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Disclaimer: Harry Potter e todo seu universo e personagens não me pertencem; produto feito apenas de fã para fã.
História originalmente escrita com Sheila Farias.
Porque existem histórias que quando não são contadas ou finalizadas, ficam na sua mente lhe perturbando até que as deixem sair.
Capítulo Onze – Fracturatum
Os livros finalmente tinham chego e com ele as memórias de Carla, ao que as meninas se viram bem ocupadas com toda a coisa de achar uma bendita penseira, e procurar entre as informações se alguma delas as serviam durante o final de semana. Finalmente quando estavam quase desistindo – e por ordem de Hermione descartado a sugestão de Harry para que ele as emprestasse a capa e invadisse o escritório de Dumbledore. – elas foram choramingar com Lilandra. A bruxa ficara animada com a sugestão, e até mesmo pedira que as meninas compartilhassem aquelas informações com garotas de outras casas. Elas iriam, claro, tinham bom coração, mas que os Deuses perdoassem aquele que sugerissem que Sabrina dividisse qualquer daquela informação com as sonserinas.
Dessa forma a semana seguinte foi calma, sem muito acontecimentos mais surpreendentes do que um vidro de poção cola-tudo derramado no chão da masmorra por um sempre sábio e desesperado Neville, o que rendeu risos por Draco, Crabbe e Pansy ficarem presos até a aula seguinte e detenções e pontos tirados dos grifinórios. Isso e alguns olhares fulminantes de Fred Weasley em direção a Sabrina, que começava a se sentir muito incomodada. Talvez meio culpada, pelo seu descontrole.
No final da terceira aula de quarta-feira quando Morgana, Harry, Rony, Hermione e Sabrina se dirigiam para o Salão Principal os gêmeos Weasley passaram por eles pela segunda vez no dia. Fred olhou Sabrina de uma forma que a fazia se sentir totalmente exposta e ela ficou levemente vermelha, desviando os olhos em direção ao chão. Morgana comentou:
– Todo esse seu jeito stress de ser não esta fazendo bem a ele, pobrezinho.
Sabrina olhou para Morgana e as duas começaram a rir. Harry e Rony não sabiam o que estava acontecendo, mas Hermione tinha uma ligeira impressão e riu também.
A ultima aula do dia seria Astronomia, e logo eles chegaram a torre de observação obscura da professora Sinistra. Helaena Sinistra já estava enrolada em sua capa e túnicas dedilhando seu telescópio muito abstraída quando exigiu que eles tomassem seus lugares para observar a constelação de Órion. As magias naquele ano eram mais avançadas, de forma que nenhum deles teve muito o que falar pelo longo tempo em que estiveram estudando os padrões das estrelas. De fato, Sabrina decidiu que aquela aula era útil e contemplativa. Quase se sentia em paz enquanto observava os pontos luminosos criarem padrões e dividia com Morgana os cálculos complexos que criavam fórmulas mágicas que seriam usadas nos estudos métricos dali para a frente.
Por cálidos, felizes momentos esqueceu o que havia feito, e não feito nos últimos dias. Até que saísse da sala ao menos.
A professora os liberava muito depois da meia noite, e só por esse motivo, era comum se andar pelo castelo em grupos concisos até seus salões comunais. Nada de excepcional, e de fato, estavam tão cansados que sequer pensar em se esgueirar por aí era impossível a eles.
Talvez por esse cansaço que para ela foi primeiro como se tivesse vendo coisas, ao olhar para a frente no corredor anterior ao que levava a passagem da Grifinória e enxergar um vulto familiar para si mesma. Nitidamente um fantasma, translúcido em suma, mas...diferente. Sua mãe.
Pestanejando, Sabrina agarrou o braço de Morgana, sussurrando em seu ouvido:
- Tenho algo urgente para fazer, preciso de cobertura.
- Algo urgente a essa hora? Sabrina, se Filch te pega ele...
- Eu sei. – Engolindo em seco, ela apertou os olhos por cima dos ombros, conforme o fantasma de sua mãe desaparecia ao fim do corredor. Desconfiada, Morgana olhou na direção que a ruiva observava, mas apenas as sombras se faziam visíveis. – Realmente é importante, diga aos outros que fui as cozinhas, sei lá. Preciso ir.
E sem esperar a resposta de Morgana, girou nos calcanhares e correu pelos corredores agradecendo o fato das tapeçarias empoeiradas daquele setor amortecerem os sons de corrida.
O que sua mãe estaria fazendo vagueando pelo castelo afinal? Aquilo era incomum, Penélope jamais aparecia para outras pessoas que não para ela, e definitivamente ela não imaginava que a presença da mãe fosse forte o bastante para vagar por aí. Dentro do íntimo sempre imaginara que a forma espectral da mãe fosse mais como uma lembrança ou aparição ligada aos seus sentimentos do que uma assombração, então o fato de vê-la materializar sem ter relação a ela a incomodava.
Girando o corredor, ela se viu completamente perdida na escuridão, nenhum sinal do fantasma próximo e uma bifurcação em sua frente, fez seu coração saltar a boca. O que fazer? Era sua responsabilidade, achava, procurar e parar a mãe antes que essa fizesse alguma coisa. Ou ao menos descobrir o que a outra iria fazer. Encolheu os ombros e mordendo os lábios com força, virou a direita, deixando que sua intuição a guiasse.
O corredor era conforme reconhecia um atalho que saia no corredor das aulas de DCAT, e isso a deixou ainda mais alarmada. Um sinal talvez? Sem pensar, ela passou pela tapeçaria, torcendo para estar correta. Não demorou a descobrir que sim, estava.
Bem a frente da saída da passagem, uma sala de porta entreaberta, que reconhecia como o escritório da professora Lilandra, deixava entrever uma iluminação de lareira e velas, e por ali ela ouvia nitidamente a voz de sua mãe, baixa e sibilante, venenosa.
- ...negando sua parte nisso, como se não fosse seu dever me informar!
- Não é meu dever lhe informar de nada, a última vez lhe disse mais do que devia e Angelus está morto por conta disso.
- Não fale disso! Eu não permito! A morte dele não era para acontecer, foi um acidente.
- Acidente que você não impediu!
- Ele foi tolo por ignorar os pedidos do Mestre. Você será tão tola para ignora-los também?
- Será que você não tem um pingo de remorso nesse seu coração morto, Penélope?
Sabrina aguçou mais o ouvido, e ficou surpresa ao constatar que aqueles barulhos e suspiros indicavam que o fantasma chorava. Nunca parara para pensar, mas sua mãe deveria ter algo a ver, ou mesmo saber daquele dia em que seu pai fora assassinado. E aparentemente a professora Lilandra Blacklight também. Uma sensação de desalento que deixava seus músculos insensíveis a inundou... seria a professora uma cúmplice de Voldemort? E a julgar pela conversa, uma que conhecia os planos dele? Demorou a perceber, mas sua mãe recomeçara a falar, lentamente os sons se tornaram audíveis, chegando aos seus ouvidos como que através de uma bolha.
- ...nem mesmo por nossa ligação, permitirei que você diga isso novamente. Me diga o que quero saber!
- Não direi nada, e a proíbo de tentar descobrir. Sua condição tem uma peculiaridade Penélope, e eu sei como mantê-la afastada usando ela. Não se meta nos meus assuntos, eles não lhe cabem.
- Você não entende, é minha missão, e ela é dolorosa, mas quando dei minha vida para...
- Merlin, isso é uma obcessão. Diga, se a garota soubesse de metade do que fez, ela lhe amaria? Ela sabe que você...
- Eu sou a mãe dela! É claro que ela sabe, ao menos sabe tudo que precisa saber para que sua transição seja suave quando...
- Você sacrificaria até sua filha se fosse preciso, então?
Penélope gargalhou. – Quão hipócrita? Quantos você já não sacrificou para...
BAM. Sabrina sentiu uma trombada dolorosa em seu ombro esquerdo, segundos antes de um pesadelo começar.
- ALUNA FORA DA CAMA BISBILHOTANDO A SALA DA PROFESSORA VAMPIRA, ALUNA FORA DA CAMA NO CORREDOR DE DEFESA CONTRA AS ARTES DAS TREVAS, FILCH. AQUI, ALUNA FORA DA CAMA...
Sem pensar ela girou nos calcanhares e começou a correr pelos corredores desembestada, enquanto Pirraça continuava a berrar e jogar partes de uma armadura nela, alucinadamente.
Enquanto corria e se safava, as palavras das duas naquela sala a enchiam de ainda mais pavor gelado do que ser posta em detenção. O que ela havia ouvido e descoberto afinal?
Por mais que pensasse porém, não conseguiu pensar em conclusão alguma, e nem mesmo compartilhar aquilo que ouvira com nenhum dos seus amigos.
Não ajudava também o fato de que aquele concurso estivesse colocando todas as meninas e meninos do castelo em polvorosa. Agora, analisando, a atitude boa da professora de criar um concurso tão agitado, poderia ser uma estratégia para desviar a atenção de todos os ataques que ocorriam sem parar fora do mundo do castelo? Ela não sabia, mas no fundo sentia pelo fato de que se enganara tanto com a professora de DCAT assim. Droga, eles realmente, realmente gostavam muito da mulher. Cada aula ela se mostrava tão...alto astral, tão encantadora. Sem dúvidas uma máscara? Os piores inimigos sempre eram aqueles carismáticos e acima de qualquer suspeita não? Ao menos ela ouvira sobre isso, e concordava, afinal Voldemort mesmo em sua obscuridade não havia conquistado milhões de seguidores, gente importante até?
Confusa, ela deixava que os dias se arrastassem, até mesmo esquecendo de seus assuntos mais mundanos de adolescente enquanto tentava desvendar sozinhas as peças de um quebra cabeças grande demais para si. Perguntava-se se não deveria falar com os outros, mas Harry...que bem faria se ela contasse a ele algo inconclusivo? Rangia os dentes quando pensava também no fato de que teria que entregar qualquer coisa que sua própria mãe fazia, e então...não veriam eles a ela com suspeita?
Era uma segunda feira quando saiam de uma aula de Trato das Criaturas Mágicas, e encontrando-se com Gina, Morgana e Hermione, seguiam para o dormitório. Haviam marcado de treinar alguns dos movimentos de dança para a competição, no campo de quadribol. Todas as quatro, devidamente vestidas com shorts e camisetas coloridas, rabos de cavalo idênticos, passavam pelo buraco do retrato quando Parvati Patil entrava pelo mesmo.
- Onde você vão cantar? – Deu o ar da graça a indiana, arrancando um olhar frio das meninas.
- Por que? Quer comprar convite? Estão esgotados. – disse Morgana sarcástica.
- Wow. - Falaram as outras três segurando o riso.
- Não, é que eu vou passar bem longe do lugar.
- Sim, é melhor que o faça pra que o cotovelo não doa, querida! – Rebateu a morena, conforme virava as costas a uma Parvati desgostosa.
- Eu sinceramente não sei porque ela nos odeia tanto. – Disse Sabrina já no campo, conforme tocava a varinha com o rádio bruxo portátil e erguia o som até uma musica dance começar a soar alto.
- É apenas inveja, por todo nosso brilho. – Gina pontuou, e sem mostrar muita timidez sacudiu o pompom e girou nos calcanhares fazendo uma pose exagerada de líder de torcida que as fez gargalhar.
- Oh sim. I-N-V-E-J-A! – Morgana balançou os pompons e bateu os quadris nos de Hermione que se mantinha parada e encolhida abraçando os cotovelos.
- Mione, você não vai conseguir muito se ficar abraçada a si mesma assim. – Ponderou Gina indo atrás da morena e afastando seus braços até que estivessem os dois no ar como um polichinelo.
- Eu não consigo, fico pensando naquela arquibancada cheia...e droga, eu não sou do tipo que faz esses rebolados e saltos.
- Esse rebolado? – Gina segurou os quadris da outra e movendo os seus próprios junto, fez com que Hermione sacudisse os dela, corada. As três gargalharam.
- Não faça isso, Gin!
- Só nos siga ok? Estamos as quatro apenas aqui! – Sabrina ergueu seu pompom e passaram a ensaiar passos básicos de música.
Aos poucos Hermione foi se soltando, passando a se divertir ou ao menos obstinadamente se esforçar, a ponto de em dado momento bufar, e criticamente passar a corrigir as outras três quando tropeçavam ou faziam um dos passos de mal jeito. Impressionada, ao fim de duas horas onde apenas a sabe-tudo da escola conseguia replicar a coreografia com uma pirueta especificamente difícil de forma perfeita, Morgana se jogou na grama agarrando as costelas e soltou:
- Existe alguma coisa que você não saiba fazer?
Convencida, Hermione deixou o corpo cair ao seu lado jogando os pompons pra cima com uma gargalhada. – Sim: Voar. Odeio voar.
Elas iam voltando para o castelo quando passaram por elas algumas meninas da Sonserina, todas com posturas altivas, extremamente maquiadas, e lindas, ou próximo a isso, que caminhavam na direção do campo para ensaiar. Morgana disse baixinho:
- Tomara que uma quebre a perna.
- Morgana!
- Argh, tem razão, estou me tornando uma Parvati.
- Hum...ai. - Sabrina levou a mão a testa, não acreditando que fizera outra vez.
- O que foi? – Perguntou Mione, assustada.
- Eu esqueci meus pompons.
- Você não tem jeito, Sá, sério, cadê aquele lembrol que Draco me deu?
- Lembrol que Draco te deu?
- Ah isso, bom... – Enquanto a morena explicava a Gina, de forma tímida, Sabrina começou a voltar, dizendo que não demoraria.
- Você não quer continuar com aquele duelo não é, Sabrina? - Disse Hermione preocupada, conforme ela se afastava.
- Não... ela nem estava lá, não é? – Disse a ruiva chateada, por no fim não poder mesmo continuar o duelo. Seria uma boa, ela precisava se desestressar por aqueles dias.
Correu em direção ao campo, e como que se os deuses ouvissem e quisessem se prevenir, sua varinha caiu do bolso aos pés de Hermione, que a agarrou e olhou as outras duas em dúvida.
- Fique com isso, é melhor pra ela ficar longe de problemas. – Decidiu Morgana, enquanto elas voltavam ao seu caminho.
Elas não deviam ter feito isso...
- Vamos lá meninas...um, dois, trê...Não Charlotte, sua imbecil, o movimento não é esse! Tenho que ensinar tudo a vocês? O que você faz aqui Lair? – Thaty Meyer parou no momento em que corrigia sua "amiga" num movimento quando Sabrina entrou sorridente pela beira do campo.
Oh, seus desejos haviam sido atendidos?, Pensou Sabrina animada conforme pestanejava e encarava a outra com hostilidade.
- Não que eu te deva satisfações, Meyer, mas pra você não ficar pensando besteira eu te conto, só voltei pra pegar meus pertences... podem continuar o ensaio ridículo de vocês, e esse movimento em questão é horrível. - Disse ela negando para Charlotte que encolheu os ombros como se dissesse: E eu não sei?
Para ser justa, ela mesmo não chegou a procurar a briga. Apenas pegou seus pompons e se retirou a fim de alcançar os pontinhos que eram as amigas já nas escadarias do castelo. De fato ela teria ganhado um troféu de Miss Sunshine se Thaty Meyer não tivesse outros planos.
- Lair, preciso falar com você! - Thaty se aproximou de Sabrina.
- Olha, eu prometi que não iria fazer isso, mas se quer continuar o duelo... – Ela sorriu, levando uma das mãos ao bolso conforme Thaty apertava os olhos desconfiada. Mas..nada. Sabrina começou a apalpar-se, chocada, e continuou ali girando em círculos como uma palerma antes de dar um sorrisinho amarelo e piscar encantadora á loira. – É melhor fazer isso em outra hora, porque não estou com minha varinha...
A outra apenas concordou com a cabeça, um ar de superioridade descrente. – Claro, que tipo de bruxa sai sem sua varinha? Mas não é isso que quero conversar. Vim te avisar: Fique longe dos gêmeos Weasley!
- Isso é uma ameaça?
- Não, é um aviso. Eu acho que ninguém vai querer te ver machucada.
- Inclusive o Fred e Jorge, né? Eles me adoram tanto, ficariam decepcionados!
- Você é muito cínica não é, ratinha? – Thaty rangeu os dentes, irada.
- Sou realista, nada no mundo me ameaça, e sim vou falar com eles o quanto achar necessário, eles são grifinórios porque te importa tanto? O desafio? Ser rejeitada fere o coração não fere? Mas a vida é desse jeito, Meyer, siga em frente! E nunca, jamais, tente me dar ordens.
- Ok, Lair depois não diga que não te avisei. - Thaty foi a caminho do campo novamente, sacudindo os cabelos loiros com os dedos para que o sol brilhasse mais nas madeixas platinadas.
Sabrina deu uma meia risada de mofa, voltando a seguir seu caminho tranquilamente. Agora, sonserinos são seres vis e covardes, qualquer um que estudou em Hogwarts saberia disso e era um grande consenso, de forma que a meio caminho a loira simplesmente voltou-se e sussurrou:
- Não diga que não avisei: Que tipo de bruxa sai do castelo sem sua varinha? Fracturatum. – Um feixe amarelo doentil se desprendeu da varinha sonserina e voo em direção a perna de Sabrina atingindo sua coxa. No mesmo instante a ruiva tropeçou para frente, berrando conforme três "crecks" eram ouvidos e simultaneamente a fratura se dava em três ossos diferentes da perna esquerda.
Dor...dor percorreu a ruiva de cima a baixo e sem entender ela agarrou o joelho que estava em um ângulo estranho, sangue saindo de um ferimento que só poderia ser uma fratura exposta em profusão. Mas que diabos, ela sequer tropeçara? Febrilmente olhou a frente, mas não havia sinal das sonserinas, a despeito dos gritos de Thaty Meyer e as outras, o que só poderia dizer que elas haviam voltado a treinar não é? Não é?
- Aiii, socorro! – Berrou a ruiva quando tentou se erguer e a dor lancinante levou lágrimas aos seus olhos.
Não demorou muito para que um primeiro anista a visse ali, de olhos arregalados e corresse para pedir ajuda. Mas Sabrina não viu quem foi seu salvador, não teve tempo. A dor foi tão intensa que no mesmo instante que ela distinfuia um pontinho descendo em sua direção o mundo se tornou negro e ela perdeu a consciência.
- Ugh! – Ela recobrou a consciência com o cheiro de amoníaco debaixo de suas narinas.
- Ah, está acordada que bom.
Estava deitada em uma das macas da ala hospitalar, a enfermeira Madame Pomfrey segurando um dos frascos e a olhando com aparência preocupada. Atrás dela um ruivo uma cabeça maior a observava com um semblante ainda mais preocupado e alerta. Sabrina riu, sem humor, negando para si mesma embasbacada.
- Você fraturou a perna, como o fez? Tentou escalar, cair da vassoura?
- Não, eu estava voltando para o castelo quando de repente cai. Acho que fui azarada! – Desconfiada a velha bruxa olhou o gêmeo Weasley e com um profundo suspiro a ruiva negou. – Não. Ele sequer estava lá.
- Bom, vou ter que te dar Esquelesce, já coloquei os ossos mais ou menos no lugar, sorte você estar desmaiada. Não se mexa. – E saiu para dentro do ambulatório rapidamente.
- De todas as pessoas nesse castelo, tinha que ser você a me salvar?
- Você é muito educada, não foi nada te ajudar, de nada.
- Argh, obrigada, Fred Weasley. – Agora era tremendamente mais fácil saber quem era quem, e ela ficava agradecida por isso, apesar de um tanto constrangida e incapaz de entender aquele tipo de sorte que fazia com que o gêmeo cruzasse seu caminho toda vez que algo acontecia, principalmente com Mayer. Rangendo os dentes ela continuou. – Claro, a única pessoa que pode ter feito isso foi sua namoradinha, e por sua causa, então não é bem um favor e mais uma obrigação.
- Ela não é minha namorada. E da próxima vez te deixo sangrando no meio do gramado. Aqui. – Com um suspiro, passando a mão – vermelho escuro de sangue seco, conforme Sabrina notou - nervosamente nos cabelos ele tirou um livro do bolso que Sabrina imediatamente reconheceu como seu álbum de fotos, e a entregou, com os ombros encolhidos. – Estava indo ao corujal te enviar isso quando o garoto me encontrou.
- O que você esta fazendo com isso? E porque me enviaria pelo corujal?
- Acho que queria manter todo o mistério do momento, mas ver você ensanguentada e sem sentidos me deixou meio sensível, sabe? – Ele a olhou com um sorrisinho sem emoção, e só então ela notou que ele estava pálido, as sardas muito visíveis no rosto lívido. Mordendo os lábios, ela refletiu as palavras dele por breves instantes.
- Manter...o mistério? – Desconfiada, ela puxou da memória a ultima vez que vira o album. Notando sua confusão, Fred aumentou o sorriso, para um verdadeiramente animado agora.
- Sim, aposto que você nem se deu conta de quando o perdeu não é? Eu notei que você não sabia direito naquele momento, e queria manter esse segredo por um tempo, acho. Até quando você descobrisse. Não que você tenha. Você não parece muito esperta as vezes, Sabrina, consegue lembrar agora? – Ergueu uma sobrancelha e imediatamente ela lembrou.
Estava com esse álbum e seu livro de poesias a muito, muito tempo atrás, no dia que vira o fantasma de sua mãe na sala comunal, e beijara...Automaticamente seus lábios caíram, e ela se tornou tão pálida quanto ele, antes de as cores voltarem e ela corar profusamente, gaguejando desconexa. Fred esticou uma das mãos e colocou uma mecha de seus cabelos atrás da orelha, sorrindo e pondo o álbum em seu colo.
- Deu minha hora vou indo. Espero que você melhore logo.
- F-Fr-Fred...
-Ah, ia me esquecendo... Você não é uma garota muito esperta, e não liga muito para os pertences de sua família, e também é muito má educada e irritadinha, joga uma azaração Férula como ninguém... mas você beija bem. – E saiu a deixando sem palavras.
Madame Pomfrey retornou a sala com a poção e Sabrina a tomou em forma automática, sem mesmo registrar muito o gosto amargo e intragável. Desconfiada, madame Pomfrey entregou outra poção, dessa vez translucida, para que ela dormisse.
Foram segundos antes de pegar no sono, segundos em que se sentia ao mesmo tempo insensível e formigante, quente e fria, envergonhada e a ponto de explodir.
Ela sabia com certeza agora, como já vinha desconfiando.
Fred Weasley fora quem beijara.
