Disclaimer: Naruto pertence ao Kishimoto-sensei ;D
N/a: POV é a abreviatura para 'Point of view', que traduzindo significa 'Ponto de vista' :D
Dia 14
Sasuke POV
Quando entrei na sala do Minato-sama para receber a missão de ser babá daquele pirralho bem no fundo eu já arquitetava um plano para me livrar dele na próxima esquina. Nunca imaginei que em alguns dias acabaria me acostumando com a sua presença e sua constante curiosidade que nos fazia rodar a vila inteira em busca de coisas novas para fazer – ou comprar. De onde ele tirava tanto dinheiro quando não pagávamos as suas compras? Talvez a minha mãe estivesse bancando todas as suas vontades, já que ela claramente estava adorando tê-lo como nosso hóspede. O Itachi me avisou que isso seria apenas o começo para o dia em que aparecêssemos com um neto para ela – e eu sabia muito bem que ela estava ensaiando para o filho que a Sakura tivesse comigo. As vezes eu tinha que me controlar para não lhe dizer que estava muito difícil manter a Sakura durante dez minutos na minha companhia, imagina para arrancar as suas roupas, mas não eram palavras que a minha mãe devesse ouvir.
De qualquer forma, o Kira parecia ter comprado toda a minha família – inclusive o meu pai, que não costumava mostrar muito afeto a ninguém – então quais eram as minhas chances de expulsá-lo de casa? Eu contra a minha mãe e o Itachi? É, se eu já tivesse ganhado uma desses dois. E contanto que ele continuasse dormindo bem longe do meu quarto, eu poderia lidar com o resto. Até desisti de encontrar seus verdadeiros seguranças do País da Terra porque, vamos encarar, eu tinha problemas suficientes que começavam no meu tornozelo e iam até a minha ex-companheira de equipe. O que era vigiar o Kira diante de tudo isso afinal?
- Você tem o Sharingan, não é? Posso ver? Vai, me mostra, por favor...! – A voz ansiosa do Kira me tirou dos meus pensamentos, e percebi que ele me olhava curioso, andando ao meu lado pelas ruas de Konoha.
- Ele está proibido por alguns dias, Kira-kun. – Sakura respondeu, sorrindo de maneira divertida e trocando um rápido olhar comigo.
- Pode tentar convencê-la, se quiser. – Rebati.
- Como assim? É a Sakura-san que ativa o Sharingan por você?!
- Não, eu só amarrei um brinquedo na perna dele que o impede de ativá-lo.
- Ah, por isso o Naruto-san disse que você está com uma coleira.
- O que? – Meu cenho franziu imediatamente ao imaginar quais as outras merdas que o Dobe estava espalhando pela vila inteira. Era melhor o Yondaime mandá-lo em uma missão antes que eu o enviasse direto ao centro cirúrgico. Sakura, por outro lado, achou tudo muito engraçado, como indicou sua risada.
- É, assim não tenho com o que me preocupar, não é, Sasuke-kun?
Mulher irritante...
Notei que o Kira estava abrindo a boca para fazer outro comentário que eu com certeza o faria engolir de volta, mas estávamos passando na frente de uma loja que vendia máscaras da ANBU, o que foi o suficiente para fazê-lo esquecer de me irritar e rapidamente abrir o maior sorriso, arrastando a Sakura para dentro da loja. Um discreto suspiro escapou dos meus lábios, enquanto eu a via colocando máscara após máscara no rosto dele, aprovando uma ou outra para que o Kira não resolvesse levar toda a loja. Mas eu sabia que o que me distraía de verdade era aquele sorriso, e eu continuaria com os olhos fixos nela se os passos atrás de mim não me trouxessem de volta à rua onde eu continuava parado.
- Kakashi. – Ele ergueu uma mão em cumprimento, fechando o livro ao se aproximar de mim. Talvez ele estivesse apenas dando uma volta pela vila atrás de uma nova edição dos seus livros pornográficos, mas a Sakura e o Kira voltaram antes que ele pudesse falar qualquer coisa.
- Kakashi-sensei! – Sakura exclamou, animada, fazendo-o sorrir também, enquanto o Kira continuava extremamente entretido na sacola com as máscaras que comprara.
- Oi, Sakura. Estão cuidando bem do Kira?
- Você já o conhece? – Ela perguntou.
- Não, não, o Hokage me contou toda a história.
- Ele está sob ótimos cuidados. Até o Sasuke-kun parece gostar quando sai para treinar com ele, não é, Kira-kun? – Sakura sorriu para o Kira, que eu podia apostar ter ficado vermelho, mas em seguida os olhos dela encontraram os meus, divertidos.
- Hn.
- Se ele pudesse usar o Sharingan seria mais legal, mas a Sakura-san colocou uma coleira nele. – Franzi o cenho para o pirralho.
- Não é uma coleira.
Sakura riu, como se eu estivesse brincando com o idiota do Kira e não reprimindo a vontade de pisar na cara dele como eu estava. Pelo semblante cômico do Kakashi, dava para dizer que ele também estava se divertindo demais com a cena, então decidi que não adiantaria comprar briga com nenhum deles agora.
- Estamos indo ao Ichiraku. Vamos com a gente, Kakashi-sensei. – Sakura o convidou, mas ele balançou a cabeça, bagunçando o cabelo do Kira.
- Desculpe, mas não posso. Aliás, nem o Sasuke. Marcamos um treino hoje e já estamos atrasados.
Treino? Não protestei por estar até curioso com o que ele queria – muito provavelmente eu me arrependeria disso depois, mas não era sempre que o Kakashi me procurava para qualquer coisa que não fosse um treinamento.
- Sério? E você tinha esquecido? – Sakura me questionou, surpresa, mas foi Kakashi quem respondeu por mim.
- Não se preocupe conosco. Podem ir comer tudo o que puderem lá por nós dois.
Pensei que a Sakura fosse protestar, mas o Kira já estava puxando-a pelo braço para irem embora, então ela aceitou o sorriso e o aceno do cara de pau do Kakashi. Aliás, ela aceitou a mentira tão bem que já estava dividindo umas risadas com o Kira enquanto sumiam do nosso campo de visão. Se eu não a conhecesse diria que esse moleque estava usando um genjutsu nela. Talvez agora ela entendesse o que fazia comigo. Afastei esse pensamento da cabeça e me virei para o esperto ao meu lado.
- O que você quer, Kakashi?
- Saber quando vai conversar com a Sakura.
Eu sabia que iria me arrepender de ter ficado.
- Não comece. – Rebati.
- Juro que as vezes você é mais teimoso que ela. Por que está esperando tanto? – Ele estava claramente contendo um suspiro de impaciência, como eu não lembrava ter visto há bastante tempo. – Sasuke, vocês não podem continuar nessa enrolação até o Yondaime-sama lhe dar uma missão e você ter que passar mais sei lá quanto tempo fora.
- Não sei também, Kakashi. – Franzi o cenho, contrariado, odiando as palavras que já estavam escapando. – Ela está me escondendo alguma coisa.
Alguma coisa que sempre a fazia fugir de mim.
- O que? Que está saindo algumas vezes com o seu amigo da ANBU? – Kakashi rebateu, irônico.
- Não, idiota. – Então percebi o que ele estava dizendo. – Ela ainda está saindo com aquele imbecil?
- Se dependesse de você, eles já estariam com filhos e netos.
- Hn. – Foi o máximo que consegui para reprimir a irritação que fervia meu sangue agora. Pensei que aquele imbecil havia percebido o perigo se continuasse a chamá-la para sair. Que ela havia recusado-o. Que merda ela estava fazendo?
Ouvi o suspiro distante do Kakashi.
- Só estou dizendo para vocês não deixarem as coisas não ditas da próxima vez que você tiver que ir embora de novo. Ou então reze para não ser mesmo recebido pelo convite de casamento deles.
Era bom o Yuji rezar para eu não encontrá-lo agora pela vila.
Saí de perto do Kakashi, sem um olhar para trás.
Sasuke POV
Não vou negar. Meu instinto assassino me fez revirar Konoha de cabeça para baixo atrás do desgraçado do Yuji porque eu realmente pretendia desfiá-lo vivo se o encontrasse. Eu não dava a mínima se a Sakura tinha metade ou mais da metade da culpa por esses encontros – por que ela continuava aceitando?! – mas se aquele cretino tinha a coragem de continuar chamando-a, me indicava que era coragem suficiente para encarar o Magenkyou. Merda, exceto que eu não podia usar nem o nível mais simples do Sharingan. Dane-se, eu arrancaria cada parte dele com as próprias mãos se fosse preciso. Para a sua sorte, o Yondaime me informou que o Esquadrão dele estava fora de Konoha. Quis matar até o Minato-sama por tê-lo tirado do meu alcance, mas ele me informou que a missão estava prevista para durar mais tempo que a minha última, então a idéia de mantê-lo longe de Sakura me acalmou mais do que pude imaginar.
Eu ainda pretendia matá-lo mesmo que voltasse após cinco anos – o que significava que sua morte seria bem dolorosa porque eu estaria usando o Magenkyou e todas as torturas possíveis e imagináveis com o Tsukuyomi e a Amaterasu – mas por hora me contive a arquitetar esse plano. Apenas pelo tempo em que o Minato-sama me olhou, confuso, enquanto eu contava até dez mentalmente para não sair de sua sala e caçar agora mesmo o cretino. Ouvi quando ele me chamou e perguntou o que estava acontecendo, mas como diabos eu poderia explicar? Era tudo culpa da Sakura. Toda essa maldita raiva que me fazia rodar Konoha inteira era culpa dela. Ela estava tornando as minhas noites um inferno. Os meus dias. Todos os malditos minutos.
Saí da sala do Hokage sem qualquer explicação para seu suspiro cansado. Se o Kakashi planejava mexer com a minha cabeça com aquela conversa estúpida, ele tinha conseguido. A idéia de aqueles dois continuarem saindo me atingiu como um soco e eu não esperava reagir dessa maneira – diferentemente do Kakashi, com certeza – porque eu estava disposto a revirar Konoha inteira agora atrás de Sakura – e eu sabia que ela não estava mais no Ichiraku com o Kira porque ao rodar por toda a vila na primeira vez avistei o moleque com o Naruto na casa dele, o que era ainda melhor.
Eu pretendia arrancar dela a verdade sobre esses encontros, e logo viria também a necessidade de arrancar toda a maldita verdade. Eu estava disposto a trancá-la em qualquer lugar para que ela parasse de usar tanto o maldito chakra a cada minuto, principalmente porque eu sabia que a encontraria enfiada naquele laboratório ou no hospital, e agora além da raiva por ela estar saindo com o Yuji, a imagem do seu rosto pálido, daquelas gotas de sangue e da sua internação no hospital não paravam de piscar diante dos meus olhos.
Alguma coisa me impulsionava a resolver esse problema de uma vez por todas.
Andando pelos corredores da Torre em busca da saída, meus ouvidos captaram o barulho de algo caindo próximo de onde eu estava. Percebi que eu passava na frente de uma porta fechada, onde as palavras acima da madeira indicavam ser a Biblioteca da Torre. Era mais provável encontrá-la nos seus lugares habituais, mas até onde eu lembrava ela não perdia a chance de enfiar o nariz em livros de medicina. Entrei, fechando a porta atrás de mim e ouvindo a sua voz praguejando em tom baixo em um ponto mais distante do cômodo. Após mais alguns passos, avistei uma mesa atolada de relatórios e livros de medicina, enquanto Sakura colocava alguns livros e pergaminhos na prateleira exclusiva da área médica.
- Sasuke-kun?
Ela já estava com a atenção em mim, enquanto eu me aproximava e sentia toda aquela raiva se esvaindo com a sua simples presença e esses olhos verdes nos meus. Como ela conseguia? Há poucos minutos eu pretendia matar até mesmo o Hokage. Talvez tivesse relação com o maldito arrepio na minha espinha. Eu a odiava por fazer isso comigo e ao mesmo tempo-
- Você foi chamado para alguma missão? – Ela perguntou, aparentemente confusa com a minha presença aqui na Torre, ainda mais na Biblioteca.
- Você me impediu de sair em qualquer uma, esqueceu?
- E tem funcionado muito bem, não é? – Ela sorriu um pouco.
- Tão bem que fomos chamados para tomar conta daquele pirralho.
- Ele é uma graça, Sasuke-kun. E pelo menos assim você fica ocupado enquanto não pode ir em nenhuma missão. – Ela se virou para continuar colocando os livros na prateleira, apressada. – Assim como eu estou ocupada agora e tenho que ir para o laboratório treinar.
- Você não ia para lá antes de eu aparecer aqui.
- Claro que ia. Como você pode saber disso?
- Você está nervosa. De novo. – Indiquei com a cabeça os livros de cabeça para baixo que ela colocava na estante no espaço que deveria ser dos pergaminhos. Não deixei passar o pequeno rubor em suas bochechas, nem seu cenho que franzia.
- Estou com pressa, é só isso. E você está me atrasando, como sempre. – Sakura se virou para ir embora, mas assim que deu um passo avancei dois e a fiz desistir de tentar escapar como estava conseguindo todas as vezes que nos encontravámos. Não hoje. Eu já estava cansado disso. Cansado de vê-la mentir para mim tão descaradamente. Sobre tudo.
- Por que diabos você está sempre correndo para o laboratório?
- Não é nada, eu só me acostumei a ficar ocupada, Sasuke-kun.
- Há um ano atrás você não fazia isso.
- Fazia si-!
- Não assim, Sakura.
Seu silêncio foi tão contrariado quanto seus olhos presos nos meus, me dando coragem para perguntar o que eu queria desde o instante em que pisei de volta em Konoha.
- Está conseguindo? Ficar ocupada o bastante para me esquecer?
- Não.
Sakura me encarou como se me desafiasse. Como se eu não estivesse perdido por ela há tanto tempo. Como se isso fosse uma loucura. E era. Era inacreditável que apenas ela me deixava sem palavras desse jeito, roubava todos os meus pensamentos a cada minuto, não me deixava enxergar meio centímetro à minha frente no instante em que seus olhos encontravam os meus e não importava se eles estivessem cheios apenas da vontade de me matar ou me repreender, como agora. Mas eu sabia que a sua frustração era por todos os malditos anos que se passaram entre nós dois.
Perdi a noção do tempo em que nos encaramos em silêncio, quebrado apenas pelos meus passos em sua direção. Eu não conseguia desviar o olhar do seu e das suas bochechas coradas, mas tive certeza que me aproximei o bastante para que a fizesse encostar na prateleira.
- Pare de sair com aquele idiota. – Murmurei, vendo surgir um pequeno sorriso em seus lábios, enquanto meu braço automaticamente corria para a sua cintura e o seu calor me desnorteava para o resto do mundo.
- É a primeira vez em todos esses anos que você me convida para sair, Sasuke-kun.
Continuei perdido em seus olhos cheios de significado, tão próximos de mim, sentindo as palavras coçarem em minha língua. Eu queria dizer que a amava. Que eu a amava antes mesmo do beijo naquela missão, que eu não sabia como tirá-la da minha cabeça, que eu nem queria mais. Sua mão alcançou meu rosto, suavemente, deslizando para alcançar meus cabelos, e sua respiração se misturando à minha fazia o sangue martelar em minha têmpora.
Seu sorriso aumentou um pouco.
- Se tivesse feito isso antes, nada disso estaria acontecendo.
- O que quer dizer?
Agora eu mal conseguia desviar os olhos dos seus lábios, que sustentavam o seu sorriso. Eu sabia o que ela queria dizer. Que no instante em que pisei de volta em Konoha ela teria me recebido com esses braços ao meu redor e o sorriso mais animado que já vi, e seus olhos me diriam exatamente o que os meus gritavam agora. O quanto eu ansiava por ela. Todos os contratempos que poderíamos ter evitado se isso tivesse acontecido há tanto tempo atrás. Mas como eu poderia me importar com isso agora? Essa era a minha chance de consertar esse erro.
Não pude evitar os meus olhos correrem dos seus tão serenos para os seus lábios, e eu nem precisaria da sua mão em meu rosto ou mesmo do calor do seu corpo aquecendo o meu para decidir acabar com essa distância que estava me matando, mas o barulho de passos apressados e uma voz ansiosa do lado de fora me deteve. Não senti mais o contato da sua mão e no instante seguinte soltei sua cintura assim que reconheci a porta sendo aberta subitamente, enquanto a TenTen entrava, aflita.
- Sakura, é a Ino.
Sakura POV
Os minutos seguintes passaram como um borrão diante dos meus olhos, exatamente como o dia em que meu pai chegou ao hospital na maca ensanguentada, desenhando um rastro de sangue pelos corredores do hospital até passar por mim e arrancar o chão sob os meus pés. Tsunade-shishou mandou que me segurassem para eu não entrar na cirurgia e as mãos ao meu redor me despertaram do meu estado de choque para que eu conseguisse chamar por ele, pedir que me soltassem, amaldiçoar a minha mestra por estar me prendendo naquele corredor enquanto o meu pai morria no centro cirúrgico. Seria a última vez que eu me sentiria tão inútil como naquele dia, então assim que recebi a notícia pela TenTen e me recuperei do nó que se transformou meu estômago diante do simples nome da Ino, me adiantei porta afora.
Desci as escadas quase dando saltos por entre os degraus, sentindo que o Sasuke e a TenTen me acompanhavam, e logo avistei a figura loira ao pé das escadas, desacordada, rodeada pelas poucas pessoas que passavam por aqui no momento. Rapidamente me certifiquei que ela estava fora de perigo, palpando seu pulso, checando sua respiração e chamando-a, mas ela permaneceu desacordada. Dava para ver os arranhões em seu corpo, alguns hematomas principalmente nos braços e joelhos, e o sangue fluindo lentamente de sua cabeça, tingindo uma mecha dos seus cabelos tão loiros. Sem esperar mais, levamos a Ino para o hospital para fazer exames mais detalhados, principalmente no que dizia respeito ao seu bebê e ao corte em sua barriga.
Assim que chegamos ao hospital dispensei todos que se voluntariaram para ajudar e tranquei a porta do quarto onde internei a Ino, pegando as suas veias que eu precisava para infundir um soro, e um ou outro medicamento, e em menos de um minuto eu já estava concentrando todo o meu chakra em examinar os dois cortes que estavam me preocupando tanto. TenTen havia me explicado no caminho que alguém a viu cair das escadas, o que me fazia concluir que havia sido outra queda na sua pressão que a fez perder os sentidos e rolar aqueles degraus. Identifiquei o corte em sua cabeça que eu estava certa ser o motivo por ela ainda estar desacordada, mas ao menos o sangramento havia estancado, e então meus olhos correram para o ferimento em sua barriga. Livrei-me de sua blusa, encontrando o corte mais profundo que eu temia.
- Sakura?
Graças a Deus.
Encontrei seus olhos azuis que piscavam um pouco desnorteados, sentindo ao menos uma parte da minha tensão evaporar. Sorri para ela, procurando sua mão e apertando-a na minha.
- Ei, está tudo bem, Porca. Não se preocupe, você vai descansar agora enquanto eu cuido de vocês.
- O que...? Ah, meu Deus, eu caí daquela escada...! – Ino tentou se sentar, mas a impedi rapidamente, colocando as mãos em seus ombros, vendo-a fechar os olhos em óbvia dor pelo movimento súbito.
- Não, você vai ficar quieta aí se não quiser que eu mesma a apague de novo.
Ela me conhecia bem o suficiente para não duvidar de mim quando meus olhos encaravam os seus tão seriamente. E, na verdade, ela me parecia ainda estar um pouco zonza ou com dor na cabeça, pois não teve muita força para protestar. Assim que ela atendeu ao meu pedido, foquei minha atenção em sua barriga, acumulando um pouco de chakra para inicialmente avaliar a profundidade do ferimento e a situação do bebê. Percebi que eu prendia a respiração apenas no instante em que senti a tímida quantidade pulsante de chakra ao encontro da minha mão.
Diante do bom estado do bebê, nada mais deveria me preocupar enquanto eu fechava esse corte, mas a concentração e a quantidade exata de chakra que me eram exigidos me fez perceber que eu tinha que estar preocupada sim. Eu não estava no meu melhor estado de saúde para ser exigida dessa maneira, e um ferimento profundo como esse logo acima de onde esse bebê repousava me obrigava a tomar cuidado com o menor dos meus movimentos e com a intensidade do jutsu ou então eu fecharia esse corte e abriria um muito mais grave nessa criança – ou a mataria sem precisar de um único ferimento. Mas não importava. Era a vida do filho da minha melhor amiga e que se danasse o que acontecesse comigo. Eu já havia passado do ponto em que deveria me importar. Eu era a responsável pela minha situação e não era a toa que estava pagando o preço agora.
Perdi a noção do tempo que precisei para terminar o tratamento, mas antes mesmo de chegar na metade a Ino já estava dormindo profundamente. Ótimo, ao menos ela não percebia as gotas de suor se formando em minha testa, a intensidade do meu chakra oscilando, a minha respiração que ficava um pouco mais difícil a cada minuto que se arrastava, as gotas de sangue que se formavam em minha palma e logo a encharcavam como se a torneira tivesse sido aberta, e eu tinha tempo apenas de cerrá-las em um punho antes que o sangue pudesse entrar em contato com o seu corte. Havia apenas bolsas de soro no quarto, então eu os usava para lavar as mãos e encará-las, frustrada, esperando que o meu chakra voltasse ao normal e eu retornasse ao tratamento. Não sei quantas vezes repeti esse processo, apenas sabia que se eu demorasse demais não seriam apenas as minhas mãos se derramando em sangue. Isso era algo que eu já estava prevendo há alguns meses e essa quantidade complexa de chakra que eu estava usando agora não me davam mais segurança que eu pudesse escapar disso por muito tempo.
Eu estava exausta quando fechei a porta do quarto atrás de mim e encarei o corredor deserto do hospital, vendo que era a luz das lâmpadas que iluminava o caminho. Já era noite. Céus, fiquei quase o dia todo naquele quarto cuidando da Ino e do bebê. Apoiei-me na porta por um segundo, inspirando o ar gélido que vinha das janelas abertas, esperando que fosse suficiente para secar o suor do meu corpo ligeiramente trêmulo, enquanto eu decidia manter a Ino internada por pelo menos dois dias e aproveitar para me esconder do resto do mundo por esse pequeno período também. Eu não podia encarar o Sasuke-kun agora, não depois daquilo na Biblioteca, não diante da minha atual situação.
E ainda assim, agora tentando acalmar minha respiração e minhas mãos manchadas de sangue, eu só conseguia pensar em seus olhos me transmitindo tanta segurança, me dizendo que ele era meu porto seguro, que eu não tinha mais onde me esconder.
Continua...
Certo, não matem a TenTen, ela não teve culpa xD E eu sei, foi maldade ter atrapalhado o Sasuke e a Sakura quando finalmente parecia que eles iriam se entender, mas esse acidente da Ino foi necessário =/
Reviews:
Millady
Bianca (Hahauahu, só mais um pouquinho de paciência, o beijo vai sair mais rápido do que vc pensa, prometo ;D)
Sahky Uchiha
Perola Negra
Kekedia
Kaah Malfoy
Nick Granger Potter
Obrigadaaaaa pelas reviews, pessoal! De verdade! =D
Espero que tenham gostado desse capítulo postado super rápido, ahuahauah ;D Não deixem de comentar, por favor, nem que seja para me jogar pedras (de novo xD Por sorte essa frustração está prestes a acabar xD) Reviews, por favoooor! =D
Kiyuii-chan
