11.
Eu estava com uma sensação esquisita, bem ali no meu peito. Eu não sei bem o que é, mas tenho bastante certeza de que está ligada a toda essa aproximação com James. É exatamente o que eu senti quando assisti o primeiro filme de minha vida, A Branca de Neve. Eu tinha apenas quatro anos, mas lembro de como havia sido. Eu estava agitada, intrigada,bem... Cativada.
Era assim mesmo que eu me sentia quando pensava nele. A agitação de penetrar em território desconhecido, a curiosidade por todas aquelas coisas novas que eu estava experimentando e o jeito como ele simplesmente me cativava e me convencia até mesmo de subir em uma vassoura com grande facilidade. Aquilo era assustador. Era como se ele soubesse exatamente o que fazer e dizer...
- Eu vi você sorrindo para ela, Sirius! – ouvi a voz exaltada de Lene preenchendo o vestiário feminino. Eu esperava por ela e Sirius sentada em um dos bancos, como havia combinado. Optei por não assistir ao jogo depois que quase fui beijada por James. Por algum motivo, eu havia ficado decepcionada. E aquilo tinha me perturbado um bocado.
- Eu não estava sorrindo para ela, estava rindo dela. – o tom de Sirius era contido, mas ele estava nervoso. Eles pararam em frente ao banco que eu estava , mas ainda não olhavam diretamente para mim. -Pode, por favor, Lily, dizer à sua amiga que eu não estava flertando com garota alguma?
- Lene, ele... – comecei, mas Marlene não me deixou continuar. Ela parecia realmente irritada.
- Eu não sou idiota,okay? – ela colocou as mãos na cintura. Sinal de perigo.
- Hey! – subi no banco, tentando chamar alguma atenção. – Podem me dizer o que aconteceu?
- Ele estava...
- Eu conto – Sirius a interrompeu - Uma garota levou um cartaz. Dizendo que me ama e pedindo que eu a convidasse para o baile do sétimo ano.
Eu havia me esquecido desse maldito baile que slug havia inventado. As garotas desse castelo realmente agiam de maneiras estúpidas sempre que esse tipo de evento se aproximava...
- Como se você fosse um astro de rock? – eu ri – Isso é ridículo.
- Não é!? – Marlene pareceu achar que eu havia tomado uma posição na briga.
- Eu sei que é ridículo. – ele bufou – Eu estava rindo daquilo. Mas a tonta da sua amiga cismou que eu estava sorrindo para a garota!
Franzi o cenho. Okay, estava na hora de finalmente entender aquele relacionamento maluco.
- Mas, Lene... – eu comecei, me voltando para minha amiga. – Eu achei que vocês tivessem um relacionamento aberto ou algo do tipo... É o que você sempre diz, certo?
Marlene arregalou os olhos para mim, como se eu a tivesse traido.
- Lily! – ela revirou os olhos, com o rosto corando – Isso é só uma idiotice que eu digo às pessoas, não quer dizer que...
- Quer saber? – Sirius chegou mais perto de minha amiga. Ele parecia ter se cansado da briga e estar prestes a pôr um ponto final naquilo. – Lily tem razão.
Ah essa não! O que ele queria dizer com aquilo? E por que ele estava com aquela expressão? Ele havia se cansado e iria finalmente usufruir de seus direitos de namoro aberto!? Eu havia estragado o relacionamento de minha melhor amiga!? Meu Deus, Lily, você tem que aprender a ficar de boca fechada. Definitivamente.
- O-O-quê...? – Marlene tirou as mãos da cintura e sua expressão mudou de repente. Tenho certeza que ela estava pensando mesmo que eu. Ela nunca iria me perdoar...
- Ta na hora de acabar com essa palhaçada de não-exclusividade. – ele sorriu de leve e tirou uma mexa de cabelo de seu rosto.
Marlene estava paralisada. Eu também. Aquilo estava realmente acontecendo? Bem ali, diante de meus olhos? Sirius estava prestes a pedir minha amiga em...
- Eu te amo, Lene. Você quer, finalmente, ser minha namorada? Oficialmente?
Ele havia pedido ela em namoro! Ai meu Deus. Eu nunca achei viveria para ver isso! E nem que ficaria tão feliz!
Marlene o encarou por uns bons minutos, podia quase ouvir seu coração martelando dentro de seu peito. Ela se fazia de durona, mas eu sei o quanto ela gosta de Sirius.
Ela deixou um sorriso brotar em seu rosto. E então o puxou pelo uniforme e o agarrou.
Eu sei que provavelmente eu deveria sair de fininho e deixá-los ali sozinhos, ao invés de ficar assistindo tudo como uma maníaca. Mas eu simplesmente não podia despregar meus olhos dos dois. Era um beijo tão apaixonado.
- Ah! – ela interrompeu o beijo por alguns segundos, lembrando-se de responder sua pergunta. – Eu quero sim. – ela sorriu. – E eu também te amo. Muito.
- Eu sei. – Sirius riu e a puxou devolta para o beijo.
Aquilo era tão Han Solo. Eu sou a maior fã do Sirius agora.
Sirius e Marlene são o casal de namorados mais adorável que já vi. Claro que, na prática, não mudou muita coisa no relacionamento deles, afinal eles já viviam juntos e se beijando por aí. Mas havia algo de diferente agora. Eles não tinham mais medo de andar de mãos dadas, ficar abraçados em público e nem de dizer nada romântico. Eu já havia presenciado mais dois "Eu te amo"s desde aquele primeiro. Simplesmente adorável.
Eu estava realmente feliz por aquilo tudo, é claro. Nem me importava mais de dividir minha melhor amiga com Sirius. Ele havia acabado de se provar merecedor dela e eu mais que abençoava aquela união! Se eu pudesse eu mesma celebraria o casamento deles (na verdade, até que não é má idéia, vou me lembrar de sugerir isso à Lene mais tarde). No entanto, já haviam se passado três dias desde noso encontro no vestiário e ainda não havíamos conversado sobre o meu plano.
James e eu estávamos cada vez mais próximos (até mais do que eu achava saudável, para ser sincera), mas sempre que surgia uma oportunidade de beijo, algo dava errado. Ou simplesmente ele agia como se não notasse o clima (que eu havia, propositalmente, criado). Ou seja, eu precisava urgentemente conversar com os meus capangas enamorados.
- Bom dia , pessoas – eu sorri para todos na mesa do café-da-manhã. Havia o perdido nos últimos dias, por conta de minhas noitadas de filme com James.
- Bom dia – todos os marotos e minha amiga responderam em uníssono, estranhando o meu bom-humor excessivo. Eu estava nas nuvens com todo esse romance acontecendo tão perto de mim.
Sorri mais uma vez e me sentei ao lado de Lene. Não entre ela e Sirius, como de costume, mas no lugar livre ao seu lado.
- O que é isso, Lily? – Marlene arregalou os olhos e levou à boca, exagerando uma expressão surpresa. Ela achava muita graça de como eu andava me comportando em relação ao namoro deles. – Você está sentada do lado errado!
- Não estou não. – eu revirei os olhos, com mais um sorriso – Não quero atrapalhar o meu casalzinho preferido! – apertei suas bochechas, fazendo voz de bebê ao pronunciar as últimas palavras. Sabia que ela ficaria sem jeito com aquilo.
- Eca! – ela corou e deu um tapa em minha mão.
Sirius ria.
- Se eu soubesse que seria tão fácil me livrar da ruiva, eu teria te pedido em namoro há mais tempo, Lene. – ele fez graça. Sorri para ele. Nada estragaria meu bom-humor.
- Okay, Lily, pare com isso. – James também ria – Está assustando a todos nós.
- Bom, eu estou feliz. – sorri para ele também – Você também não está feliz? Eles também são seus amigos!
- Espere aí. Como assim "também são seus amigos"? – ele ergueu uma sobrancelha – Então agora Sirius é seu amigo também?
- Claro que sim. – mais um sorriso. – Qualquer um que diz que ama minha amiga é meu amigo.
- Mérlin, você está parecendo uma boneca assassina, Lilz... – Lene fez uma careta.
- Certo... – ele parecia estar se acostumando com a informação.
- Não fique com ciúmes, James. – outro sorriso – Você também está quase lá.
Ele ergueu as sobrancelhas para mim.
- Quem é você e o que fez com Lily Evans? – Marlene arregalava os olhos para mim.
- Sabe, Lene. – James parecia ter se recuperado do choque e sorria divertido – Eu sabia que esse dia chegaria. Eu sou um gosto adquirido, ela só precisava de um tempo comigo. – olhou para mim agora - Em breve estará me propondo em casamento.
Finalmente perdi meu sorriso, sentindo meu rosto corar. Ele provavelmente achava que aquilo era alguma piada, mas era a mais pura realidade. Ele era realmente um gosto adquirido. E eu temia que a última parte viesse a se concretizar um dia... Deus me livre!
- Você é um idiota, Potter. – resmunguei.
- Agora sim – ele sorriu satisfeito, se inclinando na caidera com os braços cruzados atrás da cabeça – Essa é a Lily que nós conhecemos e amamos...
Amamos? Okay, não surte. Ele não quis dizer isso.
- Vocês dois. – me levantei e olhei para Marlene e Sirius. Usava meu tom de general. – Reunião durante a aula de Feitiços hoje. Nada de se sentarem longe de mim. - Me virei para James. – E quanto a você. – falei entre dentes – Isso não tem a menor graça...
"Eu preciso da ajuda de vocês. Eu preciso beijar o garoto de uma vez, antes que eu fique louca." Eu esbocei em um pedaço de pergaminho, alheia a tudo que professor Flitchwick nos falava. Marlene e Sirius haviam se sentado próximos a mim como eu havia pedido, mas, como James também estava por perto, achei mais seguro madar a eles um bilhete.
Certo, eu não poderia dizer aquilo daquele jeito. Eu realmente precisava beijar ele logo. E realmente estava quase ficando louca. Quer dizer, eu não estava mais controlando o que eu sentia ou falava quando James estava por perto. Era como se ele fosse aquele cara voodoo de A Princesa e o Sapo, tivesse fabricado uma mini-Lily e ficasse constantemente a espetando no cérebro. E no estômago. E, possivelmente, no coração.
Bem, eu precisava agir rápido. Antes que eu acabasse me apaixonando de fato por ele.
Amassei o pergaminho em minha mão e o joguei em minha mochila. Se Marlene e Sirius lessem aquelas palavras, ririam de mim e fariam piadas sobre isso até a nossa boda de ouro. Espere. Eu não vou me casar com James Potter.
"Preciso da ajuda de vocês. Já está na hora de beijar ele." Rabisquei simplesmente em mais um pedaço de papel. Me pareceu satisfatório. Dobrei o papel cuidadosamente e o passei para mesa de trás, onde Marlene e Sirius sentavam juntos.
Olhei para James ao meu lado. Ele desenhava algo em seu pergaminho, distraído. Estava com a cadeira levemente inclinada para trás e suas pernas estavam cruzadas sobre a cadeira desocupada em sua frente. Ele sempre foi tão charmoso?
Me dei conta de que ele já não era mais uma fera para mim. Havia evoluído para o estágio de Aladdin. Meu Deus.
"Mérlin, Lily, se controle. Você está quase babando em sua mesa." Era a letra de Marlene. Franzi o cenho para o papel. "Sirius acha que você deve agarrar ele de uma vez."
Fiz uma careta involuntária. Eu não iria agarrar ele.
- O que foi? – James sussurrou para mim, com uma expressão divertida no rosto. – O que escreveram nesse pergaminho?
- O-o que? – senti meu rosto esquentar furiosamente. – Nada! São só... Negócios.
- Entendo – ele ergueu a sobrancelha para mim e voltou ao seu desenho. Era uma caricatura do professor Flitchwick amarrado em uma cadeira e com uma maçã na boca o impedindo de falar. Ri baixinho. Ele me lançou mais um olhar e sorriu para mim. Deus.
"Eu não vou agarrar ele. Ele quem precisa me beijar. E tem que acontecer rápido. Não aguento mais."
Ouvi uma risada alta atrás de mim. Sirius.
"Controle-se, ruiva. Não sabia que estava tão desesperada por mais um beijo do meu amigo."
Okay, Lily serial killer que vive dentro de mim, você quer matar Sirius. Eu sei. Mas, infelizmente, ele é namorado de Marlene. E pai de seus futuros afilhados. Você não quer Marlene viúva, quer? Ou o pobre Eric chorando sentindo saudades do papai?
"Muito engraçado. Ha-ha. O negócio é o seguinte, Lene. Depois desse baile estúpido que o Slug está organizando, vamos entrar em semana de provas. E depois iremos embora de Hogwarts. E, se Aquele que está lá em cima é justo e piedoso, eu nunca mais terei de ver ele de novo. A não ser, é claro, nos aniversários de nosso afilhadinho. A propósito, vocês deviam colocar o nome dele de Eric."
"Então você tem que beijar o James até o baile?"
"ELE tem que me beijar."
"Isso não pode ser tão difí ês estão sempre juntos agora, como nunca surgiu uma oportunidade?"
"A oportunidade surgiu, Lene. Mas sempre aparece alguém para atrapalhar ou então ele simplesmente não entende os sinais." Rabisquei apressadamente. James havia acabado o seu desenho e começava a tentar bisbilhotar o que escrevíamos.
"Bom, então você tem que enviar sinais mais claros. Sirius acha que você deveria começar a usar saias mais curtas e piscar mais os olhos."
Revirei os olhos, sentindo meu rosto corar. Por que mesmo eu ainda incluía Sirius nisso? Amassei o pergaminho e o joguei também em minha mochila. Já estava pronta para desistir da ajuda deles, quando recebi outro pergaminho. Desta vez escrito com a grafia de Srius.
"Por que você não o convida para o baile, ruiva?"
Até que não era má idéia.
Nota : Pessoas, me desculpem. Me enrolei tanto com a faculdade que acabei esquecendo de postar capítulos! (Respondendo à menina que perguntou, Palas: Faço Comunicação Visual Design). Mas perdoem esta pobre criatura que não terá férias. Enquanto vocês estão aí, lendo fics, tomando picolé e no ar condicionado, eu to enfrentando 3h de ônibus e salas de aula sem ventilador. Na última semana a semana a sensação térmica foi de 45 graus, belezura.
Bom... Agora que já me desculpei e fiz vocês sentirem piedade de mim, me despeço. Espero que estejam gostando. Vou tentar postar mais regurlarmente, okay?
Obrigada a todos pelos reviews =)
