Primeiramente, queria deixar claro meu desconforto com as situações que têm acontecido. Eu escrevo por puro e simples prazer, acabei ficando bastante chateada ao ver as idéias das minhas fics sendo plagiadas sem a mínima consideração. Não consigo compreender qual o prazer de escrever histórias com cenas de outras pessoas.
O deleite da escrita persiste no reconhecimento da sua capacidade de criar, não? Eu, sinceramente, não me sentiria bem caso copiasse uma cena de alguém e reescrevesse com minhas palavras. É uma atitude incompreensível, creio.
Não quero me prologar neste assunto que considero desagradável, mas queria deixar claro que o ocorrido não se deu aqui neste site, todavia eu não sei em que local esta pessoa lê minhas fics e preferi deixar o recado em todos eles.
Agradeço quem comentou o incidente comigo e me mostrou as histórias plagiadas. Peço que quem perceber tal ocorrência uma segunda ou terceira vez, que me avise. Obrigada.
Esta mensagem deve aparecer na próxima atualização de cada fic minha, apenas por precaução.
Agora, deixando a parte chata de lado, gostaria de agradecer quem tem deixado reviews, e principalmente quem o fez no último capítulo.
Tata:
Muito obrigada pelo seu review. Prometi não demora e não o fiz. Espero que goste.
Priscila:
Fico feliz que tenha gostado. Sabe, eu acredito que se o leitor teve o trabalho de deixar um comentário, o mínimo que eu posso fazer é respondê-lo. Eu tenho um apreço incrível por quem acompanha a fic e cada review me faz vibrar de felicidade. Não podia esquecer de respondê-la, não é. xD
Bem, alegra-me saber que acompanha as minhas fics e que torce por mim. Muito obrigada pelo review e pelo apoio.
Fe_Hitsu:
Fico feliz que esteja gostando, espero satisfazer neste capítulo. Obrigad apelo review.
Gabriella:
eioaueoia, gostei de saber que acha que escrevo bem, gostei muito. Espero que goste.
Capítulo 12 – Entre a Razão e a Emoção.
Abriu os olhos com lentidão, e passou a mão no travesseiro, jogando-o em cima de sua cabeça. Pressionava-a com o travesseiro em uma vã tentativa de fazer parar a dor e assim permaneceu por alguns segundos até desistir daquele método pouco convencional.
Jogou o objeto, que lhe cobria a cabeça, ao outro lado da cama e perdeu-se observando o teto. Estava escuro, e que horas seria ela não poderia dizer, apenas sabia que era tarde e que dormira mais do que o normal. Em sua boca um gosto amargo era perceptível, provável conseqüência do álcool que ingerira no dia anterior.
Sentou-se a cama enquanto tateava no escuro uma das gavetas do criado-mudo ao lado de sua cama, buscava algum remédio para aliviar aquela incessante dor. Não foi longa a sua espera, encontrou rapidamente o que desejava e sem água, jogou o comprimido dentro da boca e o engoliu.
Levantou-se por completo, observando então o relógio digital no móvel que há pouco mexera. Sete e meia da noite do dia vinte e cinco de dezembro. Ainda bem que não precisava trabalhar ou estaria terminantemente atrasada.
Ainda tinha de alimentar Black Hayate, que até aquele momento sem comer, deveria ter ganas de mastigar qualquer objeto, mas não o fazia por medo de sua dona. Primeiramente tomaria um banho e depois cuidaria do cachorro, sentia-se tensa por algum motivo e a água quente ajudaria Riza a relaxar. Além disto, sentia em si um cheiro peculiarmente comum, e ao mesmo tempo não compreendia de onde vinha.
Permaneceu parada debaixo do jato de água morna por mais de meia hora. Necessitava muito daquilo, e passaria mais tempo se o barulho do telefone tocando desesperadamente não a retirasse do bem estar provocado pelas gotículas.
Também não atenderia, que a pessoa deixasse algum recado. Vestiu-se ainda ouvindo o som do aparelho, o que parecia intensificar ainda mais a pressão de sua cabeça. Saiu do quarto rapidamente e dirigiu-se à cozinha, onde tomou em mãos a comida de Black Hayate.
-Hayate, sua comida. –pronunciou em alto tom enquanto abria a geladeira e pegava uma jarra de suco. Ouviu o tilintar das unhas do cão, aproximava-se. –O que é isto?
Abaixou-se, sentando-se no chão para observar algo que Black Hayate levava pendurado pela boca. Percebeu algo branco e estranhou, mas deixou que ele se aproximasse mais para observar com detalhes.
Um tecido, percebeu com maior facilidade quando o cão estava mais próximo.
Uma camisa. Não, não poderia ser uma camisa. Por qual motivo Black Hayate haveria roubado uma camisa de Lars para ficar arrastando pelos cantos da casa? O cão tinha o rabo escondido entre as pernas e a cabeça abaixada quando ficou ao alcance dos braços da loira. Largou a camisa aos pés dela e deitou-se como se esperasse castigo.
Não obstante, Riza não reclamou, gritou e muito menos sacou sua arma. A loira passou a mão na camisa branca e a levou à face, inspirou profundamente, sentindo o cheiro que havia impregnado aquela peça de roupa.
Não era uma roupa de Lars. Preferia que fosse de qualquer homem, mas em sua mente alguns flashs penetraram, e compreendeu que não havia sido um sonho. Era real. Sua lembrança estava distorcida, mas realmente acontecera.
Não sabia como e porque compactuara com aquilo. Era Riza que estava ali, uma mulher completamente racional, deixando-se ser levada por um momento, uma brecha em sua razão.
Repassou em sua mente os fatos da noite anterior que conseguia se lembrar. Recordava de terem conversado por muito tempo e que ele a deixara em casa. Lembrou do modo como ele a puxara e sem esperar pelo seu consentimento a beijara. Um hiato se formou em sua memória ali, apenas conseguindo recordar de mais alguns detalhes, mas estava tudo muito confuso ainda em sua mente.
Aquele cheiro que a camisa exalava era o mesmo que a embebia quando acordara. Como pudera ser tola a ponto de se deixar levar daquela forma?
-O que eu fiz? –não esperava resposta, bem como era uma pergunta que não a exigia. Era um apelo a si mesma para encontrar o fim daquilo tudo, uma súplica desesperada em negar no que acreditava ter feito. –Você devia ter enterrado esta droga!
Pronunciou ao cão em um tom mais alto que o seu natural, o canino se encolheu ainda mais. Porque não podia simplesmente ter acreditado que era apenas um sonho. Sonho não, pesadelo! O que fizera era totalmente contra sua moral. Traiu o homem que a amava em troca de um prazer momentâneo, de um instante com o homem de suas utopias.
O homem que nem ao menos estava ao seu lado quando acordou, que fugiu tão rápido ao conseguir o que queria que até mesmo esqueceu suas roupas. Riza segurou os próprios braços e os apertou contra si. O vermelho natural de suas orbes então iniciou a se confundir com o tom avermelhado que preenchia o resto de seus olhos, sentia as lágrimas rolarem copiosamente pelo seu rosto.
Odiava-se como nunca imaginara possível. Sua postura havia sido inaceitável aos seus conceitos internos. Era exatamente o que imaginava que iria acontecer. Sabia que se abrisse uma única brecha ao moreno ele tentaria algo, e por isto mantivera-se por tanto tempo impenetrável.
Em um único momento de fraqueza ele se aproveitara e a abandonara como qualquer outra. E fingiria que nada havia acontecido ao encontrá-la no dia seguinte, e riria internamente sabendo que ela fraquejara. Contaria a todos os amigos sobre sua conquista e juntos ririam, talvez até mesmo houvesse uma aposta sobre aquilo.
Quanto dinheiro ele teria ganhado pela sua conquista?
E como olhar o ruivo depois daquilo? Pois aquele homem faria tudo por ela e na primeira oportunidade ela fora infiel. Traíra com o homem que Lars mais odiava, mas o aceitava por causa dela.
O telefone tocava, mas Riza temia que fosse o ruivo indagando o que ela fizera. Tinha medo de que ele já soubesse e a abandonasse também. Não, com certeza não era receio do abandono, era temer observar sua decepção, sua tristeza e saber que fizera tudo aquilo a uma pessoa que ela considerava tanto.
Black Hayate levantou-se do chão e com cautela aproximou-se dela, lambeu-lhe a bochecha indicando que ela podia contar com seu apoio.
Tantas vezes imaginara como seria tocá-lo, beijá-lo. Sonhara inúmeras vezes com aquilo. Não obstante, sempre se repreendia ao pensar na possibilidade, era demasiadamente utópico. E quando finalmente aquilo se tornara realidade, ela se odiava por realizá-lo, devido à sua traição e principalmente por não conseguir nem ao menos se recordar da sensação que experimentara.
Enquanto era confortada pelo cão, Riza continuava sem conseguir evitar as lágrimas de rolarem. Em sua mente, uma única idéia lhe assombrava, nunca estivera livre de Roy e não estaria jamais isenta dele. Precisava tomar seu rumo, prender-se definitiva a outro homem.
Precisava trilhar seu próprio caminho, apagando as próprias pegadas. Se perguntassem, a negação seria óbvia, não se recordaria, pois nunca haveria ocorrido e assim responderia a qualquer um.
No momento, necessitava ficar só, contudo, assim que encontrasse Lars, conversaria com ele e correriam com os preparativos, aquele casamento precisava acontecer o mais rápido possível. Não poderia esperar que as tulipas desabrochassem.
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Roy Mustang acordou cedo naquela segunda-feira, o que não era nada habitual. O moreno sempre se utilizava daquele dia para curar a ressaca de domingo, e com algumas desculpas, apenas aparecia no final do expediente.
Claro, ele era coronel, e assim, dar explicações sobre seus horários era algo que nunca ocorria. Poucas pessoas se encontravam em posição de lhe exigir uma explicação para seus atrasos no início do dia. Prolongamentos no horário de almoço. Escapadas durante o turno, voltando uma hora depois. Finais de expediente adiantados.
Contudo, seu lapso com o trabalho não era julgado naquele momento. Importante era que Roy Mustang estava de pé, arrumado e fardado às cinco da manhã de uma segunda-feira. Com um humor impecável e completamente cauteloso para não acordar Reine.
Uma caixa quadrada e achatada se encontrava em cima da mesa de canto no hall de entrada de sua casa. Um simples laço enfeitava e prendia um bilhete àquela caixa, a qual Roy tomou entre os dedos antes de sair.
Não tomou o carro, nunca o fazia mesmo. Sempre ia andando até o quartel, na realidade o fazia para observar o movimento das belas moças e até mesmo conseguir um encontro.
Naquele dia não. Ignorou quando sua vizinha lhe sorriu, nem ao menos cogitara porque ela estava fora de casa tão cedo. Estava cansado dela, um filme com um cartaz muito bonito, mas com péssimas atuações. Mas servia quando não havia escolhas.
Rumara diretamente até o quartel, sem se fixar em qualquer distração. Não sabia a que horas chegavam seus subordinados, e precisava agir antes que eles chegassem.
Observou, aqueles corredores ficavam realmente vazios naquele horário, e podia até mesmo ouvir o som da cantoria dos militares de baixo posto vindo da área de treinamento.
Sem se desviar ele destrancou a porta de sua sala e entrou. Não ousou acender as luzes, apenas tateou no escuro uma das mesas, a qual já sabia onde ficava. A mesa da loira permanecia à direta da dele e ali depositou a caixa que trouxera.
Saiu dali, trancando a porta e rumou até a sala de depósito de documentos. Ora, só porque acordara cedo para deixar um presente à loira não significava que estava sem sono, e aquela sala era o local que ele mais se utilizava quando necessitava dormir.
E dormiu, como um porco morto.
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-Eu não sei o motivo pelo qual chegamos cedo às segundas... Somos obrigados a ficar aqui até a Primeiro-Tenente chegar. –Havoc resmungou ao pequeno Fuery enquanto esperavam no corredor.
-Porque não vai fazer algo que preste, como dar uma olhada no seu pelotão? – o loiro o observou com irritação, mas logo percebeu que Riza e Black Hayate andavam calmamente ao encontro deles.
-Eu estava em um treinamento com eles, mas terminei cedo hoje.
-Bom dia, Tenente Hawkeye. –repetiram os dois em uníssono.
-Bom dia. O que fazem aqui fora? –a loira não parecia nada alegre e seu tom deixou transparecer aquilo, fazendo com que ambos se encolhessem.
-Segunda-feira. Coronel não chegou ainda. –Fuery falou. Havoc não parecia ser a pessoa mais adequada a qualquer coisa naquele momento, possuía uma expressão completamente irritada, provável fruto do final de semana.
Riza entrou sem comentar, acendeu as luzes e ao longe viu um pacote em cima de sua mesa.
-Certo. Quem foi o engraçadinho que deixou aquilo na minha mesa? Não fujam. –Vão pedido. Os dois nem haviam entrado quando ela reclamou e assim, tiveram tempo de correr dali antes que Riza sacasse sua arma e os interrogasse, quando não sabiam de nada.
A verdade é que sob a mira da Tenente, ninguém gostaria de ser indagado. Até mesmo o mais puro dos homens confessaria o mais asqueroso crime se soubesse o que aquela mulher era capaz de fazer.
Vencida, e sem vontade de persegui-los, sentou-se e observou a caixa com um misto de curiosidade e raiva. O segundo sentimento era o que mais a completava, e a tomou por completo quando observou o cartão.
Você não sabe o quanto é difícil encontrar um destes aqui na Central, passei o dia procurando, então espero que goste. E não tente comê-lo se quiser manter seus dentes.
Roy Mustang.
Riza não sentiu vontade de abrir a caixa e observar o que havia dentro, apenas a empurrou para dentro da lixeira e amassou o cartão, que tomou o mesmo rumo.
Se fosse outra, teria lido o cartão uma vez a mais tentando encontrar alguma palavra afetuosa. Porém Riza não era como elas e não tentou buscar palavras e sentimentos onde inexistiam.
Fácil de escrever e bastante geral, servia a qualquer mulher que lhe tivesse oferecido diversão e com a qual poderia querer repetir. Afinal, ele era Roy Mustang. E Roy era preguiçoso para escrever uma mensagem exclusiva a cada mulher.
-Nem para falar pessoalmente comigo. –ela murmurou ao cão deitado aos seus pés, ele latiu, como se a alertasse de que ele não poderia fazer aquilo.
Riza não estava em seu juízo pleno, pois fosse o caso, teria pensado que demonstrações de afeto não formais eram completamente repudiáveis e passíveis de punição. Deste modo, Roy não poderia lhe entregar o presente pessoalmente naquele momento e se fosse a casa dela era provável de encontrar seu noivo.
Bufou com irritação ao mesmo tempo em que apoiou sua testa na superfície da mesa e ficou ouvindo sua respiração bater no móvel. Nem se dera conta que a porta ainda continuava aberta e alguém entrara e permanecera observando sua estranha atitude.
-Vai ficar com uma marca vermelha na sua bela testa, podemos chamar de terceiro-olho. –a voz tinha um tom até brincalhão, e referia-se ao terceiro olho por ser vermelho como os dela.
Desperta de seu semi-transe, Riza ergueu a cabeça para observar a pessoa que falara com ela. Sabia que o ruivo se postava ali, mas não queria olhá-lo. Era difícil fazê-lo sem se sentir culpada pelo ocorrido com Roy. Forçou um sorriso enquanto o observava se aproximar.
-Porque não atendeu ao telefone ontem? Eu fiquei preocupado, até fui até sua casa, mas também não atendeu. –havia ensaiado toda aquela conversa na noite anterior, mas parecia muito mais difícil expressar-se quando tinha os olhos verdes de Lars sobre ela e examinando suas palavras.
-Uma amiga da época academia está na cidade, acabei visitando-a. –simples, saiu bem naturalmente e com poucas palavras seria ainda mais convencível. O ruivo soltou uma risada leve de descrença.
-Eu não acredito, mas uma hora a culpa vai fazer você falar, Riz. –Lars a tomou pelo queixo e a obrigou a olhá-lo diretamente, sorriu docemente e com a outra mão arrumou-lhe a franja. –Também sei que haverá um motivo, enquanto isto eu vou ficar no apartamento novo. Qualquer coisa eu devo estar na biblioteca.
-Lars. –ele havia se virado para ir embora, mas o chamado da loira o fez parar. -Não quero pressioná-lo, mas nós podemos antecipar?
O ruivo riu, novamente a incredulidade lhe tangia a face. Era muito difícil esconder qualquer coisa de Lars, afinal, como membro do serviço de inteligência, o ruivo percebia uma mentira à distância.
Além disto, Lars não lidava apenas com documentos, sua especialidade eram pessoas, ele era um interrogador. Na realidade, um dos melhores na área, tendo até mesmo participado de Ishbal, e em uma guerra, métodos pouco convencionais eram usados a fim de arrancar detalhes dos ishibalianos.
Assim, durante a guerra, destacara-se na área e conseguira subir de posto, de sargento a Major em tão poucos anos. No fundo, todos ali possuíram um passado que desejariam apagar.
Não obstante, a experiência que conseguira durante aqueles anos não fora esquecida e via claramente na face e no modo como Riza falava e agia que mentia e omitia algo.
-Quando você decidir me contar o que está acontecendo, nós poderemos decidir se adiantaremos, porque enquanto isto, o casamento está suspenso. –Riza tentou lhe segurar a mão e impedir que se fosse, não esperava que ele reagisse daquele forma, principalmente por não ter conhecimento do ocorrido, mas ele se soltou com agilidade.
-Não vá embora chateado comigo, Lars. Não consigo suportar isto. Eu amo você. –com a pronuncia daquelas últimas três palavras, o ruivo parou de olhá-la. Parecia que em sua mente algo incomodava.
-MENTIRA! –ele era calmo, mas aquilo lhe saturou. Com o grito, socou a mesa. Riza nunca havia dito e era oportuno que o fizesse pela primeira vez quando tentava convencê-lo. Não que duvidasse do sentimento, pois realmente o possuía, mas conseguia sentir que era um tipo diferente de amor.
-Vai chamar atenção se continuar gritando. –ela completou se levantando e mirando-o. Perceptível que forçava uma postura rígida e inabalável naquele momento, Riza estava frágil como uma criança doente.
-Estou interropendo alguma coisa? –Ambos os ocupantes da sala giraram a cabeça a fim de ver de onde vinha a voz.
Parado à porta estava Roy, mantinha um sorriso cheio de ironia estampado e suas palavras brotaram com uma arrogância muito mais intensa que a habitual.
-Justo o homem que eu procurava. Riza, poderia nos deixar a sós, por favor? –com aquele pedido o moreno apenas soltou uma risada zombeteira enquanto passava a mão pelos fios de cabelo que lhe caiam ao rosto.
-Tenho um compromisso inadiável em sete minutos. Tempo exato que eu gasto no caminho. Terá de marcar hora como todo mundo, Tenente Coronel Sverre. Sou uma pessoa muito ocupada. –Roy deu as costas e foi caminhando pelos corredores com um sorriso de vitória estampado na face.
Lars e Riza estavam brigando quando ele os encontrara, e aquilo só poderia ser um bom sinal após o que ocorrera. Obviamente, o moreno estivera tão ocupado em irritar seu oponente que não observara o modo como Riza se encontrava.
Teria percebido que seu humor não estava em boa forma, e alguma coisa a incomodava. Notaria que ela se arrependia profundamente do que fizera e que em seus olhos havia decepção. Desilusão ao fato de Roy agir como se nada houvesse ocorrido.
Repararia que os vermelhos olhos dela se encheram de lágrimas ao que ele disse ter um compromisso improrrogável, o qual ela acreditou seu com alguma outra mulher. Contudo Riza era excessivamente controlada e reprimiu aquelas gotículas bem rápido.
Todavia, ele era Roy Mustang. E Roy não observava ao redor quando de frente ao inimigo.
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Roy não costumava almoçar no refeitório como a maioria, na realidade, ele sempre almoçava em algum restaurante com alguma mulher. Nunca se demorava muito, ainda que sempre ultrapassasse o horário formal de uma hora para aquilo.
Surpresa foi quando ele reapareceu naquela segunda-feira, antes que sua uma hora estivesse completa. Todavia, sua expressão agourenta denunciava que algo dera errado aquele dia.
Quando entrou em sua sala, largou o corpo em sua cadeira e ficou a ouvir os cochichos de seus subordinados.
-Vai ser difícil hoje, coronel e a tenente não parecem muito felizes.
-Acho que ele levou um fora. –não havia sido aquilo, havia ido até a casa de Gracia a fim de conversar com ela, mas a mulher havia conseguido lhe retirar todo o bom humor. A verdade era que desde sua última visita, ele se sentia muito mais confortável em contá-la sobre qualquer tipo de assunto e ao contar sobre o ocorrido da noite de natal, fora seriamente repreendido.
-Vocês viram que ele está sem o tapa-olho?
-Cala a boca, Fuery, isto não importa! Alguma garota deve ter furado o encontro.
-Ahhh, eu preciso conhecer essa garota! Uma mulher que deixa o coronel esperando, meu sonho! –Havoc terminara suas palavras com bastante empolgação.
Sabe-se que para quem está irritado, ver pessoas alegres pode ser o estopim para uma guerra. E assim foi. Roy levantou-se com grande rapidez.
-Quero os quatro no aterro. Há indícios de escapamento de gás e risco de explosão e vazamento de material químico no rio. Relatórios individuais sobre os trabalhadores, condições, tudo o que encontrarem, até as dezoito horas na minha mesa.
-Mais alguma coisa, senhor? –Roy observou enquanto Falman perguntava.
-Encontrem a Primeiro-Tenente Hawkeye e digam que eu quero que compareça imediatamente à minha sala. O que estão esperando? –sua última frase fora pronunciada em um tom bem mais alto que o natural. E de alguma forma, os quatro ocupantes da sala perceberam que a fonte de irritação de Roy possuía olhos vermelhos e cabelos loiros.
Contudo era inconcebível que Riza houvesse feito algo que pudesse deixar alguém insatisfeito, ela era incrivelmente prestativa. Quem se importava com um relatório sobre um local mal cheiroso se espionar aquela conversa era tão mais interessante.
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Assim que observou seus subordinados saindo, Roy não teve mais com quem descontar sua frustração. Caso possuísse tempo, ele faria uma visita à área de treinamento e aliviaria aquela irritação que lhe consumia explodindo alguns barris.
Contudo Riza não deveria demorar a entrar em sua sala e ele teria de falar com ela. Andou até o outro lado da sala e ficou observando o ambiente, até passar os olhos pela mesa da Tenente. Será que ela havia gostado do presente?
Deparou-se com a caixa no lixo. Aquilo não poderia ser um bom sinal, pois o pacote não parecia ter sido aberto. Apenas o bilhete não se encontrava mais. Roy passou a mão pelo cabelo, puxando a franja para longe de seus olhos, estava na hora de cortá-lo.
Uma pena ela não ter aberto o presente, era algo único, com um significado exclusivo aos dois. Não importava mais. Se ela jogara aquilo fora sem ao menos abrir era sinal de que o moreno poderia perder as esperanças quanto a ela.
Alguém bateu à porta e em seguida Riza entrou acompanhada do cão. Black Hayate não era um animal estúpido e estava amuado, com o rabo entre as pernas. Levantou os olhos para Riza como se pedisse permissão para falar com Roy e virou-se para observar o moreno no extremo oposto. Depois do breve reconhecimento, caminhou até ficar escondido de baixo de uma mesa.
Ambos o observaram com curiosidade, mas logo ignoraram o comportamento atípico do animal.
-Então, o senhor mandou me chamar? –pronunciar aquelas palavras lhe pareceu tão difícil. Desde o incidente, era a primeira vez que dirigia alguma palavra a ele. Podia ser doloroso, e o era, mas teria de aprender a conviver com aquilo. –Em que posso ser útil?
O moreno a observou, pareceria calma e indiferente se suas mãos não estivessem apertando o tecido da calça. Ao menos sua face indicava que não se importava com o que havia acontecido, e até mesmo nem se recordava.
-Acho que temos de conversar sobre o que aconteceu, não?
Agora Roy queria conversar, após ter feito dela mais um de seus brinquedos e abandonando quando não havia mais diversão. Tivera muito tempo para pensar no que diria caso fosse questionada, mas as palavras simplesmente não saiam enquanto ela abria a boca repetidas vezes.
A voz lhe faltava quando mais desejava que fosse presente. Dentro da loira havia algo gritando para sair e não eram palavras, era pior, mais inflexível. Inexplicável o modo como se sentiu vulnerável ao entrar e deparar-se com o moreno.
Tinha certeza que Roy acabaria com qualquer esperança que ainda lhe atormentasse e por isto tratou de ignorar cada pedaço seu que dizia para manter as expectativas. Mas todo o corpo parecia desejar palavras que a confortassem naquele sentimento angustiante.
Abriu a boca mais uma vez e nada proferiu. Fechou os olhos com força enquanto respirou fundo. Não era um gesto realizado para se concentrar. Daquela forma ela tentava controlar a si mesma de não se debulhar em lágrimas e deixar que ele percebesse o quão indefesa se encontrava.
Deveria lhe dizer que não havia problemas, que ainda permaneceria ao seu lado como subordinada e conselheira, que fora um erro e deviam esquecer.
Todavia como proferir tais palavras se ela mesma não conseguia acreditar. Pois mirar aqueles orbes negros era esmagadoramente torturante, queimava-lhe o peito em agonia ao recordar que fora tão facilmente enganada por alguém que cegamente seguiria e confiara.
Porque dizer que era um erro se cada centímetro de si lhe dizia o contrário. E não se recordava, contudo necessitava mais dele. Se não fosse Riza ali parada, com todo o seu autocontrole, a loira já teria ido ao seu encontro.
Era aquilo que desejava em seu íntimo reprimido, sentir-se tocada uma outra vez, uma última vez. Apenas para experimentar e enganar-se futuramente com a mentira de que sabia não possuir significado.
-Não importa mais. –tão simples e curto, mas foi dito em um tom baixo e quase inaudível. Importava! Porque ela passara anos seguindo cegamente aquele homem e tudo parecia se esvair como um travesseiro de penas rasgado.
Eram apenas penas e pano próximos um do outro, mas sem alguma utilidade. Era assim que se encontravam, existiam Roy e Riza juntos, mas que proveito havia ali se a confiança desaparecia.
-Importa porque você não me olha mais nos olhos e jogou fora o presente que eu lhe dei. Se não importasse, por qual motivo você agiria assim? –Riza abriu os olhos e tentou fixá-los nos orbes negros, mas rapidamente se desviou. A loira tentava mirar a face dele, mas tudo o que conseguia era uma dança de inquietação trêmula, quando o mirava por menos de um segundo e desfocava, passando os olhos para outro canto.
O moreno respirou fundo enquanto esperava pela resposta, mas esta não vinha e o silêncio prevaleceu entre os dois por longos minutos. Naquele momento, Riza possuía os braços cruzados sobre o peito e apertava-os com as mãos, uma posição de quem se coloca em defensiva.
-Foi um erro. –aquelas palavras começaram a ecoar dentro da mente do moreno como se agulhassem cada centímetro dele em uma tortura infinita. Não era uma dor insuportável, mas era agonizante como afogar-se. Tentava lutar contra as águas, mas estas sempre pareciam mais fortes e preparadas, era tentar ganhar com a certeza de que iria perder. –Eu só estou um pouco decepcionada, mas não vai alterar nada.
Era destruidor observá-la pronunciar tais palavras e agir de forma tão incomum. Riza era imponente e naquele momento deixava que se impusessem sobre ela. Era repressora, apenas quando necessário, todavia estava reprimida. Era também a pessoa mais racional que conhecera, contudo ela estava sendo tomada por uma completamente justificável emoção negativa.
E Roy mirava a loira com toda a certeza que fora ele o causador daquela brusca transformação momentânea. Mais uma vez o moreno percebia ter provocado nela uma decepção irreparável. E arrependera-se.
Pois seu ato havia sido desmedido, insensato e arrogante. Um desejo tão intenso de experimentá-la e passar os dias saboreando-se dela como se a primeira vez fosse, e teria sempre um gosto novo, um cheiro diferenciado, proclamaria cada vez em tom original e sua textura cambiava a todo segundo, reproduzindo sensações únicas e inovadoras.
Porque Riza era ela própria todos os dias e assim não deixava de surpreender nunca, expondo sempre um pedaço novo de si. Muitas estariam clamando por mais dele, mas não Riza, pois ela sempre o pegava desprevenido, como naquele momento. Frustração quando o resto apresentava necessidade.
Roy xingou-se internamente dos mais abomináveis insultos, como pudera deixar-se levar por um capricho e nem ao menos ter pensado no que aquilo provocaria nela. Mesmo que ela dissesse que em nada mudaria, o moreno temia que seu ato fosse irreparável.
O moreno deu alguns passos na direção de Riza, ficando de frente para ela, que desviou a face sem conseguir mirá-lo. Sua vontade era a de correr fugindo dele, mas devia manter sua postura rígida e assim permaneceu até sentir que algo lhe tocava nos ombros. Riza viu as mãos de Roy a segurando e remexeu-se dando um passo atrás, saindo de seu alcance.
-Por favor, não encoste em mim. –A loira abaixou a cabeça mordendo os lábios. Seu tom não era autoritário como o usual, era sofrido como se suplicasse livrar-se de seu toque, que parecia machucá-la internamente.
-Eu sinto muito, Riza. Eu não pensei quando a beijei, e você não sabe como eu fico aliviado de termos parado nisto. –finalmente ela levantara os olhos, mirando o moreno em sua face. Ele queria muito ter continuado com aquilo, mas estava correto, se tivesse prosseguido, provavelmente Riza já estaria com os papéis de transferências prontos para serem assinados.
-E porque sua camisa estava em minha casa? –sua consciência parecia finalmente querer voltar, pois algo no fundo da loira começara a dizer que ela era estúpida de pensar que Roy a usaria daquela forma, como se fosse uma mulher qualquer que ele levava para cama.
Roy a observou com um tipo de irritação por ter sido julgado incorretamente. Acreditava que ela confiasse muito mais nele do que aparentava, mas sua suposição havia sido destroçada.
-Porque a sua razão sumiu e realmente, nós quase fizemos o que você está imaginando, mas por algum motivo, eu resolvi dar um passo atrás e pensar no que estava fazendo. E sabe o que eu pensei? Que você era importante de mais para eu levar para a cama quando eu sabia que você não tinha mínima consciência do que estava acontecendo e que você provavelmente iria se arrepender quando acordasse.
Estava realmente alterado, ainda que sua voz saísse com a maior naturalidade. Porque se ela o culpasse por beijá-la, Roy não se incomodaria, havia errado mesmo, mas estava sendo condenado por algo que não fizera e até evitara, pois se dependesse de Riza, o limite não teria sido estabelecido.
Podia ter cometido erros irreparáveis, mas nunca fizera algo que justificasse a desconfiança de Riza por ele. Além disto, incomodava-lhe que ela agisse com tamanha naturalidade ao dizer que não significara nada, quando em sua face era estampado que importara sim e seus atos daquela noite justificavam.
-Coronel, há mais alguma coisa que o senhor queira notificar? –Roy ergueu a mão em um gesto simples de quem acabou e virou as costas, sentando-se em sua cadeira. –Com licença.
A loira bateu uma continência, abriu a porta, saiu e sem esperar por Black Hayate, fechou a porta atrás de si. No corredor encontrou o quarteto de companheiros com simples expressões de quem nem a havia percebido, mas sabia que espiavam a conversa.
Sem forças para repreendê-los, apenas levantou os olhos avermelhados para observar cada um de seus subordinados enquanto passava por eles.
-E então, qual o plano? –Breda perguntou encostado à parede quando percebeu que a primeiro-tenente não os ouviria mais.
-É, vai ficar insuportável se eles ficarem com este belo humor por muito tempo. –Fuery resmungou com pesar, sempre acabava sobrando para ele, o mais novo e com o menor cargo do grupo.
-Acho que não deviam fazer nada, se descobrirem, morreremos queimados ou com vários tiros pelo corpo. –Falman completou, parecia ser o mais sensato do grupo. Ao seu lado, Jean possuía uma expressão de felicidade, e quando aquilo foi percebido, continuou.
-Acho que sei quem pode nos ajudar. –se havia uma pessoa que possuía algum poder sobre os pensamentos de Roy, era sua irmã. Alguém que não temia falar o que se passava pela cabeça, e não tinha medo de Riza.
É isto ai. Espero que tenham gostado, apesar de eu ter acabado com o casal durante este capítulo. Achei que havia se desenrolado demasiadamente rápido o relacionamento entre eles. Agora as coisas vão correr mais intensas entre eles, eu diria.
Bem, um preview do próximo capítulo.
Capítulo 13:Adeus, Lua.
Era, com certeza, uma visita inesperada. E dali, só havia uma coisa a ser feita, mesmo que o desejo deles fosse outro. Mas ainda havia uma última coisa a ser feita antes de sua partida, e ela esperava que o tempo lhe fosse suficiente.
Já sabem, deixem reviews por favor.
