Demora, demora... Maus aí, gente... Em compensação, o cap é grande... espero q seja bom.

Ta, talvez eu tenha viajado... u.u Mas vou me explicar melhor nesse cap. Obrigada pelo reviews, de novo!

Apreciem...

A Primeira Batalha

O piso era liso, regular e gelado. Aliás, tudo naquele lugar era gelado. Esmeralda sentia, não só em volta, o frio que fazia sair fumaça de sua boca, como também por dentro... O frio que atravessava sua pele e sua carne para se cravar no coração... Inspirando tristeza e medo constantes.

Suas sandálias batiam no piso, fazendo um barulho infernal no silêncio mortífero do recinto, ao lado dos sapatos leves e extremamente silenciosos de Owl. Os dois caminhavam por esse corredor típico de filmes de mistério, mais ou menos, pensou Esmeralda, estremecendo, para onde a mocinha é levada pelos seqüestradores...

-Como devo te chamar? – perguntou Owl de repente, querendo quebrar aquela camada sinistra. – Srta Logan? Minha sobrinha? Ou simplesmente...

-Esmeralda. Já serve. – respondeu a garota sem olhar para o tio. Este, que carregava uma tocha, iluminando o corredor escuro, sorriu brevemente.

-É um poder em comum, sabe Esmeralda? Sentir emoções. – disse ele, também olhando para frente. – Sabe o que eu sinto em você agora?

-Medo? – arriscou a garota, sabendo o que vinha a seguir.

-Também. Mas me referia principalmente à sua desconfiança. Tinha dito que confiava em mim.

-Oh, bem... – murmurou ela, sem saber o que dizer.

-Concordo que não seja muito sensato confiar em alguém que acabou de conhecer. Mais me parece muito menos sensato ir para algum lugar com alguém em que não confia.

-Eu...

-Por que veio comigo?

-Por que... Por que... Quero ajudar meu irmão. – respondeu ela com certo desespero. – Eu não tenho poderes... Sinto-me tão inútil em Nova Azarath... E você tem razão. Ele precisa de um espião. Precisa saber o que está acontecendo aqui. Ele precisa... Eu quero que ele precise de mim.

Owl parou, se voltando para a sobrinha com os olhos cheios de compaixão. Ela parecia frágil e perdida, mas ao mesmo tempo, confiante e teimosa. Como uma criança que teima em querer fazer o que seus pais dizem que não. Ela estava com medo, mas preferia enfrentar isso tudo a voltar e assistir seu irmão passar perigo e não poder fazer nada. Ela podia não ter poderes, mas tinha o espírito de herói.

-Estou admirado, Esmeralda. – disse ele, com seu sorriso caloroso. – Você é como um soldado fiel. Arriscou tudo. Mas não pensou muito, pensou?

-O que...? Acho que não, eu... Não pensei...

-Bom, pra sua sorte, eu realmente estou do lado de vocês. Mas já imaginou o que poderia acontecer se eu não estivesse?

Esmeralda olhou para ele. Owl lhe enviou um olhar misterioso e continuou andando, erguendo a tocha que crepitava. Então Esmeralda começou a pensar se realmente tinha sido uma boa idéia.

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-Capturada! Espiões? Ah, meu Deus, no que essa garota estava pensando?

-Por favor, Ravena, acalme-se.

-Acalme-se? Treze anos dizendo 'Não confie em estranhos', 'Não fale com estranhos', 'Não aceite balas de estranhos', e a garota simplesmente vai com um completo estranho pra toca do demônio só porque ele disse que está do nosso lado?

-Minha filha, realmente, há espiões no meio de Trigon... – informou Arella, tentando acalmá-la.

-Seus espiões? – perguntou Mutano.

-Bem, não, mas...

-Então como sabemos se esse tal que levou Alda realmente estava falando a verdade?

-Não sabemos, mas...

-Agora ela vai ser usada como refém. Céus, não sabemos nem mesmo se essa carta é realmente dela!

-Mãe, pai, fiquem calmos, a Esmeralda não é tão burra, talvez ela... Tenha um plano ou sei lá...

-Um plano? Como se ela tivesse experiência em assuntos como estes!

-É, mas ela não iria com qualquer um por qualquer motivo, certo? – tentou Caleb, querendo achar um meio de se dizer que a irmã estava bem.

-Sim, talvez eles tenham a enfeitiçado...

-Ou capturado à força!

-Que tipo de magia recobre a cidade? Como eles entraram aqui, mãe? – perguntou Ravena, agora à beira das lágrimas.

Arella estava sem fala. Não sabia o que fazer, como explicar, como consolar...

-Não sei, filha. Desculpe.

Mutano abraçou a esposa, também frustrado, enquanto Caleb e as gêmeas se entreolhavam, preocupados e também perdidos.

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Finalmente chegaram ao final do corredor. Mas lá só tinha uma grande, lisa e sólida parede. Owl pousou a tocha em um recipiente para tal, e ergueu a mão. O símbolo de Trigon se desenhou em sua palma, e em seguida se copiou na parede, o grande S floreado, rubro e brilhante. Esmeralda deu um passo para trás, boquiaberta, enquanto a parede se dividia com estrondo, abrindo passagem aos descendentes de Trigon.

-Esmeralda, receio não poder te tratar tão bem na frente deles quanto te tratei até agora. – disse Owl se virando para ela com a expressão triste.

-'Eles'? – sussurrou a garota sem entender. E, quando o estrondo das portas cessou, veio uma voz alta e rouca da passagem recém aberta.

-Então, Sr Owl, está de volta! O que trouxe para seu pai? Ele já estava começando a ficar impaciente.

Um homem de pelo menos dois metros e meio de altura apareceu. Sua pele era escamosa e um pouco arroxeada. O pouco cabelo que tinha era fraco e tão sujo que já não se via mais qual fora sua cor original. Trajava roupas esfarrapadas, mas do mesmo estilo das de Owl, medievais, embora, mesmo que estivessem limpas e costuradas, via-se que eram bem menos elegantes e ricas. Ele tinha olhos amarelos e remelentos que se focaram em Esmeralda com voracidade.

-Ah, Sr Owl, seu pai vai gostar, trouxe uma bela caça... Permita-me brincar um pouco com ela depois que o Mestre Trigon a vir... – disse ele com sua voz rouca e cheia de malícia, se aproximando da garota paralisada.

-Pra longe da moça, Kay. – ordenou Owl com frieza. O homem se afastou dela imediatamente, com submissão. – Meu pai ou eu nunca deixaríamos você encostar nela. Ela é da nossa linhagem, sangue do nosso sangue. Acha que permitiríamos que você o manchasse com seu sangue imundo?

-Ela já está manchada, meu senhor... – argumentou o homem, ainda olhando para a garota. – Seu pai vive dizendo isso, manchada pelo sangue do homem que sua irmã escolheu...

-Cale a boca, Kay, ou te mando para o pior inferno que puder imaginar. – ameaçou Owl, puxando Esmeralda para perto de si. Kay se abaixou e se afastou para as sombras, mas não antes de enviar um sorriso assustador para a garota. Esmeralda apertou o braço do tio, gelada de medo.

-Parece um pouco de proteção exagerada considerando quem temos aqui. – disse uma voz feminina. Uma mulher morena muito bonita, usando trajes de montaria apareceu de outra parede, carregando as rédeas de um cavalo negro de olhos vermelhos e asas enormes que lembravam asas de morcego. Ela trazia um olhar constante de desprezo e superioridade.

-Trigon me mandou levar a garota. Ele quer falar com ela. – informou, estendendo a mão.

-Eu vou junto. – disse Owl. – É só pegar meu cavalo e eu...

-Como assim, você vai junto? – perguntou ela, como se a idéia fosse absurda. – Seu pai disse para eu levá-la. Você não tem mais o que fazer aqui?

-Não. – respondeu ele com firmeza. – E quero participar dessa confabulação. Eu levo a menina.

-Como queira. – murmurou a mulher com descaso, olhando Esmeralda de cima a baixo como se ela fosse um objeto levemente interessante.

Esmeralda decidiu que não gostava dela.

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Caleb olhava pela janela. Seu olhar, normalmente descontraído, meio fechado, estava alerta e bem aberto. Seu rosto esverdeado estava pálido, e sua expressão era um amontoado de emoções diferentes, mas muito parecidas. Preocupação. Tristeza. Culpa. Raiva. Dúvida. Ansiedade.

A carta da irmã pendia de sua mão direita. Estava amassada e suja, quase rasgando de tantas vezes que tinha sido dobrada e desdobrada. Ele a olhava de cinco em cinco minutos, relendo as palavras que já sabia de cor. Então dava uma volta pelo quarto, tentando pensar em alguma coisa que não fosse: "Deus, por favor, que ela esteja bem.", "Essa é mesmo a letra de Alda?", "Espiões? Se são espiões, deviam ter vindo falar comigo! Ela não devia se envolver", "Exército? Que tipo... O que quer dizer?", ou "A culpa é minha. Toda, toda minha."

Ele parou e pôs as mãos na cabeça, tentando raciocinar. Pedir ajuda dos pais era inútil; eles estavam muito preocupados com Alda. Mas isso era muita perda de tempo. Ficar se preocupando era inútil. Caleb resolveu confiar em sua irmã. Ela devia estar bem. Ela escolhera isso. Ela se pôs em perigo para que ele pudesse se preparar contra Trigon. Ele tinha que lutar.

Não posso lutar sozinho. Preciso de ajuda, pensou ele tomando uma decisão e correndo para a porta. Quando a abriu, porém, deu de cara com Tinúvil, que estava com o punho erguido, como se fosse bater.

-Tinúvil...?

-Caleb! Eu sinto muito. Você deve estar tão preocupado com a sua irmã...

-Estou. Mas não vou ficar parado. Temos que ir ajudá-la.

-Eu sei... O que? – ela ficou surpresa, e correu a acompanhar Caleb, que recomeçara a andar. – O que você pretende?

-Chamar reforços. – respondeu ele, saindo da casa e se encaminhando para a atual morada de Méomer. – Precisamos vencer Trigon quando ele tentar entrar aqui, e aí vamos resgatar Esmeralda.

-Mas... Somos poucos.

-Somos nada. Esses monges conhecem muito de magia, e, se eles não quiserem lutar, vão ter que pelo menos ajudar a chamar pessoas que querem.

-Você tem um plano?

-Quase isso. Minha mãe me disse que Azarath está tipo, bem no meio das dimensões, e meio que liga elas.

-Certo...

-Então vamos ver se conseguimos encontrar esse exercito de que Alda fala na carta.

-Você acredita nela?

-Por que não acreditaria?

Tinúvil não respondeu. Eles percorreram o resto do caminho em silêncio, e, quando chegaram, Caleb pediu um minuto da atenção de Méomer e Peter.

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-Senhor... A menina está aqui.

Esmeralda estava se sentindo péssima. Fora um longo caminho até onde Trigon estava. E ele todo fora percorrido a cavalo... voador. Esmeralda sempre detestara altura. Ficara de olhos fechados o tempo todo, apertando os braços na cintura de Owl e comprimindo o rosto nas suas costas. Quando chegaram, parecia que parte da cor do cabelo havia descido para seu rosto.

-Você está bem, Esmeralda? – perguntou Owl, apoiando-a com o braço quando desceram.

-Vou ficar... – respondeu ela com a voz fraca.

-Vamos, Owl, traga a garota. – ordenou a morena antipática, guiando os cavalos para dentro de um portão negro enorme.

-Já estou indo. Agora me escute, Esmeralda. – disse ele, sério. – Você está indo falar com Tringon. Preste atenção. Evite os olhos dele. Não responda mal. Não precisa responder bem, mas controle a língua, porque ele pode tentar te machucar. Não deixe ele te convencer. Tudo que ele disser é mentira. Não acredite, não se deixe levar. Entendeu?

-Entendi.

-Ótimo. Concorde com tudo que eu disser e não deixe perceber nossa relação.

-Está bem.

-Confie em mim, Esmeralda.

-Vamos, Owl. – chamou a mulher novamente, impaciente.

-Calma, Vivian. Já vou.

Esmeralda acompanhou o tio, observando o novo lugar em que se encontrava. Era uma planície enorme, de terra morta, vazia. O céu estava azul escuro, com algumas réstias de cor laranja no horizonte. O grande portão negro era como uma muralha. A garota não conseguia ver onde ele acabava no comprimento.

Do lado de dentro do portão, havia criaturas de todos os tipos. Pareciam alienígenas e orcs saídos de filmes hollydianos. Mas o pior não era isso. Era o fato de que tinham guardas e prisioneiros. Pessoas machucadas, magras e infelizes estavam presas em gaiolas gigantes, vigiadas por pessoas que pareciam adorar estar ali, naquele papel.

Esmeralda ficou indignada, mas Owl a pegou pela mão, forçando-a a acompanhar o ritmo rápido de Vivian.

-Não fale. – ordenou ele – Não olhe nos olhos deles. De nenhum deles. Não pare de andar.

Ela obedeceu, fitando o chão e quase correndo para acompanhar os passos largos do tio. Logo chegaram a uma espécie de castelo... Um grande e grotesco castelo negro semi-destruído. Trigon estava lá dentro. Esmeralda quase podia sentir.

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-Convocar...? Logan, no que está pensando? – perguntou Méomer depois de ouvir o rapaz.

-Pensa bem, Méomer. – disse Caleb, animado. – Trigon está vindo. Tem um monte de gente de um monte de dimensões e mundos que quer ver ele destruído... Que quer lutar contra isso. Eu acabei de perceber que o que está acontecendo não é como com os meus pais. Isso não é para super-heróis. É uma guerra. E o povo quer lutar por suas terras... A carta da Alda... Diz que há um exército. Eu não duvido. Devem ter muitas pessoas querendo derrotar Trigon. Precisamos delas.

-Ele tem razão, senhora. – disse Peter, que até o momento, como Tinúvil, só ouvira. – Se conseguirmos, acredito que muitos viriam nos ajudar. Eu me lembro de ter ouvido rumores que soldados do Norte, de onde viemos, queriam lutar, mas não sabiam como localizar Trigon. Agora temos uma vantagem. Sabemos que é aqui que ele mira.

Méomer ficou em silêncio por um tempo, pensando.

-Acham que estão prontos para enfrentar uma batalha? – perguntou com uma expressão indecifrável.

-Eu e Peter já temos muito conhecimento, principalmente de guerras. – disse Tinúvil, se adiantando. – E nos sentimos muito dispostos a lutar contra Scats.

Peter concordou vigorosamente. Méomer olhou para Caleb.

-Ele pegou a minha irmã. – lembrou ele, como se isso esclarecesse tudo. – Pegou a minha irmã e vai pagar por isso. Eu preciso lutar por ela, Méomer.

Ela não fez mais perguntas.

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-Seja bem-vinda, minha neta. – disse o homem, com uma voz branda, mas que fazia o chão tremer.

Esmeralda não esperava isso. Não mesmo. Ela tinha visto um desenho. Ela tinha ouvido as descrições. Trigon devia ser um enorme demônio vermelho com quatro chifres, quatro olhos, garras... enfim, um monstro. Mas o indivíduo à sua frente não era um monstro. Não mesmo. Ele tinha um olhar penetrante e maldoso, e um sorriso malicioso, mas... Era um homem. Um homem de pele cinzenta; olhos vermelhos; alto demais e também muito magro. Será que as pessoas exageravam tanto assim?

-Está pensando no que aconteceu comigo, não é? – perguntou ele, desgostoso. Homem ou demônio, pensou Alda, a voz desse cara dá medo. – Foi a volta, se quer saber... Antes, eu era glorioso... Agora tenho que me acostumar com esse mísero corpo humano... Mas não trouxe você aqui para isso, minha neta... Esmeralda.

Esmeralda estremeceu, e Owl apertou de leve seus ombros, que segurava.

-Você vai ser minha refém. Tenho que manter algumas coisas a salvo. – disse ele com indiferença. – Como eu pensei, você não possui poder nenhum... O que quer dizer que é inútil para mim sobre outras coisas... Mas quem sabe você não ache tão ruim ficar aqui... Só queria vê-la. Levem-na para os aposentos que preparei. Você fica de olho nela, Vivian. Owl, meu filho, tenho um trabalho para você.

Esmeralda olhou para Owl assustada, com um ar de 'não-me-deixe'. O homem sequer olhou para ela. Vivian pegou-a pelo braço, levando-a por um caminho que dava para mais dentro do castelo.

Elas passaram por corredores vazios, iluminados parcamente por tochas nas paredes. Portas apareciam de vez em quando, mas estavam sempre acorrentadas por fora. Algumas se abriam instantaneamente para as duas passarem, e se fechavam pesadamente às suas costas. Vivian parou em uma quando as duas já tinham andado por pelo menos quinze minutos, por um verdadeiro labirinto. Esse era provavelmente o intento: Esmeralda nunca se recordaria do caminho.

Vivian destrancou o cadeado com uma chave grande e pesada, e puxou as correntes, fazendo um barulho infernal que ecoou durante muito tempo no corredor vazio e silencioso. Empurrou a porta e fez um sinal a Esmeralda para entrar. A garota hesitou na entrada, e levou um empurrão. Estava em uma espécie de quarto. Um quarto assustador. As paredes eram lisas e escuras. A cama, apesar de grande, parecia muito velha e empoeirada. O armário era de madeira negra de tão escura, e tinha uma forma assustadora, parecendo que algo ia saltar de dentro dele a qualquer momento. Havia uma pequena estante de livros, e uma cadeira. Uma portinha escura dava para um banheiro precário. A janela era estreita, mas comprida, e protegida por grades. Um pequeno lampião com uma chama azulada era a única fonte de luz do lugar, visto que lá fora já era noite.

-A porta vai ficar trancada e guardada, apesar de parecer que não tem ninguém no corredor. – começou Vivian, recitando como se tivesse decorado. – Será aberta duas vezes por dia para trazer comida. Não tente fugir, ou Trigon vai ter que parar de te dar tanta mordomia. Não tente fugir pela janela, a não ser que queira se esborrachar. Seja uma 'boa menina', ta?

Vivian falou tudo isso como se ela tivesse seis anos. Esmeralda olhou feio para ela. A mulher virou os olhos e bateu a porta. Alda ouviu a baderna de por as correntes e o cadeado de volta, os passos da mulher se afastando, e, depois, nada.

Andou por alguns instantes em seu novo quarto e foi à janela. Entendeu o que Vivian queria dizer. Elas não haviam subido... O castelo estava na beira de um precipício. Um bem grande. Havia uma neblina muito intensa lá dentro que impedia de ver aonde iria dar. Má idéia se arriscar por lá. Isso, é claro, se conseguisse passar pelas grades, que pareciam ser a coisa mais bem conservada naquele quarto. Ela se afastou da janela, sentou na cadeira com cuidado, e começou a chorar.

Chorou por pelo menos dez minutos, sem pensar muito, sem pensar que devia ter ficado, ou que devia ter trazido Pérola, ou como estaria sua família, ou qualquer uma dessas coisas que só nos fazem nos sentirmos pior. Foi quando alguém bateu à porta.

-Esmeralda?

A garota levantou a cabeça e correu à porta, esperançosa.

-Owl?

-Sou eu. – disse a voz grave do outro lado da porta. – Desculpe-me, sobrinha, mas ele não podia desconfiar que mantivemos contato maior que... Bem, eu capturar você.

-Tudo bem. – respondeu Esmeralda, mais animada. Por um momento se sentira tão só...

-Esteve chorando? – perguntou ele, notando a voz embargada.

-Hã? Ah... Não. – murmurou ela, tentando recuperar o tom de voz normal.

-Não chore, Esmeralda. Tudo vai acabar bem. Tivemos boas notícias. Digo... Ruins para Trigon, mas boas para nós. Seu irmão está convocando pessoas para lutar.

-Trigon não vai me usar para fazer Azarath se entregar?

-Bem... Não. Você vai ser usada para manter outra coisa. Eu não tenho muito tempo, sobrinha. Espero que já tenha pegado confiança em mim. Eu tenho que ir agora. Não tenha medo. Qualquer coisa, eu venho te proteger.

-Ah... Tá, obrigada. – balbuciou Esmeralda. Ele se foi, sem esperar resposta maior. A garota pensou por alguns instantes. Ainda não tinha certeza se confiava em Owl. Mas ele estava se esforçando realmente.

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-Trigon está aqui.

O monge chegou ofegante. Era um dos que guardavam e reforçavam o portão mágico que protegia a cidade. Todos na sala prenderam a respiração.

-Aqui? – repetiu Arella, hesitante.

-Sim. Esta tentando entrar. E trouxe soldados.

-Isso é mau. Não temos nenhum soldado. – comentou Peter.

-Claro que não, mandamos os recados anteontem. – argumentou Méomer, com uma calma estranha. – Mas acho que muitos deles estão a caminho. Só precisamos agüentar um pouco.

-Quão pouco? – perguntou Caleb. A sala silenciou.

-Caleb, vá pegar suas irmãs e se escondam no forte que arranjamos. – ordenou Ravena, séria.

-O que? – perguntou Caleb, incrédulo. – De jeito nenhum. Eu vou lutar, mãe.

-Não, não vai. – afirmou Mutano. – Vai se esconder. Já.

-Então de que serviu tudo isso? Méomer me treinou para que? – questionou ele, indignado. – Estou pronto.

-Não está. Faça o que mandei, Caleb.

Caleb olhou para Méomer, que não dissera nada. Ela o olhou de modo expressivo e ele saiu pisando forte.

Correu, quase voou até a casa da avó.

-Arella, Marie, desçam! – gritou, sem paciência. – Peguem qualquer coisa para se distraírem. Vem cá, garoto.

Colocou a guia em Flame, que estava agitado, e entregou a Arella quando esta desceu correndo.

-Pegue. Segure-o bem, ouviu?

-É ele, não é, Caleb? É Trigon? Ele veio?

-Veio. Vocês precisam se esconder. Marie, pegue Pérola.

Marie apareceu com alguns livros e Pérola no colo. Os três saíram correndo em direção ao forte de proteção, que era uma espécie de porão gigante, no meio da cidade. Muitos monges já estavam lá, os mais fracos. Os mais fortes em magia tentariam defender a cidade.

-Entrem aí. – ordenou Caleb, parando. – Fiquem calmas, ta? Vai ficar tudo bem.

-E você?

-Eu vou lutar.

-A mamãe deixou...?

-Não, Arella, a mamãe não deixou, mas eu vou assim mesmo. Foi para isso que vim aqui. Vou lutar pela nossa irmã. Vocês cuidem uma da outra, ta?

As duas ficaram em silêncio por um minuto, então abraçaram o irmão.

-Fique bem, Caleb. – disse Arella.

-É, não faça nenhuma besteira. – recomendou Marie. – Não queremos perder você também.

-Não vão me perder. E a gente não perdeu Esmeralda. – afirmou Caleb, abraçando-as. – Vão agora, andem. Cuide delas, Flame, amigão.

As duas entraram, juntamente com os animais. Caleb ficou um instante parado, pensando. Uma sombra começou a cobrir a cidade, que ia ficando vazia. O tampo do forte já tinha se fechado, e os monges que iriam lutar já tinham se encaminhado para o lado do portão da cidade. Caleb estava só.

Respirou fundo e começou a se encaminhar para o lado de onde a sombra vinha quando sentiu uma mão em seu ombro. Virou-se rapidamente.

Um grupo de pessoas estranhas estava olhando para ele, desconfiados. Eram estranhos, mas não pareciam pessoas que andariam com Trigon.

-Quem...?

-E aí, colega. – cumprimentou o rapaz que tocara seu ombro, um garoto de quatorze anos mais ou menos, com fones de ouvido enormes, chinelos, um colar com três dentes e uma espada. – É aqui a luta contra o tal Trigon?

-Hã... – Caleb hesitou. Essas pessoas não pareciam muito preparadas para enfrentar uma batalha. Atrás do garoto estavam um homem com um topete enorme, uma garota de vestido preto, e mais três garotos igualmente estranhos. Além, é claro, das pessoas levemente transparentes atrás deles. Um samurai, um magrelo de cor suspeita, um soldado chinês, um jaguar, e uma garotinha extremamente pequena com uma folha. – Acho que sim. Quem são...?

-Desculpe. – pediu um homem muito bem-vestido, vindo de outro lugar. Não parecia estar relacionado com aquelas pessoas. – Eu e minha esposa nos perdemos. Poderia dizer onde é a cidade que pediu ajuda para enfrentar o terrível demônio? Tenho um que talvez possa ajudar. Além de alguns magos corajosos, é claro.

-E bruxas! – acrescentou a mulher com ele, uma mulher bonita de cabelos arruivados.

-Sophie, meu bem, já disse que você não vai lutar.

-É o que você pensa! Eu...

-Com licença. – disse um jovem de cabelos louros e orelhas pontudas, guiando um cavalo e acompanhado por um anão. – Creio ser essa a cidade em que se abateu o mal de Trigon?

Pessoas de todos os tipos começaram a chegar de todas as direções, perguntando a mesma coisa: onde era o local de onde haviam pedido ajuda?

-Aqui! – exclamou Caleb, finalmente refeito do susto. – Fui eu que pedi ajuda! Foi essa cidade! Trigon acabou de chegar! Se todos que pretendem lutar puderem se encaminhar para o lado de aonde vem a sombra...

Houve um rebuliço, e logo estavam todos correndo para lá. Caleb sorriu. Talvez tivesse uma chance, afinal.

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Ufa! Eu gostei tanto de só comentar deles, que resolvi botá-los na história!

Espero q vcs gostem. Tem mais gente, é claro, mas vou identificá-los no prox cap. Que tmb vai demorar, me desculpem.

Se quiserem dar uma sugestão de qm gostariam de ver na guerra contra Trigon...

Aiai... vejo vcs nos reviews, espero!

B-juuuus