Capítulo 11 – O conto dos dois irmãos
"Eu acredito que há uma história no mundo e apenas uma... Os humanos são apanhados - em suas vidas, em seus pensamentos, em suas fomes e ambições, em sua avareza e crueldade, e em sua bondade e generosidade também - em uma rede de bem e mal. . . . Não há outra história."
(...)
"Bem, todo garotinho acha que ele inventou o pecado. Virtude que achamos que aprendemos, porque nos é dito sobre isso. Mas o pecado é nosso próprio projeto ".
"Eu me pergunto quantas pessoas eu olhei toda a minha vida e nunca vi realmente."
(John Steinbeck – A Leste do Éden)
Voltando ao dia da chegada a Nova Sadala...
Logo que deixou Bulma no hotel, Goku rumou para o extremo norte de Nova Sadala. Depois de horas de cavalgada pesada, ele queria apenas trotar levemente até a casa onde poderia ficar hospedado, e foi isso que ele fez. Ele não reparou, mas passou por um homem completamente calvo e outro de cabelos muito compridos, atraindo por um instante o olhar do cabeludo, que reparou nele apenas depois que ele passou e ficou intrigando observando aquele homem de chapéu arriado com uma cabeleira espetada e arrepiada que lhe era estranhamente familiar.
Goku parou diante de uma casa de dois pavimentos, bem cuidada, com uma árvore e um pequeno jardim à frente. Ele bateu à porta da casa, que era branca e tinha um simpático telhado vermelho, e esperou até que um homem de pele negra e baixa estatura abriu a porta e disse:
- Goku!
- Senhor Popo! – Goku abraçou o homem, que o apertou e levantou ligeiramente. Era um homem extremamente forte.
- O professor Kami está?
- Sim, sim, ele está estudando. Espere aqui.
Um homem de pele castanha, usando um turbante, veio do interior da casa de braços abertos e Goku o abraçou. O professor Kami tentara, alguns anos antes, aperfeiçoar as poucas letras que Goku aprendera, absolutamente sem sucesso, num período em que o seu avô o deixara ele, quando ele tinha 11 anos. Corria na época o boato que Freeza rondava pela área de West Sayan, e o velho pedira ajuda ao velho conhecido para proteger seu neto. Mas tudo não passara de boato e seis meses depois Goku voltava à fazenda, um pouco menos selvagem e mais educado e disciplinado, mas tão pouco letrado quanto chegara. Depois, sempre que ia levar cavalos a Nova Sadala, era na casa do velho que ele ficava.
- O que te traz a Nova Sadala, meu filho?
Goku explicou sua ida para West Sayan, e como havia acabado como guarda de diligência, explicando que agora estaria em Nova Sadala a cada 15 dias. Disse que podia ficar no armazém dos Briefs, mas o velho professor disse que, como na época que ele levava os cavalos, ele poderia passar quantos dias quisesse na companhia de e e de Popo, que havia sido soldado na época da guerra civil e depois se tornara assistente de Kami.
- Vamos treinar tiro enquanto você estiver aqui, Goku – disse Popo, dando um ligeiro soquinho no braço do rapaz, que riu.
- Sim, sim, senhor Poppo, vamos!
Radditz olhava para o corpo inerte de Gurdo, jogado num beco da área mais pobre e suja da cidade quando disse a Nappa:
- Não achou o Vegeta meio estranho hoje?
O outro bandido havia acabado de deixá-los ali e partira num galope apressado de volta ao hotel. Nappa jogou um pouco de lixo sobre o corpo, para que Gurdo não fosse encontrado antes do amanhecer e disse:
- Ele nunca foi muito de falar. Não é como você, que não sabe ficar calado. Vamos.
Saíram do beco por lados opostos, Nappa iria para um prostíbulo, como sempre fazia, mas o destino de Radditz era outro. Conforme ia andando pela zona de prostituição, mulheres mexiam com ele, que ria, e ele replicava fazendo graça com elas. Mas o destino dele era outro.
A zona de prostituição tinha um limite, uma fronteira clara: terminava numa luxuosa construção em estilo neomourisco, que contrastava com tudo em volta, onde funcionava o bordel "Palácio da Serpente". Era para ali que ele se dirigia. Um salão enorme, luxuoso, cheio de mesas com um palco grande ao fundo, ladeado por cortinas vermelhas de veludo, tudo iluminado a gás, era a parte principal e mais conhecida do lugar, mas a maior parte da renda vinha da longa fileira de pequenos quartos, onde mulheres que passeavam no salão "entretinham" clientes selecionados que podiam pagar melhor.
Para os menos afortunados, havia a possibilidade de se entrar numa das cabines laterais e ver uma dançarina executar uma performance particular, que, com muita sorte ou o estímulo em forma de notas, podia acabar com a dançarina sentada no colo do cliente, mas em nada além disso, porque não eram permitidas intimidades dentro do salão.
Radditz, no entanto, não se enquadrava na categoria "cliente". Ele sempre chegava e sentava na mesma mesa, pedia o mesmo drinque e esperava o número principal. Perto da meia-noite quase todo salão escurecia e a estrela da noite aparecia. Ela era alta, tinha a pele branca e os cabelos cacheados de um vermelho intenso, e uns olhos verdes hipnóticos que miravam fixamente o salão quando ela subia ao palco, usando uma roupa pequena, as longas pernas envoltas em meias de seda escuras sustentadas sobre os saltos de suas botinas vermelhas, movendo-se com a graça de uma serpente. O mestre de cerimônias a anunciava, então:
- Senhores, podem aplaudir nesse momento a nossa princesa das serpentes, Hebi Hime!
Ela então ia ao fundo do palco e retornava, com o corpo envolto em uma longa e dócil serpente albina, que ela manipulava em movimentos fluidos e hipnóticos. Hime era a principal dançarina da casa e a mulher mais desejada de Nova Sadala. Mas Radditz realmente acreditava que seu coração pertencia a ele, porque quando ele ia ao Palácio não havia dinheiro algum que autorizasse outro homem a deitar-se na sua cama. Naquela noite ela pertencia a Radditz.
Quando o show acabava, ele era levado até os aposentos dela, de onde saía apenas ao amanhecer. Não que ele não a presenteasse: cada jóia, cada pequena grama de ouro que ele conseguia era presenteado a Hime, e ela já contava com uma pequena fortuna em jóias não apenas dele, mas de muitos admiradores, incluindo o prefeito de Nova Sadala e o senador Gowasu, de quem era protegida há alguns anos. Por causa dessa "amizade" ela conseguira expulsar recentemente uma jovem de cabelos azuis que começava a ficar popular e atraíra a atenção do senador. Tal qual a rainha-madrasta, ela expulsara dali a Branca de Neve, na impossibilidade de arrancar-lhe o coração.
Mas a princesa das serpentes derretia-se nos braços daquele homem forte e bárbaro que não se importava de dividi-la com outros, porque sabia que nada podia exigir uma vez que pouco podia dar, a não ser a si mesmo, para aquela mulher que dominava seus sentidos e seu coração. Os donos do estabelecimento odiavam Radditz profundamente, mas nada podiam fazer porque sua mais famosa e bela dançarina não exigia mais nada a não ser livre trânsito para seu amado.
Naquela noite, quando ele chegou, a encontrou desfazendo o penteado e ela o olhou pelo espelho. Sem nada dizer, Raditz se aproximou por trás dela e começou a desatar seu corpete olhando seus olhos através do espelho, com uma expressão maliciosa e um sorriso devasso nos lábios quando perguntou:
- Sentiu minha falta, minha rainha?
- O que você acha? – ela disse, encarando-o enquanto sua mão direita espalmava-se sobre sua coxa, apertada nos jeans surrados. Ele riu e começou a puxar com mais vontade os laços do espartilho e ela protestou:
- Radz... não rasgue minhas roupas! Cada roupa que você rasga é um prejuízo de 35 dólares!
- E se eu pagar cem dólares para poder rasgá-las?
- Você sabe que não aceito dinheiro de você – ela disse, fazendo um beicinho e ele riu, assentindo:
- Como queira, majestade – ele parou de mexer no corpete e flexionou um dos joelhos para abaixar-se atrás dela, desatando vagarosamente o corpete com uma só mão enquanto com a outra ele brincava com os dedos entre as coxas dela, que gemia. Para cada volta da fita que tirava, Raditz depositava um beijo ao longo da sua espinha e, logo, a livrou do espartilho e da calcinha, arrastando-a para cama apenas de botinas e meias, agora brincando com ela, mordiscando e lambendo seu corpo nu enquanto seus dedos brincavam alegremente na intimidade dela, fazendo-a gemer e implorar por ele, que disse:
- Agora, que não há mais nada para se rasgar, não preciso mais ser delicado, preciso?
Ela riu enquanto o via livrar-se das próprias roupas com pressa e brutalidade, até que ele veio por cima dela e a possuiu, já sentindo-se dispensado da necessidade de ser gentil.
Logo estavam os dois enroscados num abraço de corpo inteiro, gemendo enquanto se amavam, o corpo delicado de Hime agarrado ao tronco gigantesco de Radditz, as mãos perdidas na longa cabeleira dele, que a envolvia em escuridão cada vez que se beijavam. Ele a segurou pela cintura e virou-a como se pesasse nada, colocando-a por cima dele, observando o vaivém dos seios perfeitos, que ele eventualmente abocanhava e mordia. Logo ela soltou um gemido mais alto e agudo e Radditz a acompanhou, urrando da forma bárbara que tanto a excitava, ele era um bruto e bruta era sua forma de amar.
Enquanto estavam abraçados, ele a apertou em seus braços sem nada dizer, era a forma dele de mostrar que sentira falta dela. De repente ela disse:
- Toda vez que você vai embora, eu acho que nunca mais vou vê-lo.
- Toda vez que vou embora eu penso que quando voltar, você não vai estar me esperando. Eu iria até o fim do mundo atrás de você...
- Tolo – ela disse e o beijou – eu, no fim do mundo, estaria te esperando.
Os dois riram e ele disse:
- Soube que você fez eles expulsarem uma dançarina.
- Querido, esse lugar só tem espaço para uma cobra, e ela dorme numa cestinha. Aquela cascavel quase me tira os privilégios do senador... mas fugiu quando eu disse que você era do bando de Freeza e mataria quem fizesse alguma coisa contra mim.
Ele a olhou aborrecido e disse:
- Não deve dizer a ninguém quem eu realmente sou, Hime. Já te disse isso mil vezes. E eu acho que seu senador vale mais para você do que eu mesmo.
- Meu querido... a vida de uma mulher como eu não tem muitas oportunidades. Quanto mais os trinta anos se aproximam, mais se aproxima a hora de pegar todas as jóias e presentes e fugir. Com ou sem você.
- Você fugiria sem mim?
- Depende. Você largaria o bando por mim?
- Você sabe o que eu realmente desejo... e não é me manter nesse bando para sempre.
- Mas... e a história de matarem quem sai do bando?
- Isso é uma lei de Freeza. E só durará enquanto ele durar...
Um arrepio percorreu a espinha de Hime, que disse:
- Você pretende matá-lo?
- Todos nós somos fiéis a ele porque sabemos que ninguém embosca Freeza, ninguém que tentou matá-lo, e foram muitos, teve sucesso. Mas sim, eu jurei que ele morreria pelas minhas mãos. Ele matou minha família e acha que eu esqueci. Mas eu jamais esqueço nada...
- Radz... – ela o beijou – por favor, cuidado.
- Depois de matá-lo, eu gostaria de matar o tal senador Gowasu... apenas por ter posto aquelas mãos enrugadas na mulher que eu amo.
- Se for matar cada homem que pôs as mãos em mim, não vai sobrar um único homem rico em Nova Sadala, meu amor.
Ele debruçou-se sobre ela, e seus olhos tinham um brilho furioso, embora houvesse um sorriso nos seus lábios.
- Não seria bom, uma Nova Sadala onde todos os homens ricos fossem mortos e seu ouro distribuído ao povo?
- O problema, meu amor, é que uma vez que você os matasse não distribuiria ouro nenhum... você colocaria todo ele aos meus pés.
Ele riu e beijou-a. Era a pura verdade.
No terceiro dia de Goku em Nova Sadala, ele lembrou-se que havia prometido entregar um pacote para Suno, a prima de Arale que morava em Nova Sadala. Suno era uma bela moça, alta, de cabelos longos e ruivos e olhos castanhos que morava numa casa linda no centro da cidade com seus pais e Ocho, um primo distante que parecia ter problemas mentais. Goku planejava entregar a encomenda e sair para comprar um anel de noivado e outro presente para Chichi, mas, quando o viu na porta da casa, Suno deu um grito e o abraçou, radiante:
- Goku! Quanto tempo que você não vem aqui, entre!
Ele foi arrastado para dentro da casa apesar dos protestos e de dizer que não podia demorar. Mas a garota não parecia disposta a ouvir não como resposta e disse que ele almoçaria com ela ou ela não o desculparia jamais. Como já estava com um pouco de fome, Goku aceitou. A família dela continuava simpática com ele, mas ele percebeu que havia alguma tensão entre Suno e os pais, ela só parecia conversar direito com o primo, Ocho.
Depois do almoço, ele achou que não havia mais motivo para ficar ali e decidiu se despedir. Suno então disse:
- Você vai ao Festival essa noite?
- Não sei, Suno. Eu prometi que treinaria tiro com o Senhor Popo. E eu preciso comprar um presente para a minha noiva.
- Noiva? – a moça não conseguiu disfarçar a decepção na sua voz.
- Sim, eu vou me casar com a filha do pastor de West Sayan – ele disse, casualmente – Eu gostaria que você fosse, Suno. Eu tenho poucos amigos.
- Não sei se poderei – ela fechou a cara e disse – West Sayan é muito longe.
Sem perceber a contrariedade de Suno, ele disse:
- Bem, de repente eu vou ao tal festival. O professor Kami falou sobre isso ontem. Podemos nos ver lá?
- Sim – disse Suno, sem disfarçar sua chateação. – Nos vemos por lá.
Goku surpreendeu-se ao saber que as lojas de jóias de Nova Sadala não abriam aos sábados por causa da religião de seus donos, e decidiu que compraria o anel na segunda feira. Chegou na casa do professor no fim da tarde, praticou um pouco de tiro com o senhor Popo e decidiu ir ao tal festival. A praça principal estava iluminada e colorida, mas o que realmente o atraiu foram as várias barracas de doces e comidas.
Enquanto comia, viu Bulma passar com um sujeito baixinho e quase a chamou, mas achou melhor ficar no seu canto, afinal, ela parecia muito feliz de braço dado com o rapaz. Quando as danças começaram, Goku achou que seria melhor ir embora, afinal, ele não sabia muito bem como dançar e não tinha um par. Chegou a pensar que seria bom aprender, talvez Chichi quisesse dançar no seu casamento.
De repente, ele viu Suno e acenou para ela. A moça veio até ele e disse:
- Goku! Você quer dançar?
- Ahn, Suno, eu não sei dançar.
- Ah... quer comer alguma coisa?
- Eu já comi de tudo que tem nessa festa – riu Goku. – Mas posso comer mais um doce. Onde estão seus pais?
- Eu fugi deles. Estão com um rapaz que querem que seja meu noivo.
- Noivo?
- Sim, Goku... um militar, ele pediu a minha mão a eles e eles estão tentando me convencer a aceitar.
- E você gosta dele?
- Não...
- Então, não aceite!
- Meus pais querem me forçar a isso... mas eu achava... que se você pudesse me levar.
- Levar aonde? Na diligência? Bem, eu não sei se você se adaptaria em West Sayan.
- Não, Goku, fugir comigo daqui...
- Porque eu fugiria com você? – eles tinham andado para longe da praça principal e agora caminhavam por uma rua lateral, sem que Goku percebesse para onde estavam indo. Suno olhou para os lados, apreensiva, e, sem que ele tivesse tempo de reagir deu um passo na direção dele e colou seus lábios aos de Goku, que arregalou os olhos e se afastou assustado.
- Suno... o que foi isso?
- Goku, eu te amo! Por que você não me pediu em casamento? Meus pais não se oporiam. Agora eles vão querer de qualquer maneira que eu aceite a corte dele!
- Suno... – ele ainda estava meio confuso pelo beijo, mas precisava fazer a menina entender – eu vou me casar com a Chichi, e por mais que você seja muito bonita e uma grande amiga... é dela que eu gosto. Mas eu acho que você não deve se casar com alguém que não gosta. Diga que não quer casar. Antes que seja tarde.
Ela baixou os olhos e havia lágrimas neles. Goku suspirou, exasperado e disse:
- Vamos, vou levar você de volta aos seus pais. Prometa que vai dizer não ao sujeito.
- Não posso prometer isso.
- Pela nossa amizade. E porque você vai achar alguem que goste de você de verdade e que você também ame... como eu amo a minha Chichi.
- Está bem, eu prometo.
Goku então sorriu e estendeu o braço para ela, e a conduziu até a praça central. Novamente, viu Bulma, dessa vez andando apressada junto com o sujeito baixinho que ele vira com ela mais cedo. De repente, um homem esbarrou em Suno e Goku ao mesmo tempo. Suno perdeu o equilíbrio e o homem a segurou. Goku disse:
- Ei, camarada, cuidado!
- Perdão, senhorita e cavaleiro. – ele era alto e usava um casaco longo, escuro. Não tinha cabelos e seu chapéu estava caído pelas suas costas, seguro apenas pelo cordão de couro fino. Ele mostrou uma estrela de xerife presa no casaco e disse – estou em perseguição a um suspeito.
O homem forçou sua passagem entre pessoas que estavam à frente dele e Goku viu que ele parava adiante. Aparentemente perdera quem ele estava perseguindo. Suno havia acompanhado o homem com os olhos, como ele, e disse:
- Bandidos no festival?
- Espero que não – disse Goku. – Vamos procurar seus pais.
Ela assentiu e logo encontraram os pais dela. Ao lado deles havia um rapaz bem jovem, de olhos verdes muito claros e cabelos platinados, quase brancos. Ele usava um uniforme militar e devia ser o pretendente de Suno. Era um pouco mais baixo que Goku e ficou encarando-o de uma forma estranha quando ele se aproximou e disse:
- Suno está entregue. Ela se perdeu de vocês!
Os pais dela sorriram para Goku e, de repente, o jovem oficial disse, com a voz arrastada:
- Não nos conhecemos, senhor...
- Son. Son Goku. – disse Goku, estendendo a mão que o outro apertou sem muita força, dizendo:
- Tenente Zamasu... obrigada por nos trazer minha adorável companhia e futura noiva.
Suno olhou para Goku, que ergueu uma sobrancelha. Ela soltou o braço de Goku e murmurou para ele um obrigada, antes de virar-se para o outro e dizer:
- Tenente, o senhor é muito gentil e educado. Mas eu não gostaria de me casar com alguém cujos sentimentos eu não correspondo.
O rapaz arregalou os olhos, assustado e disse:
- E isso é por causa desse... – ele encarou Goku mais uma vez procurando palavras e Goku respondeu:
- Guarda de diligência. Mas não, não é por minha causa, somos apenas amigos e eu vou me casar em breve em West Sayan. Mas Suno me disse que não gosta do senhor para casar. O senhor gostaria de casar com alguém que não o ama?
O homem enacarou Goku, lívido. Virou-se para os pais dela e disse, de repente:
- Isso é uma enorme afronta. Eu recebi autorização dos senhores para cortejá-la e agora... – ele olhou para os olhos assustados de Suno e disse – não deveria ter me interessado por uma mulher tão mundana!
- Há algum problema acontecendo aqui? – o homem que havia esbarrado em Goku e Suno mais cedo apareceu atrás do jovem militar que se esticou repentinamente e disse:
- Oficial Hitto...
- Se eu ouvi direito, Tenente, o senhor estava forçando sua corte a uma dama que não a deseja. Não é nenhum crime não se interessar por uma pessoa. E sabemos o que o seu pai, o Senador Gowasu, pensa sobre sua mania de forçar as pessoas a fazerem o que o senhor deseja escorado na sua patente...
O rapaz fuzilou o outro com os olhos, mas não podia fazer nada. Eram conhecidos: um militar de baixa patente com fama de arrumar confusões escorado na posição do pai e no fato de ser militar e uma autoridade local a quem ele devia, se não obediencia, pelo menos respeito. Reconhecendo sua derrota, o tenente fez um cumprimento seco a todos e saiu, olhando mais uma vez para Goku antes de se afastar.
- Perdoem-me a intromissão – disse o oficial – mas eu estava procurando os dois jovens para saber se quando nos vimos mais cedo chegaram a ver um casal passar por vocês, um homem vestido de preto e uma jovem de cabelos azuis.
- Não. – disse Suno.
- Eu vi – disse Goku – a moça é a Bulma, minha patroa. Ela está hospedada no Grande Hotel Sadala.
- É mesmo? Obrigada pela informação... senhores, desejam que eu designe um policial para acompanhá-los até em casa? Pelo menos até que eu informe o abuso do tenente...
- Não será necessário – disse o pai de Suno, bastante sem graça. – nós moramos aqui bem perto, no número 21 da avenida blue.
O oficial olhou brevemente para Suno e então sorriu:
- Senhorita, foi muito corajosa. – ele mirou nos pais dela, que o olhavam, meio desconfiados e disse - Senhores, farei uma visita em breve, quando o trabalho permitir. Mas sintam-se convidados a me procurar se o tenente tornar a perturbá-los.
Ele virou-se com um volteio do longo casaco e saiu pela praça, na direção do hotel. Suno seguiu-o com os olhos e Goku sorriu. Ele se despediu da família dela certo de que os pais dela acabariam aliviados por ela não se casar com Zamasu.
Mais tarde, deitado na sua cama na casa do senhor Kaioh, Goku pensou brevemente no beijo que Suno lhe dera. Não tinha sido bom, não tinha sido ruim, mas tinha sido assustador. De repente ele pensou em como seria beijar Chichi, e se ela teria a coragem de fazer aquilo que Suno fizera com ele.
Ele dormiu e sonhou que Chichi o beijava. E foi um sonho bom.
- IDIOTA – Radditz acertou um tapa no rosto de Vegeta assim que ele terminou de contar como escapara dos policiais na praça. – Como vamos ficar se você for reconhecido e colocarem cartazes com essa sua cara feia por toda Nova Sadala?
Ele ia partir para ver Hime quando viu o outro chegando e escondendo o cavalo. Nappa observava os dois em silêncio quando disse:
- Se já tivéssemos pego o Boter poderíamos sair essa noite mesmo, antes que tenhamos a necessidade de desviar das estradas para evitar bloqueios. Mas se voltarmos até Freeza com o serviço incompleto, ele mata nós três. A única coisa que podemos fazer é esperar até amanhã e te deixar trancado aqui nesse quarto até termos um plano de fuga.
- E como vocês dois vão pegar o maldito sem mim?
- Se tem uma coisa que você sempre prova que não consegue ser é indispensável, nanico idiota – disse Radditz, olhando-o com ódio – com o ódio que eu estou, basta eu imaginar que ele é você e vou parti-lo em pedaços.
- Deixe-o, Radditz. Vá para o seu compromisso, deixe Vegeta comigo.
Radditz saiu, irritado. Nappa observou Vegeta por um tempo e então disse:
- Você a partir de agora vai fazer o que eu mando até que estejamos seguros e longe daqui.
- Você mataria um homem por mim? – a voz de Hime sussurrou no ouvido de Radditz, que abriu os olhos, desconfiado.
- Quem você quer morto? – ele disse, encarando-a.
- O senador tem um filho irritante, ele é militar... e me odeia. Eu tenho medo dele fazer algo contra mim.
- E porque ele faria?
- O pai dele mais de uma vez falou em me tornar uma protegida...
Radditz ergueu-se da cama, irritado.
- Você adoraria isso, não? Virar amante exclusiva... Hime, eu sei que não posso te oferecer nada... mas eu mataria esse senador se ele te colocasse numa casa como amante exclusiva. Mataria, entendeu?
Hime levantou-se e disse:
- Você não parece entender, não é mesmo? Se eu tiver uma chance de me garantir depois que deixar de ser uma estrela eu tenho que aproveitá-la, venha ela de você ou não... dessa vez nem uma jóia me trouxe.
Ele a encarou, sério, então disse:
- Eu trarei uma jóia da próxima vez... – ele se levantou da cama e começou a se vestir – até lá, faça bom proveito das jóias do seu senador.
Quando ele saiu, sem olhar para trás, pensou que talvez tivesse se envolvido demais com ela.
No dia seguinte, Nappa os reuniu e disse:
- Vamos matar Boter essa noite e fugir no escuro. – ele estendeu uma roupa preta para Vegeta que pegou, aborrecido e disse:
- O que é isso?
- Uma batina. É um disfarce que consegui com minhas amigas da casa em frente... você vai usá-la quando sairmos de Nova Sadala. E não pense em reclamar. Esteja vestido quando voltarmos.
Radditz gargalhou de propósito, especialmente para irritar Vegeta. Apenas para aumentar a raiva do outro, disse que ia dar uma volta para aproveitar o dia.
Goku havia decidido aproveitar a manhã de domingo para dar uma volta e ir até a igreja de Nova Sadala, pensando que. já que ia casar com a filha de um pastor, era de bom tom pelo menos saber descrever uma igreja da grande cidade. Havia várias igrejas, de diversas religiões, mas ele escolheu a Batista porque era a mais parecida com a de West Sayan: ficava no centro de uma praça, era branca e tinha janelas e portas azuis exatamente como a pequena igrejinha que ele conhecia. Ele ficou alguns minutos dentro da nave enquanto acontecia um culto, mas começou a ficar com sono e decidiu sair.
Nuvem Dourada estava esperando por ele amarrada num poste ao lado da Igreja. Ele a desamarrou e acariciou o pescoço da égua gentilmente, antes de montá-la. Não achava Nova Sadala uma cidade tão divertida assim, os momentos que mais gostava ainda eram quando podia cavalgar até a campina nos limites da cidade e deitar-se na grama enquanto Nuvem mastigava alegremente o mato fresco, variando da sua aborrecida dieta de feno.
Ele começou a trotar levemente pela praça, não queria ainda galopar numa rua tão cheia de gente, e foi nesse momento que ele passou por um outro rapaz, alto, forte e de cabelos compridos que o observava desde que ele soltara a sua égua para o passeio.
Ele não percebeu o olhar do outro. Era um olhar realmente impressionado. E quando a égua passou por ele, Radditz virou a cabeça, vendo a cabeleira preta e arrepiada sacudindo conforme o dono dela soltava as rédeas e abria galope em direção ao sul da cidade.
Radditz decidiu voltar à hospedaria, porque sentia-se confuso e atônito, com a impressão de que havia visto um fantasma. Porque o rapaz que ele vira montado no cavalo era o retrato perfeito do seu pai, morto diante dele anos antes por Freeza.
Radditz ficou olhando o cavalo ir na direção do sul da cidade com a vontade de seguir o rapaz e perguntar a ele quem ele era, mas lembrou-se da situação desvantajosa deles em Nova Sadala e decidiu voltar à segurança da hospedaria. Ele pôs as mãos nos bolsos e começou, interiormente, a se perguntar quem era aquele homem que o fizera ter a sensação de ver alguém morto há muito tempo voltar à vida. Alguém cuja morte ele testemunhara.
Goku rumou para o Sul sem saber que havia passado do lado do último laço entre ele e a família que um dia tivera. Radditz voltou para a hospedaria sem saber que não havia visto um sósia de seu pai, mas o último membro de sua família que ainda vivia.
E quando se encontrassem novamente, não seria como irmãos.
Notas:
Hebi Hime é a Princesa Serpente de Dragon Ball, que já foi a grande vilã de uma outra fanfic minha. Aqui, nessa "encarnação" eu aproveito a suposta relação que ela teria com Raditz.
Se ele a ama? Sim, mas do jeito dele.
GoChis não me matem porque a Suno roubou o primeiro beijo do Goku. Isso foi bom pra ele ver que não é nenhum bicho de sete cabeças.
Como vocês podem ver, Hitto está na cola de Vegeta, mas não o alcançou. Será que pega ele?
As duas citações ao livro "A Leste do Éden" foram colocadas aqui principalmente porque esse capítulo trata de dois irmãos com caminhos e trajetórias muito diferentes. E eu ouso dizer que a relação entre eles é a mais importante de West Sayan.
No próximo capítulo, fiquem preparados para uma grande surpresa.
