Eu vesti uma camisa de manga comprida de James e coloquei uma calça de pijama que tinha achado no guarda-roupa. James tinha saído tão rápido do quarto que nem deu tempo para eu perguntar onde tinha alguma roupa decente para encontrar Sirius Black, o famoso Sirius Black.

Fiz uma trança em meu cabelo ruivo e desci as escadas, indo para a sala de visitas do chalé. Fiz questão de descer as escadas fazendo barulho, para que eles percebessem que eu estava descendo e cortassem assuntos secretos.

Não faço questão de saber os assuntos da coroa e do resto do mundo contados por Sirius Black. Só quero ajeitar e matar algumas pessoas que enchem meu saco e me incomodam. Sabe, eu realmente quero terminar com tudo isso o mais rápido possível. É um peso nas costas que eu quero retirar.

Quando cheguei na sala de visitas que eu e James havíamos transado pela primeira vez, os dois homens ali sentados olharam para mim. James estava com aquele sorriso territorial que eu tanto gostava. Posso lhe dizer que realmente faz diferença para o meu ego, desse jeito, um modo de proteção. É bom, mas tem o seu limite. Tem que ter o seu limite senão eu perco meu senso de independência e sobrevivência.

Sirius era totalmente diferente do que eu havia imaginado. Eu havia pensado que ele era mais velho e todo sábio, sabe. Aquelas pessoas que você vê nos teatros, as pessoas importantes que sempre são velhas, e que não possuem vida afetiva, sexual ou qualquer merda aí. Então, eu pensava que ele fosse um idoso com o mundo inteiro nas suas costas, pesando. Me enganei tolamente. Sirius Black era um homem de aparência jovem e divertida, com um sorriso malicioso e seus olhos vítreos que, com certeza, conquistavam muitas moças indefesas.

Ele era o típico amigo mulherengo, pelo que pude perceber. Sempre que lia nos livros, havia um homem mulherengo em que onde ele andava, as mulheres deitavam ao seus pés. Ou caíam. Tanto faz. Seu cabelo negro, liso e longo estava solto, fazendo contraste com sua pele extremamente branca. Ele parecia vindo de um livro, sério.

Por mais que ele tinha aquela imagem de homem galanteador, pude ver em seus olhos que havia alguma coisa errada naquilo tudo. Enquanto eu analisava a imagem de Sirius Black sentado em uma poltrona, James se levantou e postou-se ao meu lado com aquele sorriso orgulhoso.

- E essa é a minha Lily, Almofadinhas – Apresentou ainda com aquele sorriso de orelha à orelha – Minha ruiva destemida.

Sirius Black deu uma risada que mais parecia um latido. Mas que inferno de apelido é esse? Que criatividade, sério. Almofadinhas. Por favor, eu recuso imaginação fértil nesse momento, prefiro me centralizar na realidade para sanar meus problemas. Eu espero.

- Ok, ok. Estou vendo sua namorada, Pontas, mas ainda estou me divertindo com a imagem dela espancando o seu primo que mais parece ter um chuchu enfiado na bunda de tão arrogante que ele é – Comentou sorrindo com jovialidade enquanto James me puxava para sentar ao lado dele no sofá. Obviamente, eu estava rindo do que havia feito. Até agora não acredito muito nessa minha reação – Mas pensei que ela fosse mais alta, do tipo que realmente bate em alguém.

James, ao invés de se ofender, começou a rir.

- Essa aqui tem uma aparência de bonequinha, mas devo te confessar, meu caro Almofadinhas, que ela consegue bater em quem ela quiser – Ele olhou para mim, divertido – Inclusive eu.

Eu fiquei boquiaberta com a brincadeira e logo depois corei enquanto escondia meu rosto nas minhas mãos. Os dois estavam rindo de minha reação.

- Ok, vejo que deixei sua namorada com vergonha – Comentou para James, que acariciava meu cabelo enquanto sorria com Sirius.

James me deu um beijo na testa enquanto eu me recuperava. Eu tinha sido pego de surpresa, né. Difícil eu ter uma reação tão espontânea assim, eu preciso pensar por alguns momentos. Sim, eu devo ser estúpida.

- Nada, isso é porque ela está bem concentrada em sua barriguinha... – Começou ele, acariciando minha barriga com a mão esquerda e sorrindo alegremente, como se estivesse entrando no sétimo céu.

Sirius Black ficou boquiaberto, mas com um indício de sorriso no canto de suas bochechas. Ele parecia surpreso, então deve ter sido a primeira vez que James contou isso à ele. Fico feliz, pois eu queria ver a reação dos amigos dele sabe, quero ver se ele já engravidou outras. Que foi? Eu quero fazer uma investigação, por mais que eu confie em James, quero saber se meu possível e provável filho tem algum irmão ou irmã.

- Pontas, então é melhor preparar seu bolso e poupar algumas moedas – Falou Sirius ainda um pouco surpreso com a novidade. É, deve ser o primeiro filho de James – Devo confessar que não esperava essa notícia por agora. Quero dizer, a situação suas não está favorável.

James revirou os olhos impaciente.

- Nós não planejamos, Almofadinhas, mas não significa que não seja bem-vindo – Murmurou James enquanto escutávamos os cascos de um cavalo na chuva. Provavelmente, o Remo Lupin havia chegado – Acho que o Aluado chegou.

James se levantou e verificou pela janela se era o 'Aluado'. Com um sorriso, ele abriu a porta e o cumprimentava, bastante caloroso.

Reparei bem em Remo Lupin. Ele não tinha a beleza de Sirius Black e nem a elegância de James, mas ele possuía um ar de mistério que realmente o destacava nas multidões. Fico imaginando de onde que vem esse mistério. Quer minha descrição sincera de Remo Lupin? Extremamente complexo. Há alguma coisa por trás desse cabelo castanho-claro e olhos cor de mel. Parecia estar cansado da viagem ou parecia estar exausto de tudo. Não sei.

E ele também parecia ser bem intelectual.

- Boa-noite, Pontas – Cumprimentou um cansado Remo Lupin com um sorriso alegre – Tanto tempo que não te vejo.

James sorria alegremente enquanto guardava a capa de chuva de Remo Lupin. Depois de todas as convenções e cumprimentos dos três amigos, Remo percebeu que eu estava ali na sala de visita.

- Olá, Lily Evans – Cumprimentou educadamente – Vejo que você conseguiu uma coisa impossível: deixar James Potter vidrado em alguma moça.

Eu fiquei com um sorriso de orelha à orelha. Definitivamente, Aluado era bastante educado. Sim, ele não é muito sutil, mas era diferente de Sirius Black. Remo parecia ser um tipo de irmão que se acolhe, um amigo. Sirius era a definição de um amante galanteador, um Don Juan metido a Casanova.

- Bem, não sou um santo – Reclamou James com um ar divertido. Remo se sentou, parecendo aliviado.

- Então, já que estamos reunidos nesse chalé incrivelmente bagunçado – Comentou Sirius Black, como pude perceber, com seus comentários sutis – Podemos começar a ouvir os problemas gerados. Mas primeiro, meu amigo Aluado tem que saber que temos um Pontinhas chegando.

Eu estava totalmente sem-graça diante dos amigos de James. Sei que minha intimidade não deveria ser colocada assim, tão na frente de homens importantes e tudo mais, só que eles foram tão legais comigo, tão confortáveis, que eu estava confortável sendo amiga deles, amiga dos melhores amigos de James. Estou tranquila.

Enquanto Remo nos dava parabéns e se mantinha pensativo, James me puxou pela cintura, perto dele. Acho que falando de mim para os amigos dele, ele ficava com medo de me perder ou algo assim. Como se eu me desprendesse dele. Mas ele me puxou para perto e eu sorri, totalmente feliz com minha situação.

Enquanto James explicava a nossa situação para seus amigos, eu observava a reação deles. Remo e Sirius, os Aluado e Almofadinhas, analisavam (e riram de Charlie Potter e seu chuchu embutido em seu bunda) o que poderíamos fazer. Percebi que Sirius era mais exaltado que Remo, que tentava acalmar a situação e pensar sobre o que poderíamos fazer.

- Poderíamos matá-los – Sugeri naturalmente enquanto os três olhavam para mim com um sorriso – O que foi?

- Já comentei que sua namorada é um tanto quanto surpreendente? – Perguntou Sirius com jovialidade enquanto James ria.

- Mas ela é só minha, nem vem! – Exclamou animadamente – Mas a Lily está certa. O único jeito de nos livrarmos definitivamente deles seria matá-los.

Remo revirou os olhos impacientemente.

- E que escândaloso seria, Pontas, os dois desfilam pela alta sociedade e todas essas merdas de etiquetas e educação de senhoritas – Comentou Remo e se virou para mim – Me desculpe o palavreado.

Eu balancei a cabeça negativamente.

- Não tem problema, não sou lá o modelo clássico de senhorita – Respondi com orgulho – Mas cuidado, eu sou perigosa.

E sorri maliciosamente para James, que fez uma careta divertida.

- Finalmente alguém para botar juízo em você, Pontas – Comentou Sirius com um sorriso um tanto quanto maroto – Mas tenho que admitir que o que vocês querem fazer é um pouco impossível.

Remo deu de ombros, cansado, se acomodando melhor no sofá, do lado de James. Ainda bem que as botas de Sirius e Remo ficaram na entrada do chalé, seria um horror se eles entrassem com aquele tanto de lama. Hum, eu estou bancando a dona-de-casa agora? Me senti,definitivamente, estranha e senti uma espécie de constrangimento interno.

Mas sinceramente, quais seriam os problemas se resolvêssemos matar minha mãe e Charlie Potter? Eles são meras pedras no sapato. Ok, é minha própria mãe, mas não vou camuflar a situação dela diante desse rótulo onde todo mundo acha que seria lindo perdoar seus 'pecados'. Poupe-me, tenho situações bem diferentes para lidar como, hum, não sei, a morte dela. Não estou sendo fria (mas pense o que quiser), apenas estou revidando o que tentaram fazer de minha vida: um inferninho pessoal. É bem incômodo para quem sente isso na pele, a revolta é geral. Para quem ainda tem sua mãezinha linda e dedicada, tudo que posso dizer é que você não me entenderá. Ponto.

- Não acho que seja tão impossível, Almofadinhas – Revidou um James pensativo – Lembra de quando eu e Remo liquidamos aquela condessa italiana...? De onde ela era mesmo?

- Florença – Respondeu Remo prontamente, pensativo – Mas ganhou muita projeção na época. Vocês se lembram que escapamos por pouco das especulações? Só porque o Almofadinhas tinha um álibe. Ela era bem famosa na alta sociedade.

- Mas mesmo assim, uma tentativa frustrada de assassinato seria a pior coisa que poderíamos ter – Rebateu Sirius – Eles descobririam da sua briga com o Charlie, o que já nos condenaria.

James revirou os olhos impacientemente. Eu seguia a conversa quietinha, sem falar nada. Vai saber, né. Vai que eu falo alguma coisa errada ou que eles considerem fora de questão...?

- Então o que você sugere? – Perguntou incomodado – Uma sessão de tortura e depois deixá-los livres, leves e soltos?

- Óbvio que não – Respondeu Remo com um tom de voz baixo – Seria burrice a nossa. Mas eu tenho uma idéia boa.

James arqueou as sobrancelhas, surpreso.

- Matá-los? – Perguntou com uma certa ironia, pois ele que havia sugerido isso.

Remo revirou os olhos com um sorriso divertido.

- É um pouquinho mais complicado, mas seria mais divertido do que inventar álibes, limpar sangue e sujeira de morte de gente importante – Respondeu de bom humor – Poderíamos incriminá-los da morte de outra pessoa.

Sirius abriu um sorriso de orelha à orelha.

- E é por isso que o Aluado é nossa arma intelectual – Comentou com jovialidade – Qual seria seu plano?

Remo deu de ombros.

- Não sei, Almofadinhas, seu maldito puxa-saco – Murmurou com bom humor.

Logo, eu senti James se mover de repente, como se tivesse tido uma idéia brilhante. Ele tirou o braço de cima de meus ombros e se voltou para a conversa, totalmente concentrado.

- A Madame Evans tem um compromisso desconhecido pelas autoridades com os maridos de suas filhas e com meu primo – Começou animadamente, estando nítido o orgulho que ele tinha dele mesmo por ter pensado aquilo – Se matássemos apenas a Madame Evans, que é o centro de toda essa conturbação pela herança, os suspeitos seriam os maridos da irmãs de Lily, o próprio Charlie Potter.

Remo sorriu embora Sirius se mostrou pensativo.

- Mas as suspeitas recaíriam sobre você – Afirmou sério e, com o dedo indicador da mão direita, ele apontou pra mim – E sobre a Lily. Não seria muito bom para ela encarar essas sessões de verdade nua e crua, se é que você me entende.

James assentiu, ainda animado. Parecia que ele estava tendo uma descarga de adrenalina, como eu li em uma revista de ciências avançadas e tecnológicas da nossa época. Estava na moda ser conhecedor de ciências avançadas, de exibir intelectualidade, mesmo sendo falsa. Vai saber, o ser humano tem seus mistérios de viver em sociedade. Não compreendo mesmo.

- Isso não aconteceria, afinal, vocês dois seriam testemunhas importantíssimas para provar que eu estaria aqui. Dessa vez, nós vamos contar a nossa influência no meio político – Revidou com o raciocínio rápido.

Logo eu me senti confusa no meio disso tudo.

- Mas só você estando com Sirius e Remo? – Repeti tentando acompanhar aquele plano tresloucado – E eu? Onde que eu fico no meio dessa história.

James me deixou um beijo na bochecha.

- As autoridades são predominantementes masculinas, nunca pensarão que você poderia estar sozinha, sem a minha proteção, possivelmente grávida e um tanto quanto novinha – Respondeu enquanto tentava me passar tranquilidade – E é aí que você entra no plano.

Me assustei com a fala dele. Eu não estava excluída do plano por estar possivelmente grávida, ser jovem e ainda por ser do sexo feminino?

- Mas você não falou, ou melhor, não deixou claro que ela não poderia estar no meio do plano, Pontas? – Perguntou Remo um pouco confuso.

James deu um sorriso amarelo, um pouco envergonhado.

- Bem, na falta de um plano melhor... – Comentou baixinho enquanto eu sorria, divertida – Não é caso de sorrir, deveria ser caso de desgraça. Não temos um plano melhor, ou temos?

Remo e Sirius balançaram a cabeça negativamente.

- É o jeito – Comentou Sirius com um sorriso malicioso – Mas é bom que ela já fica iniciada em nosso grupo de confiança. Sabe como é, para se iniciar entre nós é preciso matar alguém, então, você está tendo essa oportunidade de ouro.

Eu sorri divertida enquanto James protestava ao meu lado.

- Não é porque estamos com falta de imaginação para bolar um plano melhor que eu vou deixar minha mulher para matar aquela psicopata da Madame Evans. Não é tão simples assim, ir lá e bang-bang-bang na coroa. Precisamos saber onde ela vai quando sai de casa, as horas que ela sai e que ela volta. – Eu abracei James, buscando proteção. Eu estava insegura, oras, estava designado para que eu matasse, assassinasse minha própria e fétida mãe? Tenho que ter suporte e estrutura pra fazer isso – Temos que investigar.

- E vocês estão com a sorte de planejar a morte de uma pessoa que eu conheço de cor e salteado – Comentei com bom humor, ainda abraçada naquele corpo másculo e quente de James, que sorria carinhosamente ( pude ver um olhar divertido de Sirius sobre as ações românticas de James) – Mas ela é osso duro de roer. Poderíamos atraí-la para um beco quando ela estiver saindo da mansão Potter, o que acham? As autoridades iriam achar que ela poderia ter tido alguma coisa lá e Charlie Potter resolveu matá-la. Pelo menos seria melhor do que matá-la do nada em um beco qualquer de Londres.

Remo assentiu, concentrado. Eu fiquei tão feliz quando minhas idéias foram aceitas com um alto grau de aprovação. Não me senti patética dessa vez, o que fez meu ego subir. Eu estava ajudando, planejando, o assassinato de alguém! É interessante como que as coisas caminham em nossa vida. Há alguns dias eu estava me arrumando lindamente para procurar um marido em potencial, agora eu procuro minha mãe para matá-la em um beco qualquer de Londres. Como as circunstâncias são irônicas!

Você pode me achar fria ou uma psicopata em potencial, mas é assim a situação para que eu fique melhor. Pecados? Prove-me. Enquanto eu tiver o direito de procurar minha felicidade, eu não irei filosofar sobre o que é certo e o que é errado. Na minha época só existe o que eu posso e o que eu não posso fazer, ou seja, a lei do mais forte e da sobrevivência.

Agora, nesse exato momento em que eu, James, Sirius e Remo planejamos como seria esse assassinato, e quando, eu pude perceber que eu estava lutando por minha sobrevivência. Nessa minha luta, eu atropelo quem vir na contramão.