Pra quem leu o capítulo 11 antes das correções que fiz, tenho que avisar.

Antes a Hermione tinha ido pra Hogwarts sem ver o nascimento da irmã, mas agora ela ficou na Austrália por 2 meses e assistiu sim a irmã nascer (eu só não mostrei sobre isso, só mudei algumas datas). Ok?

É que tinha me esquecido q entre Julho e Setembro havia o Agosto ainda..huahua

doida

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CAPÍTULO 12: Volta às aulas.

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Todos se retiraram. Snape se dirigiu à sua masmorra e Hermione para a Torre da Grifinória, cada um para seu lado.

Hermione ía a passos largos, quando Charmaine a alcançou.

-O que diabos foi isso??

- Não ligue para o que ele fala...—Mione desconversou.

- Ele sempre te chama assim?—Dubois perguntou divertida. Os olhos azuis brilhantes contrastando com sua pele alva.

- Assim como?—a outra respondeu fingindo que nem havia dado tanta importância.

- Sabe-Tudo Insuportável—ela disse enfatizando a última palavra, o que fez Hermione se sentir um pouco ofendida.

- Bem, na maioria das vezes só de "Sabe-Tudo", mas quando ele quer realmente me atingir acrescenta o "Insuportável".

-Uhm... Você é assim tão inteligente mesmo?—Charmaine perguntou num tom que pareceu duvidoso.

- Ah... bem, não sei.— Mione respondeu se sentindo claramente desconfortável –É o que dizem, mas acho que sou só esforçada.—finalizou humildemente.

- Uhm...— ela levantou as sobrancelhas acenando lentamente com a cabeça.

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Hermione Granger aproveitou para ir ao Beco Diagonal comprar seu material após outra refeição acompanhada de desaforos vindos de Snape, e ainda por cima, Charmaine Dubois parecia se divertir com a situação. Ele podia ser uma figura de poder naquele Castelo, e este ano ainda mais, mas ela sabia que não poderia se segurar por muito tempo, uma hora ou outra acabaria o respondendo. E o pior é que ela, como uma exímia sofredora, não conseguia parar de pensar nele. Apesar disso, guardava esperanças de esquecê-lo e que ele ao menos notasse que o que ela fez, fez por bem, e eles pudessem voltar à relação aluna/professor, onde Snape a odiaria como odiava qualquer outro aluno ao invés de repudiar.

Ela comprou 2 livros a mais dos que estavam na lista na Floreios e Borrões, simplesmente com o intuito de aumentar sua biblioteca particular e agora se dirigia à Loja de Caldeirões, pois precisava de um novo. Ao caminhar para a loja pôde ver um borrão negro saindo da Farmácia Mullpepper: SNAPE. Hermione sentiu seu coração acelerar e ameaçar pular pela boca, enquanto num reflexo, correu apressada para o primeiro beco que avistou. Quando parou desastradamente e olhou para os lados percebeu o quão idiota e infantil era a cena: uma mulher de quase 19 anos nas costas se escondendo num buraco pela rua de seu professor e possível caso amoroso. Chacoalhando a cabeça negativamente e rindo de si mesma, Hermione decidiu sair de lá e encarar seu carrasco cara-a-cara, como a verdadeira leoa que era... Tarde demais.

Ao se virar, Hermione foi surpreendida por um Severus Snape de braços cruzados e expressão julgadora. Seu olhar irônico analista media cada centímetro de seu ser.

- Vejo que a senhorita ainda não tem uma casa?—ele comentou ácido, levantando uma sobrancelha e assistindo a moça corando. Era uma imagem gratificante.

- Eu não preciso dar explicações ao senhor, não estamos na escola.—ela respondeu irritada.—Com licença.—e saiu em passos largos em direção à Loja de Caldeirões passando por ele.

- OU TALVEZ— Snape chamou sua atenção de volta para si, mas sem virar em sua direção— seja mais uma tentativa de provocar piedade e se aproveitar de minha hospitalidade de novo.— Ele falou numa tentativa indireta e grossa de extrair dela o que havia acontecido.

Hermione estancou, virando lentamente seu rosto para encarar as costas do homem.

- Você não entende mesmo...—ela disse por cima do ombro, seus olhos derrotados. Severus notou que seu tom de voz apontava decepção, apesar de não estar vendo-a e sentiu seu estômago revirar.

Ele girou em seus calcanhares para dizer algo, mas a moça já estava correndo para longe.

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Hermione se encontrava deitada em sua cama de monitora, olhando para o teto, roçando o pano de seu lençol entre os dedos, respirando serenamente. Era a manhã do dia 31 de Agosto, e sua irmã, nomeada Artêmis, que Mione carinhosamente já apelidava de Têmi completava 1 mês de vida.Um nome incomum—Hermione pensou—no entanto, o dela também era, apesar de todos já estarem habituados. Seus pais responderam a coruja que Mione havia mandado no dia anterior, dizendo que já se sentiam seguros para voar de avião com a bebê, e estariam voltando para a Inglaterra o mais rápido possível.

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Severus repousava em sua cama sem coragem de levantar. O ano letivo logo começaria e ele, um homem formado, um professor, um sonserino conhecido por ser implacável, um guerreiro corajoso conforme o que diziam as notícias de jornal tinha medo do que estava sentindo, medo do que poderia fazer. Toda vez que reencontrava aquela grifinória, sentimentos que antes se encontravam dormentes borbulhavam dentro de si, e mesmo os que ele constantemente fazia uso, insistiam em aparecer, só que numa intensidade muito maior. Ele não sabia que era possível uma única pessoa sentir tudo isso de maneira tão contraditória. Seu corpo queria beijá-la, mas seus lábios queriam profaná-la, sua mente dizia para reconquistá-la e seu coração para ignorá-la, suas mãos pediam para tocá-la, mas seus pés caminhavam na direção oposta. Era o cúmulo. Totalmente inaceitável, ainda mais para Severus Snape.

Ele não saberia até quando poderia agüentar essa insanidade. Notava também que já não mais pensava em Lílian. Sim, ele se LEMBRAVA dela, mas era como se ela fosse um acontecimento longínquo, e apesar de realmente ser, em sua cabeça, há apenas alguns dias atrás, ainda não o era. Em sua mente ainda não estava claro se o que o fizera se esquecer dela fora Hermione Granger, o fim da guerra, ou uma combinação dos dois.

Snape se levantou e vestiu roupas decentes para o café-da-manhã. Tinha um longo dia pela frente. Minerva insistiu desde o primeiro dia em que retornou àquele Castelo, que fosse falar com o quadro de Dumbledore, no entanto ele não se sentia pronto e sempre inventava desculpas. Hoje era o último dia sem pivetes correndo pela escola e sem o retorno triunfal do Garoto-Que-Não-Morreu-No-Fim-Das-Contas, e quando o ano letivo começasse, ele já não teria desculpas para não entrar na sala da diretora. Isso aconteceria hoje ou hoje, mais cedo ou mais tarde. Ele se dirigiu ao Salão Principal, notando que mais uma vez Hermione não chegava lá na hora, provavelmente evitando o máximo possível receber mais alguns de seus comentários sarcásticos que ele próprio não conseguia se impedir de fazer.

- Professor Snape, por favor, sente-se ao meu lado.— falou Minerva enquanto ouvia a capa de Snape farfalhar atrás de sua cadeira. Severus parou.

- Há algo que queira me dizer, diretora?—ele perguntou como sempre seco.

- Sim, é sobre aquele assunto do quadro de Dumbledore, quando você vai vê-lo?—ela disse preferindo a indiscrição à omissão, se lembrando de como Severus nunca levantava à voz ao diretor, por mais que este se aproveitasse de seu poder sobre ele. Os professores à mesa passaram a prestar atenção na conversa dos dois e Snape ficou visivelmente sem-graça dirigindo um olhar de dragão aos companheiros. Ele se sentou à mesa, no seu lugar reservado de Vice-Diretor.

- FALE—ele cuspiu contrariado. Minerva vitoriosa, se sentiu contente por estar acima de Snape, senão ouviria umas poucas e boas.

- Já falei.—ela disse simplesmente.—Dumbledore está te esperando depois do café-da-manhã. Ele disse que se você não for lá, irá te assombrar pelo resto de seus anos aqui em Hogwarts, te seguindo por todos os quadros do Castelo. –Severus bufou.

Quando abriu a boca para responder, Hermione acompanhada da nova aluna, apareceu à porta do salão. Ela viu que Severus estava sentado no lugar que ELA havia sentado em todas as refeições e quis enforcá-lo. Ele estava agindo como uma criança, movendo montanhas para irritá-la. De birra, ela se sentou no lugar que ele costumava sentar. Charmaine a acompanhou, sentando-se ao lado.

Minerva observou a cena confusa, estava esperando para que Snape falasse algo, mas ele se calou quando viu a senhorita Granger. Alguma coisa estava acontecendo. Ela teria uma conversinha com Dumbledore hoje.

- Então professor Snape, ouvi muito sobre o senhor ultimamente. É mesmo verdade que ninguém da Ordem da Fênix acreditou no senhor antes de verem suas memórias??—Charmaine perguntou afobada, completamente a par do fato de que Snape não respondia perguntas pessoais.

Ele se permitiu dirigir um olhar breve em direção a Hermione, que fora a única a acreditar em sua inocência sem precisar de provas, mas Minerva o interrompeu antes que pudesse formular uma resposta.

- Claro que não, a senhorita Granger foi a primeira a acreditar em sua inocência. Como sempre um passo à frente dos outros.—ela falou orgulhosa. Snape mordeu a língua e voltou o olhar para seu prato, dando a conversa como finalizada. Hermione corou e Charmaine a olhou curiosa.

- Como assim?—a francesa não deixou a conversa morrer.

- Bem, o que os jornais não sabem é que a senhorita Granger foi quem salvou nosso Professor Snape. –alguns professores se mostraram impressionados à declaração. Charmaine se ateve a analisar as expressões de uma Hermione rubra.

- E no primeiro ano ela desvendou uma charada extremamente complicada do Professor Snape, e ganhou 50 pontos para a Grifinória.—Flitwick disse se enfiando no meio.— Até hoje tenho raiva daquele chapéu seletor. Ora, por favor!A senhorita Granger é uma Corvinal nata!

- Pare com isso Flitwick, você sabe que o chapéu nunca erra!—Minerva falou divertida– Garanto que a senhorita Granger tinha tudo para ser uma Corvinal, mas lembre-se que naquele dia, ela e os amigos estavam atrás de nada mais nada menos que Você-Sabe-Quem! Se isso não é coragem, não sei mais o que é!

- Você foi atrás de Voldemort em seu PRIMEIRO ano??—Dubois perguntou descrente.

- Na verdade não era bem Voldemort... nós achávamos que era... –ela olhou para Snape involuntariamente—que era alguém trabalhando para ele. E no final das contas era o Professor Quirrel que estava possuído por ele.

-Ah... acho que agora estou começando a entender o porquê de sua fama e de seus amigos por aqui. Em minha escola nunca tivemos tanta ação assim, mas como eu já disse, era a melhor aluna de minha turma. Pena que quando tivemos o Torneio Tribruxo, eu ainda não tinha idade suficiente, por isso nem pude provar tudo o que podia fazer.—os comentários de Charmaine soavam um tanto cheios de si.

A porta principal do Salão abriu num estrondo e uma figura grande e barbada de vestes em farrapos apareceu. Hermione sentiu os passos do meio-gigante e iluminou seu rosto com um sorriso à altura do que estava recebendo.

-Hermione!

-Hagrid!!—ela levantou da messa correndo em sua direção e o abraçando na altura da barriga.—Onde você estava??

- Eu estava viajando por aí, sabe como é, pra esquecer toda essa loucura.—Mione abriu outro sorriso.—E então, sobrou algo para mim?—ele perguntou olhando para a comida na bancada dos professores.

Hagrid cumprimentou todos e se sentou para comer. Ele e Hermione colocaram todos, ou quase todos, os assuntos em dia. Quando ela comentou sobre a mais nova integrante de sua família, reparou que Severus estava disfarçadamente prestando atenção, tentando isolar a conversa sem sentido de Trelawney.

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Após o café-da-manhã, Severus se dirigiu à sala de McGonagall, sem precisar de segunda ordem. Ele chegou à Gárgula, deu a senha e subiu as escadas numa vontade imensa de correr para o lado oposto. Ultimamente, Severus estava se descobrindo suscetível a vários sentimentos que não presenciava há tempos. Ele chegou à porta e girou a maçaneta num movimento lento, suspirando pesadamente. Ao abrir a porta, encontrou um velhinho de barba prateada, parecendo ainda mais frágil que no dia em que caiu da Torre de Astronomia. Largas gotas de lágrimas escorriam por debaixo de seus óculos de meia-lua e os olhos azuis cintilavam como nunca. Severus pensava que estava pronto para isso, mas muito pelo contrário. Ele sentiu seu coração apertar por não poder abraçar aquele que lhe fora um pai e mais uma vez em sua triste vida, lágrimas silenciosas rompiam de dentro de si como os urros de dor que realmente queria dar. Severus caiu de joelhos, apoiando-se nos braços, a cortina de cabelos negros tampando a visão de Dumbledore para seu rosto.

- Severus...—o quadro emitiu aquela voz rouca e cansada característica de Alvo. Severus soluçou.—Quero que saiba o quanto estou orgulhoso de você.—O homem derrotado acenou com a cabeça.—Levante-se.—Snape obedeceu, ainda olhando para baixo. –Olhe para mim.—Ele obedeceu de novo. Os olhos negros finalmente não pareciam mais tão profundos e impessoais. – Sei o que você deve estar pensando, mas você sabe que tínhamos um acordo... Tudo pelo bem da guerra.

- Eu sei...—ele suspirou—Mas você poderia ter confiado em mim e me contado.—Com isso, novas lágrimas derramaram do rosto de Alvo.

- Severus, você sabe que é como um filho para mim. Eu fui um covarde. Não tive coragem de lhe contar o que provavelmente aconteceria depois que você cumprisse sua promessa e também não queria lhe contar sobre as Relíquias da Morte. Tive medo que você quisesse a pedra da ressurreição para tentar ressuscitar Lily!—Severus se sentou na cadeira da escrivaninha, cobrindo o rosto com as mãos, provavelmente de vergonha.

-Tudo bem Alvo.—ele permaneceu alguns segundos de cabeça baixa e em seguida levantou seu rosto em direção ao quadro, alargando um belo sorriso triste e ao mesmo tempo sincero para o ex-diretor. Alvo suspirou aliviado e deu uma piscadela divertida.

- Sabe, estou até gostando de ser um quadro, minha cicatriz no joelho não dói mais.—o velhinho comentou fazendo Severus gargalhar silenciosamente.

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O trem de Hogwarts finalmente havia chegado. Hermione estava quase morrendo de ansiosidade de rever seus amigos. Vários estudantes chegavam em carruagens, mas havia uma que ela esperava mais que as outras em especial. Charmaine parecia ainda mais ansiosa, como se fosse conhecer alguma celebridade e Hagrid tinha os nervos à flor da pele. A carruagem com seus amigos puxada por testrálios, agora visíveis por Mione chegou e ela correu em direção a eles.

- Mione! Hagrid!—Harry, Gina e Neville gritaram de longe, correndo de encontro para abraçá-los. Luna e Rony vinham logo atrás.

- Oi Mione, tudo bem?—Luna perguntou simpática, mas os olhos azuis pareciam não prestar atenção nela.

-Tudo...—ela respondeu abrindo um sorriso—e com você?

-Estou bem também.—Luna se aproximou de seu ouvido – Espero que já tenha resolvido aquele assunto.—e saiu de perto em direção a Neville.

Rony estava parado segurando em seu braço direito uma bola de pêlos laranja ansiosa para descer que combinava com seus cabelos tipicamente "Weasley's". Os dois se olharam receosos.

-Aqui está o Bichento... – disse Rony estendendo o gato miador para sua dona.

-Brigada Ron...—ela aceitou-o, acariciando suas orelhinhas enquanto ele ronronava cada vez mais alto.—Eu estava com saudades— continuou após um longo suspiro, olhando para o gato mas se direcionando à Rony.

- Eu também.—ele sorriu receoso e a abraçou.

- CA-HAM.—um Severus Snape exasperado tossia as costas dos dois. Todos se assustaram, virando para o olhar.—Vocês vão entrar, ou devo avisar a Diretora McGonagall para cancelar a festa de recepção devido ao não-comparecimento do Trio de Ouro?—seu tom de voz não deixava dúvidas que isso não era uma brincadeira.

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Os amigos reunidos foram entrando um a um no Salão, Charmaine puxando papo principalmente com Harry e Rony e Hermione notou que Gina não estava muito contente. Seu rosto estava graduavelmente ficando mais vermelho que seus cabelos e seus lábios encrispados como de McGonagall. Mione se distraiu ouvindo alguma provocação e se virou para trás, somente para se deparar com Draco Malfoy, só que desta vez, ele era o alvo e não o provocador.

- Ei, Malfoy! Quanto você teve de pagar pra te tirarem de Azkaban?!—um garoto com as vestes da Grifinória o atacava verbalmente.

- Não te interessa!—disse um Draco irritado.—Provavelmente mais do que você ganhará em vida!

- E quanto seu pai vai pagar para a família do Luka aqui, hein?—uma Corvinal se uniu à discussão. Draco pareceu reconhecer o menino e ficou mudo.

- Seis anos é muito pouco para o que seu pai fez com minha família! Olhe o que eu faço com seu dinheiro sujo!!—o tal de Luka que Hermione reconheceu como sendo da Lufa-Lufa caminhou em direção a Draco com um punhado de galeões e jogou diretamente em seu tórax. Draco foi para trás com o susto, mas não reclamou e muito menos revidou. Ele olhou para baixo, engoliu seco e voltou a olhar o menino nos olhos. A multidão os rodeava prestando atenção e até mesmo Harry e os outros que já estavam mais à frente podiam ouvir claramente.

- Não tem nada a dizer?—o menino o desafiou. Os olhos cinzas de Draco somente o fitaram por um longo tempo, até que o menino desistiu de uma resposta. Snape entrou no meio, juntamente com Hermione e a multidão passou a se dispersar.

- Uhm, deixe-me ver... Menos 5 pontos para a Corvinal, menos 5 para a Lufa-Lufa e menos 10 para a Grifinória por ter começado—Snape disse num sorriso sádico seguido por interjeições decepcionadas das outras casas.

-Valeu, Malfoy!—uma voz ao fundo pôde ser ouvida ao que todos deram risada. Hermione caminhou até o jovem loiro platinado sem saber o que dizer.

- Ei Malfoy, sinto muito, mas em ocasiões assim seria melhor nem provocar.— Mione disse repreensivamente. Ele a fitou sem expressão facial e completamente arrependida por ter dito algo, ela se calou. Malfoy, Snape e Hermione trocaram olhares, até que Draco decidiu continuar andando.

- Olá Granger, tudo bem?—ele disse como se nada tivesse acontecido. Hermione ponderou se deveria interrogá-lo sobre o que havia acontecido ou deixar quieto.

-Tudo—ela deixou quieto.

Draco passou pelos mais famosos integrantes da Armada de Dumbledore e acenou com a cabeça para eles, para surpresa e choque geral. Harry, em dúvida, olhou para o lado somente para encontrar um Ronald boquiaberto, mas foi o primeiro a responder. Em seguida, os outros também responderam, Rony só depois de uma bela cotovelada. Malfoy seguiu para a mesa da Sonserina e se sentou.

Hermione seguiu Snape com o olhar, enquanto este se dirigia à mesa dos professores. Ela se permitiu relembrar dos beijos, carícias e palavras que haviam trocado. Seus olhos iluminados chamaram a atenção tanto de Harry quanto de Gina, mas ela logo chacoalhou a cabeça retirando tais pensamentos e reconstruindo sua muralha anti-Snape. Os amigos se sentaram à mesa da Grifinória acompanhados de Luna Lovegood, que preferiu aquela mesa à da Corvinal.

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O Salão Principal assistiu a cerimônia de Seleção em meio a gargalhadas de dó dos primeiranistas. Um Severus Snape extremamente impaciente conduzia a cerimônia e utilizava uma expressão de puro desgosto em seu rosto enviesado, socando o chapéu mais surrupiado que nunca na cabeça dos iniciantes e exigindo rapidez. Harry e Rony comentaram que já havia sido uma experiência traumatizante o suficiente serem selecionados por McGonagall e a mesa da Grifinória se esbaldou em risos. Os sonserinos se dobravam em gargalhadas especialmente quando algum primeiranista era convocado para a Grifinória e Snape fazia alguma careta desagradável. Os pequeninos pareciam completamente aterrorizados. Eles poderiam jurar que viram vários deles lançando olhares vacilantes para a porta do Salão, provavelmente cogitando sair correndo e desistir da vida bruxa ali mesmo. Em determinado momento, um garotinho que foi selecionado para a Lufa-Lufa acidentalmente tropeçou no pé do Professor, mas a julgar pelo seu sorriso sádico sarcástico não havia ocorrido acidente algum. Hermione passou a ver naquele momento o lado cômico de Severus. Apesar de ele pegar no pé dos alunos não-sonserinos e estar sendo um cretino, até chegava a ser engraçado e, a julgar pela reação geral, ela não era a única a pensar isso.

-Nunca pensei que diria isso, mas acho que Snape está mudado.—disse Rony entre lágrimas—Vocês viram, ele tirou só 10 pontos da gente até agora!

- E está me deixando com dor de barriga de tanto rir—continuou Harry.

-Harry! Não diga isso! Ele está maltratando calouros!—disse Gina querendo soar indignada e ao invés disso gargalhando.

- Ah Ginny, eles são CALOUROS!—brincou Rony.

- Vocês não prestam...—a ruiva respondeu divertida.

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A cerimônia de Seleção terminou e McGonagall comunicou aos presentes que antes do banquete, teriam a entrega das Ordens de Merlin. Vários funcionários do Ministério, acompanhados do Ministro da Magia Kingsley Shackelbolt entraram pela porta lateral do Salão, fazendo todos se calarem.

- Verdade, eu tinha me esquecido que era hoje! Droga, queria comer logo.—disse Rony quebrando o silêncio. A maioria dos alunos demonstrou curiosidade, perguntando uns aos outros se sabiam disso.

- Eles não receberam as cartas?—Hermione perguntou aleatoriamente.

-Pelo jeito não.— Gina respondeu.

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A cerimônia de entrega começou e Shackelbolt chamou um a um, vários nomes dos que haviam lutado na guerra para receber a Ordem de Merlin lá na frente também dedicando outras a lutadores caídos, começando pelos de Terceira Classe. Hermione percebeu que para cada um havia uma explicação detalhada de sua contribuição. As Ordens de Terceira Classe terminaram, uma delas dedicada à memória de Fred, passando para as de Segunda Classe.

- Minerva McGonagall, Ordem de Merlin-Segunda Classe. Pela sua contribuição como integrante da Ordem da Fênix e total fidelidade aos ideais de Dumbledore e por ter defendido a Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts na frente de batalha.—disse um Shackelbolt cordial mas totalmente extasiado.

Nomes de outros professores se seguiram, mas Snape não foi chamado. Hermione se sentiu amargurada. Tudo o que ele havia feito ainda não era reconhecido, somente por ostentar uma Marca Negra em seu braço esquerdo. Até mesmo Dobby foi homenageado, o que deixou tanto Harry quanto Hermione realizados. Não era muito, mas por hora já era alguma coisa. Em adição, também homenagearam Tonks e Lupin.

-Neville Longbottom!—gritinhos de surpresa irromperam por todo o local e um Neville extremamente nervoso se levantou derrubando um copo de suco de abóbora à sua frente.— Ordem de Merlin, Segunda Classe. Por sua coragem ao participar da Armada de Dumbledore em seu quinto e sexto ano auxiliando a Ordem da Fênix contra Voldemort e seus Comensais da Morte e por assumir a frente de batalha, lutando e derrotando uma Horcrux.—Neville recebeu o prêmio assustado como um cervo sob os holofotes e voltou a seu lugar recebendo tapinhas nos ombros de todos os grifinórios admirados.

- Luna Lovegood!—a mesa da Corvinal explodiu em urros—Ordem de Merlin, Segunda Classe. Por sua coragem ao participar da Armada de Dumbledore em seu quarto e quinto ano auxiliando a Ordem da Fênix contra Voldemort e seus Comensais da Morte e por assumir a frente de batalha lutando por Hogwarts.—Luna caminhou até a frente do Salão parecendo realmente muito interessada no teto. Os sonserinos aplaudiram menos tediosamente dessa vez, provavelmente pelo fato da garota ser uma Corvinal, para variar.

A essa altura, a ficha dos amigos começava a cair. Provavelmente eles também receberiam uma. Hermione, Harry, Rony e Gina trocaram olhares apreensivos. Charmaine parecia desconfortável.

-Ginevra Molly Weasley!—o mesmo discurso de Luna foi repetido e uma garota extremamente cor-de-fogo foi à frente, voltando praticamente correndo.

- Acho que eu preferia lutar contra 20 Comensais—ela comentou, mas ninguém pareceu ouvir pois estavam todos ocupados demais, ansiosos e constrangidos imaginando que logo ouviriam seus nomes. Neville e Luna ainda se encontravam distraídos observando abobados seus caldeirõezinhos de ouro.

- Hermione Jane Granger!—Mione levantou seu olhar, seu coração batendo acelerado. Ela olhou em volta enquanto começava a caminhar, procurando subconscientemente por Snape, e o encontrou de braços cruzados e lábios cerrados a olhando implacavelmente.—Ordem de Merlin, Primeira Classe!—ela parou a meio caminho chocada. A mesa da Grifinória fez ainda mais barulho.—Por sua coragem excepcional participando tanto da Armada de Dumbledore quanto da Ordem da Fênix, extra-oficialmente é claro—acrescentou Kingsley—auxiliando Harry Potter em sua busca pelas Horcruxes e na guerra contra Voldemort e seus seguidores.

Ela caminhou até a frente, não conseguindo se conter e olhando novamente para Snape. Ele a acenou com a cabeça encorajando-a, e ela não pôde deixar de soltar um sorriso. Parecia que tudo havia se evaporado e já não havia mais motivo para constrangimento, somente ela e Severus estavam ali. Hermione aceitou o prêmio agradecendo e passando seus dedos pela plaquinha de ouro abaixo do caldeirão com os dizeres: "Ordem de Merlin-Primeira Classe". Nem teve tempo de se sentar, outro nome foi chamado.

-Ronald Bilius Weasley! Ordem de Merlin, Primeira Classe!—o jovem mais vermelho que a irmã e mais assustado que Neville caminhou à frente ouvindo um discurso similar ao de Hermione.

- Severus Prince Snape!—Houve comoção geral e burburinhos das três mesas que não a que se encontrava fazendo a festa.—Ordem de Merlim, Primeira Classe!—Snape se endireitou e farfalhando suas vestes atrás de si aceitou o prêmio.

"Vai lá Morcegão!!"—a voz de algum estudante (provavelmente grifinório) pôde ser ouvida. Snape estreitou os olhos fazendo todos se calarem.

-Caham... Por sua extensa atuação auxiliando a Ordem da Fênix, trabalhando como espião duplo para nosso lado por todos estes anos arriscando sua vida, participando de várias batalhas mesmo quando todos duvidaram de sua integridade e principalmente por proteger Harry Potter.—Kingsley falou se curvando. Os professores e trabalhadores do Ministério o imitaram. Snape ensaiou uma carranca mas Hermione enxergou em seus olhos algum tipo de contentamento. Ele estava lisonjeado.

-Harry James Potter!—todos o aplaudiram de bom grado. Minerva deixou cair uma lágrima.—Ordem de Merlin, Primeira Classe. Por sua coragem excepcional e sua constante devoção em acabar com todos os planos de Voldemort, mesmo quando não sabia o que estava fazendo.—Kingsley disse arrancando boas gargalhadas—E por finalmente trazer paz ao mundo bruxo.—o homem abaixou um pouco e cochichou no ouvido de Harry—e um pouco para si.

Harry aceitou o prêmio e ao se sentar Kingsley fez outra dedicatória.

-Alvo Percival Wulfric Brian Dumbledore. Ordem da Fênix, Primeira Classe. O homem que possibilitou nossa vitória.—ele levantou o caldeirão brilhante com os olhos aguados. Sua dedicação foi breve, mas disse tudo. Um choro silencioso se estendeu de uma ponta à outra no Salão. Nem mesmo Severus continuou impassível.

Uma Minerva McGonagall visivelmente emocionada anunciou o banquete.

- Acho que Dumbledore é o único bruxo no mundo com duas Ordens de Merlin de Primeira Classe—Gina comentou rindo.

- Bem, ouvi dizer que a Ordem de Merlin perdeu seu valor com o passar dos anos... Hoje em dia dizem que qualquer um recebe.— disse Charmaine. Hermione e Gina se entreolharam horrorizadas, tentando decidir se o comentário havia sido destrutivo ou uma simples afirmação.

- Talvez você esteja dizendo isso porque não recebeu uma.—disse uma Luna extremamente sincera olhando para seu caldeirão.—Olha como ele brilha, só espero não perder isso também...—ela comentou não prestando atenção na expressão ultrajada da nova aluna. Hermione e Gina tiveram de abafar um riso.

-Ei Mione—Harry chamou—O que você acha de eu ir conversar com o Snape?

- Bem—ela disse engolindo seu suco de abóbora— eu acho que se você quer então você deve.—ele acenou positivamente, como que criando coragem.

Os amigos recapitularam tudo que ocorrera nas férias e o banquete de boas-vindas finalmente terminou. Harry viu o Professor Snape deixando o Salão e o seguiu.

-Professor! Professor Snape!—Harry chamava às suas costas. Snape girou nos calcanhares.

- Sim?—ele perguntou de sobrancelha levantada.

- Eu preciso falar com o senhor.

-Estou esperando.—ele falou impaciente.

Os alunos começaram a irromper pelo corredor, alguns prestando atenção na cena bizarra.

-Não senhor, preciso lhe falar em particular...

- É urgente?

-Não senhor.

-Então venha à minha sala amanhã, depois do jantar.—ele não esperou despedidas e se virou num só movimento, deixando sua capa farfalhar às costas.—"Onde será que está doendo agora?"—ele pensou irritado.

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