E SE FOSSE VERDADE 2

Capítulo 12 – Ainda está viva

Ao lado dele estava uma mulher mais velha, por volta de trinta anos. Ela era mais baixa, os cabelos castanhos caiam em camadas abaixo dos ombros, seus olhos pareciam chocolate líquido e a pele clara não tinha aquela brancura das pessoas dali fazendo-a parecer morena pela primeira vez. Vestia uma calça jeans clara e uma blusa de mangas larga. Eu reconheceria aquela pessoa em qualquer lugar. Nem percebi quando comecei a correr em sua direção e gritei:

- Chefinhaaaa...

OoOoOoO

Mal cheguei ao meio do corredor Luke me puxou fazendo meu corpo expulsar todo o ar dos meus pulmões. Gritei pela dor e o susto. O rapaz pálido também tinha minha chefinha, Isabella Swan, nas suas costas como se a protegesse de um perigo monstruoso.

Eu desabei.

Aquilo era tão errado. Eu estava em um país estranho. Minha melhor amiga berrava de dor num quarto atrás de mim e minha chefinha querida, que supostamente estava morta, me olhava com assustados olhos chocolate. Nunca na minha vida eu quis tanto chorar e deixei as lágrimas molharem meu rosto.

- Me solte! – ouvi o tom carinhoso de Isabella – Por favor, Carlos.

- Mas Isabella... – a voz doce tentou, mas seu tom já era derrotado.

Luke se afastou de mim e eu recebi um caloroso e conhecido abraço. Me agarrei nela como se minha vida dependesse daquilo e solucei. Ela me embalava, ambas ajoelhadas no chão frio daquele corredor. Tudo naquele lugar era frio. Eu me sentia tão perdida. Nada ali parecia fazer sentido. As vezes podia imaginar que estava sonhando e que logo acordaria nos braços quentes de Pierre e veria que tudo ainda era perfeito, mas a dor que eu sentia no peito me dizia que tudo era real.

- Pensei que você estava morta... – murmurei contra suas roupas.

Ela riu.

- Estou bem viva, Kelly! – Isabella sussurrou no meu ouvido tentando me acalmar, sua voz tinha o mesmo tom terno que eu lembrava. Minha amorosa e desligada chefinha.

- Mas eu fui no seu enterro e foi horrível.

Isabella me separou dela e olhou fundo nos meus olhos, os seus pareciam chocados com minhas palavras.

- O que você disse? – me perguntou confusa.

- Seu enterro... – continuei olhando para ela perdida – Estavam todos lá...

- Enterro? – voltou a me perguntar, sua voz começando a beirar o pânico.

- O acidente de carro... – sussurrei tremula.

Abracei-a novamente e Isabella retribuiu me embalando ainda mais forte. Seu coração batendo a cada instante mais descompassado que eu comecei a me preocupar se ela não teria um ataque ali agarrada a mim. Seria muito azar descobrir que minha chefinha estava viva para vê-la morrer de um ataque cardíaco.

- Você fez isso não é Carlos? – ela perguntou sobre minha cabeça, sua voz soando dura – É por isso que você sempre inventa desculpas para não voltarmos.

- Isabella... – a voz dele parecia machucada.

- Você armou tudo! – a voz da chefinha começou a sair embargada e ela me apertava mais forte contra o seu corpo como se eu pudesse desaparecer. Me senti um urso de pelúcia sendo esmagado, mas eu estava carente demais para me importar com o fato que não conseguia mais respirar pela pressão que ela fazia em mim.

- Isabella...

- Eu não posso mais voltar... – murmurou contra meus cabelos – Não posso mais voltar!

- Isabella eu...

- Não! – ela berrou me assustando, mas seu corpo tremia tanto quanto o meu, ela me agarrava forte e eu juro que iria ficar marcada ou possivelmente ter algum osso fora do lugar – Você não me deu escolha! Você não deixou eu me despedir...

- Isabella, nós podemos...

- Não! – ela me soltou se levantando, por pouco não bati de cara no chão, e encarando os olhos dourados do rapaz continuou gritando – Não podemos! Você sabe que não podemos! Você armou tudo muito bem!

- Isabella isso... – ele tentou tocá-la, mas ela recuou.

- EU TE ODEIO! – berrou descontrolada – Te odeio... – murmurou perdida e saiu dali correndo seus passos ecoando no piso daquele lugar.

Carlos ficou paralisado vendo-a partir e baixou seus olhos para mim. Ofeguei. Eram negros e emanavam tanto ódio que eu poderia morrer com aquele simples olhar. Virou-se e no segundo seguinte desapareceu diante dos meus olhos. Olhei assombrado para onde estava há poucos minutos o rapaz.

Meu corpo não se mexia. Tudo girava em minha cabeça. Eu estava confusa. Eu podia ouvir o sangue pulsando mais rápido que o normal nas minhas veias. Machucava. Eu estava tonta; era difícil me concentrar. As palavras dela giravam na minha cabeça. Isabella estava viva, mas porque não podia voltar? O que estava acontecendo? Porque ela estava naquele lugar? Eu tinha tantas dúvidas e ela simplesmente tinha fugido. Saiu correndo. Quem era aquele rapaz com ela? Aquele olhar com tanto ódio. Solucei. Meu corpo ainda tremia no chão. Tentei respirar normalmente, mas parecia impossível. Aquele ar era tão gelado. Tentei me concentrar, buscando encontrar uma forma de sair desse pesadelo.

- Satisfeita. – ouvi o rosnado acima de mim.

Ergui meus olhos e vi Luke, seu rosto tão irritado quanto o do rapaz que havia desaparecido diante dos meus olhos. Pelo menos o olhar dele não transmitia ódio, mas lembrava o de um professor que lidava com um aluno muito complicado. Um olhar parecido com o Pierre antes de me aceitar nessa viagem. Para eles eu não passava de uma criança mimada que não fazia nada certo.

Estiquei minha mão, mas ele ignorou me dando as costas e indo se sentar no chão próximo a porta do quarto onde Jess, Pierre e os outros estavam. Ele enterrou o rosto nas mãos e permaneceu ali. Minha mão ainda estava esticada esperando a dele, mas acabei deixando-a cair do meu lado. Eu não tinha forças nem para me importar.

Ainda podia ouvir os sons estranhos que vinham daquele quarto no silêncio do corredor.

Eu me arrastei virando para a direita, tomando distancia daquele local. Não queria ver Luke. Não queria ver ninguém e, principalmente, não queria ouvir o que acontecia com Jess. Rolei de lado, para poder respirar, e me curvei no piso gelado. Enquanto eu ficava lá, eu tinha a impressão de que havia se passado mais tempo do que eu podia imaginar. Eu nem podia lembrar a quanto tempo estava ali jogada no chão. Ninguém tinha passado por ali ou ido me procurar. Ninguém se importava.

Houve uma leve brisa ainda mais gelada me arrepiando por inteira. Me sentei e olhei para os lados. Passei a mão pelo rosto me sentindo cansada. Minhas costas doíam pela posição encolhida. Eu estava gelada e com a respiração fraca. Tentei me levantar, mas não tive forças para isso. Respirei fundo. O ar entrou dolorido nos meus pulmões. Voltei a tentar me erguer, porém meu corpo voltou a cair pesado no chão.

Bati com a cabeça na parede desolada.

Quando abri meus olhos uma mão delicada e muito branca estava na minha frente. Ergui o olhar e me deparei com incríveis os olhos violetas, o rosto meio infantil sorria, a pele parecia tão macia e o cheiro dele era delicioso. Sorri aceitando a mão que me ergueu sem nenhum problema. Ele era mais forte do que parecia com seus treze ou quatorze anos, talvez quinze anos. Não tinha certeza.

- Alec... – sussurrei.

Ele estava inclinado na minha direção, seu rosto pálido, glorioso, há apenas alguns centímetros de mim. Meu coração parou de bater.

- Eu vou cuidar de você... – ele disse. Sua respiração soprou em meu rosto, me deixando tonta, deixei meu corpo escorregar contra o dele me deixando levar. Meus sentidos estavam embaralhados demais e Alec disse que cuidaria de mim.

Pelo menos alguém queria cuidar de mim.

OoOoOoO

Nota da Autora:

Pessoal! Desculpa não ter atualizado semana passada! Estava super doente, sem nenhuma condição de postar a fic... Mal estava conseguindo trabalhar... Ainda estou tossindo muito, mas não podia deixar mais uma semana sem atualizar... Não sei se vou conseguir atualizar semana que vem por isso, ainda não escrevi nada do próximo capítulo. Até tenho o roteiro, mas não estou conseguindo escrever nada por esses dias... Minha cabeça continua doendo... Um saco! Espero que vocês me perdoem... E vou tentar ao máximo produzir alguma coisa...

Beijinhos...