Kaze –

Kaze. Vento.

Vento. Força da natureza que está sempre mudando, não permanece igual por muito tempo. É capaz de trazer grandes histórias do passado ao presente. Ouça-o com atenção enquanto as conta para quem quiser ouvir.


Capítulo 11 – Kaze

Os cinco membros da Gaang ouviram atentamente enquanto Tarcir lhes contava a trágica história. Nunca a tinham ouvido antes, era realmente impressionante e comovente o destino de dois amantes de duas nações diferentes.

—E foi assim que aconteceu. — disse o homem, terminando a narrativa.

—Mas e o que aconteceu com a Nação do Fogo? — perguntou o dominador de fogo, curioso. — Se os dois morreram, quem ficou comandando o império?

—Sua pergunta faz sentido. Na verdade, quem ficou no comando foi o parente mais próximo do Senhor do Fogo: seu primo Lian, ele era justo e durante seu período de reinado, a nação foi próspera.

Aquela história realmente fascinou toda a Gaang, sem exceções.

—Mas se ambos reencarnaram, onde eles estão? — perguntou a garota de olhos azuis, querendo ouvir a resposta.

—Dizem que os dois reencarnaram no Reino da Terra. — respondeu, levantando sua espada do chão e a guardando.

—Isso é... interessante... — ela sussurrou.

Alguns segundos se passaram e Tarcir disse que já era hora de ir embora para sua casa. Teria que fazer muitas coisas, como pegar sua pequena família, levá-la o mais longe possível da capital e ir morar em algum lugar calmo, onde a tirania não tenha chegado. Não queria perder quem mais amava, só porque ele não queria mais matar pessoas odiadas por Ozai. Queria uma vida nova.

Todos lhe disseram adeus e enquanto ia andando ao longe, lembrou-se de palavras de algum sábio do local que morava: "Só pela compaixão se pode ser bom." Agora sim acreditava que só quem sente esse sentimento na alma alcança a harmonia. Iria atingir o objetivo de tornar-se uma pessoa melhor e mais digna para poder ensinar sua filha o certo e o errado. Percebeu que a menina que lhe ensinou isso era humilde e jovem, nunca iria esquecer-se desse ensinamento. Iria fazer muitos atos bons com as pessoas ao seu redor.

—Acho melhor seguirmos nosso caminho também. — disse Sokka, subindo em Appa.

—Não é melhor irmos a pé? O Appa e o Shugo chamam muito a atenção... — propôs a dominadora de água.

—Você acha mesmo que eles chamam a atenção? — questionou seu irmão, analisando a situação.

—Vamos indo... — Toph disse, puxando o guerreiro de cima do bisão voador com agilidade e o arrastando logo em seguida.

—Espera! Isso não é justo! — reclamou ele. — Vamos andar muito tempo!

—E o que você esperava, gênio? Entrar na Nação do Fogo voando alegre por aí? Acho que não. — rebateu Katara, andando no ritmo da Bandida Cega.

Andaram até os campos floridos perto da construção gigantesca, foi quando a princesa parou ao se lembrar de uma coisa que tinha se esquecido de pegar no castelo.

—Esperem um pouco, tenho que voltar. É rápido. — disse e antes que alguém pudesse perguntar algo, saiu em disparada em direção ao palacete.

A menina entrou rapidamente pelas grandes portas de madeira e gelo, procurou sua mochila e a achou perto da mesa onde estava o colar de Juliet dentro de um vidro, bem guardado.

—Aqui está... — pegou-a e colocou em suas costas.

Uma luz muito forte emanou do pingente e iluminou todo o grande recinto, ela tampou os olhos com as mãos; percebendo que a luminosidade estava acabando, abriu-os novamente para ver alguém em sua frente.

—Quem é você? — perguntou, assustada.

—Sou Juliet II, a antiga Princesa da Tribo de Água do Sul. — respondeu, com seu corpo aparecendo por completo.

Ela realmente tinha os cabelos azuis, que combinavam com seus olhos extremamente brilhantes, cheios de esperança e compaixão. Usava um vestido totalmente branco de seda e longo, ele voava com a leve brisa. A moça parecia alguém que conhecia, mas quem? Era uma dúvida.

—Vim avisá-la quem um grande mal se aproxima. — falou com seriedade.

—Um grande mal? Você quer dizer...

—Sim. O Avatar, assim como seus amigos correm grande perigo. Ele não conseguirá deter o Senhor do Fogo Ozai sozinho. — explicou.

—Mas ele é o Avatar! O escolhido para trazer paz à um mundo em guerra. Se ele não pode sozinho, então quem vai ajudá-lo? Claro que nós amigos vamos fazer tudo o que precisar para ajudá-lo, mas... Há mais alguém, não há? Alguém que fará a diferença? — perguntou confusa. —Mas quem?

—Isso você terá que descobrir por sua conta. — afirmou Juliet com convecção. — A resposta está mais próxima do que você imagina. — começou a desaparecer lentamente, ainda com o sorriso doce em seu rosto.

—Espera! Eu não tenho ideia de onde começar a procurar...

—A resposta está mais perto do que você imagina. É só isso que posso dizer, me desculpe. — sua imagem desapareceu totalmente, deixando uma garota pensativa para trás.

"Como vou encontrar essa pessoa?"

Viu se sua mochila estava bem presa e correu até a porta e saiu, parou e virou para observar o castelo. Sorriu e continuou a caminhada até onde seus amigos estavam.

Seu irmão a avistou de longe.

—Finalmente! Por que demorou tanto? — perguntou Sokka, nervoso.

—Eu falei com a Juliet, ela apareceu para mim. — disse Katara naturalmente, como se fosse bem natural.

—Agora você também tem contatos com espirítos? — o garoto de olhos azuis fez um gesto de fantasma e disse bem baixinho, o outro menino apenas o olhou esquisito. — Cuidado Aang, ela vai tomar o seu lugar! Só falta dominar os outros elementos. — pausou por um instante para pensar, pegou uma pedra do chão e jogou nela, que desviou rapidamente.

—Sokka! O que foi isso! — questionou brava e preparando seu cantil de água para atacá-lo. — Você ficou louco?

—Certo, ela não controla terra. — parou. — Mas e ar? Vai Aang faça uma rajada de vento para ver se ela revida com ar! — disse o guerreiro animado.

—Sokka! Pare com isso já, seu panaróico! — gritou sua irmã.

—Certo, ela não controla todos os elementos. Pode relaxar, Aang, minha irmãzinha não vai poder te substituir. — bateu no ombro do amigo.

—Ah... estou bem mais relaxado agora, Sokka. Muito obrigado. — disse o Avatar, ironicamente e chegando perto da morena.

—Katara... — ela o olhou. — O que Juliet lhe falou? — perguntou preocupado. — Foi algo muito importante?

—Ah...

A garota ficou sem saber o que responder, se respondesse que sua antepassada tinha lhe falado que o Avatar não seria suficiente para salvar o mundo da Nação do Fogo, o que o garoto iria pensar? Ou melhor, fazer? Com certeza iria se desesperar e perder toda a concentração para lutar com o tirano.

—Ela me falou que você tem que aperfeiçoar suas técnicas de dobra para conseguir vencer o Senhor do Fogo, porém está bem preparado. — sorriu nervosamente. Odiava ter que mentir, especialmente para um menino tão meio e ingênuo. [Aqui começa a tocar Serenata Immortale by Immediate Music.]

—Que bom! — animou-se. — Vamos gente, temos um longo caminho para seguir! — começou a caminhar rapidamente e alegremente.

Todos se olharam e o seguiram sem hesitar.

—Aang, espera aí! — Sokka o chamou, andando em seu passo.

—O que foi? — perguntou o dominador.

—Nós vamos por qual caminho?

—Esse à nossa frente. — disse e apontou para as grandes e altas montanhas ao Norte, o guerreiro olhou e parou de andar.

—Você só pode estar brincando que nós vamos mesmo subir tudo isso.

—Não. — respondeu sorrindo. — É a única maneira de chegarmos à capital o mais rápido possível e o mais discretamente possível.

O menino da Tribo de Água do Sul queixou-se baixinho e recebeu um pequeno empurrão de sua irmã, ele a olhou feio.

—Vamos Sokka, você não se diz o guerreiro todo poderoso? O que é escalar montanhas para você? Um passeio no parque. — disse, fazendo gestos engraçados e falando igual a ele, fazendo a Bandida Cega rir.

Suspirou profundamente e correu para alcançar seus amigos, iria provar que tinha resistência física sim e ai de quem duvidasse, pelo menos iria tentar.

A vista de cima era incrível, todas as montanhas tinham um pico com neve e flores silvestres ao seu redor, era uma visão de tirar o fôlego. A Gaang começou seu árduo e cansativo caminho para escalar a montanha, como a trilha era um pouco íngreme, tinham que tomar muito cuidado para não tropeçar ou dar um passo em falso e acabar caindo de uma grande altura.

Descansaram um pouco após uma longa e exaustiva subida, procuraram uma caverna para poder sentar e relaxar alguns minutos. Encontraram uma bem pequena, mas aconchegante. Pararam e pegaram algumas frutas da bolsa para comer e água para beber, o percurso ainda seria bem longo e todos teriam que estar bem dispostos para o que ainda iria vir.

Após um tempo, o dominador de ar levantou-se e chamou sua turma para continuar seguindo. Cada um foi colocando a mochila nas costas e acompanhar o líder, não queriam sobrecarregar Appa.

O tempo foi passando e chegaram no pico da montanha, onde já podiam avistar a cidade principal da Nação do Fogo ao longe, bem pequena, como se fosse uma pequena mancha vermelha na linda e exótica paisagem da região.

A descida foi mais fácil para todos, contudo não deixou de apresentar riscos. Sokka estava ao lado de Toph, a segurando e impedindo uma possível queda. Aang era o mais ágil, talvez por apresentar a dobra de ar que o fazia ficar mais leve e veloz.

Por fim conseguiram chegar ao outro lado da montanha e puderam respirar mais tranquilamente ao sentirem seus pés em terra firme e forte, sem riscos de cair ou se machucar. Pouco a pouco foram parando e olharam ao redor: o clima já não era o mesmo dos jardins perto do palácio da Tribo de Água ou do que estavam acostumados, uma larga extensão de plantas estavam mortas e o céu era mais escuro do que o normal. O que a Nação do Fogo tinha feito com aquele lugar? Como aquela cadeia de montanhas tão lindas poderia estar ali, em um espaço tão devastado e poluído? Aquilo sim era um grande mistério. [ Aqui para a música Serenata Immortale by Immediate Music. ]

—Meu pai. — Zuko simplesmente falou e abaixou para pegar os restos de flores ainda não floridas. — Ele disse que iria construir uma nova fábrica para construir mais navios e conquistar mais cidades. — avistou a poeira ao longe. — O que o meu pai fez...?

O dominador de ar permaneceu sem reação, odiava ver a natureza degradada daquele jeito tão intenso. Lembrou de tudo que a Nação do Fogo já fez em sua vida, como destruir toda sua família de nômades do ar. Será que aquela grande, majestosa e maldosa nação só conseguiria trazer destruição e caos para o mundo? Aquele era o seu destino, sempre entrar em guerra?

—Aang? — chamou uma voz terna e macia de uma menina de olhos extremamente azuis como o mar.

Estava preocupada com ele, afinal não tinha dito nenhuma palavra desde que chegou ali.

—As plantas estão... — foram as únicas palavras que conseguiu balbuciar sem chorar.

—Eu sei, Aang. — Katara foi até o menino e o abraçou demoradamente.

Existia um elo muito forte entre a natureza e o grande e poderoso Avatar, dominador de todos os elementos. Era algo que ninguém mais entendia, como um sinal em enigmas que só uma única pessoa poderia desvendar e entender seu significado. Se o elo fosse abatido por alguma coisa negativa, a esperança do mundo também seria abalada e com isso o futuro melhor que todos estavam esperando. Ninguém nunca conseguiria entender essa ligação.

—Vamos sair daqui. — a dominadora de água sussurrou em seu ouvido e o levou para outro lugar menos afetado pela onda de destruição com a Gaang a seguindo em cada passo.

O sentou em uma pedra de cor mais acinzentada que o normal e o olhou procurando algo que pudesse revelar seus sentimentos que o afetavam tanto.

O menino tão forte e as vezes tão seguro começou um choro dolorido cheio de mágoas que vinham de dentro de seu coração generoso e bondoso.

—Aang. — novamente aquela voz cheia de segurança e conforto chamou-lhe pelo nome. — Você está chorando? — sentiu-o a abraçar e chorar em seus braços quentes.

What about sunrise?
What about rain?
What about all the things
That you said we were to gain?
What about killing fields?
Is there a time
What about all the things?
That you said was yours and mine
Did you ever stop to notice
All the blood we've shed before
Did you ever stop to notice
This crying Earth, its' weeping shore

—Eles estão destruindo tudo, Katara. Começou pelos monges, depois pelas cidades e agora a natureza. Onde tudo isso vai levar? Será que eles não entendem? — olhou-a com todo sentimento que podia transmitir.

O príncipe banido sentiu-se um pouco desconfortável com a situação que presenciava. Por um momento no seu passado cheio de arrependimento achava tudo aquilo que seu pai fazia certo e ainda aplaudia seus feitos com honra. Mas agora... Seu tio o ensinou muitas coisas sobre o equilíbrio. Sem o equilíbrio nem o tirano Imperador da Nação do Fogo reinaria soberano por muito tempo. Todas as coisas se conectam, todas as nações se interligam, é o grande ciclo do mundo em que vivia.

—Nós vamos impedi-lo, Aang. — disse Zuko, não conseguindo encarar nenhum de seus companheiros de viagem. — Eu sei que Ozai fez muitas coisas ruins e por isso eu quero lutar pelo meu trono. — conseguiu levantar o rosto para olhar direto para o Avatar, que estava prestando atenção em suas palavras. — Eu quero consertar seus erros e trazer a esperança de volta à aqueles que a perderam há muito tempo. — fechou seus olhos. — Eu sei que é difícil, mas eu quero tentar...

—Eu vou ajudá-lo nisso. — o meigo sorriso de Twinkle Toes apareceu mais uma vez, levantou-se e colocou a mão no ombro do adolescente. — Juntos. — olhou para toda a Gaang.

E assim todos foram caminhando pela longa estrada que ainda tinham que percorrer para um lugar estratégico que tinham marcado no mapa com a ajuda de Zuko. Não importava os obstáculos que viriam, estariam juntos e lutariam juntos até o fim.

Inesperadamente, uma tropa da Nação do Fogo apareceu na frente dos cinco heróis, ficando em posição de combate.

—Temos ordens diretas para prender o Avatar e seus amigos. — disse o líder que estava mais a frente com voz autoritária.

—Ah é mesmo? Farão isso sobre meu cadáver então. — disse Sokka, pegando sua espada e seu boomerang ao mesmo tempo.

O exército de dominadores de fogo avançou e a batalha tinha apenas começado. Katara dava o máximo de si usando toda a água disponível em seu cantil para fazer poderosos ataques, Toph fazia dobras de terra com extrema facilidade com seus pés e o auxílio de suas pequenas mãos, Zuko usava chamas para afastar os soldados e ganhar mais tempo, Sokka olhou para cada um deles e mirou bem o seu boomerang para derrubar vários.

—Eles são fortes. — disse Katara ofegante, encostando suas costas com a do ex-príncipe.

—São, mas não são muitos. — concluiu ele analisando seus oponentes como um jogo de xadrez para fazer o próximo movimento.

Ao planejar sua próxima jogada, ofereceu as duas mãos para a menina de olhos azuis que o olhou e entendeu o recado. Pegou suas mãos e ele a levantou com agilidade e a jogou contra o inimigo bem forte como a força do vento arrasador, que cria e destrói as coisas ao seu redor. A dominadora fez um grande chicote de água que caiu encima do exército inimigo, os nocauteando por completo. Não havia sobrado ninguém para continuar batalhando.

—Saímos vitoriosos! — comemorou o guerreiro, guardando seus pertences. — Yha!

Todos começaram a rir da comemoração de Sokka, até Katara perceber algo de muito errado. Algo faltando... Aang!

—Onde está o Aang? — perguntou desesperada não o encontrando em parte alguma.

O Avatar tinha sido levado pela tropa inimiga e sem nenhum de seus amigos perceber. O que poderia acontecer com ele?


Olá a todos os leitores :D

Desculpem a demora pra postar ._. É que minha escola realmente me esgota e o tempo não está a meu favor...

Prometo (vou tentar vai...) atualizar mais rapidamente x D

E sim, estamos na reta final da fanfic *corinho de ahhh : (*

Eu adorei esse capitulo (ok, eu falo isso em todos haha). Mas sério, eu gostei desse mesmo, talvez por ele fazer uma crítica a degradação da natureza e das mortes de tantas pessoas inocentes em vão. (uau, quanta coisa).

Ouçam as músicas do capítulo, são muito boas! A do Michael acho que todos conhecem xD

Serenata Immortale by Immediate Music

Earth Song by Michael Jackson

Beijos e até o próximo capitulo!

Deixem reviews, please! *-*