CAPÍTULO XII
Draco sentiu uma massa grande de chumbo cair pesadamente em seu estômago ao ver Potter se aproximar da ruiva, pronto para abraçá-la com força, um sorriso enorme no rosto.
-Gina! Você está bem! Que ótimo!
Draco ficou paralisado e sem fala, como uma das muitas estátuas espalhadas pelos cômodos da Mansão Malfoy, enquanto Potter e Gina se olhavam; parecia que as cenas transcorriam em uma espécie de câmera lenta. Potter se aproximava da ruiva, ela lhe dizia algo como "Sim, eu estou bem"; a cena no banheiro da Murta-Que-Geme passou como um flash doloroso pela cabeça de Draco, e a cicatriz em seu peito pediu vingança... Estava quase erguendo a mão e dizendo o pior feitiço de que se lembrava...
-Malfoy! -Draco acordou do seu transe, e viu o Weasley de rabo-de-cavalo com uma loira magnífica pendurada em seu pescoço, acenando na direção de um cômodo sob a escada -Vai logo falar com o Dumbledore!
Trincando os dentes, mas mantendo sua pose fria de sempre, Draco desceu as escadas, sem nem por um instante olhar para Gina e descobrir o que ela deveria estar fazendo com Potter, e se dirigiu ao cômodo.
Era um escritório pequeno e claustrofóbico, como Draco previra. Dumbledore ainda estava sentado atrás de uma escrivaninha, e os maiores membros da Ordem estavam sentados em cadeiras ao redor da sala; todos com exceção dos Weasleys mais novos, que estavam na sala de estar, Granger, que ainda não aparecera n'A Toca, e Potter, que com certeza estava ocupado demais agarrando a ruiva...
-Ah, sr. Malfoy. -disse Dumbledore simplesmente, indicando a cadeira à sua frente com um gesto simples.
Draco sentou-se, cruzou os braços e ficou a encarar o diretor, relembrando de sua atitude arrogante que, por algum motivo desconhecido e certamente idiota, havia sumido depois de salvar a menina Weasley pela primeira vez. Mas, para seu espanto, Dumbledore retribuiu seu olhar com uma expressão que dizia claramente "Deixe de ser bobo". Draco torceu o nariz.
-O que quer saber, professor?
-Tudo. -respondeu ele, entrelaçando os dedos sobre a barba e recostando-se na cadeira. -Tudo, desde que saiu da tenda azul até o momento em que Arthur Weasley o trouxe para A Toca.
Draco suspirou.
-Bem, -começou -eu saí da barraca, achei um lugar perto do lago e fiz uma fogueira. Fiquei sem fazer nada até a menina Weasley me levar comida. A gente conversou, -ele pensou se deveria contar que quase a beijara. Mas depois se lembrou que ela era a namorada de Potter, e decidiu que deveria guardar o fato para si mesmo. -ela foi embora, e eu terminei de montar a barraca. Então, a Marca Negra começou a arder, eu fui contar pro senhor, mas na tenda azul só havia um idiota que me mandou voltar a dormir. Eu encontrei a Weasley de novo, ela me deu uma poção pra dormir e uma pra voz, e eu dormi.
A segunda parte foi um pouco mais complicada de dizer, já que Draco tentava esconder a participação mais que grande da menina Weasley nos motivos que o levaram a fazer tantas idiotices. Mas, por fim, conseguiu dizer-lhes o que ocorrera, como parou na Mansão Riddle, como Potter os salvara da morte certa (ele rangia os dentes enquanto contava essa parte em uma única e ríspida frase), as ordens de Dumbledore (que acenava com a cabeça, afirmando toda a narrativa), e como levou a Weasley até A Toca. Emitiu o ataque de socos e cortou logo para a parte da luta, relatando, com riqueza de detalhes, quem, como e quantos matara. Podia ver uma careta no rosto de Tonks quando descreveu a enorme quantidade de sangue que saíra do trasgo que lhe bateu, após acertá-lo com o Sectumsempra.
-E então, -disse, para finalizar -uma enfermeira fez um curativo na minha testa, o Sr. Weasley me encontrou, e eu vim parar aqui.
Dumbledore sorria, mas os outros da Ordem ficaram em silêncio enquanto encaravam Draco, a fim de descobrir se ele dissera a verdade ou não. Como ainda sustentava sua expressão arrogante e o "jeito Malfoy" de ser, eles juntaram as cabeças em resmungos indistinguíveis, para então Lupin tirar um frasco transparente do casaco, um frasco que Draco sabia muito bem o que continha. Eles desconfiam mesmo das pessoas, pensou ele, encarando o vidro de Veritaserum sobre a mesa,
-Você poderia -disse McGonagall, com um tom de voz que mostrava que aquilo não era um pedido -contar novamente sua história, Sr. Malfoy, após tomar um gole disso?
Ela apontou para o frasco. Draco deu de ombros.
-O que eu disse é verdade. -disse simplesmente, antes de receber três gotas do líquido.
Imediatamente sentiu a mente se esvaziar. Sua cabeça parecia cheia de bolhas de sabão, e um pensamento tolo sobre dizer o que não deve por causa da poção da verdade passou e foi embora num piscar de olhos.
-Conte-nos de novo, Sr. Malfoy, como chegou à Mansão Riddle.
Draco piscou, encarando Lupin. As palavras saíram de sua boca numa enxurrada descontrolada.
-Eu acordei com estrondos e vi gente correndo pra todos os lados. Vi que os comensais estavam querendo entrar, fiquei assustado e corri até a Ala Hospitalar pra salvar a Gina. Ela só aceitou vir comigo quando os gigantes começaram a aparecer, e nós estávamos chegando na floresta, aonde eu ia escondê-la, quando o Lord nos achou. Ele me sufocou e me jogou na parede depois que comprovou que eu era um traidor, e aproveitou que eu estava meio tonto pra pegar a ruiva e levar ela embora. Quando eu consegui ficar de pé, corri atrás deles, alguém me acertou com um feitiço que me fez voar pra frente, e assim consegui alcançá-los e agarrar o braço do Lord enquanto ele aparatava, e ele acabou me levando junto pra Mansão.
Com um aceno de mão, Lupin o mandou continuar. Draco não fez qualquer objeção, graças ao Veritaserum.
-Lá, ele me acertou com um Cruciatus, e Gina pulou em cima dele. Eles começaram a brigar, o Lord a jogou contra um túmulo e ia matá-la, ia mesmo, mas eu corri e fiquei na frente. Ele me olhou como se eu fosse um verme, e ia me matar também, mas o Potter babaca chegou e nos salvou. Ele achou que eu estava do lado do Lord, ia tentar me acertar, mas estava ocupado discutindo com a ruiva e preocupado com o Lord; Dumbledore chegou e me mandou ir embora dali com a Gina, e eu a trouxe até A Toca. Ela ficou revoltada por eu tirá-la da guerra, e mais ainda quando minha voz voltou e eu comecei a rir da careta que ela estava fazendo enquanto tentava me bater. Como a menina é mais teimosa do que um hipogrifo manco, eu não consegui fazer ela me desculpar, ela bateu a porta da casa na minha cara, e então eu voltei pra Hogwarts.
Ele parou para respirar, tomando um gole de um copo d'água que Dumbledore conjurara. Draco ia continuar seu relato, mas Tonks calou-o no mesmo instante.
-Por favor, primo! -disse ela, com uma careta -Eu não vou agüentar te ouvir contando mais uma vez sobre as tripas voadoras do trasgo...
-Ah! Mas você ia gostar de ver aquilo, Nymphadora! Foi quase um show de fogos de artifício!
Ela fez cara de quem ia vomitar. E talvez fosse mesmo, pois logo em seguida ela correu para fora do escritório, tropeçando e batendo com força uma porta no andar térreo. Draco gargalhou abobalhadamente da reação da prima, mas calou-se ao ver que mais ninguém ria.
-Estou dispensado, professor? -disse, com um pigarro para ajudar a parar de rir. Dumbledore olhou para os outros membros da Ordem e, visto que nenhum fez objeção, ia responder quando o sr. Weasley falou:
-Só mais uma coisa, Malfoy. -Draco engoliu em seco, achando que ia vir uma bomba. -Eu e minha família gostaríamos de te agradecer por tudo o que fez por Gina. Nós sabemos de todos os riscos que correu, e se tiver alguma maneira de recompensá-lo...
-Não foi nada -apressou-se Draco, não querendo que o Veritaserum o fizesse dizer mais do que deveria. E estranhamente ele parecia ter muito a dizer a respeito de Gina agora...
-Aceite pelo menos ficar para o almoço! -disse o homem, que parecia ser tão teimoso quanto os filhos (e principalmente Gina). Ele tinha uma bondade na voz que contradizia a idéia que ele os outros Weasleys tinham de Draco, ou deveriam ter.
-Ah... -completamente ciente de todos os olhares sobre si, dizendo para que aceitasse (ou desafiando-o a aceitar), Draco engoliu em seco, pensando. Estava cheio de fome, não iria fazer mal ficar e comer... Mas provavelmente Potter também ficaria, e Draco não iria suportar vê-lo agarrar a ruiva durante o almoço, embora se forçasse a dizer que era porque teria uma indigestão. No entanto, a fome falou mais alto. Rindo por dentro ao pensar na cara que seus pais fariam ao imaginar seu filho comendo na casa dos Weasleys, e logo sentindo um aperto no estômago por causa da lembrança da família, Draco acenou com a cabeça e respondeu:
-Por mim, tudo bem...
Dumbledore pareceu aliviado, e o sr. Weasley sorria ao dizer:
-Então, Malfoy, sinta-se à vontade em minha casa. Nós te avisaremos quando o almoço estiver pronto.
Draco acenou com a cabeça e se levantou, pensando em alguma coisa para fazer enquanto esperava o almoço, e decidiu ir até os jardins. Mas, antes que saísse da cozinha, ele ouviu uma certa discussão no interior da casa, que fez todos os membros da Ordem se calarem e prestarem atenção.
-Você é um idiota! Todos vocês! -Draco se espantou com a fúria contida na voz da menina Weasley. Mas logo ficou satisfeito ao ver com quem ela brigava:
-Idiota? -disse a voz de Potter, estranhando -Eu estava preocupado com você!
-Sei bem que estava! Você só queria um motivo pra explodir a cabeça dele!
-Queria, sim! Ele deveria ter morrido com aquela maldita flecha! Você não tinha nada que ter salvado aquele...
-Você esquece que eu só estou viva agora porque aquele me salvou! Se dependesse de você, o Lord teria me levado pra longe, e...
-Mas é claro que não! Eu só não estava lá na hora, mas eu... Eu sempre vou cuidar de você, Gina!
-Você não tem que cuidar de mim, Harry -disse a menina Weasley, com desdém. -Você nunca fez isso, não precisa fazer agora.
Passos rápidos e pesados ecoaram pelo assoalho, logo seguidos por outros e pela voz irritante de Potter, pedindo que Gina esperasse e conversasse com ele. Draco sentiu um grande aperto no estômago, e desejou não ter aceitado o convite para almoçar.
Tonks pigarreou e sorriu:
-Arre! Parece que hoje é o dia para discussões...
-Ou talvez para acertar as coisas. -completou Draco, rosnando, sem se importar com os olhares novamente sobre si. Despediu-se de Dumbledore e dos outros com um simples aceno de cabeça, e saiu do escritório minúsculo.
Quando alcançou a sala, Draco viu os Weasleys conversando, apreensivos, enquanto Granger e a menina da profecia tentavam acalmá-los, com certo sucesso. Aparentemente, todos esperavam que Potter e a ruiva se acertassem de uma vez por todas e para sempre, se casassem e tivessem muitos filhos ruivos de olhos verdes e testas rachadas...
Com a certeza de que não agüentaria ficar perto daquele grupo, embora se forçasse a pensar que era por conta daquele velho preconceito contra sangues-ruins e amantes de trouxas, Draco passou direto pela sala, ignorando os resmungos de desaprovação que sempre o perseguiam e fingindo estar atento em suas unhas; mas, na verdade, estava revivendo um certo beijo em uma certa ruiva, e sentindo como se um batalhão de besouros voadores e formigas cheias de pernas tivessem eclodido de seus ovos e se agitassem em suas entranhas. Então, num raio devastador e estrondoso, uma cena imaginária de Gina e Potter juntos surgiu e congelou todos os bichos em uma Era Glacial que assolou todo o estômago de Draco.
Rangendo os dentes, o loiro percebeu que poderia muito bem ter sido usado, que tudo o que lhe acontecera até então poderia ter sido uma vingança de Gina, que queria fazer Potter pagar por tê-la deixado de lado, coisa que ela odiava. E não havia maneira melhor de irritar o Menino-Que-Sobreviveu-De-Novo do que salvando um antigo inimigo de escola e ex-Comensal da Morte...
Em sua mente distorcida de garoto usado e traído, toda a teoria fez sentido, todos os fatos se encaixaram como um quebra-cabeça surreal. O porquê de ela ter ido para a batalha quando era, na verdade, uma curandeira e deveria ficar na Ala Hospitalar com as outras; o motivo pelo qual a ruiva o salvara quando deveria tê-lo deixado morrer; porque ela era sempre tão prestativa e simpática quando até seus genes conspiravam um contra o outro; e, principalmente, o motivo de ela tê-lo beijado. Tudo isto era parte de um plano, uma pequena conspiração pró-Potter.
A Era Glacial em seu estômago deu lugar a uma fervorosa erupção raivosa que queimou até sua garganta. Nunca alguém havia usado Draco dessa maneira, e a sensação não era boa. Nem um pouco.
Então, derrubando todas as expectativas dos Weasleys, de Granger, dos membros da Ordem, e de certa parte da consciência de Draco, Potter voltou para a cozinha parecendo um cachorro com o rabo entre as pernas, sem reparar no loiro, que passava neste mesmo instante pelo aposento. Draco não ousou perguntar o que acontecera, afinal, não era da sua conta. Não era.
Saiu da cozinha e recebeu o vento fresco como quem recebe uma benção, aliviado por estar longe da casa sufocante dos Weasleys. Pôs as mãos nos bolsos, e aquele pensamento fútil e idiota sobre branco não ser sua cor favorita voltou a sua cabeça.
Havia se decidido a não chegar perto da ruiva. Afinal, mais cedo ou mais tarde ela iria se acertar com o Idiota-Que-Sobreviveu, e Draco não tinha nada a ver com isso. Nada. O beijo era com certeza uma vingança dela, querendo botar um par de chifres na cabeça oca e rachada de Potter, e Draco não deveria mais pensar no assunto. E deveria esquecer também que aquilo fora inexplicavelmente bom.
Avistou uma árvore grande e de raízes expostas em um canto dos jardins, cercada de grama alta e tocas de gnomos. O sol estava fraco, fornecendo uma sombra tranqüila debaixo da copa espessa da árvore, e Draco achou que aquele era um bom lugar para esperar pelo almoço e pensar no que faria agora que a guerra acabara e ele não morrera. Ele nunca havia pensando sobre isso. Sempre tivera aquela idéia fixa de que todos os Malfoys sucumbiriam aos terrores da batalha, e que todos os bens da família seriam utilizados pelo Lord em sua campanha de guerra; mas então tudo acabou, e ele ainda estava vivo. O último Malfoy.
Com um suspiro profundo e um tanto melancólico, Draco se aproximou das raízes da árvore e se preparou para desaparecer em meio à grama e só surgir quando o chamassem para o almoço, quando percebeu que não estava sozinho.
Draco parou no lugar, vendo o tão conhecido brilho de cabelos ruivos. Gina pulou e encarou-o com o rosto vermelho e os olhos cheios de lágrimas, quando ouviu seus passos se aproximarem. Toda a raiva de Draco foi-se embora ao vê-la chorar.
-Ah... -disse ela, limpando os olhos com as costas das mãos -Acho que você está me vendo chorar vezes demais, Draco...
-É você quem anda chorando por coisas sem sentido. -respondeu, lembrando-se de que estava com raiva dela, e desviando os olhos da visão mais que perturbadora da ruiva às lágrimas.
-Não são coisas sem sentido.
-Se você diz... -retrucou Draco, irônico. Não viu a expressão que ela fez, pois estava ocupado mantendo seus olhos cinzas fixos nas folhas da copa da árvore, decidido a não encará-la nem uma vez.
-O que foi? -perguntou Gina, levantando da grama e com certeza encarando o loiro, mas ele continuava a fitar as folhas verdes acima de sua cabeça -Que aconteceu que te deixou assim, chateado?
-Descobri que fui usado pra uma garota se vingar do namorado testa-rachada. -Draco apertou os olhos e rangeu os dentes. Havia esquecido do Veritaserum...
-O quê?
Draco se virou para voltar para dentro da casa, de onde uma voz em sua cabeça afirmava que nunca deveria ter saído, quando sentiu os dedos finos de Gina apertarem seu braço com força.
-Espera! -num lapso de autocontrole que não deveria ter acontecido, Draco encarou-a, olhando diretamente em seus olhos castanhos e ainda brilhantes devido às lágrimas que não secaram. Os milhares de besouros em seu estômago renasceram e começaram a voar. -Usado para se vingar? Do que você tá falando?
-De você, ora essa. -respondeu, dando de ombros. Se ela queria respostas, era isso que iria ter. É claro que não poderia evitar dizer a verdade nem se quisesse, mas não importava mais; ele estava cansado daquela aura santa que Gina sustentava, e qualquer coisa que a fizesse descer até o limbo onde o colocara seria bem vinda. Embora isso fosse apenas uma metáfora estúpida e não tivesse qualquer relação com a realidade, é claro.
-Não faça essa cara, você sabe do que eu estou falando, Weasley. -rosnou, vendo a expressão intrigada da ruiva a sua frente. Ela imediatamente soltou seu braço, pondo as mãos nas ancas. Draco cruzou os braços, tentando ignorar o frio que fazia agora que ela estava novamente distante.
-Não, eu não sei do que você está falando, Malfoy -ela estreitou os olhos ao dizer o seu nome, num tom de quem o desafia a explicar. E ela não sabia com quem estava mexendo ao desafiá-lo para alguma coisa...
-Então, vamos por partes. -disse, com todo o cinismo que conseguiu reunir em poucos segundos. -Você estava irada porque seu namorado resolveu te ignorar, e decidiu que seria uma boa idéia se meter no meio de uma batalha sangrenta em que poderia morrer só para provar que não precisava da proteção dele e que ele era um idiota. Depois, você quase morreu, mas foi salva por um cara que estava completamente confuso e perdido, sem saber em quem confiar, e quando ele foi atingido por um veneno que não tem antídoto, você decidiu salvá-lo só pra provocar um pouco mais a ira do seu namoradinho.
Nesse ponto, ela abriu a boca para retrucar, mas Draco a calou com um gesto.
-Então, quando consegue salvar o cara, você ainda não está satisfeita e provoca um pouco mais, ficando amiga dele, ajudando em tudo o que ele precisa, sendo a menina perfeita que ele faria tudo para manter em segurança. E quando você se mete em uma encrenca de verdade, o cara te salva de novo; daí, o seu namorado percebe que tá tudo indo longe demais e finalmente fica irado do jeito que você gostaria, mas talvez isso não fosse o bastante, pois você arma um barraco na frente de um monte de gente para fazer o outro cara se sentir culpado e ir te pedir desculpas. E daí, quando ele finalmente consegue driblar todos os preconceitos dele em relação a você, achando que talvez não seja uma profecia realmente ruim aquela que a menina loira vivia falando, você se cansa do joguinho e decide voltar para o seu namorado, mas tem que armar uma briga para que ninguém fique pensando que é fácil assim ficar com você...
-Você tem uma visão bem distorcida dos fatos -interrompeu a garota, tentando manter a voz firme, sem sucesso. Draco parou de falar assim que sentiu os impulsos protetores voltarem; usando de toda a sua força de vontade, conseguiu permanecer de braços cruzados, sem se mover um milímetro na direção da ruiva. Após um pequeno instante de silêncio, ela ergueu o queixo e disse, o rosto firme e a voz sem denunciar as lágrimas que enchiam seus olhos cor de chocolate:
-Eu vou te mostrar a minha visão. -Draco acenou com a cabeça, como quem diz "Você pode falar, mas não vai mudar minha opinião". Ela não desanimou e continuou: -Eu realmente estava nervosa por ter sido deixada de fora de uma batalha importante, por isso desobedeci mesmo às ordens de todos, me enfiando numa luta em que eu poderia morrer, apenas para provar que poderia me virar sozinha. Eu quase morri, mas fui salva por um cara que estava "completamente confuso e perdido, sem saber em quem confiar"; quando ele foi atingido por um veneno mortal que não tem antídoto, eu resolvi salvá-lo porque isso era o certo a fazer, porque eu era uma curandeira e era meu dever, e porque eu devia a minha vida àquele cara.
Draco torceu o nariz, mas não disse coisa alguma. Bem, até agora a visão dela fazia bastante sentido; mas ele era um Malfoy mimado e teimoso, não iria se convencer assim tão fácil. Ela suspirou e continuou:
-Eu sabia que não seria fácil manter aquele cara no meio do resto do exército da luz, mas eu tinha que conseguir, porque a vida dele dependia disso. Ele sobreviveu, mas ainda tinha muitas seqüelas a curar, seqüelas que me fizeram correr atrás de poções desconhecidas e ingredientes raros, e ainda lutar contra o preconceito de uma porção de pessoas que queriam que eu o largasse para os outros comensais o encontrarem. Eu tentei deixá-lo o mais à vontade possível, porque a vida dele já deveria ser um inferno sem que ninguém precisasse fazer qualquer coisa para piorar. E pelo visto consegui, pois foi ele quem me ajudou quando eu me meti em uma encrenca de verdade. Mas eu não consegui entender que tudo o que ele fez foi pro meu próprio bem, por isso briguei com ele na frente de um monte de gente, a ponto de me fazer quebrar metade do meu quarto. Então, quando ele "driblou todos os preconceitos dele em relação a mim", eu percebi o que eu realmente sentia por ele, e comecei a achar que aquela profecia era verdadeira. Quando eu desci as escadas para enfrentar a todos e dizer tudo o que eu sentia por ele, ele simplesmente me deu as costas e foi embora.
Draco encarou a ruiva, que não olhava para ele, e sentiu-se um pouco tolo. Havia uma voz em sua cabeça que ainda insistia que o que ela dizia fazia parte do plano para conquistar de novo o Potter, mas essa voz ia cedendo lugar à todos os besouros saltitantes e festeiros em seu estômago, que gritavam para Draco deixar de ser bobo e agarrar logo a ruiva. Olhando para as próprias mãos, alheia ao conflito dentro do loiro, Gina continuou:
-Eu me senti a menina mais idiota do mundo e acabei brigando com meu melhor amigo por causa disso; por fim, quando eu estou sozinha, tentando pôr os pensamentos no lugar, o cara vem e me diz que está zangado comigo por algo que eu não fiz, me fazendo dizer coisas que eu não tinha a menor intenção que ele soubesse, e agora, depois de tudo o que eu acabei de dizer, você não vai querer nunca mais olhar na minha cara, e...
Ela engasgou, sacudiu a cabeça e se preparou para ir embora. Mas Draco não deixou: segurando o braço dela com firmeza, ele tornou a virá-la para si, deixando os besouros em suas entranhas tomarem conta do controle de sua mente.
-Gina...
Ele não sabia o que dizer. Com a cabeça fria, a única voz que sustentava a sua brilhante teoria soava como uma louca no meio da multidão de vozes que comemoravam a frase "dizer tudo o que eu sentia por ele", como sonserinos desvairados após ganhar da Grifinória na final da Copa de Quadribol e receber milhares de caixas de uísque de fogo... Mas, mesmo em maior número, as vozes que tomaram o controle estavam bêbadas e não juntavam as palavras para formarem frases com sentido, o que deixou Draco meio mudo e com milhões de coisas passando pela cabeça.
Gina o encarou, lágrimas caindo por sobre suas sardas. Draco engoliu em seco, as palavras confusas entaladas em sua garganta apertada. Eles se fitaram por um instante que pareceu tremendamente longo; e como Draco não conseguia dizer coisa alguma, Gina sacudiu a cabeça, derrotada, e se voltou novamente para a casa.
-Desculpe! -apressou-se Draco, pondo mais força na maneira com que segurava o braço de Gina, impedindo-a de se afastar. A ruiva não o encarou, ao que Draco ficou muito agradecido, pois não precisaria procurar as palavras perdidas na imensidão cor-de-chocolate de seus olhos marejados.
-Olha, eu... -bela hora para gaguejar... -Gina, me desculpe, tá bem? Você sabe que eu não disse a verdade, é que... Eu fiquei nervoso, vi você agarrando o Potter, e...
-Agarrando o Potter? -repetiu ela, virando-se e olhando para o rosto de Draco com olhos estreitos. O loiro engoliu em seco outra vez, diante da raiva que havia em sua expressão. -Você realmente viu isso? Porque eu não me lembro de ter agarrado o Potter em nenhum momento desde que ele pisou n'A Toca!
-Ah...
-Ah! Homens! -ela bufou e soltou-se do aperto de Draco, pondo-se a andar a passos firmes até a casa.
Os besouros voadores iniciaram uma rebelião em seu estômago e as formigas começaram a dançar uma conga, mas Draco não se importou. Ignorou as vozes em sua cabeça, que gritavam em desaprovação à sua falta de articulação, e precipitou-se atrás da ruiva, segurando-a pelos ombros e virando-a para que o encarasse novamente. Ela mantinha o olhar firme enquanto Draco abria e fechava a boca, tentando achar as palavras certas. Por fim, visto que não achou nenhuma, disse as menos erradas mesmo:
-Desculpa, Gina, de verdade. -ela olhava para baixo, por isso Draco tocou em seu queixo e ergueu seu rosto, para manter o contato visual. -Eu estava nervoso e queria te magoar de qualquer jeito. Nunca me passou pela cabeça que o que eu achava estava errado.
-Como sempre, não é? -ela sorriu, o que Draco já achou um avanço e tanto. Sorrindo também, ele assentiu com a cabeça.
-O que queria? Eu sou um garoto mimado, lembra? -Gina riu e desviou novamente o olhar para baixo. Draco não a impediu dessa vez. Sua mente ainda estava vazia e límpida por conta do Veritaserum, e só por isso ele disse uma coisa que, após passar o efeito da poção, acharia tremendamente estúpida:
-Eu não sei o que eu sinto por você, mas é uma coisa realmente boa, e eu não quero que isso acabe...
Gina o encarou, seus olhos castanhos emanando uma certa descrença risonha que fez Draco se sentir meio bobo. E então ela sorriu:
-Acho que isso é o mais perto de uma declaração de amor que vou conseguir, certo?
-Temo que sim... -respondeu Draco, com um sorrisinho. -Por hora.
-Bem... -ela abriu um sorrisinho parecido com o que Draco ainda tinha no rosto -Ninguém mandou eu me apaixonar por um Malfoy...
Agora, os besouros e as formigas faziam uma festa e dançavam loucamente ao som de uma daquelas músicas eletrônicas trouxas. A palavra "apaixonar" ecoava a cada batida da música, num "tunts, tunts" doloroso em sua cabeça confusa, impedindo-o de dizer ou fazer qualquer coisa, enquanto os besouros estouravam fogos de artifício nas entranhas de Draco. E, se não bastasse ele estar sem fôlego e sem ter o que dizer, Gina ainda o encarou com aqueles olhos castanhos que sempre o deixavam paralisado, piorando a situação que já não era nada boa. Draco engoliu em seco, e eles ficaram apenas se encarando por um certo tempo, em que Gina parecia impaciente. Por fim, ela suspirou, cansada, e disse:
-Sabe, essa era a hora de você dizer alguma coisa...
-Eu perdi as palavras -confessou Draco, por culpa da poção da verdade. E sua confissão foi acompanhada por grandes vôos de sua atual criação de besouros ao ver Gina rir.
-Então não precisa dizer nada...
Em um gesto rápido, ela enlaçou o pescoço de Draco e se pôs na ponta dos pés, deixando seus olhos na mesma altura. Ainda sorrindo, ela encostou seu nariz no de Draco num beijo de esquimó que fez o loiro rir, para então juntar os seus lábios e eliminar todas as incertezas de uma só vez.
Ele queria a menina Weasley. Queria ficar com ela para sempre. E só agora Draco tinha coragem o bastante para admitir.
Retribuiu o beijo e o abraço da ruiva com todo o carinho que sua educação Malfoy permitiu; e ficaram ali, embaixo da árvore, por um tempo que pareceu muito longo e muito curto ao mesmo tempo, até que ambos ouviram resmungos irritados, murmúrios indignados, alguns suspiros e o barulho indefinido de alguém saltitando na grama. Mas só perceberam o que acontecia quando uma voz sonhadora começou a cantarolar:
-Eu avisei! Eu avisei! A Trelawney estava certa! Eu avisei!
Draco e Gina se desvencilharam no mesmo instante. Luna, a loira doida, estava cantarolando e saltitando animadamente pelos jardins, ao redor de um grupo grande que olhava para o casal com as mais divertidas caras de espanto. E, para terror de Draco, havia vários ruivos, muitos, todos com as mesmas expressões enojadas e assassinas nos rostos sardentos. O loiro engoliu em seco.
-Bem, -Gina tentou sorrir, mas havia certo pânico em sua expressão -você ia ter que conhecer minha família uma hora, não é?...
Draco não respondeu, deixando a ruiva puxá-lo pela mão na direção dos outros Weasleys. De longe, enfrentar a família dela seria a pior de todas as batalhas...
We're
part of a story, part of a tale
We're all on this journey
No
one is to stay
Where ever it's going
What is the way?
(Never Ending Story - Within Temptation)
Fim?
N/A: acaboooou!!! (snif) É isso. Innis Winter entra na lista de espera da Unesp (\o/\o/), e o capítulo final de NES é postado. Oh! E assim acaba a história. Tem epílogo? Não. Continuação? Não pretendo. Mas, se baixar um santo e eu tiver uma idéia genial e mirabolante para continuação, meus planos podem mudar... XD Eu espero ter conseguido terminar a fic à altura - eu nunca consigo fazer finais decentes para minhas histórias... xP Ok, agora vejamos: a música no final da fic foi o motivo do nome ser "Never Ending Story", pois a letra tem bastante a ver com a história. E (uau!), pelo visto, eu bati meu recorde de reviews! Acho que capítulos com action geram mais comentários do que os outros, hahahaha... Quero agradecer a todo mundo que me ajudou a chegar até aqui, quer dando apoio moral, escrevendo reviews, ou me dando dicas na história - e isso vale para minha irmã que, mesmo não lendo nada além da cena em que o Rabicho invade o quarto de Draco no primeiro capítulo, conseguiu me ajudar a escrever a batalha, ajudou a manter minha sanidade, torcendo o nariz sempre que eu falava demais da fic, e aturou pacientemente todas as vezes em que eu imitava o bonequinho "barra-bolinha-barra" (esse: \o/) e ficava saltitando, dizendo "Eu acabei a fic! Eu acabei a fic!". Enfim, minha irmã querida, muito obrigada!!... Ah! Momento propaganda: como prometido, eu postei o trailer de "O Último Desejo de Dumbledore". Quem estiver interessado (o.O), fique à vontade para dar uma passadinha lá e deixar uma pequena review - nem que seja pra dizer "Deleta isso, pelamordedeus!"...
Biazinha Malfoy: desculpa! A sua review só apareceu depois que eu postei o capítulo 11... :( Então, você ganha um agradecimento duplo! Bem, já deu pra ver que ninguém nem quis olhar na cara da Luna, né? E a Gina só não correu risco de vida por causa do Draco - se dependesse do Harry, pff... Que bom que gostou do beijo, e dos Weasleys na porta! Eles são muito legais, todos os Weasleys, mas quando o assunto é a Gina, a coisa muda de figura, hahahaha... Eu entendo essa dos capítulos bons, eles sempre parecem mesmo muito curtos... Espero que goste do final! Bjs!
Tatiizinha Malfoy: aaah! Review enorme!!! (saltitando) Aham, sem puxão de orelha! hahahaha... E, sim, acho que esse ódio em ser deixado de fora é coisa de família, hehe... Aaah, a Gina vai casar, sim! Bem, eu não escrevi, mas que ela vai casar, ah, isso vai... (rindo) Gente, eu achei meio boba a idéia do Draco, e fico feliz de alguém ter gostado! Mas essa cena da sua avó era algo que eu não queria ter imaginado... hahahahahahaha... Po, se eu fosse um dos escravos do Voldy, acho que já estaria batendo na porta da Ordem e pedindo misericórdia - fazer o quê, a menina aqui é covardooona... hahahha.. Ah, o Potter-Perfeito... Bem, ele tem sempre que estragar as DGs, né... Não, ela não se sente atraída, mas bem que o Harry queria que ela se sentisse, hehehehe... Adorei a review! Espero que goste do final! Bjs!
rafael9692: (Innis tem crise de choro junto com rafa) Acaboooou!! (se recompondo) Eu tinha que acabar logo, senão não ia conseguir acabar nunca! E a previsão era que a NES não tivesse mais de 10 capítulos, mas, como pode ver, eu extrapolei um pouco as minhas próprias espectativas... Mas até que ficou boa, né? (sorrisinho de quem pede desculpas) A fic Draco/Hermione tá no ar (ok, só o trailer...), se quiser dar uma passada lá, será muito bem-vindo!!! (cara de recepcionista) Sobre a continuação, eu não tenho previsões para uma, mas se um dia me vier uma luz divina e uma idéia brotar, pode ter certeza de que eu posto! Bjs!
Ginny Danae Malfoy: uau! (olhos brilhando) Que bom que gostou! Bem, eu prestei Psicologia, e você? Conseguiu entrar? Eu to roendo as unhas de nervoso, estar em lista de espera é a pior coisa!... Puxa, obrigada pelos elogios! (corando) hehe... Bjs! Espero que tenha passado!
Srta. Arievilo: uau!! (saltitando) Entaaão, a Gina não fica com o Harry, mas o Draco se machuca um pouquinho para perceber que gosta dela - ele não ia conseguir se tocar se não fosse assim, hehehhe... E o final saiu bem rápido, né? Espero que goste! Bjs!
EuDy: tadinha mesmo! E esse ódio de rejeição é genético, huahauhauhua... Espero que goste do final! Bjs!
Elfen Malfoy: atrasada não! hahahahaha... Entaaaão, a amizade coloriu um pouco com a pseudo-declaração de amor do Draco, mesmo com todos os esforços contrários dos Weasleys, e do sorriso grande do Harry, e que tanto xingaram... hehehehehehe... Sobre pensar besteira, bem... Todo mundo pensa, né? E Weasleys superprotetores e certinhos, com certeza seriam ainda piores! Bjs!!!
LolitaMalfoy: obrigada!!!! Espero que goste desse também! Bjs!
Sophia D.: (se esconde atrás da poltrona) Ele não encostou nela! Ele não encostou nela! Nem um dedinho!!! (pigarro) Uma montanha de ruivos metem medo em qualquer um, né? huahuahuaha... Aaaah... O Draco e a Gina são mesmo muito perfeitos juntos! Taaaão fofos!!! (suspiro) Teremos fics novas, sim! Já tenho uma, passa lá no trailer, eu adoro suas reviews! XD Bjs, se cuida!
Lauh'Malfoy: casou? Com o Draco???? (Innis se levanta da poltrona e sai andando em círculos pela sala, apertando os cabelos e gritando: "Não! Não! Não!!!") (alguém lhe dá uns tapas na cara) (se recompõe) Bem, bem, bem, o Potter é o Potter, né, nunca deixa de ser um panaca, hahahaha... Mas depois deu tudo certo! (sorrisinho) Bjs!!
Obrigada de novo a todo mundo! \o/ A maior N/A da curta, porém divertida, história da "Never Ending Story"... Que sua memória viva sempre entre nós... xP Bjs a todos!!
