Final

- Onde foi mesmo que você encontrou esse terno, Sr. Eko?- Sawyer perguntou mirando-se diante de um espelho parte quebrado na cabana do padre.

Eko sorriu e respondeu:

- Eu o encontrei na escotilha quando estava procurando outra coisa.

- Deve ser do Desmond.- Sawyer resmungou. – Não combina de jeito nenhum comigo.

- Pois eu acho que caiu muito bem em você, James. É perfeito para a ocasião.

Sawyer deixou sair um suspiro.

- E se ela me ver vestido assim e começar a rir?

- Por que ela faria isso?- retrucou Eko.

- Ora, porque nós somos sobreviventes de um acidente de avião numa ilha no meio do nada e eu apareço na frente dela todo de terno, carregando um anel? Me parece estúpido! Ela vai me dar um tapa no meio da cara...

- James, respira fundo... – sugeriu Eko dando um tapinha no ombro dele.

Sawyer se olhou no espelho mais uma vez. O terno azul-marinho, de corte italiano, provavelmente muito caro que o padre encontrara para ele realmente lhe caía como uma luva, ele tinha que admitir. Mesmo assim, estava aterrorizado em ir encontrar Ana-Lucia e pedi-la em casamento. Ele nunca tinha pedido uma mulher em casamento antes. Nem mesmo Cassidy, a garota com quem namorou e aplicou golpes juntos. Jamais sentira aquela vontade de se compromter com uma pessoa só.

Entretanto, seu romance relâmpago com Ana-Lucia despertara sentimentos nele que Sawyer nem sabia que existiam. Gostava dela de verdade e sim, por mais absurdo que parecesse queria se casar com ela. Ela era a única mulher quem ele queria naquela ilha e até fora dela, concluiu assustado.

Arrumou os cabelos loiros mais uma vez diante do espelho e falou, mais consigo mesmo do que com Eko:

- Bom seja o que Deus quiser.

- Hoje é véspera de natal, James. Tenha fé!

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Ana-Lucia estava olhando para as parcas roupas que tinha e acabou se decidindo por calça jeans e camiseta. Estava nervosa sobre essa festa de natal por várias razões, uma delas era o amigo secreto. Tinha preparado um presente ela mesma, mas não sabia se a pessoa iria gostar. A outra razão, a que mais lhe incomodava era o fato de que aquela seria a primeira vez em que estaria participando de um evento social naquela comunidade e isso a amedrontava.

Não queria e não precisava dos olhares hostis das pessoas julgando-a por seu crime sem parar. Ela conversara sobre isso com Libby mais cedo e a amiga lhe dissera que as pessoas a tinham perdoado porque compreendiam que tudo não passara de um acidente. Mesmo assim, Ana-Lucia ainda estava temerosa. Estava se perguntando mais uma vez se deveria ir à esta festa quando Claire chamou-a do lado de fora de sua tenda.

- Hey!- Ana-Lucia a saudou com um pequeno sorriso ao abrir a lona de sua tenda para Claire.

- Oi, Ana.- disse Claire carregando um embrulho de papel pardo com um laço roxo improvisado com uma alça de sutiã.

- Será que eu posso entrar?- indagou Claire.

Ana-Lucia assentiu e deu espaço para que ela passasse. Claire estendeu-lhe o embrulho e disse:

- Feliz Natal, Ana-Lucia. Eu sou a sua amiga secreta.

Ela ergueu uma sobrancelha.

- Eu sei que o certo seria esperar que todo mundo se encontrasse na praia para trocar os presentes, mas eu tenho algo especial que eu gostaria que você usasse esta noite.

Ana-Lucia abriu o pacote e ficou muito surpresa ao encontrar uma blusa branca de renda muito delicada com um pequeno top branco para usar por dentro, acompanhada de uma saia rodada e comprida também branca com uma renda na barra que combinava com a blusa.

- Onde conseguiu isso?- ela indagou. Tinha gostado muito da roupa, mas esta parecia tão nova. – Por acaso tem alguma loja de roupas na floresta que eu desconheço?

Claire deu uma risadinha.

- Eu achei em uma das malas abandonadas faz tempo, mas nunca usei. Quando eu cheguei nesta ilha tava com quase nove meses de gravidez e...

- Obrigada.- disse Ana-Lucia. – A roupa é muito linda mas não posso aceitar.

- Claro que pode!- insistiu Claire. – Aceite e por favor vista hoje à noite.

Ana observou que Claire estava usando um lindo vestido verde com babados na saia e perguntou:

- Todo mundo vai estar bem vestido nessa festa?

- Ah, com certeza.- disse Claire. – Todo mundo vai vestir o que de melhor encontrarem nessa ilha. Estamos celebrando o Natal hoje, mas também estamos celebrando o fato de ainda estarmos vivos depois de tanta tragédia.

Ana-Lucia assentiu. De repente as palavras de Claire fizeram todo o sentido.

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Charlie testou a afinação de seu violão e sorriu satisfeito com a performance do instrumento. Olhou para o coral de Claire que estava preparado para a sua apresentação que aconteceria nos próximos minutos.

Tocos de madeira estavam espalhados pela praia servindo como cadeiras para as pessoas se sentarem e assistirem ao coral. Jack apareceu todo arrumado usando uma camisa de botões cinza e uma calça jeans escura. O cabelo tinha sido aparado e o rosto barbeado. Ao vê-lo, Kate correu ao encontro dele.

- Oi, gato!- ela disse, sorridente.

- Oi, princesa.- ele respondeu.

- Você está lindo.- Kate falou com um olhar sedutor, fitando-o inteiro.

- São os seus olhos, meu amor.- Jack disse segurando uma das mãos dela e levando-a ao lábios.

Ela usava um vestido de alcinhas cor-de-rosa acima dos joelhos com motivos florais no tecido. Jack comentou:

- Pensei que não usasse cor-de-rosa.

- Foi o melhor que eu consegui nas malas.- ela respondeu com um suspiro resignado.

- Você fica linda de rosa.- ele elogiou.

Kate percebeu que algumas pessoas estavam olhando para eles e cochichando. Foi nesse momento que ela ficou na ponta dos pés e beijou Jack. Ele aproveitou a deixa dela e a segurou delicadamente pela cintura, trazendo-a para mais perto e aprofundando o beijo.

- Uau!- disseram algumas pessoas, supresas. Outras aplaudiram o casal que finalmente se revelava para a ilha inteira.

Jack estava feliz que Kate finalmente havia parado de se preocupar com a opinião das pessoas sobre o relacionamento deles.

- Kate!- Claire chamou. Todos estavam preparados para a apresentação do coral. Só faltava ela tomar seu lugar.

- Eu tenho que ir!- ela disse pra Jack dando mais um beijinho nele.

- Boa sorte.- ele disse antes de soltá-la de seus braços.

Charlie executou as primeiras notas da canção natalina "Noite Feliz" e o coral começou a cantar; para a surpresa de todos, as vozes estavam em perfeita harmonia. Enquanto as pessoas da comunidade se maravilhavam com a apresentação de seus companheiros, Sawyer e Ana-Lucia saím de suas tendas para comparecer ao evento.

Foi nesse momento que os dois se viram frente a frente. Ana-Lucia sentiu o coração falhar uma batida ao ver Sawyer diante dela vestido em um terno, segurando um pacote embrulhado nas mãos.

"Ele é tão lindo!"- seus pensamentos exclamaram.

Sawyer por sua vez sentiu o corpo inteiro ser invadido por uma sensação de paixão profunda ao ver Ana-Lucia toda vestida de branco novamente, mas dessa vez ela usava uma blusa rendada curta que revelava sua barriga, com uma saia também branca e comprida. Os cabelos estavam soltos, mas uma pequena margarida os enfeitava, enfiada do lado direito das madeixas negras.

"Ela é tão linda!"- seus pensamentos exclamaram.

Um suspiro escapou de seus lábios e Ana-Lucia o acompanhou com um suspiro também. Seu peito subia e descia devido à ansiedade de estar perto dele. Sawyer pensou em dizer alguma coisa a ela, mas as pessoas começaram a aplaudir de pé o coral que tinha acabado de finalizar sua primeira canção.

- Boa noite.- ela finalmente disse quando os aplausos amainaram.

- Boa.- Sawyer respondeu fitando-a intensamente.

Ana ergueu uma sobrancelha.

- Quero dizer...boa...noite! Foi isso que eu quis dizer- ele se explicou. – Eu não tava dizendo que você é boa...

- Não?- ela flertou com ele.

- Sim, você é boa...você é linda...- ele falou sem jeito.

Ana-Lucia sorriu.

- Você está muito elegante. Onde conseguiu esse terno?

- Eu não revelo as minhas fontes.- ele disse fazendo-a rir.

- Justo.- ela disse.

- Quer vir se sentar comigo?- Sawyer convidou, esperançoso de que ela diria sim.

Ana-Lucia assentiu e caminhou com ele para sentar-se em um tronco onde cabiam duas pessoas. Hurley e Libby estavam sentados bem ao lado deles. Libby sorriu consigo mesma ao vê-los juntos.

O coral começou a cantar outra canção de natal. Sawyer tentou se concentrar na apresentação mas a proximidade de Ana-Lucia o distraía. Ana se sentia da mesma forma e sem perceber aproximou-se mais dele e suas coxas acabaram se tocando. Ele gostou de sentia-la tão perto.

Ela acabou pousando sua mão na coxa que encostava na dele. Sawyer então, bem devagarzinho colocou sua mão sobre a dela. Ana permitiu o contato e logo os dois entrelaçavam seus dedos uns nos outros. Eles não sabiam, mas Hurley estava prestando muita atenção neles, sentindo-se orgulhoso de si mesmo por ter juntado as duas almas mais solitárias daquela comunidade.

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Depois da apresentação do coral, o jantar foi servido. Os adultos estavam animados diante da fartura de comida e bebidas Dharma naquela noite; as crianças, eufóricas corriam de um lado para o outro da praia participando de jogos que Hurley, Charlie e Michael tinham criado especialmente para elas.

Sawyer e Ana-Lucia continuaram juntos. Ele preparou um prato para eles dividirem com porco, legumes e arroz enquanto ela escolhia algumas frutas para a sobremesa. Quando se sentaram para comer, os dois disseram ao mesmo tempo:

- Me desculpe.

Se olharam e riram.

- Olha, eu realmente queria me desculpar.- Ana disse. – Eu fui muito infantil hoje de manhã.

- Eu também.- ele disse. – Eu não deveria ter deixado a Kate me beijar e...

- Eu sei que a iniciativa não foi sua, mas também eu não posso ficar te dizendo o que fazer, James...eu não sou a sua dona.

- Mas eu te dei permissão pra ser minha dona, lembra?- ele falou bem humorado enquanto saboreava um pedaço de carne que ele cortou em dois levando um à boca de Ana. Ela comeu com gosto e indagou, rindo baixinho:

- E quanto àquela tatuagem?

- Vou fazer, com certeza.- Sawyer respondeu. – Eu andei dando uma pesquisada nos estúdios de tatuagem da cidade, mas creio não ter muitas opções.

Ela riu.

- Eu queria muito te beijar... – Sawyer disse aproximando seu rosto do dela.

Ana correspondeu ao movimento do rosto dele, preparada para unir os seus lábios aos dele quando Hurley anunciou: - Gente, está na hora do amigo secreto!

- Hurley!- Sawyer resmungou porque Hurley tinha destruído o momento deles.

- Acho que temos que ir.- Ana disse, mas se sentia tão frustrada quanto ele.

A comunidade inteira se reuniu ao redor de uma grande fogueira feita por Locke e iniciou a troca de presentes. Cada pessoa ia no centro da roda e dizia algumas coisas sobre o amigo secreto para que os outros adivinhassem.

- O meu amigo secreto é uma pessoa que gosta de ajudar todo mundo.- dizia Jack segurando seu presente.

- Ele ou ela?- indagou Charlie.

- Ele.- Jack disse.

- O Sr. Eko!- gritou Emma.

- Não.- corrigiu Jack. – Essa pessoa acha que sempre tem azar, mas somos todos sortudos por tê-lo conosco.

Todos os olhares se voltaram para Hurley.

- O nome dele é Hugo Reys.- completou Jack.

As pessoas aplaudiram. Hurley se levantou e deu um abraço de urso em Jack.

- Abre! Abre! Abre!- as pessoas começaram a dizer para que ele abrisse o presente. Era um embrulho grande. Hurley o abriu e sorriu imensamente ao ver que era um pote extra-grande de molho de salada Dharma.

- Obrigado, Jack!

Jack sorriu e retornou ao seu lugar. Hurley então pôs-se a descrever seu amigo secreto.

- O meu amigo... ele é um sobrevivente.

- Todos nós somos.- implicou Charlie.

- Peraê, deixa eu continuar, dude!

Charlie ficou quieto.

- Ele é um sobrevivente do mundo.- Hurley acrescentou. – Cara super inteligente, prático, mas também sensível. Eu confiaria minha vida à ele.

As pessoas olhavam ao redor tentando decifrar quem seria aquela pessoa quando Hurley simplesmente disse:

- Meu grande amigo Sayid Jarrah.

Sayid levantou-se da roda e foi abraçar Hurley.

- Muito obrigado, meu amigo.- ele disse.

Sayid abriu seu presente e franziu o cenho quando encontrou um equipamento eletrônico aos pedaços.

- Um rádio quebrado?

- Pra você se divertir, dude.

As pessoas riram e Sayid agradeceu a Hurley pelo presente mais uma vez. O jogo continuou. Sayid tirou Sun e deu a ela um perfume que ele mesmo criara com as flores do jardim dela. Sun tirou Walt que ganhou um jogo de tabuleiro coreano feito por ela e Jin. Walt tirou Locke que ganhou uma faca nova. Locke tirou Jack que tinha tirado Sawyer. Para Jack ele deu creme de barbear Dharma e Jack deu para Sawyer um par de óculos escuros que lembravam os de Keanu Reeves em Matrix.

Sawyer por sua vez, tirou o menino Zach e deu para ele de presente um cavalo de madeira que ele mesmo entalhou para o garoto. Zach tirou Eko e deu-lhe um desenho que ele mesmo fez da ilha. Eko tirou Claire e deu a ela um lindo cobertor para sua cama que ela adorou.

- Bom, o meu amigo secreto é uma mulher.- anunciou claire.

- Rose!- gritou Zach.

- Não.- corrigiu Claire. – Ela é nova no nosso acampamento.

- Libby!- sugeriu Walt.

Claire balançou a cabeça negativamente.

- Ela é uma pessoa muito forte e determinada, e também linda.

- A Kate!- sugeriu Neil.

- A Kate não é nova no acampamento.- disse Steve.

- Ah é!- concordou Neil.

- Eu sei que ela se sente um pouco fora do lugar aqui com a gente, mas eu queria dizer pra ela que agora ela é parte do nosso grupo e sempre vai ser: Ana-Lucia Cortez.

As pessoas olharam para Ana-Lucia e começaram a aplaudir. Ela se levantou da roda um pouco tímida, mas foi abraçar Claire.

- Muito obrigada, Claire e a todos vocês por me acolherem aqui. Não tenho palavras para agradecer.

- Cadê o presente?- indagou Emma.

- Eu estou usando o meu presente.- revelou Ana-Lucia. – E como vocês podem ver, ficou muito bem em mim.

Ela deu uma voltinha ao redor de si mesma, arrancando mais aplausos dos presentes. Um dos homens assobiou e Neil não se conteve e gritou: - Gostosa!

- Como é que é?- Sawyer resmungou.

Neil calou-se imediatamente.

- Bom, o meu amigo secreto também é uma mulher. Ela é muito forte, decidida, teimosa e tem um fraco por médicos atraentes.

- Ohhhhhhh!- fizeram as pessoas olhando para Kate.

- Eu sinceramente a detesto!- Ana revelou.

Kate deu um sorriso maroto para ela.

- A razão mais provável é que eu morro de inveja dessa beleza clássica que ela tem, do tipo que come de tudo e nunca engorda...

As pessoas riram.

- Mas não posso deixar de admirar a ousadia dela e sei que ela daria sua vida para salvar um de seus amigos. Estou falando de Kate Austen.

- Sardenta!- disse Sawyer aplaudindo.

Kate se levantou e ficou frente a frente com Ana-Lucia.

- Me desculpa pela cabeçada que eu te dei.

- Desculpa por quase ter quebrado o seu braço.- disse Ana-Lucia.

- Eu...posso te dar um abraço?- Kate perguntou, espontânea.

Ana-Lucia assentiu.

- Feliz Natal, Ana-Lucia.- Kate disse.

- Feliz Natal, Kate.- ela respondeu.

Sawyer gostou de ver as duas finalmente dando uma trégua nas suas diferenças.

- Eu morro de inveja do seu bumbum.- Kate comentou baixinho com ela.

Ana-Lucia riu. Ela entregou a Kate um pequeno embrulho. Kate o abriu e viu um bracelete com pedrinhas coloridas e conchinhas.

- Foi você quem fez?- perguntou.

Ana assentiu.

- É lindo! Muito obrigada.

Depois que Ana-Lucia recebeu seu presente e Sawyer já tinha recebido o dele, resolveu que era hora de ficar a sós com sua amada, conforme o plano do Sr. Eko. Ana-Lucia não tinha ideia mas a conspiração de Hurley agora era muito maior e tinha muito mais participantes.

Quando Ana-Lucia voltou para a roda e sentou-se ao lado dele, Sawyer sussurrou-lhe ao ouvido: - Quer dar uma volta?

Ela respondeu sem se virar para ele:

- Sim.

Os dois levantaram juntos e ele segurou a mão dela que não o rejeitou. Hurley viu quando eles saíram de perto da fogueira e trocou olhares com Charlie, Eko, Jack e Kate.

- Eu vou pra igreja.- Eko disse para Charlie que estava sentado ao seu lado. – O resto de vocês venham em uns cinco minutos.

Charlie assentiu.

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Sawyer e Ana-Lucia caminharam juntos pela praia, curtindo a brisa e a luz da lua que naquela noite estava tão clara quanto na noite em que eles ficaram juntos pela primeira vez. Todo aquele cenário trazia boas lembranças a ambos.

Quando eles chegaram em um canto da praia onde havia umas àrvores muito juntas formando um abrigo, Ana-Lucia o puxou para lá e o beijou. Sawyer suspirou no beijo, estava com vontade de beijá-la há muito tempo.

- Ai, morena, eu esperei tanto por isso.- ele falou quando eles se separaram momentaneamente.

Ana-Lucia colocou sua mão na nuca dele e o trouxe para mais outro beijo e mais outro. Os rostos deles se moviam em direções diferentes enquanto os lábios se provavam afoitos. Eles ficaram ali por um longo tempo se abraçando e se beijando, mas quando as coisas começaram a esquentar mais um pouco, ele gentilmente a afastou dizendo:

- Acho que já está na hora da missa do galo. A gente vai se atrasar.

Ela piscou os olhos sem entender.

- James, você tá falando sério?

- Seríssimo.- ele disse.

Ana sorriu e o puxou pela cintura, agarrando-o e mordiscando-lhe o pescoço. Sussurrou baixinho:

- Não, você não está!

- Eu estou sim, Lucy.- ele insistiu. – Prometi ao Sr. Eko que ia aparecer na missa.

- Não sabia que era religioso.- Ana retrucou desconfiada.

- Ás vezes.- Sawyer respondeu.

Ana apertou seu corpo contra o dele.

- Ay, papí vamos ficar aqui. Está tão bom assim nós dois juntinhos...

Ele ficou tentado e passou os lábios pelo rosto dela antes de suas bocas se encontrarem para se devorar novamente.

- Lu...vamos pra missa.

- Mas por que pra missa, Sawyer?- ela se queixou fazendo beicinho.

- OK, tudo bem.- ele concordou. – Nós não vamos pra missa. Vamos pra minha tenda.

Ela adorou a sugestão, mas Sawyer estava mentindo. Ele não pretendia levá-la para sua tenda, tinha que levá-la para a igreja onde o Padre Eko os casaria diante dos olhos de Deus e de toda a comunidade da ilha. Entretanto, Sawyer estava extremamente nervoso. Um filme ficava passando na sua cabeça com cenas de rejeição da parte dela.

Talvez aquele plano fosse mesmo muito absurdo e Ana-Lucia não aceitaria se casar com ele. Mas seu coração não parava de sonhar. Ele jamais quisera algo tanto assim e por causa disso, Sawyer não desistiu, continuou seguindo o plano.

- Por que estamos aqui?- Ana-Lucia indagou algum tempo depois sem entender por que ele a tinha levado para o terreno aonde estavam construindo a igreja.

- Porque eu quero me casar com você.- ele respondeu, se ajoelhando em frente a ela.

Era exatamente meia noite do dia 25 de dezembro. O rosto dela ficou lívido de surpresa.

- Sawyer do que está falando?

Ele então tirou uma caixinha de veludo vermelho do bolso do terno, abriu-a e mostrou a ela.

- Dios mio!- Ana-Lucia exclamou em espanhol levando sua mão direita ao peito, tentando conter as batidas fortes de seu coração naquele momento. Um anel prateado com pequenos brilhantes azuis cintilava dentro da caixinha.

- Quer casar comigo, Ana-Lucia Cortez?

Ela suspirou. Sawyer sentiu um nó na boca do estômago sem saber o que esperar dela.

- Ana-Lucia. Por favor diz alguma coisa.- ele pediu; suor frio escorria-lhe da testa.

- Por que quer casar comigo?- foi a pergunta dela.

- Eu... – ele engasgou sem saber o que dizer.

Ana balançou a cabeça negativamente.

- Cara, isso é loucura, sabia?

- Eu não me importo. Eu estou louco por você! Você foi a melhor coisa que me aconteceu desde que eu caí nessa ilha.

- Mas a gente mal se conhece...

- Bom, eu sou egoísta, trapaceiro e mal intencionado, mas...

- Eu sou egocêntrica, temperamental e teimosa...- Ana disse.

- Eu não quero mais ficar sozinho.- Sawyer admitiu. – Não agora que eu te encontrei...

- Oh, James...

-Casa comigo, morena.

As palavras saíram de sua boca antes que Ana-Lucia pudesse controlá-las.

- Sim, eu quero me casar com você, James Ford.

No momento seguinte, tudo aconteceu muito rápido. As mulheres da ilha apareceram e colocaram uma coroa de flores nos cabelos de Ana-Lucia. Ela reconheceu as flores de quando Libby as estava fazendo e trocou um olhar surpreso com a amiga que lhe sorriu radiante.

Sawyer foi levado por Hurley para dentro da igreja ainda em construção, mas onde já havia um altar. Charlie tocou a marcha nupcial no violão e Ana-Lucia adentrou a igreja segurando um buquê de flores que Claire lhe dera ainda na entrada. As pessoas ficaram de pé e todos os olhares se voltaram para ela. Mas dessa vez os olhares não eram de julgamento ou raiva, mas sim de admiração. Bernard ofereceu-lhe o braço e eles caminharam juntos até onde o amigo a entregaria nas mãos de seu futuro esposo.

A igreja estava toda enfeitada com muitas flores. Ana sentiu-se zonza de tanta felicidade. Ao ver Sawyer no altar esperando por ela, seu coração se derreteu inteiro. Aos seus olhos ele era o homem mais lindo do mundo.

Sawyer por sua vez não conseguia parar de olhar para ela, estava encantado. Mal podia esperar para que Eko os declarasse marido e mulher. Quando Bernard a entregou para ele no altar, Sawyer segurou a mão dela na sua mais uma vez naquela noite e levou-a aos lábios, beijando-a num gesto carinhoso.

Eko pediu a todos que se sentassem e começou a cerimônia:

- Deus escreve certo por linhas tortas. Quem poderia imaginar que James Ford e Ana-Lucia Cortez encontrariam o amor depois de uma queda de avião?

As pessos riram.

- Mas eles se encontraram e esse amor cresceu aconteceu devagarzinho até virar esse turbilhão de emoções que os trouxe aqui hoje para uni-los em santo matrimônio. James Ford, você aceita Ana-Lucia Cortez como sua esposa, para amá-la e respeitá-la nessa ilha e fora dela até o seu último sopro de vida?

- Aceito.- Sawyer respondeu olhando nos olhos negros dela.

- Ana-Lucia Cortez, você aceita James Ford como seu esposo, para amá-lo e respeitá-lo nessa ilha e fora dela até o seu último sopro de vida?

- Aceito com todo o meu coração.- Ana-Lucia respondeu.

- Pelo poder concedido à mim pela Santa Igreja Católica e diante dos olhos de Deus e da comunidade desta ilha Eu vos declaro marido e mulher.

Final

No epílogo: A lua de mel.

Nota: Meninas, espero que tenham curtido essa história tanto quanto eu curti escrevê-la. Feedbacks, por favor. Embora essa tenha sido a parte final tenho um bonus pra vocês muito em breve. Beijos para todas.