Episódio 12- "Viver Juntos, Morrer sozinho"
Sinopse: Dylan, um dos sobreviventes é encontrado morto na própria barraca, o acampamento fica em polvorosa, com medo de que estejam sendo atacados pela contaminação mencionada por Rosseau. Sayid, Michael e Desmond resolvem ir até a floresta para obter maiores explicações da francesa.
Censura: T.
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Mais um dia que se iniciava na ilha. . O sol já estava alto no céu, no entanto a maioria das pessoas ainda dormia. A festa de casamento de Shannon e Sayid havia durado até altas horas da madrugada, e algumas pessoas esticaram a noite em festinhas particulares por mais um tempo. Por isso tudo estava ainda tão quieto.
Emma, uma das crianças recuperadas junto com Walt durante o último encontro tenebroso de Jack, Kate e Sawyer com os Outros, brincava sozinha com uma boneca, sentada em frente à barraca de Ana-Lucia. Libby, que acabara de acordar sorriu ao ver a menina.
- Ei princesa, já está acordada? Dormiu bem?
- Onde está a Ana?
- Não está na barraca dela, querida?
- Não Libby, eu já olhei lá. Será que ela foi pra floresta de novo?- indagou a menina. Ela e o irmãozinho gostavam muito de Ana-Lucia, responsável por salvar a vida dela ainda no dia do acidente de avião.
- Eu não sei, Emma. Não se preocupe, eu vou procurá-la. Está com fome? Por que não vai acordar o Hurley? Aposto que ele tem cócegas.
A menina riu, e saiu correndo em direção a barraca de Hurley, acordá-lo era uma das coisas mais divertidas de se fazer logo cedo, além do mais ele era um dos responsáveis pela distribuição dos alimentos.
Libby sorriu consigo mesma, imaginava onde Ana-Lucia pudesse estar, provavelmente nos braços do caipira que ela tanto costumava desprezar. Mas Libby queria comprovar com seus próprios olhos, por isso se dirigiu até a barraca de Sawyer. Avistou a flor que estava no cabelo dela na noite anterior não muito longe da barraca, que estava muito silenciosa, a lona cobrindo a entrada. Riu consigo mesma tendo certeza que Ana estava lá.
Deu um passo pra trás, seu pé descalço pisou em algo viscoso, de coloração avermelhada escorrendo pela areia. Ela se voltou para ver o que era, e não pôde impedir o horror que sentiu ao constatar do que se tratava.
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O contador zerou novamente, mais 108 minutos. Jack estava exausto, aquela havia sido uma noite e tanto, não tivera tempo de descansar. Festa, botão, cama, botão, festa...não necessariamente nessa mesma ordem.
Voltou até o quarto, Kate ainda dormia, completamente nua enrolada no lençol. Puxou um banquinho e ficou observando-a dormir. Ela parecia bem tranqüila, a respiração suave, no rosto uma expressão de grande contentamento. Ele segurava uma caneca de café, que acidentalmente caiu ao chão fazendo um pequeno estrondo, despertando-a de seu sono.
- Jack?- ela indagou confusa, remexendo-se na cama.
- Bom dia.- ele respondeu. – Me desculpe se eu te acordei.
Ela sorriu: - Não tem problema.
Ele se abaixou para juntar os cacos da caneca, mas seu olhar estava concentrado em Kate. Sentindo-se um pouco tímida, ela perguntou:
- Cê tá me olhando?
Jack riu: - Dessa vez eu estou.
Aproximou-se dela e a beijou suavemente, saboreando-lhe os lábios. Kate envolveu os braços ao redor do pescoço dele.
- Hum, que gosto bom de café!
- Não é melhor que o seu gosto.- ele respondeu com um sorriso safado.
- Jack para!- ela disse dando um tapinha no ombro dele, as bochechas vermelhas.
- Jack, onde você está, brotha?
O grito desesperado de Desmond assustou-os.
- Fique aqui.- pediu Jack, e correu até a sala do computador.
Os olhos verdes de Desmond estavam vidrados, um misto de pânico e angústia tomando conta de seu rosto.
- Está acontecendo de novo brotha, e não há nada que possamos fazer.
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- Mas o que aconteceu com o Dylan?- indagava Tina aos prantos. – Ele estava tão bem ontem.
- Se afastem, é melhor se afastarem!- esbravejava Ana-Lucia com sua costumeira fala de policial, de pé diante da barraca de Dylan. – Libby, leve as crianças daqui!
Ela concordou balançando a cabeça, e saiu puxando Emma e seu irmãozinho pela mão.
- Walt, é melhor você pegar o Vincent e ir com ela.- falou Michael para seu filho.
- Ah pai, eu não sou um bebê. Quero saber o que aconteceu!
- Faça o que eu mando!- ele insistiu, e Walt se afastou muito a contra gosto levando o cachorro.
A praia inteira estava chocada com o ocorrido. Não podia ser, era totalmente inexplicável. Desmond foi o segundo a chegar ao local após ouvir o grito estridente de Libby. Depois disso ele começou a murmurar algo sobre contaminação e saiu correndo na direção da escotilha para avisar a Jack. Sun traduziu para Jin o que ele estava dizendo e o coreano achou melhor que os dois não se aproximassem do local. Shannon, Rose, e Claire também preferiram ficar distantes. Os demais se aglomeravam à frente da barraca. Sayid se aproximou:
- Preciso ver isso, Ana-Lucia.
- Posso ver sua credencial?- ela indagou, parecia que estava outra vez nas ruas de Los Angeles, à porta de uma residência onde tinha havido um crime hediondo, impedindo os curiosos de se aproximarem.
Sayid ignorou a pergunta dela e seguiu em frente, ficando atônito com o que viu. Dylan estava morto com uma expressão de pânico no rosto, os olhos saltando das órbitas, em meio a uma poça de sangue que parecia ter sido drenada de seu corpo.
- Ele foi assassinado.- o iraquiano constatou.
- Eu concordo com você.- disse Sawyer. – E acho que não vamos precisar pensar muito para descobrir quem foi.
- Mas o Desmond disse que...- começou Steve, mas Ana-Lucia interveio.
- O Desmond está louco!
- Com licença, afastem-se!- pediu Jack que acabara de chegar à praia com Desmond.
As pessoas deram espaço. Jack se agachou diante de Dylan e não pôde conter uma expressão de horror.
- Mas o que aconteceu aqui? Quem fez isso com ele?- Jack gritou.
Todos se entreolharam. Desmond que havia mantido uma certa distância do corpo gritou:
- Ele foi contaminado! Tenho certeza. Kelvin me disse que isso ia acontecer, que já aconteceu uma vez. Afaste-se dele, brotha. Vamos incinerá-lo.
Jack apertou os olhos e mordeu os lábios:
- Não podemos incinerá-lo sem saber o que aconteceu com ele.
Em meio a toda aquela discussão, Tina tinha os olhos marejados de lágrimas. Quase dissera a Dylan na festa de casamento o que sentia por ele. Sentiu a vista ficar turva, a cabeça começar a rodar, um enjôo no estômago. No momento seguinte desmaiava nos braços de Frogurt.
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Hurley entrou esbaforido na escotilha. Kate que estava comendo uma fruta na cozinha assustou-se:
- Hurley, o que tá acontecendo? Cadê o Jack?
- Kate, é pra você pegar a maleta do Jack e correr até a praia agora.
- Mas por que? O Desmond chegou aqui e o levou às pressas...
- Kate, cê não tá entendendo dude, a coisa tá crítica lá na praia. Uma pessoa morreu e a Tina tá passando mal.
Kate correu e arrumou depressa a maleta de Jack com seus apetrechos médicos. Já na porta da escotilha gritou para Hurley, que assumiria o lugar dela no botão:
- Hurley, quem morreu?
O Dylan.- ele respondeu.
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- Coloque-a aqui.- Jack pediu a Frogurt que trazia Tina desacordada em seu colo.
Sawyer oferecera sua barraca para que Jack tratasse dela lá.
- Brotha, você não deveria estar cuidando dela. E se ela estiver infectada também?
- Mas do que você está falando Desmond?
- É que ela estava sempre conversando com o Dylan, então...-falou Frogurt.
- Calem a boca, vocês dois!- falou Jack, irritado. Quero que saiam daqui e me deixem fazer o meu trabalho em paz.
Desmond e Frogurt se afastaram. Charlie se aproximou:
- Jack, as pessoas estão assustadas. Ela vai ficar bem?
Jack puxou uma respiração profunda:
- È claro que vai. Ela apenas desmaiou em função do choque de ver Dylan morto.
- Sim, eles eram muito próximos.
- Charlie, eu quero que diga para o Sawyer e a Ana-Lucia não saírem de perto daquela barraca, não quero ninguém entrando lá.
Charlie assentiu com a cabeça e saiu correndo. Jack tocou a testa de Tina, ela estava começando a arder em febre.
- Mas o que está acontecendo aqui?-murmurou.
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Kate corria sem parar pela floresta carregando a maleta de Jack. Mais uma morte, não era possível, pensava. O que teria acontecido com Dylan? "Os Outros" seriam os responsáveis novamente? Ela estava com medo, era dia, mas aquelas árvores nunca lhe pareceram tão assustadoras como agora. Parou de correr por um momento, estava completamente sem fôlego. Colocou a maleta no chão e levou as duas mãos ao rosto, não estava conseguindo respirar, o peito ardia.
- Katherine...Katherine? Onde você está?- sussurrou uma estranha voz.
- Quem está aí?- ela perguntou gritando, o medo tomando-lhe cada vez mais.
- Por que você não quer mais brincar?
Ela mordeu os lábios e apertou os olhos. Lágrimas desceram por seu rosto.
- Seja lá quem for, isso não tem graça.- ela falou arfando, o ar quase lhe faltando por completo.
- Ah você está aí!- sussurrou a voz de encontro a ela.
O rosto de Kate ficou pálido, e um grito de pânico escapou-lhe da garganta, caindo em seguida desmaiada, no meio da floresta.
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- O que vocês acham que tá acontecendo?- perguntou Shannon baixinho para Claire e Sun. As três estavam reunidas na barraca dela.
- Eu não sei ao certo, mas estou com medo.- falou Claire ninando Aaron. – Desmond está dizendo que a contaminação começou e que não há nada que possamos fazer.
- Mas se isso for verdade, aquelas vacinas que o Charlie deu a você Claire, não te deixariam imunizada?- indagou Sun.
Ela balançou a cabeça negativamente:
- Desmond disse que essas vacinas não servem para nada, são só uma forma de enganação.
- Mas ele também não acreditava mais na contaminação quando veio aqui pro acampamento, assim como não acreditava que deixar de apertar o botão mudaria alguma coisa.- disse Shannon.
Sayid interrompeu a conversa das três.
- Shannon, eu, Desmond e Michael estamos indo falar com a Rosseau, vamos tentar trazê-la ao acampamento, queremos que ela veja o corpo de Dylan e nos diga se sabe algo sobre o que está acontecendo.
- Acha mesmo que ela vai vir? A Rosseau é louca, e se vocês disserem a ela que existe uma suspeita de contaminação no nosso acampamento...-começou Shannon, mas Sayid a cortou.
- Mesmo assim, vamos tentar. Eu pessoalmente não estou convencido de que Dylan tenha morrido de alguma contaminação, isso parece coisa dos "Outros".
- Será?- indagou Claire.
Jin apareceu vindo da barraca de Sawyer. Tinha ido ver como estava Tina a pedido de Sun. Ao vê-lo pela abertura da barraca, Sun levantou-se e foi em direção a ele seguida de Claire. Sayid e Shannon permaneceram na barraca.
- Então como ela está?- Sun perguntou a Jin em coreano.
- Acho que ele disse que ela vai ficar bem!- ele respondeu fazendo um sinal com o dedo polegar.
- O que ele disse?- perguntou Claire.
- Disse que Jack falou que ela ficará bem.
- Então talvez o Sayid esteja certo, não existe contaminação. Um dos "Outros" assassinou Dylan. Mas até onde sabemos Eles prometeram nos dar uma trégua.
- Isso foi antes.- falou Sun. – Antes de Jack recuperar as crianças. Talvez estejam zangados.
- Shannon, não tente me persuadir. Estou partindo.- falou Sayid saindo da barraca com uma mochila onde colocaria água e provisões.
- Está bem.- ela respondeu. – Mas prometa que irá se cuidar e que voltará logo.
Sayid a beijou: - È claro que sim. E quero que você me prometa também que ficará bem longe de toda essa confusão, ainda não sabemos o que estamos enfrentando.
Ela fez que sim com a cabeça. Sayid acenou um adeus para todos e se dirigiu à barraca de Sawyer, onde Michael e Desmond o esperavam.
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Tina abriu os olhos lentamente, a vista ainda estava um pouco turva, mas começando a voltar ao normal. Jack sorriu ao ver que ela voltava a si.
- Tina? Como se sente?
- Um pouco tonta. O que aconteceu?
- Você passou mal depois que viu o...você sabe.- falou Michael. Desmond se mantinha distante.
Ela franziu o cenho em uma expressão sofrida. Jack tocou sua testa:
- Não está com febre. Passou. Provavelmente foi só uma reação ao que aconteceu, nada, além disso.
Michael concordou balançando a cabeça.
- Consegue se levantar?- Jack perguntou.
- Sim.- ela respondeu com a voz chorosa.
- Então eu vou te ajudar.- disse Jack oferecendo o braço para que ela se apoiasse.
- Aline!- gritou Michael ao vê-la passando próximo à barraca.
Ela veio correndo.
- Ajuda a Tina a ir pra barraca dela.
- È claro.- respondeu Aline dando o braço a amiga.
Antes de ir, Tina perguntou para Jack:
- Ele terá um lindo funeral, não terá?
- Sim.- respondeu Jack. – e sinto muito.
Ela abraçou Aline chorando e as duas saíram caminhando. Sayid passou por elas e deu condolências para Tina. Ao vê-lo, Jack falou:
- Michael me disse que vocês três vão falar com a Rosseau. Eu acho isso muito bom, mas não creio que o que esteja acontecendo aqui seja contaminação.
- Eu concordo com você Jack, mas preciso tirar isso em pratos em limpos.
- Eu também.- afirmou Michael.
Desmond ficou em silêncio.
- Entretanto, é importante que saibam de uma coisa. Se Danielle disser a vocês que o que está acontecendo aqui se trata de algum tipo de contaminação que para ser contida deverá ser feita com a eliminação dos supostos infectados, eu irei ignorar isso.
- Ignorar, brotha?- esbravejou Desmond. – Se irá ignorar, saiba que eu não voltarei mais a esse acampamento. Ficarão por sua conta.
Michael irritou-se:
- E que grande contribuição você tem dado para esse acampamento? A bebida pro casamento do Sayid, por acaso?
Desmond ia dizer alguma coisa, mas Sayid interveio:
- Ei, nada de brigas! É melhor seguirmos nosso caminho. Até mais Jack.
- Até!.- respondeu Jack. – Assim que retornarem, faremos um funeral para o Dylan, prometi isso à Tina.
Os três se afastaram caminhando em direção à floresta onde se embrenhariam à procura de Danielle Rosseau. Jack sentou-se na barraca de Sawyer, sozinho. Poderia finalmente dar vazão aos pensamentos que estavam lhe angustiando. E se realmente fosse uma infecção? Uma doença que viria a dizimá-los um por um, começando com Dylan. Os sintomas de Tina haviam sido estranhos, mas mais estranhos foram os sintomas de Kate. A primeira coisa que Jack pensara quando vira Tina desmaiar e ter febre foi em Kate. Ela tivera aqueles sintomas recentemente, e se recuperara muito rápido como Tina. O único jeito de descobrir se a morte de Dylan tinha ligação com os sintomas de Tina e Kate, era descobrir se Dylan sentira algo parecido antes de sua morte.
Ele estava assim, tão perdido e angustiado com seus próprios pensamentos que nem se deu conta quando Locke chegou ao acampamento com Kate desacordada em seus braços. Sawyer o alertou, vindo da barraca de Dylan onde Ana-Lucia ainda estava vigiando a entrada.
- Jack! È a Kate.
Jack piscou os olhos num misto de susto e confusão e correu até Locke.
- O que aconteceu com ela?
As pessoas correram para ver o que era. Claire levou as mãos à boca:
- Ah meu Deus, Kate.
Charlie se benzeu inconscientemente.
Jack a tomou dos braços de Locke e saiu levando-a para barraca de Sawyer. Ele o acompanhou, a maleta de Jack estava amarrada com um fio em sua cintura. As pessoas tentaram se aproximar para vê-la. Sawyer gritou:
- Eu quero todo mundo pra trás, deixem-no cuidar dela.
- Ela também está infectada?- indagou Steve.
- Cala a boca, idiota. Se alguém tá infectado aqui é com a sua burrice.- o texano falou indo retomar seu posto ao lado de Ana-Lucia na barraca de Dylan.
Jack deitou-a na barraca e tomou seu pulso. Estava respirando. Tocou sua testa, ardia em febre. Sussurrou próximo ao seu ouvido:
- Não Kate, você não! Por favor, não! Acorde Kate!- Jack insistia acariciando ternamente o rosto dela.
A febre estava alta. Ele remexeu em sua maleta médica procurando um medicamento para febre. Assim que o encontrou, Locke que havia ido até a barraca de Dylan pedir explicações sobre o ocorrido para Sawyer e Ana-Lucia voltou e lhe ofereceu a sua garrafinha de água.
Jack a pegou e molhou um pouco o rosto de Kate. Pegou o comprimido e falou baixinho com ela. Locke ficou observando.
- Kate, tome esse remédio. È pra baixar a febre, você vai se sentir melhor.
Ela entreabriu os olhos e piscou várias vezes, cerrando os olhos outra vez. Jack apressou-se em dar-lhe o comprimido junto com a água, que ela engoliu com certa dificuldade, tossindo bastante. Ele a segurou, e sorriu ao ver que ela havia tomado o remédio:
- Isso, muito bom. Aprendi com você, falar baixinho sempre dá certo não é?
Kate abriu outra vez os olhos, e indagou, confusa:
- Onde estou? Que aconteceu?
Locke respondeu:
- Está na praia. Eu te encontrei na floresta, não muito longe daqui, desacordada. Lembra de alguma coisa?
- Não, eu só sei que o Hurley apareceu na escotilha e falou que eu tinha de vir até a praia e trazer a maleta do Jack, porque a Tina estava passando mal e o Dylan havia morrido. Ele morreu mesmo?
- Pelo que pude constatar agora a pouco, sim.- disse Locke.
Kate tentou sentar-se, mas sentiu a cabeça rodar, e se apoiou em Jack.
- Como ele morreu?
- Não sabemos ainda.- falou Jack. – Ele amanheceu morto na barraca dele, Libby o encontrou.
- As pessoas estão com medo Jack, acham que Dylan morreu infectado por algum tipo de doença misteriosa da ilha. Estão dizendo que Tina está infectada, e Kate também.
- Eu?- ela assustou-se. – Do que está falando?
- Isso que sentiu hoje, foi a primeira vez?
Ela nem teve tempo de dizer nada, porque Jack foi logo falando:
- Mas é claro que sim. Eu nunca a vi ter nada parecido, e se estivesse acontecendo algo, você teria me contado, não é mesmo Kate?
Kate não soube o que responder. Locke insistiu:
- Mas e quando você sumiu na floresta e o Jack te encontrou?
- Ela só se perdeu na floresta, John. Ela já disse isso, naquele dia.
Locke não fez mais perguntas, percebeu que Jack estava nervoso.
- Tudo bem então, mas é preciso que você diga algo as pessoas, querendo ou não eles elegeram você o líder dessa comunidade. Precisa dar respostas a elas, tranqüilizá-las.
Jack mordeu os lábios, e disse sarcástico:
- Está bem, Jonh. Diga a todos que farei um pronunciamento oficial. Agora me dê um minuto com Kate, por favor.
Assim que Locke saiu, Kate disse para Jack com o semblante triste:
- Coitado do Dylan. Viver juntos, morrer sozinho, certo?
- Não, Kate. Dessa vez não vou concordar com você. E escute o que eu vou te dizer.
Ele entrelaçou seus dedos com os dela e olhou bem fundo em seus olhos:
- Eu vou cuidar de você, não vou deixar nada, nada mesmo te acontecer. Não se afaste de mim, quero que pegue tudo o que tiver ainda aqui na praia e leve pra escotilha. Se te fizerem perguntas, procure ser o mais natural possível nas respostas.
Kate lançou-lhe um olhar de preocupação:
- Jack, você não acha que eu...
- Eu ainda não acho nada. Só quero evitar que você sofra riscos desnecessários. Sayid, Desmond e Michael foram atrás da Rosseau tentar obter respostas sobre a tal epidemia que assolou o grupo dela, do jeito que ela é louca é bem possível que venha correndo ao acampamento dizer que em pouco tempo estaremos todos infectados e que pra evitar isso...
- Você teria que matar a Tina...e a mim também.- ela respondeu.
Jack olhou-a assustado com a constatação:
- Não, não. Ninguém vai matar ninguém. Vou ficar de olho na Tina, e principalmente em você. Vai fazer o que te pedi?
Kate sorriu, e gracejou:
- Bom, na verdade eu achei o seu convite para morarmos juntos na sua escotilha um pouco rápido demais, mas acho que eu encaro essa.
Jack riu e deu-lhe um rápido beijo na testa.
Sawyer, da barraca de Dylan não parava de olhar para os dois. Aquilo já estava irritando Ana-Lucia, ela não se conteve:
- È, parece que a Sra. Jack Shephard está melhor, não acha? O Jack já está até rindo.
- Do que você está falando?- indagou Sawyer fazendo-se de desentendido.
- Nada, estou só comentando que a Kate já deve estar bem, pra você não se preocupar com a sua musa.
Sawyer esboçou um sorriso:
- Tá com ciúmes, Lu?
Ela fechou a cara:
- Ciúmes de você? Ora, faça-me o favor. Estamos vigiando um cadáver, que nem sequer sabemos como morreu. Tenho coisas mais importantes pra me preocupar.
Sawyer deu de ombros, Ana-Lucia estava certa, ele estava mesmo olhando para Jack e Kate, e se perguntando o que teria acontecido à noite passada na escotilha, mas sabia em seu íntimo que isso era algo que jamais iria descobrir.
Depois de conversar com Kate na barraca de Sawyer, Jack se dirigiu até o meio da praia onde as pessoas haviam se concentrado a pedido de Locke e fez seu pronunciamento:
- Pessoal, perdemos mais um dos nossos hoje.
As pessoas se entreolharam nervosas.
- No entanto, isso não é motivo para nos desesperarmos. Não há provas de que esteja ocorrendo qualquer tipo de epidemia aqui na ilha.
- Mas e a Tina?- indagou Violet Bourbon, uma senhora de meia-idade, branca e gorda.
- Asseguro que Tina está bem, ela assim como vocês, apenas ficou chocada com a morte de Dylan.
- Mas se o Dylan não morreu de uma doença, morreu de quê então?- indagou Frogurt.
- Isso ainda não sabemos.- respondeu Jack pacientemente. – Mas nesse momento, Sayid, Desmond e Michael foram até a floresta tentar descobrir algo. Se estivermos sendo atacados novamente, tomaremos providências para que permaneçamos em segurança. Enquanto isso, não quero ninguém vagando pela floresta sozinho. Estarei na escotilha se precisarem de mim. E reitero, não há epidemia nenhuma, tudo vai ficar bem.
- E quanto ao Dylan?- perguntou Steve. – Temos que enterrá-lo.
- Sim, um funeral será feito ao pôr-do-sol.
- E eu rezarei uma missa antes, na igreja, em homenagem a ele.- falou Eko.
As pessoas começaram a conversar entre si, planejando o que fariam para homenagear Dylan, o medo havia se dissipado por enquanto. Entretanto, Jack não estava nem um pouco tranqüilo. Olhou para Kate, de pé no meio dos outros, o rosto ainda estava pálido. Precisava tirá-la da praia o quanto antes. Não deixaria ninguém encostar um dedo nela, nem que isso lhe custasse a vida.
Continua...
