Capítulo X – Desejos secretos

"Não venha antes disso, pois a sua incerteza machuca mais do que eu me sinto confortável em admitir..."

A voz de Rose ecoava em minha mente toda vez que sentia o impulso de procura-la. Isso ocorreu várias vezes, mas eu nunca cedi, pois aquelas palavras estavam cravadas na minha memória.

E não era justo; eu não tinha o direito de machucar Rosalie ainda mais, porque a verdade é que eu não tinha certeza do que eu queria e sentia. Ela fora clara como cristal: enquanto estivesse incerto, não deveria ir atrás dela.

Na realidade, eu estava achando que toda aquela confusão era apenas um surto, e que meu telefone tocaria alguns dias depois e seria Rose dizendo que havia exagerado. Isto, no entanto, não aconteceu.

Duas semanas se passaram e nenhum sinal de minha ex-futura-alguma coisa-noiva. Minha ficha foi cair mais ou menos uma semana após nosso último contato, e eu parei de esperar por algo que nunca viria.

Mas, como impõe uma das cruéis leis da vida, geralmente é quando você desiste que seu desejo se realiza.

Por volta de terça-feira da segunda semana seguinte, eu estava checando meus e-mails pela manhã quando meus olhos quase saltaram para fora da cabeça.

Abri a mensagem com apreensão, pois, vindo de Rose, que não era fã de e-mails como meio de comunicação, devia ser importante. Ou um vírus...

Enfim.

"Edward,

Já cancelei todos os preparativos do nosso casamento, com a exceção da parte de buffet. Estou muito atarefada e apreciaria se você pudesse fazer pelo menos isso, e o quanto antes possível."

Deixe por conta de Rosalie a habilidade de começar uma frase de modo educado e termina-la sendo sutilmente rude e imperativa.

Praticamente um "Por obséquio, será que você poderia morrer?"

Confesso que fiquei um tanto quanto magoado, não só com sua frieza, mas também com o fato de que nem se dera o trabalho de ligar.

Passei o dia seguinte inteiro fazendo ligações embaraçosas, cancelando o serviço de cada um dos profissionais. Se já não bastasse a vergonha de ter que responder sobre a razão de estar subitamente desistindo, eu ainda tive que fazer de novo... E de novo, e novamente, e outra vez. Se, na época que Rose contratou os serviços, nós não estivéssemos nos dando bem, eu suspeitaria que ela tinha planejado aquilo para me punir. Fora uma mulher para fazer os bombons, uma empresa para o jantar, outra empresa para as bebidas, outra para aperitivos, um chef pati-alguma coisa para umas sobremesas loucas, e, é claro, uma pessoa para fazer o bolo. E foi nesse último que eu encontrei dificuldades.

É claro que eu fiquei apreensivo e é possível que eu tenha procrastinado um pouco para ligar para Bella, mas esse não foi o meu maior problema. Eu liguei, liguei, mandei mensagens e e-mails e liguei mais algumas vezes. Não obtive resposta alguma. Quase considerei usar carta ou sinal de fumaça.

Mentira, nem considerei... Não sou tão idiota assim.

Toda vez que ouvia a caixa postal de seus telefones ou não encontrava uma resposta sua, fosse no celular ou no correio eletrônico, me lembrava do e-mail de Rosalie: o mais rápido possível.

E, conhecendo Rosalie, mais de cinco dias não era rápido.

Então, quando chegou sábado daquela semana e eu ainda não havia conseguido contatar Bella, eu percebi que o único modo de conversar com ela e fazer o que eu tinha que fazer seria pessoalmente. É claro que ela poderia bater a porta na minha cara, mas seria mais difícil para ela me ignorar.


Não sabia o que tinha naquela mulher que me deixava tão nervoso toda vez que havia o prospecto de lhe falar. Talvez por Bella ser tão misteriosa; dócil e amigável, porém fria e distante ao mesmo tempo. Simplesmente não dava pra saber o que ela realmente pensava e queria.

E não foi diferente no sábado à noite, quando fui até sua casa a fim de tratar de negócios. Abriu sua porta e, apesar do espanto inicial, logo colocou uma expressão neutra em seu rosto.

- Edward? O que você está fazendo aqui? – Perguntou – Você sabe que isso não é uma boa ideia.

- Bella, antes que você me mande ir embora com mais clareza, deixe-me te avisar que estou aqui te procurando profissionalmente. Ocorreu uma certa... situação e eu preciso falar contigo sobre o bolo do casamento.

- Oh... Claro... Ehrm... Entra? – Convidou-me com incerteza – Se importa se conversarmos na cozinha? Estou meio atrasada em um trabalho.

- Sem problemas – Respondi e a segui pelo caminho.

Sua cozinha estava... uma baderna. Massas assadas, massas cruas, coberturas, recheios, decorações e mais um monte de coisa que eu não fazia a menor ideia do que fosse.

- Desculpe a bagunça, eu realmente estou correndo contra o tempo.

Queria perguntar o porquê de estar tão atrasada, mas não tive coragem de puxar conversa; Bella claramente não dera abertura.

Começou a mexer uma vasilha cheia de chocolate que estava sobre a mesa no centro do cômodo, e, percebendo que não havia lugar limpo ou desocupado para me sentar, escorei-me ao seu lado, porém de costas para a superfície.

- Então, qual a situação que envolve o bolo? Querem mudar alguma coisa? – Perguntou.

- Er... pode-se dizer que sim, eu acho. Vim para cancelar o pedido – Falei em tom baixo e com o olhar fixado no chão.

Percebi seus movimentos pararem subitamente, e, quando olhei em sua direção, encontrei uma expressão levemente chocada em sua face.

- Oh... Entendo... É compreensível que vocês queiram mudar de confeiteira após o que ocorreu entre você e eu.

- Não! Não é isso – olhei-a com surpresa – Na verdade... Não vai mais haver casamento – Declarei encarando-a.

Seus olhos arregalaram, seu queixo caiu e, por um momento, Bella ficou sem reação.

- V-vocês... terminaram? – Questionou.

Na verdade, Rosalie havia terminado comigo, mas Bella não precisava saber dessa informação.

- Sim. Faz três semanas.

- Oh... uau... Isso parece meio... definitivo?

Na verdade, não muito...

Mas ela tampouco precisava saber disso.

- É...

- Nossa...

- Pois é...

Seguiu-se um momento de silêncio, no qual o clima do lugar tornou-se incrivelmente pesado, e nossos olhares se encaravam intensamente com um vigor quase insuportável. Aquela atmosfera densa estava ficando exaustiva, o ar aparentemente insuficiente para nossos pulmões.

Minha boca estava seca, então passei a língua por ela para aliviar a aridez. Naquele instante o olhar de Bella caiu dos meus olhos para meus lábios, exatamente ao mesmo tempo que eu notei os seus entreabertos. Durou menos de um segundo, e logo nossos olhares se encontraram novamente, mas fora suficiente.

A cena que ocorreu na sequencia é difícil de descrever, mas todos já a viram alguma vez na vida. É aquele momento em que os pensamentos de duas pessoas misteriosamente se sincronizam e, de repente, um está espelhando os sentimentos, os desejos e as ações do outro. É o momento em que um simples olhar transmite tudo que deve ser dito e entendido e, subitamente, aquela passividade torna-se demais para suportar e ambos, exatamente ao mesmo tempo, avançam em direção ao outro e se jogam nos braços alheios.

E foi isso que aconteceu. Em um segundo estávamos nos encarando, e no seguinte estávamos com os lábios colados, minhas mãos tomando seu rosto e as suas segurando o súbito impacto em meus braços.

Como todos os nossos poucos beijos, aquele era frenético, quase desesperado, e eu me perguntei se chegaria o momento em que esse ímpeto se acalmaria.

Quando seus braços subiram e se laçaram em torno do meu pescoço, minhas mãos pousaram em seus ombros, e, pouco a pouco, foram descendo pelas laterais de seu corpo. Nesse processo meus dedões roçaram seus seios, e imediatamente eu senti seus mamilos inturgescerem por baixo da fina camada de algodão de seu vestido. Bella arfou em reação ao meu toque, e então eu senti seus dedos subirem suavemente pela minha nuca e se entrelaçarem no meu cabelo, provocando um arrepio que percorreu todo o meu corpo e terminou bem no centro dos meus quadris. Não ajudou a minha situação quando suas mãos delicadas pegaram uma grande quantidade de fios pela raiz e os puxou. Com força.

Interpretei aquilo como um sinal de permissão e, com movimentos ágeis, pressionei seu corpo contra a mesa, rapidamente abrindo os olhos e passando o braço pela primeira parte da superfície que estivesse ocupada por algo não quebrável e não comestível. Um ruído agudo soou pela cozinha quando o que parecia um monte de bicos metálicos de confeitar atingiu o chão. Com o máximo de espaço que eu poderia liberar sem arruinar algo que Bella havia trabalhado duro para fazer, segurei sua cintura fina e suspendi seu corpo até que se sentasse na beirada da mesa. Desci as mãos até suas coxas, penetrando por baixo da saia de sua roupa. Apertei com vigor aquela carne macia e puxei suas pernas para os lados, separando-as e, assim, permitindo que eu me encaixasse ali no meio e colasse nossos corpos novamente.

Aquela bendita mesa possuía a comprimento perfeito para que a pequena forma de Bella se elevasse ao ponto que nossas pélvis se encontrassem exatamente na mesma altura, e ambos gememos com o contato "inesperado".

Eu podia sentir o calor radiando de seu centro, e, pouco a pouco, a razão estava deixando meu cérebro e sendo substituída por puro instinto. Na verdade, o único pensamento ligeiramente racional se passando em minha mente era o de 'eu quero, então eu posso'.

Desci minha boca por seu maxilar e pescoço, parando por ali para explorar aquele local sensível com beijos, lambidas e chupões. Seu doce cheiro de baunilha assaltou meus sentidos e o meu primeiro impulso, ao qual eu cedi, foi de cravar meus dentes em sua pele quente e tenra como... como a porra de um vampiro.

Por sorte meu comportamento primata não a assustou; muito pelo contrário, pareceu agradar bastante se eu for me basear em uma de suas mãos puxando minha cabeça de encontro ao seu corpo e a outra apertando meu bíceps.

Decidi dar um descanso para suas coxas antes que o sinal dos meus dígitos ficasse marcado ali – mesmo que eu suspeitasse que isso aconteceria de qualquer jeito – e movi minhas mãos para seu colo.

Enquanto lambia o local onde tinha mordido, tentando aliviar a ardência que devia ter causado, eu analisei qual era a maneira mais rápida e fácil de conseguir tocar seus seios sem a barreira de um pedaço de pano.

O tecido cobria o local com o formato de dois triângulos presos por alças que, infelizmente, cruzavam em suas costas, portanto simplesmente puxar aqueles dois fios para os lados estava fora de questão.

Situação examinada o melhor possível naquelas circunstâncias, voltei a beijar sua boca.

Instinto novamente tomou conta de mim e, quando eu vi, já tinha agarrado as alcinhas nas mãos e as puxado até que arrebentassem sua ligação com os bojos. Sim, pois retirar o vestido é para os fracos.

Aquilo provavelmente doeu um pouco, mas a surpresa superou qualquer outra sensação que Bella poderia ter tido.

Empurrou-me os ombros e rompeu nosso beijo, olhando-me com uma expressão de puro choque. Olhei-a de volta numa espécie de "poker face" e eu realmente estava esperando que ela me mandasse a mão na cara pela minha audácia. Mas sua reação, como sempre, me surpreendeu.

Mudando a expressão para uma de determinação e, atrevo-me a dizer, um pouco de malícia, e fitando-me no fundo dos olhos, levou suas aparentemente delicadas mãos até a lapela da minha camisa, penetrando os dedos nos espaços entre os botões e, subitamente, puxou o tecido para lados opostos, descendo pela extensão da peça até que todos os botões tivessem sido arrancados. Olho por olho, dente por dente, eu acho.

Leves barulhos de plástico quicando contra azulejo soaram, e, dessa vez, quem ficou estupefato fui eu. Isso, porém, durou apenas um breve momento, e logo eu sorri com a mesma malícia que Bella havia demonstrado há apenas alguns segundos.

Pude, então, finalmente focar minha atenção no par de divindades que eram seus seios; ligeiramente pequenos, porém de aparência deliciosa e formato perfeitamente arredondado.

Minha boca se encheu de água e meus dedos contraíram-se de anseio. Não perdi outro segundo apenas contemplando e ataquei meu alvo, abocanhando um e apalpando o outro. Enquanto lambia e sugava um mamilo, comprimia o outro e então, ao mesmo tempo, mordisquei o biquinho que tinha entre os lábios e torci levemente o que se encontrava entre meus dedos. Bella quase gritou em reação a isso e, novamente, encorajou-me com sua mão puxando-me em sua direção.

Àquela altura minha razão e consciência já tinham feito as malas, dado adeus alegremente e, juntas, partido em um trem para muito, muito longe.

Foi nesse estado mental que eu decidi fazer o que fiz em seguida, quando desci minha mão por sua barriga até que essa estivesse espalmada no ápice de suas coxas.

Arfei em satisfação e admiração quando pude sentir, mesmo por fora de sua calcinha, uma umidade mais que notável.

Sim, meu caro, foi você quem provocou isso.

Aparentemente, quando não estava raciocinando direito, meu ego inchava juntamente com... Bem, com o resto, se é que estou me fazendo entender.

O único sinal de permissão a mais que eu poderia ter e desejar veio logo em seguida, quando as mãos de Bella foram até meu cinto e começaram a desafivela-lo.

Seus olhos estavam meio desorientados, desfocados, como se não fossem capazes de se concentrarem em algo remotamente racional. Eu entendia perfeitamente o sentimento, pois era como eu também estava me sentindo. Foda-se a razão.

Em um instante o botão e o zíper da minha calça estavam abertos e eu me apressei em também abrir passagem. Naquele momento eu desejei que existissem calcinhas com aberturas no centro, porque... né... Em frente a tal obstáculo eu resolvi pela solução mais prática, que era simplesmente "arredar" o tecido para o lado. Bella já estava forçando meu cós, juntamente com a minha cueca, para baixo e eu estava desesperado; não havia tempo ou disposição.

Eu não pensei, eu não perguntei e eu não pedi permissão - nada disso me pareceu necessário naquele momento. Eu apenas fiz o que meus instintos me mandavam, passando os braços por baixo das coxas de Bella e puxando seu corpo mais para perto até que eu estava dentro de seu corpo.

Meu queixo caiu, meus olhos se reviraram e, nisso, eu só consegui perceber a reação sonora de Bella, que, por um acaso, foi igual à minha: uma mistura de gemido com arfada devida à súbita nova sensação. Pode soar clichê, mas ela era tão apertada...

Quando olhei para seu rosto, ela estava com o lábio inferior entre os dentes e me encarava com olhos nublados. Não perdi tempo e comecei a me mover rápida e fortemente, trazendo a fricção que ambos desejávamos e necessitávamos.

Suas mãos espalmadas um pouco atrás de seu corpo suportavam seu tronco enquanto eu segurava o resto de seu peso e movimentava nossos quadris na dança mais extasiante que existe.

Seus seios balançavam da forma mais sexy toda vez que meu corpo impactava com o seu e a base do meu membro encontrava sua abertura molhada.

Nos transformamos em uma bagunça de respirações ofegantes, grunhidos e gemidos e, naquele vai e vem magnífico, não demorou para que eu sentisse que estava perto do clímax.

Por mais alienado que minha mente estivesse naquele momento, eu tive a decência de pensar que Bella também tinha de ter seu prazer. Eu precisava que ela também chegasse lá.

Puxei seu joelho esquerdo e enlacei sua perna em torno do meu quadril, libertando um de meus braços e permitindo que eu o levasse para onde estávamos unidos e começasse a trabalhar seu clitóris com o meu dedão. Comecei a esfregar seu pequeno botão de nervos da maneira que eu sabia que a levaria ao ápice comigo.

Bella soltou um som de surpresa e prazer e logo sua respiração conseguiu ficar ainda mais arquejada.

O problema é que a nova posição prejudicava a penetração, de forma que eu não conseguia alcançar a profundidade anterior, a qual eu sei que ambos muito apreciávamos.

Procurando remediar a situação, comecei a mover meu braço para que ajeitasse seu quadril, mas senti as unhas afiadas se cravarem em meu antebraço e o segurarem no lugar.

Olhei para o rosto de Bella em dúvida e encontrei olhos implorantes.

No momento seguinte eu pude entender sua reação, quando seus olhos se apertaram e, de repente, sua cabeça caiu para trás, um longo, maravilhoso e sensual gemido escapando de seus lábios. Seu corpo inteiro se paralisou por apenas um instante e então cada membro e cada músculo estremeceu em êxtase. Seu orgasmo fez com que seu sexo apertasse o meu de uma maneira que eu só sei descrever como incrível, e então eu também estava gozando com uma intensidade que havia experimentado poucas vezes na vida, sons animalescos saindo de minha boca e meus movimentos tornando-se erráticos.

Creio que eu nunca havia levado tanto tempo para recuperar meu fôlego quanto naquele momento. Exceto, talvez, por uma vez em que Jasper e eu apostamos em quem iria mais rápido do bar até meu apartamento. Não me pergunte por que fizemos isso; estávamos bêbados e geralmente isso basta.

Enfim, lá estava eu, ainda ofegando um pouco, mãos espalmadas na mesa e cabeça apoiada na clavícula de Bella enquanto ela se segurava com os braços em volta do meu pescoço.

- Hum... Edward? – Disse Bella após alguns instantes naquela posição, quando sua respiração já estava sob controle.

- Hmmmm – Apenas grunhi, sem muita disposição para mais que aquilo.

- Eu estou meio... um pouco... er... desconfortável nessa posição – Falou com receio.

Só então eu parei para pensar que a coitada estava com a coluna toda torta ao se segurar daquele jeito.

- Oh... Claro! – Falei estupidamente enquanto nos endireitava.

Movi meus braços para que segurassem seu corpo pela cintura e suas mãos deslizaram até ficarem pousadas sobre meus ombros.

Um olhar em seus olhos e eu me encontrava no que foi, provavelmente, o momento mais constrangedor da minha vida.

E agora? O que eu falo? O que eu faço?

- Hum... Então... – É, muito inteligente, Edward.

Bella não segurou uma pequena risada às custas de minha estranheza, mas logo ficou séria novamente e pareceu estar pensando em algo importante.

Depois de um momento ela pareceu tomar uma decisão e rompeu nosso contato.

- Eu... Hum... Acho que vou trocar de roupa... – Internamente eu sorri com malícia, lembrando-me da razão pela qual ela precisava fazer aquilo – Já volto, ok?

- Hum... Ok... – O que mais eu poderia dizer?


Bella demorou uns bons dez minutos para trocar seu vestido rasgado, e eu cheguei a ter a insana suspeita de que ela simplesmente fora dormir e me deixara ali no vácuo. Mas é claro que aquela não era a verdade, já que ela não parecia nem perto de ir dormir quando eu cheguei; ela ainda tinha muito trabalho a fazer, com ou sem a minha intervenção.

Quando ela finalmente ressurgiu na cozinha, vestindo outro vestido parecido com o falecido e com os cabelos ainda presos em um nó – suspeito que por motivos de higiene -, eu havia catado os bicos de confeitar que jogarano chão e os colocado na pia, aonde eu, agora, começava a lavá-los.

- Edward, você não precisa fazer isso – Disse Bella.

- Claro que preciso. Fui eu quem os jogou no chão, não foi? – Sorri meu melhor sorriso torto para ela, mas não pareceu surtir muito efeito. Estranho...

Bella continuou calada e me olhando com olhos incertos.

- Está tudo bem? – Perguntei.

O silêncio de sua boca prosseguiu por mais um pouco quando, com os olhos pregados no chão, ela suspirou e me respondeu.

- Eu... Não, não está – Olhou para mim quando terminou sua frase.

Ansiedade subitamente me possuiu. Aquela mulher era um poço de bipolaridade e ficar a par de seus humores estava se mostrando quase impossível.

- Por quê? – Questionei simplesmente.

- Nós... Nós não... Isso foi um erro, Edward.

Ao ouvir suas palavras, a ansiedade que eu sentia se transformou em raiva. Muita raiva.

- Ah não, Bella! Não me venha com esse discurso novamente! Isso já tá ficando repetitivo!

Eu achei que estava nervoso, mas, na verdade, estava era muito calmo comparado a como Bella ficou após o que eu falei.

- Repetitivo? Eu vou te contar o que está ficando repetitivo, Edward: isso, eu e você fazendo coisas que não devíamos fazer; isso sim está ficando repetitivo!

Puxei o ar com força e soltei com a mesma intensidade, procurando me acalmar e ter uma conversa civilizada.

- Bella, eu e Rosalie não estamos mais juntos; eu te contei e não creio que você tenha se esquecido disso. Então, pelo amor de Deus, o que há de errado com o que acabamos de fazer? Pois eu não consigo ver... A não ser, é claro, que você seja comprometida – Falei com leve sarcasmo.

- Mas é claro que não! – Respondeu-me indignadamente.

- Pois então...

- Olha... Não tem nada a ver com estado civil, ok? O negócio é que isso que aconteceu simplesmente não é da minha índole. Eu não saio por aí transando com caras na primeira oportunidade que me aparece. Nós nos beijamos enquanto você ainda estava com Rosalie e aquilo foi um outro nível de errado, mas isso aqui também não deixa de ser. Quer dizer, que tipo de mulher beija o cara duas vezes, as quais nem deviam contar, e depois já transa? Que três encontros que nada, aparentemente eu não preciso de nenhum mesmo!

Sério? Aquele era o problema? Eu começava a suspeitar que Bella não era tão segura de si como demonstrava ser.

- Olha, Bella, se a sua preocupação é com o que e estou pensando sobre isso, sobre o seu comportamento, então pode relaxar; eu realmente não penso menos de você só porque nós transamos tão... hum... subitamente. Eu queria e, corrija-me se eu estiver errado, mas você também queria, e não há nada de errado com isso; pelo menos não devia haver.

- Eu agradeço, Edward, mas de que adianta você não me julgar quando eu mesma estou me condenando? O problema aqui é a minha consciência, e, no final, é com ela que eu tenho que conviver. Portanto me desculpe, mas eu não consigo relaxar quando minha mente está gritando "vadia, vadia, vadia" para mim depois dos meus... er... atos.

Percebi então que havia, de fato, um problema, e que este não tinha nada a ver comigo ou com o que eu pensava, e isso só complicava as coisas. Como fazê-la entender que não havia nada demais no que tínhamos feito se seu próprio cérebro lhe dizia o contrário? Mas eu precisava pelo menos tentar; não podia deixa-la pensando tão pouco de si mesma por algo que não passava de mais uma das estúpidas regras que a sociedade impõe.

Seguiu um momento de silêncio enquanto eu pensava em uma solução para aquilo.

Aproximando-me de Bella, levei a mão até a lateral de seu pescoço e acariciei o local com o dedão.

- Eu tenho uma ideia – falei olhando no fundo de seus olhos – Ajudaria a remediar essa situação se nós meio que começássemos de novo? Quero dizer, com todo o lance de encontros e etc?

Por um instante ela me pareceu surpresa com a sugestão, mas então parecia estar pensando no caso.

- Nós podemos seguir a regra dos três encontros¹, se quiser... Ou mais, tanto faz – Falei quando ela demorou para responder.

Após mais alguns segundos, um sorriso apareceu em seus belos lábios.

- Está me convidando para sair, Edward? – Disse em tom de brincadeira.

E foi então que eu soube que conseguiria consertar a situação.


¹: Essa regra consiste em não fazer sexo até que o casal tenha se engajado em três encontros