Capítulo 12 – Misty

A viagem de Cerulean para Pewter não era longa. As cidades eram, praticamente, coladas. Mas, nos dias de caos e manifestações por toda a região de Kanto, demorou mais do que o esperado. Misty não imaginou que seria necessário seguranças ou rotas alternativas – mas ela também não imaginou que a pressão pública estaria sob todos os líderes de ginásio.

Durante o curto trajeto, Misty fora interrompida diversas vezes. Manifestantes a favor da prisão de John Carvalho procuraram apoio dela. Outra multidão clamava para ela sair em defesa do treinador. E, no meio desse 8 ou 80, ainda havia a mídia procurando entrevistar a líder em busca de declarações a respeito do que ela achava ou deixava de achar sobre o caso mais sério que ocorrera na história de Kanto.

No entanto, não era novidade que a opinião de Misty era aguardada. Ela era dona de um dos ginásios mais tradicionais e famosos de Kanto. Cerulean sempre fora respeitado – até mesmo quando as irmãs de Misty davam as insígnias havia um acordo mudo da imprensa de não falar nada a respeito disso ou pedir que o ginásio fechasse a porta. Quando Misty retornou e assumiu o seu posto de líder, o Ginásio de Água só cresceu em popularidade e chegou ao patamar dos cinco melhores estádios de todo o mundo – liderando a lista por diversos anos seguidos.

Com tanto sucesso e poder da treinadora, não fora surpresa que com a expulsão de Lorelai da Elite dos Quatro Misty fora chamada para assumir o posto. Fora momentos de glória. Sentiu-se prestigiada e honrada pelo convite, mas não aceitou. Ela sabia que com o cargo viria duas grandes responsabilidades e escândalos secretamente embutidos: uma burocracia e politicagem com a qual ela não estava acostumada e nem gostava; e também a pressão por ser sucessora de Lorelai, que saíra prometendo retomar seu lugar de destaque na Elite – mesmo após ter sido comprovadamente culpada de abusar do cargo em prol de benefícios individuais.

Os anos passaram e, com a recusa de ocupar um lugar na Elite dos Quatro, Gary Carvalho fora chamado. Ele aceitou sem titubear. E, meses após assumir, cedeu seu lugar para Lorelai em troca do Ginásio de Viridian, que ela ocupava como líder. Pura politicagem, uma vez que o ocupante da cadeira da Elite dos Quatro pode ceder seu lugar para qualquer um com a aprovação dos demais três líderes – há não ser que essa indicação seja para qualquer líder de ginásio, ai basta apenas a aceitação do líder e não dos demais componentes da Elite. Um movimento digno de um jogo de xadrez – o qual Gary e Lorelai jogavam tão bem.

Misty não entendia o interesse por trás do Ginásio de Viridian. Ele sempre fora alvo de muitas polêmicas e especulação. Ele havia sido fundado por Giovani, líder da organização criminosa Equipe Rocket. O líder usava o ginásio para conseguir mais Pokémon e dinheiro para suas ações criminosas, contudo nunca tivera uma falha sendo líder. Atendia aos treinadores, batalhava e distribuía insígnias. Depois de um tempo, sumiu. Ficou anos sem o ginásio ser aberto e uma discussão tomou a Elite dos Quatro: fechar ou não o ginásio? Enquanto pensavam, Blue tomara as rédeas como Líder. Antes da decisão ser tomada, Giovani reapareceu e voltou as atividades do Ginásio, tirando Blue de seu lugar – o qual fora embora de Kanto e, até então, não mais retornara. Anos mais tarde, após ser descoberto que ele era o líder criminoso, fora alvo de uma ação policial encabeçada por Red, que culminou na morte do líder.

Sem Giovani, Viridian estava sem líder de ginásio. Com a expulsão de Lorelai, acharam por bem ceder o ginásio para Lorelai, que assumi as funções por poucos meses e então passou o ginásio para Gary, que ocupava o cargo até então.

Ironicamente, mais um escândalo estava envolvendo um líder de Viridian. Misty não pode deixar de sorrir pela infeliz insistência em coisas ruins acontecerem com quem ficasse a frente daquele ginásio.

E então lá estava ela, finalmente em frente ao ginásio de Pewter, até então invicta com as manifestações e jornalistas, mas sua sorte estava para mudar. Assim que desceu do carro e caminhava para a entrada do calmo Ginásio, uma jornalista entrou em sua frente.

- Misty, você poderia falar conosco um minuto?

Ela não estava feliz e nem queria dar declarações, mas olhou para os lados e viu que estavam completamente a sós. Se gostaria de falar com alguém sobre o caso ou dar uma declaração pública, aquele seria o momento perfeito: não haveria interrupções e nem gritos favoráveis e contrários das pessoas que estivessem próximas.

- Não tenho muito o que falar, ainda temos que aguardar um posicionamento da Elite dos Quatro e qualquer declaração que venha antes disso seria mera especulação.

A jornalista pareceu atônita. Nunca imaginaria que conseguiria uma declaração exclusiva de Misty – já que todos os seus colegas das demais emissoras haviam afirmado categoricamente que a líder estava blindada para a imprensa.

- Se você puder repetir para a câmera, ai podemos gravar.

Misty sorriu e acenou concordou. Enquanto se preparavam as portas do ginásio se abriram e Joy apareceu do lado de fora, acenando para a amiga.

- Certo, quando você puder...

A luz da câmera ficou vermelha e começou a gravação. Misty não conseguia deixar de lembrar do que Joy a dissera: elas haviam cometido um erro. Mas qual erro? Seria prudente ela falar agora sobre o assunto?

- Nada a declarar.

Pedindo desculpas, Misty virou e entrou nos domínios do Ginásio de Pewter, deixando para trás a jovem jornalista frustrada.

Joy abriu os braços e deu um longo sorriso. Abraçou a amiga apertado como há muito tempo não fazia. Estava com saudades e ter uma amiga tão próxima assim dava felicidade aos seus dias, coisa que há muito estava faltando.

- Misty, temos muito o que conversar. Mas estou tão feliz que esteja aqui!

- Fico muito feliz em estar aqui também, joy! Mas, confesso, um pouco preocupada. Aquele seu recado não me deixaria dormir, por isso sai bem cedo de Cerulean para vir aqui. Devemos nos preocupar?

Joy não respondeu. O sorriso não estava mais em seu rosto. Estava triste como há tempos não ficava. E também se sentia só. Brock há muito não passava por ali, estava ocupado com as suas obrigações e estudos. Não restava muito o que fazer naquele ginásio imenso, ainda se tivesse muitas batalhas... mas nem isso.

- Vamos direto ao assunto: nós estamos errada. Acho que está na hora de você falar com eles novamente e pedir que seu convite seja reconsiderado. A Elite dos Quatro tem que ser mudada, nós erramos.

Misty estava assustada. Joy sabia tanto quanto ela que o convite para a Elite não a agradava em nada – elas conversaram sobre o assunto por dias e dias antes de Misty declinar o convite. Havia um grande jogo de xadrez acontecendo em canto e Misty e Joy estavam cientes disso: o interesse em desmantelar a Elite dos Quatro e também reestruturar alguns líderes de ginásio. Não sabiam exatamente com quais motivos e quem estava arquitetando o plano ainda, mas tinham uma certeza plena: alguém estava tentando mudar a região de Kanto como ela era conhecida.

- Lorelai não é flor que se cheire, isso nós duas sabemos. Mas falar que a Elite deve mudar é o mesmo que acreditar que Bruno, Lance e Agatha sejam tão ruins quanto ela, Joy. Nós sabemos que isso não é verdade.

- Sabemos? O que eles estão fazendo enquanto tudo isso está correndo? Nós votamos junto a eles. Ficamos do lado deles. Levantamos a bandeira e Deus sabe o que passamos para convencer aquela velha da Érika a nos ouvir. Ela já está caduca, têm ouvido o que ela tem falado sobre o bisneto do Carvalho? É assustador!

- Mas não entendo onde isso pode nos levar, Joy. Armar a queda de Elite dos Quatro é o mesmo que assinar uma determinação de que John Carvalho deva ser preso – ou pior – morto. É isso que queremos? Não concordo com o que ele fez, mas por Deus, ele é um dos nossos.

Joy parou por um momento. Gostaria de dividir suas dúvidas com Misty e combinar o que poderiam fazer para salvar Kanto, John e também para acabar com a bomba relógio que Kanto se tornou. Estaria a amiga certa? Não mexer e fazer vista grossa seria o melhor posicionamento?

- E se nós pedíssemos ajuda para Sinnoh? Aaron e Bertha, da Elite dos Quatro de lá, certamente não veriam problemas em interferir em Kanto e nos ajudar. Estamos em um momento de calamidade, Misty!

- E você confia em Flint e Lucian? Por Deus, Joy! Lucian é parente de Sabrina. Se não conseguimos derrubar ela e seus maus feitos desde a época de Giovani, imagina o que faremos colocando Lucian dentro de nossa área? Não podemos.

- Então ficaremos de lado opostos?

Misty endureceu. Não lembrava de ter visto Joy com um semblante tão sério.

- Se for a vontade do ginásio de Pewter convocar Sinnoh, Cerulean será oposta a isso.

A líder escolheu bem as palavras. Na verdade ela sabia que a última palavra sempre fora de Brock. Joy era educada demais para tomar as decisões do Ginásio de Pedra sem consultar o marido – por respeito a tradição do ginásio ser da família há décadas. Mesmo agora, que ela oficialmente havia se tornado a líder licenciada pela Elite dos Quatro, Brock ainda tinha a palavra final. E Misty sabia que ainda influenciava o amigo, após tantos anos viajando juntos com Ash, ela tinha suas cartas na manga.

- Pois talvez seja.

- Você está propondo um golpe de estado, Joy! Não deixe se influenciar por isso. O que nos precisamos agora é ficar ao lado de quem nós sabemos quem são. E de quem sabemos quais são as intenções. Dar forças à Érica, Sabrina e desmantelar a Elite dos Quatro entregando de bandeja à Sinnoh não será só o fim de Kanto, mas também o fim de nossos ginásios!

Antes de Joy conseguir responder, a porta do extremo leste do Ginásio se abriu. Um pequeno rapaz de cabelo verde entrou ao lado de um dos funcionários de Pewter.

- Me desculpe, senhorita. Mas esse rapaz insiste em falar com você, disse que tem um recado importante de Red.

Misty e Joy se entreolharam. A discussão poderia aguardar mais um pouco. Ela se aproximou do rapaz e, ao julgar pelas roupas sujas de grama e terra e a face jovial, sabia exatamente do que se tratava: um novo treinador Pokémon em jornada.

- Como saberemos que ele fala a verdade?

Fora Misty que quebrar o silêncio, olhando irritada para o jovem de cabelo espetado.

- Quem é você, rapaz?

Joy ignorou o ataque da amiga e sorriu para o treinador.

- Sou Simon, da cidade de Viridian. Iniciei minha jornada há pouco. Fui até o Professor Carvalho pegar meu primeiro Pokémon, veja – Ele indicou a Pokedéx e as pokébolas em sua mochila – Mas ele não estava lá, foi Red quem me atendeu.

- Red assumiu o laboratório?

- Não, Misty – Simon sabia o nome de todos os líderes de ginásio e tinha a certeza que aquela que perguntara, que estava ao lado de Joy, era a líder de Cerulean – A senhora tinha que ver, o laboratório foi atacado! Está uma loucura em Pallet. Red me salvou no laboratório e entregou meu primeiro Pokémon, um Charmander.

A líder irritou-se. Já estavam atacando Pallet. Faltava pouco para que os líderes de ginásio convocassem uma assembleia se a Elite dos Quatro não se posicionasse. Tinham que agir logo.

- Não ligue para a irritação da líder de Cerulean, certamente ela está assim pelo simples fato de você não ter começado com um Squirtle. – Joy sorriu – Mas me diga, o que Red pediu para você falar?

- Que as cadeiras não devem ser mexidas. E que você está sendo monitorada. Ele disse que é uma piada interna de vocês e que você entenderia isso.

Joy fechou o riso. Misty estava certa: não poderiam mexer na Elite dos Quatro. Ela não sabia o motivo, mas tinha certeza que podia confiar em Red, já que ele tinha notícias e informações confidenciais – as mesmas que o levaram a dizimar a Equipe Rocket.

Misty, por sua vez, sorriu. Ela sabia que algo estava acontecendo e tinha certeza que aquela seria uma longa batalha. Estava ansiosa para iniciar e, por um minuto, lembrou de como embarcar em desafios – e vencê-los – a animavam tanto.

- Acho que te devo um pedido de desculpas. – Sussurou Joy para sua amiga.

- Podemos conversar sobre isso melhor, ainda há muitos problemas para pensarmos. Mais do que nunca temos que unir nossas forças.

Joy sorriu e acenou. Misty estava com o rosto sério e assertivo. Aquela era uma batalha que estava pronta para embarcar.

- E mais uma coisa... eu gostaria de batalhar com você pela insígnia de Pedra, se possível.

Misty e Joy sorriram alto. Estavam tão tensas que esqueceram do principal motivo que levaria um jovem treinador a entrar em um Ginásio. Mesmo envolto a todo aquele caos, as coisas pareciam ser normais e voltar ao seu caminho.

Antes de Joy responder, eles foram interrompidos mais uma vez. A porta do extremo oeste do Ginásio se abriu e um outro funcionário parecia cansado como se tivesse corrido uma maratona.

- Senhora, a senhora tem que ver isso. Está ao vivo, do Ginásio de Cerulean.

O funcionário acionou algum botão oculto na parede do ginásio que fez um grande telão deslizar e ligar. Misty assustou ao ver nas imagens o seu ginásio lotado de pessoas e cartazes sendo pedindo a prisão de John Carvalho estampados no meio da multidão.

"... e finalmente ela estava está subindo ao palco improvisado aqui do Ginásio de Cerulean. Um funcionário que pediu para não ser identificado me confidenciou que Misty, a líder, saiu na manhã de hoje rumo à cidade de Pewter, para se reunir às pressas com a líder Joy e discutir sobre o posicionamento das duas cidades no caso de John Carvalho. Misty estava cedendo o Ginásio para Mandy Shannon, rival de John na batalha, ficar enquanto os ânimos não se acalmavam. Muitos estão vendo o ato de Misty como favorável à condenação de John, uma vez que está escoltando Mandy dentro de seu próprio ginásio. Agora, ao vivo, Mandy irá começar o seu discurso".

No centro do Ginásio de Cerulean fora colocado uma grande plataforma que ocupara grande espaço da piscina principal – onde as batalhas ocorriam. No centro estava Mandy, com o inconfundível cabelo azul, rodeada por microfones.

"- Muitos sabem que o que presenciei diante dos meus olhos não foi algo feliz. Um Pokémon foi morto, massacrado, sem que houvesse justiça. Todos nós, irmãos Pokémon, estamos aflitos e não sabemos o que irá acontecer no dia seguinte. Hoje, deixamos passar um suposto acidente em batalha, amanhã podemos escravizar nossos amigos monstrinhos e fazer deles apenas uma máquina de batalha, sem que aja sentimentos ou obrigações de treinadores para os seus Pokémon.

O futuro será feito por nós. A escolha está em nossas mãos e em como nós iremos nos posicionar frente a tudo isso. Um treinador deixou suas responsabilidades de lado e está, agora, em uma cela na Delegacia da cidade de Cerulean. Não foi para a prisão. Não foi condenado. Seu Pokémon, fora enterrado e ninguém – ninguém mesmo – fez uma cerimônia a ele. A família Carvalho, que deveria estar presente, não apareceu. Ninguém declarou apoio ou repulsa. E John está ali, aqui pertinho, sentado em uma cela sem saber o que esperar. Talvez, só talvez, sem ter a consciência de saber se o que fez foi errado ou não. E a culpa é de quem? De cada um de nós.

A Elite dos Quatro de Kanto está se ausentando se suas responsabilidades. Não veio a público e nem deu declarações. Estamos aflitos, de coração na mão, e não sabemos o que esperar ou quando esperar.

Nossos irmãos de outros continentes já tomaram sua decisão. Chegou ao meu conhecimento que algumas das regiões registraram o meu nome como a grande vencedora da Liga de Kanto deste ano. A justificativa deles fora que um campeonato não pode passar de todos os limites do aceitável por apenas um título. O que John fez não está escrito em um livro como regra para ele a ter quebrado. Mas cabe ao bom senso de um treinador saber que matar um Pokémon não é um preço válido em busca de um prêmio.

Ele deveria ser desclassificado. Ele deveria pagar pelo seu crime. E eu, com a força destes continentes que a mim creditarem sua esperança e fé, estou aqui de peito aberto clamando a todos vocês que busquem por justiça: que cobram da Elite dos Quatro a expulsão de John Carvalho da Liga de Kanto e que ele seja preso. E se a Elite continuar a fazer o jogo do silêncio, que seja colocado eles em questão: estão ou não fazendo o seu dever de cuidar dos Pokémon da região de Kanto? Pois se o silêncio prevalecer, eu digo, está na hora de rever quem nos representa.

Isso é tudo que eu tenho que falar no momento. Muito obrigada pela atenção. Um grande abraço de Mandy Shannon, a vencedora da Liga de Kanto".

Ao fim do discurso de Mandy vários jornalistas começaram a fazer perguntas. A imagem continuou focando em seu rosto. A grande maioria que lotava do Ginásio de Cerulean aplaudiam e clamavam por Mandy. Ela havia conquistado o público e, provavelmente, o seu lugar de direto: se tornara a vencedora de Liga de Kanto – e com isso levava consigo o peso de sua palavra e sua influência, além de todo o carisma e história sofrida de ter visto um Pokémon morrer em sua frente e, aos prantos, clamar por ajuda. Fora ela quem passara tudo aquilo no campo de batalha e todos tinham empatia por Mandy.

Ela saiu do centro do Ginásio e as pessoas começaram a se exaltar. Grupos contrários a prisão de Gary jogaram garrafas contra a estrutura do Ginásio e rapidamente foram contidos por grupos favoráveis. A repórter informou que devido a confusão, Mandy fora escoltada para fora do Ginásio e que oficiais Jenny estavam isolando o Ginásio. Mais um para a lista de ginásios fechados: Viridian (pois Gary havia sumido); Celadon (Érika se negava a combater outros treinadores até a Elite dos Quatro se pronunciar); e agora Cerulean, por tumulto e danos em sua estrutura.

O coração de Misty estava há mil por hora. Havia muito o que pensar, muito o que fazer e, certamente, uma declaração a fazer. Mandy estava em seu ginásio e isso poderia soar como apoio de Misty ao seu posicionamento e também a prisão de John. E agora, mais do que nunca, ela não poderia ser associada a esse tipo de imagem, já que a aliança de alguns dos líderes de ginásio de Kanto deveria permanecer, Red havia mandado o recado: não podemos mexer nas cadeiras. Mas como se agora a oposição tinha alguém tão atrativa, simpática e empática do seu lado? Sem saber, Mandy tornou-se um mártir para a queda de Kanto. Só havia um jeito de Misty colocar sua cabeça no lugar.

- Eu batalho com você, garoto.