Silêncio. O choque dominou todos, sinto um aperto enorme no peito como se uma mão apertasse meu coração com toda a força, meus olhos começam a marejar e solto um soluço involuntário. O barulho pareceu despertar reações ao redor, Gaara dá um soco na mesa e ela quebra, olho para Naruto que está com os olhos marejados também, ele ainda está parado no arco da porta.

O primeiro a reagir é Shikamaru que manda Kankuro reunir alguns guardas e ir para o prédio atrás de Ino, com isso Gaara sai de seu torpor e desaparece em meio a uma nuvem de areia. Seu chakra está descontrolado, chamo Naruto e Sasuke e vamos atrás dele, em meio a confusão, torpor, medo e raiva, somente rezo para que minha amiga esteja bem.

Tudo é um borrão, as pessoas ficam receosas pela movimentação, estou atrás de Naruto quando finalmente alcançamos o prédio — o que pareceu uma eternidade, mas deve ter sido somente minutos. Levo um baque pela destruição do lugar, é quase impossível Ino ter sobrevivido a isso. O último andar está sendo consumido pelo fogo, a estrutura do prédio está precária, Kankuro já está com alguns shinobis ajudando a apagar o fogo, começo a sentir um tremor na terra e todos acabam se afastando um pouco. Gaara faz o jutsu Suspensão do Deserto e voa a procura de Ino e, de repente, sobe uma parede de terra em volta do prédio nos impedindo de entrar e cerca de cinquenta ninjas a rodeiam. Parece que o tempo para por instantes, nós olhamos pra eles e, eles nos olham, procurando saber quem fará o primeiro movimento. Quem morrerá primeiro?

E como sempre, Naruto foi o apressadinho fazendo um clone para ajudá-lo no Rasengan, Sasuke o seguiu, um cobrindo o outro na luta, é bonito vê-los. Olho para cima e encontro Gaara ainda procurando Ino.

Quando foco novamente à frente, um ninja vem em minha direção, ele lança algumas kunais que desvio facilmente. Concentro chakra em minhas mãos e corro em sua direção, quando começo a chegar perto dou um salto e caio dando um soco potente no chão o que faz uma cratera e algumas rachaduras em volta, desequilibrando os ninjas e dando vantagem a nós.

A luta segue, a maioria dos ninjas inimigos estão no chão, mas parece que nunca acaba, que saco! De repente, começa a se formar uma onda de areia ao nosso redor, olho para cima e só me vem uma coisa à mente: "Fudeu! Gaara não achou Ino". Ele está com raiva e isso não é bom. Ele está fazendo o jutsu Caixão de Areia, procuro Naruto e os outros e estão todos correndo para longe, começo a correr também, mas o cara com quem estava lutando segura meus pés já que ele estava escondido em baixo da terra, tento me soltar e não consigo. Sinto braços fortes me rodeando e quando viro para ver meu salvador, me deparo com olhos vermelho sangue e um Sharingan que parece ler minha alma.

Ele me pega no colo e corre para longe daquela loucura, assim que estamos longe o suficiente conseguimos sentir o baque do jutsu de Gaara. Tento me soltar do agarre de Sasuke, alguém precisa conversar com Gaara e fazê-lo parar.

— Sasuke, me solta. Alguém precisa fazê-lo parar! — Digo me debatendo, mas seu agarre sobre mim é forte e para me libertar teria de machucá-lo e não quero fazer isso.

— Sakura, presta atenção nele, acha que teria chance de chegar perto antes que você se machuque? — Questiona. Eu não quero aceitar isso, mas realmente não tenho muita escolha ele está fora de si. De repente passa por nós um vulto laranja, que só pode ser Naruto. Provavelmente com a mesma ideia que eu, a diferença é que ele pode talvez, ser o único a alcançar Gaara nesse momento.

Enquanto Naruto tenta parar Gaara, vemos o prédio desabar de vez, mas tem algo errado, ele foi destruído de dentro pra fora. Surgem dois gigantes de tinta... Espera, eu conheço esse jutsu, é do Sai.

— Sasuke! É o Sai! — Vou correndo até onde há poucos minutos era um prédio e os gigantes somem, Sai aparece com algo nos braços.

Assim que chegamos perto um do outro percebo o que é, Ino em seus braços. Oh, Kami-sama, obrigada! Sai está um pouco ferido, mas pelo jeito não é nada grave. Ele a coloca deitada no chão e se afasta me dando espaço para examiná-la, Sasuke que está perto de mim faz um Kage Bunshin para avisar Naruto, enquanto ele e Sai conversam. Até porque, o que ele está fazendo aqui?

Começo a examinar Ino e não gosto nada do que vejo, duas costelas do lado esquerdo trincada, ombro do mesmo lado deslocado, algumas marcas roxas pelo corpo como se tivesse apanhado e, ao que tudo indica, hemorragia interna e é aí que começo a me desesperar. Tudo que me vem à mente são as complicações que podem ocorrer em um futuro muito próximo, fora os bebês, posso senti-los mas preciso averiguar.

— Sasuke, preciso levá-la ao hospital agora! — Tentei disfarçar, mas ainda assim minha voz tem um toque de pânico. Ele corre para o meu lado.

— Sakura o hospital está longe, ela consegue aguentar?

— Não, ela está com hemorragia interna. — O encaro desesperada. Não sei o que fazer, é minha amiga, minha irmã que está morrendo em meus braços e... Porra, Sakura! Você é médica, se concentra. Lembro-me de Tsunade me treinando para ocasiões como essa: "Esqueça o enfermo à sua frente, foque no que a pessoa tem e em como você pode curá-la. Seja fria por dentro e por fora o tempo todo, só assim vai poder pensar com racionalidade ao invés de depois ficar se lamentando pelo que podia ter feito".

Certo, primeiro preciso ficar calma, olho para Ino desacordada e sei que ela faria tudo que estivesse ao seu alcance por mim. Fecho os olhos e respiro fundo, treinei para isso, sei que posso e que não vou entrar em pânico como da primeira vez com Shiro. Começo a calcular todas as possibilidades e chances para ela chegar estável ao hospital, os fetos podem ajudar ou prejudicar mais ainda a situação, e ainda tem a questão da pré-eclâmpsia, por mais que ela esteja se cuidando e fazendo o tratamento certinho o risco é muito grande. Uma ideia começa a se formar, é arriscado, mas é a única chance.

— Sasuke, preciso que faça uma coisa, vou invocar Katsuyu e você vai transferir um pouco de seu chakra pra ela. — Falo enquanto começo a invocação, percebo Shikamaru chegar perto de nós.

— Sakura pede para o Naruto fazer isso, preciso do Sasuke aqui comigo. Temos que descobrir quem fez isso...

— Como se nós não soubéssemos quem fez isso, Shikamaru! Ino está morrendo e preciso ir com ela o mais depressa possível a um hospital. — OK Sakura, respira eles não tem culpa do seu stress. — Desculpa, o estado dela é critico.

— Tudo bem, eu sei, ela também é minha melhor amiga Sakura, não sei o que será de mim sem ela, mas precisamos ser racionais e fazê-lo pagar por isso. Sasuke, seu clone ainda está com Naruto? — Ele acena. — Mande Naruto vir pra cá junto com Gaara, assim se algo der errado ele pode segurá-lo. Você e eu vamos descobrir quem fez isso.

Invoco Katsuyu em uma forma bem menor que a original, Naruto chega logo com Gaara atrás dele. Ele está chorando quando chega perto de Ino, tenta abraçá-la, mas o impeço.

— Por favor. — Ele pede.

— Sinto muito Gaara, ela está muito mal, qualquer movimento brusco pode piorar a situação. — Justifico, sei a dor dele, mas não posso arriscar. — Naruto, transfira um pouco de chakra para Katsuyu. — Ele acena e começa a transferência, ela reclama um pouco por causa do chakra da Kyubi. —Certo, Katsuyu, preciso que a mantenha estável até chegarmos ao hospital. Vamos.

Saímos em disparada, meu coração a mil esperando que tudo de certo.

— Sakura-chan, por que não deu um pouco do seu chakra? — Naruto pergunta.

— Porque preciso dele todo para cuidar dela quando chegarmos ao hospital, se transferisse um pouco que seja para a Katsuyu, poderá me fazer falta depois.

— Entendo.

~~Shikamaru~~

— Sasuke, vamos nos separar. Eu vou pela direita e você pela esquerda, assim cobrimos mais a área. — Ele acena em concordância e sai.

Enquanto Sakura cuida de Ino, vamos tentar descobrir quem causou a explosão, tá na cara que foi a mando de Hoki, mas ele não sabe no problema em que se meteu. Sigo para o andar em que Ino estava. É difícil distinguir alguma coisa, está tudo destruído, as paredes pretas pela fumaça e fogo, o cheiro de queimado perdura no ar.

Caminho pelo andar observando ao redor, analisando algo que possa estar errado nessa cena. Percebo que a parte mais destruída é a cozinha, parte do teto caiu e está misturado com os escombros dos móveis e eletrodomésticos, o foco de maior destruição é aqui. Procuro pela mais provável causa da explosão, o gás e, como imaginei, foi a causa de tudo, ao que parece o gás explodiu e o fogo se espalhou pelo lugar rapidamente. Enquanto analiso a mangueira percebo que ela está cortada quase na base, como imaginei não foi acidental.

Estou tão focado que levo um susto quando escuto alguém me chamar, me viro e vejo que Sasuke se juntou a mim na cena principal, em dois vai ser mais rápido para analisar tudo. Quem sabe encontramos alguma pista de quem possa ter feito isso.

— Não achei nada lá em baixo. As portas estão normais, nenhum sinal de arrombamento, as janelas também, mas apagaram as últimas duas horas das fitas de segurança. Mais tarde vou analisá-las melhor, o que posso presumir é que Ino deixou a pessoa entrar, ou seja, é alguém que conhecemos.

— Alguém que conhecemos? Isso quer dizer que é alguém próximo, não temos muitos amigos na Vila, vamos ter que revisar os passos de cada um que são próximos. — Digo, isso vai ser problemático demais. Uff! Suspiro exasperado por toda essa dor de cabeça. — O gás foi a causa da explosão, cortaram a mangueira quase na base. Quem pode ser o traidor no meio de nós? — Começo a pensar alto. — Tem que ser alguém que ou é do nosso círculo íntimo ou tem acesso a nós. Não, tivemos muito cuidado para vir aqui e revezando no cuidado de Ino. Então nos sobra Gaara, só pode ser alguém próximo a ele ou que talvez o estivesse seguindo, mas do jeito que ele é paranoico teria percebido, ainda mais quando se trata da segurança de Ino. — Viro-me para Sasuke, que me olha com uma sobrancelha arqueada. — É alguém de confiança dele. — Concluo.

— Bom, tenho que te informar algo, não deu tempo antes com toda essa confusão... — Ele reporta o que aconteceu com Miuzo-sama.

— Talvez tenha sido ele que veio aqui... — Começo, mas Sasuke me interrompe.

— Impossível, não teria dado tempo fora que ele está machucado. Mas ainda assim, não confio plenamente nele.

— Certo. Você deixou alguém de olho nele?

— Um anbu.

— Mais tarde vou falar com ele, quero saber algumas coisas. — Ele acena. — Vamos dar mais uma olhada, se não acharmos nada vou ao hospital ver Ino.

Sasuke concorda e enquanto vai para o quarto eu fico com a sala, essa parte da casa era um ambiente aberto, da cozinha dá para ver a sala perfeitamente, já que invés da parede havia uma bancada de mármore branco (que agora está preto e rachado) separando os cômodos e do lado esquerdo do sofá fica uma porta de vidro que dá acesso à varanda. Como ainda estou na cozinha observo a destruição na sala... Tem algo errado. O foco da explosão foi a cozinha o restante somente pegou fogo, o teto da sala está intacto, então porque os móveis estão uma bagunça?

— Sasuke! Vem aqui na sala. — Chamo. Ele sai do corredor onde ficam os quartos e para no arco me olhando questionador. — Olha para a sala, tem alguma coisa errada. A explosão foi na cozinha, tanto que é o lugar mais destruído, mas o restante só foi consumido pelo fogo. Mas esses móveis estão fora do lugar, como se... Ino lutou com alguém! — Afirmo.

— Isso quer dizer que a pessoa não a desabilitou assim que entrou, mesmo com tudo queimado, dá pra ver que houve uma briga aqui, a pessoa deve ter achado que queimando tudo não perceberíamos.

— E talvez esperasse que encontrássemos o corpo de Ino na cozinha? — Questiono, por isso gosto do Uchiha, ele consegue acompanhar meu raciocínio.

— Provavelmente... Espere, o que é isso? — Ele caminha até onde antes ficava a mesa de centro e pega alguma coisa do meio dos escombros. — É um relógio.

— Ino não usa relógio, deixe-me ver. — Limpo com as mãos o que posso, parece um relógio bonito alça de couro preto aro de ouro, a cor do mostrador é um marrom e no lugar de alguns números tem diamantes. — Esse relógio é feminino, mas tenho certeza que não é da Ino.

— Tem certeza?

— Sim, já percebeu que ela sempre pergunta a hora para alguém? Ela não gosta de usar relógio, diz que enrosca em tudo e quebra muito fácil quando precisa lutar.

— E agora o que quer fazer?

— Primeiro vamos ao hospital, depois preciso dar uma palavrinha com Miuzo-sama e depois procurar quem possa ter perdido um relógio. — Ele acena e saímos do prédio. Agora sim estamos perto de você Hoki.

~~Kaguya~~

Droga! Aquela vaca conseguiu me fazer alguns estragos, se alguém me ver assim vai saber que fui eu! Meu rosto está arranhado, assim como meus braços. Hoki está na Vila e me convocou ontem, me passando a "missão suicida" como chamo, ele só pode estar querendo que me descubram, não é possível! Como ele pode fazer isso comigo? Tá legal Kaguya, se acalma.

Chego em meu apartamento e procuro a caixa de primeiros socorros, preciso dar um jeito nessa bagunça e não posso ir ao hospital. Tomo um banho, faço os curativos e me arrumo. Ainda assim, só se forem cegos para não ver isso. Droga! Hoki está louco, ele não aguenta mais os shinobis de Konoha atrapalhando seus planos, e teve a brilhante ideia de matar Ino para dar um recado, mas estou com medo do troco. Ele está sendo impulsivo e pode pôr tudo a perder, preciso dar um jeito nisso. Agora que a matei vou esperar e ver o que eles fazem, se Hoki estiver certo, o Kazekage vai pirar e com isso teremos vantagem sobre seus atos.

Ouço a janela da sala se abrindo, como estou sentada na cama abro a gaveta do criado mudo e pego uma kunai que deixo de reserva, me escondo atrás da porta do quarto e espero. Seja lá quem for. Passos suaves se aproximam devagar, como escondo minha presença a pessoa não deve ter ideia que estou aqui, fora que ouço somente uma pessoa, posso dar conta tranquilamente. Procuro sempre fugir de lutas, não faz muito meu estilo, gosto de espionar, mexer de perto com as pessoas sem elas terem ideia de quem pode ser.

Assim que a pessoa passa por mim a pego em uma chave de braço e a Kunai em seu pescoço, mas antes que possa matá-la, sinto aquele perfume tão conhecido e delicioso, os cabelos macios e a pele branquinha.

— O que você faz aqui? — Questiono assustada, não era pra ele estar na Vila.

— Precisamos conversar. — Diz se virando quando o solto. — Está machucada, isso quer dizer que foi você que atacou Ino. Por quê?

— Hoki. Ele chegou anteontem e me passou a missão de matá-la. Eu não sei exatamente a jogada dele, mas está cutucando onça com vara curta na minha opinião, contudo sou somente uma subordinada e tenho que fazer o que ele manda...

— Calma Kaguya, por que de toda essa agitação? — Ele me interrompe.

— Isso vai estragar meu disfarce em xeque, não vê? Quando eles me verem irão desconfiar. — Passo a mão pelos cabelos nervosamente e caminho pelo quarto sem direção certa.

— E você a matou?

— Sim. Eu cheguei dizendo que o Kazekage havia me enviado para levar algumas compras, ela desconfiou no começo, mas acabou me deixando entrar no prédio, tentei sedá-la, porém ela percebeu e tentou lutar. Tive sorte dela não ser tão boa em taijutsu e por não poder usar chakra. — Digo seguindo para a cozinha fazer um chá calmante antes que meus nervos pulem pra fora.

— Entendo. E o que pretende fazer agora? — Ele está me sondando? Por quê? O olho desconfiada e digo apenas parte da verdade, dois podem jogar esse jogo.

— Preciso voltar ao escritório ou irão desconfiar se sumir por muito tempo. Vou ter que esconder com maquiagem esses machucados. E você, o que está fazendo aqui?

— Sigiloso. — Responde evasivo.

— Certo. Sua presença não me atrapalhando, tudo bem.

— Não tenho por que te atrapalhar, até porque temos importâncias diferentes para Hoki. — Diz, mas algo nessa frase me incomoda muito, claro que sempre percebi que Hoki tem grandes planos pra ele. — Bom, tenho que ir. Ah, mais uma coisa, não estrague nada. — E sai, olho chocada para o lugar onde ele estava há um minuto. Como assim "não estrague nada"? O que está para acontecer? Apesar de ser fiel minha vida toda a Hoki, ele nunca olhou realmente pra mim. Sempre estive a sombra dele, isso nunca me incomodou tanto antes, agora já não sei mais.