Apenas faça, Potter

Título: Apenas faça, Potter

Classificação: M

Shipper: Harry Potter and Severus Snape (Adogooo!)

Aviso: Harry Potter não me pertence, é tudo da Jk. Eu não ganho nada com essa fic. Só um sorriso feliz a cada review, então ajude-me a encontrar a felicidade!

Aviso 2: Palavrões, sexo, homossexualismo. Quem costuma ler minhas fics, sabem que é minha marca registrada. Estão avisados.

Aviso 3: A ideia dessa fic surgiu do nada. Bem, eu me peguei questionando como seria se Harry e Snape não tivessem todo aquele problema da inimizade de Snape e James. Severus poderia gostar de Harry? Eles se dariam bem? Eu sempre achei que eles tinham muito em comum, e eu sempre gostei muito dos dois. O resultado ao imaginá-los sem as intrigas dos marotos e sem a marca profunda da guerra na alma de Snape e de tudo que ele foi obrigado a fazer para se tornar um comensal de confiança, está aqui, nessa fic, que ignora o fim do sétimo livro. Algumas coisas, na verdade. Espero que vocês consigam acompanhar minha visão.


Capítulo 11

Se Severus estava achando que as coisas seriam diferentes agora, estava enganado. Que bom que ele não pensou que seria constrangedor acordar ao lado de outro rapaz, os músculos tensos depois de um sexo magnífico – deuses, ele estava ficando velho! – e ainda não corar ao sentir o começo de uma nova ereção ao sentir o membro rijo de outro homem roçando sua coxa.

E que bom que Severus era um ótimo mentiroso, e conseguia enganar muito bem a si próprio para se sentir melhor. Pelo menos assim ele podia estender a mão e tocar o membro (que não era seu) até ouvir murmúrios involuntários de prazer saindo de uma boca que também não era sua... não no começo, pelo menos. E Severus pôde, mais uma vez, descansar a cabeça no travesseiro, exaurido, e não conseguir pensar em absolutamente nada.

E no começo, logo que eles voltaram de Galway, Severus realmente achou que não conseguiria continuar enganando a si próprio e que, uma hora ou outra, acabaria caindo na real e se pegando constrangido por se deitar com um rapaz. Uma hora ele ficaria envergonhado de fechar as portas de sua farmácia apenas por não conseguir conter seus hormônios. Tudo bem que Harry não ajudava acariciando-o daquela maneira atrás do balcão, mas Severus não era mais um adolescente para aceitar o desafio e fodê-lo ali mesmo no chão de mármore. Suas dores nas costas só não o mataram depois porque, afinal, ele era dono de uma farmácia.

E, dores nas costas a parte, Severus se pegou pensando o quanto estava... bem, feliz. Ele não sentia isso desde... desde sempre. Desde o acidente, a única coisa que sabia sobre si mesmo se resumia aos seus preciosos remédios, Lucy, e sua agenda cronometrada. Nada mais.

Lucy ainda não sabia, mas já tinha interrogado Severus mais de uma vez. Ele não confirmou suas suspeitas, mas também não negou. Lucy tinha aquela mania de se meter demais e entender de menos. Ela insistia em tocar naquele assunto de que os dois poderiam se conhecer antes do acidente, e Severus se irritava sempre que isso acontecia. Era um assunto delicado, afinal, e Harry nunca deu a entender nada do gênero. Pensar que o garoto poderia estar enganando-o tão deliberadamente... doía imaginar.

E Severus deixava as coisas acontecerem, o tempo se passar, e as dúvidas irem embora. Nada importava, de verdade. Ele estava bem, e isso bastava.

Ele fechou os olhos, esperando que as batidas de seu coração se acalmassem. Embrenhou os dedos nos cabelos negros em cima de si, até que Harry, com um gemido exaurido, deixou-se cair de lado e Severus foi obrigado a soltá-lo. Sorriu ao sentir o beijo em seu pescoço.

- Assim você acaba comigo, Severus.

Severus soltou uma risada breve – sem fôlego até para rir.

- Não tenho mais idade para isso, Harry.

Harry fez um gesto como se afastasse um mosquito impertinente.

- Bobagem. Você está mais em forma que eu.

- Se eu não tivesse uma farmácia, estaria falindo.

- Verdade. Acho que não vence comprar camisinhas na quantidade em que usamos.

- Harry!

- Estou dizendo alguma mentira?

Severus sacudiu a cabeça, mas tinha um meio sorriso em seu rosto.

- Eu estava me referindo aos analgésicos para dor muscular.

- Ah! Isso. – Hary deu de ombros, como se não importasse. – Mal do ofício, acho.

Ele se espreguiçou, agarrando a cintura de Snape com um ar manhoso.

- Eu preciso de um banho. Me acompanha?

- Nem pensar. Sei onde nossos banhos terminam. Estou travado nessa cama por enquanto.

- Ah. – Harry fez bico. – Por favor?

- Já disse não, Harry. E não faça essa cara! Não caio mais em seus truques.

Harry tentou fazer cara de inocente, mas não conseguiu mantê-la por muito tempo.

- Está bem. Vou sozinho. Mas você que me aguarde quando eu voltar!

Com um último beijo molhado em sua boca, Harry se levantou e, sem nenhuma inibição, dirigiu-se completamente nu ao banheiro.

Severus suspirou, encarando o traseiro arrebitado do garoto até que este desapareceu dentro do banheiro. Pouco depois ele ouviu o barulho do chuveiro sendo ligado.

Era estranho, ele pensou, como as coisas aconteciam. Ele tentava não pensar no que isso tudo implicava. Talvez ele tivesse sido gay em sua vida antes do acidente? Talvez sim. Talvez ele tivesse uma queda por garotos mais jovens e atraentes? Deuses, esperava que não. Esperava que Harry fosse o primeiro. Já pensou se ele fosse um... algum tipo de tarado maníaco?

Ou talvez ele simplesmente fosse fácil de se apaixonar. Mas Severus imaginava que não. Tinha problemas em aceitar o que sentia hoje pelo garoto, problemas em pensar sobre isso. Imaginava que não seria muito diferente de como era antes.

E o que, afinal, ele sentia pelo garoto? Atração sim. Afeição. Gostava como Harry sorria. Admirava seu senso de humor, seu espírito entusiasmado, sua pele dourada. A maneira como ele se contorcia sob si, seus gemidos, seus toques...

Severus espantou os pensamentos antes que ficasse excitado novamente. Olhou com cobiça para a porta do banheiro entreaberta, mas ignorou a vontade. Ele realmente não tinha idade para isso.

Com outro suspiro, sentou-se na cama. Não precisava classificar sua relação com Harry. Não levaria a lugar algum.

Massageou a nuca, os nervos tensos. Harry ainda o deixaria travado naquela cama.

Foi enquanto sorria pelo canto dos lábios novamente que Severus teve vislumbre da ponta de um pergaminho embaixo do guarda-roupa. Com um certo sobressalto, imaginou como aquilo teria ido parar ali. Meu Deus. Ele sabia o que era. E fazia tanto tempo que ele não abria aquele papel...

Hesitante, Severus levou vários minutos paralisado no lugar, imaginando o que faria com aquele envelope. Devia logo se livrar daquilo, pensou. Jogar no fogo e esquecê-lo lá.

Mas... não podia, é claro. Severus era fraco demais para conseguir se livrar de uma das únicas coisas que estavam ali para lembrá-lo de um passado sobre o qual ele não sabia nada.

Ainda hesitante, esticou os dedos e tirou o papel dali, assoprando a camada de poeira antes de abri-lo num gesto quase automático.

As mesmas palavras que estavam ali há anos. Elas não mudaram, como sabia que tinha acontecido. Severus suspirou – estava fazendo muito isso ultimamente, e releu-as.

Não sei se você vai ler essas palavras e vai saber do que se trata, mas eu queria pedir desculpas.

Desculpas por ter escutado você. Espero que não se arrependa de sua decisão. O que você mais

queria era ter uma nova chance, então, se ainda posso dar um conselho, é: aproveite. E seja feliz.

HP

Quando seus olhos bateram novamente nas iniciais, um pensamento levemente agonizante como o arranhar de unha ao satisfazer uma coceira atrevida começou a incomodar Severus. Sua mente ligou pontos que ele não sabia quais eram: estavam ali, e ele sabia que estavam ali, mas não conseguia reconhecê-los. Se ele se esforçasse, se lembraria que não faz muito tempo percebera, sem perceber que percebera, a coincidência, mas... Podia ele negar?

Severus apertou a carta nas mãos, tentando impedir sua mente de encaixar as peças. Se ele botasse o envelope onde o achara, o pensamento iria embora? Ele conseguiria fazer de conta que não tinha visto?

Enquanto lutava contra seus próprios pensamentos infantis, Severus ficou congelado onde estava. Foi assim que um Harry Potter encharcado o encontrou.


Harry deixou a água morna cair em seus ombros, ainda com um sorriso bobo nos lábios. Adorava provocar Severus. Adorava o sexo com ele. Adorava tudo o que estava tendo com seu antigo mestre de poções. Quem diria, heim? Se ele tivesse imaginado que alguém dia estaria num relacionamento do tipo com um homem – com Snape, por Merlim! – é claro que acreditaria estar fora de si. Harry nunca pretendeu isso. Harry nunca planejou isso. Ele juraria sob veritasserum se lhe perguntassem que a única coisa que ele esperava era verificar se Severus estava bem, reverter o feitiço se necessário ou dar meia volta, e deixar as coisas como estavam. Como ele se enfiou nisso? Não fazia ideia. Como ele sairia? Se fosse honesto consigo mesmo, Harry reconheceria que não pretendie sair. Ele estava meio perdido, meio confuso, mas não sairia. O que restava para ele no mundo bruxo? Uma fama adormecida e seus amigos cheios de filhos. Harry estava bem onde estava. Pelo menos por enquanto.

Até porque, se perguntado, Harry já tinha na ponta da língua uma justificativa para seus atos: Severus não era mais o mesmo. Era um homem diferente. Um homem que ele estava achando... agradável de se conhecer, para dizer o mínimo.

Mas e Harry? Ele se perguntou de repente, o sorriso sumindo de seu rosto. Harry ainda era o mesmo?

Ele passou shampoo nos cabelos, de repente uma dúvida surgindo. Se Severus estava feliz como achou que estaria ao pedir o feitiço, Harry seria capaz de desfazê-lo?

Harry seria capaz de não desfazê-lo?

E aí o que ele faria? Iria embora? Poderia Harry largar tudo – mesmo que não tivesse muita coisa – e permanecer ali? Ou seria Harry capaz de abandonar Severus e ir embora sem sequer uma justificativa... que ele, por razões óbvias, não poderia dar?

Harry fez uma careta, por se distrair com seus pensamentos permitiu que a espuma entrasse em seus olhos, e xingou baixinho por isso. Harry detestava mesmo sua vida.

Terminou de enxaguar o cabelo e fechou o registro, apalpando a pia em busca de sua varinha, quando lembrou que viera nu ao banheiro e a deixara no bolso de sua capa. Praguejando novamente, enrolou a toalha na cintura e saiu. Levou alguns segundos para perceber que o silêncio no quarto era mais espesso do que esperava, já que os olhos meio fechados também não colaboraram para afiar sua percepção. Quando Harry, então, se virou para Severus e o encontrou procurando seus olhos, a expressão sofrida e uma folha de pergaminho amassada entre os dedos, sentiu seu coração travando na mesma hora.

Ele estava perdido.


Hey guys. Capítulo curto para não demorar muito na postagem. Só avisando que eu encurtei a fic para conseguir terminá-la e não deixar mais vocês na mão, ok? O fim sai ainda esse mês, de acordo com meus planos.

Só queria, antes de tudo, saber de vocês quanto ao fim da fic. O que vocês acham que deve acontecer? Deem as sugestões! Quem sabe eu não as considero? :D

Beijões.