A campainha tocou assustando as duas mulheres para a realidade que as rodeava e que elas haviam esquecido. Ultimamente era fácil se esquecer de todo o resto quando elas estavam juntas, o relacionamento entre elas era cada vez melhor. Demetria levantou calmamente, passando a mão de leve pela barriga pequena com certa preguiça.

"Finalmente a pizza chegou, você não sabe a fome que eu estou!" Ela bocejou cansada. "Pode deixar que eu atendo." A mulher foi até a porta com passos pequenos e lentos, bocejando entre uma passada e outra. A gravidez estava fazendo algo que ela jurava ser impossível: a estava deixando muito mais preguiçosa e sonolenta.

Abriu a porta sem se preocupar em olhar pelo olho mágico quem era e se surpreendeu ao encontrar a pessoa que menos esperava ver. "Greg?" O fitou espantada, a voz revelava a surpresa. "O que você está fazendo aqui?"

"Nós precisamos conversar, será que eu posso entrar?" Ele passou a mão pelo miocano o bagunçando levemente. A mulher abriu passagem para ele ainda perplxa, o baterista virou olhando a baixinha e mirando a barriga proeminente visivelmente desconcertado.

"Eu vi algumas notícias sobre a sua gravidez, eu quis vir antes mas estava em turnê e acabou não dando certo. Eu queria muito te perguntar, essa criança é minha? Ou é inseminação artificial como dizem os boatos? Porque eu andei fazendo as contas e sinceramente acho que as possibilidades de eu ser o pai são bem altas." Demi o fitava ainda sem saber o que responder, mal se recuperara da surpresa da visita, ele já a bombardeara de perguntas cujas respostas ela não se via capaz de dar. "Se eu for mesmo o pai eu quero que fique tranquila porque eu vou assumir minhas responsabilidades, eu vou cuidar dessa criança com você. Mesmo fora dos planos eu sei que posso fazer isso dar certo."

"Demetria?" A voz veio do corredor e o barulho de passos denunciava a aproximação da mulher, o que fez a mais nova congelar com medo do que poderia acontecer. "Está tudo bem? Precisa de dinheiro para pagar?"

A mulher de cabelos e olhos castanhos entrou na sala e torceu o nariz quando percebeu quem era a visita inesperada, claramente irritada. "O que temos aqui?" Seu timbre era duro, o que deixou Demetria ainda mais temerosa. A mulher parou ao seu lado, muito mais próxima do que realmente teria que ficar, passando seu braço pela cintura da outra a puxando para si, quase colando seus corpos.

"Selena? O que você faz aqui?" Seu tom era de surpresa.

"Eu não sei se você sabe Gregorio, mas eu moro aqui. É a minha casa." O ênfase no minha denunciou à Demi as reais intenções de Selena, ela queria marcar seu território, mostrar quem mandava no local, quem tinha o controle.

"Eu pensei que... Bom, eu..." Ele passou a mão no moicano de novo por puro nervosismo. Não esperava ver Selena ali, sequer havia passado por sua mente a possibilidade de as duas estarem juntas novamente. Respirou fundo tentando organizar o pensamento. "Eu vim saber se a criança é minha."

A latina revirou os olhos quase debochando do rapaz o que fez Demi lhe dar um cutucão. "Se você se refere à criança que Demetria está esperando, não perca seu tempo." A mais baixa lhe deu uma olhada feia que ela ignorou.

"Greg, eu não esperava sua visita. Eu estou surpresa! Por que veio?"

"Eu disse, se eu for o pai quero fazer parte da vida dela. Vou criá-la também, é meu dever."

A mais velha sutilmente passou a grávida para trás de si como se a protegesse e lançou ao homem um olhar ameaçador, lhe dirigindo a palavra com o tom mais hostil que já havia usado em toda a sua vida. "Eu sugiro que você vá embora e deixe a minha família em paz."

O rapaz olhou de uma mulher para outra por quase um minuto. Enquanto Selena o olhava com certa raiva, Demi quase lhe suplicava com o olhar para ir embora. Decidiu não mais perturbar, pelo menos por enquanto.

"Tudo bem, estou indo, mais ainda espero a responta da minha pergunta."

Lentamente ele se encaminhou para a porta e saiu cabisbaixo a fechando devagar.

Na sala, Selena permaneceu em posição de defesa por mais alguns minutos. Sua respiração era ofegante e podia-se ver o tamanho de sua irritação pela veia que saltava do pescoço, Demetria nunca a tinha visto tão furiosa.

A mais velha virou para outra abaixando e ficando na altura da barriga fazendo ali um carinho.

"Não se preocupe pequena, tia Selena não vai deixar ele chegar perto de você. Você é só da mamãe e da tia Lena, viu?" Deu um sorriso bobalhão que em nada combinava com o humor de segundos antes. "Eu vou cuidar de você, só eu!"

Finalizou depositando um beijo carinhoso na barriga.