Capítulo 12
No dia final
Duas semanas tinham passado, e Severus notava com fúria que Harry era centro de infinidade de miradas, tinha quem tinham reproche em seus olhos, outra compaixão, uns mais insalubre curiosidade, outros debocha. Weasley e Granger vislumbravam tristeza. Em ninguém se via entendimento, inclusive pareciam ofendidos de que Harry continuasse estudando como se nada tivesse passado.
Eles não entendiam realmente sua dor, não tinham presenciado essa noite em que o mundo se derrubou aos pés de Harry. No entanto, tinha que reconhecer que, muito no fundo, continuava molesto. Estranhava muito ao bebê, a André, e muitas vezes teve que se obrigar a não ir em sua busca, o único que lhe continha era esse pensamento que se forçava a repetir uma e outra vez: "Você não tem direito, ainda que te doa, não é seu filho, só de Harry e só ele tem poder sobre seu destino".
A véspera dantes de iniciar as férias de inverno, Severus buscou a Harry por todo o castelo, tinha uma notícia para ele que ansiava lhe comunicar. Lhe intrigou não encontrar na torre de Gryffindor nem no comedor, buscou na cada rincão até que por fim lhe encontrou em um salão antigo localizado no alto da torre de astronomia. As janelas estavam rompidas e o vento gelado entrava com fúria fazendo voar a capa de Harry.
— Potter, que faz aqui? —lhe repreendeu enquanto acercava-se e colocava um feitiço que desviava o vento e os copos de neve para que não os golpeassem no rosto.
— Desfrutando a paisagem.
— Vá gostos, é um dia muito frio. Em fim, buscava lhe para informar-lhe que seus novos exames médicos foram favoráveis, podemos iniciar seu treinamento amanhã mesmo.
— Para valer? —questionou emocionado. — Ao fim, achei que não seria nunca!
— Já vê, era questão de paciência.
Harry assentiu, mas Severus notou que já não lhe prestava toda sua atenção, e ao buscar a origem de sua mirada descobriu que lá abaixo, junto ao lago, Hermione e Ronald passeavam entre a neve.
— Têm voltado a discutir? Ou porque não está com eles?
— Não temos discutido, mas não me sinto cômodo, não conseguem dissimular seu desconcerto, e em verdade me preocupo por Hermione, acho que começa a me odiar.
— Não diga isso, sua amiga é incapaz de sentir algo assim.
— Quisesse pensá-lo, mas me esquiva a mirada o mais que pode. Ontem à noite escutei ruídos na Sala Comum e baixei a ver, era sua voz, mas quando entrei estava sozinha, isso não é normal verdade? Perguntei-lhe se falava com alguém e só se encolheu de ombros me dizendo que era Dobby lhe oferecendo mais mantas para o frio. Quis comprová-lo e chamei-o, mas Dobby não apareceu, ele sempre responde a meu chamado, a não ser que não esteja no castelo e suponho que Dumbledore devia o ter enviado a alguma diligência, de modo que Hermione mentiu.
— Esqueça-o, não tem caso que se preocupe, eles entenderão, tarde ou temporão.
Harry suspirou resignado a não poder fazer nada mais que esperar a que seus amigos compreendessem que já não tinha marcha atrás. Severus acercou-se mais à janela e ambos calaram ao notar algo estranho no horizonte. O céu, dantes branco e nublado, agora adquiria uma tonalidade vermelha, mas não era assunto de tormenta nem nada pelo estilo. Algo tenebroso se acercava e o souberam de imediato.
— Potter, tem que ir ao escritório de Dumbledore e se refugiar aí.
— Não é tempo de refúgio, Professor… já sabe do que se trata, ele vem já e devo o enfrentar.
— Não seja tonto, não é o momento adequado e…
— Ron e Hermione! —exclamou assustado recordando que seus amigos estavam no lago, desde aí não poderiam ver o que sucedia.
Harry já não escutou a Snape e saiu correndo para a escada, tinha que lhes ir advertir. Severus foi atrás dele, mas à cada estudante que se encontrava no caminho lhe pedia que desse a voz de alarme e refugiassem aos mais pequenos em seus dormitórios. Teve sorte e encontrou-se a Dumbledore, este não precisou de demasiadas explicações, assim que soube o que sucedia enviou seu Patronos à Ordem do Fénix, eles dariam a alerta ao Ministério.
Quando Harry e Severus chegaram aos pátios, se escutou um ruído ensurdecedor. Era Voldemort tentando romper as barreiras do castelo. Ron e Hermione também o ouviram e ao olhar ao colégio viram a Harry lhes fazendo senhas para que voltassem.
No entanto, só Ron obedeceu. Hermione permaneceu em seu lugar sem mostra de querer salvar-se. O ruivo deu-se conta que não o seguia quando viu que Harry e a Snape não se detinham e ao se girar viu a sua amiga olhando a porta do colégio. Regressou rapidamente sobre seus passos sujeitando do braço para regressar.
Harry e Severus estavam a ponto de chegar a eles quando viram que a grade que bordeava Hogwarts era desprendida de suas dobradiças e saía voando ao céu. Hermione libertou-se de Ron e correu para Voldemort que aparecia seguido de um grupo de comensais a seu redor. Atrás tinha muitos mais, centos deles.
Severus não compreendia o que Hermione estava fazendo, mas se apressou a tomar a Harry da mão e impedir que a seguisse.
— Deixe-me, vai matá-la!
— Não, Potter, não pode se arriscar agora dessa maneira.
De repente, ante o assombro de todos, viram a Hermione cair de joelhos em frente a Voldemort. O coração de Harry, Ron e Severus deteve-se momentaneamente, aquilo tinha que ser um erro, Hermione não podia lhes fazer isso, ela não.
Severus viu que o Senhor Escuro continha um mordaz sorriso, trocou umas palavras com a castanha que ninguém atingiu a escutar. Dumbledore apareceu nesse instante e se surpreendeu-lhe a cena não o demonstrou, caminhou decidido até onde se encontrava seu eterno inimigo.
E então… Crucio!
Hermione se convulsionou no chão presa do feitiço. Harry quis correr a ajudá-la, não importava se tinha ou não traição, era sua amiga, e não suportava a ver sofrer, mas Severus atingiu ao abraçar com força lhe impedindo se afastar dele. Gritou e forcejou, mas tudo foi inútil.
Viram a Ron, ele estava mais perto, e sem o pensar duas vezes tirou sua varinha com a intenção de atacar a Voldemort. Obviamente seus seguidores não lhe permitiram e com um feitiço o arrojaram longe daí. Dumbledore chegou até Voldemort no justo instante em que este detinha a tortura sobre Hermione.
O Diretor e Voldemort falaram, era uma cena muito estranha. Nem Harry nem Severus podiam saber o que diziam, e ainda que o garoto tentava ainda poder se libertar, não o conseguia. Ao longe, Ron conseguiu recuperar do ataque, e aproveitando que ninguém lhe punha atenção se deslizou até chegar junto a Hermione que jazia na neve.
Cuidadosamente cobriu-a com seu corpo enquanto arrastava-a longe daí. Harry já não podia lhe prestar atenção a Voldemort, sua prioridade era ver que seus amigos estivessem a salvo, e quando o considerou oportuno, afrouxou os músculos de seu corpo.
— Deixe-me ir a eles. —suplicou preocupado. — Prometo-lhe que não me acercarei a Voldemort ainda.
— Irei com você.
Severus seguiu o exemplo de Ron, caminhou com Harry, mas interpondo seu corpo em olho de ataque, ninguém poderia chegar a seu aluno sem dantes o matar a ele, e não ia a deixar tão fácil.
— Que sucedeu? —perguntou Harry a Ron quando os quatro se encontraram no caminho.
— Não o sei, Hermione lhe disse algo sobre um trato… Ai, Harry, nunca a tinha escutado tão desesperada, mas nossa Hermione não pode nos trair, não o crerei nunca nem ainda que o tenha visto.
— É verdade, ela não o faria, deve ter uma explicação. Faz favor, leva ao castelo.
Hermione estava acordada, mas sua mirada perdida no nada, como se não estivesse aí presente, seus belos olhos castanhos não tinham vida enquanto derramavam silenciosas lágrimas de derrota. Só reagiu com um frio estremecimento quando Harry chamou a Dobby para que ajudasse a Ron, mas o elfo novamente não apareceu.
— Terá que a levar você só, Weasley. —disse-lhe Severus. — Nós cuidaremos suas costas, mas se apresse.
Ron assentiu, pela primeira vez sem corar-se ao escutar que Snape lhe chamava, nessa ocasião estava demasiado assustado por sua amiga para se dar oportunidade de sentir nada mais.
Harry e Severus cumpriram sua palavra e vigiaram que ninguém lhes atacasse até chegar ao castelo, então voltaram a pôr atenção a Dumbledore. Voldemort riu de uma maneira tão macabra que já não lhes deixou lugar para dúvidas, era o dia da batalha. E Severus achava que morreria de angústia, Harry não tinha tido tempo de se preparar.
— Seu querido Diretor não aceita evitar a morte de seus demais alunos, Potter! —gritou Voldemort com debocha. — Agora eles morrerão, mas você também.
O exército do Senhor Tenebroso rompeu filas para iniciar a batalha. Uma dúzia deles se agruparam unindo suas varinhas e ao mesmo tempo lançaram um Bombarda que destruiu a Torre de Astronomia. Harry arquejou assustado esperando que ninguém no interior do castelo saísse ferido.
Severus sujeitou-lhe da mão infundindo-lhe valor, aquilo seria um massacre. Não tinha forma de poder lutar contra todo um exército somente eles três. Nem sequer chegando a Ordem da Fênix com todo o grupo de Aurores.
Como se os tivesse chamado com a mente, todos eles apareceram dispersos pelos terrenos de Hogwarts. Mesmo assim, os comensais superavam-nos em número. Severus compreendeu que a única forma de ganhar era que Harry derrotasse a Voldemort. Sem seu líder, os demais já não teriam valor para continuar.
Começou o intercâmbio de feitiços, e ainda que Harry quis correr a ajudar, Snape não lhe permitiu. Combateu com quanto comensal pusesse lhe enfrente, mas sempre mantendo a Harry baixo resguardo. Um par de Aurores compreenderam seu plano e protegeram sua retaguarda enquanto avançavam para onde Dumbledore e Voldemort combatiam com seus mais poderosos feitiços.
— Que faz? —lhe reprochou Harry ao ver-se protegido tão escandalosamente. — Quero lutar também!
— E o fará, mas não perca tempo com os extras.
Harry piscou surpreendido do humor de Snape, mas assentiu obediente. A Severus também lhe preocupava que seu aluno não tivesse tido oportunidade de provar sua magia, já podia realizar alguns feitiços singelos sem explodir nada, mas não estava seguro de poder empregar toda sua potência com as maldições sem provocar alguma catástrofe. Sentiu o estremecimento na mão de Harry, não tinha nenhuma dúvida de que compartilhavam o mesmo temor. Sentiu-o tentar se soltar e soube que era por ele, pelo medo a lastimar a inocentes, e não tinha ninguém mais próximo que ele mesmo, mas nem isso o faria desistir de sua missão. Aferrou ainda mais a mão do jovem de óculos disposto a não se separar nem um centímetro de seu lado.
Voldemort deteve sua luta com Dumbledore quando Harry já estava o suficientemente perto. Ele era seu objetivo principal. Aproveitando o que considerou um erro de seu adversário, Dumbledore cercou a área colocando uma barreira entre eles quatro e o resto da batalha.
— Oh que valente, três contra um. —troçou-se Voldemort sem mostrar temor nem dar-lhe importância a que seus mais próximos seguidores já tentavam romper a barreira sem sucesso.
Olhou a Snape com ira, desde fazia dias sonhava com esfola-lo vivo, ele tinha frustrado sua primeira tentativa de levar ao menino, mas agora o pagaria caro. Mas Severus não tinha medo, estava disposto a morrer se era necessário, ainda que para seu assombro, Harry de imediato investiu os papéis e se colocou em frente a ele.
— De modo que importa com seu professor Potter? —sibilou com maldade. — Mais ainda que seu próprio filho?
— Não o nomeie sequer, sua existência se mancha sendo pronunciada por tua putrefata boca.
— Pensa que o puseste a salvo? —perguntou sem responder a suas ofensas. — Acha que tenho vindo aqui a buscá-lo?
Severus teve um mau pressentimento, Voldemort estava demasiado seguro de si mesmo, como se tivesse a partem pelo cabo apesar de se encontrar rodeado. Dissimuladamente olhou seu anel e esperou que realmente funcionasse porque a pedra ainda não se voltava vermelha.
— Não lhe ponha atenção, Potter. —lhe sussurrou ao notar que Harry também se estremecia de terror. — André está a salvo, prometo.
Harry assentiu confiando em Snape e levantou sua varinha contra Voldemort sem que sua mão tremesse nem um pouco.
— Não se apoderará de meu filho nunca, Tom, e para isso deve morrer.
— Duvido-o, Potter. Se realmente preocupa-te por teu engendro deve entregar-te a mim, te prometo que te matarei sem dor. —disse com um diabólico sorriso. — Informo-te que de qualquer maneira terei a esse menino em minhas mãos muito cedo, de ti depende de se o uso vivo, ou morto, para mim não há diferença.
Harry arquejou assustado, mas Severus voltou a colocar-lhe uma mão em seu ombro estreitando suavemente. O garoto assentiu voltando a depositar sua confiança em seu professor.
— Parece que te acercaste muito a meu apreciado Snape. —cuspiu com ódio. —Que, Potter, não me dirá que ele é o pai de seu filho?
— Não falarei mais de meu bebê contigo! Sei que tenta me distrair, algo espera, mas não te darei o gosto de te sair com a sua.
Harry e Severus viram que Dumbledore lhes fazia uma senha, e ainda que não era clara para Harry, decidiu proceder. Pronunciou a imperdoável arrojando o mortal raio verde sobre Voldemort. Este se apartou a tempo evitando cair morto e contra-atacou da mesma maneira. Nessa ocasião foi Severus quem evitou que Harry morresse arrojando ao andar com ele.
Dumbledore voltou a fazer-lhes a senha e nessa ocasião, quando Harry se pôs em pé lançando seu seguinte Avada e Voldemort tentou se mover para não ser atingido, o raio também desviou seu curso e ante a mirada assombrada de todos os que viam a cena, se introduziu no peito do monstro lhe fazendo cair morto ao instante.
Dumbledore não conteve um sorriso triunfal. Tinham ganhado, e sabia ele e o sabiam os comensais que, correndo a voz a seus colegas, desapareciam se introduzindo na espessura do Bosque Proibido.
Harry caiu ao chão, os joelhos tremiam-lhe. Trocou uma mirada de agradecimento ao Diretor ao compreender que algo tinha conseguido fazer para que Voldemort não pudesse esquivar a maldição. Severus se aconchegou a seu lado abraçando-lhe com alívio.
— Tudo tem terminado, Potter, será melhor que voltemos ao castelo e Poppy o revise.
— Sinto-me bem. —declarou Harry, mas quando quis se levantar as pernas continuavam sem lhe responder adequadamente.
— Mas não o está. Encontrava-se débil ainda e se esforçou demasiado, tem que descansar.
Harry assentiu, mas não permitiu que Snape lhe sustentasse em braços, lhe envergonhava que o fizesse frente a tanta gente, de modo que somente se apoiou em seu braço para poder se sustentar ao caminhar.
Nenhum dos dois quis pôr atenção ao que sucedia a seu ao redor onde os Aurores, junto com Dumbledore, se encarregavam de capturar a quanto comensal fosse possível.
Chegaram até a enfermaria. Harry surpreendeu-se ao vê-la cheia de feridos, tinha tido pouca oportunidade de ver a batalha a seu redor e não soube que vários alunos se tinham unido à briga. Rapidamente Pomfrey indicou-lhe a Snape onde podia recostar a Harry.
— Não me sinto tão mau. —protestou Harry. — Essa cama pode-a ocupar outra pessoa.
— Isso não está a discussão agora. —disse Snape. — Permita que Pomfrey lhe revise e depois poderá retirar a sua Torre.
Harry assentiu e ocupou a cama com obediência enquanto buscava a seu redor a Hermione. Encontrou-a ao outro lado da enfermaria, Ron estava junto a ela lhe sujeitando suavemente da mão. Ambos amigos trocaram uma mirada de tristeza, parecia que a jovem castanha não estava nas melhores condições.
Severus não soube que dizer para lhe consolar, e ademais não teve tempo. Ao encher a jarra de água notou um reflexo vermelho em seu dedo que lhe traspassou a alma. O ruído que fez a vasilha ao cair ao chão chamou a atenção de todos os presentes.
Ououououououououououououououououou
Nota tradutor:
Agora meu coração foi a boca! Aquele maldito falava a verdade!
Bora para os reviews?
Vejo vocês no próximo capitulo
Ate breve
