Capítulo 23 – A fala do homem vivo

Tema: confiança

Ao chegar à sala de reuniões, ele olhou em volta e franziu o cenho:

– Isto é uma decisão colegiada, Potter?

– Boa noite para você também, Severus. Acredito que você se lembre de meus amigos Ron e Hermione.

Ron murmurou um "Babaca" por entre os dentes (que os ouvidos apurados não deixaram de captar) e Hermione cumprimentou, nervosamente:

– Professor.

– Considerando o ocorrido nas últimas semanas, Srta. Granger, esse é um título que dificilmente carregarei novamente enquanto viver.

– Babaca – repetiu Ron, mais alto.

– Sempre articulado, Sr. Weasley.

Ron se avermelhou e se ergueu da cadeira, ameaçando avançar contra o ex-professor. Cautelosamente, Severus levou a mão para dentro das vestes, ficando com a varinha a postos. Harry tentou desviar a atenção, convidando:

– Olhem, que tal se passarmos para a cozinha? Acho que todos poderíamos apreciar um chá.

– Isto não é uma ocasião social, Potter. Não estamos aqui para chá com biscoitos.

Ron cuspiu:

– Havia uma pessoa que gostava de resolver tudo com chá e biscoitos, mas você deu um jeito nele, não foi, Snape?

Hermione ralhou:

– Ron!

O ruivo se exaltou:

– Eu ainda digo que devemos entregá-lo agora! Ele matou Dumbledore!

Harry também se exaltou:

– Ron, nós discutimos isso tudo antes!

– Ele merece apodrecer em Azkaban! – Ron insistiu.

– Faria isso com alegria, Sr. Weasley – garantiu Severus. – Mas acredito que seu amigo Harry tenha outros planos. Já disse uma vez e repito: se me entregar aos Aurores, eu não resistirei. Se não confiam em mim, não poderemos trabalhar juntos. E o Lord das Trevas terá vencido.

Para Ron, aquela era uma oportunidade de ouro:

– Harry! Ele não vai resistir! O que estamos esperando?

– Ele tem razão, Ron. Voldemort vai vencer; é isso que quer? Precisamos dele.

Severus ergueu uma sobrancelha:

– Quando eu lhe fiz a pergunta, Potter, esperava apenas ter a sua resposta. Não percebi que precisava ter também a resposta de sua... entourage. Imaginei que você poderia cuidar desse obstáculo em particular.

Agora foi a vez de Hermione sugerir:

– Sabem, eu adoraria um chá.

Passaram à cozinha, que parecia ainda mais lúgubre àquela hora da noite. Harry se ocupou em efetivamente preparar a bebida, mas Severus foi direto ao ponto.

– Devo inferir, portanto, que somos parceiros de empreitada?

– Isso mesmo, senhor – adiantou-se Hermione, procurando aliviar a tensão. – Harry nos contou sobre as memórias do Prof. Dumbledore.

– Entendo. Acham que podem ajudar?

– Podemos trabalhar em equipe, com certeza. Vamos tentar localizar as horcruxes para que o senhor e Harry possam... usar suas habilidades e destruí-las.

– Entendo. E, em primeiro lugar, vocês sabem o que estão procurando?

Harry despejou a água nas canecas com saquinhos, dizendo:

– Bom, com certeza tem a taça de Hufflepuff e o medalhão dos Gaunt...

Severus franziu o cenho:

– O medalhão? Pensei que o medalhão já tivesse sido destruído. Dumbledore garantiu que o tinha localizado.

Os três jovens pareceram desanimar um pouco. Harry deu de ombros:

– Chegamos tarde para pegar o medalhão. Alguém já o tinha feito.

Severus não tentou disfarçar a gravidade dessa informação.

– Alguma idéia de quem o tenha?

– Estranho, mas ele deixou um bilhete para Voldemort. Vou pegá-lo.

A preocupação de Severus em ter mais uma pessoa a par do segredo que poderia derrotar o Lord das Trevas foi substituída assim que ele viu o bilhete que Harry lhe passou. O papel era amarrotado, dobrado até ser um quadradinho miúdo. Mas quando ele olhou o conteúdo, a letra, as iniciais...

– Merlin, então foi isso que ele fez...

– Do que está falando? – indagou Harry. – Você sabe quem é R.A.B.?

– Sim, eu o conheci. – Severus sentia memórias de 20 anos de repente emergindo. – Era o irmão de seu padrinho, Regulus.

Hermione bateu palmas:

– Eu sabia! Só podia ser ele! Ele sabia sobre as horcruxes?

– Aparentemente, sim. Mas ele nunca me disse. Claro, não é o tipo de coisa que se compartilha com outro... membro da organização.

– Você odiava Sirius – lembrou Ron, desconfiado –, mas era amigo do irmão dele?

– Os dois eram extremamente diferentes. Regulus era um bom amigo. Ambos notamos que o Lord das Trevas estava rapidamente enveredando por caminhos que preferíamos não cruzar, e tentamos tomar uma atitude quanto a isso. Ele disse ter engendrado um plano, um que tinha chance de dar certo. Não preciso dizer que ele não sobreviveu.

– Acha que Voldemort sabia sobre o plano de Regulus?

– Difícil dizer com certeza, mas acho pouco provável. Se ele soubesse que Regulus tinha descoberto um segredo de tamanha grandeza, provavelmente ele teria cuidado pessoalmente dessa ameaça. Não foi o caso.

– Então... o medalhão ainda contém a horcrux?

– Muito provavelmente.

– Achamos que Regulus pode ter escondido o medalhão nesta casa.

– É um bom lugar para começar. Black tinha um elfo doméstico. Ele não pode ajudar?

– Ele está em Hogwarts, e francamente acho que ele é mais útil lá. Dobby está de olho nele. – Harry olhou para Severus. – Você era muito amigo do irmão de Sirius? Saberia onde ele poderia ter guardado?

Cuidadosamente, Severus tomou um longo gole de chá e respondeu, com uma calma que estava longe de sentir:

– Por mais amigos que fôssemos, essa informação morreu com ele, tenho certeza. Não seria seguro divulgá-la, mesmo que a um amigo próximo.

– Então esta é nossa missão – concluiu Ron. – Achar o maldito medalhão.

– Se ele estiver aqui – ressaltou Severus.

– Achamos que está – disse Harry. – No verão do quinto ano, quando limpamos a casa, achamos um monte de objetos mágicos e encantados. Um deles era justamente um medalhão que ninguém conseguia abrir. Achamos que é esse. – De repente, ele empalideceu. – Ou era.

– Como assim, era?

– Lembram-se do ano passado? Pegamos Mundungus Fletcher cheio de coisas de Sirius! Ele estava tirando coisas dessa casa e estava vendendo por uns trocados.

– Tem certeza de que era daqui? – indagou Severus. – Fletcher tem várias fontes de... mercadorias.

– Eu o peguei no flagra com uma taça que tinha o brasão dos Black. Não deve haver muitas dessas dando sopa por aí. Ele praticamente me confessou.

– Se ele pegou o medalhão... – raciocinou Ron, desanimado – já deve ter vendido há muito tempo.

– Eu queria ver a cara do Voldemort se descobrisse que um escroque de baixa categoria como Dung está vendendo pedaços de sua alma a um preço irrisório, como se fosse um camelô Muggle.

Os três soltaram risinhos sarcásticos da piadinha de Harry, mas Severus não os acompanhou. Ele simplesmente não conseguia ver humor em provocar o Lord das Trevas nesse assunto. Se por uma simples profecia, ele quase tinha matado Harry, Severus não queria nem imaginar o que ele poderia fazer a alguém que ameaçasse sua imortalidade. Fletcher podia estar em grande perigo.

Hermione disse:

– Bom, a primeira tarefa já está assegurada, e deveríamos tentar descansar algumas horas antes de voltar a procurar.

Ron reclamou:

– Por que acordar cedo? Estamos em férias!

– Ron, a gente só tem mais uns 20 dias antes de voltar a Hogwarts. E lá não vai dar para procurar mais o medalhão, não é mesmo?

– Oh. – Ele finalmente pareceu entender. – Então é melhor a gente ir dormir.

Severus assentiu, erguendo-se:

– Concordo. Voltarei quando puder. Espero ter mais informações, mas temo levantar suspeitas.

– Certo – disse Hermione. – Boa-noite. Vamos, Ron.

– Não vai deitar, Harry? – perguntou Ron, claramente relutante em deixar os dois sozinhos.

– Harry já está indo. – Hermione puxou-o. – Boa noite, Harry.

Ron foi arrastado para fora da cozinha, o cenho franzido, olhando Snape de modo desconfiado. O ruivo achava que o sebosão ia magoar Harry de novo, mas não via como impedi-los de ficarem juntos. Claro que ele também estava mordido por causa do que Harry tinha feito com Ginny, mas se Snape magoasse Harry, Ron Weasley ia caçá-lo como um cão.

Quando os dois já estavam bem longe, Severus observou:

– Seu amigo não gosta muito de mim.

– Ele vai ajudar, você vai ver. Mas achei bom que eles tivessem ido. Eu queria falar com você sozinho antes de sair.

– Pois não?

– Venha, vamos até a lareira. Tem um barzinho lá, se quiser beber alguma coisa.

Severus tentou não erguer a sobrancelha, mas seguiu Harry até o outro cômodo. Harry não acendeu a luz e perguntou:

– Quer algo para beber?

– Potter, o que está pretendendo?

– Harry – corrigiu. – Por favor, me chame de Harry.

– Está bem... Harry. O que está pretendendo?

O rapaz virou-se para ele, as feições alongadas pela luz bruxuleante da lareira.

– Pretendo saber se podemos ser... como antes.

Severus fez uma pausa antes de indagar:

– Acha que isso é possível?

O rapaz suspirou, sem responder:

– Podemos fazer isso, Severus.

– Harry, eu não quero forçar nada a você. Se está desconfortável...

– Mas precisamos tentar, não precisamos? – Harry chegou perto dele. – Olhe, eu gostava do que tínhamos. Eu me sentia bem. Você me fazia sentir bem.

Severus sentiu um calor subir, mas alertou:

– Eu não sou muito bom com... er...

– Oh, você era ótimo. – O rapaz deu um sorriso safado. – Garanto que era.

O calor em Severus aumentou.

– Estávamos os dois alterados pela época de acasalamento. Não era eu. Eram apenas hormônios.

– Oh, não mesmo. Hormônios não faziam isso.

Num gesto contínuo, ele avançou para seu ex-professor, colando seus lábios no dele sem dar-lhe chance de reação. Uma sensação familiar percorreu seu corpo, como se reconhecesse aqueles lábios, aquela boca. Na verdade, ele reconhecia. Sim, era um pouco mais de um ano de separação, mas ele reconheceria um beijo de Severus nem que se tivessem passado vinte anos. Ou quarenta. Ou uma eternidade.

Se Severus realmente foi pego de surpresa ou se simplesmente não reagiu, aquilo pouco importava para seu cérebro, que estava rumo ao derretimento total. Ele não sentia mais o cheiro de pêssegos, mas sim sentia todo o seu pesseguinho contra seu corpo. Instintivamente, ele puxou o rapaz para ainda mais perto de si, aprofundando o beijo. Seu corpo começou a reagir.

Os sentidos de Severus começavam a se acelerar, rapidamente indo para uma overdose. Foi graças a isso que ele ouviu o barulho suave.

Num reflexo, ele agarrou Harry e manteve-o junto a seu corpo quando se jogou para trás do sofá. Harry tentou protestar, mas Severus tapou-lhe a boca para que não fizesse barulho.

Alguém estava usando a lareira para entrar na casa no meio da noite.

Próximo capítulo: Um barulho no meio da noite

Capítulo 24 – Surpresas na noite agitada

Tema: invasão

A suave luz da lareira brilhou num tom esverdeado brilhante e fez um suave PUF quando o invasor alcançou o tapete. Escondidos atrás do sofá, Harry e Severus se entreolharam, Harry ainda com a boca tapada pela mão de Severus. O ex-Mestre de Poções fez um gesto com a cabeça e mostrou sua varinha a Harry, indicando que iria usá-la. Em resposta, Harry assentiu, e só então Severus destapou-lhe a boca. O rapaz sacou a varinha e o espião colocou-se em posição.

Movendo-se pé ante pé, o invasor ia rumo à porta, disposto a ganhar a casa. Movendo-se com a agilidade de um gato, sem fazer um único ruído, Severus se pôs de pé e mirou com a varinha:

Petrificus Totalis!

Ouviu-se um suave bonk, e o homem caiu no chão, o corpo todo rígido. Harry acendeu a luz para ver quem era. E arregalou os olhos:

– Mundungus Fletcher?

Severus rapidamente fez um feitiço anti-Aparatação na sala para que ele não pudesse escapar com um feitiço não-verbal. Mais do que isso, ele revistou o meliante de pernas curtas e torso largo, de longos cabelos avermelhados. Os olhos estavam tão arregalados ao encarar seus agressores que as olheiras características pareciam suavizadas. Harry sentiu o cheiro de Dung: álcool misturado com tabaco.

Era ele, sim. Não havia como imitar ou esquecer aquele cheiro.

Harry retirou a varinha de dentro do casaco puído e assentiu para Severus, que pronunciou o contra-feitiço:

Rennervate!

O homem suspirou, mexendo-se novamente. Mas ele logo ficou imóvel – por sua própria vontade – quando Severus apontou-lhe a varinha contra o pescoço e indagou, com o sarcasmo do qual ele era mestre:

– Olá, Fletcher. Entrou na lareira errada?

O bruxo rechonchudo abriu um sorriso amarelo em dentes pretos de nicotina:

– Ah... Severus... E Harry... Quanto tempo...

– O que está fazendo aqui?

– Oh, veja... Eu... na verdade, eu estou sentindo falta de algumas coisas... Pensei que pudesse ter deixado aqui...

– E não lhe ocorreu visitar em horário comercial? – perguntou Severus, de modo escorregadio.

– Agenda lotada... – Outro sorriso amarelo. – Mas não pensei que tivesse ninguém em casa... Afinal, Sirius se foi...

– O jovem Harry é o herdeiro de Sirius. A casa é dele agora.

– Ah... Bom para você... Parabéns, Harry, parabéns...

– Não me venha com "parabéns, Harry!" – O rapaz crispou o rosto. – Você estava roubando as coisas de Sirius. Agora são minhas coisas!

– Oh... bem... Eu não sabia... Desculpe, Harry...

– Você é um ladrão! Seu lugar é na cadeia!

Severus apertou mais a varinha em seu pescoço:

– Harry tem razão. Você deveria ir para Azkaban.

– Oh... Bem, Severus, pelo que eu tenho ouvido... você também devia... não é?

Um brilho de frieza passou pelos olhos de ônix, e Dung efetivamente se encolheu de medo. Severus voltou à voz suave e traiçoeira:

– Sabe, talvez eu convença Harry a não entregar você ao Ministério. Talvez você possa fazer um favor a ele... Um pequeno favor, o que diz?

– Um favor?

– Sim, um favor. Tenho certeza de que um homem com suas conexões e habilidades pode dar conta de um pequeno favor. É só isso que precisa para se livrar de Azkaban, Mundungus... Se você se recusar, Harry aparata com você direto para o Escritório dos Esquadrões de Aurores. Apenas um favor entre amigos, e você será poupado de todo esse constrangimento. Então? Vamos tentar de novo? Que tal fazer esse favor?

– Claro... Severus... Um favor entre amigos... Qualquer coisa pelos amigos...

– Ah, isso me deixa feliz, Fletcher. – Severus mantinha o sarcasmo em níveis máximos. Harry admirava o sangue frio de seu dominante. – Não quer saber que favor é esse?

– Oh, sim, sim... Claro, Severus... O que posso... fazer?

Severus olhou diretamente nos olhos de Mundungus, dizendo pausadamente:

– É só uma informação. Sirius deu de presente a Harry alguns itens, que o rapaz gostaria de ver devolvidos, pelo seu valor sentimental. Entre esses itens, estavam uma caixinha de música, um medalhão com S de Sirius e um anel com o brasão da família Black. Não vamos perguntar sobre outros itens, não vamos falar coisa alguma sobre essa invasão, se você localizar esses três. Sabe, Harry tem grande apreço por lembranças de seu padrinho.

– Er... Hum... Deixe-me ver... Uma caixinha de música, você diz? Ah, sei da qual está falando... Infelizmente, o Sr. Borgins ficou muito interessada nela... Fez-me uma oferta... er... era irrecusável...

– E os demais itens?

– Oh, bem... O medalhão eu sei onde está, posso recuperar em três tempos... Mas o anel... Uma outra pessoa da família me fez uma oferta por ele...

– Então o anel também está em outro lugar. E o medalhão?

– Eu posso recuperar o medalhão! – ele disse, esperançoso. – Rapidamente!

– Sim, você já disse isso. Agora vem a pergunta realmente importante, Fletcher. Pode me responder?

– C-claro... Severus...

Harry notou a voz de Severus mudar, não de timbre, não de tom, mas de... qualidade. Ela adquiriu um caráter irresistível, um apelo forte que ele não conseguia explicar. Era estranho:

– Você vai dizer onde está o medalhão, não vai?

Harry ficou ainda mais impressionado quando Mundungus deu um sorriso sincero para Severus, a expressão temerosa se dissipando por completo:

– Claro, Severus. Está aqui mesmo nessa casa. Eu o escondi na sala de desenho.

– Excelente. – A voz de Severus continuou daquele jeito estranho, deixando Harry cada vez mais abismado. – Agora você vai sair daqui sem barulho, vai voltar para o lugar de onde veio sem ter qualquer lembrança de ter chegado aqui. Vai se sentir bem disposto, feliz por ter pensado em voltar para o seu lugar. E toda vez que você pensar em voltar a essa casa, vai se lembrar que tem outras coisas para fazer e lugares mais importantes para ir. Como agora mesmo, você tem coisas para fazer, muitas coisas. Não tem?

A surpresa de Harry foi ainda maior quando Mundungus franziu o cenho e repetiu:

– Ir embora... É uma boa idéia. Tenho milhões de coisas para fazer. Sim, sim. É isso mesmo que vou fazer. Que bela idéia, Severus. Desculpe, Harry, não vou poder ficar.

– Que bom que gostou. Agora pode ir, Mundungus. Harry, devolva a varinha para ele.

Harry obedeceu, e Mundungus sorriu, erguendo-se do chão:

– Obrigado. Boa noite e durmam bem.

Sem mais palavras, o ladrão enfiou-se na lareira e foi-se embora alegremente. Harry estava mais que abismado.

– Que diabos foi isso?

Severus se virou para ele:

Isso foi algo que pode ganhar aperfeiçoamento se conseguirmos desabrochar os poderes Mizrahi. Segundo as lendas, Mizrahi Sharaman podiam exercer alguma influência em mentes fracas.

– E você descobriu que não era apenas lenda?

Severus ergueu uma sobrancelha:

– Deu certo com a sua tia, não?

Harry ficou ainda mais abismado:

– Você fez tia Petúnia ficar toda simpática comigo? Meu tio Vernon quase teve uma síncope! Eu adorei!

Severus se permitiu um sorriso sarcástico diante do deleite de seu pesseguinho. Só por ver a reação dele, tinha valido a pena.

– Então o medalhão está aqui?

– Na sala de desenho. Deve buscá-lo o quanto antes. Seus amigos podem ajudar. Uma vez que o encontrarem, devem guardá-lo na cristaleira da sala de jantar.

– O quê? E deixá-lo exposto?

– Os vidros daquela peça são encantados. Black deve ter lhe dito isso. Os objetos mágicos lá colocados ficam com sua mágica encerrada – não há registro de magia.

– Então... ninguém sabe que são mágicos.

– Precisamente. Isso é importante, Harry. Mantenha-o lá até podermos juntar as demais horcruxes e partirmos para a fase B do Plano.

– Oh, e nós temos um plano? Isso é novidade para mim.

– É o plano de Dumbledore. Você disse que estudou as memórias dele.

– Estudei, mas aquilo não era lenda?

Severus ergueu as duas sobrancelhas:

– Tão lenda como o que eu acabei de fazer.

– Tá. Entendi.

Severus o encarou, seus sentimentos borbulhando dentro de si. Harry podia sentir a intensidade deles, faiscando pelos olhos negros. Mas ele abaixou a cabeça:

– Devo ir agora.

– Oh. – Harry estava genuinamente decepcionado. – Mais tarde, então, podemos trabalhar nessa coisa de... poderes Mizrahi.

– Espero que sim. Boa noite, Harry.

– Boa noite, Severus.

O rapaz tomou a iniciativa de dar-lhe um beijo casto nos lábios. Severus assentiu, um calor tomando conta de seu corpo.

Depois ele entrou na lareira e saiu.

Harry apagou a luz e subiu para seu quarto. Iria procurar a horcrux de manhã, depois de relatar os eventos da noite agitada a Ron e Hermione.

Mas não era nisso que pensava, deitado na cama, o sono lentamente chegando.

Era em Severus que ele pensava.

Próximo capítulo: Ron, horcruxes não mordem!