PRISIONEIRO DO PASSADO


Agradecimentos Especiais

- A FerPorcel por ter me apresentado esse grupo tão especial e querido: as Snapetes.

- A Elphie Cohen, pelo doce de criatura que ela é, sempre me incentivando a dar o melhor de mim.

- A Sheyla Snape, fofa e tão atenciosa, que me ajudou a postar no ffnet e sempre dá apoio incondicional.


Autora: Thity Deluc

Beta-reader: Elphie Cohen – Obrigada, você fez um trabalho fantástico! Excepcional!

Classificação: acima de 9 anos - Angst - Drama - SS/HG

Esta fic faz parte do Amigo Oculto de Dia dos Professores das Snapetes. Su, seu pedido não foi fácil, pois o nosso primeiro instinto é escrever um romance, quando se trata de Snape e Hermione. O que tornou o seu pedido um verdadeiro desafio. Então, aí está. Espero que você goste.

Pedido - Snape e Hermione professores, mas sem romance.

Resumo: Severo não morreu. E ele não havia se preparado para sobreviver ao Lorde das Trevas. Mas o que irá acontecer quando ele souber que Hermione será sua colega de profissão em Hogwarts?

Disclaimer: Personagens, lugares e citações pertencem a J.K. Rowling, Scholastic Books, Bloomsbury Publishing, Editora Rocco ou Warner Bros. Essa estória não possui fins lucrativos.


Capítulo 12

Severo conferiu mais uma vez a arrumação da sala: tudo estava em ordem. Ponderou mais uma vez em recebê-la em seus aposentos, na pequena sala de estar, mas seria muito pessoal. Ali, no gabinete contíguo à sala de aula era menos íntimo. Mais adequado, afinal, Hermione e ele eram apenas colegas de profissão. Ele suspirou novamente, percebendo o quanto estava nervoso. Apoiou as duas mãos na mesa, respirou fundo, controlando sua respiração ele conseguia se acalmar e ganhava um pouco de controle sobre suas emoções.

Quando conseguiu acalmar-se, sentou-se e para passar o tempo, pegou um pergaminho em branco, uma pena e tinta, e começou a rabiscar sem objetivo, pensando que haveria de se esforçar para descobrir como viver sua vida pós-Lorde das Trevas.

Severo foi arrancado desses pensamentos pela breve batida na porta. Levantou o olhar naquela direção, sentindo seu corpo ficar tenso pelo que viria a seguir.

- Entre. – Ele convidou em voz alta.

A porta abriu-se suavemente, Hermione parou e olhou-o, falando sem passar da porta:

- O senhor quer falar comigo, Professor Snape? – Ela estava muito séria, quase triste.

Severo observou que ela estava vestindo roupas trouxas, sem as vestes de professora: calça jeans, uma blusa branca bem simples, e sandálias baixas. Os cabelos cheios e rebeldes, estavam soltos, emoldurando seu rosto de uma forma tão enigmática, que o fez ficar ali, olhando, sem responder.

- Professor? – Ela deu um passo à frente, acordando-o.

- Entre, Granger, por favor. – Severo xingou-se mentalmente por se distrair tão fácil assim, só porque ela estava com aquela cabeleira selvagem solta...

Hermione entrou, fechou a porta e encaminhou-se para a mesa onde ele estava.

- Sente-se, Hermione. – Ele apontou uma cadeira à frente da mesa.

Ela levantou uma sobrancelha ao ouvi-lo usando seu primeiro nome, mas não disse nada, sentou-se e ficou encarando-o.

Severo sentiu então, aquele calor... Ele não podia perder o controle, não podia deixar-se levar. Seu rosto tornou-se uma máscara ilegível, os olhos opacos, a boca apertada, seu corpo ficou tenso. Ele a encarou de volta por alguns segundos e começou a falar.

- Você já leu seu material de aula, aquele que lhe entreguei?

- Sim. Está tudo na mais perfeita ordem, Snape.

Ele levantou uma sobrancelha, como se duvidasse dela.

- Nenhuma dúvida? Posso partir agora que você me substituirá a contento? – Ele não conseguiu evitar a ironia em sua voz.

Ela lhe deu um sorriso irônico.

- Não confia em mim, Snape?

- Ora, Granger, preciso ter certeza, afinal, essa disciplina ainda é responsabilidade minha.

- Não precisa se preocupar, Professor Snape, eu sou muito consciente das responsabilidades que assumo. – Hermione respondeu, agora ficando extremamente séria.

- Realmente. – A moça parecia hostil, Snape estranhou, mas não iria comentar isso. – O Potter deu meu recado para você e para o Weasley?

- Sobre as memórias dele, sim. – A voz dela estava mais hostil ainda.

Snape estava ligeiramente confuso com essa hostilidade toda de uma moça que era tão gentil.

- Ótimo. Então... – Snape hesitou, pensando se deveria realmente falar o que havia pensado. A hostilidade dela não era esperada. – Eu gostaria, Granger, de lhe agradecer, novamente, por seus cuidados enquanto eu estava hospitalizado. – Severo olhava-a diretamente nos olhos, enquanto falava, usando seu tom de "sala de aula", arrastado, lento, baixo.

Hermione ergueu as sobrancelhas, nitidamente surpresa.

- E confesso – Snape continuou – que fiquei curioso, quando recuperei a consciência totalmente, com essa atitude sua...

- Bem, eu fiz o que faria por qualquer amigo ou por qualquer pessoa com quem me importasse. – Ela respondeu com certa impaciência.

Snape sentiu-se irritado. Era compaixão, ele sabia disso. Ela tivera dó dele. Como ele podia ter pensado que poderia ser qualquer outro sentimento? Como fora tolo!

- Ora, vamos, Granger! Nunca fui seu amigo, pelo contrário, não é? – Agora o tom de voz dele era o usual, ácido, irônico, cheio de desprezo. – Foi culpa? Por não ter me acudido de imediato?

Logo que ele pronunciou as primeiras palavras, Hermione perdeu o controle, sentiu seu sangue todo subir na cabeça. Como esse cretino se atreve, pensou. Seu rosto ficou vermelho enquanto ele falava, ela segurava a borda da mesa com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

- Eu. Não. Tinha. Como. Te. Ajudar. Sozinha! – Hermione começou a falar, sua voz aumentando conforme as palavras saíam de sua boca. – Eu voltei à Casa dos Gritos o mais rápido que eu pude.

Severo observava a transformação dela, a raiva crescendo, um brilho avermelhado faiscando nos olhos dela, os cabelos se arrepiando em torno do rosto rubro, ela realmente parecia uma leoa prestes a atacar. E ele também sentia sua raiva crescer, mas controlava-a por baixo da máscara de desprezo.

- Não se preocupe com esses detalhes, Granger. Apenas não vamos "romancear" a situação. Não gosto de dar nome errado ás coisas... Eu vi as memórias do Potter, eu sei que você sempre teve compaixão pelos desprotegidos.

- Seu! – A moça ficou de pé, totalmente furiosa. – Seu cretino! – Agora ela gritava. – Eu não tive compaixão! Você lutou contra as trevas da mesma forma que Harry, Rony e eu estávamos lutando! Mais! Você se arriscou muito mais! Eu sempre admirei você como professor! Quando soube tudo o que você fez como espião, admirei mais ainda! – Ela parou de falar, percebendo que estava de pé, gritando e arfava de raiva. Sentou-se, ainda cheia de ira, e calou-se.

Snape não se mexeu, mas estava pasmo com a ousadia da moça em xingá-lo sem nem piscar os olhos. Ela estava realmente com muita raiva e ele se perguntava por que. Obviamente ele havia registrado os elogios, mas o orgulho dominava-o. Iria deixar bem claro que não precisava da compaixão dela.

- Bobagem! – Ele falou calmamente, mas ainda em tom irônico. – Vocês, adolescentes, vêem grandes feitos em nada! Na verdade, Granger, eu apenas queria novamente agradecer e deixar bem claro que já não preciso mais de compaixão...

- Eu já disse que não foi compaixão! – Ela cortou-o, seu tom de voz alto, agudo, cheio de raiva. Esse homem era de um orgulho inacreditável, ela pensou.

Ele ficou olhando para ela, admirando como ela ficava simplesmente... Severo respirou fundo, não podia se deixar levar. Mas essa fúria toda a deixava simplesmente linda! Severo franziu o rosto, não deixando seus pensamentos continuarem nesse caminho.

Passaram-se alguns minutos, os dois se encarando por cima da mesa, ela com uma expressão de pura raiva no rosto e ele, com cara de quem estava esperando uma criança mimada parar de dar birra.

Severo lembrou-se que o que ele queria, no fundo, era apenas contar para ela que foi a voz dela que o salvou. Mas seu orgulho não o deixava.

- Enfim, Granger, - ele finalmente falou, agora com um tom de voz ameno, sem ironia – sei que você é muito responsável e que vai fazer um ótimo trabalho. Eu observei você com os alunos, aos sábados, já vi você com eles nos jardins da escola. Os alunos, com você, sempre parecem muito interessados... Parece que você escolheu a profissão perfeita pra você.

Hermione olhava para ele, as sobrancelhas levantadas, a boca aberta. Parecia que ela estava em um filme bizarro, cuja cena havia mudado repentinamente. Pensou que Snape devia ter ficado louco. Ele a estava elogiando?

Snape levantou-se e estendeu a mão para ela.

- Boa sorte, Granger. Adeus.

Ela fechou a boca e levantou-se devagar. Não sabia explicar, mas uma ponta de tristeza invadiu-a nesse momento. Sua raiva tinha evaporado.

- Obrigada, Professor Snape. Boa sorte para o senhor também. Adeus.

Apertaram as mãos, formalmente. Severo largou rápido a mão dela: aquela pele quente, suave, poderia fazê-lo perder totalmente seu controle. Isso ele não permitiria acontecer!

Ela ficou ali mais um pouco, encarando-o e percebeu uma tristeza enorme nos olhos dele, que ele logo disfarçou, acompanhando-a até a porta. Hermione não sabia mais o que dizer, tudo fora muito estranho, montes de emoções diferentes ao mesmo tempo, o humor dele mudando em segundos, então ela simplesmente foi embora.

E sentiu-se frustrada. Queria tanto explicar para ele que entendia o que era entrar em Hogwarts e sentir-se inadequado, estranho, que entendia a sede de conhecimento e poder que ele tivera quando jovem, e que entendia seu amor por Lílian, mas sabia que ele jamais permitiria tais intimidades. Hermione pensou o quanto ele sofria por causa do próprio orgulho.

Snape fechou a porta, apoiando suas costas nela, sentiu-se esgotado. Concluiu que realmente estava apaixonado por ela, e precisava ir embora do castelo o mais rápido possível. Foi para a mesa, recolheu os últimos pergaminhos, penas e tinta que lá estavam, embalando tudo. Olhou mais uma vez, perguntando-se se sentiria falta de Hogwarts. Não soube responder.

~~~~ - o - ~~~~

Vinte minutos depois, Severo despedia-se de McGonagall, no saguão do castelo.

- Severo, você combinou mandar notícias toda semana, não foi?

Ele deu um meio sorriso para ela.

- Não, Minerva, quem combinou foi Dumbledore. Eu não disse nem que sim, nem que não.

- Oh, meu rapaz, mas eu vou escrever para você semanalmente! – Ela riu tristemente, ignorando as ironias dele. Sabia que ele responderia.

- Então, adeus, Minerva. E por favor, não me acompanhe.

- Adeus, Severo. Tudo bem, não te acompanharei. Sua bagagem já foi?

- Sim, os elfos do castelo já levaram tudo para o sítio.

- Ah, sim. Onde é mesmo esse sítio, Severo?

- É na zona rural da cidade de Tauton, em Somerset. Pelo que me informei, é perto de Londres. Para os trouxas, fica apenas a três horas de Londres. Fica fácil para o Dr. Murdock aparatar de St. Mungus.

- Ah que bom.

Snape olhou para a Diretora mais uma vez, nos olhos.

- Minerva...

- Oh, Severo! Eu sei que você não gosta de sentimentalismos... Eu sei o que você quer dizer, está bem? Vá, vá viver sua nova vida.

- Adeus! – Severo segurou as mãos dela nas suas mais uma vez, apenas olhando-a.

Quando ia se virar para a porta, Severo viu Hermione descendo para o saguão, ela olhava diretamente nos olhos dele. Ele acenou com a cabeça na direção dela, sentindo seu estômago se contrair. Pensou que agora ele não conseguiria lidar com ela. Mas não se mascarou.

Hermione sentiu-se estranha perante aquele olhar tão penetrante de Snape, ele parecia triste. A olhava diretamente nos olhos. Viu que ele cumprimentou-a com a cabeça, ela retribuiu sem falar nada.

Severo encaminhou-se para a porta, sua capa farfalhando em torno de suas pernas, e saiu do castelo, dirigindo-se ao portão.

Minerva e Hermione ficaram na escada da entrada, à porta do castelo, olhando ele ir embora, sem olhar para trás.

Pensou nas palavras que vinha repetindo para si mesmo, sempre que pensava em sua partida:

Embora você pense que eu esteja enfrentando

A minha cabeça está cheia de esperança de algum lugar diferente aqui de outros

Embora você pense que eu esteja sorrindo

por dentro o tempo todo eu estou perguntando sobre o meu destino


Estou pensando em todas as coisas que eu gostaria de fazer na minha vida

Severo sentia o olhar de Hermione em suas costas, mas não se atreveu a olhar para trás. Chegou ao portão, suspirou e finalizou suas palavras antes de aparatar para seu futuro:

Eu sou um sonhador, um sonhador distante, que sonha com a esperança, a partir de hoje*

.

Fim

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* Tradução de trecho da letra da música "Distant Dreamer", de Duffy.


N/A: Então, acabou! Obrigada por lerem minha fic. Essa fic terá continuação, ainda imprevista. E não será tão "angst"...

Não se esqueça: Deixe um review e faça uma autora feliz!

T.D.