Oi pessoal, arrumei um tempinho, consegui editar o capítulo, e vejam só, mais um a ser postado! Nossa, eu escrevi e reescrevi esse, não sei porque, mas tinha algo que eu achava que não estava do jeito que eu queria... Essa parte da história é muito importante para mim, assim como os dois próximos que virão, então tinha que estar completinho, e eu ainda acho que não está no ponto que eu queria, mas está próximo, pelo menos, e bem, ficou bem bonitinho, como a história deve ser (ao menos por enquanto...)!

AVISO: Hentai light.


A Minha Queda Será por Você

Capítulo 12 – Um beijo entre as pétalas


Ao fim do caminho de pedras, distante do palácio, havia uma praça, como o resto do reino toda esculpida em cristal. Em seu centro, havia um chafariz com a imagem de Nova Rainha Serena a segurar um vaso por onde caía a água, aos lados bancos, balanços, flores e grama. Diamante parou em frente à escultura e ficou a olhá-la, Crystal, ainda abraçada ao seu braço também a olhou, depois baixou os olhos para água, onde via seu reflexo. Mais uma vez, o coração apertava. Respirou fundo e afastou-se, não querendo mais olhar para a própria imagem ou a da avó. Ainda pensava sobre as coisas que vivera em Ilusão e sobre as palavras ouvidas. O príncipe notou seu afastamento já que seu braço pendeu livre.

— Princesa, o que houve? — parou de contemplar a grande estátua para olhar a menina, novamente não podia deixar de comparar as aparências de Crystal e Serena, porém, seus olhos percebiam a forte singularidade da nova princesa e sentiam-se atraídos por ela.

— Ah, não é nada... — abriu um pequeno sorriso — Mais adiante tem uma estufa com vários espécimes de flores. Gostaria de olhar?

— É claro. — sorriu também, discreto. — Gosto de flores.

— Então vamos! — imediatamente, recuperou a euforia de sempre, segurou-o pelo braço novamente e o puxou.

Diamante se deixou levar pela jovenzinha entusiasmada. Enquanto caminhavam lado a lado, o príncipe apreciava toda a beleza à sua volta, não estava acostumado com tanta natureza, tampouco com a luz do sol que o fazia comprimir os olhos... E menos ainda, com aquela alegria e espontaneidade que o cercava. Adorava tudo aquilo... Ao olhar para a grama verde recordou-se da última vez em que estivera com a princesa antes de reencontrá-la e vir ao palácio. Ainda podia lembrar-se da sensação de seu corpo sobre o dela, das feições surpresas, o olhar envergonhado, o coração aos pulos e...

"Gosto de você!" – a voz suave ecoava lá no fundo da mente... A simples frase dominava a vastidão de seus devaneios e ocupava o posto de o único pensamento que conseguia ter.

Até quando resistiria? Com certeza não por muito tempo...


Rini já não podia enxergar a filha da janela, as grandes árvores não permitiam a visão. Em breves segundos pensou em mandar Sailor Wind ir atrás da menina para guardá-la, imediatamente puniu-se em silêncio. Respirou fundo e afastou-se da enorme parede de vidro, se havia concordado com a estadia dos Black Moon em seu reino, teria que tentar não ser hostil e tratá-los da mesma forma que os outros. Abandonou o salão e deixou Sailor Wind a sós. Em passos firmes foi até o quarto, ainda conturbada pelas desconfianças e também pela forte aflição de sentir que havia ainda algo que o marido escondia, algo que ela precisava descobrir o que era e, de certa forma, tinha certeza de que estava relacionado ao retorno dos irmãos da Lua Negra.

— Helios... — encontrou o marido sentado à beira da cama, olhando para o lado, distante — Que tal agora me explicar o porquê de não ter me contado nada? — sentou-se junto ao amado e repousou o rosto em seu ombro.

— Rini, me perdoe. — disse, virando o rosto para olhá-la — Não queria preocupá-la, ainda mais vendo o quanto já estava tensa com o comportamento de Crystal, o retorno de Saphiro e agora príncipe Diamante...

— Mas seria inevitável, uma hora eu teria que saber! — resmungou — Pensei que não tivéssemos segredos, Helios... Estou muito magoada! — emburrada, afastou-se e ainda sentada na cama virou-lhe as costas.

Helios abriu um pequeno sorriso ao olhá-la, as costas descobertas pelo decote do vestido, abaixo um grande laçarote, a cintura delicada, os cabelos rosados presos em odangos caindo sobre os ombros e braços, depois se espalhando pelos lençóis – magnífica - era a sua definição para ela. Tocou as costas femininas com uma das mãos sentindo a maciez da pele, depois com calma, aproximou-se mais e com aquela mão envolveu-lhe a cintura, puxando-a para si, a abraçando por trás. Encaixou suavemente os lábios na curva entre o ombro e o pescoço, sabendo que era um ponto sensível depositou um beijo singelo ali, suspirou e sussurrou, dando outro beijo no mesmo lugar:

— Não seja tão dura, pequena dama... — passou as mãos pelos braços dela, depois pelos ombros, massageando-os. — Vamos...

Rini revirou os olhos e respirou fundo, já estava completamente desarmada só pelo primeiro beijo, os outros simplesmente a arrebataram. Helios sabia amansar a fera eximiamente. A rainha virou o rosto procurando pelo dele, que já estava a postos para o encontro. Os lábios de ambos estavam a pouco menos de três dedos de distância, um sentia o respirar do outro e o hálito morno. Rini passou a mão por trás da nuca de Helios e falou:

— Não é justo, como você é cruel... — em seguida o puxou, finalmente colando a boca à dele.

Helios caiu por cima de Rini, deitados em transversal na cama. Aprofundou o beijo enquanto subia e descia uma das mãos pela lateral do corpo dela, passava-a pela cintura e a apertava, sua esposa aproveitava e calmamente abria cada botão dos trajes reais do governante, até entrar em contato com a pele quente do abdome e tocá-lo gentilmente. O rei, para ajudá-la, despiu-se da própria capa e a jogou de lado. Sentaram-se na cama, ela mesma tomou a iniciativa de baixar lentamente o vestido e mostrar o corpo adulto. Os olhos dourados de unicórnio a contemplaram desejosos e tímidos, mesmo a primeira vez deles tendo sido há muito tempo. A rainha deu um risinho, sentou-se no colo dele, posicionou uma perna de cada lado, as coxas despidas, apenas a lingerie branca e rendada de baixo a cobria, uniu seu corpo ao dele e o induziu a deitar, beijando-o novamente, mas dessa vez com mais ardor, acendendo ainda mais a vontade do homem de tocá-la. Assim o fez. As mãos de Helios percorreram cada curva e relevo do corpo delicado, e mesmo gentil como era, sabia os pontos fracos da esposa e como gostava de ser tocada, segurava com firmeza um seio dela enquanto abandonou seus lábios para deliciar-se com a pele sensível do pescoço, ela quase enlouqueceu, amava o jeito como ele a dominava, sorrateiro a virou na cama e caiu por cima novamente, puxou uma de suas pernas e a abriu, encaixando-se entre elas. Rini inclinou-se, alcançando a beira da calça dele e dando início a abaixá-la com as duas mãos, Helios a deitou novamente e ele mesmo tirou o resto das roupas.

A mulher que o amava desde o final da infância abriu um pequeno sorriso admirando cada detalhe daquele corpo, outra vez passou uma das mãos pelo peito dele e desceu até sua barriga, caminhando para tocá-lo em seu lugar mais íntimo. O homem suspirou, apreciando o toque e mais ainda seduzido pela vontade de unir-se a ela em um só, passou os dedos de uma das mãos por baixo do único pequeno pedaço de pano que ainda a cobria e o puxou, nada mais os vestia. Deitou o corpo sobre o dela, sorriram com os narizes colados, olhando-se fixamente, e por fim, com um último beijo o ato se iniciou. Em mais uma de muitas vezes, os governantes de Tóquio de Cristal consumavam seu longínquo amor, atavam os corpos, e em movimentos suaves a rainha era possuída pelo rei com cuidado e carinho. Trocavam toques e gemidos, e conforme a necessidade ordenava e o ritmo dos corações acelerava, o ato singelo adquiriu volúpia, a pele umedeceu pelo suor, as articulações dos músculos enrijeceram e iniciavam-se os tremores, espasmos de prazer. Quando quase alcançavam o ápice, Helios fez da penetração mais voraz e rápida, Rini em resposta apertou-o em um abraço violento e sua voz soou mais alta, quase incontida. Em pouco tempo, juntos, chegaram ao orgasmo e caíram em exaustão, o rei jazeu ao lado da esposa, e deitados um de frente para o outro sorriram.

— Helios, eu te amo tanto... — Rini deslizou a mão pelo rosto do marido, enxugando uma gota de suor que escorria pelo canto.

— É tão bom vê-la feliz, Rini... Daria tudo para vê-la assim para sempre. — pegou a mão que o afagava e a beijou — Sabe que a sua felicidade e de nossa filha são as coisas mais importantes para mim, não é?

— Vejo uma sombra em seus olhos... — ela fechou o sorriso e demonstrou a preocupação — Tenho certeza de que ainda há algo que não me contou, conheço você.

— Eu a amo muito também Rini, você é minha vida. Sabe disso também, não sabe? — aproximou-se um pouco mais dela na cama e a abraçou.

— Jamais duvidei de você, confio em cada palavra que diz... Mas sei que esconde algo, por favor, me conte! — encostou o rosto no peito dele, apreensiva.

— Querida... — ele suspirou, passando a mão pela cabeça da esposa — Terá que ser forte.

— Por que está dizendo o que já sei? Diga-me o que não sei! — levantou o olhar, encarando-o.

— Terei que partir para Ilusão. — falou de uma vez, por isso sentiu uma pontada no coração.

— O... Quê? — ela sentou na cama, os olhos marejaram em segundos.

— Acalme-se, não é para sempre! — sentou ao lado dela e a puxou para si, abraçando-a — Só preciso descobrir como fazer meu mundo voltar à normalidade, e então os guardiões tornarão a fazer seu trabalho, não precisarei ficar...

— E por que eles não fazem isso? — continha as lágrimas o máximo que podia, todavia a voz já soava chorosa — É o trabalho deles, não mais o seu!

— Eles tentaram querida... Mas, me procuraram porque não souberam o que fazer, eu certamente descobrirei e resolverei isso! Enquanto não volto, os deixo aqui para tomar conta de meus tesouros, você e Crystal! — tocou-lhe a face, fazendo-a olhá-lo — Prometo que não será para sempre.

— E quanto tempo durará? Dias, anos? — enfim as primeiras lágrimas desceram como cascatas — Se aqueles dois não tivessem voltado, nada disso estaria acontecendo! — pôs uma das mãos sobre o rosto.

— Rini. — disse sério, tirou a mão dela de sobre os olhos e segurou sua face com as duas mãos, forçando-a a encará-lo — Lembre-se de o que nossa filha falou sobre compaixão, alimentar rancores apenas nos fere, querida... Não se prenda ao passado, precisamos confiar em príncipe Diamante e Saphiro para não corrermos o risco de fazer julgamentos injustos!

— Ah, Helios... O que vai ser de mim sem você aqui para me orientar? — colocou as mãos por sobre as dele — Sem você, sou só uma menina desgovernada que não sabe como agir!

— Querida, esqueceu quem sou? — ele abriu um pequeno sorriso e passou os polegares por baixo dos olhos dela, enxugando-os. – Sou o protetor do mundo dos sonhos, Pegasus! Toda noite, quando adormecer, me verá. Não fique assim, não sofra antecipadamente, por isso não quis contar-lhe cedo... Acha que partiria sem presenciar a nossa filha encontrando o noivo no baile que há tanto tempo estamos organizando?

Rini abriu um pequeno sorriso de alívio, ao menos teria mais alguns dias ao lado do amado.

— Venha cá. — Helios a abraçou forte e afagou seus cabelos — Vamos deixar para contar isso a todos em outro momento, por enquanto que cada um viva normalmente, não quero criar o clima saudoso antes do tempo... Bem, agora que tal tomarmos um banho juntos e pensarmos em coisas boas?

Rini concordou e em pouco tempo o casal fora tomar um belo banho na enorme banheira da suíte, mais uma vez compartilharam carícias que se tornaram em outro ato de prazer e amor tão intenso, profundo e vasto quanto o universo e seus astros.


— Gosta das azuis, não é? — Crystal notou o olhar perdido de Diamante em direção às pequenas flores azuladas em um canto da grande estufa de vidro.

Tantas flores de diversas cores para apreciar e não conseguia deixar de admirar aquelas azuis, talvez por lembrá-lo da infância ao lado do irmão, e também do dia em que milagrosamente um botão surgiu em seu planeta de solo infértil. Era quase a sensação de viver uma miragem estar dentro daquela enorme estufa, cujos caminhos eram feitos de pequenas pedrinhas de mármore em meio ao gramado. O que mais havia ali eram roseiras coloridas, violetas, lírios, magnólias, azaleias, o perfume adocicado era inebriante. E para completar, aquela menina de cabelos castanhos e ternos olhos azuis ao seu lado, explicando o nome das flores e o significado daquelas que ela lembrava. Enquanto ele se mostrava atraído pelas simples flores azuis, percebia na princesa uma adoração por rosas brancas.

— E você das brancas... Elas até combinam com você. — abriu um pequeno sorriso.

— Ah, é pena que tenham poucas flores azuis aqui, dessas que você está olhando! — corou.

— Elas não são as mais bonitas, de fato... Apenas me trazem uma doce lembrança, por isso me cativam.

—... Que lembrança? — Crystal perguntou temerosa, não desejava ser inconveniente.

Diamante respirou fundo, buscando palavras amenas para contar como fora a infância em um planeta frio e remoto. Não via porque esconder seu passado já que a menina com quem andava não fizera segredo de nada com ele, haveria de retribuir toda aquela abertura. Enquanto andavam pelos caminhos da estufa, ao ouvir as estórias tristes do príncipe, Crystal passava delicadamente os dedos pelas pétalas das flores, seus olhos azuis eram cobertos pela sombra do pesar, e o príncipe, ao notá-los ofuscados, encerrava o assunto e abria um pequeno sorriso. Quando pensava em tudo o que desejou na antiga vida, dava-se conta de que no presente, de alguma forma, finalmente realizara o que mais ansiara. Lembrava-se também que a concretização de seus sonhos fora dada graças à menina que ali estava, que com sua compaixão contagiante conseguira convencer a mãe de permiti-lo ficar. Teria sido aquela atitude impulsiva da princesa o ponto chave para arrebatá-lo?

"Eu gosto de você!" — a declaração continuamente soava nos pensamentos de Diamante, as palavras estremeceram -no quando foram ditas e mesmo depois, e unidas ao que viveu ao lado de Crystal, às cores das flores e do arco-íris da gruta, à memória dele com a princesinha no campo, ela por baixo de seu peso, e depois o modo como o defendeu diante os pais, a boa vontade enfim, tudo parecia um complô do destino o qual ele não conseguiria fugir.

— Como é doce... — falava baixo, fitando-a. Notava o contraste dos raios solares naquelas ondas castanhas, cada fio reluzia como cordas de harpa. E os olhos, tão profundos quanto um oceano inexplorado, sim, eram como os da avó, porém, continham em si algo único, que nem mesmo a grande rainha do passado possuíra, não para com Diamante. A gentileza, o afeto... Não havia sequer traço de rispidez, medo ou preconceitos naqueles olhos, eram feitos de uma ternura sem fim. O olhar dela conquistava pela falta de hostilidade.

— Sim, o perfume é muito doce, principalmente dessas aqui. — ela também sorriu, espantando a tristeza rapidamente.

— Você, princesa — fechou o sorriso — Você é doce. — fitou-a, notando seus olhos joviais arregalarem-se tímidos. O jeito bobo e ingênuo dela o seduzia cada vez mais, e gradativamente a voz de Saphiro alertando-o sobre a identidade da menina tornava-se fraca.

— Obrigada... — foi tudo o que ela soube dizer, de resto podia sentir somente a quentura nas bochechas rosadas, e também as canelas levemente tremelicando. Não deixava de pensar em seus sonhos mais recentes, encarava os lábios finos e pálidos do Black Moon e discretamente os desejava colados aos seus. Só ao imaginar, um calor desconhecido subia pelas entranhas, era gostoso e esquisito... A dualidade de sensações a atordoou por instantes, e sem que notasse, ao trançar as pernas para dar um passo à frente, acabou por tropeçar em uma das pequenas pedras brancas.

Enquanto seu corpo pendia para o lado que escolhera andar, o príncipe em um rápido reflexo a segurou com um braço, de modo que o corpo delicado, ainda inclinado, pairou como uma pluma na mão do nemesiano.

Nenhuma palavra, apenas vento e o som da respiração, ah, e claro, palpitadas desesperadas, não se sabe se somente do coração de Crystal, ou dos dois, mesmo que um deles já nem devesse possuir vida, tampouco sangue para bombear. Diamante a trouxe de volta ao equilíbrio, todavia, embora a princesa já pudesse se apoiar nos próprios pés, não a soltou, pelo contrário, a apertou mais em seu braço.

Malditos olhos azuis incrivelmente meigos, pareciam ímãs de tão irresistíveis! Trêmulo, príncipe Diamante passou o outro braço envolta daquela fina cintura, e então, pela primeira vez, soube o que era dar um abraço verdadeiro. Os temores que até o presente eram o seu freio pareciam agora não ser mais o suficiente para contê-lo. Aproximou o rosto ao dela, sem deixar de fitá-la nos olhos sequer um segundo. Nem aquela ideia assombrosa de que Endymion poderia ressurgir e tomá-la de si o parou, foi como se tudo o que discutira com Saphiro de madrugada tivesse se tornado em cinzas e voado com o vento. Ainda via naquela menina Sailor Moon em alguns relances, também conhecia muito bem a possibilidade de magoá-la por conta de sua própria confusão... Mas o que um simples beijo poderia fazer além de trazer consigo a sensação de prazer e concretização de uma paixão? Era um egoísta, pensava, e ainda assim não era o bastante saber disso para conter-se.

E para quê? Crystal não desejava que ele cessasse estando já tão perto! Ansiosa, entreabriu os lábios em um suspiro, repousou as duas mãos nos ombros do príncipe. Céus, que estranho assim, do nada, seria a estufa, as lembranças? O que o teria feito de forma repentina a segurar daquele jeito e... Os pensamentos foram cortados pelo toque suave de lábios. A jovenzinha, em um espasmo arregalou os olhos e em seguida os semicerrou. As mãos pequeninas apertaram os ombros firmes, aqueles dedinhos tremiam tanto que apesar do tecido da farda ser espesso, e ainda por baixo Diamante usar uma camisa social, os sentia nervosos, contudo, não notava sinal algum de repulsa em qualquer gesto de Crystal. Acreditando nisso, porém, temendo em um pequeno deslize estragar toda a magia do instante, manteve a calma e não a devorou de uma vez como desejava fazer. Roçou a boca na dela, prolongando aquele selinho. Sentiu o hálito fresco adentrá-lo, como se um suspiro pudesse ser dividido a dois, sentiu também aqueles dedinhos tímidos subirem até sua nuca desajeitadamente. Quentes... Como ele talvez jamais pudesse ser. Apertou a frágil cintura com as duas mãos e finalmente, foi sua vez de abrir a boca para aprofundar aquele beijo tão singelo, quase infantil, mas uma voz trouxe a ele e a princesa de volta à realidade e também, ao mundo:

—... Princesa? — O timbre andrógino era inconfundível. Lá estava a figura, parada na entrada da grande estufa de vidro, a surpresa e susto eram claros em suas expressões faciais. — Mizumi a chama para ensaiar a música que cantará no baile... — Olho de Peixe falava com dificuldade, já que era difícil fechar a boca diante à cena que assistira.

O casal afastou-se por instinto, Crystal por pouco não caiu sobre as rosas atrás de si. Enquanto seu rosto enrubescia visivelmente, o homem que a beijou era mais discreto, ajeitava a gola de seu traje e pigarreava, olhando para um lado onde houvesse apenas flores para encarar.

— Olho de Peixe, escute! — Crystal foi até o rapaz — Não é o que...

— Ah, princesa, por favor! — riu — "Não é o que você está pensando"? Sei muito bem o que vi! Danadinha você, hein!

— Cuidado com o tom, Peixe. — Diamante aproximou-se, sério.

— Mas que falta de senso de humor, minha nossa! — Olho de Peixe bufou. — Bem, vocês tem sorte de ter sido eu quem os encontrou, por pouco não foi Sailor Wind que veio à procura da princesa!

"Que situação!" — Crystal pensou, colocando a mão sobre a testa. Se pudesse escolher um animal para ser, naquele momento desejaria ser uma toupeira para poder se enterrar.


— Não aguento mais ouvir esses gemidos dos aposentos de Topázio! — Jade bufou. — Ele se aproveita dessas meninas de formas tão baixas... Só de pensar, sinto asco!

— Pare de prestar atenção na vida dele, já que nada tem a oferecer. — Quartzy disse calma.

— Muito me admira a princesa Ametista ter escolhido ele como nosso superior em batalhas!

— Jade, a nossa princesa sabe o que faz. Topázio, mesmo inconsequente e vaidoso, possui muita habilidade em batalhas. Desde muito pequeno foi treinado como um soldado...

— Pensa que não sei? Ele me treinou. Sou tão boa quanto ele!

A rivalidade entre Jade e Topázio começara desde muito cedo, mesmo quando a mulher de porte atlético era apenas uma discípula sempre quis ser melhor de que seu tutor. Quartzy acreditava que nada daquilo ajudava o clã, apenas os desunia, e no fundo sentia o coração partido por interpretar que o desejo de seus ancestrais Black Moon fora desvirtuado.

— Quartzy! — a voz chorosa ecoou pelo salão, vinha de um grande quarto no canto do corredor.

A bela moça de cabelos cor de rosa foi o mais rápido que pôde até o paradeiro da voz enferma. Jade a acompanhou apenas até a porta e ficou a observá-la de lá. O enorme cômodo redondo só possuía uma grande cama em seu centro e nada mais. O colchão macio era coberto por lençóis de veludo de um tom roxo bem escuro como o revestimento de um caixão. No meio, Ametista se encontrava inerte. Gotas de suor escorriam pelo canto da face pálida e gélida, as toalhas em sua testa, pescoço e braços já estavam encharcadas, Quartzy as trocou por novas, tocou a testa da governante e sentiu-a ardendo.

— Princesa, farei mais uma poção para baixar sua febre! — a seguidora mais fiel de Ametista fechou os olhos, concentrando-se, virou as palmas das mãos para cima como se fizesse um pedido em oração, sem muita demora, uma aura arroxeada surgiu a flutuar como fumaça sobre as duas palmas, em pequenas bolhas que se formavam entre elas um líquido azul claro e opaco se fez, e em baixo desse, uma taça de cristal para apará-lo quando estivesse pronto. Assim que o ritual se findou, Quartzy segurou o queixo de Ametista e a ajudou a abrir a boca para engolir o remédio. A franzina soberana fez careta ao engolir aquele fel, mas tomou até a última gota e conteve a náusea. Jade encostou as costas no canto da porta e fechou uma mão sobre o busto, sentindo um nó na garganta.

— Princesa, cada vez mais esses ataques se tornam frequentes! A piora foi muito grande desde que o poder do cristal de prata quase a atingiu... E como se não fosse o suficiente, ainda fraca, tentou o contato com o príncipe! — Quartzy alertou — Em algum momento, minhas poções não serão mais o suficiente... — disse pesarosa — Por favor, seja mais sensata ou seu corpo não suportará tamanha descarga de energia!

— Quartzy — Ametista segurou a mão de sua seguidora — É tarde para parar, além do mais, essa enfermidade me acompanha desde o nascimento, nunca me foi surpresa a ideia de morrer prematuramente, no entanto, prometo que isso não acontecerá enquanto não conseguir trazer os príncipes ao nosso encontro, até lá, esteja certa de que não permitirei que a languidez me vença!

— Então poupe as suas forças ao menos por uns dias... Ou não conseguirá realizar o sonho de conhecer as pessoas que lutaram por nós no passado... — a voz de Quartzy estremeceu.

— Ah, não! Posso até não conseguir segurar minha vida para assistir a queda da rainha que não nos acolheu, mas hei de me encontrar com príncipe Diamante! — abriu um pequeno sorriso, em seguida curvou o corpo e afundou uma mão no peito, sentindo uma pontada.

— Descanse... — a mais pacífica do grupo passou os dedos pelos úmidos cabelos lilases, ajeitando-os — Prepararei um banho revigorante e logo a senhorita se sentirá melhor, prometo.

— Ah Quartzy, minha grande amiga... O que seria de mim sem você? — Ametista fechou os olhos.

Quartzy esboçou um meio sorriso, não conseguia esbanjar alegria por diversos motivos, o principal era a gravidade do problema de saúde de sua superior. Ametista possuía má formação do coração, os músculos eram tão frágeis que qualquer movimento brusco a deixava exausta, o que ajudava o bombeamento do sangue para todas as extremidades do corpo era um marca-passo que a própria Quartzy fizera. Por mais que a tecnologia fosse de ponta, todos sabiam que chegaria o momento em que o coração de Ametista não mais resistiria, a estimativa de vida da princesa era de que, com muita sorte, talvez alcançasse os vinte e cinco anos, e embora pequenina, com aspecto de uma criança em transição para adolescência, a mulher já possuía vinte e dois anos de idade. Em compensação, os poderes telecinéticos de Ametista eram intensos, assim como os de ilusionismo. Desde muito pequena, a adoentada já conquistara a habilidade de controlar os próprios sonhos e mesmo os de outras pessoas. Ametista conseguira se infiltrar em Ilusão graças a esse poder e afinidade que possuía com a fantasia. O controle do onírico a fazia realizar alguns de seus desejos, muitas vezes, porém, o preço a se pagar depois era sempre caro... Crises de arritmia, princípios de infarto, febres e convulsões violentas, o risco era sempre constante. A proximidade que tinha com a morte desde o início do ciclo de sua vida era, provavelmente, a fonte do poder da líder do clã, inclusive de suas habilidades paranormais relacionadas ao "além", entretanto, cada vez que utilizava os poderes oníricos e ocultos, mais íntima da morte se tornava, os males da frágil saúde a atingiam como uma bomba. O que mais incomodava Quartzy era o motivo pelo qual Ametista tanto sofria. Acreditava piamente que não valia à pena viver tanto sofrimento para iniciar uma guerra fora de época. Aquele conflito já não mais os pertencia, deveriam seguir em frente, pensava.

— Como ela está? — Jade perguntou, interrompendo os pensamentos da outra.

— Como antes.

— Mas que droga, princesa Ametista só piora a cada dia! — a mulher robusta fechou os punhos.

— Jade, nossa princesa escolheu um caminho sem volta. Ela sempre soube que a partir do momento em que trouxesse uma vida de volta a dela estaria comprometida, e ela trouxe duas. — soou completamente melancólica.

Jade se calou e fitou o piso revestido de cristal negro, a joia que conseguiram resgatar resquícios em Nemesis para recuperar o poder que um dia tiveram.


— Ah, já entendi que é segredo! Não precisa repetir a cada segundo, assim cansa a minha beleza! — Olho de Peixe tapou os ouvidos fazendo careta, enquanto caminhava ao lado de Crystal até o salão de ensaio.

— Mas é sério, Olho de Peixe, é segredo mesmo... E, provavelmente, não passará daquilo! — Crystal parou em frente ao rapaz afeminado e tocou-lhe os ombros em súplica.

— Está bem, está bem... Então quer dizer que foi só um lance e não irá se repetir? — parou e cruzou os braços.

— Bem... — novamente, as maçãs de Crystal rosaram. Passou as mãos pelos lábios e piscou os olhos.

— Minha nossa, escuto um "tum-tum" daqui! — Peixe abriu um enorme sorriso sapeca — Não consegue negar, não é mesmo? Está apaixonada! Que gracinha! — apertou uma das bochechas de Crystal.

— Ah, eu não sou bicho de pelúcia para ficar me apalpando! — emburrou — Somente a Hina sabe disso, então, por favor, mantenha segredo, se minha mãe souber, príncipe Diamante e Saphiro serão enviados para longe! Entende a gravidade, Olho de Peixe? Não vá fazer fuxico para ninguém, eu lhe peço!

— Está dizendo que tenho cara de fofoqueiro? — ficou indignado — Não estou aqui para estragar a felicidade de ninguém, princesinha! Quer saber? Ele é lindo mesmo, em seu lugar, eu também não resistiria! — os olhinhos brilharam como duas estrelas — Fique com ele, seja feliz!

Embora achasse o comportamento do rapaz muito esquisito, suspirou aliviada.

— Obrigada pelo apoio... — sorriu, um pouco sem graça. — Ah, Olho de Peixe, o que eu faço? Minha mãe nunca vai permitir que eu e príncipe Diamante tenhamos alguma coisa...

— Deixe que o tempo cuide disso, princesa! Ele é como eu e meu trio, esteve do lado oposto, agora é um aliado! Se sua mãe aceita a mim e meus companheiros, haverá de aceitar os dois irmãos em breve! — piscou confiante.

— Você deve estar certo...

— Sim, agora, pelo amor de Deus, vamos nos encontrar com Mizumi que ela já deve estar irritada por sua demora! — Peixe tocou os dois ombros de Crystal, a virou de frente ao destino que deveria seguir, e a encaminhou dando breves empurrões.

Crystal finalmente adentrou a sala de música, lá estavam Mizumi de pé à sua espera, Yumi de braços cruzados encostada na parede, Hina sentada ao piano, Saphiro como espectador, Reiko e Marine sem nenhum motivo aparente, e claro, onde Marine estava, Olho de Tigre seguia o rastro, Olho de Águia era o único dos rapazes do trio que, misteriosamente, não aparecera.

Que conveniente! Justo no momento em que Crystal não poderia sentir-se menos à vontade, tantas pessoas para assistir a sua performance... Mais uma vez desejou se enterrar, ou simplesmente sumir como pó. Respirou fundo, esbanjando um sorriso desajeitado, a sua instrutora balançou a cabeça negativamente e a auxiliou a entrar na música na nota que devia, percebendo a insegurança da aluna, resolveu que deveria fazer alguns exercícios para a voz antes. Quando Crystal enfim demonstrou confiança, Mizumi orientou Hina para que começasse a tocar a introdução da canção. A filha de Rini fechou os olhos em busca de concentração e tranquilidade, procurou algo que a inspirasse e não permitisse que falhasse e o que encontrou foi a lembrança mais feliz e recente que tivera: Um beijo suave em meio às flores.

A voz soou doce como o perfume das rosas ebúrneas que tanto adorava, a sua fluidez repentina surpreendeu todos que a assistiam, sequer parecia aquele timbre infantil de sempre, era como se o espírito falasse tudo o que a fala não conseguia exprimir. Crystal abriu os olhos lentamente e observou cada um de sua plateia, aliviou-se ao ver sorrisos ou olhares desacreditados, pensava em como seria lindo orgulhar os pais na noite do baile. Virou o olhar para a porta, procurando por Olho de Peixe e a surpresa dessa vez foi para ela. Parado ali estava ele. Os olhos violetas a fitavam intensamente como se observassem a mais bela obra de arte, as mãos tensas do homem relaxavam aos poucos e os lábios curvavam-se entreabertos em um sorriso de admiração. A princesa retribuiu com outro, o brilho em seus olhos era tão transparente que não deixara de ser notado por uma só pessoa naquela sala, e nesse momento, ninguém fez cerimônia em encarar príncipe Diamante.

"O que está havendo aqui?" — era a pergunta que pairava no ar.

Crystal mal sentia os pés tocarem o chão, seu coração havia caído por ele. E era uma queda sem volta...

Ao findar a canção, de longe ouviu os sons de aplausos, os ruídos a trouxeram de volta à realidade.

— Linda. — Diamante disse, fitando-a intensamente como se algo nela o hipnotizasse.

— Linda! Brava! Diva! — Olho de Peixe aplaudiu freneticamente, tentando apaziguar os ânimos, senão tornar-se-ia ainda mais óbvio o envolvimento dos dois para o resto do público que, empolgados como Peixe, tornaram a aplaudir, apenas Yumi permaneceu quieta, pensativa e Saphiro temeroso.

Continua...


Notas da autora:

Nem acredito que a história está progredindo, já estou ficando quase louca aqui! Esse capítulo foi muito focado em Crystal e Diamante, mas prometo que nos próximos haverá mais participação dos outros personagens (e estão ficando cada vez mais longos os textos...)!

Cat-chan, muito obrigada pelas reviews! É verdade que Saphiro e Diamante tem uma conduta bem mais madura para a própria idade, na minha visão, os irmãos são assim pela criação que tiveram em Nemesis, os pobrezinhos mal tiveram infância... A criação sem ternura, delicadezas e lazer os fez assim, eu acho. Fico muito feliz que a cena fraternal tenha agradado!

Mais uma vez, obrigada pelo apoio e também por estar acompanhando! Beijinhos, até o próximo!