Beta: TaXXTi
As Estranhas Faces do Amor
Capítulo 12
Jeffrey acordou muito cedo no domingo, mas ainda ficou na cama por algum tempo. Estendeu o braço pelo espaço vazio ao seu lado, então puxou o travesseiro para perto, aspirando o cheiro tão conhecido. Todas as manhãs era a mesma coisa: ficava enrolando até criar coragem para se levantar e seguir com o seu dia. Mas estava ficando cada vez mais difícil encontrar algum motivo para sair dali, daquela cama, especialmente no domingo.
Sempre detestara os domingos, mas isso antes de conhecer Jared. Depois de conhecê-lo, o domingo se tornou o seu dia da semana preferido. Além de ser praticamente o único dia em que podiam passar inteirinho juntos, Jared acordava sempre muito disposto e o obrigava a ir correr com ele, às vezes iam caminhar no Central Park, outras vezes simplesmente passeavam de carro sem qualquer destino traçado ou acabavam ficando em casa e curtindo o dia juntos. Jeffrey sentiu um aperto no peito, a saudade que sentia dele estava se tornando insuportável. Sentou-se na cama e passou a mão pelos cabelos, suspirando... Sabia que não podia ficar ali, se lamentando. Precisava seguir sua vida e mais uma vez juntou forças sem saber de onde, vestiu um agasalho e saiu para correr, senão acabaria enlouquecendo.
Já passava das dez quando voltou para casa e pensou em convidar algum amigo para almoçarem, afinal, a solidão o estava corroendo por dentro.
Ao entrar na sala, encontrou Jared sentado no sofá, o esperando.
- Hey Jeff – Jared se levantou e ficou por um instante apenas apreciando o jeito como o outro estava suado e com a respiração ainda ofegante pela corrida. Como ele podia ser tão perfeito? – Eu vim buscar os meus livros, e... não sei se eu devia ter entrado ou não, mas você não estava e como eu tinha a chave...
- Pensei que você fosse ficar no Texas até a próxima semana.
- Eu ia, mas... Acabei discutindo com o meu pai e então eu me dei conta que não adiantava de nada eu ficar. Não é por lá que eu tenho assuntos pendentes pra resolver.
- Assuntos pendentes? – Jeffrey sorriu. – Acho que tudo já foi dito, Jared. Não tem mais nada pendente entre nós. O quarto de hóspedes está livre, caso você não tenha pra onde ir, pode ficar o tempo que quiser.
- Você quer dizer que... – Jared engoliu o nó na garganta. – Não existe nenhuma possibilidade de... de você me perdoar algum dia?
- O que eu posso dizer é que no momento, isso tudo é demais pra eu suportar. Eu vou tentar seguir com a minha vida e você deveria fazer o mesmo.
- Não, você não entende... – Jared se aproximou, sentindo o desespero tomar conta de sua mente. - Eu não quero seguir porcaria de vida nenhuma, eu só quero... O que eu preciso fazer pra provar pra você que o meu amor é verdadeiro? Por favor, Jeff... – Jared não conseguiu conter as lágrimas, era doloroso demais para suportar.
- Jared, não faça isso, por favor – Jeffrey tentou se afastar quando o mais novo o abraçou, mas foi impedido.
Jared usou de sua força para manter Jeffrey em seus braços e encostou a cabeça na curva do seu pescoço, sentindo o seu cheiro e o calor de sua pele. Como sentira falta daquilo; mesmo que não pudesse tê-lo por inteiro, pois sabia que o coração do outro estava despedaçado, precisava senti-lo pelo menos mais uma vez. Seus braços fortes envolvendo seu corpo, seu gosto, seus toques...
Somente quando o mais velho parou de resistir, Jared segurou seu rosto com as duas mãos, o fazendo olhar em seus olhos.
- Eu preciso de você, Jeff. Uma última vez – Não esperou por uma resposta e o beijou com sofreguidão. Jeffrey quis resistir, mas acabou cedendo. Ao se dar conta do que estavam fazendo, interrompeu o beijo e segurou as mãos de Jared, que já avançavam pelo seu corpo.
- Não faça isso consigo mesmo, Jared – Falou com a voz ofegante, pelo beijo e pela excitação do seu corpo.
- Por favor, Jeff... – Jared sussurrou antes de retomar o beijo, sentindo a resistência do mais velho ir diminuindo aos poucos. Logo as mãos dele seguravam seus cabelos com um pouco mais de força e o beijo se tornou selvagem, urgente...
Jared sentiu o baque de suas costas contra a parede da sala e as mãos afoitas de Jeffrey lhe arrancando as peças de roupa sem nenhuma delicadeza. As mãos do outro lhe apertavam a carne de um jeito possessivo, e Jared gemeu alto ao sentir a boca dele percorrendo seu pescoço e ombros, mordendo e marcando sua pele.
Em mais de dois anos de relacionamento, já havia sido possuído e já possuíra Jeffrey de todas as maneiras, mas era diferente agora... O que via nos olhos dele era um misto de raiva, mágoa, decepção, desejo... Talvez tivesse sido mais um erro e fosse se arrepender depois, mas agora tudo o que precisava era senti-lo, era tê-lo para si e não importava como. Seu corpo inteiro pulsava de desejo e sentir aquelas mãos tão experientes lhe tocando, sentir o cheiro e o gosto salgado da pele de Jeffrey... tudo aquilo fazia com que se sentisse vivo novamente.
Jeffrey pressionava o próprio quadril contra o de Jared, se esfregando no corpo nu do outro, e quando Jared tentou colocar a mão por dentro da calça que o mais velho ainda vestia, foi impedido e teve seu corpo virado e forçado a se inclinar sobre o encosto do sofá. Suas pernas foram afastadas e sentiu a boca de Jeffrey beijar e morder suas costas e ombros, enquanto seus dedos habilidosos o abriam e preparavam, de um jeito que só ele sabia fazer.
As mãos fortes do mais velho o seguravam com força pela cintura, deixando as marcas dos seus dedos enquanto o penetrava. Por um momento, ambos se esqueceram de toda a mágoa, todo o sofrimento, deixando seus corpos apenas sentirem um ao outro. O calor dos seus corpos, o suor sobre a pele, os gemidos, a explosão de prazer quando o orgasmo os atingiu... Queriam que aquele momento durasse para sempre, mas a realidade podia ser cruel, às vezes...
- Eu deixei faltar algo pra você, Jared? – Jeffrey o abraçou por trás, apoiando a cabeça em seu ombro e perguntou bem próximo do ouvido do moreno, num fio de voz. A dor se tornando real novamente.
- Não, nunca – Jared se virou, ficando de frente para o mais velho, mas sem se distanciar. – Mas eu confesso que eu queria que você tivesse feito algo errado, pelo menos uma vez, ou que fosse menos perfeito, pra poder diminuir um pouco essa maldita culpa que eu estou sentindo – Jared deixou escapar um soluço, seu rosto estava banhado em lágrimas.
- Eu te conheço tão bem, Jared... Mas por mais que eu saiba que você escondeu certas coisas de mim com a melhor das intenções, isso não ameniza o que você fez. O Jensen, ele... Bom, ele é meu filho e se ele se tornou essa pessoa egoísta, se a cabeça dele é essa bagunça que aparenta ser, eu sei que muito disso é culpa minha. Eu não estive por perto quando ele mais precisou de mim, eu fui uma droga de um pai e eu simplesmente não sei como consertar isso. E agora ele está do outro lado do país e, provavelmente, eu o verei uma vez por ano... Talvez seja o preço que eu tenha que pagar, não é?
- Você me culpa por isso? Por ele ter ido embora?
- Não. Ele é adulto e, mesmo que esteja confuso, deve saber o que é melhor pra si mesmo. Ele sabia exatamente onde estava se metendo. O que eu estou querendo dizer é que... Jensen é meu filho e por mais que eu esteja magoado, por mais que eu tenha tido vontade de socar a cara dele por tudo isso, eu sei que essa mágoa vai passar e, mesmo que demore, algum dia tudo vai voltar ao normal, tudo vai ser como antes...
- Mas não comigo, não é?
- Eu não sei. Eu não sei se o que se quebrou pode ser consertado. Eu só sei que neste momento, eu preciso ficar sozinho - Jeffrey passou os dedos pelos cabelos do mais novo, depois pelo seu rosto, num leve carinho.
- Você não pode pelo menos tentar?
- Eu não consigo, Jared. Eu sinto muito - Jeffrey se afastou, ajuntou suas roupas e subiu as escadas, sem conseguir dizer mais nada.
Jared ainda ficou ali parado por um momento, vendo Jeffrey se afastar e sentindo a realidade lhe atingir feito um tapa na cara. Pegou suas roupas e foi para o banheiro se limpar. Encarou a si mesmo no espelho por alguns instantes e limpou os vestígios de lágrimas nas costas das mãos, sentindo uma vontade irracional de quebrar tudo o que havia por ali. Respirou fundo e molhou seu rosto, na tentativa de se acalmar e não fazer uma idiotice ainda maior.
Quando finalmente conseguiu se recompor, vestiu suas roupas, pegou sua mala e tomou um táxi até o apartamento de Tom Welling. Por sorte um dos dois colegas da faculdade que dividiam o apartamento com ele tinha saído recentemente, e Tom ainda não tinha conseguido ninguém para preencher a vaga. Jared tinha algum dinheiro guardado e conseguiria manter-se por algum tempo, até conseguir um emprego.
Nas noites seguintes, por mais que seus colegas o convidassem para sair, tudo o que Jared queria fazer era ficar sozinho. Tentava se entreter com os livros de medicina ou com a televisão, mas não conseguia pensar em outra coisa que não fosse Jeffrey.
As lembranças do último encontro só serviam para machucar ainda mais. Às vezes se perguntava se era assim que Jensen havia se sentido depois de terem transado. Não. Jensen devia ter se sentido muito pior, afinal, por mais que Jeffrey estivesse magoado e não fosse capaz de perdoá-lo, Jared ainda tinha certeza de que ele o amava. E esta certeza era a única coisa que ainda o fazia ter alguma esperança.
- x -
O trabalho com Misha estava indo muito bem, Jensen tentava se concentrar e dar o melhor de si. Pelo menos enquanto estava focado no trabalho, conseguia parar de pensar por algum tempo em Jared e no emaranhado de sentimentos confusos que atormentavam sua cabeça. Costumava ficar no escritório até tarde, usando o trabalho como uma espécie de fuga.
- Ainda por aqui? – Misha parou na porta do escritório de Jensen, que estava aberta.
- Pelo visto, você também – O loiro forçou um sorriso.
- Não, eu... Só vim buscar meu laptop, nunca me separo dele – Misha abraçou a maleta onde o carregava, brincando. – O que acha de largar essa papelada um pouco e sairmos pra tomar uma cerveja? Tem um ótimo bar aqui pertinho.
- Obrigado, mas eu... Acho que não estou com muito ânimo pra sair.
- Na verdade eu ando preocupado com você – Misha se aproximou e sentou-se na poltrona em frente a mesa de Jensen.
- Preocupado comigo? Por quê? – O loiro demonstrou surpresa.
- Você está aqui há algumas semanas e, apesar de eu apreciar muito o seu trabalho e o quanto você está focado nele... eu, é... eu sinto que você está infeliz. Parece deprimido, ou sei lá... Eu sei que não é da minha conta, mas...
- Eu estou com alguns problemas pessoais, mas não acho que isto esteja interferindo no meu trabalho, eu...
- Exatamente. Eu não disse que está interferindo, eu só acho que pode ser bom você sair um pouco deste escritório, espairecer... Eu sei que nos conhecemos há pouco tempo, mas, se precisar de alguém pra conversar... Eu costumo ser um bom ouvinte.
- Não sei se é uma boa ideia. Iria acabar com a boa imagem que você tem de mim – Jensen brincou. – E depois, eu não sei se falar a respeito ajuda, ou se só faz doer ainda mais.
- Já pensou em procurar ajuda profissional? Sabe, os psicólogos, eles fazem milagres.
- É tão grave assim? – Jensen sorriu, então voltou a ficar sério. – Na verdade, eu estou cogitando a possibilidade.
- Ótimo. Mas enquanto isso, vamos lá... – Misha se levantou, empolgado. – Vamos afogar essas mágoas com bebida.
Depois de algumas cervejas, já se sentindo um pouco mais leve, Jensen acabou conversando com Misha sobre o que acontecera. O moreno era realmente um bom ouvinte, não o olhava como se o estivesse julgando.
- Eu acreditei, ou quis a todo custo acreditar que houvesse algo mais, que o Jared também sentisse algo por mim, mas eu estava enganado. Não passou de uma tensão sexual pra ele, ou nem mesmo isso. E eu ferrei com a vida do Jared, com a do meu pai e com a minha própria por causa de uma transa.
- Você não fez isso sozinho – Misha sorriu.
- Não, mas... fui eu quem provoquei.
- E como ficou a sua relação com o Jeffrey depois disso?
- Tensa. Por mais que ele tente agir normalmente comigo, eu sei que ele está magoado, com toda razão. E eu sei que isso não vai mudar da noite pro dia. Eu devia ter pensado nas consequências antes, mas eu só pensei em mim mesmo, eu queria ter o Jared a qualquer custo – Jensen sorriu com tristeza e bebeu mais um gole da sua cerveja.
- E depois que teve? O que mudou?- Misha pensou estar sendo inconveniente com as perguntas, mas por outro lado, sentia que Jensen realmente queria ou precisava falar sobre aquilo.
- De imediato? Nada. Eu sabia o tamanho da merda que tinha feito, sabia que tinha ferrado com a vida do meu pai, mas ainda tentei alimentar a esperança de que o Jared escolhesse a mim, de que ele viesse comigo pra San Diego. Eu sei o que isso deve estar parecendo... Patético, não? – Jensen tinha os olhos marejados e ao mesmo tempo sentia vergonha de si mesmo.
- Eu não estou aqui pra te julgar, Jensen. Muito pelo contrário.
- Então cada vez que eu me lembrava do jeito que o Jared me olhou depois que transamos, tão perdido... cheio de culpa. E quando ele conversou comigo ao telefone, como se estivesse pisando em ovos, procurando as palavras pra dizer... Eu não sei em que momento eu me dei conta, mas quando a ficha finalmente caiu... Era como se eu soubesse o tempo todo, mas estivesse tentando enganar a mim mesmo, eu não sei explicar. Só sei que de repente eu tive certeza que eles se amam de verdade e que Jared nunca olhou, nem nunca vai olhar pra mim do jeito que ele olha pro meu pai. Mas o estrago já estava feito, o que mais eu podia fazer além de fugir?
- É uma situação delicada. Acho que no seu lugar eu teria feito o mesmo, às vezes é bom dar um tempo, pelo menos até as coisas se acalmarem. E eu imagino o quanto isso deva ser doloroso, mas, o fato de você enxergar as coisas e assumir que estava errado, já é um grande passo, Jensen.
- Isso não quer dizer que eu não tenha pensado em voltar a NY e sequestrar o Jared – Jensen brincou. – Acho que chega de eu falar da minha vida problemática, afinal, eu ainda não sei muita coisa sobre você.
Jensen chegou à conclusão que conversar sobre seus problemas com Misha – que até poucos dias era um completo desconhecido – era bem mais fácil do que com qualquer outra pessoa. Talvez fosse o fato de ele ser um pouco mais velho, ou então por ele ter aquele jeito despreocupado, Jensen não saberia dizer, mas gostava muito do sujeito e sentia como se já o conhecesse há tempos.
O moreno de olhos azuis, agora com 35 anos, já havia passado por muitas coisas na vida. Era divorciado, mas não tinha filhos e depois do divórcio, que tinha sido há três anos, tinha passado por vários relacionamentos problemáticos, tanto com mulheres como com homens.
A amizade e a cumplicidade entre os dois aconteceu de maneira muito rápida. Jensen ainda sofria pela culpa e pela falta de Jared, mas aos poucos, estava aprendendo a lidar com aqueles sentimentos. Como trabalhavam praticamente o dia inteiro juntos, Misha não o deixava desanimar. Cada vez que o via triste ou perdido em seus pensamentos, o moreno fazia alguma piada ou o distraía com algum assunto qualquer.
Jeffrey ligava pelo menos uma vez por semana, onde geralmente só falavam sobre o trabalho e outros assuntos sem nenhuma importância. Nas primeiras vezes, Jensen teve que se frear para não perguntar se ele e Jared haviam se reconciliado, mas mesmo sem perguntar, tinha certeza que não. Jeffrey era transparente demais; a falta de empolgação e a tristeza que carregava na voz o denunciavam. Depois de algum tempo, Jensen passou a desejar que eles reatassem, pensando que talvez aquilo pudesse ajudar a diminuir um pouco a sua angústia.
- x -
Jeffrey mal tinha chegado do trabalho na sexta-feira, quando recebeu a visita de Sarah, a mãe de Jensen.
- Sarah? Que surpresa! – Jeffrey forçou um sorriso. Nunca sabia o que esperar quando sua ex-mulher aparecia para visitá-lo, especialmente sem avisar. – Não sabia que você estava em Nova Iorque. Entre...
- Estou só de passagem, o Robert veio a negócios – Largou a bolsa sobre o sofá da sala e se sentou, parecendo um pouco cansada.
- O Jensen não está mais morando aqui, mas você já deve estar sabendo, não é? – Franziu o cenho, querendo saber o que ela tinha vindo fazer ali.
- Quanto tempo o Jensen pretende ficar em San Diego?
- Você não falou com ele?
- Ele apenas ligou avisando que estava indo viajar, nós mal conversamos. Ele nem sequer apareceu pra se despedir pessoalmente.
- Jensen está passando por um momento ruim, ele provavelmente irá te visitar quando estiver melhor – Jeffrey falou apenas para consolá-la, afinal, nunca sabia o que esperar do seu filho e a relação dele com a mãe era ainda pior do que a deles dois.
- Ora, Jeffrey, você bem sabe que ele nem ao menos se importa - Sarah deu de ombros. – Nunca se importou.
- Não. É isso que ele quer que pareça, mas no fundo, ele se importa sim. Ele usa aquele sarcasmo, aquela frieza toda como um mecanismo de defesa. Foi a maneira que ele encontrou pra lidar com... com a bagunça que nós fizemos. – Jeffrey se sentou no braço do sofá, suspirando.
- Que nós fizemos? Ou que você fez? – Sarah falou em tom de acusação.
- Nós dois temos a mesma parcela de culpa. Você fez de tudo para afastá-lo de mim depois do divórcio, além de ficar enchendo a cabeça dele com seus comentários homofóbicos. E eu fui tão relapso e deixei as coisas acontecerem da sua maneira. Nunca devia ter me afastado.
- Ele nem queria você por perto, Jeffrey.
- Você não me queria por perto. Vivia inventando desculpas pra não deixá-lo comigo. Eu nunca devia ter aceitado suas condições. Nós dois erramos e tentávamos compensar isso mimando o garoto e fazendo todas as vontades dele.
- Ele fez terapia por anos, devia ter ajudado em alguma coisa, não?
- Fez terapia pelos motivos errados. O problema dele nunca foi a nossa separação. Mas nós estávamos tão ocupados com nossas próprias vidas que sequer percebemos... – Além de doloroso, Jeffrey sabia que era tarde demais para constatar aquilo, mas de certa maneira o ajudava a entender as atitudes de Jensen.
- E você acha que jogar isso tudo na minha cara agora vai resolver alguma coisa? Vai mudar o que aconteceu? Ou vai transformar nosso filho numa pessoa melhor?
- Não. Eu só queria que as coisas tivessem sido mais fáceis pra ele. Mas ele irá acabar se encontrando, só precisa amadurecer e perceber que o mundo não gira somente ao seu redor.
- Quem diria, hã? – Sarah caminhou pela sala, observando que os retratos de Jared e Jeffrey juntos ainda permaneciam nos mesmos lugares.
- O quê?
- Você, sozinho nesta casa novamente.
- O Jensen te contou?
- Não, mas as notícias correm. Nem preciso dizer que eu te avisei, não é? – Um sorriso cínico brotou em seus lábios, quase cruel.
- Me avisou sobre o quê?
- Que esse garoto só estava interessado no seu dinheiro e nada mais. Provavelmente ele quis se garantir, caso não conseguisse ficar com você por muito tempo, teria o Jensen como substituto, afinal, ele é o seu único herdeiro, não é?
- Como você pode pensar assim? – Jeffrey balançou a cabeça, indignado.
- Meu deus Jeffrey, só você não quer enxergar as coisas.
- Eu nunca consegui entender por que você não gostava do Jared. Desde a primeira vez que o conheceu fez questão de demonstrar isso, mas tudo bem, você não tem obrigação nenhuma de gostar. Agora, dizer que ele estava comigo por interesse já é ir um pouco longe demais. Jared é a pessoa mais humilde que eu já conheci, ele nunca se importou com dinheiro ou riqueza.
- Ora, Jeffrey... Ele tem idade pra ser seu filho! O que mais ele podia querer com você? E isso está mais do que provado, afinal, ele te traiu na primeira oportunidade, não foi?
- Com certeza o que não faltou nesses dois anos foi oportunidades pro Jared me trair. Eu não vou perder meu tempo tentando te convencer do contrário, mas obrigado por refrescar a minha memória. Acho que eu andei tão magoado e com raiva esses dias, que acabei me esquecendo de quantas coisas boas eu e ele vivemos. Agora, se você já disse tudo o que tinha pra dizer, eu acabei de voltar do trabalho e estou cansado.
Quando Sarah finalmente foi embora, Jeffrey se encostou na porta, pensando em tudo o que ela dissera. O seu problema com Jensen, sabia que só o tempo iria resolver. O amava tanto e faria qualquer coisa por ele, até mesmo abrir mão de Jared, se isso o fizesse feliz. Mas de uma coisa tinha certeza: Jared não amava Jensen, e o seu filho, mais uma vez, teria que encontrar seu próprio caminho. Jeffrey só esperava que ele fizesse as escolhas certas desta vez.
Continua...
Resposta às reviews sem login:
Justine: Você tem razão quanto ao Jensen ser imaturo. Talvez esse tempo longe o ajude a se encontrar e dar um rumo pra sua vida. Meu Jeffrey é um fofo, né? Admita! Hahaha. Sofreu? Ownnn... pois é, Jeffrey foi traído e tem razão em estar magoado, não é algo que se possa perdoar com tanta facilidade. Mas vamos ver o que ainda aguarda esses três lindos, não? Rsrs. Beijokas! Obrigada por comentar!
sara2013: Perdoar uma traição não é algo muito fácil, não é? E Jared está arcando com as consequências dos seus atos, tadinho! rsrs. Beijos! Obrigada por comentar!
Nadine: Olá! Obrigada por confiar no meu trabalho! Desta vez, não acho que Jared seja a vítima. Ele errou feio e está arcando com as consequências pelos seus atos. Fico feliz que esteja gostando... Beijos!
Luluzinha: Para ser exata, a fanfic terá 14 capítulos. Uma hora tem que terminar, não é? Rsrs. Pois é, acho que o Misha vai fazer bem ao Jensen, ele está precisando de alguém que cuide dele, tadinho! Família é um negócio complicado, não? Mas a discussão serviu para algo bom, afinal. Ansiosa? Rsrs. Beijos! Obrigada por comentar!
Eve: Oi linda! Já discutimos a relação por DM e tenho que concordar: esta não é uma Padackles pura e simples. Gi não aprovaria! Rsrs. Obrigada por comentar e expor seu ponto de vista. Adoro demais! Ah, e nada de morrer antes do final da fic... hahaha. Beijos!
