All Yours
-X-
12 – "Preciso saber que perder o controle não significa perder você também."
Adaptado Por Ana2Uzumaki
Apertei ainda mais o laço do meu robe. "Vou me trocar e já estou indo."
"Quê?" Sasuke pareceu despertar. "Indo aonde?"
"Pra casa", eu disse, sentindo-me exausta. "Acho que você precisa de tempo pra digerir tudo isso."
Ele cruzou os braços. "Podemos fazer isso juntos."
"Acho que não." Eu estava quase chorando. A tristeza era maior que a vergonha e a decepção. "Não enquanto você continuar me olhando como se tivesse pena de mim."
"Não tenho sangue de barata, Sakura. Só não sendo humano para não se comover com essa história."
Os sentimentos que vinham se acumulando desde a hora do almoço extravasaram na forma de uma dor aguda no meu peito e uma onda de raiva e sinceridade. "Não quero que você sinta pena de mim."
Ele passou as duas mãos pelos cabelos. "Você quer o que então, porra?"
"Você! Eu quero você."
"Isso você já tem. Quantas vezes preciso dizer?"
"As palavras não significam merda nenhuma sem uma atitude pra comprovar o que elas dizem. Desde que nos conhecemos, você sente tesão por mim. Não conseguia nem me olhar sem mostrar claramente que queria acabar na cama comigo. E eu não estou vendo isso agora, Sasuke." Meus olhos faiscavam. "Esse olhar... morreu."
"Você não pode estar falando sério." Ele me encarou como se eu tivesse dito o maior dos absurdos.
"Acho que você não entende o que seu desejo faz comigo." Cruzei os braços, cobrindo meus seios. Estava me sentindo nua, e não no bom sentido. "Faz com que eu me sinta linda, poderosa e cheia de energia. Eu... não consigo nem pensar em continuar com você se esse desejo não existir mais."
"Sakura, eu..." Sua voz foi desaparecendo até silenciar. Sua expressão era carrancuda, distante. Ele estava com as mãos fechadas pendendo dos dois lados do corpo.
Afrouxei o laço do meu robe e fiquei totalmente nua. "Olhe pra mim, Sasuke. Pro meu corpo. É o mesmo corpo que você não queria largar ontem à noite. O mesmo corpo que você estava tão desesperado para
possuir que me levou para aquele maldito quarto de hotel. Se não o quiser mais... se não conseguir mais se excitar olhando pra ele..."
"Isto é excitação suficiente pra você?" Ele desamarrou o cordão da calça e exibiu sua intensa e pulsante ereção.
Avançamos um para o outro ao mesmo tempo. Nossas bocas se encontraram quando ele me levantou para que eu envolvesse seus quadris com minhas pernas. Ele cambaleou até o sofá e se jogou sobre ele, usando uma das mãos para absorver o peso combinado dos nossos corpos.
Abri bem minhas pernas, soluçando e quase sem fôlego, quando ele se ajoelhou no chão e começou a me lamber. Foi um gesto um tanto bruto e impaciente, sem a finesse habitual, e eu estava adorando. Gostei ainda mais quando ele se ergueu e meteu em mim sem cerimônia. Eu já estava toda molhada, e aquela sensação me fez expirar com força, então senti seu polegar no meu clitóris, em movimentos circulares que faziam meus quadris se remexerem sem parar.
"Isso", gemi, arranhando com força suas costas. Aquela frieza toda havia sumido. Ele tinha voltado a ser fogo puro. "Me fode, Sasuke. Me fode com força."
"Sakura." Ele cobriu minha boca com a sua e agarrou meu cabelo, mantendo-me imóvel enquanto investia contra mim de novo e de novo, entrando cada vez mais fundo. Ele afastou o encosto de braço com o pé
e veio sobre mim com toda a vontade, perseguindo seu orgasmo de maneira obstinada e feroz. "Minha... minha... minha..."
As pancadas ritmadas das suas bolas contra a curvatura da minha bunda e a veemência do seu mantra possessivo me deixaram cheia de tesão. Sentia um novo estímulo no meu corpo a cada pontada de dor.
Sentia meu sexo ficar cada vez mais apertado conforme a excitação crescia.
Com um grunhido longo e gutural, ele começou a gozar, estremecendo dos pés à cabeça à medida que se esvaziava dentro de mim.
Eu o agarrei quando ele chegou ao clímax, acariciando suas costas, beijando seus ombros.
"Espere aí", ele disse asperamente, posicionando suas mãos por baixo de mim e me apertando contra ele.
Sasuke me levantou e depois me pôs em cima dele. Eu estava lubrificada pelo orgasmo dele, o que facilitou a tarefa de trazê-lo de volta para dentro de mim.
Ele afastou os cabelos que cobriam meu rosto com a mão, depois limpou minhas lágrimas de alívio. "Estou sempre pronto para você, sempre com tesão. Estou sempre morrendo de vontade. Se alguma coisa pudesse mudar isso, já teria sido feita antes de chegarmos a este ponto. Entendeu?"
Agarrei seus pulsos com as mãos. "Sim."
"Agora mostre que você ainda me quer." Seu rosto estava vermelho e suado, e os olhos, inebriados e turbulentos. "Preciso saber que perder o controle não significa perder você também."
Tirei suas mãos do meu rosto e as levei aos meus seios. Quando ele os agarrou, lancei os braços nos seus ombros e comecei a remexer os quadris. Ele estava semiereto, mas logo endureceu quando comecei a
rebolar. Seus dedos nos meus mamilos, apertando e fazendo movimentos circulares, provocaram ondas de prazer pelo meu corpo, um estímulo suave que chegava até as profundezas do meu ser. Quando ele me puxou mais para perto e abocanhou um dos meus peitos, gritei bem alto, ficando toda acesa e querendo mais.
Flexionei as coxas e me ergui no sofá. Fechei os olhos para me concentrar na sensação que ele produziu ao sair de dentro de mim; depois mordi o lábio ao senti-lo entrar novamente.
"Isso mesmo", ele murmurou, lambendo meus seios até chegar ao outro mamilo, passando suavemente a língua pela pontinha dura e hipersensível. "Goza pra mim. Quero que você goze cavalgando meu pau."
Mexendo os quadris, desfrutei da sensação maravilhosa de tê-lo dentro de mim por inteiro. Sem pudor e sem remorso, entrei em uma espécie de frenesi me movimentando sobre seu pênis, ajustando a angulação do movimento para que sua ponta grossa se esfregasse exatamente onde eu precisava.
"Sasuke", sussurrei. "Ai, assim... que delícia..."
"Você é tão linda." Ele agarrou minha nuca com uma das mãos e minha cintura com a outra, arqueando os quadris para entrar ainda mais fundo. "Tão sexy. Vou gozar pra você de novo. É isso que você faz
comigo, Sakura. Eu nunca me canso."
Estremeci ao sentir que meu corpo todo se enrijecia, assim como a gostosa tensão que surgiu a partir dos movimentos ritmados. Estava ofegante e quase fora de mim, remexendo os quadris sem parar. Levei a
mão até o meio das pernas e massageei o clitóris com os dedos, ansiosa pelo momento de chegar ao clímax.
Ele respirou fundo e jogou a cabeça para trás no encosto do sofá. Era possível ver suas veias saltando no pescoço esticado. "Você está prontinha pra gozar. Sua boceta está toda quentinha e apertadinha, toda
gulosa."
Suas palavras e sua voz eram o que faltava. Gritei bem alto quando fui atingida pela primeira onda de tremor, depois senti o orgasmo se espalhar pelo meu corpo, sentindo meu sexo pulsar em torno da sólida ereção de Sasuke.
Com os dentes rangendo audivelmente, ele se manteve firme até as contrações diminuírem; depois ergueu meus quadris e me penetrou com força. Na terceira estocada profunda, ele urrou meu nome e soltou seu
jorro quente, exterminando meus últimos medos e questionamentos.
Não sei quanto tempo ficamos no sofá daquele jeito, grudados um no outro, com minha cabeça apoiada no seu ombro e suas mãos acariciando a curvatura das minhas costas.
Sasuke beijou minha cabeça e pediu: "Fique aqui".
"Vou ficar."
Ele me abraçou. "Você é tão corajosa, Sakura. Tão forte e sincera. Você é um milagre. Meu milagre."
"Um milagre da terapia moderna, talvez", ironizei, passeando com os dedos por seus luxuriosos cabelos. "E, mesmo assim, fiquei perturbada demais durante um bom tempo, e ainda existem alguns gatilhos que não
sei se consigo encarar."
"Minha nossa. A maneira como cheguei até você no começo...poderia ter arruinado tudo antes mesmo de começar. E aquilo lá no evento..." Ele se encolheu todo e enterrou a cabeça no meu pescoço. "Sakura, não deixe que eu estrague tudo. Não permita que eu afaste você de mim."
Levantei a cabeça em busca de seu rosto. Estava insuportavelmente lindo. Às vezes era difícil olhar para ele. "Você não pode ficar repensando tudo o que já fez ou falou pra mim por causa de Deidara. Isso só vai nos afastar. Vai acabar com a gente."
"Não me diga uma coisa dessas. Nem pense nisso."
Com os polegares, atenuei a expressão fechada de sua testa franzida.
"Eu não devia ter contado. Seria melhor se você não soubesse."
Ele pegou minha mão e beijou meus dedos. "Preciso saber de tudo, conhecer você nos mínimos detalhes, por dentro e por fora."
"Uma mulher precisa ter seus segredos", provoquei.
"Comigo você não vai ter nenhum." Ele me agarrou pelos cabelos e passou um dos braços pelos meus quadris, apertando-me, lembrando me — como se fosse possível esquecer — de que ele ainda estava dentro de mim. "E eu vou possuir você, Sakura. E vai ser justo, porque você já me possuiu."
"E o que vamos fazer a respeito de seus segredos, Sasuke?"
Seu rosto se transformou em uma máscara inexpressiva, com uma naturalidade tão grande que dava para perceber que aquilo era parte da natureza dele. "Recomecei do zero quando conheci você. Tudo o que eu
pensava que era, tudo o que eu achava que precisava..." Ele balançou a cabeça. "Estamos descobrindo juntos quem eu sou. Você é a única pessoa que me conhece."
Mas eu não o conhecia. Não de verdade. Estava descobrindo as coisas aos poucos, passo a passo, mas em muitos aspectos ele era um mistério para mim.
"Sakura... Se você me disser exatamente o que quer..." Ele engoliu em seco. "Posso melhorar se você me der uma chance. Só não... não desista de mim."
Jesus. Como era fácil para ele me deixar com o coração na mão.
Algumas palavras, um olhar de desespero e eu já estava entregue.
Acariciei seu rosto, seus cabelos, seus ombros. Ele era traumatizado como eu, mas o motivo ainda era desconhecido para mim. "Preciso que você faça uma coisa por mim, Sasuke."
"Qualquer coisa. É só pedir."
"Preciso que você me conte alguma coisa sobre você todos os dias. Alguma coisa pessoal, por mais insignificante que pareça. Preciso que você me prometa isso."
Sasuke me olhou desconfiado. "Pode ser o que eu quiser?"
Concordei com a cabeça. Eu não me sentia muito segura fazendo aquilo, e não sabia ao certo o que queria extrair dele.
Ele bufou. "Certo."
Eu o beijei bem de levinho em sinal de agradecimento.
Roçando o nariz contra o meu, Sasuke perguntou: "Vamos sair pra jantar ou quer pedir alguma coisa?"
"Tem certeza de que é uma boa sairmos juntos?"
"Quero mostrar pra todo mundo que você é minha namorada."
Não havia como recusar um convite daquele — não sabendo o avanço que aquilo representava para ele. Para nós dois, na verdade, já que nossa última saída como um casal havia sido um desastre. "Parece uma ideia bem romântica. E irresistível."
Seu sorriso de alegria foi minha recompensa, além do banho que tomamos juntos. Eu adorava aquele momento íntimo de lavar seu corpo, assim como adorava sentir suas mãos deslizando sobre o meu. Quando
peguei sua mão e a pus entre as minhas pernas, incentivando-o a enfiar os dedos em mim, vi o tão familiar e bem-vindo tesão no seu olhar quando ele sentiu o que havia deixado lá dentro.
Ele me beijou e murmurou: "Minha".
Isso me incentivou a pegar seu pau com as duas mãos e sussurrar eu mesma um pronome possessivo.
Já no quarto, posicionei meu novo vestido na frente do corpo.
"Foi você que escolheu, Sasuke?"
"Fui eu, sim. Gostou?"
"É lindo." Abri um sorriso. "Minha mãe falou que você tem muito bom gosto... a não ser pela preferência por Loiras."
Ele olhou para mim e logo depois desapareceu em seu closet gigantesco. "Que Loiras?"
"Ah, é assim que se fala."
"Abra a gaveta da direita, a de cima", ele gritou lá de dentro.
Ele estava só querendo desviar a atenção de todas as Loiras com quem tinha sido fotografado — inclusive Ino?
Deixei o vestido na cama e abri a gaveta. Lá dentro havia dezenas de conjuntos de lingerie Carine Gilson, todos do meu tamanho, em uma enorme variedade de cores, além de cintas-ligas e meias de seda, tudo
ainda na embalagem.
Olhei para Sasuke quando ele reapareceu segurando as roupas que ia vestir. "Então eu tenho um gaveta?"
"Três na cômoda e duas no banheiro."
"Sasuke." Eu sorri. "Abrir espaço na gaveta da cômoda é uma coisa que só se faz depois de alguns meses."
"Como é que eu ia saber?" Ele estendeu suas roupas sobre a cama. "Você já morou com outro homem além de Sai?"
Eu o fuzilei com o olhar. "Ter uma gaveta não é a mesma coisa que morar com alguém."
"Isso não responde à minha pergunta." Ele andou na minha direção, tirou-me gentilmente do caminho e pegou uma cueca.
Pressentindo mais uma de suas mudanças de humor, respondi antes que ele emburrasse. "Não, nunca morei com nenhum outro homem."
Abaixando um pouco, Sasuke deu um beijo repentino na minha testa antes de voltar a se vestir. Ele parou no pé da cama, de costas para mim. "Quero que nosso relacionamento seja o mais marcante da sua vida."
"Já é. De longe." Apertei a toalha contra o peito. "Chega a ser estranho, até. Nosso relacionamento virou uma coisa importante muito rápido. Talvez rápido demais. Fico o tempo todo me perguntando se não é bom demais pra ser verdade."
Ele se virou e me encarou. "Talvez seja. E, se for, nós merecemos."
Fui até ele e me joguei em seus braços. Era ali que eu desejava poder ficar para sempre.
Ele deu um beijo na minha cabeça. "Não consigo suportar a ideia de que você queira que isto acabe. É o que você está fazendo, não? Pelo menos é o que parece."
"Desculpe."
"Precisamos fazer com que você deixe de se sentir insegura." Ele passou os dedos pelos meus cabelos. "Como podemos fazer isso?"
Hesitei por um momento, mas acabei dizendo o que queria. "Você faria terapia comigo?"
Seus dedos pararam de se mover. Ele ficou em silêncio por um instante, respirando profundamente.
"Pelo menos pense a respeito", sugeri. "Ou procure se informar melhor, saber como funciona."
"Estou me saindo tão mal assim? Na nossa relação? Só estou dando bola fora mesmo?"
Eu me afastei um pouco, para poder olhar para ele. "Não, Sasuke. Você é perfeito. Pelo menos pra mim. Sou louca por você. Acho que você é..."
Ele me beijou. "Tudo bem. Eu vou."
Naquele momento, senti que o amava. Loucamente.
E no momento seguinte. E durante toda a programação naquela noite, um jantar íntimo e maravilhoso no Masa. Só havia três mesas ocupadas no restaurante, e Sasuke foi cumprimentado pelo nome ao chegar. A comida estava divina, e o vinho era tão caro que, se eu parasse para pensar a respeito, teria até vergonha de beber. Sasuke era perigosamente carismático; seu charme era natural e sedutor.
Eu estava de ótimo humor, sentindo-me linda no vestido que ele havia escolhido para mim. Sasuke já sabia o que eu tinha de pior a revelar, e ainda estava comigo.
Seus dedos acariciavam meus ombros... desenhavam círculos na minha nuca... desciam pelas minhas costas. Ele beijou minha têmpora e roçou a minha orelha com o nariz, tocando levemente minha pele sensível com a língua. Meu corpo inteiro vibrou em reação à sua presença. Meu desejo por ele era tão forte que até doía.
"Como você conheceu Sai?", ele perguntou enquanto dava um gole no seu vinho.
"Terapia de grupo", segurei a mão dele para conter sua escalada pela minha perna, sorrindo diante da malícia que vi em seus olhos. "Meu pai é policial e ouviu falar de um terapeuta que fazia milagres com adolescentes rebeldes, e eu era uma. Sai se tratava com o doutor Travis também."
"Fazia milagres, é?" Sasuke sorriu.
"O doutor Travis é um terapeuta bem diferente de qualquer outro que conheci. Seu consultório fica num ginásio de esportes que ele adaptou para sua prática. Ele tem uma política de portas abertas com 'sua
garotada', e circular por ali era muito mais eficaz que deitar num divã. Além disso, com ele não tinha conversa fiada. E ele exigia que a sinceridade fosse uma via de duas mãos, caso contrário ficava furioso.
Isso eu sempre gostei nele, o fato de se importar com os pacientes a ponto de se alterar."
"Você decidiu estudar na SDSU porque seu pai mora no sul da Califórnia?"
Abri um sorriso irônico ao ouvir outra revelação de que ele tinha mais informações do que eu havia revelado. "Você pesquisou muita coisa sobre mim?"
"Tudo o que fui capaz de descobrir."
"E eu vou gostar de saber até que ponto você chegou?"
Ele levou minha mão até sua boca e a beijou. "Provavelmente não."
Balancei a cabeça, aflita. "Sim, foi por isso que fui estudar na SDSU. Eu não tive a chance de conviver com meu pai quando era menina. Além disso, minha mãe estava me sufocando."
"E você nunca conversou com seu pai sobre o que aconteceu?"
"Não." Girei a haste da taça de vinho entre os dedos. "Ele sabia que eu era uma menina revoltada e insegura, com problemas de autoestima, mas nunca soube sobre Deidara."
"Por que não?"
"Por que nada vai mudar o que aconteceu. Deidara foi punido nos termos da lei. O pai dele pagou uma indenização altíssima pra reparar os danos que ele causou. A justiça foi feita."
"Discordo", Sasuke falou num tom de voz gelado.
"O que mais você queria?"
Ele deu um grande gole antes de responder. "Algo inapropriado para falar durante o jantar."
"Ah." Aquele comentário sinistro, combinado com seu olhar implacável, fez com que minha atenção se voltasse para a comida no prato. Não havia cardápio no Masa, apenas omakase, o que significava
que cada porção era uma deliciosa surpresa, e a falta de movimento naquela noite fez com que sentíssemos que o lugar era só nosso. Depois de um instante de silêncio, ele disse: "Adoro ver você comer".
Olhei para ele. "O que você quer dizer com isso?"
"Você come com gosto. E seus gemidinhos me deixam com tesão."
Acertei o ombro dele com o meu. "Pelo que você me falou antes, está sempre com tesão."
"Culpa sua", ele sorriu, o que me fez sorrir também.
Sasuke comeu com ainda mais disposição que eu e nem se preocupou em examinar a conta astronômica.
Antes de sairmos, ele pôs seu paletó sobre meus ombros e disse: "Vamos à sua academia amanhã".
Eu o encarei. "A sua é melhor."
"Claro que é. Mas posso ir aonde você quiser."
"De preferência um lugar que não tenha instrutores prestativos chamados Lee?", perguntei num tom inocente.
Ele me olhou com uma expressão de surpresa e um leve sorriso sarcástico. "Cuidado, meu anjo. Se continuar tirando sarro da minha possessividade, vai ter retaliação."
Dessa vez, ele não ameaçou me bater. Sasuke teria percebido que misturar dor com sexo era uma questão delicadíssima para mim? Algo que me transportava para um estado mental do qual eu queria distância?
No caminho de volta, aninhei-me junto a ele no banco traseiro do Bentley, com as pernas apoiadas sobre suas coxas e a cabeça sobre seu ombro. Fiquei pensando na maneira como a violência de Deidara havia
afetado minha vida — minha vida sexual em particular.
Quantos desses fantasmas Sasuke e eu conseguiríamos exorcizar?
Pelo arsenal de apetrechos que havia na gaveta de seu quarto de hotel, estava claro que ele era muito mais experiente e ousado que eu em termos sexuais. E o prazer que extraí de sua ferocidade na nossa transa
no sofá era uma prova de que ele podia fazer coisas comigo que ninguém mais seria capaz.
"Confio em você", sussurrei.
Ele me envolveu com força em seu abraço. E, com os lábios encostados nos meus cabelos, murmurou: "Nós fazemos bem um pro outro, Sakura".
Foi com essas palavras na minha mente que adormeci em seus braços mais tarde naquela noite.
"Não faça isso... Não. Não faça isso... Por favor." Os gritos de Sasuke me fizeram pular da cama, com o coração disparado. Tive que me esforçar para recobrar o fôlego, observando com os olhos arregalados o homem que se contorcia ao meu lado.
Ele rosnava com um animal feroz, com as mãos fechadas, chutando sem parar. Eu me afastei, com medo de que ele me acertasse acidentalmente enquanto dormia.
"Saia de perto de mim!", ele disse, ofegante.
"Sasuke! Acorde."
"Saia... saia..." Ele arqueou os quadris e soltou um gemido de dor.
Ficou nessa posição, com os dentes cerrados e as costas arqueadas como se a cama abaixo de si estivesse em chamas. Então desabou, fazendo o colchão ceder sob seu peso.
"Sasuke." Tateei em busca do abajur do criado-mudo, com a garganta queimando. Não conseguia chegar até ele. Tive que me livrar das cobertas emaranhadas para chegar mais perto. Ele gemia agoniado, contorcia-se com tanta violência que a cama inteira tremia. Alcancei o abajur e o quarto se iluminou. Eu me virei para ele...
E o encontrei se masturbando com uma violência atordoante.
A mão que segurava seu membro estava pálida de tanto fazer força, e se movia para cima e para baixo de maneira brutal. Seu lindo rosto estava deformado pela dor e pelo martírio.
Temendo pela sua segurança, sacudi seus ombros com as duas mãos.
"Sasuke, pelo amor de Deus. Acorde!".
Meu grito interrompeu o pesadelo. Seus olhos se abriram e ele se sentou, olhando freneticamente ao redor.
"Quê?", ele perguntou sem fôlego, com o peito ofegante. Seu rosto estava todo vermelho, principalmente as bochechas e os lábios. "O que foi?"
"Minha nossa." Passei as mãos pelos cabelos e levantei, vestindo o robe preto que havia deixado no pé da cama.
O que se passava na cabeça dele? Que espécie de impulso sexual era capaz de produzir sonhos tão violentos?
"Você estava tendo um pesadelo", disse com a voz trêmula. "Quase me matou de susto."
"Sakura." Ele olhou para baixo e, ao notar sua ereção, ficou ainda mais vermelho, dessa vez de vergonha.
Eu o observava à distância, de perto da janela, fechando o robe com um puxão. "Você estava sonhando com o quê?"
Ele sacudiu a cabeça e abaixou-a, humilhado. Eu nunca o havia visto em uma posição tão vulnerável. Era como se outra pessoa estivesse ocupando seu corpo. "Não sei."
"Mentira. Tem alguma coisa aí, corroendo você por dentro. O que é?"
Ele se recompôs visivelmente quando sua mente conseguiu espantar de vez o sono. "Foi só um sonho, Sakura. Todo mundo sonha."
Olhei bem para ele, magoada por estar sendo tratada daquela maneira, como se fosse uma imbecil.
"Não me venha com essa." Ele corrigiu a postura e cobriu as pernas com o lençol.
"Por que você está brava?"
"Porque você está mentindo."
Ele inspirou profundamente; depois soltou o ar numa bufada. "Desculpe por ter acordado você."
Apertei o espaço entre meus olhos, sentindo uma forte pontada de dor de cabeça se espalhar. Meus olhos ardiam de vontade de chorar por ele, de chorar por causa do martírio que ele estava enfrentando. De chorar por nós, porque, caso ele não se abrisse, nossa relação não teria futuro.
"Vou perguntar de novo, Sasuke: com o que você estava sonhando?"
"Não lembro." Ele passou as mãos pelos cabelos e pôs as pernas para fora da cama. "Estou com um negócio na cabeça que está atrapalhando meu sono. Vou trabalhar um pouco no escritório. Volte pra cama e durma mais um pouco."
"Essa pergunta tinha mais de uma resposta certa, Sasuke. 'Vamos conversar sobre isso amanhã' seria uma delas. 'Vamos deixar pra falar disso no fim de semana' seria outra. Até um 'Não estou pronto para conversar sobre isso' seria aceitável. Mas você tem a cara de pau de fingir que não sabe do que estou falando e de me tratar como uma imbecil."
"Meu anjo..."
"Nem comece." Pus as mãos na cintura. "Você acha que foi fácil contar a você sobre meu passado? Acha que foi tranquilo me abrir daquele jeito e pôr tanta sujeira pra fora? Teria sido mais fácil abrir mão de você e namorar alguém menos famoso. Corri esse risco porque quero ficar com você. Um dia, quem sabe, você queira fazer o mesmo."
Saí do quarto.
"Sakura! Que droga, Sakura, volte aqui. Qual é a sua?"
Comecei a andar mais depressa. Sabia o que ele estava sentindo: o nó no estômago que se espalhava como um câncer, a raiva incontrolável e a necessidade de ficar a sós para tentar arrumar forças para empurrar as lembranças ruins de volta para o canto escuro de onde saíram.
Isso não era desculpa para mentir ou fingir que não estava acontecendo nada.
Peguei a bolsa na cadeira em que havia deixado antes de sair para jantar, fui embora às pressas pela porta da frente e logo entrei no elevador. A porta ainda estava se fechando quando o vi chegar à sala.
Sua nudez o impediria de ir atrás de mim, e o olhar em seu rosto me impedia de ficar ali. Ele estava usando sua máscara de novo, a expressão impassível que mantinha o resto do mundo à distância.
Tremendo, segurei-me no apoio de bronze para não cair. Estava dividida entre minha preocupação com ele, que me induzia a ficar, e meu conhecimento adquirido a duras penas de que não seria capaz de conviver com o modo como ele lidava com seus traumas. O caminho da superação para mim foi o das verdades dolorosas, e não o das negações e mentiras.
Limpei as lágrimas e, ao passar pelo terceiro andar, respirei fundo e tentei me recompor antes de a porta se abrir e eu chegar ao saguão do edifício.
O porteiro chamou um táxi para mim demonstrando um profissionalismo exemplar, como se eu estivesse vestida para ir ao trabalho, e não descalça e usando apenas um robe de seda. Eu o agradeci com toda a sinceridade.
Senti tamanha gratidão pelo taxista por ter me levado bem depressa para casa que lhe dei uma bela gorjeta e nem me importei com os olhares furtivos do porteiro e do rapaz da recepção. Não me importei nem com o olhar da loira escultural que saiu do elevador quando eu entrei — pelo menos não até sentir o cheiro do perfume de Sai e me dar conta de que a camiseta que ela estava usando era dele.
Ela lançou um olhar irônico para a minha quase nudez. "Bonito robe."
"Bonita camiseta."
Ela foi embora com um sorrisinho no rosto.
Quando cheguei ao meu andar, encontrei Sai parado na porta de entrada, vestindo apenas um robe também.
Ele endireitou a postura e abriu os braços para mim. "Vem cá, gata."
Fui bem depressa até ele e ganhei um abraço apertado com cheiro de perfume de mulher e sexo selvagem. "Quem é aquela menina que acabou de sair daqui?"
"Outra modelo. Não esquente a cabeça com ela." Ele me levou para dentro e trancou a porta. "Uchiha ligou. Disse que você estava vindo pra casa e que suas chaves estavam com ele. Queria que eu estivesse acordado pra receber você. Não sei se faz diferença, mas ele parecia estar muito chateado e ansioso. Quer conversar a respeito?"
Deixei minha bolsa no balcão e entrei na cozinha. "Ele teve outro pesadelo. Um ainda pior. Quando perguntei sobre o que tinha sido, ele mentiu, depois começou a agir como se a maluca fosse eu."
"Ah, o comportamento clássico." O telefone começou a tocar. Tirei o fone da base e desliguei a campainha, e Sai fez o mesmo com o do balcão. Depois tirei o celular da bolsa, ignorei os alertas de ligações perdidas e mandei uma mensagem para Sasuke: Estou em casa. Espero que consiga voltar a dormir.
Desliguei o telefone e joguei de volta na bolsa; depois fui até a geladeira e peguei uma garrafa de água. "O problema mesmo é que contei todos os meus podres pra ele esta noite."
Sai fez uma expressão de surpresa. "Então você conseguiu. Como ele reagiu?"
"Melhor do que eu esperava. É melhor Deidara torcer pra eles nunca se cruzarem." Terminei de beber a água. "E Sasuke concordou em fazer terapia de casal, como sugeriu. Pensei que estivéssemos progredindo. Talvez até estivéssemos, mas aí voltamos lá pra trás."
"Mas você parece estar bem." Ele se inclinou sobre o balcão. "Não está chorando. Parece tranquila. Preciso me preocupar com alguma coisa?"
Esfreguei a barriga em uma tentativa de espantar o friozinho instalado ali. "Não, vou ficar bem. É que... eu queria que as coisas dessem certo entre nós dois. Quero muito ficar com ele, mas mentir sobre coisas assim tão sérias é uma coisa que não consigo aceitar."
Minha nossa. Eu não conseguia nem imaginar a possibilidade de que não pudéssemos superar essa dificuldade. Já estava toda ansiosa. A necessidade de ficar com Sasuke fazia meu sangue ferver.
"Você é osso duro de roer, gata. Estou orgulhoso." Ele veio até mim, pegou-me pelo braço e apagou a luz da cozinha. "Agora vamos dormir e começar um novo dia quando amanhecer."
"Pensei que as coisas estivessem indo bem com Kiba."
Ele abriu um sorriso lindo. "Querida, acho que estou apaixonado."
"Por quem?" Encostei o rosto em seu ombro. "Por Kiba ou pela loira?"
"Por Kiba, bobinha. A loira foi só pelo exercício."
Eu tinha muita coisa a dizer a respeito, mas não era hora de examinar a tendência de Sai a sabotar a própria felicidade. E manter o foco na sua boa relação com Kiba talvez fosse a melhor abordagem nesse caso.
"Então você finalmente se apaixonou por um cara legal. A gente deveria sair pra comemorar."
"Ei, essa fala é minha."
Vocês devem querer me matar pela demora, e eu realmente sinto muito, aconteceram muitas coisas na minha vida... mas prometo que não vou desistir dessa fic!
Vou tentar voltar logo, mas não prometo que será tipo
