DISCLAIMER: Saint Seiya, obviamente, não me pertence. Esta estória esta sendo baseada no livro Eragon e em Senhor dos Anéis.
SUMÁRIO: Há milhares de anos atrás o mundo era governado pelos cavaleiros e seus Dragões. Esse tempo foi conhecido como a era de ouro. Por muito tempo os cavaleiros conseguiram manter a paz em todo o mundo. Os povos de diferentes raças viviam em harmonia uns com os outros. Entretanto a era dos cavaleiros entrou em extinção quando a maldade invadiu o coração de um deles.
"Cold be heart and hand and bone. Cold be travelers far from home. They do not see what lies ahead, when Sun has failed and Moon is dead."
"O vento uiva pela noite trazendo consigo um aroma capaz de mudar o mundo."
Eragon.
"Cai a escuridão... Colidem as espadas... Reina o mal.".
Eldest.
Capítulo IX.
Turlor – Cidade dos Anões do Norte.
- Não acredito! Então, tudo deu certo no final? – Perguntou Aldebaran para Saga através do espelho mágico.
Ele e o irmão encontravam-se em uma caverna bem no subterrâneo da montanha. As paredes escuras faziam com que a penumbra do lugar aumentasse. No centro, um grande pedestal de granito branco, onde o espelho de ouro branco que estava nas mãos de Aldebaran ficava depositado.
- A maioria de nós está bem. Perdemos alguns homens, o que me preocupa, mas a saúde de Calla no momento é o que tem me deixado sem dormir. Desde o ocorrido que ela não acorda e eu sinto que Camus, Aiolos e Aiolia estão estranhos, estão fracos. Acho que aquelas raízes demoníacas possuíam venenos em suas pontas e não há um curandeiro aqui no momento que esteja preparado para este tipo de situação. Temo pela vida dos quatro.
- Quer que voltemos Saga? – Perguntou Gillius que andava de um lado a outro da sala, seus pés já estavam marcando o chão de terra da caverna. – Talvez se a gente estivesse ai isso não teria acontecido.
- Não há ninguém neste mundo capaz de colocar juízo em Calla. – Saga estava com marcas escuras em baixo dos olhos, seu rosto já era branco, mas nos últimos tempos ele apresentava uma palidez incomum. – Fique ai. Vocês dois não poderiam ter feito nada, talvez fossem apenas mais dois machucados aqui. Vocês fizeram o que é certo.
- Vou ganhar essas eleições Saga, e vou marchar para Hügel com todos os anões. – Aldebaran falou com convicção.
- Faça isso. Preciso de vocês dois aqui, mas vejo que a luta dos dois nesta eleição também é fundamental para a nossa vitória. Gillius... – Saga suspirou. - Quero que você aconselhe o seu irmão, preciso que você o apoie incondicionalmente. Sem brigas e desavenças. Não conheço a cultura dos anões muito bem, até porque nossos povos só estão voltando a se unir agora, então cuidado.Cuidado sempre, apesar de ser o seu povo, nem todo mundo quer o que nós queremos.
- Nós compreendemos Saga. – Gillius havia parado de andar e já estava ao lado do irmão. Sua mão gorda e grande estava depositada no ombro de Aldebaran. – Vou apoiar meu irmão sempre, mesmo que ele faça algo contra a minha vontade. Ele é sangue do meu sangue. Não há o que se preocupar.
Aldebaran sorriu com aquelas palavras do irmão. Sabia que Gillius iria protegê-lo até a morte se necessário. Tinha total e completa confiança nele e não existia nada e nem ninguém com mais força de vontade e mais coragem do que o irmão. Ele derrubaria montanhas para proteger aqueles que ama.
- Não se preocupe Saga. Gillius nunca me desapontou, ele é motivo de orgulho para mim, ele irá me proteger.
- Eu sei que vai. – Saga pela primeira vez sorriu aquele dia. – Confio nos dois. Façam o que tenham que fazer ai, ganhe essa eleição e venham com tudo para Hügel, venham com todos os anões que puderem, porque nós vamos marchar, vamos marchar para a vitória e trazer paz para este mundo.
- Sim Senhor. – Disseram os dois em uníssono.
- Tenho que ir. Preciso achar alguém em Hügel que consiga descobrir um antídoto para Calla e os outros. Mantenham contato sempre, uma vez por dia se possível. Quero saber o que está acontecendo ai e preciso ter certeza que vocês dois estão devidamente bem, caso as coisas fiquem pesadas por ai, larguem tudo e voltem para Hügel, preciso de homens, mas a vida dos dois é muito preciosa para serem perdidas. Vocês dois acima de tudo são os meus amigos.
- Não se preocupe. Se as coisas não estiverem saindo do jeito que planejamos, iremos voltar. – Gillius prometeu. – Espero que você consiga achar logo alguém para ajudá-lo com este problema, queremos poder voltar e ver todos sãos e salvos.
- Que os Deuses estejam conosco. Preciso ir. Não se esqueçam de entrar em contato comigo amanhã, pode ser neste mesmo horário, à tarde geralmente as coisas por aqui ficam mais tranquilas.
- Como quiser Saga.
Aldebaran fez uma pequena mensura e Gillius o imitou, Saga acenou com a cabeça e a imagem dele tremeu e, no fim, sumiu voltando a refletir a imagem dos irmãos.
- Eu não acredito que aquela criança teve a ousadia, a coragem de fazer algo que eu nunca consegui fazer! – Exclamou Aldebaran. – Ela consegue ser mais inconsequente do que eu!
- Espero que ela e os outros não morram. Seria um golpe muito forte para o Saga. Ele os vê como amigos, companheiros, assim como nos vê.
- Bom, pelo menos de uma coisa eu tenho certeza. Quando Calla acordar, e se os Deuses permitirem e eles irão permitir, ela nunca mais vai agir desta maneira.
- Você acredita nisso irmão?
- Você não? – Aldebaran olhou sério para Gillius. – Não?
- Tenho certeza que não! – Gillius colocou o espelho no lugar dele e saiu a passos apressados da caverna. – Temos que organizar o seu discurso e você precisa se preparar! Tem que manter o seu corpo forte e precisa se preparar mentalmente também. Temos que manter os lobos por perto, nada deles ficarem andando por ai atrás das crianças e de comida, agora as coisas começaram a ficar sérias.
- O que quer dizer com isso Gillius?
- Você não reparou? – Gillius perguntou já respondendo em seguida. – Saga tem razão! Alguns anões não querem que você ganhe, não querem ir para a guerra! Não querem se unir aos humanos! Eles preferem ficar aqui, entocados, salvos!
- Que esse vulcão acorde se isso acontecer! – Esbravejou Aldebaran.
- Cale a boca Deba! – Gillius olhou para os lados a procura de alguém. Ninguém estava por perto. Os dois já haviam saído da sala e andavam pelos corredores de volta para os seus aposentos. – Quer nos matar?
- Que venham tentar algo! – Aldebaran mostrou o cabo de sua espada. – Corto todos ao meio!
- Sei que é forte, mas pelo amor dos Deuses, seja inteligente também! – Gillius jogou as mãos para cima. – Use essa sua cabeça!
- Não fale assim comigo, sou o futuro Rei!
- Se você agir desta maneira será um futuro morto! – Gillius voltou a olhar para os lados. Algo o estava incomodando. – Tem alguma coisa estranha.
- Do que está falando? – Perguntou Deba. – Não vejo nada de estranho. Serei Rei e pronto!
- Não estou falando disso. – Gillius parou e Aldebaran quase esbarrou em suas costas. – Prepare-se!
Aldebaran nem precisou perguntar o porquê daquilo. Enxergou um vulto vindo em sua direção pelo lado direito do túnel. Eles estavam em uma bifurcação. Uma adaga de prata passou raspando pelo seu rosto, ela fez um pequeno corte em sua bochecha antes de se fixar na parede da caverna. Deba levou à mão direita a espada e a girou da esquerda para a direita de baixo para cima, assim que sentiu uma aproximação vinda por trás. Sentiu sua espada rasgando pele, carne e osso. Como ele havia dito antes, ele cortou o anão da base de seu quadril esquerdo até o ombro direito. A metade do anão caiu no chão e o sangue do mesmo espirrou para tudo quanto é lado. Enquanto isso Gillius, girava o seu machado com destreza e acertava outro anão que vinha pela esquerda. Seu machado grande e pesado acertou o anão em cheio no meio do peito, a espada que o mesmo segurava firme em sua mão caiu no chão assim como o seu corpo, o barulho que ecoou pelos tuneis.
- Deba, fique perto de mim, de onde saíram esses dois, podem aparecer mais. – Gillius colocou o pé no tronco do anão morto no chão e puxou o seu machado do peito do mesmo, logo depois o girou na mão a fim de tirar o sangue do inimigo fixo ali. – Seu rosto está sangrando.
- Não é nada, é somente um arranhão.
- Temos que sair daqui, estamos muito longe do centro do vulcão.
- Não podemos nos comunicar com Saga se as coisas continuarem assim! – Deba olhou em volta apreensivo.
- Teremos que ter mais cuidado e Munin e Hugin terão que nos acompanhar sempre agora.
- Acha que tem mais deles?
Gillius olhou a sua volta. Acalmou as batidas de seu coração e ficou concentrado nos barulhos que o túnel fazia. Nada. Nada foi escutado.
- Não tem mais ninguém, só vieram eles dois.
- Estranho. Mandar duas pessoas acabar com nós dois.
- Acho que eles só queriam nos testar. – Gillius segurou com mais força o machado. – Temos que ficar atentos.
- Precisamos acabar logo com essas eleições! – Aldebaran limpou o sangue de sua espada e a colocou de volta em sua bainha. – Precisamos acabar logo com essa brincadeira e sair daqui o mais rápido possível!
- Eu sei... Eu sei... – Gillius não queria guardar o machado, estava inquieto e temia um novo ataque. – Eu já não gostava desta ideia de você ser Rei, agora estou gostando menos ainda.
Heilige – Aposentos de Léia.
Léia apoiou a cabeça nas mãos e ficou aguardando as duas pessoas entrarem em seus aposentos enquanto a rainha do Elfos parecia uma estátua com toda a sua maestria em um canto de seu quarto. Suas asas estavam repousadas contra as suas costas delicadamente e seus cabelos balançavam de acordo com a brisa que adentrava pela porta aberta. Os dois homens entraram e a encararam. Seus cabelos castanhos claros estavam soltos e sua aparência era a mesma de antes, não havia envelhecido nada. A raposa se mexeu na cama olhando para os presentes no quarto, logo depois se enroscou mais ainda nos lençóis e voltou a dormir. Léia passou as mãos no pelo brilhoso dela e acariciou atrás da orelha do animal.
- O que querem? – Ela perguntou rispidamente, sem nem ao menos olhá-los.
- Sua ajuda. – Disse Mu.
Aquela voz era conhecida, há anos não a escutava, mas nunca a esqueceria. Era a voz do homem que a havia salvado. Seus olhos se ergueram do chão e se voltaram para os alhos azuis de Mu. Ela não sabia como ele era, só conhecia a sua voz, quando ele a pegou nos braços e a levou até os Elfos, ela estava submersa em seus pensamentos, em sua dor.
- Você é aquele que me salvou. – Ela parou de acariciar os pelos da raposa. – Por que o fez?
- O que? – Ele perguntou ligeiramente surpreso. – Por que eu a salvei?
- Sim.
- Porque era o certo a se fazer. – Falou Shura. Ele estava impaciente com aquilo tudo, queria pegá-la pelos cabelos e levá-la até Saga o mais rápido possível.
- Não dirigi a palavra a você, metamorfo. – Léia o olhou com nojo. – Sua raça não estava lá quando precisamos de vocês.
- Espere Léia. – Iebel interferiu. - Este homem estava lá. Ele batalhou ao lado dos cavaleiros.
- Hunpf... Não me lembro dele.
- Você estava preocupada demais em matar Darius e Wegor na hora, por isso não notou a minha presença. – Shura disse com toda a delicadeza possível. Não queria remeter aquelas lembranças ruins a ela, não queria também ser grosso ou inconveniente. Não naquele momento que eles precisavam dela. Tinha que pisar em ovos. – Minha raça pode não ter estado toda lá, mas eu estava e lutei até o fim.
- Hum... – Léia sentiu o coração apertar quando escutou aquelas palavras. Não pelo homem e sim pelo seu Dragão, pelo seu amigo de coração e mente. – Mas e você... – Ela tornou a olhar o loiro. – Por que me salvou?
- Como o meu amigo Shura disse, era o certo a se fazer. Você é a última cavaleira de Dragão viva, seus conhecimentos são fundamentais para os Rebeldes, para a humanidade. Precisamos de você.
- Você acha mesmo que eu posso ajudá-lo? Acha que só porque eu sou a última sobrevivente posso matar Darius?
- Você pode nos ajudar a fazê-lo! – Shura queria gritar, mas se controlou. A Rainha dos Elfos emanava uma energia tranquilizadora, assim ele conseguiu se controlar.
- Se eu pudesse fazer algo por vocês já teria feito, se eu pudesse matar Darius já o teria feito! – A última parte foi dita com nojo e repulsa. – Vocês acham mesmo que eu sou capaz de matá-lo? Se com... Se com Ismael ao meu lado... – As palavras foram difíceis de sair de sua boca. Ela respirou profundamente tentando esquecer a dor que voltava aos poucos ao seu coração. – Se com o meu Dragão ao meu lado eu não fui capaz, sem ele não tem como, não há nada... Não há esperança para vocês! O mundo acabou e vocês terão que viver sobre a tirania daquele traidor, daquele monstro!
- Não diga isso! – Iebel que parecia imóvel se movimentou delicadamente até Léia. – Minha querida. – A rainha se ajoelhou diante da mulher.
Aquilo fez com que Léia, Mu e Shura ficassem congelados de tanta surpresa. O feiticeiro ficou calado, ele sabia que a rainha não iria fazer aquilo se não tivesse um propósito. Shura achou aquela atitude digna de uma rainha. Se ajoelhar diante a alguém não é sinal de fraqueza e sim de força e sabedoria. Aquela mulher sabia o que estava fazendo.
Léia não sabia o que fazer, queria dizer muitas coisas para os dois homens que estavam ali na sua frente, queria gritar, esbravejar e dizer "não" milhares de vezes, mas com a rainha dos Elfos aos seus pés, naquela posição humilhante a fez sentir vergonha de tudo e todos, de suas atitudes, de sua posição até ali, da sua forma de viver.
- Não precisa...
- Não. – Iebel a cortou. – Eu preciso sim. Você sofreu minha querida, sofreu mais do que todos nós. Ninguém aqui pode dizer o que é perder um Dragão, a dor e a solidão que se instala no coração, pois nós não fomos dignos de ter um ao nosso lado, mas você foi. Você foi escolhida pela sua força, garra, coragem e determinação. Ismael era a sua vida e você era a vida dele, disso ninguém aqui tem dúvida, mas minha querida Léia, pense no que o seu amado diria a você agora, pense no que ele gostaria que você fizesse. – Iebel colocou as mãos delicadas sobre as de Léia. A rainha sentiu a menina tremer sob o seu toque. – Sei que está com medo Léia, todos nós estamos. Tenho medo todos os dias. Medo pelo meu povo, medo pelo os outros povos, medo pela floresta e medo por mim mesma. Quero que essa guerra acabe, quero que mais uma vez a paz volte a reinar neste mundo e isso só irá acontecer se você se doar, se você ceder, se você se permitir mais uma vez viver. – A rainha olhou para trás, na direção dos dois homens presentes. – Estes cavaleiros precisam de você, precisam da sua força e sabedoria. Faça o que é certo, faça o que Ismael faria.
A rainha se levantou e beijou a testa de Léia com ternura. Shura e Mu continuaram imóveis, já Léia segurou a mão da rainha com delicadeza. Ficou sentindo o toque quente da mão da rainha por alguns segundos, o silêncio permaneceu no ambiente e ninguém se atreveu a quebrá-lo. Iebel não se afastou do toque de Léia, deixou a jovem segurar a sua mão, não se importava com isso, sabia que ela estava buscando força e coragem para seguir a diante. Longos minutos se passaram e enfim, Léia inspirou e expirou profundamente.
- Obrigada. – Ela disse soltando a mão da rainha. – Obrigada por me acolher e por confiar em mim.
- Não tem que me agradecer Léia, agradeça a Mu por tê-la trazido até nós com vida e agradeça a você mesma por se permitir viver. – Iebel lançou um olhar calmo para Mu e Shura e se retirou do quarto.
- Quando partiremos? – Perguntou Léia se levantando da cama e caminhando até um baú de madeira que ficava encostado na ponta de sua cama.
- O mais rápido possível. – Disse Shura.
- Você está certa de sua decisão? – Perguntou Mu.
Shura lançou um olhar incrédulo para o amigo, afinal de contas ela tinha cedido, qual era o motivo daquela pergunta? Léia ajoelhou-se de frente para o baú e suspirou.
- Tenho. É o certo a faze que Ismael gostaria que eu fizesse.
- Então a decisão foi tomada. – Falou Mu. – Partiremos ao anoitecer.
Léia e Shura concordaram com a cabeça. Shura relaxou o corpo e Léia puxou um pano vermelho de dentro do baú. Ela se levantou do chão e depositou o pano em cima da cama, o que fez a raposa se mexer mais uma vez. Aos poucos ela foi desenrolando o pano, algo grande e pesado estava envolto do mesmo. Quando finalmente acabou aquele processo de desenrolar, uma linda espada surgiu. Sua bainha era de couro preto e o cabo de sua espada era da cor de seu dragão. Vermelha. Ela segurou a espada com força, tirou ela da bainha e fez alguns movimentos simples com ela. O barulho do ar sendo "cortado" era a única coisa que se escutava no aposento, nem Shura e nem mesmo Mu falaram alguma coisa. A espada era perfeita para a sua mão, leve na medida certa. As últimas palavras de Ismael voltaram à tona em sua mente. "Minha amada guerreira, que você viva e ajude a destruí-lo. Você sempre será a minha escolhida. Irei amar-te para sempre."
- Irei amar-te para sempre também Ismael. – Ela sussurrou aquelas palavras cheia de dor, ressentimento, raiva, saudade, amor, carinho e muita solidão.
Shura lançou um olhar apreensivo para Mu, mas o amigo apenas sacudiu a cabeça, mostrando para o metamorfo que eles podiam esperar um pouco mais, que Léia estava começando a aceitar, que ela conseguiria superar aos poucos. O Senhor Gato, que a todo tempo ficou do lado de fora do cômodo, adentrou silenciosamente e se enroscou nos lençóis ao lado da raposa que lançou um olhar raivoso para o felino, mas não fez nada contra ele, apenas voltou a dormir. Já o Senhor Gato, fingiu não se importar com aquele animal avermelhado e ronronou baixinho, mostrando estar completamente satisfeito por ter escolhido deitar ali na cama. Mu revirou os olhos para os dois animais, enquanto Léia treinava com a espada e Shura se transformava em um segundo gato, todo preto com a ponta do rabo branca e se acomodava na cama também ao lado da raposa.
- Metamorfos... – Suspirou Mu.
Silverseed. – Floresta dos Elfos.
Galadriel pegou sua aljava e seu arco, colocando-os presos em suas costas. Pegou sua espada e a fixou em seu cinto, junto com uma pequena adaga. Ele iria para Hügel junto com Shaka e os outros. Ele veria mais uma vez Eveline e quem sabe não ajudasse os humanos? Só de pensar naquilo sentiu seu estômago embrulhar. Ele não era igual aos outros Elfos, ele era diferente. Não gostava das outras raças e nem fazia questão de se misturar a elas. Sempre achou que os elfos eram superiores a tudo e a todos e continuava mantendo a mesma opinião. Mas há momentos que requerem sacrifícios, e ele estava disposto a fazê-lo por causa de Eveline. Os dois haviam sido criados juntos, apesar de Galadriel ser mais velho do que ela apenas alguns anos, eles cresceram e brincaram juntos.
A Elfa sempre foi meiga e carinhosa, diferente dos outros elfos, que são sérios e frios. Isso despertou em Galadriel certo interesse, não o interesse de amor, mas sim de admiração. Ele admirava a loira, por mais que os dois brigassem na maioria das vezes por terem opiniões diferentes, ele a admirava. Ela era a única que consiga deixá-lo na dúvida. Eveline tinha esse poder, fazê-lo pensar sobre a vida e sobre todo o resto. Ele nunca teve dúvidas sobre nada em sua vida, mas quando estava com ela, a palavra "por que" sempre aparecia em sua mente.
Apesar de terem crescido em uma época de horror e medo, os dois nunca deixaram de sorrir e de se divertir, principalmente a loira. Galadriel suspirou, olhou em volta, para o seu quarto. Era simples, não havia muita coisa. Ele não gostava de muitos detalhes ou poluição visual. Passou a mão delicada pela madeira de sua cama, sentiria falta daquele lugar. Não teria mais aquele conforto, pelo menos tão cedo. Antes que pudesse desistir de tudo, fez duas pequenas tranças nos longos cabelos loiros, uma em cada lado da cabeça e as prendeu juntas, atrás da cabeça. Seus cabelos agora estavam todos para trás e fixos por causa das duas pequenas tranças. Seus olhos azuis refletiram no espelho redondo fixo em um canto de seu quarto. Ele estava com olheiras, há dois dias não dormia bem.
Levou as pontas dos dedos até as marcas pretas e fez um careta em seguida. Seu belo rosto alvo, agora estava com o aspecto de cansado e acabado. E a tendência era só a piorar. Pegou sua capa em cima da cama e a vestiu, já tinha falado com Shaka que partiria junto com eles pela manhã, o líder não se opusera, até se assustará com a decisão dele, mas não quis demonstrar nada. Agora ele não podia voltar atrás, agora ele teria que seguir o seu rumo, iria para a batalha.
Saiu do quarto e rumou para o ponto de encontro. Antes de eles partirem, Shaka tinha pegado alguns guerreiros e averiguado a área, para que Eveline e os outros pudessem partir sem problema algum. Quando Shaka finalmente ficou satisfeito, voltou e começou a preparar os homens ao lado de sua fiel subordinada, Estelil. Ela era um elfa diferente, não falava. Apenas se comunicava através dos pensamentos. O que levou tempo para os outros Elfos se acostumarem. Apesar de ser uma elfa como outra qualquer ninguém abria a mente assim para os outros entrarem, nem os da própria raça. A desconfiança sempre andou solta em Silverseed. Galadriel olhou para o quarto mais uma vez a fim de guardá-lo na memória. Logo depois de alguns breves minutos, saiu e partiu para o encontro com Shaka e os outros.
- Que destino a mãe natureza reservou para mim?!
Schwert – Império. Palácio de Darius.
Ele era tudo em sua vida, o começo o meio e o fim. Lacos dependia dele para tudo, até para curá-la de suas lembranças. O tempo que ficou nos braços dele mostrou como ela queria que aquele pequeno gesto se repetisse. Sentir o calor dos braços dele, a maciez de sua pele e o hálito refrescante em sua nuca. Reganna tinha sorte de tê-lo somente para ela.
Lacos, que estava em seu quarto suspirou. As janelas agora estavam abertas e a claridade invadia o aposento lhe banhando a pele. Seu estado de espírito era bom, não estava mais sendo atormentada por nada e até arriscaria a passear pelo castelo. Sentiu seu estômago roncar e se sentiu feliz por sentir fome. Não voltaria a forma de Dragão tão cedo, ainda podia sentir o cheiro de Darius em sua pele, queria ficar com aquele cheiro o máximo possível, quem sabe ele não esbarrasse com ela por acaso no castelo.
Animou-se com a ideia e resolver andar. Colocou um vestido simples branco e dourado, suas mangas eram compridas e somente o seu pescoço ficava a mostra. Não colocou sapato algum, gostava de sentir o gélido chão frio contra a sola de seu pé. Não teve problema para sair do quarto. Os guardas estavam acostumados com as suas saídas e não lhe fizeram pergunta alguma. Passou por um corredor cheio de armaduras antigas uma de cada lado. Pareciam até mesmo soldados em pé de olho nela. Quando chegou ao final do corredor, olhou para trás, só para admirar mais um pouco aquelas armaduras antigas e voltou a andar.
Virou a esquerda e logo depois à direita, passando por uma sala com um grande tapete fixo a parede, se não estava enganada, ali ficavam os nomes dos antigos reis que um dia governaram Schwert. Resolveu voltar e entrar naquele lugar e ler um pouco, não estava com pressa e nunca tinha feito aquilo antes, quem sabe não encontrava um nome familiar ali, talvez o nome do próprio Darius. Não era um tapete comum, era uma tapeçaria enorme, vermelha e os nomes dos reis estavam bordados em fios de ouro. Linda, apesar de o tempo ter desgastado algumas pontas.
Chegou bem próximo e começou a correr os olhos pelos nomes bordados. O primeiro que enxergou foi o de Urien, pai de Cenred, que logo depois veio a ser rei de Schwert. Seu nome também estava bordado ali, ao lado do nome do pai e bem ao lado dele, estava o nome Darius, mas não estava bordado com fios de ouro e sim com um tipo de fio vermelho. Lembrava sangue.
Lacos resolveu olhar os outros nomes presentes ali. Viu o nome de Derek e logo abaixo dele o nome de uma mulher, Flora. Então não houve somente reis que comandaram Schwert e sim rainhas também. Aquilo era realmente demais. Mulheres no comando com certeza teriam feito um belo trabalho. Flora, aquele nome era tão belo. Lembrava-lhe flores. Será que um dia ela governaria ao lado de Darius? Se é que Reganna deixaria isso acontecer.
Passou os olhos mais uma vez pela tapeçaria e ficou a imaginar seu nome bordado ali, bem ao lado do nome Darius. Não se importava em ter o nome bordado a ouro, queria a mesma cor que o seu amado rei.
- Está gostando do que vê?
A voz de Darius penetrou a sua pele, os seus ouvidos, o seu ser e a sua alma por completo. Sentiu suas pernas tremerem ligeiramente quando sentiu a proximidade dele. Aquele calor, aquele cheiro, aquele desejo irrefreável de tocá-lo cresceu em seu âmago.
- É muito bonito. – Disse sem graça. – Seu nome está aqui.
Ela o olhou mais sem graça e vermelha ainda. É claro que o nome dele estaria ali, ele era o rei de todo o Império.
- Desculpe-me. É claro que seu nome tem que estar aqui.
Darius riu com aquilo. Aquela gargalhada levou ondas de eletricidade pelo seu corpo. Seja lá o que ele fazia com ela, o efeito era ótimo. Ela queria se sentir assim para sempre.
- Eu compreendi a sua afirmação, criança. – Ele caminhou calmamente até ela e parou ao lado da jovem olhando para a tapeçaria com total atenção. – Gosto de ficar aqui e analisar esses nomes também. Você sabia que eu conheci pessoalmente Urien?
- Conheceu?! – Ela perguntou admirada.
- Sim. Ele foi designado para casar com uma pessoa que morava no mesmo lugar que eu.
- Quem?!
- Gilliana. – Ele falou aquele nome saudoso. – Ela era uma mulher linda.
Lacos ficou com ciúmes da forma e do jeito como ele pronunciou a palavra linda. Ela queria que ele dissesse aquelas palavras para ela também. Bem daquele jeito.
- Ela casou com ele?
- Não. Ela morreu. – Ele falou um pouco ríspido demais. – Ele não era homem para ela. Ela não era o tipo de mulher que aceitava ser contrariada ou receber ordens. Ela era diferente de todas as mulheres que conheci.
- Você gostava dela? – Não queria ter feito a pergunta, mas tinha que saber.
Darius ficou em silêncio por um longo período de tempo. Ele olhou para o nome Urien com mais afinco. Lembrou-se da época em que era apenas uma criança, lembrou-se do pai e do irmão, lembrou-se de como achou Wegor, lembrou-se de Gilliana sorrindo para ele, lembrou-se de como ela o ajudou, lembrou-se de tudo que ele passou na infância.
- Não. – Falou com certa frieza. No fundo ele sabia que ainda gostava dela, sempre gostou dela desde o primeiro dia em que a viu, mas aquele sentimento tinha morrido. Ele só amava a si mesmo e a mais ninguém. – Ela era mulher do meu irmão.
- Ah! – Lacos ficou sem entender o que estava acontecendo. Ela podia jurar que ele gostava daquela mulher, mas ao ouvir que Gilliana era mulher do seu irmão não conseguiu compreender nada. – Não sabia que tinha um irmão.
- Tenho. Ele é cinco anos mais velho que eu.
- Qual o nome dele?
- Manigold. – Darius pronunciou aquele nome com certo rancor. – Ele e eu não nós falamos há anos. Desde que eu me tornei um cavaleiro. Ele nunca gostou da ideia de um Dragão ter despertado para mim. Sabe como é a inveja não é, minha cara Lacos. – Ele disse isso passando os dedos pelo rosto pálido da jovem.
- Sei. – Ela disse engolindo a seco. Aquele contato fez com que um calor interno queimasse o seu corpo inteiro. – Ele está vivo?
- Sim. Infelizmente está. – As palavras foram ditas com raiva. – Está escondido em Nawar, como sempre, nunca deixou aquelas muralhas e creio que nunca deixará. Espero que Reganna faça o que lhe ordenei se não terei que pedir um grande favor a você minha cara.
- Peça. Farei com todo orgulho, se quiser farei agora mesmo.
- Eu estava indo até os seus aposentos conversar com você sobre isso, mas como estamos aqui, que tal comer alguma coisa comigo? Deve estar faminta, já que passou dois dias inteiros em seu quarto trancafiada sem comer nada.
- Eu estava indo procurar algo para comer, quando parei aqui. – Falou sem jeito.
- Então vamos. No caminho lhe falo o que pretendo. – Ele pegou o braço dela com delicadeza e o envolveu com o seu. – Você esta muito magra e frágil, precisa ficar forte.
- Como quiser meu senhor. – Ela disse apertando mais ainda o braço dele. Queria ficar o máximo possível agarrada com ele.
- Depois podemos ir até os meus aposentos e eu lhe mostro outras coisas.
- Jura?! – Ela quase pulou agarrada aos braços dele.
- Sim. – Ele disse sorrindo. – Estou falando muito sério.
- Eu adoraria.
Estrada Próxima a Schwert – Rio Esfinge.
- Nós iremos andar muito ainda? – Perguntou a feiticeira emburrada. – Não aguento mais andar. Vocês estão montados em cavalos, já eu estou a pé. Será que eu não posso usar o meu cavalo?!
- Cale a boca ladra! – Exigiu Dohko. – Você tem que nos agradecer por ainda estar viva. Ande e não reclame. Aproveite e coloque os seus pensamentos em ordem e veja o que fez durante a sua vida inteira, andar será a sua penitência.
- Penitência é andar ao lado de vocês. – Resmungou baixinho.
Eveline suspirou cansada. Estava o dia inteiro cedendo energia para esconder a presença dos ovos e até mesmo dos quatro. Shion e Dohko a ajudavam, mas a elfa exigiu que os dois não gastassem mais as suas energias, eles podiam esbarrar com algum espectro e toda a força deles seria necessária. Se alguém tinha que ficar exausta, esse alguém era ela. A Feiticeira não parava de reclamar a viajem inteira e a elfa estava começando a ficar de saco cheio dos resmungos da jovem, mas preferiu calar-se a discutir assuntos com alguém que não tinha moral nem para lhe dirigir a palavra.
Os ovos também estavam começando a ficar mais pesados, como se alguma coisa estivesse preste a acontecer. Eles estavam inquietos, falavam uns com os outros, mas nada que a elfa pudesse entender, eram apenas rosnados sem compreensão alguma. Ela até tentou perguntar alguma coisa a eles, mas sempre recebeu o silêncio como resposta e aquilo a irritava profundamente.
- Deem logo um cavalo a ela, quero chegar o mais rápido possível até os rebeldes e ela estando a pé só atrapalha a gente e sinto que as minhas energias estão se esgotando aos poucos. – Eveline se remexeu inquieta na sela. – Tem alguma coisa estranha neste lugar. – Ela disse esfregando as têmporas.
- Estou sentindo também. – Falou Shion. – A natureza está inquieta.
- Vocês elfos e as suas maluquices com a natureza. - Debochou Myrtille.
- É melhor ficar quieta, antes que a gente resolva deixar você andando ao invés de lhe dar um cavalo. – Disse Dohko.
- Tá bom. Não está aqui mais quem falou. – A feiticeira armou um bico enorme e subiu no cavalo sem mostrar gratidão alguma.
- Deixem-na em paz, meninos. Ela não é problema para a gente. – Eveline disse cansada. Sentiu suas forças sendo drenadas aos poucos. – Alguma coisa está acontecendo, alguma coisa grande.
- O que houve? – Perguntou Dohko preocupado. – Você está ficando pálida!
- Ele tem razão Eveline, você está pálida. É melhor pararmos. – Shion parou com o cavalo e Dohko o imitou, já Myrtille bufou e revirou os olhos para os três.
- Não está acontecendo nada, ela que está cansada de tanto ceder energia para nos esconder.
- Você não está sentindo porque não liga para a nossa fé, não sabe sobre as nossas crenças, então, não é digna de sentir os poderes que a cercam. – Dohko disse com certo nojo. – Não sei como pode ser uma feiticeira.
- Eu acho que você deveria se preocupava com a sua amiga, ela parece que vai cair do cavalo! – Myrtille cerrou os punhos e bufou indignada com a ousadia do elfo. Se ela estivesse com as mãos livres, ela mostraria a ele o porquê dela ser uma feiticeira.
Dohko desceu do cavalo e Shion o seguiu puxando a corda que prendia Myrtille a ele. Quando chegaram perto da elfa, seu corpo estava trêmulo e suas mãos suavam frio.
- Ei, você não vai aguentar mais, cesse o encanto, eu cuido de nós quatro a partir de agora, você precisa descansar. – Dohko colocou a mão gentilmente sobre as dela.
- Não. – Ela puxou as mãos com força. – Sigam até o rio, até o rio agora. – Exigiu Eveline. – Preciso ir até o rio, preciso ir até lá. – Ela não queria dizer em voz alta que aquele era o sentimento que os Dragões estavam lhe bombardeando, então apenas os encarou. – Por favor.
- Como queira. – Dohko olhou para Shion que compreendeu. – Shion fique aqui com a ladra.
- Não! – Eveline quase gritou. – Preciso de todos. Preciso de todos comigo. – Ela exigiu sentindo que ia cair do cavalo. Seu corpo pendeu para o lado esquerdo e Dohko prontamente a segurou. – Obrigada. – Ela disse segurando a mão dele com força. – Obrigada.
Ele a encarou por alguns segundos queria ter certeza antes de soltá-la que ela não iria cair dali de cima. Quando percebeu que ela se mantinha firme, soltou a mão dela com cautela e com certo pesar. Ela o encarou sorrindo e ele guiou o cavalo dela e o dele é claro até o rio. Shion foi puxando o cavalo de Myrtille e lançando olhares preocupados para o amigo.
Quando os quatro chegaram próximo ao rio, Eveline desceu do cavalo com auxilio de Dohko e correu para a beirada do mesmo. Olhou para a imensidão azul a sua frente e ficou esperando alguma coisa. Ela tinha certeza que algo estava para acontecer. Ficou ali olhando, admirando aquela visão por horas, até as suas pernas começarem a latejar, mas não ousou sair dali de perto.
Shion e Dohko armaram um acampamento ali próximo e Myrtille aproveitou que os mesmos tinham parado e foi cochilar, suas pernas estavam doendo de tanto andar. Antes que pudesse pegar no sono profundo, mas uma vez escutou aquela voz familiar em sua mente.
"Myrtille..."
Ela tampou os ouvidos com força, agora que estava solta, podia usar as mãos livremente, só não podia fugir. Os Elfos estavam em maior número e pegá-la seria fácil, ainda mais no estado em que se encontrava. Ficou ligeiramente puta com eles por estarem fazendo aquele jogo com ela. Ela já estava presa, para quê entrar em sua mente. Por mais que tentasse mantê-la fechada, nada que fizesse surtia efeito, eles eram realmente poderosos.
"Myrtille, venha até mim."
"Sai da minha mente!" Ela gritou de volta. "Sai da minha mente seus elfos idiotas!"
"Myrtille."
- Parem de invadir a minha mente! – Ela levantou-se apressada e apontou um dedo para os dois Elfos a sua frente. – Pare de usar esses truques sujos, eu estou cooperando, não estou?!
- Do que você está falando, humana? – Perguntou Shion sem compreender uma palavra sequer dita por ela. – Você está ficando louca?
- Louca?! – Ela cuspiu as palavras. – Vocês que vão me enlouquecer! Pare de entrar na minha mente, pare de me chamar! Eu já estou aqui, quer que eu vá para onde?!
- O que?! – Shion colocou a mão no punho de sua espada. – Não estamos invadindo a sua mente, ladra. Não queremos nos contaminar com a sua impureza!
- Não discuta com ela, Shion. – Dohko disse calmamente. – Ela deve estar fazendo isso para nos confundir, deve ser algum plano maléfico dela.
- Rá! – Myrtille gargalhou com aquelas palavras. – Plano maléfico?! Eu realmente tenho vários e gostaria de colocá-los a prova, mas são vocês que estão entrando em minha mente e...
- Chega! – Eveline estava de volta. – Myrtille, não estamos entrando na sua mente, seja quem for, deve querer algo de você. – Eveline olhou para a feiticeira mostrando toda a sinceridade no olhar. – Tente conversar com esse alguém misterioso, talvez você descubra quem é.
Dizendo isso ela se retirou e voltou para a margem do rio. O céu estava escuro e as estrelas brilhavam com toda a sua maestria. Eveline sentou-se na margem e deixou que a água molhasse seus pés. Estava frio, mas ela não se importava, ficaria ali esperando o momento, ela sabia que estava para acontecer a qualquer minuto.
- Se não são vocês, quem pode ser? – Myrtille perguntou mais para ela mesma do que para os Elfos. Ela tinha acreditado na elfa, ela acreditou no olhar que a mesma lhe dirigiu. Elfos não mentem. – Quem será?
- Alguém querendo cobrar algo de você! Talvez alguém muito irritado. Deve estar doido para arrancar essa sua cabeça fora! – Dohko falou com um sorriso nos lábios. – Cuidado, talvez esteja por perto e se alguém pedir você como prêmio, daremos!
- Tinha esquecido como vocês são cruéis! Só não se enganem. Eu posso ser pior!
- Vá dormir! – Exigiu Shion. – Nos poupe da sua presença!
Myrtille resolveu não responder a ofensa dele, preferiu mesmo ir dormir e quem sabe tentar escutar a voz do ser misterioso em sua mente, estava curiosa a respeito, queria muito saber quem era aquela pessoa que conseguia invadir a sua mente, mesmo ela tentando bloqueá-la. Fechou os olhos e se permitiu dormir.
- Eveline está estranha. – Comentou Shion com o amigo. – Ela está a cada dia que passa mais fraca e pálida.
- Acho que esse fardo é muito grande para ela.
- Ainda não sei como ela conseguiu achar a localização exata dos ovos. – Shion disse as últimas palavras tão baixo que pareceu um sussurro.
- Nem eu sei. – Dohko suspirou. – Ela é apenas uma criança, tão nova e já está cheia de responsabilidades.
- Dohko... – Shion encarou o amigo por alguns minutos. – Eu percebi a maneira como você segurou a mão dela.
- Maneira?! – Dohko não compreendeu onde o amigo queria chegar. – Como assim?
- Não se faça de desentendido. – Shion revirou os olhos. – Você sente algo por ela?
- Não. – Dohko disse rápido demais. – Nem a conheço direito.
- Sei. Vamos ver como vai ser o resto da nossa viajem. Sabe que o nosso trabalho é só deixá-la lá e voltar para Silverseed né?
- Eu sei. – Dohko respondeu triste.
- Dohko, Shion. – Chamou Eveline de pé na beira do rio. – Venham aqui rápido!
Dohko levantou rapidamente e Shion o seguiu, acordando Myrtille para ir com ele, não deixaria a ladra sozinha nem por um segundo. Ela acordou com sangue nos olhos, doida para pular em cima dele com algum punhal e o matá-lo ali mesmo, mas não o fez, apenas o seguiu bufando.
- O que houve Eveline? – Perguntou Dohko quando chegou próximo o suficiente da Elfa.
- Olhem! – Ela apontou para o meio do rio esfinge.
Duas nereidas traziam com elas um corpo humana. Uma mulher, pelo que eles puderam ver. Ela estava desacordada. Shion puxou Myrtille para próximo deles e quando seus olhos castanhos se deparam com aquela mulher inconsciente ele rapidamente largou Myrtille e adentrou o rio indo ajudar as nereidas. Dohko correu para ajudá-lo e Eveline ficou imóvel no mesmo lugar. Já Myrtille tentou aproveitar a situação para fugir, mas seu corpo se manteve preso no mesmo lugar, nada do que ela tentasse fazer para se mover funcionava.
"O que?" Ela pensou confusa.
"Fique!"
Mais uma vez a voz falou com ela. Dessa vez ela começou a fazer perguntas, mas todas elas foram devidamente ignoradas, então ficou quieta resmungando coisas incoerentes para si mesma. Quando os Elfos chegaram à margem com o corpo da menina nos braços, as Nereidas sorriram e sumiram no rio, sem nem ao menos dizer nada. Eveline sabia que ela estava ali por causa daquela jovem.
Dohko e Shion a colocaram perto do fogo para que a jovem não ficasse resfriada. Quando eles a olharam melhor, notaram que ela estava praticamente morta. Sua respiração estava falha e seu coração batia devagar.
- Ela está morrendo! – Dohko retirou a capa que estava vestindo e cobriu o corpo da jovem. – Ela não vai aguentar por muito mais tempo.
- Temos que salvá-la. – Falou Shion.
- Eu sei. – Eveline se ajoelhou perto da jovem. – Preciso da energia de todos vocês!
- De jeito nenhum! – Myrtille andou para trás e já estava preste a correr, quando sentiu a corda sendo puxada com força por Dohko e Shion, a feiticeira caiu no chão de joelhos ao lado de Eveline. – Não vou ajudar! Nem vem que não tem! Vocês estão me tratando feito bosta e agora precisam de mim?! Não mesmo!
Eveline colocou a mão no ombro da feiticeira e a energia que fluiu dela para Myrtille foi imensa. Não era a energia da elfa, e sim dos ovos. Na cabeça de Myrtille a voz implorou para que ela ajudasse os elfos, sem graça e completamente perdida, Myrtille engoliu a seco e concordou mentalmente em ajudar.
Dohko e Shion ficaram sem compreender a repentina mudança da Feiticeira, mas aceitaram e se puseram ao lado de Eveline. A menina era frágil e sua respiração era lenta, seus longos cabelos platinados estavam molhados e agarrados no corpo, seu vestido azul claro estava rasgado e em alguns pontos machados de terra, como se ela tivesse corrido no meio da lama. Shion ficou com pena da jovem, segurou a mão dela com força e Dohko colocou a mão no ombro esquerdo da menina, já Myrtille e Eveline, colocaram as mãos sobre a barriga da jovem.
- Doem suas energias para ela. Tudo o que puderem. – Ordenou Eveline.
- Se você o fizer, vai morrer Eveline. – Falou Dohko. – Você está fraca.
- Não se preocupe comigo, eu irei viver. – Dizendo aquilo, ela fechou os olhos e jogou a sua energia vital na direção da garota.
Os outros três fizeram o mesmo. A cada segundo que a energia deles fluía para o corpo da jovem, as batidas do coração dela aumentavam e a sua respiração normalizava. Gostas de suor começaram a aparecer no rosto dos quatro presentes. Eles estavam ficando exaustos, não teriam forças o suficiente para ajudar a jovem, mas de repente a energia ficou mais densa, mais forte, mais poderosa. Os elfos sabiam de onde aquela força vinha apenas Myrtille não compreendeu, mas não ousou parar de ajudar, fez tudo o que podia fazer para salvar aquela garota.
Finalmente Eveline abriu os olhos e os outros três fizeram o mesmo. Cessaram a magia restauradora e respiraram aliviados por ainda conseguirem se manter acordados. A Elfa sorriu para os amigos e lhes pediu obrigada. Shion agachou-se sobre a jovem e ficou encarando o belo rosto dela, antes que ele pudesse se afastar os belos olhos cinza se abriram e ela levou a mão pequena e frágil até a ponta de sua orelha, um pequeno sorriso se formou em seus lábios agora rosados e logo depois ela voltou a ficar inconsciente.
E ai povo, tudo de boa na lagoa?! Então, este é o capítulo da semana. Desculpe pela demora, mas estou com tantos projetos que fico louca aqui na correria. Espero que gostem desse capítulo. Ficou grande e isso me deixa orgulhosa. Então, boa leitura e é isso ai.
Beijos.
Respondendo os Recadinhos Felizes *OOO*
Girtab Scorpii – Eles dois são fofos. Adoro escrever as cenas dos dois. Irá ter um duelo entre feiticeiros, só não vou dizer entre quem. IUHSOAUISHAUIHSUIAOHSUIA Sem problemas querido, apareça quando der.
Alivi – Sua personagem é bastante complicada de escrever e ela tem muita história para ser contada. Tudo relacionado a ela será mostrado no decorrer da estória mesmo. Será que ela está usando o Darius?! Será?! Quem sabe... Sem problemas querida, apareça quando der. Sei que está lendo e fico feliz por estar gostando. Isso me deixa super feliz mesmo. Obrigada pelos elogios.
Daniela Moreira – Dani meu amor *-* Adoro as suas reviews, fico aqui me sentindo toda. USHAOUISHAUIHSUIAOHSUIAHISA Adoro quando você fica com ciúmes do Mu. Temos mais Mu neste capítulo. Um dia vou fazer uma oneshot em sua homenagem! (L)
Notte di Luce – Afrodite apareceu neste capítulo, está indo para os rebeldes, vai encontrar a Enora, o que será que vai acontecer?! Amor à primeira vista? Será? Manigold é o cara. Leia o Gaiden que você entender ele perfeitamente. Milinor foi ótimo. UISHAOIUSHAUIHSUIA O melhor casal da fic por enquanto né?! Quem avisou sobre a chegada dela?! Surpresa! Isso só lá na frente que vocês vão saber.
Aredhel Atreides – Olha todo mundo quer bater na Reganna, e quem vai ter esse privilégio será o Manigold... Será?! UISHOAUISHUIAHSUIAHSUIA Quando a Zara encontrar com o Kanon, acho que ele vai preferir mil vezes levar bofetadas da irmã! Gênio ruim que essa menina tem! Sim os meus queridos irão aparecer e serão fundamentais na estória.
Black Scorpio no Nxy – Você pegou a ideia da coisa, é bem isso mesmo. Darius manipulador. Manigold é hetero. UISHAOUSHOAIUHSUIAHSUIAHSUIA Leia o Gaiden que você saberá disso. Todo mundo pira com esse casal Milinor. /pegueionomedanotte.
UISHAUISHAUIHSUIAHSUIHAISUHAUISHAUISHUIAHSUIA
Eles são fofos juntos. E ainda vão fazer muitas merdas! Ela né... USHAUISHAUIHSIAU
Coitada.
Gato está no capítulo.
Sobre a relação da Reganna com o Darius, bom nada irá mudar. Ele apenas pediu que ela cumprisse as ordens dele, mas quando ela voltar de sua missão teremos surpresas!
Darkest Ikarus – Que bom que gostou da cena das Nereidas. Adorei escrever essa cena em particular. Elas vão aparecer ainda na estória. Muitos outros seres irão aparecer. Eirin vive! Reganna vai apanhar! Elinor e Milo são perfeitos. Sim, ela é igual ao presto mesmo, acho que até pior... Coitada.
Capítulo com o nosso querido anão!
Krika Haruno - Amor... Sua personagem ainda vai sofrer muito! Eu já disse isso né?! O caminho dela logo, logo irá se cruzar com o do Mu. Vou fazer uma cena linda dos dois. Quer dizer, linda e tensa ao mesmo tempo. UISHAUIOSHAUIHSUIAHSUIAHSUA
Obrigada a todos pelo carinho e pelos recados. Espero que gostem do capítulo.
Capítulo Betado por Thamires Bastos e Marcela Augusto.
Amo vocês meninas!
BeijosMeLiga.
Machê-san (L)
