha havia sido a potência do golpe que o ar se deslocou em movimentos ondulatórios para todos os lados, provocando um tremendo estrondo.

Kolckier ainda estava sendo arrastado por uma quantidade de energia cinética enorme, e se continuasse o percurso iria se chocar contra o muro, e se isso acontecesse, àquela velocidade, era possível que todos seus ossos se desfizessem. Empenhando toda sua força Kolckier crava suas mãos no solo, e aos poucos diminuía sua velocidade, até que pudesse parar.

- Por Odin e pelos deuses! – estava agachado, olhando fixamente para suas próprias mãos, sujas de terra, admirado com tamanha demonstração de força – Parece que todos os meus ossos foram moídos por dentro... Argh!

Kolckier mal pôde se colocar de pé e foi surpreendido pelo contra ataque de Leviatã: Um golpe com os punhos fechados, de cima para baixo, bem na cabeça de Kolckier. Um tremendo estrondo se dá em meio a poeira que se levantava. O impacto havia sido tamanho que abriu uma cratera bem abaixo dos pés do cavaleiro de Yeti, que estava de pé graças a sua defesa perfeita.

Um golpe daquela magnitude, desferido por um guerreiro daquele tamanho é impossível de se defender absorvendo o impacto. Seria necessário desvia-lo. Foi o que Kolckier fez, endireitando seu corpo de forma que sua coluna ficasse perpendicular ao solo, enquanto fazia uma defesa em X sobre a cabeça. Assim, o impacto gigantesco foi, em sua maior parte, conduzido ao solo pelo seu corpo, como um fio-terra.

- Criança inteligente...

- Pare de me chamar assim!

Kockier salta de dentro da cratera, e por alguns instantes seu olhar fica no mesmo plano do de seu inimigo. Neste momento ele desfere um poderoso murro contra sua face. Porém seu punho não toca a face do inimigo.

Quando Kolckier saltou e alinhou seu corpo no mesmo nível do de Leviatã, este lhe agarrou pelo pescoço com a mão esquerda.

- Chamo-lhe assim por que ainda é uma criança. Uma criança desesperada que chora a morte dos pais. Que chora a incapacidade e fraqueza do seu ser. – Leviatã falava enquanto olhava fundo nos olhos de Kolckier, como se lesse seus sentimentos.

- Do que está falando?

- Estou falando de você. Amenizarei teu sofrimento. Colocarei você ao lado de quem ama. Prometo ser de forma rápida.

- Está louco? Não amo ninguém! Você não sabe de nada! Pare de querer adivinhar meus pensamentos e falar besteiras! Largue-me!

- Não há por que temer a morte. Para você ela purificará tua alma dos pecados que cometeu e lhe porá ao lado daqueles por quem choras. Faça tuas últimas preces...

Leviatã recua o punho direito enquanto concentra seu cosmo. Mirando a cabeça de Kolckier ele desfere um soco de proporções divinas. O caminho que seu braço percorreu ficou marcado com um rastro de luz, e o som causado pelo impacto abafou o ronco de qualquer trovão.

Um pouco de sangue misturado a pedaços de armadura se espalhou para todos os lados, instantes antes de um corpo cair no chão.

- Ah!

- Eis aí minha prece!

- Surpreendo-me com seu poder, criança! Conseguiu deter meu punho. Nunca ninguém conseguiu realizar tal façanha.

- É por que não me conheceu antes...

Kolckier aproveita e toma uma certa distância de seu inimigo. Seu cosmo explodia com intensidade e manifestava todo o poder do controle pleno do Sétimo Sentido e do Zero Absoluto. Uma aura branca envolvia todo seu corpo, e uma grande parte do poder se concentrava em seus dois braços.

O guerreiro de Yeti preparava um de seus mais poderosos golpes, que ainda não tivera a chance de utilizar em um combate real. Seus braços se unem verticalmente na altura do peito, um paralelo ao outro.

- Vai se surpreender agora! Brado de Todos os Titãs!

Seus braços se esticam. Tamanha foi a força e velocidade com que se deslocaram que se formou um enorme rastro de energia, e se formou uma onda gigantesca que foi arrasando todo o terreno em seu percurso até atingir Leviatã. Era como uma grande avalanche.

- É muito poder!

Leviatã fecha seus enormes braços frente à seu peito e inclina seu corpo para a frente e crava seus pés no chão, evitando de ser carregado pela enorme onda de poder. A força ia aumentando cada vez mais, e a todo instante Leviatã parecia pender para trás, mas em seguida recuperava sua posição.

- Há! Estou conseguindo... Preciso forçar mais... Aaaaaaaaaah! Morra!

- Não... Subestime meu poder... criança!

Kolckier não havia notado o quão grande havia se tornado o cosmo de seu inimigo enquanto ele se esforçava em manter constante o poder de sua onda de energia. E de repente toda aquela energia monstruosa armazenada por Leviatã durante alguns instantes explode violentamente.

- É lamentável que prefira a maneira mais difícil! Fúria Das Bestas!

Leviatã abandona sua posição defensiva e estica seus dois braços contra Kolckier. Uma onda de poder pelo menos dez vezes maior vem em sua direção.

O solo se desfragmentava em camadas e se desfzeram no ar, as nuvens foram arrastadas e as várias partículas suspensas no ar se atomizaram. Uma força capaz de fazer em pó a maior das montanhas arremessou o corpo de Kolckier – que a esta altura parecia tão insignificante quanto uma partícula de rocha – contra o muro, fazendo-o afundar metros e mais metros no concreto. A cratera aberta pelo choque mais parecia um túnel, tão profunda que era.

- Espero que teu sofrimento tenha acabado!

Uma densa nuvem de poeira cobria o buraco aberto no muro. Não se podia ver o corpo de Kolckier.

Um silêncio profundo tomou conta do lugar por alguns instantes, até que um gemido de dor quebra a tensão, para surpresa de Leviatã.

- Está começando a me chatear...

Kolckier enfim se levanta e sai de dentro do buraco a que foi arremessado. Andava com dificuldades, e arrastava uma das pernas. Sua armadura estava quase que desfeita por completo. Peitoral e ombros já não existiam mais; o cinturão estava em cacos, que enquanto ele caminhava se desfizeram; das pernas restou apenas as caneleiras, que com mais um golpe iriam se desfazer em pó; os braços haviam resistido mais, apesar de restar apenas do cotovelo em diante e de ter muitas rachaduras, ainda estavam cobrindo o corpo de Kolckier.

Escorria sangue de todo seu corpo, descia pelos braços e pingava pelos punhos, quase intactos e ainda brilhantes.

- Criança... Não vê que só dificulta as coisas assim? Por que resistir ao inevitável? Vai cometer o mesmo erro de seu pai? Resistir e acabar provocando mais sofrimento para sua alma amargurada?

Sua expressão, antes determinada e decidida, transforma em uma ilustração do assombro. Cada palavra tocou em algo fundo de Kolckier, e trouxe à tona seu segredo mais atormentador. Não havia como saber de seu pai, nunca ninguém soube. Tudo que pôde fazer foi interromper seu caminho e gaguejar a única pergunta que lhe vinha à cabeça:

- O que você sabe... de meu pai? Sabe do Dia da Punição?

- Sim, eu sei... E você, sabe porque aquele dia foi chamado pelos que sobreviveram de Dia da Punição?

- Por que acreditavam que era enfim a hora do Ragnarok... A grande guerra esperada pelos nórdicos. Como todos nós fomos derrotados, acreditamos que era uma punição dada pelos deuses... Mas como pode saber?

O cosmo de Leviatã manifestava-se de forma tão intensa e clara, que causava uma certa familiaridade a Kolckier, algo que o assustava e lhe confirmava cada vez mais seu temor.

- Não se lembra realmente de mim, criança?

A verdade havia se mostrado. Agora ele sabia o por quê da familiaridade com o cosmo de seu inimigo, o por quê da sensação de que se ele fosse derrotado a alma de todos que morreram seriam vingados. Kolckier havia descoberto a verdade, pois ela estava dentro dele.

- Não pode ser possível... A besta sanguinária que atacou Asgard e todas as terras nórdicas... A criatura que destruiu o Palácio Valhara e matou todos os guerreiros deuses, inclusive meu pai! Foi você! Leviatã!

- Bravo, criança! Enfim descobriu a verdade! Tanto tempo enterrada em sua própria mente, enfim a verdade surge! Não é... Magnífico?

- Criatura maldita! Como pôde ter feito aquilo! Você destruiu toda uma terra! Todo um povo! Desgraçado!

Movido por uma ira tão forte e profunda, capaz de dominar todos seus pensamentos e impulsos, que lhe concedeu um incrível poder em troca de abafar sua sabedoria e serenidade, Kolckier saltou para cima de seu inimigo com os punhos prontos para desferir o mais poderoso dos golpes.

- Pare com isso! – Leviatã repele o golpe de Kolckier com certa facilidade, arremessando-o no chão e fazendo seu corpo se arrastar por alguns metros – Não tente demonstrar tanta compaixão! Conheço sua natureza perversa! Não está se importando se matei o povo, destrui o palácio de Odin ou mesmo se matei Hilda, Durval ou seus Guerreiros Deuses. Está tomado de ira por que matei sua família e aquele que era a maior divindade para você: Rung de Mellingard, o seu pai.

- Argh... Mas do que está falando? Claro que me importo com os outros! Não ouse falar de minha natureza! Não sabe nada de mim!

- Sim... Eu sei, criaturinha desprezível! Conheço muito bem a natureza perversa de todos vocês!

- Mas do que está falando?

Durante todo o tempo as palavras e a maioria das atitudes de Leviatã eram exatamente o oposto do que sua primeira impressão passava. Ele mantinha uma admirável serenidade nas palavras, apesar da grosseria com que as proferia, e em todas as ocasiões resgatou sentimentos profundos de Kolckier. O que ninguém havia feito antes, nem mesmo seu mestre.

Agora ele estava diferente. Parecia estar radicalmente mudado, tomado de uma revolta. Não se tratava de ira, uma raiva insana. Era revolta por Kolckier negar seu destino, por ter resistido tanto, por ter duvidado de seu conhecimento e por uma criatura da raça que mais desprezava ter questionado-o. Isso fez com que sua expressão mudasse, tornando-se muito mais agressiva. Sua revolta e indignação tornou-se clara em suas palavras.

- Estou falando de tudo que vocês, vermes, fizeram a nosso mundo! Por eras vocês ocupam um território divino, com a proteção do maior de todos os deuses. E durante as mesmas eras que passaram usufruindo de todos os frutos desta terra, passaram na ignorância em relação ao Criador, passaram destruindo-a, esgotando seus recursos. E por eras se matam entre si, derramam sangue de seus semelhantes em guerras sem propósito, formam sociedades que excluem os mais fracos e os fazem sofrem de forma perversa.

- ... – Kolckier mantinha-se em absoluto silêncio. Surpreendido com a enorme sabedoria de seu oponente, e refletindo sobre o que lhe era dito.

- Vocês estão há tempos se matando... Se continuarem nesse ritmo levarão todo o planeta com vocês! Isso eu não admito! Nem eu nem meu mestre Polarius! Ele dizimou sua raça medíocre para dar lugar aos verdadeiros donos do mundo: Os deuses imortais! A vocês já é demasiado o território que lhes foi concedido. Se dependesse de mim, estariam todos no reino de Hades!

- Mas... Não é da forma que está dizendo. Nem todos pensamos assim! É justamente para impedir que sangue inocente se derrame que existiam os cavaleiros de Athena! Para manter acesa a chama da justiça e não deixar que deuses perversos tomem o controle! Você não pode é julgar-nos todos da mesma forma! Eu não sou assim! Nem meu mestre e meus amigos! E tenho certeza que muitos dos que matou davam valor ao mundo em que viviam!

- Não! São vermes todos iguais!

- Precisa rever seus conceitos, guerreiro!

Leviatã enfim acalma seus ânimos. Como se tivesse enxergado que não se podia discutir com Kolckier, pois seus conceitos eram firmes demais para serem abalados. Era preciso matá-lo de uma vez.

- Pfff... Não sou eu que preciso rever meus conceitos. Você passou uma vida inteira se culpando pela morte de seu pai, se envergonhando por não ter se tornado um guerreiro do Palácio de Valhala. Você sabe que eu tenho razão, que os humanos não são merecedores da terra em que vivem e que são tão desprezíveis quanto insetos frente aos deuses. E eu preciso rever meus conceitos?

Cada palavra soou como um golpe no peito de Kolckier. Por mais que ele tentasse negar com a razão, cada palavra de seu adversário era formada da mais pura essência da verdade. Não admitindo ser derrotado pelos conceitos de seu adversário, e não mais conseguindo esconder-se através da razão, sua ira explode através de um grandioso cosmo.

- Não fale de mim! Não sabe de nada! Morra de uma vez! Brado de Todos os Titãs!

- Não vai funcionar novamente, criança!

Com uma surpreendente agilidade, Leviatã dá um incrível salto de vários metros de altura, evitando completamente o golpe. Enquanto mantinha-se no alto, desferiu um potente golpe no ar, tendo seu cosmo extremamente concentrado. O resultado foi uma fortíssima rajada de energia que partiu para cima de Kolckier, que estava no solo.

- Morra, criança impertinente! Execução Mestra!

Kolckier, cego pelo desejo de matar seu inimigo, saltou ao encontro da rajada de energia e com um esplêndido golpe a desviou para o solo, surpreendendo muito a seu inimigo.

- Mas como!

O impulso de seu salto ainda pôde lhe levar ao encontro de Leviatã no ar. Ao se encontrarem, ambos desferiram murros um contra o outro, que se chocaram.

Uma explosão gigantesca de energia se dá. Ambos guerreiros são arremessados contra o chão violentamente, fazendo todo o solo tremer. Rachaduras se espalharam por todo o descampado e algumas subiram pelos muros.

Leviatã se recompôs rapidamente, colocando-se em posição de combate. Sua armadura sofreu apenas alguns arranhões, nada que pudesse prejudicá-lo.

- Acho que enfim a criança descansa...

Com passos cautelosos, ia se aproximando do corpo do cavaleiro de Yeti, que repousava inerte sobre uma enorme cratera aberta no solo.

Kolckier parecia enfim estar morto. Seu sangue escorria de todo seu corpo e manchava o solo, formando uma poça sob si. Do que havia sobrado de sua armadura apenas os punhos cobriam seu corpo. O resto estava em pedaços ao seu redor.

Leviata aproximou-se do corpo de seu adversário. Nenhum cosmo era sentido. Repousou sua mão sobre o lado esquerdo do peito dele. Nenhum batimento era sentido. E com a mão próximo ao nariz não se sentia nenhuma respiração.

- Sempre desprezei a todos de sua raça. Mas você foi o mais bravo que conheci. Agora sua alma amargurada sentirá conforto e finalmente enxergará a verdade.

Com certa graça, Leviatã endireita o corpo de Kolckier, colocando suas mãos sobre seu peito. Então ele sai da cratera e com um golpe com os pés faz o solo tremer e a terra deslizar, enterrando o cavaleiro de Yeti.

Com um murro no muro, uma placa de pedra se desprende. Utilizando as garras do punho de sua armadura, Leviatã grava uma mensagem na placa, que coloca sobre o túmulo de Kolckier.

Por alguns instantes, o guerreiro gigante pareceu comovido com alguma coisa enquanto relembrava os últimos momentos de seu adversário. Até o último instante ele lutou, e até o último instante acreditava na causa pela qual lutava. Apesar de ser uma causa não merecedora de luta, aos olhos de Leviatã, ele acreditava nela com todas suas forças. E morreu com dignidade, fiel à sua crença.

- Descanse em paz... Criança.

E com esta última frase Leviatã partiu rumo ao Templo Central, deixando um túmulo e sobre ele uma placa em que se lia:

"Aqui Jaz Kolckier de Yeti. A Mais Brava Das Crianças."