Capítulo 12: In a second you'll be wrapped around my finger

Nota da autora: Agora começa o arco final de histórias de IWTBYG. Em quatro capítulos, vocês verão o desfecho dessa história mais macarrônica do que tudo.Tudo isso acontecerá em apenas uma noite. Vocês vão ver, nesses quatro capítulos, todo o elenco da fic reaparecendo, e como o capítulo do cinema, eles serão divididos em vários focos. E posso avisar também que as armações não pararam. Agora... Não, chega, não vou adiantar o resto. Peço desculpas se errar em alguma coisa, porque faz muito tempo que não vou a casamentos (na minha família a gente tem uma tendência a ficar para titia, sabe?), e qualquer coisa, como sempre, não hesitem em me corrigir, porque a ajuda de vocês é sempre extremamente bem-vinda. E é em agradecimento por essa ajuda que vou responder reviews!

DaH cHaN: Ora, e não é que, até a essa altura do campeonato, tem gente nova aparecendo por aqui? Olá, e seja bem-vinda! Obrigado pelos elogios e por vir até aqui ler e deixar a sua review (aliás, melhor ainda, DUAS reviews!), tá? Fico super-duper feliz!

Suki: Desculpe, você não é má, e não tá mais aqui quem falou. Riza agradece pela preocupação, mas manda dizer que ainda tem muita coisa em que pensar antes de tomar qualquer decisão (quer dizer, na verdade, ela não disse nada, mas quem liga?).

Kadzinha: Hehehe... se essa não foi a maior review que já recebi, com certeza foi a mais comprida... Beijos, também, e obrigado pela review... o que quer que ela signifique...

Aislyn Rockbell: O casamento será animado, e bem, digamos, pouco ortodoxo. Obrigado pelos elogios e pela atenção, e tomara que a parte do casamento de Roy Mustang fique do jeito que você espera que fique, tá bem?

Amanda♥: Obrigado! Talento e criatividade, eu? Ah, fala sério, eu só tento ser boa o bastante para que pessoas mega-fofas como vocês continuem vindo aqui para me deixarem suas lindas reviews... E garanto que você não perdeu seus leitores, eles só estão esperando pelo desfecho da sua história. A música faz parte de um filme chamado Letra e Música, do Hugh Grant com a Drew Barrymore. Na verdade, o filme todo é feito em função dessa música, e eu recomendo que você o assista mesmo, porque é lindo e tem uma trilha sonora de primeira linha. Kissus!

Lika Nightmare: Eles são enrolados, não é? Mas fazer o quê, como diz a propaganda da Sprite, o amor te deixa idiota. E os foras, bem, são dolorosos mas fazem parte da vida. Como você mesma disse, tudo bem... O mundo não é perfeito mesmo... Mas garanto que eles vão se decidir, dessa vez, e vão parar com essa novela mexicana.

Riiza: O que exatamente foi a sua review, hein? E eu te fiz chorar? Sorry, a fic era pra ser de comédia! E, como já disse antes, a fic não seria nem metade do que é sem a ajuda de vocês com dicas e sugestões nas reviews, e seria menos ainda sem a Mellie. Eu é que devo milhares de agradecimentos a todos vocês!

Mizinha Christopher: O Fanfiction às vezes pisa na bola com a gente, mas tudo bem. O importante é que você deixou a sua review agora, e por isso eu já agradeço muito. O casal Royai também anda pisando na bola, mas gente, todo mundo erra! Por favor, não matem os meus personagens, afinal se eles morrerem quem eu vou torturar depois?

Agora, chega de enrolação. Vamos à nossa fic!

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–Quem foi o imbecil que inventou as gravatas-borboleta, hein? – praguejava Ed, que na frente do espelho lutava com uma gravata para amarrá-la – E por que a gente tem que ir vestido a caráter?

–É uma festa formal, Ed – respondeu Al, que vestia um paletó (feito sob medida, obviamente, na mesma loja onde Alex Louis Armstrong fazia as roupas deles) – Temos que ir elegantes.

–Se quer saber, não estou nem a fim de ir – resmungou o alquimista de aço, tentando, pela terceira ou quarta vez, dar um nó decente na gravata – Não é justo, depois de tudo o que a gente fez pela Riza, vir aqui e assistir ao Roy casar com a outra. E também não é justo, depois de tudo o que ele fez com a gente.

–Ele se retratou depois, lembra? – observou o outro – Pediu de novo para o Maes ser padrinho dele, retirou o pedido de transferência da Melissa... até voltou a nos autorizar a viajar, veja só!

–Mesmo assim, não acho certo a gente ir... E JÁ TÔ CANSADO DESSA MALDITA GRAVATA!

–Ah, Ed, o que seria de você se não fosse eu? – uma voz feminina, levemente zombeteira, soou, e Ed só viu duas mãos femininas puxando-o pela gola e rapidamente amarrando a gravata, fazendo um nó perfeito.

–Ah, agora sim tá perfeito! – ele se olhou no espelho e deu um sorriso – E então, estou bonito? Responda você, Winry, já que é tão... tão... tão...

Mas ele parou de falar na mesma hora, ao ver a amiga. Ela usava um vestido rosa-claro, até os joelhos, decotado e elegante, com aplique de canutilhos. Os cabelos, ao contrário do liso habitual, caíam cacheados sobre seus ombros, e a franja estava presa para trás por uma presilha de strass. Os olhos estavam realçados por maquiagem, e ela usava um belo pingente em formato de flor no pescoço. Ela estava muito bela e delicada, e usava um perfume suave e marcante.

–Winry, você está tão linda! – Al transformou em palavras a cara de besta de Ed.

–Vocês dois também estão muito elegantes, rapazes – ela respondeu, sorrindo – Agora, é melhor irmos, ou vamos nos atrasar.

É mais ou menos isso que está acontecendo: avançando alguns dias no tempo, até a noite do casamento de Roy Mustang e Trista McLamure, um evento mega-badalado que contaria com a presença de autoridades do país inteiro (algo providenciado por Odete Mustang, que agora via mais próxima do que nunca a chance de tornar seu filho Marechal). Esse casamento, porém, não era desejado por todo mundo, e já tinha virado o quartel-general central de pernas para o ar. Mas, agora, tudo terminaria de uma vez. Roy se casaria, se tornaria marechal, Riza iria embora...

Mas os nossos queridos conspiradores ainda tinham a esperança de que alguma coisa simplesmente milagrosa aconteceria, e por isso ainda se dispunham a ir àquele casamento que só havia lhes dado dor de cabeça. E, também, porque aquela seria a primeira vez que muitos deles usariam traje a caráter na vida, inclusive Ed... (nota da autora: a propósito, o Ed de terno e gravata fica uma gracinha...).

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–Na boa, Sciezka, acho que não faz o menor sentido eu ir – enquanto isso, no alojamento de Melissa Mustang, ela e Sciezka, a bibliotecária, estavam também se preparando para o casamento, e conversando – Roy sabe que eu sou contra, e sabe, também, que nunca mais vou falar com ele se ele se casar com aquela estúpida. Pode me passar um grampo, por favor?

–Tá aqui. Qual é, Mellie, ele é seu irmão! A sua família já é tão desunida... – observou Sciezka, sensata – Acho que vocês não precisam de outra briga de família, não concorda?

–Sei que vou sair da igreja com raiva, Sciezka... – a alquimista de mármore suspirou, prendendo o grampo no penteado que fazia nos cabelos – E o pior é que não dá pra fazer nada mais pra impedir esse casamento, a menos que o Roy queira. E ele já deixou bem claro que não quer...

–Será mesmo? – disse a bibliotecária, marota, enquanto passava rímel nos cílios – Alguma coisa me diz que vamos nos surpreender com ele hoje.

–E a Riza? Ela também não vai mais querer saber dessa história. Fiquei sabendo que ela só conseguiu passagem para embarcar amanhã cedo, depois do casamento.

–Tá vendo? Isso é o destino! E então, como eu estou?

As duas se encararam. Melissa vestia um longo preto, preso em apenas um ombro, com um bordado prateado. Os cabelos estavam arrumados num penteado elegante e sério, e a maquiagem realçava os olhos azuis dela. Já Sciezka estava vestido um longuete verde-escuro, com aplique de miçangas, e os cabelos, por serem curtos demais para fazer penteados, exibiam um brilho de glitter, graças a um spray de Mellie. Os óculos foram trocados por lentes de contato, revelando um rosto delicado e muito belo.

–Você está ótima, Sciezka! – Mellie não pôde deixar de sorrir ao ver a amiga – É sério, tenho certeza que alguém na festa vai adorar vê-la assim.

A bibliotecária corou imediatamente, e deu um sorriso envergonhado. Então, elas ouviram batidas na porta. Era Arthur, vestindo um engraçado conjunto verde-água com uma gravata laranja, e laranja era também o vestido em corte chinês com bordados de dragões da namorada dele, Lin. Ele cumprimentou a irmã e a amiga amavelmente e disse:

–E então, podemos ir?

–Claro que sim – respondeu Mellie – Apesar de eu ainda achar que não deveria ter casamento nenhum, mas isso não é mais da minha conta... De qualquer forma, vamos fazer uma visitinha à Riza antes. Talvez a gente consiga mudar alguma coisa, ainda.

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–Pelo menos a festa vai valer a pena – na mesma hora, na casa de Maes, havia uma concentração de militares: o próprio dono da casa, Havoc, Falman, Fuery e Breda, que aproveitavam para dar os últimos retoques na produção. Fuery ainda reclamava um pouco sobre o plano deles de acabar com aquele casamento não ter dado certo, e praguejava – Eu ainda acho que a gente deveria cancelar tudo e pedir o dinheiro de volta.

–Vê se relaxa, Kain – Havoc deu de ombros, enquanto amarrava a gravata vermelha que se destacava sobre a camisa preta – Temos que ver o lado bom das coisas... Talvez, a gente conheça alguém legal na festa.

–Acho que você já conheceu alguém e está esperando que esse alguém apareça, não é? – disse Falman, malicioso, fazendo com que Havoc corasse como um pimentão.

–Alguma coisa me diz que essa noite vai ser bem interessante – disse Maes, um tom estranhamente animado na voz – Quem sabe os ventos não estejam mudando?

–Pelo menos você é otimista, Hughes – disse Breda – Vamos esperar e torcer, mas temos que ser realistas. A essa altura do campeonato, é muito difícil que algo aconteça.

–Quem sabe... – respondeu Maes – Lembrem-se que os desmiolados do Ed e da Melissa vão também, e vocês sabem tão bem quanto eu que dá pra esperar qualquer coisa vinda deles.

–Muito bem, rapazes, acho que podemos ir... – o barulho da porta se abrindo os interrompeu. Era Gracia, vestindo um longo bordô. Segurando a mão dela, estava Elysia, vestindo um vestidinho branco com pequenos bordados cor-de-rosa – Nós duas estamos prontas. E vocês?

–Estamos todos prontos, senhora Hughes – respondeu Kain – E já podemos ir!

Os homens caminharam na direção da porta, deixando Maes para trás. Ele, então, sussurrou a Gracia, num tom confidente:

–Sou só eu, ou você também sente que alguma coisa vai acontecer?

–Se quer saber, também sinto isso – respondeu ela, com um sorrisinho maroto – Acho que vamos ter uma noite como não temos há muito tempo...

E, de braços dados com a esposa, apagou a luz e fechou a porta, e saiu em direção à igreja.

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–Quer ficar quieta, pelo amor de Deus? – naquele mesmo instante, no hotel Ritz, na rua Olmo, 519, estava a parcela "evil" da família Mustang. Odete tentava colocar um véu na cabeça de Trista, mas ela se mexia muito, e fazia com que os grampos saíssem do lugar.

–Essa coisa tá me machucando, droga! – reagia a ruiva, que não estava num estado de espírito muito melhor do que o da sogra – Por que tenho que usar isso?

–Diga-me uma coisa, querida, a quantos casamentos você já foi?

–A vários, mas...

–E você já viu uma noiva sem véu?

–Não, mas...

–ENTÃO QUER MANTER A SUA BOCA FECHADA ENQUANTO EU PRENDO A PORCARIA DO VÉU NA SUA CABEÇA OCA???

–Tá bom, tá bom...

Quem assistia àquela cena com o máximo de distância que podia era o pobre Adrian Mustang. Ele se perguntava em que diabos estava pensando quando se envolveu com Odete. Tudo bem, na época ela era totalmente diferente, bem menos ambiciosa e cheia de neuras. Na verdade, ela era até bem parecida com Trista, romântica e um pouco desligada da vida. "Céus, Roy vai sofrer muito...", ele não deixava de pensar.

–Você já está pronto, Adrian? – a voz áspera da mulher o despertou dos seus devaneios – Lembre-se que não podemos nos atrasar...

–Por quê não? – disse ele, bobamente – Ninguém liga se a noiva se atrasar mesmo...

–Uma vez na sua vida, não seja estúpido! – retrucou ela, raivosa – Vamos logo!

–Está bem... – ele se levantou e, logo depois delas, saiu do quarto, fechando a porta e apagando a luz. Mas, intimamente, ele era o que mais desejava que alguma coisa realmente extraordinária e milagrosa acontecesse naquela noite para mudar o final daquela história...

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Longe dali, num quartinho pequeno, Roy estava sentado em uma cadeira, observando atentamente uma garrafa de uísque sobre a mesa e considerando seriamente a idéia de encher a cara até cair. Ele já estava totalmente vestido, os cabelos besuntados com alguma coisa levemente gordurosa que dava brilho, uma gravata preta combinando com o terno, uma camisa impecavelmente branca, as alianças no bolso do paletó... Ele estava parecendo a versão de casamento do Ken, namorado da Barbie. Mas, ao contrário do Ken, ele não se sentia nem um pouco animado em subir ao altar, naquela noite, e sentia-se como um condenado a caminho da forca.

Ele evitava com todas as forças pensar no que acontecera noites atrás, ao telefone, com Riza, porque sempre que pensava sentia-se ainda mais apavorado para se casar com Trista. Mas ela ficara tão magoada... "Siga a sua vida, Roy", foi o que ela disse. "E seja feliz ao lado de Trista. Tente fazê-la feliz, também. Em breve, você aprenderá a amá-la, e eu... eu vou seguindo a minha vida". Ela não queria mais, e tudo por quê? Porque ele hesitou. "Como eu sou burro!", ele pensava sempre. "Burro, insensível e imaturo. E, por causa disso, ela não me quis mais". Então, ele pensava que era melhor seguir em frente com o casamento e tentar seguir o conselho de Riza da melhor maneira possível.

Mas era difícil... E ele não tinha a menor idéia de como ela estava, porque todos os que sabiam se recusavam a dizer. Ele acabou cancelando os castigos e pedindo desculpas a todos, depois daquela noite, mas eles não o haviam perdoado totalmente. A mais rancorosa era Melissa, que simplesmente se recusou a falar com ele outra vez. Arthur, por sua vez, era mais compreensivo, e resolveu relevar tudo, mas também tentava aconselhar o irmão a repensar aquele casamento.

Com esforço, levantou-se e foi até a parte externa. Havia um belo carro preto brilhante estacionado, com uma enorme faixa de recém-casados na parte traseira. O carro fora um presente da sua mãe especialmente para o casamento. Ela era quem estava mais feliz e empolgada, e quem cuidava de todos os preparativos.

"Pois é, estou agindo como o filho obediente que sempre fui...", ele pensava, enquanto entrava no carro e colocava o cinto de segurança. Então, pensou que Arthur e Melissa, que sempre batiam de frente com ela, eram muito mais livres e levavam uma vida muito menos complicada do que a dele. Coincidência? Talvez não...

"É melhor eu parar de pensar em bobagens e ir logo!", ele decidiu por fim, pisando fundo no acelerador do carro. "Talvez seja o melhor... talvez tudo o que acontecer nessa noite seja o melhor para todos nós. Quem sabe...?".

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–Não, seu idiota, você não está entendendo! Minhas coisas vão no mesmo trem em que eu vou embarcar... Não estou nem aí se não tem espaço no vagão de cargas, o problema é seu! Reservei com antecedência exatamente para que esse tipo de coisa não aconteça. Se vire, leve as minhas coisas nas costas, faça o que quiser, mas quero tudo na estação da Cidade do Leste assim que eu desembarcar, ouviu? – naquele momento, Riza discutia com um funcionário da Companhia Ferroviária Amestriana a respeito das bagagens da sua mudança, que poderiam não chegar a tempo no dia seguinte. Logo depois de bater o telefone na cara do pobre funcionário (se vocês sabem o que é conversar ao telefone com alguém cujos níveis de estresse sabidamente provocam estresse e AVC, sabem do que eu estou falando), ela resolveu subir e tomar um banho quente.

Aqueles dias foram totalmente dedicados aos preparativos da viagem, que tomaram conta totalmente da mente dela. Preocupando-se com as coisas cotidianas, quase se esquecia de tudo o que aconteceu na sexta-feira anterior, mas, quando ia se deitar, tudo voltava à sua cabeça como um filme ruim que, sem querer, fica impregnado em sua cabeça e nada consegue tirá-lo de lá. Mais de uma vez ela quis ligar para ele, e foi preciso usar toda a sua força de vontade para não correr até o telefone.

Ela sabia que, naquela noite, ele iria se casar, então resolveu ir à forra, pois sabia que a última coisa que deveria fazer seria ficar em casa chorando e nadando em autopiedade. Ela iria sair, curtir a noite da Cidade Central uma última vez antes de ir embora, e agir como a mulher decidida e senhora que si que sempre fora.

Quando já havia ligado o chuveiro, porém, ouviu o trinado insistente e irritante da campainha, e abafou um palavrão, amaldiçoando o idiota do não-sei-o-quê Murphy e a sua maldita lei que diz que o telefone sempre toca na hora do jantar, ou que a bolacha sempre cai com o lado da manteiga para baixo, ou que a campainha só toca quando se está entrando no chuveiro... Vestindo um roupão, desceu as escadas e foi até a porta.

–E o prêmio de veste mais elegante vai para Riza Hawkeye! – assim que abriu a porta, encontrou Melissa e Sciezka, belas e elegantes. A alquimista de mármore, ácida, foi falando e dando risadas, enquanto analisava Riza de cima a baixo – Dava pra você entrar assim até na festa do Oscar!

–Há-há-há, muito engraçado – retrucou Riza, sem conseguir evitar um sorriso divertido – O que vocês estão fazendo aqui? Não deviam estar no casamento do Roy?

–Estamos aqui para tentar salvar você de si mesma – respondeu Sciezka – É sério, venha com a gente e vamos tentar consertar tudo isso.

–Não, Sciezka, e por favor, não insistam mais – respondeu a primeira-tenente – Além do mais, essa noite eu quero mais é sair pra me divertir. E amanhã vou viajar, lembra?

–Você quer viajar e mesmo assim pretende cair na farra essa noite? – a alquimista ergueu uma sobrancelha, abrindo um sorrisinho torto – Até parece!

–Gente, é sério, essa situação toda já tá bem embaraçosa sem mais esse mico – Riza deu de ombros, tentando parecer indiferente – É melhor vocês irem logo, ou irão se atrasar.

–Tá bem... – a bibliotecária concordou, com a voz triste – Você vai ficar bem?

–Eu vou – a loura se forçou a sorrir – Vão e divirtam-se na festa. Ah, e Sciezka, o Jean vai estar lá. Sabe o que isso significa, não é?

O olhar malicioso que Riza e Mellie trocaram fez com que a bibliotecária corasse violentamente. As três amigas se despediram carinhosamente, e Riza só fechou a porta ao vê-las entrando novamente no carro, e depois que cumprimentou Arthur de longe (não sem, discretamente, rir da combinação pouco ortodoxa de cores que ele usava em seu terno). Então, voltou para o chuveiro, e lá ficou por um bom tempo.

Depois, foi até o seu armário e o abriu, retirando de lá um vestido cor de champanhe que tinha comprado exatamente para ir ao casamento de Roy. "É um vestido bonito demais...", ela pensou, analisando as cores com cuidado. "E quer saber de uma coisa? Eu é que não vou deixar ele aqui embolorando no armário! Vou estreá-lo essa noite mesmo!".

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OK, essa é a parte que a sua autora, amiga e geralmente alvo dos seus xingamentos resolve se manifestar publicamente. Vocês viram que, de uma forma ou de outra, esse casamento à la TV Fama está mexendo com todo mundo. Riza resolve sair e cantar "to nem aí, to nem aí..." pra tudo. Roy está pensando em imitar a Julia Roberts e bancar o noivo em fuga. Os demais conspiradores estão indo preparados para a guerra, e a família Mustang está dividida entre ajudar a noiva (cuja opinião, sinceramente, não me interessa nem um pouco) ou rezar para que o Roy não pegue a sua vida bela e promissora e enfie no meio do... bem, o resto vocês deduzem.

E esse também é o momento em que todo mundo chega na igreja. É, é uma igreja. Poderia ser um iate, ou ser na praia, ou até mesmo num castelo igual o casamento do Ronaldinho com a Daniela Cicarelli, mas teve que ser na maior igreja da cidade porque, infelizmente, o orçamento da fic não permitiu o aluguel do casamento (eh, gente, essas coisas são caras!). Imaginem a cena, e se vocês tiverem ido recentemente a um casamento, fica mais fácil ainda: todo mundo bonito, vestindo trajes a rigor, revendo velhos conhecidos... O lugar está todo iluminado e super-bem decorado, com flores brancas e rosadas pelo corredor, pétalas de rosa no chão, um tapete vermelho no corredor para os noivos caminharem, enfim, um casamento de primeira (apesar de eu ainda achar que seria muito melhor um castelo, mas, como eu já disse, o orçamento da fic não me permitiu fazer mais do que isso).

Maes, de mãos dadas com Elysia e Gracia, sentou-se no fundo da igreja, esperando para entrar depois junto com os outros padrinhos. Havoc, Fuery, Falman e Breda, por sua vez, sentaram-se em uma das primeiras fileiras. Logo depois, Melissa e Sciezka entraram (e, assim que entraram, Havoc afundou no banco e escondeu o rosto, extremamente corado). Por fim, o senhor Adrian Mustang se sentou bem na primeira fileira. Ao lado das garotas, sentaram-se Arthur e Lin, a namorada dele. Ed e Al demoraram um pouco para se estabelecer (qual é gente, uma armadura é meio difícil de se estabelecer), mas logo encontraram um lugar também na fileira da frente. Winry sentou-se ao lado deles, um pouco depois. E assim, os nossos heróis se estabeleceram em seus devidos lugares, para que comecemos a parte mais esperada de nossa história.

A marcha nupcial começou a tocar, e todos se viraram em direção à porta (alguns um pouco relutantemente, convém mencionar). Primeiro, entrou Elysia, acompanhada de uma outra garotinha, com a almofada das alianças (previamente entregues a ela por Roy) e o buquê. Logo depois, entrou o próprio noivo, acompanhado pela mãe, mortalmente pálido e com uma cara de "pelo amor de Deus, alguém me tire daqui!". Ele sentiu-se ainda mais miserável ao ter que encarar todos os amigos, que o olhavam de maneira inquisidora, mas quando viu que as pernas estavam querendo parar de obedecer, forçou-se a continuar andando.

Depois dele, entrou a noiva, parecendo um gigantesco bolo coberto com glacê e enfeitado com creme cor-de-rosa. As ombreiras eram gigantes, a causa do vestido arrastava vários metros pelo chão e o véu poderia muito bem ser usado para fazer uma cortina. Sciezka abafou uma risada, Mellie fingiu vomitar, Havoc e Falman acenaram desoladamente com a cabeça, Ed teve que enfiar a manga do paletó na boca para não explodir em gargalhadas e Winry murmurou algo como "Senhor, se eu tiver que me casar desse jeito, por favor, me faça morrer solteira!". Ao lado de Trista, estava um homem ruivo e enorme, muito parecido com a própria Trista. Roy se encolheu um pouco quando ele se aproximou, e encolheu-se um pouquinho mais quando ele o cumprimentou. Analisando o tamanho do homem, os presentes puderam entender um bom motivo para o noivo ainda não ter desistido daquele casamento.

Depois, foram entrando os padrinhos. Maes e Gracia acenaram quando entraram, e tomaram seus lugares junto com todos os outros. Depois deles, entrou um padre, um sujeito rechonchudo e de expressão amigável, que cumprimentou a todos no recinto calorosamente. Então, quando o silêncio finalmente se estabeleceu, a cerimônia começou.

Roy não tirava os olhos da porta, ainda aberta. Em algum lugar do seu coração ainda morava a absurda esperança de ela entrar lá e gritar "pare o casamento!" e os dois saírem de braços dados, sorridentes e se beijando. Mas ela estava com tanta raiva... Não, aquilo era impossível, definitivamente impossível. Ele só se lembrava de ouvir a voz imponente do padre em algum lugar distante, mas não dava atenção a nenhuma palavra.

–Roy... Roy! Acorde! – a voz de Trista o despertou – A gente está se casando, lembra?

–Ah, é... – respondeu ele bobamente – A gente tá se casando, né?

É claro que o estado de espírito do nosso pobre, confuso e totalmente desesperado alquimista das chamas não passou despercebido por ninguém naquela igreja. O primeiro a perceber foi Maes, que estava mais próximo dele, e sussurrou a Gracia:

–Pobre Roy, está totalmente fora de sintonia... Acho que ele é bem capaz de sair correndo.

–Maes, que horror! – Gracia o censurou – É uma igreja, lembra? Você não pode desejar o mal às pessoas aqui dentro.

–E quem disse que eu estou desejando o mal? – os lábios dele se crisparam num sorriso – Pelo contrário, estou até desejando o bem a ele!

Quem também percebeu foi Melissa, irmã, especialista e profunda conhecedora de Roy Mustang (ou seja, meninas interessadas em um relacionamento de amor, amizade, amizade colorida ou um simples amasso atrás da porta com Roy Mustang, falem com ela que ela lhes dará todas as informações de que vocês precisam). Ela cutucou Arthur e sussurrou:

–Archie, a gente tem que fazer alguma coisa – Archie era a maneira carinhosa pela qual ela chamava o irmão – Ele vai acabar com a vida dele, o que a gente faz?

–Por enquanto, só podemos esperar, Mellie – respondeu ele, desolado – Acha que eu gosto de ver o Roy assim? Ele não sabe o que está fazendo, essa é a verdade. Mas sinto que alguma coisa vai acontecer. De qualquer forma, se prepare. Se for preciso a gente seqüestra ele!

–Você é doido...

–Eu sou seu irmão, lembra?

A alguns bancos dali, Ed assistia àquela cena com uma pontadinha de satisfação perversa e egoísta, e dizia, com a voz ácida:

–É tão engraçado ver o Roy com essa cara de cachorrinho que caiu do caminhão de mudança...

–Não fale assim, Ed! – Al o censurou – Não vê que o cara tá sofrendo? E imagine só como deve estar a Riza... na certa ela não está nada bem.

–Nisso você tem razão, Al – concordou Winry, meio pesarosa – Ele não sabe o que fazer. A gente não pode deixar esse casamento acontecer!

–E você quer que a gente faça o quê, seqüestre a noiva? – retrucou Ed, sarcástico – Fizemos o que podíamos, mas agora não dá mais. Infelizmente...

–Talvez ainda dê tempo... – disse Winry, com um sorriso enigmático nos lábios.

Ao mesmo tempo, a ala masculina do quartel também assistia tudo. Havoc foi o primeiro:

–Não podemos deixar ele se casar com aquela água-de-arroz. (nota da autora: "água-de-arroz" é uma expressão usada em Minas Gerais, meu estado e eterna paixão, para designar uma pessoa sem-graça, insossa, sem sal). Tenho um plano.

–E qual é? A gente pode ajudar? – Fuery foi o primeiro a concordar.

–É simples. A gente ativa os sprinklers e expulsa todo mundo daqui – explicou Jean – Depois, a gente seqüestra a Trista e prende ela numa caverna na fronteira, de onde ela nunca mais irá voltar. Aí, amanhã a gente seqüestra a Riza e faz com que ela fique com o Roy. E todo mundo fica feliz!

(Falman: O.O')

(Fuery: O.O'')

(Breda: O.O''')

–Cara, você só não é mais idiota por falta de espaço! – retrucou Falman, com as mãos no rosto.

–Ah, qual é, gente, pelo menos eu tentei dar uma idéia...

O padre, por sua vez, começou a cerimônia:

–Estamos aqui reunidos essa noite para celebrar o casamento entre este homem e esta mulher. Como todos os presentes sabem, o casamento é a entrega máxima de uma pessoa, em que ela coloca nas mãos da pessoa amada toda a sua vida e o seu coração. Por isso, é um ato que exige responsabilidade, e que só deve ser realizado quando há absoluta certeza de ambas as partes.

"Obrigado, senhor padre, era tudo o que eu precisava ouvir. Agora sim estou animado!", pensou Roy, sarcástico, sentindo-se casa vez mais num tribunal decidindo pelo seu fuzilamento. Mais coisas foram ditas pelo padre, é claro, mas eu não sou especialista em casamentos, então vamos pular para a parte que realmente importa.

–Se existe aqui alguém que tenha algum motivo para que esse casamento não se realize, fale agora ou cale-se para sempre.

Silêncio. Tensão. Pessoas e mais pessoas se entreolhando. E, por fim, entre toda aquela multidão, uma mão trêmula e tímida se levantou, e uma voz ainda mais trêmula e mais tímida disse, tentando fazer-se ouvir em todo aquele espaço:

–Eu tenho, senhor padre.

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Nota da autora: Ohayou minna!!! E então, o que acharam do capítulo? Como eu achei o final de Paraíso Tropical um lixo e ainda não me conformar de ter sido o Olavo o assassino da Thaís, resolvi tentar fazer um final um pouquinho surpreendente. No próximo capítulo, vocês verão quem deu o grito de "stop it!" no casamento, e as conseqüências desse grito. Continuem revisando, pois não é porque a fic está no final que eu vou parar de ler as reviews, OK? Kissus!