Capítulo 12
A tempestade lançava gotas de chuva impiedosamente contra a vidraça da janela do castelo, Hermione esperava que isto não fosse um mau presságio, havia duas horas que os homens partiram, ela se encontrava na sala privada da duquesa. Passara grande parte desse tempo olhando pela janela fixamente o portão do castelo, numa esperança vã de que eles voltassem, que decidissem não lutar.
A duquesa estava ajoelhada no oratório, ela rezava fervorosamente por seu marido e pelo enteado. A senhora perguntou muitas vezes se Hermione gostaria de acompanhá-la à oração, mas a bruxa não queria sair da janela, queria manter sua vigília silenciosa do portão.
Abigail acendeu mais uma vela, "Pater noster qui es in caelis;
sanctificetur nomen tuum." Hermione fechou os olhos e deu as costas a janela, Pensou em acompanhar a duquesa, mas não sabia rezar em latim "adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra." Mais uma vela acesa, está por Hermione, uma luz para o divino, seja lá qual seja para que proteja seu amor.
Frio era o que Snape sentia, seu manto estava encharcado e o vento cortava lhe o rosto fazendo seus finos cabelos negros voarem para traz apesar de molhados. O exercito havia parado, acreditavam que estavam a uma distancia segura dos Vikings, para saberem com exatidão mandaram um batedor a frente, o rapaz devia voltar a qualquer hora.
Embaixo de uma barraca improvisada com uma lona amarrada a alguns galhos de arvore, o duque reuniu seu estado maior. Seu filho o Conde de Haven, Sir Alister, Sir Godofreud e um outro que Severo não sabia o nome. Os nobres falavam e gesticulavam. Snape não tinha sido convidado para a conversa, e pouco se importava, queria que acabasse logo, e sabia que indiferentemente do que aqueles homens decidissem muitos ali morreriam, e no final, se vencessem, os que sobrevivessem, perguntar-se-iam se tinha mesmo vencido.
"Ave, María, grátia plena, Dóminus tecum"... Mais dez Ave Marias. O terço ia rodando na mão da Duquesa, as velas já estavam na metade e Hermione havia se sentando a beira da lareira. Tinha vontade de chorar baixinho, mas ninguém chorava. O fogo crepitava como um elemental dançando para um Deus pagão. A voz da duquesa se alterou no fim da oração, ela parou um pouco, respirou fundo, e começou o Salve Rainha. Era o fim do terço. "O clemens, O pia, O dulcis Virgo Maria. Ora pro nobis." Hermione sentiu um aperto no peito, ela sabia que algo estava acontecendo.
O batedor voltou contando que os Vikings estavam acampados perto de um barranco próximo ao rio, o que dava a vantagem ao duque de estar em um terreno mais alto, os nórdicos não passavam de uns sessenta homens o que era a metade do contingente do duque. O exercito ducal era composto de uns cento e vinte homens separados entre cavaleiros, arqueiros e infantaria, essa, na sua maioria, era formada dos moradores da vila e pequenos agricultores armados de facões e ferramentas de trabalho cortantes. O nobre chamou Snape para perto da barraca, os outros homens o saudaram, o plano lhe foi exposto era algo como: correr para cima e ver o que vai dar. Severo torceu o nariz:
- Isto não vai dar certo, vocês tem que criar uma estratégia mais eficiente, como por exemplo, nós temos trinta bons arqueiros podemos posicioná-los no alto do barranco e lançar uma chuva de flecha, quando os Vikings se prepararem para revidar indo em direção ao barranco, avançamos pelo outro flanco com os cavaleiros e a infantaria, assim eles terão duas frentes para defender e nós poderemos vencer.
Os cavaleiros ficaram espantados. – Ora para quem disse que não sabia pegar numa espada me parece que tem conhecimento de estratégia militar. – falou Sir Alister
- Como eu disse ao senhor Duque, passei minha vida dentro de uma guerra, algo tinha que aprender. – contatou.
O terceiro cavalheiro o que Snape não conhecia era Sir Dunstan um homem de mais ou menos cinquenta anos, muito experiente. Ele tinha sido responsável por treinar o Duque na arte da guerra quando este ainda era um rapaz. De personalidade muito presunçosa e orgulhoso de sua própria habilidade com a espada, achava que, mesmo como toda a idade, ainda não existia homem que o derrotasse.
- Se o senhor quiser Prince, gostaria de lhe ensinar alguns truques com a espada, assim se tudo der errado o senhor não ficara indefesso.
Severo sorriu – obrigado pelo oferecimento, mas eu sei cuidar de mim e acredite, não sou indefesso.
O homem desdenhou. – Espero não encontrar seu corpo entre os mortos.
- Digo-lhe o mesmo. Retrucou Snape olhando o outro nos olhos com ar de escárnio.
O duque percebendo a tensão interrompeu: - Muito bem, eu acho que estamos resolvidos, eu gosto da ideia de Severo e vamos executa-la. – Dunstan torceu o nariz, mas concordou vencido.
Os homens foram reunidos e partiram para a batalha, iam atacar a noite no escuro e esperavam ter a vitoria ao amanhecer.
O Duque montado em seu cavalo percorreu as fileiras de seu pequeno exercito conclamando-os para a batalha.
- Nós estamos lutando não apenas por nossas vidas, mas pelas vidas daqueles que amamos, de nossas esposas e filhos, não pela terra, mas por nosso lar, aqui nós nascemos e aqui nós morreremos, por nossas famílias, por nossas casas e por tudo que acreditamos. Que Deus esteja conosco e faça justiça.
Os homens irromperam em gritos de viva e partiram para a batalha.
As flechas cortaram o ar criando um sumido alto, e pouco depois os gritos dos Vikings podiam ser ouvidos, eles se levantaram e correram em direção ao barranco para logo perceber que por traz eram atacados pela cavalaria do duque.
Hermione colocou a mão sobre o peito, ela sentiu que tinha começado, seu coração acelerou e ela se levantou indo para junto da duquesa. A senhora também parecia transtornada naquele momento e repetia sem parar suas orações. Hermione a abraçou-a mulher tremia.
"Sancta María, Mater Dei,
(Santa Maria, Mãe de Deus,)
ora pro nobis peccatóribus,
(rogai por nós, pecadores,)
nunc et in hora mortis nostrae.
(agora e na hora de nossa morte.)
Amen."
Os homens desceram em uma correria inabalada barranco abaixo, gritando como loucos, o encontro dos dois exércitos foi como um estrondo surdo, logo o ar estava cheio de poeira e o cheiro metálico de sangue começava a se tornar nauseante.
Parara de chover e Severo estava sobre o barranco observando de longe junto ao duque e seu filho os soldados lutando, quando, do meio da batalha, ele viu um raio verde surgir do dentre os homens seguido de outro e outro, e a cada raio um homem morria, eram maldições da morte, Avada kedavras, naquele momento outros feitiços começaram a cortar o ar. Severo ficou tenso, e prestando a atenção viu que quem os lançava eram os vikings, eles eram bruxos.
Snape puxou seu cavalo para se aproximar do Duque, ele estava apavorado – Sua graça tem que mandar o Exercito bater em retirada, temos que sair daqui agora se não morreremos todos.
O Nobre se virou para seu medico como se esse tivesse sido acometido de alguma loucura temporária, mas ao ver a cara muito seria e imperativa do homem resolveu perguntar por que deveriam se retirar.
- Sua graça não está vendo os raios coloridos? – O duque fixou os olhos na batalha – Sim estou vendo, que diabo é isso? Senhor Prince, o senhor conhece essa arma.
- Sim sua graça eu conheço e nossos homens não são páreo para elas, eles vão matar a todos mais rápido do que sua graça imagina, mandem que voltem para cá e vamos fugir para o castelo, lá teremos alguma chance.
- Bobagem! Não vou leva-los a minha porta, isso acaba aqui, temos mais homens. Venceremos!
Snape não teve tempo de argumentar por que um dos vikings aparatou bem de fronte a eles e gritou.
- Trouxas estúpidos, nós vamos matá-los todos e depois iremos até o seu castelo e faremos uma festinhas com as suas mulheres. Você ai – apontou para o Duque, tem filhas bonitas, vou adorar conhecê-las.
O Duque não acreditava no que tinha visto: O homem havia se materializado há sua frente como o próprio demônio, e agora o desafiava. Como não era um covarde se preparou para atacar o adversário quando Severo o impediu. – Essa luta sua graça não poderá vencer, deixe que eu o represente.
Antes de responder, o duque viu Severo se transformar em uma fumaça preta e sair em disparada em direção ao viking. O Nórdico se assustou indo mais para trás e gritando – Olha só que coisa entranha, um bruxo do lado desses trouxas, fala para mim, um de nós meteu com a sua mãezinha e você nasceu?
Severo parou em pé olhando bem para homem, tinha um olhar assassino. – Eu não sou um bastardo como você – vociferou o homem de negro. – E me ofender só vai fazer sua morte ser mais lenta e dolorida.
O Duque e o conde estavam boquiabertos, o medico era um deles, mas o que eles eram? Tinham ouvido o homem chama-lo de bruxo, talvez fosse isso, eles conheciam a lenda de Merlin e outras tantas sobre pessoas com poderes, mas nunca viram nenhuma, o padre sempre ensinou que essas coisas vêm do demônio, mas se fosse assim o seu companheiro medico devia ter um arrependido, por que ele só tinha ajudado as pessoas e entrava na igreja sem problemas, sempre souberam que quem tem pacto com o diabo não consegue pisar em solo sagrado.
Os dois bruxos começaram um duelo feroz, diferente do que ouve com o Godric, esse era vida ou morte, e Severo estava ciente disso, o viking era duro, sabia muito bem usar sua varinha a troca de feitiços estava sendo rápida e cruel.
- Ei bruxo dos trouxas, você até que não é ruim, quem o treinou fez um bom trabalho. – Severo bufou. – Você ainda não viu nada. – E começou a tentar invadir a mente do viking.
O homem gritou – Pare de tentar invadir a minha mente, está perdendo o seu tempo, sei que é bom nisso por que também não consegui entrar na sua, não perca o seu tempo por que se o fizer vou lhe matar. Não sabia que esses ingleses estúpidos sabiam oclumência – O Homem deu uma gargalhada. – Diga para mim bruxão, você é casado? Depois que matar você vou arrancar sua cabeça e entrar no castelo com ela na mão, quando sua esposa a ver e gritar saberei quem ela é, e darei lhe a honra de ser a primeira vagabunda que eu vou estuprar. Quem sabe eu a deixe viva para que possa ter um filho meu, ele será mais bonito que se fosse seu.
Severo quase vacilou com o que ouviu, teve que pular para o lado para não ser acertado por uma azaração. O Homem riu em triunfo, tinha achado o ponto fraco de seu oponente.
Severo notou o que estava acontecendo e se concentrou não dando ouvidos as coisas que o viking falava. Respirou fundo e arrancando de dentro de si um ódio que a muito não usava, algo que era necessário a seu disfarce de comensal e que ele achou que nunca mais usaria, um olhar frio e morto se estalou em seu rosto. O viking notou a mudança e estremeceu, foi o segundo que faltou para que ele pudesse impedir que Severo lança-se um crucius terrível que o atingiu em cheio.
O Homem começou a se contorcer e a gritar enquanto era torturado sem piedade pelo outro, o duque e o conde estavam tão boquiabertos que mau se mexiam nas celas dos cavalos, o poder que emanava do medico fazia todo o ar parecer quente, e deu para sentir quando ele parou de torturar o homem e falou:
- Chega, se me pedir desculpas agora e implorar deixarei você morrer com um avada, se não vou deixar você ai no chão sagrando até morrer.
O viking mau se mexia, olhava para o homem de preto com terror nos olhos. – Severo parou, tinha ido longe demais, aquele era o comensal dentro dele, algo que tinha sido enterrado, e voltara a vida pelas palavras duras do outro. – Avada Kedavra.
O viking estava morto, Severo ficou parado ao lado do corpo olhando. Seu cabelo negro despenteado caindo sobre sua face o escondia do mundo por alguns instantes, ele estava envergonhado de seu ímpeto, tinha, nos últimos tempos, quase certeza que havia se tornado um homem melhor, mas percebera que seu demônio estava apenas dormindo, e que se ele não cuidasse poderia vir a tona a qualquer hora.
Foi interrompido pelo duque que se aproximou a cavalo, o homem estava branco quando perguntou ainda montado.
- Você é um deles, um viking? – Severo ergueu a cabeça e o duque pode ver a tristeza estampada no rosto de Snape e se compadeceu ao ouvir um bufo dolorido antes de a voz grave, e naquele momento embargada do bruxo responder.
- Não eu não sou, sou tão inglês quando sua graça, apesar de não ser melhor que eles. Se quer saber ele é um bruxo, assim como eu, existem bruxos de todas as nacionalidades.
- Como um homem se torna um bruxo? Foi através um pacto com o demônio? – Severo riu – Não sua graça, se nasce assim, não é uma escolha. De onde eu vim todos são bruxos.
- Todos são maus como esses?
- Não a maioria só quer viver em paz, mas com poderes como os nossos as guerras são frequentes, mas a maioria entre bruxo não com trouxas.
- Como assim trouxas?
– É assim que os bruxos chamam os não bruxos, não é uma ofensa.
O Duque aquiesceu meio desgostoso. – Acabei de ordenar a retirada, o exercito que sobrou está subindo o barranco. O que vamos fazer, pelo que eu vi desse duelo, não temos chance contra eles, isso é um fato. E me diga, eles pode chegar ao castelo antes de nós? – Severo estremeceu, ele não tinha pensado nisso, o castelo estava desprotegido, Lembrando-se de Hermione teve uma ideia. Estalou os dedos e falou em voz alta – Prinny.
A elfo apareceu e assim que viu o duque, olhou para Severo preocupada, ele não deu importância e logo deu a ordem:
- Prinny volte para o castelo, vá até Hermione e avise que os vikings são bruxo e estão indo para lá, fale para ela proteger o castelo contra aparatação e feitiços o melhor que puder. É diga a ela para que, em hipótese alguma, venha para cá entendeu? – A pequena criatura balançou a cabeça afirmativamente bem rápido e já se despedia quando o duque chegou perto e a vendo se espantou – Meu Deus! Você é real? Não é fruto da minha imaginação? Eu me lembro de você de quando era criança na casa de minha avó, você cuidava de mim, sempre pensei, depois de mais velho, que tinha imaginado você.
A elfo sorriu para o homem e falou – Prinny sempre gostou do senhor duque, mas Prinny teve que sumir quando o senhor ficou muito grande para se enganar com a imaginação. O duque se aproximou e abraçou a elfo que sentiu uma lagrima sair dos olhos enormes. O momento foi quebrado por um som ensurdecedor dos homens chegando, Severo notou que, muitos tinham morrido ou eram carregados por seus companheiros, e ficou pesaroso, Sir Alister veio correndo. A elfo se afastou e aparatou para cumprir as ordens de seu mestre.
- Nunca vi nada como isso, eles soltam raios que matam um homem com um só disparo. Eles estão atrás de nós os arqueiros os retardaram mas logo estarão aqui.
O Duque olhou para Severo sem saber o que fazer, os homens estavam em pânico e o risco de uma debandada era real.
Snape pegou sua farinha e a encostou no pescoço aumentando a sua voz com um Sonorus e falou – Todos o mais juntos possível. Venham para perto do duque deixem pouco espaço entre vocês.
O espanto foi geral, mas ninguém ousou desobedecer a voz de comando e começaram a se unir, assim que um bolo humano foi formando, Snape ergueu a varinha a conjutou um protego maxima sobre o exercito e um feitiço que impedia que eles aparatassem do campo de batalha, dano tempo para se recuperarem, não seria por muito tempo, era verdade, por que logo os viking quebrariam o feitiço, ele só esperava que fosse o bastante.
O duque estava tonto com tudo aquilo, ele se lembrava do elfo de sua infância e começou a se perguntar o que sua avó fazia com uma criatura dessas em casa. Severo se aproximou do nobre e como se adivinhasse o que o outro pensava esclareceu – Sua avó era uma bruxa, esse elfo era dela e estava na minha casa, quando sua graça me a deu a mim os termos diziam que tudo que estivesse dentro da casa passava a me pertencer, como a elfo é uma posse dela passou a me ver como seu mestre.
- Ela é sua escrava? Não a tratem mal, eu gostava muito dela quando era pequeno.
- Ela não é uma escrava é uma serva, fique tranquilo, Hermione a mima como a uma criança, ela está feliz conosco. – o duque sorriu.
- Quanto tempo acha que ela levara para chegar ao castelo?
- Já deve estar lá nesse momento. – o nobre ficou espantado. – o senhor poderia ir para lá tão rápido também?
- Sim, ou até para mais longe.
- Obrigada então. – Severo não entendeu e o duque explicou. – Se o senhor tinha a possibilidade de ir para longe e ficou, quer dizer que escolheu nos ajudar e se colocou em risco por nós. - Severo fez que sim. E se calou antes que falasse alguma coisa que se arrependeria tomando pela emoção. O duque percebeu o incômodo do bruxo, e com pouco que o conhecia já tinha percebido que era um homem reservado e resolveu puxar outro assunto.
- O senhor mandou a elfo, é isso que ela é? – perguntou o duque e Severo confirmou – O senhor a mandou para sua esposa, o que acha que ela pode fazer, é só uma mulher.
- Hermione é uma bruxa e está longe de ser uma criatura indefesa, ela sabe se cuidar e também pode fazer o mesmo feitiço que acabei de executar criando esse escudo, só que sobre o castelo.
O duque ficou muito impressionado. – Ela é tão poderosa quando o Senhor? – Severo pensou para responder por um instante. – Não sei ao certo, mais ela é bem impressionante, apenas é muito jovem, o que diferencia realmente um bruxo do outro são os feitiços que ele sabe e o quão bem ele é treinado e experiente.
- As suas mulheres são tão poderosas quanto os homens – Severo riu ao responder – Sim elas são.
O duque passou a mão pelos cabelos. – Vocês são corajosos, imagina se casar com uma mulher assim poderosa.
Severo agora ria abertamente – Logo os bruxos aprendem a não arrumar brigas em casa e a dormir com a varinha embaixo do travesseiro.
Os dois homens ainda riam quando Sir Dunstan veio correndo em direção a eles empurrando os outros. – Que bruxaria endemoniada é essa que nos prendeu aqui nessa gaiola, temos que nos soltar e correr para o ataque!
- Dunstan calma, isso não é uma prisão é uma escudo. – O duque começou a explicar e o velho cavalheiro ficou cada vez mais irritado.
Enquanto isso Snape ficava pensando em como sairiam dali.
Hermione ainda estava abraçada a duquesa quando ouviu um ploc próximo a ela, se virou e viu Prinny torcendo as mãozinhas e a olhando assustada. A duquesa deu um grito e saiu correndo para o canto da sala. – Que criatura é essa! Deus do céu. – Ela segurava com força o terço junto ao peito.
A bruxa correu em dizer. – Abigail, essa é Prinny, ela é minha amiga não se preocupe. – E para Prinny ela falou brava: - Como você me aparece visível aqui? O que eu vou dizer para a...
Ela não pode terminar a frase por que a elfo a interrompeu:
- Senhora Prinny não teve tempo para vir invisível, é uma emergência, o mestre chamou Prinny no campo de batalha e pediu para Prinny dar um recado para a senhora.
- Prinny você viu Severo, ele está bem? – A duquesa que ainda estava com medo ouviu que a criatura tinha noticias do campo de batalha e perguntou meio sem jeito. – o Duque também está bem?
A elfo respondeu as duas – Eles estão bem, mas senhora, preciso dar o recado, o mestre mandou dizer que os vikings são bruxos e estão vindo para cá, e que a senhora deve fazer feitiços para proteger o castelo e disse que de jeito nenhum a mestra deve ir até o campo de batalha.
Hermione ficou branca e se levantou em um estalo indo rapidamente para a janela e a abriu, o vento frio da noite a chicoteou, a bruxa ergueu a varinha e começou a lançar todos os feitiços de proteção que se lembrava sobre o castelo, se sentindo satisfeita, se voltou para Prinny:
- Já protegi o castelo, mas não posso segurar os feitiços sozinha por muito tempo, Agora me responda, como está a situação do exercito.
A elfo mediu as palavras. – Bem senhora, Prinny não sabe bem, - Hermione percebendo o embaraço da serva ordenou – Prinny eu quero a verdade. – A elfo não podendo se recusar falou de uma vez. – Eles estão encurralados sobre um escudo de proteção do mestre, não sei quanto o mestre pode aquentar, e depois que o escudo for quebrado eles não tem chance.
A bruxa deu um grito. A duquesa, apesar de não ter entendido tudo o que a elfo tinha dito entendeu o suficiente para começar a chorar e voltar a rezar. Hermione ficou de pé e se pôs a caminhar em círculos. – Prinny você sabe quantos vikings estão na batalha? – A elfo respondeu – Prinny acha que devem ser um sessenta, Prinny olhou antes de vir para cá por que sabia que a senhora ia querer saber.
- Prinny você é perfeita. – A elfo ficou sem graça e tapou os olhos com as mãos.
Hermione continuou a pensar e de repente teve uma ideia:
- Prinny você sabe onde fica Hogwarts a escola de bruxos?
A pequena elfo respondeu que sim. – Prinny estive lá uma vez com a duquesa, mas ainda não era uma escola, era só um castelo.
- Ótimo Prinny! Quero que vá a esse castelo e procure uma mulher chamada Helga Lufa-Lufa, conte a ela o que está acontecendo e diga que é um pedido de ajuda de Hermione Prince e do Professor Prince. Entendeu bem.
A elfo disse que sim e desaparatou o mais rápido que pode. Hermione olhou para a duquesa que estava chocada com tudo. – Eu sei Abigail que você quer um monte de explicações, eu te darei algumas, mas antes tome um copo de água e sente-se aqui, mostrou o sofá.
Hermione passou todo o tempo que esperou por Prinny explicando tudo a duquesa, a mulher disse que se não tivesse visto acharia que a pobre amiga tinha enlouquecido.
A elfo voltou em pouco menos de meia hora, Hermione estava muito nervosa àquela altura, ela não sabia se Severo estava aquentando bem com as proteções e se a Helga poderia ajuda-la de alguma forma.
A pequena criatura correu para sua mestra e junto a ela uma muito afobada Helga que tinha sido aparatada dentro do castelo pela elfo. – Querida é mesmo verdade que aqueles bárbaros estão atacando estes trouxas, meus Deus! O ministro da magia está muito nervoso, esses vikings, eles não tem ministério lá no norte por isso fazem o que querem, mas dessa vez não iram se dar bem. Uma tropa de aurores está fora das suas proteções esperando para atacar assim que nos dizer onde. È tem mais, Rawena, Godric e Salazar, que você ainda não conhece, também estão ai.
Hermione não teve tempo de apresentar a amiga a duquesa e pediu logo a Prinny que mostrasse o caminho e as levasse para junto dos auroes. A elfo, no entanto se recusou a leva-la – Eu não posso levar a mestra, o mestre disse que não era para a senhora ir ao campo de batalha, e Prinny não vai leva-la.
A bruxa ficou muito nervosa, mas notando que a discussão só atrasaria, deixou que elas partissem, mas secretamente saiu do castelo e aparatou atrás delas. Não seria uma grifinória se deixasse Severo sozinho naquela situação.
Assim que desaparatou ela viu que os aurores estavam, partindo para cima dos vikings com tudo. A bruxa procurou com os olhos Severo, o encontrou saindo do meio do bolo humano voando sobre todos, da mesma forma que ele fez para fugir de Hogwarts, e lançava azarações diversas sobre os vikings. Ela correu para a batalha e se aproximou de Helga que ao vê-la se assustou. – O que você está fazendo aqui? – Não teve resposta, pois na mesma hora um viking raivoso partiu para cima das duas e Hermione começou a duelar com ele ferozmente, a Lufa-Lufa se espantou com a habilidade da moça e correu para ajudá-la.
Severo viu Hermione correr para Helga e soltou um palavrão, voou em direção a ela, e com um feitiço a puxou para cima e a colocou há suas costas.
- O que a senhora minha esposa está fazendo aqui? – Hermione se segurou em Snape para não cair. – Vim garantir que você volte para casa inteiro.
Snape deu um sorriso debochado com o canto da boca. – Está muito pretensiosa, acho que posso garantir a minha segurança sozinho. – como se para fazê-lo pagar a língua, uma azaração veio em direção a ele sem que percebesse por estar distraído com a bruxa e foi bloqueada por Hermione. A bruxa ergueu uma sobrancelha. – Acabei de salvar a sua pele, talvez eu seja útil afinal.
O bruxo franziu a boca em desdenho. – Só aconteceu por que estava conversando com você, mas já que está aqui se segure que temos muitos vikings para abater ainda.
Deu meia volta no ar e os dois juntos lançaram azarações sobre os nórdicos.
A batalha durou pouco, logo todos os nórdicos sobreviventes estavam sentados no chão juntos e acorrentados magicamente, a sua volta estavam os aurores e Severo pode finalmente retirar o escudo dos soldados do duque, esses de tão assustados nem se moveram, somente o nobre saiu do meio dele e foi ter com os visitantes.
- Obrigado, vocês são mesmo incríveis, não sei nem o que dizer, essa foi a coisa mais fabulosa que eu já vi. – o duque estava eufórico quando se aproximou dos bruxos.
Severo se adiantou e apresentou-o ao grupo. – Esse é o Duque de Cumbria, dono dessas terras e do exercito, foi o castelo dele que nós salvamos.
O duque fez uma reverência agradecendo e Severo começou a apresentar as pessoas individualmente. – Esses, sua graça, são os professores de Hogwarts uma escola para bruxos, eles são bruxos excepcionais em suas artes e vieram para cá a pedido de Hermione acredito.
Os bruxos confirmaram e Helga foi a primeira a dar um passo a frente e se apresentar. – Eu sou Helga Lufa-Lufa, é um prazer conhecê-lo. – O duque se aproximou e beijou a mão da bruxa, que ficou bem vermelha e deu uma risadinha nervosa. Depois dela foi a fez de Rawena e Godric se apresentarem.
Por ultimo se aproximou um homem que Severo ainda não conhecia, ele estendeu a mão a Snape primeiro que ao duque. – Acho que já deve ter ouvido falar de mim através de meus amigos. Eu sou Salazar Sonserina, e tenho muito prazer em conhecê-lo, o senhor é um bruxo fantástico, nunca vi a metade dos feitiços que lançou hoje durante a batalha, fiquei orgulhoso por saber que foi selecionado para a minha casa.
Hermione sorriu ao ver que Severo tinha ficado timido, ela imaginava como ele devia estar se sentindo com aquele elogio, era o próprio Sonserino dizendo o quanto o achava fantástico.
Rawena se aproximou. – Senhor Prince, realmente impressionante seu desempenho essa noite. Desculpe, mas tenho que reinterar: Não quer mesmo voltar a atrás e vir ensinar em Hogwarts, tenho certeza que seria um professor valiosíssimo para a escola.
O bruxo de negro agradeceu. – Não obrigado, eu estou muito bem junto ao Duque e a vila, gosto de morar aqui, e acredito que minha esposa também.
O Duque que ouvia a alguns passos de distância interveio. – Por favor, não queiram levar o meu amigo daqui, não saberia o que fazer sem ele.
Severo não gargalhou por que ia parecer surreal, se sentiu muito estranho vendo essas pessoas disputarem sua companhia depois de tudo que ele tinha ouvido no futuro, tanto de Minerva quanto de todos os outro bruxos era algo que fazia-o pensar em como a ideia de partir para o passado tenha sido a melhor de sua vida, isso sem falar de Hermione, essa não fora escolha dele, no entanto ele estava perfeitamente feliz com esse adendo do destino.
Eles ainda conversavam quando uma auror se aproximou e se dirigiu ao grupo de bruxos. – Teremos que obliviar todos esses trouxas, meu Deus, será um trabalhão, mas não podemos deixa-los sabendo de nossa existência. Vikings desgraçados. É sempre assim eles invadem uma terra trouxa qualquer, matam, roubam tudo e no fim temos ainda que ir até lá obliviar os sobreviventes. O pior é que, nós os prendemos para depois o Rei da Noruega nos manda uma carta pedindo que os mande de volta ao lar e ai um mês depois estão eles de volta. Criaturas ignóbeis. Estou feliz dessa vez por que o nosso rei, junto com o ministro decidiram que não vão devolver esses aqui e enquadra-los por quebra do estatuto do sigilo, vamos ver se isso resolve.
A auror estava raivosa quando deu as costas e se juntou aos outro aurores para começar a obliviar os soldados do duque, eles achariam que tinham vencido os vikings e que os que sobraram fugiram. O duque se preocupou com o que estava acontecendo e Severo teve que explicar a ele e tranquilizá-lo dizendo que seria melhor assim, eles não deviam saber sobre os bruxos, isso poderia ser perigoso para ambos os lados. O nobre depois de ponderar uns instantes concordou.
Um auror se aproximou do grupo dizendo que tinha que obliviar o duque e seu filho, Severo, no entanto interveio. – Eles não precisam ser obliviados, pois vem de uma família bruxa, a avó dele era uma de nós. O auror deu um passo para trás e perguntou ao nobre. – Isso é verdade senhor?
- Sim minha avó era uma bruxa. – E dando um sorriso de canto de boca para Severo completou. – Passei minha infância sendo cuidado por um elfo doméstico na casa dela.
Severo admirou a perspicácia de seu amigo afinal, até ver Prinny o nobre mau se lembrava dela, a fala, no entanto surtiu o efeito desejado e o auror sorriu e completou: - Se é assim, vou avisar aos outro, dando meia volta.
Os aurores foram embora junto aos vikings e o duque convidou os professores para irem ao castelo para uma refeição e descasarem antes da viagem de volta, eles, no entanto recusaram dizendo ser arriscado para o estatuto do sigilo. Despediram-se ali mesmo, na hora de partir Godric se aproximou de Severo e Hermione.
- Queria pedir desculpas para vocês, estou muito envergonhado do meu comportamento, me perdoem.
- Se Hermione o perdoar farei o mesmo, apesar disso não significar que esquecerei o que fez, todavia não o considerarei um inimigo. – o bruxo ruivo engoliu seco e aceitou o fato.
Hermione não estava bem certa se o perdoaria, olhou bem para o bruxo ruivo e viu nos olhos dele arrependimento verdadeiro, resolveu perdoa-lo e assim o fez. O bruxo agradeceu e partiu com os outros.
Todos os homens montaram em seus cavalos, inclusive Severo que carregava Hermione em sua garupa e voltaram para o castelo.
No caminho Hermione falou:
- Severo, então eram por ser bruxos que os vikings eram tão invencíveis e poderosos, nossa, nunca soube disso nas aulas de historia da magia.
- Nem eu nunca soube, acho que esses aurores obliviaram tanta gente que a historia se apagou até do mundo bruxo. Você sabe que eles sabem legimência, tentei ler a mente deles e foi bloqueado. Provavelmente eles que trouxeram esse feitiço para a Inglaterra. Gente perigosa essa!
Hermione riu dele.
– Sim muito perigosos, assim como nós.
- De jeito nenhum agora eu sou o mocinho da historia.
O bruxo riu e esporeou os cavalos já vendo o castelo ao longe.
Todos se reuniram no salão do castelo do duque, já era manhã alta e ninguém havia dormido, mas pareciam não se importar, pois comemoravam brindando e gritando vivas a derrota humilhante dos vikings. Dos trouxas, Somente a família do duque sabia a verdade e Severo estava muito contente por isso, gostava de ter uma vida simples ali, o que seria impossível se todos da vila soubessem o que eles eram. Só de pensar no padre e no que ele diria o fazia sentir arrepios. Hermione estava sorrindo a seu lado e era isso que importava.
Um mês se passou e ninguém mais falava da batalha, o desenrolar da vida tinha feito irrelevante o fato que antes era tão emocionante. Severo e Hermione estavam no castelo na sala particular da Duquesa tomando chá com o nobre casal e suas crianças pequenas.
A jovem Gertrude corria alegre em volta da mesa enquanto seu irmão Teobaldo brincava, sentado no tapete com alguns soldadinhos de madeira muito bonitos e coloridos. De repente o pequeno deu uma exclamação de admiração o que atraiu a atenção dos adultos, ao olharem viram que todos os soldadinhos estavam flutuando em volta da cabeça do menino e ele aplaudia feliz com o feito. A duquesa se espantou e se virou para Hermione que sorria. – Acho que temos um bruxinho na família!
Vendo a cara espantada de mulher ao ver os soldados começarem a rodar em volta da cabeça de seu filho mais novo completou. - Não se preocupe isso é normal em crianças mágicas, quando eu era pequena quebrei todos os enfeites de porcelana da minha mãe do mesmo jeito.
Severo ergueu as sobrancelhas ao ver a cena.
– Era de se esperar que alguém herdasse os poderes da vovó. – o duque encantado deu um sorriso para o amigo.
Hermione se aproximou de Severo e falou baixinho em seu ouvido para que só ele ouvisse. – Será bom para o nosso bruxinho ou bruxinha ter um amigo como ele.
Severo olhou para ela com os olhos arregalados. – você tem certeza disso? – Hermione muito tímida fez que sim com a cabeça.
O bruxo de negro, esquecendo-se da presença dos amigos tomou Hermione nos braços e a girou no ar a erguendo do chão alto o suficiente para beijar lhe a barriga e depois a desceu e a beijou nos lábios. Severo não podia estar mais feliz com o seu possível futuro no passado.
FIM
Nota da Autora:
Oi gente, ai está o ultimo capitulo, mas calma não acabou tem o EPÍLOGO que vira em breve...
Eu sei que demorei muito para postar esse cap e que vocês devem estar loucas comigo, desculpem! Adoro vocês e tentarei não fazer isso de novo. O epilogo deve sair essa semana mesmo, um beijão para vocês...
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